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TEXTO 3
Insônia infeliz e feliz
De repente os olhos bem abertos. E a escuridão toda
escura. Deve ser noite alta. Acendo a luz da
cabeceira e para o meu desespero são duas horas da noite. E a cabeça clara e lúcida. Ainda arranjarei
alguém igual a quem eu possa telefonar às duas da
noite e que não me maldiga. Quem? Quem sofre de
insônia? E as horas não passam. Saio da cama, tomo café. E ainda por cima com um desses horríveis substitutos do açúcar porque Dr. José Carlos Cabral
de Almeida, dietista, acha que preciso perder os
quatro quilos que aumentei com a superalimentação
depois do incêndio. E o que se passa na luz acesa da
sala? Pensa-se uma escuridão clara. Não, não se pensa. Sente-se. Sente-se uma coisa que só tem um nome: solidão. Ler? Jamais. Escrever? Jamais. Passa-se um tempo, olha-se o relógio, quem sabe são
cinco horas. Nem quatro chegaram. Quem estará acordado agora? E nem posso pedir que me
telefonem no meio da noite pois posso estar
dormindo e não perdoar. Tomar uma pílula para
dormir? Mas e o vício que nos espreita? Ninguém me perdoaria o vício. Então fico sentada na sala, sentindo. Sentindo o quê? O nada. E o telefone à mão.
Mas quantas vezes a insônia é um dom. De repente
acordar no meio da noite e ter essa coisa rara:
solidão. Quase nenhum ruído. Só o das ondas do mar
batendo na praia. E tomo café com gosto, toda
sozinha no mundo. Ninguém me interrompe o nada.
É um nada a um tempo vazio e rico. E o telefone mudo, sem aquele toque súbito que sobressalta. Depois vai amanhecendo. As nuvens se clareando
sob um sol às vezes pálido como uma lua, às vezes
de fogo puro. Vou ao terraço e sou talvez a primeira
do dia a ver a espuma branca do mar. O mar é meu,
o sol é meu, a terra é minha. E sinto-me feliz por
nada, por tudo. Até que, como o sol subindo, a casa
vai acordando e há o reencontro com meus filhos
sonolentos.
Clarice Lispector. A descoberta do mundo. 2ª ed. Rio de
Janeiro: Nova Fronteira, 1984.
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TEXTO 3
Insônia infeliz e feliz
De repente os olhos bem abertos. E a escuridão toda
escura. Deve ser noite alta. Acendo a luz da
cabeceira e para o meu desespero são duas horas da noite. E a cabeça clara e lúcida. Ainda arranjarei
alguém igual a quem eu possa telefonar às duas da
noite e que não me maldiga. Quem? Quem sofre de
insônia? E as horas não passam. Saio da cama, tomo café. E ainda por cima com um desses horríveis substitutos do açúcar porque Dr. José Carlos Cabral
de Almeida, dietista, acha que preciso perder os
quatro quilos que aumentei com a superalimentação
depois do incêndio. E o que se passa na luz acesa da
sala? Pensa-se uma escuridão clara. Não, não se pensa. Sente-se. Sente-se uma coisa que só tem um nome: solidão. Ler? Jamais. Escrever? Jamais. Passa-se um tempo, olha-se o relógio, quem sabe são
cinco horas. Nem quatro chegaram. Quem estará acordado agora? E nem posso pedir que me
telefonem no meio da noite pois posso estar
dormindo e não perdoar. Tomar uma pílula para
dormir? Mas e o vício que nos espreita? Ninguém me perdoaria o vício. Então fico sentada na sala, sentindo. Sentindo o quê? O nada. E o telefone à mão.
Mas quantas vezes a insônia é um dom. De repente
acordar no meio da noite e ter essa coisa rara:
solidão. Quase nenhum ruído. Só o das ondas do mar
batendo na praia. E tomo café com gosto, toda
sozinha no mundo. Ninguém me interrompe o nada.
É um nada a um tempo vazio e rico. E o telefone mudo, sem aquele toque súbito que sobressalta. Depois vai amanhecendo. As nuvens se clareando
sob um sol às vezes pálido como uma lua, às vezes
de fogo puro. Vou ao terraço e sou talvez a primeira
do dia a ver a espuma branca do mar. O mar é meu,
o sol é meu, a terra é minha. E sinto-me feliz por
nada, por tudo. Até que, como o sol subindo, a casa
vai acordando e há o reencontro com meus filhos
sonolentos.
