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Leia o texto.
tradicionalmente música caipira e sertaneja, a viola caipira vem ganhando espaço como um instrumento versátil, capaz de ser utilizado na execução de quaisquer gêneros musicais, além de também poder ser explorada no universo da música instrumental. Com um aprendizado historicamente ligado uma tradição de ensino oral, calcado muitas vezes na figura de mestres violeiros e nos ambientes de manifestações culturais caipiras, como as Festas do Divino, as Folias de Reis e a Dança de São Gonçalo, a viola há alguns anos se beneficiando de um processo de formalização e institucionalização de seu ensino.
(Luiz Prado. Em: https://jornal.usp.br/cultura/ensino-de-viola-caipira- -ganha-espaco-com-tecnologias-digitais/. Adaptado)
Assinale a alternativa que completa, correta e respectivamente, as lacunas.
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Desde que mandei colocar uns vasos de gerânio na minha janela, eles começaram a aparecer. Dependurei ali um bebedouro, desses para beija-flor, mas são de outra espécie os que aparecem todas as manhãs e se fartam de água açucarada. Pude observar então que um deles só vem quando os demais já se foram.
Vem todas as manhãs. Sei que é ele e não outro por um pormenor que o distingue dos demais: só tem uma perna. Não é todo dia que costuma aparecer mais de um passarinho com uma perna só.
Ao pousar, equilibra-se sem dificuldade na única perna. É de se ver as suas passarinhices no peitoril da janela, ou a saltitar de galho em galho, entre os gerânios, como se estivesse fazendo bonito para mim.
Enquanto escrevo, ele acaba de chegar. Paro um pouco e fico a olhá-lo. Finge que não me vê, beberica um pouco a sua aguinha, dá um pulo para lá, outro para cá, esvoaça sobre um gerânio. Mas agora acaba de chegar outro que, prevalecendo- se da superioridade que lhe conferem as duas pernas, em vez de confraternizar, expulsa o pernetinha a bicadas, e passa a beber da sua água. A um canto da janela, meio jururu, ele fica aguardando os acontecimentos, enquanto eu enxoto o seu atrevido semelhante. Quer dizer que até entre eles predomina a lei do mais forte! De novo senhor absoluto da janela, meu amiguinho volta a bebericar e depois vai embora.
Não tenho a pretensão de entender de passarinhos – assunto de competência de Rubem Braga, o sabiá da crônica. Não me arrisco a dedicar uma nem mesmo a este que me aparece a cada manhã, passarinhando no parapeito. Às vezes tenho a impressão de que tudo que ele faz é para atrair minha atenção e me distrair do trabalho, a dizer que deixe de me afligir com palavras e de me sentir incompleto como se me faltasse uma perna: passe a viver como ele, é tão fácil, basta sacudir as asas e sair voando pela janela.
(Fernando Sabino. As melhores crônicas de Fernando Sabino. Rio de Janeiro, 2008. Adaptado)
A passagem destacada no trecho do 1º parágrafo − Desde que mandei colocar uns vasos de gerânio na minha janela… − pode ser corretamente substituída por:
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Desde que mandei colocar uns vasos de gerânio na minha janela, eles começaram a aparecer. Dependurei ali um bebedouro, desses para beija-flor, mas são de outra espécie os que aparecem todas as manhãs e se fartam de água açucarada. Pude observar então que um deles só vem quando os demais já se foram.
Vem todas as manhãs. Sei que é ele e não outro por um pormenor que o distingue dos demais: só tem uma perna. Não é todo dia que costuma aparecer mais de um passarinho com uma perna só.
Ao pousar, equilibra-se sem dificuldade na única perna. É de se ver as suas passarinhices no peitoril da janela, ou a saltitar de galho em galho, entre os gerânios, como se estivesse fazendo bonito para mim.
Enquanto escrevo, ele acaba de chegar. Paro um pouco e fico a olhá-lo. Finge que não me vê, beberica um pouco a sua aguinha, dá um pulo para lá, outro para cá, esvoaça sobre um gerânio. Mas agora acaba de chegar outro que, prevalecendo- se da superioridade que lhe conferem as duas pernas, em vez de confraternizar, expulsa o pernetinha a bicadas, e passa a beber da sua água. A um canto da janela, meio jururu, ele fica aguardando os acontecimentos, enquanto eu enxoto o seu atrevido semelhante. Quer dizer que até entre eles predomina a lei do mais forte! De novo senhor absoluto da janela, meu amiguinho volta a bebericar e depois vai embora.
