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AMADURECER SEM CRISTALIZAR
Os anos passam e teço uma amizade peculiar com o tempo. Nas linhas do meu rosto, reconheço as terras de meus avós. No espelho, vejo os olhos estreitos de meu pai, entre os fios grisalhos que descolorem antes de cair, os delicados traços de minha mãe. A identidade, que sempre busquei, veio sem avisar.
Envelheço e, a cada nova escalada, me abismo. Do alto de onde acreditava estarem as respostas para minhas questões, percebo que as dúvidas agora são outras. Aquele que perguntou, no início da jornada, já não é mais. A vertigem vem de perceber que, entre o mar e o cume, tornei-me outro rio. Ao reconhecer essa mudança, me dou conta de que minha identidade não é estática, mas um movimento.
Navegar é saber de onde se veio, para onde se vai. A vida não é linear. Zarpei sem saber de onde, foi em meio ao mar que alinhavei um par de acertos num quebra-cabeças de peças infinitas. Insinua-se ali uma imagem, uma identidade, cinzelada com vento e sal. Quando chegou a hora de aportar e viver de novo em terra, senti essa identidade esculpida com sal sob ameaça e cristalizei. Duro reconhecer a paralisia, mas foi ela que me permitiu questionar de onde vem minha identidade: do que faço, de onde vivo? Um pouco, mas acho que a identidade brota dos valores e ideais que persigo.
Ao navegar de volta a mim mesmo, fiz as pazes com os ideais que me assombravam. Entendi que utopias vivem no horizonte. Andamos 20 passos em sua direção e elas postam-se 20 passos além, são inalcançáveis. A questão central, explicou o cineasta argentino Fernando Birri, é para que servem as utopias? “Servem para caminharmos.” Utopias são faróis no escuro da noite.
Quando sei para onde vou ou de onde vim, é mais clara minha identidade, sou mais forte. Essa imagem ganha nitidez quando formulo as perguntas corretas e as equilibro, como quem mistura cores para uma pintura. Por vezes persigo a forma, o como, quando o que está em jogo é o propósito, o quê. Em outros momentos, me vejo dividido entre isto ou aquilo, quando o caminho passa por uma combinação disto e daquilo. É quando permito o necessário tempo de maturação que a imagem se forma, a harmonia apresenta-se nas cores e na força de quem sou.
Fica tudo muito bonito e poético no papel, mas a prática é cheia de pontas. Quando a realidade se torna dura demais, reconheço a dor e silencio, desvio minha atenção para outra parte. Na vida, como no mar, quando o tempo vira, a prioridade não é o destino, mas a segurança. Há uma manobra para os dias de temporal: capa. A ideia é derivar com a menor velocidade possível em um rumo controlado.
Consegue-se isso com as velas invertidas ou aquarteladas, como se diz no jargão náutico, e o timão amarrado na direção oposta. A beleza do movimento vem do redemoinho criado com a quilha do barco arrastando. Ele desorganiza as ondas e impede que elas quebrem sobre o costado, o que permite que a tripulação recupere as forças. Em meio ao nevoeiro, me ponho em capa e levo o barco devagar [...].
(FREITAS, Lucas T. de. Amadurecer sem cristalizar. Revista
Vida Simples. p. 52, maio de 2016. Adaptado.)
“Há uma manobra para os dias de temporal [...]”
Sobre a organização sintática do período acima, pode-se afirmar, EXCETO
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O texto Saberes e práticas de inclusão, publicado pelo Ministério da Educação, sugere algumas medidas para o êxito no atendimento à diversidade da população estudantil. Analise as afirmativas abaixo apresentadas:
I - Elaborar propostas pedagógicas baseadas no número de alunos, a partir da demarcação dos conteúdos e, por último, dos objetivos que devem ser exatamente os mesmos para todas as turmas.
II - Reconhecer todos os tipos de capacidades presentes na escola e adotar metodologias diversas e motivadoras.
III - Sequenciar conteúdos e adequá-los aos diferentes ritmos de aprendizagem dos educandos.
IV - Retirar todos os alunos com necessidades educacionais especiais da rede regular de ensino e encaminhá-los para escolas de educação especial.
V - Avaliar os educandos numa abordagem processual e emancipadora, em função do progresso individual de cada um e do que poderá vir a conquistar.
Conforme o texto citado, estão CORRETAS as afirmativas contidas nos incisos:
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Nos termos dos Referenciais Curriculares Nacionais para a Educação Infantil (v. 3), é INCORRETO dizer que:
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AMADURECER SEM CRISTALIZAR
Os anos passam e teço uma amizade peculiar com o tempo. Nas linhas do meu rosto, reconheço as terras de meus avós. No espelho, vejo os olhos estreitos de meu pai, entre os fios grisalhos que descolorem antes de cair, os delicados traços de minha mãe. A identidade, que sempre busquei, veio sem avisar.
