Foram encontradas 720 questões.
Leia o texto I abaixo que serve de referência para análise da
questão.
Texto I
A Teoria da Dependência e a Institucionalização do Atraso
Em 1800 o PIB per capita brasileiro era igual ao americano. Em
1913 o PIB americano já era sete vezes maior que o brasileiro (1).
Tivemos crescimento econômico quase zero no século XIX. Foi ali que o
Brasil ficou para trás. Ao contrário do que aconteceu nos EUA, nossa
independência em 1822 não abriu as portas para a industrialização da
economia. Permanecemos com uma economia agrária, de baixa
produtividade. O transporte era inexistente. A inexistência de mercados
de crédito e capital impossibilitava aos empreendedores importar
tecnologia para a indústria. Nossa economia e nossas finanças públicas
dependiam da exportação de algodão e açúcar e, posteriormente, de
café. Essa situação só começou a mudar na última década do século
XIX, com a (lenta) introdução das ferrovias e a queda do custo de
transporte. O atraso no desenvolvimento do Brasil no século XIX foi
causado pelas características intrínsecas da economia brasileira. A culpa
foi exclusivamente nossa. Tudo isso está documentado.
Mas alguns de nossos historiadores, antropólogos, sociólogos e
economistas preferiram ignorar os dados históricos e criaram a Teoria
da Dependência. Essa teoria culpa os países desenvolvidos pelo nosso
atraso. Essa escola de pensamento, da qual fizeram parte intelectuais
celebrados como Celso Furtado, rejeita o uso sistemático de dados
quantitativos para testar hipóteses. E vai mais além: alguns de seus
teóricos argumentam que as leis econômicas que regem as economias
desenvolvidas não se aplicam aos países em desenvolvimento. Somos
subdesenvolvidos porque isso interessa aos países do primeiro mundo,
diz a teoria.
Parece piada. Mas é sério.
A Teoria da Dependência afirma que o comércio internacional é a
causa de nossa pobreza – ao contrário do que mostra toda a história da
humanidade. É esse raciocínio que criou a política de “substituição de
importações” – aquela que ainda faz o brasileiro pagar uma fortuna por
lixo made in Brazil, em vez de importar tecnologia de primeira linha, o
que aumentaria a produtividade, geraria riqueza e espalharia progresso
pela economia. É esse raciocínio que diz que você só pode trazer 1.000
dólares em mercadoria de uma viagem ao exterior (até pouco tempo o
limite era de 500 dólares). É esse raciocínio que nos deu o iPhone mais
caro do mundo.
A Teoria da Dependência é inconsistente com os dados
econômicos e não consegue explicar a evolução histórica da nossa
economia. Mesmo assim, a Teoria da Dependência ainda é a base dos
estudos históricos econômicos na América Latina e está entranhada nos
livros-texto de nossas escolas e universidades. Uma mentira repetida
mil vezes vira verdade.
O comércio exterior é uma das maiores fontes de enriquecimento
das nações. Exportando aquilo que fazem melhor e importando aquilo
que, por várias razões, não conseguem produzir com eficiência, os
países melhoram as condições de vida de suas populações e caminham
em direção ao desenvolvimento.
A Teoria da Dependência disseminou em nossa cultura um
preconceito profundo contra o comércio internacional. As raízes criadas
por essa visão ideologizada do comércio explicam o desempenho
medíocre do Brasil no cenário internacional: somando importações e
exportações, o total do nosso comércio internacional corresponde a
menos de 30% do Produto Interno Bruto, enquanto em países como
China, Índia, México e Rússia essa participação está acima de 50% e no
Chile ultrapassa os 70%.
No Brasil, exportar e importar envolvem muita burocracia e o
Estado é sempre um elemento complicador. Enquanto o custo de
exportar um container é de 620 dólares na China, de 1.450 no México
e de 1.650 na Argentina, no Brasil esse custo ultrapassa os 2.200
dólares. Importações continuam sendo vistas, em nossa cultura e por
nossos homens públicos, como algo negativo, a ser evitado a todo custo.
Isso cria inúmeras oportunidades para a criação de tarifas de proteção de mercado que, na verdade, protegem apenas alguns produtores à
custa de toda a sociedade, que é forçada a pagar mais caro por produtos
inferiores fabricados no Brasil.