Não tenho a pretensão de entender de passarinhos – assunto de competência de Rubem Braga, o sabiá da crônica. Não me arrisco a dedicar uma nem mesmo a este que me aparece a cada manhã, passarinhando no parapeito. Às vezes tenho a impressão de que tudo que ele faz é para atrair minha atenção e me distrair do trabalho, a dizer que deixe de me afligir com palavras e de me sentir incompleto como se me faltasse uma perna: passe a viver como ele, é tão fácil, basta sacudir as asas e sair voando pela janela.
(Fernando Sabino. As melhores crônicas de Fernando Sabino. Rio de Janeiro, 2008. Adaptado)
Os temos destacados nos trechos − Sei que é ele e não outro por um pormenor… – e − … tudo que ele faz é para atrair minha atenção… apresentam respectivamente ideias de
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Desde que mandei colocar uns vasos de gerânio na minha janela, eles começaram a aparecer. Dependurei ali um bebedouro, desses para beija-flor, mas são de outra espécie os que aparecem todas as manhãs e se fartam de água açucarada. Pude observar então que um deles só vem quando os demais já se foram.
Vem todas as manhãs. Sei que é ele e não outro por um pormenor que o distingue dos demais: só tem uma perna. Não é todo dia que costuma aparecer mais de um passarinho com uma perna só.
Ao pousar, equilibra-se sem dificuldade na única perna. É de se ver as suas passarinhices no peitoril da janela, ou a saltitar de galho em galho, entre os gerânios, como se estivesse fazendo bonito para mim.
Enquanto escrevo, ele acaba de chegar. Paro um pouco e fico a olhá-lo. Finge que não me vê, beberica um pouco a sua aguinha, dá um pulo para lá, outro para cá, esvoaça sobre um gerânio. Mas agora acaba de chegar outro que, prevalecendo- se da superioridade que lhe conferem as duas pernas, em vez de confraternizar, expulsa o pernetinha a bicadas, e passa a beber da sua água. A um canto da janela, meio jururu, ele fica aguardando os acontecimentos, enquanto eu enxoto o seu atrevido semelhante. Quer dizer que até entre eles predomina a lei do mais forte! De novo senhor absoluto da janela, meu amiguinho volta a bebericar e depois vai embora.
Não tenho a pretensão de entender de passarinhos – assunto de competência de Rubem Braga, o sabiá da crônica. Não me arrisco a dedicar uma nem mesmo a este que me aparece a cada manhã, passarinhando no parapeito. Às vezes tenho a impressão de que tudo que ele faz é para atrair minha atenção e me distrair do trabalho, a dizer que deixe de me afligir com palavras e de me sentir incompleto como se me faltasse uma perna: passe a viver como ele, é tão fácil, basta sacudir as asas e sair voando pela janela.
(Fernando Sabino. As melhores crônicas de Fernando Sabino. Rio de Janeiro, 2008. Adaptado)
Considere os trechos.
• Mas agora acaba de chegar outro que, prevalecendo-se da superioridade que lhe conferem as duas pernas…
• … tenho a impressão de que tudo que ele faz é para atrair minha atenção e me distrair do trabalho, a dizer que deixe de me afligir com palavras…
No contexto em que ocorrem, os termos em destaque podem ser substituídos, correta e respectivamente, pelos sinônimos:
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Desde que mandei colocar uns vasos de gerânio na minha janela, eles começaram a aparecer. Dependurei ali um bebedouro, desses para beija-flor, mas são de outra espécie os que aparecem todas as manhãs e se fartam de água açucarada. Pude observar então que um deles só vem quando os demais já se foram.
Vem todas as manhãs. Sei que é ele e não outro por um pormenor que o distingue dos demais: só tem uma perna. Não é todo dia que costuma aparecer mais de um passarinho com uma perna só.
Ao pousar, equilibra-se sem dificuldade na única perna. É de se ver as suas passarinhices no peitoril da janela, ou a saltitar de galho em galho, entre os gerânios, como se estivesse fazendo bonito para mim.