Envelheço e, a cada nova escalada, me abismo. Do alto de onde acreditava estarem as respostas para minhas questões, percebo que as dúvidas agora são outras. Aquele que perguntou, no início da jornada, já não é mais. A vertigem vem de perceber que, entre o mar e o cume, tornei-me outro rio. Ao reconhecer essa mudança, me dou conta de que minha identidade não é estática, mas um movimento.
Navegar é saber de onde se veio, para onde se vai. A vida não é linear. Zarpei sem saber de onde, foi em meio ao mar que alinhavei um par de acertos num quebra-cabeças de peças infinitas. Insinua-se ali uma imagem, uma identidade, cinzelada com vento e sal. Quando chegou a hora de aportar e viver de novo em terra, senti essa identidade esculpida com sal sob ameaça e cristalizei. Duro reconhecer a paralisia, mas foi ela que me permitiu questionar de onde vem minha identidade: do que faço, de onde vivo? Um pouco, mas acho que a identidade brota dos valores e ideais que persigo.
Ao navegar de volta a mim mesmo, fiz as pazes com os ideais que me assombravam. Entendi que utopias vivem no horizonte. Andamos 20 passos em sua direção e elas postam-se 20 passos além, são inalcançáveis. A questão central, explicou o cineasta argentino Fernando Birri, é para que servem as utopias? “Servem para caminharmos.” Utopias são faróis no escuro da noite.
Quando sei para onde vou ou de onde vim, é mais clara minha identidade, sou mais forte. Essa imagem ganha nitidez quando formulo as perguntas corretas e as equilibro, como quem mistura cores para uma pintura. Por vezes persigo a forma, o como, quando o que está em jogo é o propósito, o quê. Em outros momentos, me vejo dividido entre isto ou aquilo, quando o caminho passa por uma combinação disto e daquilo. É quando permito o necessário tempo de maturação que a imagem se forma, a harmonia apresenta-se nas cores e na força de quem sou.
Fica tudo muito bonito e poético no papel, mas a prática é cheia de pontas. Quando a realidade se torna dura demais, reconheço a dor e silencio, desvio minha atenção para outra parte. Na vida, como no mar, quando o tempo vira, a prioridade não é o destino, mas a segurança. Há uma manobra para os dias de temporal: capa. A ideia é derivar com a menor velocidade possível em um rumo controlado.
Consegue-se isso com as velas invertidas ou aquarteladas, como se diz no jargão náutico, e o timão amarrado na direção oposta. A beleza do movimento vem do redemoinho criado com a quilha do barco arrastando. Ele desorganiza as ondas e impede que elas quebrem sobre o costado, o que permite que a tripulação recupere as forças. Em meio ao nevoeiro, me ponho em capa e levo o barco devagar [...].
(FREITAS, Lucas T. de. Amadurecer sem cristalizar. Revista
Vida Simples. p. 52, maio de 2016. Adaptado.)
De acordo com o texto, NÃO se pode inferir que as utopias têm a função de:
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Cesar Cool, em seu livro Aprendizagem escolar e construção do conhecimento, ao falar sobre princípios psicopedagógicos do currículo escolar, de acordo com a abordagem vygotskiana, assim se expressa:
“Desenvolvimento, aprendizagem e ensino são, portanto, três elementos relacionados entre si, de tal maneira que o nível de desenvolvimento efetivo condiciona as possíveis aprendizagens que o aluno pode realizar graças ao ensino, mas este, por sua vez, pode chegar a modificar o nível de desenvolvimento efetivo do aluno mediante as aprendizagens específicas que promove.” Observado esse paradigma, pode-se dizer que:
I - A educação escolar deve partir, portanto, do nível de desenvolvimento efetivo do aluno, mas não para se acomodar a ele e sim para fazê-lo progredir através de sua zona de desenvolvimento proximal para ampliá-la e para gerar, eventualmente, novas zonas de desenvolvimento proximal.
II - Deve-se estabelecer uma diferença entre o que o aluno é capaz de fazer e aprender por si só e o que é capaz de fazer e de aprender com o auxílio de outras pessoas, observando-as, imitando-as, seguindo as suas instruções ou colaborando com elas.
III - A distância entre o nível de desenvolvimento efetivo e o nível de desenvolvimento potencial, que Vygotsky chama zona de desenvolvimento proximal, delimita a margem de incidência da ação educativa.
IV - A repercussão da educação escolar sobre o desenvolvimento pessoal do aluno é tanto maior quanto mais significados ajuda-lhe a construir, quanto mais significativas são as aprendizagens específicas que promove.
De acordo com o autor, estão CORRETAS as afirmativas contidas nos incisos:
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