Essa fabricação nacional, muitas vezes, consiste apenas em
encaixar peças importadas e colocar uma plaquinha made in Brazil. A
falácia dessa visão negativa do comércio exterior e das importações já
foi desmistificada por Henry Hazlitt em Economia em Uma Só Lição (2):
A única coisa que supera o medo de importar, que afeta todas as
nações, é o desejo patológico de exportar. Nada pode ser mais
inconsistente do ponto de vista lógico. [...] É através delas (as
importações) que os consumidores conseguem comprar no exterior
produtos a preços melhores do que seria possível comprar de
produtores nacionais, ou produtos que não existem no país. A
verdadeira razão pela qual um país exporta é para pagar por suas
importações.
O comércio exterior continua sendo visto como uma relação em
que existe um ganhador e um perdedor. Graças à Teoria da
Dependência, há muitas décadas, os consumidores brasileiros estão
sujeitos a políticas de substituição de importações, principalmente na
forma de tarifas que tornam a compra de produtos importados – seja
um carro, uma máquina ou um serviço – muito mais cara.
(1) How Latin America Fell Behind: Essays on the Economic Histories of Brazil and Mexico, 1800-1914, Stanford
University Press, 1997, p. 1.
(2) Henry Hazlitt, Economics in One Lesson, Three Rivers Press, 1979, p. 85 e p. 89.
(https://www.robertomotta.com.br/artigos/a-teoria-da-dependencia-e-a-institucionalizacao-do-atraso/
adaptado)
( ) Houve um período na história em que o PIB brasileiro era igual ou superior ao americano.
( ) No século XIX, o Brasil manteve sua economia estagnada em termos de evolução.
( ) A independência americana abriu as portas de sua economia para a industrialização, o que não ocorrera no Brasil.
( ) Economia baseada em comodities e transporte inicialmente que dificultasse o escoamento da produção, além da inexistência de mercados de crédito e capital que possibilitasse aos empreendedores a importação de tecnologia para a indústria são a base da compreensão do atraso econômico do Brasil.
( ) Graças à ágil introdução das ferrovias e à queda do custo de transporte, a economia brasileira começou a sofrer socialmente com a lógica de mercado que favoreceu as importações como elemento fomentador da dependência econômica em relação às grandes nações.
Considerando-se V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas, pode-se dizer que, segundo as afirmações do texto, a sequência correta pela ordem é:
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questão.
Texto I
A Teoria da Dependência e a Institucionalização do Atraso
Em 1800 o PIB per capita brasileiro era igual ao americano. Em
1913 o PIB americano já era sete vezes maior que o brasileiro (1).
Tivemos crescimento econômico quase zero no século XIX. Foi ali que o
Brasil ficou para trás. Ao contrário do que aconteceu nos EUA, nossa
independência em 1822 não abriu as portas para a industrialização da
economia. Permanecemos com uma economia agrária, de baixa
produtividade. O transporte era inexistente. A inexistência de mercados
de crédito e capital impossibilitava aos empreendedores importar
tecnologia para a indústria. Nossa economia e nossas finanças públicas
dependiam da exportação de algodão e açúcar e, posteriormente, de
café. Essa situação só começou a mudar na última década do século
XIX, com a (lenta) introdução das ferrovias e a queda do custo de
transporte. O atraso no desenvolvimento do Brasil no século XIX foi
causado pelas características intrínsecas da economia brasileira. A culpa
foi exclusivamente nossa. Tudo isso está documentado.
Mas alguns de nossos historiadores, antropólogos, sociólogos e
economistas preferiram ignorar os dados históricos e criaram a Teoria
da Dependência. Essa teoria culpa os países desenvolvidos pelo nosso
atraso. Essa escola de pensamento, da qual fizeram parte intelectuais
celebrados como Celso Furtado, rejeita o uso sistemático de dados
quantitativos para testar hipóteses. E vai mais além: alguns de seus
teóricos argumentam que as leis econômicas que regem as economias
desenvolvidas não se aplicam aos países em desenvolvimento. Somos
subdesenvolvidos porque isso interessa aos países do primeiro mundo,
diz a teoria.
Parece piada. Mas é sério.
A Teoria da Dependência afirma que o comércio internacional é a
causa de nossa pobreza – ao contrário do que mostra toda a história da
humanidade. É esse raciocínio que criou a política de “substituição de
importações” – aquela que ainda faz o brasileiro pagar uma fortuna por
lixo made in Brazil, em vez de importar tecnologia de primeira linha, o
que aumentaria a produtividade, geraria riqueza e espalharia progresso
pela economia. É esse raciocínio que diz que você só pode trazer 1.000
dólares em mercadoria de uma viagem ao exterior (até pouco tempo o
limite era de 500 dólares). É esse raciocínio que nos deu o iPhone mais
caro do mundo.