Enquanto escrevo, ele acaba de chegar. Paro um pouco e fico a olhá-lo. Finge que não me vê, beberica um pouco a sua aguinha, dá um pulo para lá, outro para cá, esvoaça sobre um gerânio. Mas agora acaba de chegar outro que, prevalecendo- se da superioridade que lhe conferem as duas pernas, em vez de confraternizar, expulsa o pernetinha a bicadas, e passa a beber da sua água. A um canto da janela, meio jururu, ele fica aguardando os acontecimentos, enquanto eu enxoto o seu atrevido semelhante. Quer dizer que até entre eles predomina a lei do mais forte! De novo senhor absoluto da janela, meu amiguinho volta a bebericar e depois vai embora.
Não tenho a pretensão de entender de passarinhos – assunto de competência de Rubem Braga, o sabiá da crônica. Não me arrisco a dedicar uma nem mesmo a este que me aparece a cada manhã, passarinhando no parapeito. Às vezes tenho a impressão de que tudo que ele faz é para atrair minha atenção e me distrair do trabalho, a dizer que deixe de me afligir com palavras e de me sentir incompleto como se me faltasse uma perna: passe a viver como ele, é tão fácil, basta sacudir as asas e sair voando pela janela.
(Fernando Sabino. As melhores crônicas de Fernando Sabino. Rio de Janeiro, 2008. Adaptado)
De acordo com o texto, é correto afirmar que o narrador
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Há anos defendo a ideia de que a importância dada à biodiversidade deveria ser estendida à sociodiversidade. Assim como a biodiversidade traz grande poder a um país, a sociodiversidade também o faz.
Como todos sabem, as populações tradicionais de um determinado local carregam consigo uma enciclopédia de conhecimentos sobre seu entorno, incluindo a mágica de utilizar os recursos naturais como meio de sobrevivência sem comprometer a existência do ambiente. Alguns chamariam isso de autossustentabilidade. Não sei se a autossustentabilidade é possível em uma sociedade com a nossa escala demográfica e com tamanha expectativa de consumo. Mas, se estratégias que aliviem o impacto ambiental forem possíveis para nós, elas certamente terão que ser inspiradas nos povos originais de cada grande ambiente natural de nosso planeta, incluindo aí a Amazônia.
Ocorre que essas populações tradicionais estão sendo varridas do planeta, principalmente em nosso país, antes de terem suas bases de sustentação material e suas formas de manejo florestal estudadas em profundidade. Esse é um dos motivos pelos quais se deve defender a urgente manutenção dos povos originais na Terra.
Mas é possível argumentar por um outro viés, pelo menos não explicitamente utilitarista. A humanidade surgiu há cerca de 2,5 milhões de anos e até cerca de cinco mil anos atrás vivemos em sociedades de pequena escala, sobretudo em pequenos bandos de caçadores-coletores e, mais tarde, em pequenas tribos com agricultura incipiente. Toda nossa psique foi formada nesse período. Portanto, se destruirmos os últimos povos originais do planeta, estará perdida, para sempre, a compreensão da nossa alma, dos nossos conflitos psicológicos e, até mesmo, psiquiátricos. Em poucas palavras, de nosso sofrimento enquanto espécie.
Cada uma dessas sociedades significa experimentos únicos em termos existenciais e elas podem ter encontrado soluções diversas para as dores da alma, que estamos falhando em encontrar (temos altas taxas de suicídios, de depressão e ansiedade, de consumo de remédios psiquiátricos etc.). Portanto, “consultá-las” a respeito é o mínimo que podemos fazer. A biodiversidade é o ouro que os biomas podem nos fornecer e a sociodiversidade, o diamante.
(Walter Neves. Ianomâmis: réquiem para nós mesmos. https://jornal.usp.br, 27.02.2023. Adaptado)
A vírgula foi empregada com a finalidade de indicar a omissão de um termo em:
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Há anos defendo a ideia de que a importância dada à biodiversidade deveria ser estendida à sociodiversidade. Assim como a biodiversidade traz grande poder a um país, a sociodiversidade também o faz.
Como todos sabem, as populações tradicionais de um determinado local carregam consigo uma enciclopédia de conhecimentos sobre seu entorno, incluindo a mágica de utilizar os recursos naturais como meio de sobrevivência sem comprometer a existência do ambiente. Alguns chamariam isso de autossustentabilidade. Não sei se a autossustentabilidade é possível em uma sociedade com a nossa escala demográfica e com tamanha expectativa de consumo. Mas, se estratégias que aliviem o impacto ambiental forem possíveis para nós, elas certamente terão que ser inspiradas nos povos originais de cada grande ambiente natural de nosso planeta, incluindo aí a Amazônia.