Clarice Lispector. A descoberta do mundo. 2ª ed. Rio de
Janeiro: Nova Fronteira, 1984.
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TEXTO 2
A flor e a náusea
Preso à minha classe e a algumas roupas,
vou de branco pela rua cinzenta.
Melancolias, mercadorias espreitam-me.
Devo seguir até o enjoo?
Posso, sem armas, revoltar-me?
Olhos sujos no relógio da torre:
Não, o tempo não chegou de completa justiça.
O tempo é ainda de fezes, maus poemas, alucinações
e espera.
O tempo pobre, o poeta pobre
fundem-se no mesmo impasse.
Em vão me tento explicar, os muros são surdos.
Sob a pele das palavras há cifras e códigos.
O sol consola os doentes e não os renova.
As coisas. Que tristes são as coisas, consideradas
sem ênfase.
Vomitar esse tédio sobre a cidade.
Quarenta anos e nenhum problema
resolvido, sequer colocado.
Nenhuma carta escrita nem recebida.
Todos os homens voltam para casa.
Estão menos livres mas levam jornais
e soletram o mundo, sabendo que o perdem.
Crimes da terra, como perdoá-los?
Tomei parte em muitos, outros escondi.
Alguns achei belos, foram publicados.
Crimes suaves, que ajudam a viver.
Ração diária de erro, distribuída em casa.
Os ferozes padeiros do mal.
Os ferozes leiteiros do mal.
Pôr fogo em tudo, inclusive em mim.
Ao menino de 1918 chamavam anarquista.
Porém meu ódio é o melhor de mim.
Com ele me salvo
e dou a poucos uma esperança mínima.
Uma flor nasceu na rua!
Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do
tráfego.
Uma flor ainda desbotada
ilude a polícia, rompe o asfalto.
Façam completo silêncio, paralisem os negócios,
garanto que uma flor nasceu.
Sua cor não se percebe.
Suas pétalas não se abrem.
Seu nome não está nos livros.
É feia. Mas é realmente uma flor.
Sento-me no chão da capital do país às cinco horas
da tarde
e lentamente passo a mão nessa forma insegura.
Do lado das montanhas, nuvens maciças avolumam-se.
Pequenos pontos brancos movem-se no mar,
galinhas em pânico.
É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o
nojo e o ódio.
Carlos Drummond de Andrade. A rosa do povo. 1a ed. — São
Paulo: Companhia das Letras, 2012.
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TEXTO 2
A flor e a náusea
Preso à minha classe e a algumas roupas,
vou de branco pela rua cinzenta.
Melancolias, mercadorias espreitam-me.
Devo seguir até o enjoo?
Posso, sem armas, revoltar-me?
Olhos sujos no relógio da torre:
Não, o tempo não chegou de completa justiça.
O tempo é ainda de fezes, maus poemas, alucinações
e espera.
O tempo pobre, o poeta pobre
fundem-se no mesmo impasse.
Em vão me tento explicar, os muros são surdos.
Sob a pele das palavras há cifras e códigos.
O sol consola os doentes e não os renova.
As coisas. Que tristes são as coisas, consideradas
sem ênfase.
Vomitar esse tédio sobre a cidade.
Quarenta anos e nenhum problema
resolvido, sequer colocado.
Nenhuma carta escrita nem recebida.
Todos os homens voltam para casa.
Estão menos livres mas levam jornais
e soletram o mundo, sabendo que o perdem.
Crimes da terra, como perdoá-los?
Tomei parte em muitos, outros escondi.
Alguns achei belos, foram publicados.
Crimes suaves, que ajudam a viver.
Ração diária de erro, distribuída em casa.
Os ferozes padeiros do mal.
Os ferozes leiteiros do mal.
Pôr fogo em tudo, inclusive em mim.
Ao menino de 1918 chamavam anarquista.
Porém meu ódio é o melhor de mim.
Com ele me salvo
e dou a poucos uma esperança mínima.
Uma flor nasceu na rua!
Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do
tráfego.
Uma flor ainda desbotada
ilude a polícia, rompe o asfalto.
Façam completo silêncio, paralisem os negócios,
garanto que uma flor nasceu.
Sua cor não se percebe.