A Teoria da Dependência é inconsistente com os dados
econômicos e não consegue explicar a evolução histórica da nossa
economia. Mesmo assim, a Teoria da Dependência ainda é a base dos
estudos históricos econômicos na América Latina e está entranhada nos
livros-texto de nossas escolas e universidades. Uma mentira repetida
mil vezes vira verdade.
O comércio exterior é uma das maiores fontes de enriquecimento
das nações. Exportando aquilo que fazem melhor e importando aquilo
que, por várias razões, não conseguem produzir com eficiência, os
países melhoram as condições de vida de suas populações e caminham
em direção ao desenvolvimento.
A Teoria da Dependência disseminou em nossa cultura um
preconceito profundo contra o comércio internacional. As raízes criadas
por essa visão ideologizada do comércio explicam o desempenho
medíocre do Brasil no cenário internacional: somando importações e
exportações, o total do nosso comércio internacional corresponde a
menos de 30% do Produto Interno Bruto, enquanto em países como
China, Índia, México e Rússia essa participação está acima de 50% e no
Chile ultrapassa os 70%.
No Brasil, exportar e importar envolvem muita burocracia e o
Estado é sempre um elemento complicador. Enquanto o custo de
exportar um container é de 620 dólares na China, de 1.450 no México
e de 1.650 na Argentina, no Brasil esse custo ultrapassa os 2.200
dólares. Importações continuam sendo vistas, em nossa cultura e por
nossos homens públicos, como algo negativo, a ser evitado a todo custo.
Isso cria inúmeras oportunidades para a criação de tarifas de proteção de mercado que, na verdade, protegem apenas alguns produtores à
custa de toda a sociedade, que é forçada a pagar mais caro por produtos
inferiores fabricados no Brasil.
Essa fabricação nacional, muitas vezes, consiste apenas em
encaixar peças importadas e colocar uma plaquinha made in Brazil. A
falácia dessa visão negativa do comércio exterior e das importações já
foi desmistificada por Henry Hazlitt em Economia em Uma Só Lição (2):
A única coisa que supera o medo de importar, que afeta todas as
nações, é o desejo patológico de exportar. Nada pode ser mais
inconsistente do ponto de vista lógico. [...] É através delas (as
importações) que os consumidores conseguem comprar no exterior
produtos a preços melhores do que seria possível comprar de
produtores nacionais, ou produtos que não existem no país. A
verdadeira razão pela qual um país exporta é para pagar por suas
importações.
O comércio exterior continua sendo visto como uma relação em
que existe um ganhador e um perdedor. Graças à Teoria da
Dependência, há muitas décadas, os consumidores brasileiros estão
sujeitos a políticas de substituição de importações, principalmente na
forma de tarifas que tornam a compra de produtos importados – seja
um carro, uma máquina ou um serviço – muito mais cara.
(1) How Latin America Fell Behind: Essays on the Economic Histories of Brazil and Mexico, 1800-1914, Stanford
University Press, 1997, p. 1.
(2) Henry Hazlitt, Economics in One Lesson, Three Rivers Press, 1979, p. 85 e p. 89.
(https://www.robertomotta.com.br/artigos/a-teoria-da-dependencia-e-a-institucionalizacao-do-atraso/
adaptado)
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Questão presente nas seguintes provas
Leia:
“O cenário esportivo atual é favorável ..... um patamar de profissionalismo muito mais inclinado ..... performance de alto nível. Os atletas têm tido compromissos comerciais e profissionais muito maiores, ..... medida que elevam suas marcas pessoais e se mostram mais voltados ..... prática de suas atividades em alto grau de exigência de mercado.”
Pode-se dizer, quanto ao uso adequado ou não do acento grave, que completam os espaços do texto acima respectivamente os seguintes vocábulos:
“O cenário esportivo atual é favorável ..... um patamar de profissionalismo muito mais inclinado ..... performance de alto nível. Os atletas têm tido compromissos comerciais e profissionais muito maiores, ..... medida que elevam suas marcas pessoais e se mostram mais voltados ..... prática de suas atividades em alto grau de exigência de mercado.”