Ocorre que essas populações tradicionais estão sendo varridas do planeta, principalmente em nosso país, antes de terem suas bases de sustentação material e suas formas de manejo florestal estudadas em profundidade. Esse é um dos motivos pelos quais se deve defender a urgente manutenção dos povos originais na Terra.
Mas é possível argumentar por um outro viés, pelo menos não explicitamente utilitarista. A humanidade surgiu há cerca de 2,5 milhões de anos e até cerca de cinco mil anos atrás vivemos em sociedades de pequena escala, sobretudo em pequenos bandos de caçadores-coletores e, mais tarde, em pequenas tribos com agricultura incipiente. Toda nossa psique foi formada nesse período. Portanto, se destruirmos os últimos povos originais do planeta, estará perdida, para sempre, a compreensão da nossa alma, dos nossos conflitos psicológicos e, até mesmo, psiquiátricos. Em poucas palavras, de nosso sofrimento enquanto espécie.
Cada uma dessas sociedades significa experimentos únicos em termos existenciais e elas podem ter encontrado soluções diversas para as dores da alma, que estamos falhando em encontrar (temos altas taxas de suicídios, de depressão e ansiedade, de consumo de remédios psiquiátricos etc.). Portanto, “consultá-las” a respeito é o mínimo que podemos fazer. A biodiversidade é o ouro que os biomas podem nos fornecer e a sociodiversidade, o diamante.
(Walter Neves. Ianomâmis: réquiem para nós mesmos. https://jornal.usp.br, 27.02.2023. Adaptado)
O trecho − … se estratégias que aliviem o impacto ambiental forem possíveis para nós, elas certamente terão que ser inspiradas nos povos originais… – foi reescrito em conformidade com a norma-padrão em:
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Há anos defendo a ideia de que a importância dada à biodiversidade deveria ser estendida à sociodiversidade. Assim como a biodiversidade traz grande poder a um país, a sociodiversidade também o faz.
Como todos sabem, as populações tradicionais de um determinado local carregam consigo uma enciclopédia de conhecimentos sobre seu entorno, incluindo a mágica de utilizar os recursos naturais como meio de sobrevivência sem comprometer a existência do ambiente. Alguns chamariam isso de autossustentabilidade. Não sei se a autossustentabilidade é possível em uma sociedade com a nossa escala demográfica e com tamanha expectativa de consumo. Mas, se estratégias que aliviem o impacto ambiental forem possíveis para nós, elas certamente terão que ser inspiradas nos povos originais de cada grande ambiente natural de nosso planeta, incluindo aí a Amazônia.
Ocorre que essas populações tradicionais estão sendo varridas do planeta, principalmente em nosso país, antes de terem suas bases de sustentação material e suas formas de manejo florestal estudadas em profundidade. Esse é um dos motivos pelos quais se deve defender a urgente manutenção dos povos originais na Terra.
Mas é possível argumentar por um outro viés, pelo menos não explicitamente utilitarista. A humanidade surgiu há cerca de 2,5 milhões de anos e até cerca de cinco mil anos atrás vivemos em sociedades de pequena escala, sobretudo em pequenos bandos de caçadores-coletores e, mais tarde, em pequenas tribos com agricultura incipiente. Toda nossa psique foi formada nesse período. Portanto, se destruirmos os últimos povos originais do planeta, estará perdida, para sempre, a compreensão da nossa alma, dos nossos conflitos psicológicos e, até mesmo, psiquiátricos. Em poucas palavras, de nosso sofrimento enquanto espécie.
Cada uma dessas sociedades significa experimentos únicos em termos existenciais e elas podem ter encontrado soluções diversas para as dores da alma, que estamos falhando em encontrar (temos altas taxas de suicídios, de depressão e ansiedade, de consumo de remédios psiquiátricos etc.). Portanto, “consultá-las” a respeito é o mínimo que podemos fazer. A biodiversidade é o ouro que os biomas podem nos fornecer e a sociodiversidade, o diamante.
(Walter Neves. Ianomâmis: réquiem para nós mesmos. https://jornal.usp.br, 27.02.2023. Adaptado)
A palavra destacada foi empregada em sentido figurado em:
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Há anos defendo a ideia de que a importância dada à biodiversidade deveria ser estendida à sociodiversidade. Assim como a biodiversidade traz grande poder a um país, a sociodiversidade também o faz.