Suas pétalas não se abrem.
Seu nome não está nos livros.
É feia. Mas é realmente uma flor.
Sento-me no chão da capital do país às cinco horas
da tarde
e lentamente passo a mão nessa forma insegura.
Do lado das montanhas, nuvens maciças avolumam-se.
Pequenos pontos brancos movem-se no mar,
galinhas em pânico.
É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o
nojo e o ódio.
Carlos Drummond de Andrade. A rosa do povo. 1a ed. — São
Paulo: Companhia das Letras, 2012.
No verso: “É feia. Mas é uma flor.”, a conjunção “mas” tem valor:
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TEXTO 2
A flor e a náusea
Preso à minha classe e a algumas roupas,
vou de branco pela rua cinzenta.
Melancolias, mercadorias espreitam-me.
Devo seguir até o enjoo?
Posso, sem armas, revoltar-me?
Olhos sujos no relógio da torre:
Não, o tempo não chegou de completa justiça.
O tempo é ainda de fezes, maus poemas, alucinações
e espera.
O tempo pobre, o poeta pobre
fundem-se no mesmo impasse.
Em vão me tento explicar, os muros são surdos.
Sob a pele das palavras há cifras e códigos.
O sol consola os doentes e não os renova.
As coisas. Que tristes são as coisas, consideradas
sem ênfase.
Vomitar esse tédio sobre a cidade.
Quarenta anos e nenhum problema
resolvido, sequer colocado.
Nenhuma carta escrita nem recebida.
Todos os homens voltam para casa.
Estão menos livres mas levam jornais
e soletram o mundo, sabendo que o perdem.
Crimes da terra, como perdoá-los?
Tomei parte em muitos, outros escondi.
Alguns achei belos, foram publicados.
Crimes suaves, que ajudam a viver.
Ração diária de erro, distribuída em casa.
Os ferozes padeiros do mal.
Os ferozes leiteiros do mal.
Pôr fogo em tudo, inclusive em mim.
Ao menino de 1918 chamavam anarquista.
Porém meu ódio é o melhor de mim.
Com ele me salvo
e dou a poucos uma esperança mínima.
Uma flor nasceu na rua!
Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do
tráfego.
Uma flor ainda desbotada
ilude a polícia, rompe o asfalto.
Façam completo silêncio, paralisem os negócios,
garanto que uma flor nasceu.
Sua cor não se percebe.
Suas pétalas não se abrem.
Seu nome não está nos livros.
É feia. Mas é realmente uma flor.
Sento-me no chão da capital do país às cinco horas
da tarde
e lentamente passo a mão nessa forma insegura.
Do lado das montanhas, nuvens maciças avolumam-se.
Pequenos pontos brancos movem-se no mar,
galinhas em pânico.
É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o
nojo e o ódio.
Carlos Drummond de Andrade. A rosa do povo. 1a ed. — São
Paulo: Companhia das Letras, 2012.
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A flor e a náusea
Preso à minha classe e a algumas roupas,
vou de branco pela rua cinzenta.
Melancolias, mercadorias espreitam-me.
Devo seguir até o enjoo?
Posso, sem armas, revoltar-me?
Olhos sujos no relógio da torre:
Não, o tempo não chegou de completa justiça.
O tempo é ainda de fezes, maus poemas, alucinações
e espera.
O tempo pobre, o poeta pobre
fundem-se no mesmo impasse.
Em vão me tento explicar, os muros são surdos.
Sob a pele das palavras há cifras e códigos.
O sol consola os doentes e não os renova.
As coisas. Que tristes são as coisas, consideradas
sem ênfase.
Vomitar esse tédio sobre a cidade.
Quarenta anos e nenhum problema
resolvido, sequer colocado.
Nenhuma carta escrita nem recebida.
Todos os homens voltam para casa.
Estão menos livres mas levam jornais
e soletram o mundo, sabendo que o perdem.
Crimes da terra, como perdoá-los?
Tomei parte em muitos, outros escondi.
Alguns achei belos, foram publicados.
Crimes suaves, que ajudam a viver.
Ração diária de erro, distribuída em casa.
Os ferozes padeiros do mal.
Os ferozes leiteiros do mal.
Pôr fogo em tudo, inclusive em mim.
Ao menino de 1918 chamavam anarquista.
Porém meu ódio é o melhor de mim.