Pode-se dizer, quanto ao uso adequado ou não do acento grave, que completam os espaços do texto acima respectivamente os seguintes vocábulos:
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Marque a alternativa cujo emprego da pontuação esteja
incorreto.
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Leia o texto I abaixo que serve de referência para análise da
questão.
Texto I
Vale por dois
Fernando Sabino
Pela manhã, ao sair de casa, olha antes à janela:
- Estará fazendo frio ou calor?
Veste um terno de casimira, torna a tirar, põe um de tropical. Já
pronto para sair, conclui que está frio, devia ter ficado com o de
casimira. Enfim... Consulta aflitivamente o céu nublado: será que vai
chover?
Volta para pegar o guarda-chuva — um homem prevenido vale
por dois: pode ser que chova. Já no elevador, resolve mudar de ideia:
mas também pode ser que não chova. Carregar esse trambolho! Torna
a subir, larga em casa o guarda-chuva.
Já na esquina, coça a cabeça, irresoluto: de ônibus ou de táxi? Se
passar um lotação jeitoso eu tomo. Eis que aparece um: não é jeitoso.
Vem em disparada, quase o atropela para deter-se ao sinal que lhe fez.
Não, não entro: esse é dos doidos, que saem alucinados por aí.
Deixa que os outros passageiros entrem — quando afinal se decide
— também a entrar, é barrado pelo motorista: não tem mais lugar. De
táxi, pois. Logo virá outro — pensa, irritado, e se vê de súbito entrando
num lotação. Ainda bem não se sentara, já se arrependia: é um absurdo,
são desvairados esses motoristas, como é que deixam gente assim tirar
carteira? Assassinos — assassinos do volante. Melhor saltar aqui, logo
de uma vez. Poderia esperar ainda dois ou três quarteirões, ficaria mais
perto... Deu o sinal: salto aqui, decidiu-se. O lotação parou.
- Pode tocar, foi engano — balbuciou para o motorista.
Já de pé na calçada, vacila entre as duas ruas que se oferecem:
uma, mais longa, sombreada; outra, direta, castigada pelo sol. Não iria
chover, pois: sua primeira vitória neste dia.
- Se for por esta rua, chego atrasado, mas por esta outra, com
tanto calor...
Só então se lembra que ainda não tomou café: entra no bar da
esquina e senta-se a uma das mesas.
-Um.
O garçom lhe informa que não servem cafezinho nas mesas, só
no balcão. Pensa em sair, chega mesmo a empurrar a cadeira para trás,
mas reage: pois então tomaria outra coisa, ora essa. Como também
pode simplesmente sair do bar sem tomar nada, não é isso mesmo?
- Me traga uma média — ordena, com voz segura que a si mesmo
espantou. Interiormente sorri de felicidade — mais um problema
resolvido.
- Simples ou com leite? Pergunta o garçom, antes de servir.
Ele ergue os olhos aflitos para o seu algoz, e sente vontade de
chorar.
(https://sos-portugues.blogspot.com/2013/04/avaliacao-de-texto-e-figuras-de.html, adaptado)
Segundo a análise dos elementos de coesão, pode-se afirmar que uniria, correta e semanticamente, a parte em destaque em relação à anterior a inclusão da seguinte conjunção:
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Leia o texto I abaixo que serve de referência para análise da
questão.
Texto I
Vale por dois
Fernando Sabino
Pela manhã, ao sair de casa, olha antes à janela:
- Estará fazendo frio ou calor?
Veste um terno de casimira, torna a tirar, põe um de tropical. Já
pronto para sair, conclui que está frio, devia ter ficado com o de
casimira. Enfim... Consulta aflitivamente o céu nublado: será que vai
chover?
Volta para pegar o guarda-chuva — um homem prevenido vale
por dois: pode ser que chova. Já no elevador, resolve mudar de ideia:
mas também pode ser que não chova. Carregar esse trambolho! Torna
a subir, larga em casa o guarda-chuva.
Já na esquina, coça a cabeça, irresoluto: de ônibus ou de táxi? Se
passar um lotação jeitoso eu tomo. Eis que aparece um: não é jeitoso.
Vem em disparada, quase o atropela para deter-se ao sinal que lhe fez.
Não, não entro: esse é dos doidos, que saem alucinados por aí.