Como todos sabem, as populações tradicionais de um determinado local carregam consigo uma enciclopédia de conhecimentos sobre seu entorno, incluindo a mágica de utilizar os recursos naturais como meio de sobrevivência sem comprometer a existência do ambiente. Alguns chamariam isso de autossustentabilidade. Não sei se a autossustentabilidade é possível em uma sociedade com a nossa escala demográfica e com tamanha expectativa de consumo. Mas, se estratégias que aliviem o impacto ambiental forem possíveis para nós, elas certamente terão que ser inspiradas nos povos originais de cada grande ambiente natural de nosso planeta, incluindo aí a Amazônia.
Ocorre que essas populações tradicionais estão sendo varridas do planeta, principalmente em nosso país, antes de terem suas bases de sustentação material e suas formas de manejo florestal estudadas em profundidade. Esse é um dos motivos pelos quais se deve defender a urgente manutenção dos povos originais na Terra.
Mas é possível argumentar por um outro viés, pelo menos não explicitamente utilitarista. A humanidade surgiu há cerca de 2,5 milhões de anos e até cerca de cinco mil anos atrás vivemos em sociedades de pequena escala, sobretudo em pequenos bandos de caçadores-coletores e, mais tarde, em pequenas tribos com agricultura incipiente. Toda nossa psique foi formada nesse período. Portanto, se destruirmos os últimos povos originais do planeta, estará perdida, para sempre, a compreensão da nossa alma, dos nossos conflitos psicológicos e, até mesmo, psiquiátricos. Em poucas palavras, de nosso sofrimento enquanto espécie.
Cada uma dessas sociedades significa experimentos únicos em termos existenciais e elas podem ter encontrado soluções diversas para as dores da alma, que estamos falhando em encontrar (temos altas taxas de suicídios, de depressão e ansiedade, de consumo de remédios psiquiátricos etc.). Portanto, “consultá-las” a respeito é o mínimo que podemos fazer. A biodiversidade é o ouro que os biomas podem nos fornecer e a sociodiversidade, o diamante.
(Walter Neves. Ianomâmis: réquiem para nós mesmos. https://jornal.usp.br, 27.02.2023. Adaptado)
O autor defende que os povos originais
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Há anos defendo a ideia de que a importância dada à biodiversidade deveria ser estendida à sociodiversidade. Assim como a biodiversidade traz grande poder a um país, a sociodiversidade também o faz.
Como todos sabem, as populações tradicionais de um determinado local carregam consigo uma enciclopédia de conhecimentos sobre seu entorno, incluindo a mágica de utilizar os recursos naturais como meio de sobrevivência sem comprometer a existência do ambiente. Alguns chamariam isso de autossustentabilidade. Não sei se a autossustentabilidade é possível em uma sociedade com a nossa escala demográfica e com tamanha expectativa de consumo. Mas, se estratégias que aliviem o impacto ambiental forem possíveis para nós, elas certamente terão que ser inspiradas nos povos originais de cada grande ambiente natural de nosso planeta, incluindo aí a Amazônia.
Ocorre que essas populações tradicionais estão sendo varridas do planeta, principalmente em nosso país, antes de terem suas bases de sustentação material e suas formas de manejo florestal estudadas em profundidade. Esse é um dos motivos pelos quais se deve defender a urgente manutenção dos povos originais na Terra.
Mas é possível argumentar por um outro viés, pelo menos não explicitamente utilitarista. A humanidade surgiu há cerca de 2,5 milhões de anos e até cerca de cinco mil anos atrás vivemos em sociedades de pequena escala, sobretudo em pequenos bandos de caçadores-coletores e, mais tarde, em pequenas tribos com agricultura incipiente. Toda nossa psique foi formada nesse período. Portanto, se destruirmos os últimos povos originais do planeta, estará perdida, para sempre, a compreensão da nossa alma, dos nossos conflitos psicológicos e, até mesmo, psiquiátricos. Em poucas palavras, de nosso sofrimento enquanto espécie.
Cada uma dessas sociedades significa experimentos únicos em termos existenciais e elas podem ter encontrado soluções diversas para as dores da alma, que estamos falhando em encontrar (temos altas taxas de suicídios, de depressão e ansiedade, de consumo de remédios psiquiátricos etc.). Portanto, “consultá-las” a respeito é o mínimo que podemos fazer. A biodiversidade é o ouro que os biomas podem nos fornecer e a sociodiversidade, o diamante.
(Walter Neves. Ianomâmis: réquiem para nós mesmos. https://jornal.usp.br, 27.02.2023. Adaptado)
De acordo com o texto, é correto afirmar que
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