Com ele me salvo
e dou a poucos uma esperança mínima.
Uma flor nasceu na rua!
Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do
tráfego.
Uma flor ainda desbotada
ilude a polícia, rompe o asfalto.
Façam completo silêncio, paralisem os negócios,
garanto que uma flor nasceu.
Sua cor não se percebe.
Suas pétalas não se abrem.
Seu nome não está nos livros.
É feia. Mas é realmente uma flor.
Sento-me no chão da capital do país às cinco horas
da tarde
e lentamente passo a mão nessa forma insegura.
Do lado das montanhas, nuvens maciças avolumam-se.
Pequenos pontos brancos movem-se no mar,
galinhas em pânico.
É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o
nojo e o ódio.
Carlos Drummond de Andrade. A rosa do povo. 1a ed. — São
Paulo: Companhia das Letras, 2012.
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TEXTO 2
A flor e a náusea
Preso à minha classe e a algumas roupas,
vou de branco pela rua cinzenta.
Melancolias, mercadorias espreitam-me.
Devo seguir até o enjoo?
Posso, sem armas, revoltar-me?
Olhos sujos no relógio da torre:
Não, o tempo não chegou de completa justiça.
O tempo é ainda de fezes, maus poemas, alucinações
e espera.
O tempo pobre, o poeta pobre
fundem-se no mesmo impasse.
Em vão me tento explicar, os muros são surdos.
Sob a pele das palavras há cifras e códigos.
O sol consola os doentes e não os renova.
As coisas. Que tristes são as coisas, consideradas
sem ênfase.
Vomitar esse tédio sobre a cidade.
Quarenta anos e nenhum problema
resolvido, sequer colocado.
Nenhuma carta escrita nem recebida.
Todos os homens voltam para casa.
Estão menos livres mas levam jornais
e soletram o mundo, sabendo que o perdem.
Crimes da terra, como perdoá-los?
Tomei parte em muitos, outros escondi.
Alguns achei belos, foram publicados.
Crimes suaves, que ajudam a viver.
Ração diária de erro, distribuída em casa.
Os ferozes padeiros do mal.
Os ferozes leiteiros do mal.
Pôr fogo em tudo, inclusive em mim.
Ao menino de 1918 chamavam anarquista.
Porém meu ódio é o melhor de mim.
Com ele me salvo
e dou a poucos uma esperança mínima.
Uma flor nasceu na rua!
Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do
tráfego.
Uma flor ainda desbotada
ilude a polícia, rompe o asfalto.
Façam completo silêncio, paralisem os negócios,
garanto que uma flor nasceu.
Sua cor não se percebe.
Suas pétalas não se abrem.
Seu nome não está nos livros.
É feia. Mas é realmente uma flor.
Sento-me no chão da capital do país às cinco horas
da tarde
e lentamente passo a mão nessa forma insegura.
Do lado das montanhas, nuvens maciças avolumam-se.
Pequenos pontos brancos movem-se no mar,
galinhas em pânico.
É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o
nojo e o ódio.
Carlos Drummond de Andrade. A rosa do povo. 1a ed. — São
Paulo: Companhia das Letras, 2012.
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TEXTO 1
A Corrida Contra o Tempo: Reflexões sobre a
Pressa no Mundo Moderno
A correria do dia a dia é uma constante que todos
conhecemos bem. Vivemos em um tempo em que a
aceleração parece ser a única resposta para a
demanda incessante de produtividade e resultados
rápidos. Nos arrastamos de um compromisso para o
outro, com os olhos sempre fixos no relógio, como
se cada segundo perdido fosse um fracasso.
É interessante observar como, em meio a essa pressa
generalizada, a sensação de que estamos ficando
para trás cresce. Estamos sempre correndo, mas não
temos a certeza de que estamos indo para o lugar
certo. O mercado exige de nós que sejamos rápidos,
que respondamos instantaneamente aos e-mails, que
estejamos disponíveis o tempo todo, que não perca o bonde da história. “Aproveite o tempo”, nos dizem,
como se fosse uma mercadoria que pode ser
estocada e negociada. Mas, na prática, será que
conseguimos aproveitar o tempo ou estamos apenas tentando sobreviver à velocidade do mundo em que nos inserimos?
Na sociedade digital, o tempo parece se comprimir.