Deixa que os outros passageiros entrem — quando afinal se decide
— também a entrar, é barrado pelo motorista: não tem mais lugar. De
táxi, pois. Logo virá outro — pensa, irritado, e se vê de súbito entrando
num lotação. Ainda bem não se sentara, já se arrependia: é um absurdo,
são desvairados esses motoristas, como é que deixam gente assim tirar
carteira? Assassinos — assassinos do volante. Melhor saltar aqui, logo
de uma vez. Poderia esperar ainda dois ou três quarteirões, ficaria mais
perto... Deu o sinal: salto aqui, decidiu-se. O lotação parou.
- Pode tocar, foi engano — balbuciou para o motorista.
Já de pé na calçada, vacila entre as duas ruas que se oferecem:
uma, mais longa, sombreada; outra, direta, castigada pelo sol. Não iria
chover, pois: sua primeira vitória neste dia.
- Se for por esta rua, chego atrasado, mas por esta outra, com
tanto calor...
Só então se lembra que ainda não tomou café: entra no bar da
esquina e senta-se a uma das mesas.
-Um.
O garçom lhe informa que não servem cafezinho nas mesas, só
no balcão. Pensa em sair, chega mesmo a empurrar a cadeira para trás,
mas reage: pois então tomaria outra coisa, ora essa. Como também
pode simplesmente sair do bar sem tomar nada, não é isso mesmo?
- Me traga uma média — ordena, com voz segura que a si mesmo
espantou. Interiormente sorri de felicidade — mais um problema
resolvido.
- Simples ou com leite? Pergunta o garçom, antes de servir.
Ele ergue os olhos aflitos para o seu algoz, e sente vontade de
chorar.
(https://sos-portugues.blogspot.com/2013/04/avaliacao-de-texto-e-figuras-de.html, adaptado)
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Leia o texto I abaixo que serve de referência para análise da
questão.
Texto I
Vale por dois
Fernando Sabino
Pela manhã, ao sair de casa, olha antes à janela:
- Estará fazendo frio ou calor?
Veste um terno de casimira, torna a tirar, põe um de tropical. Já
pronto para sair, conclui que está frio, devia ter ficado com o de
casimira. Enfim... Consulta aflitivamente o céu nublado: será que vai
chover?
Volta para pegar o guarda-chuva — um homem prevenido vale
por dois: pode ser que chova. Já no elevador, resolve mudar de ideia:
mas também pode ser que não chova. Carregar esse trambolho! Torna
a subir, larga em casa o guarda-chuva.
Já na esquina, coça a cabeça, irresoluto: de ônibus ou de táxi? Se
passar um lotação jeitoso eu tomo. Eis que aparece um: não é jeitoso.
Vem em disparada, quase o atropela para deter-se ao sinal que lhe fez.
Não, não entro: esse é dos doidos, que saem alucinados por aí.
Deixa que os outros passageiros entrem — quando afinal se decide
— também a entrar, é barrado pelo motorista: não tem mais lugar. De
táxi, pois. Logo virá outro — pensa, irritado, e se vê de súbito entrando
num lotação. Ainda bem não se sentara, já se arrependia: é um absurdo,
são desvairados esses motoristas, como é que deixam gente assim tirar
carteira? Assassinos — assassinos do volante. Melhor saltar aqui, logo
de uma vez. Poderia esperar ainda dois ou três quarteirões, ficaria mais
perto... Deu o sinal: salto aqui, decidiu-se. O lotação parou.
- Pode tocar, foi engano — balbuciou para o motorista.
Já de pé na calçada, vacila entre as duas ruas que se oferecem:
uma, mais longa, sombreada; outra, direta, castigada pelo sol. Não iria
chover, pois: sua primeira vitória neste dia.
- Se for por esta rua, chego atrasado, mas por esta outra, com
tanto calor...
Só então se lembra que ainda não tomou café: entra no bar da
esquina e senta-se a uma das mesas.
-Um.
O garçom lhe informa que não servem cafezinho nas mesas, só
no balcão. Pensa em sair, chega mesmo a empurrar a cadeira para trás,
mas reage: pois então tomaria outra coisa, ora essa. Como também
pode simplesmente sair do bar sem tomar nada, não é isso mesmo?
- Me traga uma média — ordena, com voz segura que a si mesmo
espantou. Interiormente sorri de felicidade — mais um problema
resolvido.
- Simples ou com leite? Pergunta o garçom, antes de servir.
Ele ergue os olhos aflitos para o seu algoz, e sente vontade de
chorar.
(https://sos-portugues.blogspot.com/2013/04/avaliacao-de-texto-e-figuras-de.html, adaptado)
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Questão presente nas seguintes provas
Leia o texto I abaixo que serve de referência para análise da
questão.
Texto I
Vale por dois
Fernando Sabino
Pela manhã, ao sair de casa, olha antes à janela:
- Estará fazendo frio ou calor?
Veste um terno de casimira, torna a tirar, põe um de tropical. Já
pronto para sair, conclui que está frio, devia ter ficado com o de
casimira. Enfim... Consulta aflitivamente o céu nublado: será que vai
chover?
Volta para pegar o guarda-chuva — um homem prevenido vale
por dois: pode ser que chova. Já no elevador, resolve mudar de ideia:
mas também pode ser que não chova. Carregar esse trambolho! Torna
a subir, larga em casa o guarda-chuva.
Já na esquina, coça a cabeça, irresoluto: de ônibus ou de táxi? Se
passar um lotação jeitoso eu tomo. Eis que aparece um: não é jeitoso.
Vem em disparada, quase o atropela para deter-se ao sinal que lhe fez.
Não, não entro: esse é dos doidos, que saem alucinados por aí.
Deixa que os outros passageiros entrem — quando afinal se decide
— também a entrar, é barrado pelo motorista: não tem mais lugar. De
táxi, pois. Logo virá outro — pensa, irritado, e se vê de súbito entrando
num lotação. Ainda bem não se sentara, já se arrependia: é um absurdo,
são desvairados esses motoristas, como é que deixam gente assim tirar
carteira? Assassinos — assassinos do volante. Melhor saltar aqui, logo
de uma vez. Poderia esperar ainda dois ou três quarteirões, ficaria mais
perto... Deu o sinal: salto aqui, decidiu-se. O lotação parou.
- Pode tocar, foi engano — balbuciou para o motorista.
Já de pé na calçada, vacila entre as duas ruas que se oferecem:
uma, mais longa, sombreada; outra, direta, castigada pelo sol. Não iria
chover, pois: sua primeira vitória neste dia.
- Se for por esta rua, chego atrasado, mas por esta outra, com
tanto calor...
Só então se lembra que ainda não tomou café: entra no bar da
esquina e senta-se a uma das mesas.
-Um.
O garçom lhe informa que não servem cafezinho nas mesas, só
no balcão. Pensa em sair, chega mesmo a empurrar a cadeira para trás,
mas reage: pois então tomaria outra coisa, ora essa. Como também
pode simplesmente sair do bar sem tomar nada, não é isso mesmo?
- Me traga uma média — ordena, com voz segura que a si mesmo
espantou. Interiormente sorri de felicidade — mais um problema
resolvido.
- Simples ou com leite? Pergunta o garçom, antes de servir.
Ele ergue os olhos aflitos para o seu algoz, e sente vontade de
chorar.
(https://sos-portugues.blogspot.com/2013/04/avaliacao-de-texto-e-figuras-de.html, adaptado)
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Questão presente nas seguintes provas
Leia o texto I abaixo que serve de referência para análise da
questão.
Texto I
Vale por dois
Fernando Sabino
Pela manhã, ao sair de casa, olha antes à janela:
- Estará fazendo frio ou calor?
Veste um terno de casimira, torna a tirar, põe um de tropical. Já
pronto para sair, conclui que está frio, devia ter ficado com o de
casimira. Enfim... Consulta aflitivamente o céu nublado: será que vai
chover?
Volta para pegar o guarda-chuva — um homem prevenido vale
por dois: pode ser que chova. Já no elevador, resolve mudar de ideia:
mas também pode ser que não chova. Carregar esse trambolho! Torna
a subir, larga em casa o guarda-chuva.
Já na esquina, coça a cabeça, irresoluto: de ônibus ou de táxi? Se
passar um lotação jeitoso eu tomo. Eis que aparece um: não é jeitoso.
Vem em disparada, quase o atropela para deter-se ao sinal que lhe fez.
Não, não entro: esse é dos doidos, que saem alucinados por aí.