Tudo se torna urgente: uma atualização de status,
uma notificação no celular, a chegada de uma nova
mensagem. A rapidez virou sinônimo de eficiência,
e as pausas, um luxo quase proibido. Quando foi que começamos a valorizar tanto o “fazer” em
detrimento do “viver”?
A tecnologia tem sido
Ao mesmo tempo em
conexão instantânea e
um motor dessa aceleração.
que nos proporciona uma e facilita muitas tarefas, ela também nos priva da capacidade de desacelerar, de
refletir, de saborear o momento presente. Quem se
lembra de quando um encontro entre amigos podia
ser uma conversa longa, sem pressa de terminar? Ou
de quando um livro podia ser lido sem olhar o
relógio a cada capítulo?
Claro, não podemos ignorar o fato de que a pressa é,
muitas vezes, necessária. Em um mundo
globalizado, as demandas são muitas e exigem
respostas rápidas. O trabalho, a vida social, as
responsabilidades familiares—tudo exige a nossa
atenção simultaneamente. No entanto, é válido
questionar até que ponto essa pressa não tem afetado
nossa saúde mental, nossa capacidade de conexão
genuína e, principalmente, a nossa qualidade de
vida.
Olhando para o futuro, talvez seja hora de
repensarmos nossa relação com o tempo. Não estou
falando de resistir às mudanças tecnológicas ou de
abandonar a busca por eficiência, mas de redescobrir o valor do tempo bem vivido, não apenas
consumido. Afinal, a vida não se resume à
quantidade de coisas que conseguimos fazer em um
dia, mas à qualidade das experiências que
conseguimos vivenciar.
Em algum momento, precisamos encontrar o equilíbrio. Talvez seja hora de desacelerar um pouco
e dar espaço para aquilo que realmente importa—o
tempo para respirar, para conversar, para olhar ao
redor e perceber o que o presente tem a nos oferecer.
Porque, no final das contas, não é a pressa que define o valor da nossa vida, mas a forma como
escolhemos viver o tempo que nos é dado.
Por Rafaella Alves Rodrigues. Portal labnoticias.jor.br
(online), 2024
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TEXTO 1
A Corrida Contra o Tempo: Reflexões sobre a
Pressa no Mundo Moderno
A correria do dia a dia é uma constante que todos
conhecemos bem. Vivemos em um tempo em que a
aceleração parece ser a única resposta para a
demanda incessante de produtividade e resultados
rápidos. Nos arrastamos de um compromisso para o
outro, com os olhos sempre fixos no relógio, como
se cada segundo perdido fosse um fracasso.
É interessante observar como, em meio a essa pressa
generalizada, a sensação de que estamos ficando
para trás cresce. Estamos sempre correndo, mas não
temos a certeza de que estamos indo para o lugar
certo. O mercado exige de nós que sejamos rápidos,
que respondamos instantaneamente aos e-mails, que
estejamos disponíveis o tempo todo, que não perca o bonde da história. “Aproveite o tempo”, nos dizem,
como se fosse uma mercadoria que pode ser
estocada e negociada. Mas, na prática, será que
conseguimos aproveitar o tempo ou estamos apenas tentando sobreviver à velocidade do mundo em que nos inserimos?
Na sociedade digital, o tempo parece se comprimir.
Tudo se torna urgente: uma atualização de status,
uma notificação no celular, a chegada de uma nova
mensagem. A rapidez virou sinônimo de eficiência,
e as pausas, um luxo quase proibido. Quando foi que começamos a valorizar tanto o “fazer” em
detrimento do “viver”?
A tecnologia tem sido
Ao mesmo tempo em
conexão instantânea e
um motor dessa aceleração.
que nos proporciona uma e facilita muitas tarefas, ela também nos priva da capacidade de desacelerar, de
refletir, de saborear o momento presente. Quem se
lembra de quando um encontro entre amigos podia
ser uma conversa longa, sem pressa de terminar? Ou
de quando um livro podia ser lido sem olhar o
relógio a cada capítulo?
Claro, não podemos ignorar o fato de que a pressa é,
muitas vezes, necessária. Em um mundo
globalizado, as demandas são muitas e exigem
respostas rápidas. O trabalho, a vida social, as
responsabilidades familiares—tudo exige a nossa
atenção simultaneamente. No entanto, é válido
questionar até que ponto essa pressa não tem afetado
nossa saúde mental, nossa capacidade de conexão
genuína e, principalmente, a nossa qualidade de
vida.
Olhando para o futuro, talvez seja hora de
repensarmos nossa relação com o tempo. Não estou
falando de resistir às mudanças tecnológicas ou de
abandonar a busca por eficiência, mas de redescobrir o valor do tempo bem vivido, não apenas
consumido. Afinal, a vida não se resume à
quantidade de coisas que conseguimos fazer em um
dia, mas à qualidade das experiências que
conseguimos vivenciar.
Em algum momento, precisamos encontrar o equilíbrio. Talvez seja hora de desacelerar um pouco
e dar espaço para aquilo que realmente importa—o
tempo para respirar, para conversar, para olhar ao
redor e perceber o que o presente tem a nos oferecer.
Porque, no final das contas, não é a pressa que define o valor da nossa vida, mas a forma como
escolhemos viver o tempo que nos é dado.
Por Rafaella Alves Rodrigues. Portal labnoticias.jor.br
(online), 2024
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TEXTO 1
A Corrida Contra o Tempo: Reflexões sobre a
Pressa no Mundo Moderno
A correria do dia a dia é uma constante que todos
conhecemos bem. Vivemos em um tempo em que a
aceleração parece ser a única resposta para a
demanda incessante de produtividade e resultados
rápidos. Nos arrastamos de um compromisso para o
outro, com os olhos sempre fixos no relógio, como
se cada segundo perdido fosse um fracasso.
É interessante observar como, em meio a essa pressa
generalizada, a sensação de que estamos ficando
para trás cresce. Estamos sempre correndo, mas não
temos a certeza de que estamos indo para o lugar
certo. O mercado exige de nós que sejamos rápidos,
que respondamos instantaneamente aos e-mails, que
estejamos disponíveis o tempo todo, que não perca o bonde da história. “Aproveite o tempo”, nos dizem,
como se fosse uma mercadoria que pode ser
estocada e negociada. Mas, na prática, será que
conseguimos aproveitar o tempo ou estamos apenas tentando sobreviver à velocidade do mundo em que nos inserimos?
Na sociedade digital, o tempo parece se comprimir.
Tudo se torna urgente: uma atualização de status,
uma notificação no celular, a chegada de uma nova
mensagem. A rapidez virou sinônimo de eficiência,
e as pausas, um luxo quase proibido. Quando foi que começamos a valorizar tanto o “fazer” em
detrimento do “viver”?
A tecnologia tem sido
Ao mesmo tempo em
conexão instantânea e
um motor dessa aceleração.
que nos proporciona uma e facilita muitas tarefas, ela também nos priva da capacidade de desacelerar, de
refletir, de saborear o momento presente. Quem se
lembra de quando um encontro entre amigos podia
ser uma conversa longa, sem pressa de terminar? Ou
de quando um livro podia ser lido sem olhar o
relógio a cada capítulo?
Claro, não podemos ignorar o fato de que a pressa é,
muitas vezes, necessária. Em um mundo
globalizado, as demandas são muitas e exigem
respostas rápidas. O trabalho, a vida social, as
responsabilidades familiares—tudo exige a nossa
atenção simultaneamente. No entanto, é válido
questionar até que ponto essa pressa não tem afetado
nossa saúde mental, nossa capacidade de conexão
genuína e, principalmente, a nossa qualidade de
vida.
Olhando para o futuro, talvez seja hora de
repensarmos nossa relação com o tempo. Não estou
falando de resistir às mudanças tecnológicas ou de
abandonar a busca por eficiência, mas de redescobrir o valor do tempo bem vivido, não apenas
consumido. Afinal, a vida não se resume à
quantidade de coisas que conseguimos fazer em um
dia, mas à qualidade das experiências que
conseguimos vivenciar.
Em algum momento, precisamos encontrar o equilíbrio. Talvez seja hora de desacelerar um pouco
e dar espaço para aquilo que realmente importa—o
tempo para respirar, para conversar, para olhar ao
redor e perceber o que o presente tem a nos oferecer.
Porque, no final das contas, não é a pressa que define o valor da nossa vida, mas a forma como
escolhemos viver o tempo que nos é dado.
Por Rafaella Alves Rodrigues. Portal labnoticias.jor.br
(online), 2024
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