Deixa que os outros passageiros entrem — quando afinal se decide
— também a entrar, é barrado pelo motorista: não tem mais lugar. De
táxi, pois. Logo virá outro — pensa, irritado, e se vê de súbito entrando
num lotação. Ainda bem não se sentara, já se arrependia: é um absurdo,
são desvairados esses motoristas, como é que deixam gente assim tirar
carteira? Assassinos — assassinos do volante. Melhor saltar aqui, logo
de uma vez. Poderia esperar ainda dois ou três quarteirões, ficaria mais
perto... Deu o sinal: salto aqui, decidiu-se. O lotação parou.
- Pode tocar, foi engano — balbuciou para o motorista.
Já de pé na calçada, vacila entre as duas ruas que se oferecem:
uma, mais longa, sombreada; outra, direta, castigada pelo sol. Não iria
chover, pois: sua primeira vitória neste dia.
- Se for por esta rua, chego atrasado, mas por esta outra, com
tanto calor...
Só então se lembra que ainda não tomou café: entra no bar da
esquina e senta-se a uma das mesas.
-Um.
O garçom lhe informa que não servem cafezinho nas mesas, só
no balcão. Pensa em sair, chega mesmo a empurrar a cadeira para trás,
mas reage: pois então tomaria outra coisa, ora essa. Como também
pode simplesmente sair do bar sem tomar nada, não é isso mesmo?
- Me traga uma média — ordena, com voz segura que a si mesmo
espantou. Interiormente sorri de felicidade — mais um problema
resolvido.
- Simples ou com leite? Pergunta o garçom, antes de servir.
Ele ergue os olhos aflitos para o seu algoz, e sente vontade de
chorar.
(https://sos-portugues.blogspot.com/2013/04/avaliacao-de-texto-e-figuras-de.html, adaptado)
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Leia o texto I abaixo que serve de referência para análise da
questão.
Texto I
Vale por dois
Fernando Sabino
Pela manhã, ao sair de casa, olha antes à janela:
- Estará fazendo frio ou calor?
Veste um terno de casimira, torna a tirar, põe um de tropical. Já
pronto para sair, conclui que está frio, devia ter ficado com o de
casimira. Enfim... Consulta aflitivamente o céu nublado: será que vai
chover?
Volta para pegar o guarda-chuva — um homem prevenido vale
por dois: pode ser que chova. Já no elevador, resolve mudar de ideia:
mas também pode ser que não chova. Carregar esse trambolho! Torna
a subir, larga em casa o guarda-chuva.
Já na esquina, coça a cabeça, irresoluto: de ônibus ou de táxi? Se
passar um lotação jeitoso eu tomo. Eis que aparece um: não é jeitoso.
Vem em disparada, quase o atropela para deter-se ao sinal que lhe fez.
Não, não entro: esse é dos doidos, que saem alucinados por aí.
Deixa que os outros passageiros entrem — quando afinal se decide
— também a entrar, é barrado pelo motorista: não tem mais lugar. De
táxi, pois. Logo virá outro — pensa, irritado, e se vê de súbito entrando
num lotação. Ainda bem não se sentara, já se arrependia: é um absurdo,
são desvairados esses motoristas, como é que deixam gente assim tirar
carteira? Assassinos — assassinos do volante. Melhor saltar aqui, logo
de uma vez. Poderia esperar ainda dois ou três quarteirões, ficaria mais
perto... Deu o sinal: salto aqui, decidiu-se. O lotação parou.
- Pode tocar, foi engano — balbuciou para o motorista.
Já de pé na calçada, vacila entre as duas ruas que se oferecem:
uma, mais longa, sombreada; outra, direta, castigada pelo sol. Não iria
chover, pois: sua primeira vitória neste dia.
- Se for por esta rua, chego atrasado, mas por esta outra, com
tanto calor...
Só então se lembra que ainda não tomou café: entra no bar da
esquina e senta-se a uma das mesas.
-Um.
O garçom lhe informa que não servem cafezinho nas mesas, só
no balcão. Pensa em sair, chega mesmo a empurrar a cadeira para trás,
mas reage: pois então tomaria outra coisa, ora essa. Como também
pode simplesmente sair do bar sem tomar nada, não é isso mesmo?
- Me traga uma média — ordena, com voz segura que a si mesmo
espantou. Interiormente sorri de felicidade — mais um problema
resolvido.
- Simples ou com leite? Pergunta o garçom, antes de servir.
Ele ergue os olhos aflitos para o seu algoz, e sente vontade de
chorar.
(https://sos-portugues.blogspot.com/2013/04/avaliacao-de-texto-e-figuras-de.html, adaptado)
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