Foram encontradas 30 questões.
Analise as sentenças a seguir a respeito da pontuação:
I."É importante lembrar que a gentileza é uma das qualidades mais bonitas do ser humano, mas, como tudo na vida, isso também pede equilíbrio. Quando exageramos, o gesto pesa no corpo e na mente."
II."Ser gentil é saudável até o ponto em que o gesto deixa de vir da empatia e passa a nascer da necessidade de agradar."
III."Quando praticamos um ato de gentileza — ou somos tocados por um — o cérebro celebra."
(Os excertos foram extraídos de: https://vidasimples.co/saude-emocional/existe-limites-para-a-gentilezacomo-manter-o-equilibrio-sem-se-anular/. Acesso em 26 nov. 2025.)
A pontuação está correta em:
I."É importante lembrar que a gentileza é uma das qualidades mais bonitas do ser humano, mas, como tudo na vida, isso também pede equilíbrio. Quando exageramos, o gesto pesa no corpo e na mente."
II."Ser gentil é saudável até o ponto em que o gesto deixa de vir da empatia e passa a nascer da necessidade de agradar."
III."Quando praticamos um ato de gentileza — ou somos tocados por um — o cérebro celebra."
(Os excertos foram extraídos de: https://vidasimples.co/saude-emocional/existe-limites-para-a-gentilezacomo-manter-o-equilibrio-sem-se-anular/. Acesso em 26 nov. 2025.)
A pontuação está correta em:
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Analise a concordância das palavras destacadas nas
sentenças:
I.Vinha todo vestido em azul: azuis o chapéu, a vestimenta e a alma.
II.Elas próprias divulgaram o festival, estavam só naquele projeto.
III.Enviei anexa a primeira parte do livro.
Está correta a concordância nominal em:
I.Vinha todo vestido em azul: azuis o chapéu, a vestimenta e a alma.
II.Elas próprias divulgaram o festival, estavam só naquele projeto.
III.Enviei anexa a primeira parte do livro.
Está correta a concordância nominal em:
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Associe a segunda coluna de acordo com a primeira, relacionando o sentido pretendido com o uso dos artigos destacados:
Primeira coluna: sentidos
1.Substantivação
2.Sentido de posse
3.Ênfase.
Segunda coluna: artigos
(__)Ela trazia a cabeça embranquiçada pelas preocupações dos últimos anos.
(__)A pintura era de uma precisão absurda.
(__)Eu não sei lidar com o inesperado.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta:
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Sob os trilhos do metrô, hortas urbanas combatem
avanço de ultraprocessados na periferia de São
Paulo
Moradores do Jardim Ibirapuera plantam legumes e
verduras sem agrotóxico como alternativa à pobreza de
nutrientes identificada em estudo inédito conduzido pela
comunidade.
Adriano Wilkson
Debaixo dos trilhos do metrô de São Paulo, quatro
agricultores urbanos observam o lento crescimento de
mudas de milho cuidadosamente organizadas em um
canteiro montado com restos de construção civil. Alguns
metros adiante, pés de alface, couve, banana e
erva-cidreira dividem terreno com uma vaca que pasta
displicente.
Ao caminhar em meio ao verde, por um momento você
até poderia supor que saiu da capital paulista, mas o
frenesi do trânsito da avenida Guido Caloi, que dá
acesso à Marginal Pinheiros, logo chama à realidade.
Essa é uma das vias mais movimentadas e caóticas de
São Paulo. Mas é ali, no meio de um conjunto de favelas
chamado Jardim Ibirapuera, que os moradores decidiram
construir uma alternativa à pobreza alimentar que assola
a comunidade.
Dos 41 mil moradores do bairro, 13 mil, ou 31%, passam
fome. Tecnicamente, essas pessoas vivem em
"insegurança alimentar grave", o que significa que a falta
de renda as impede de fazer todas as refeições que
gostariam. Essa taxa é maior do que a registrada no
município de São Paulo como um todo, onde 12% da
população passa fome [...]. A conclusão consta em uma
pesquisa inédita feita pelo Observatório Ibira30, um
braço do Bloco do Beco, organização não governamental
que atua no Jardim Ibirapuera desde 2003. Durante seis
meses, entre janeiro e junho de 2025, pesquisadores do
observatório bateram de porta em porta para entrevistar
moradores e investigar seus hábitos alimentares.
As 382 entrevistas revelaram a presença da fome não
apenas na ausência de alimentos, mas também no
avanço de ultraprocessados e de opções menos
nutritivas entre os moradores. Por exemplo, 86% dos
entrevistados disseram já terem precisado trocar
alimentos saudáveis por opções mais baratas e menos
nutritivas.
A situação piorou durante a pandemia, quando muitos
moradores perderam renda e precisaram contar com
doações para sobreviver. Biscoitos, bebidas açucaradas
e alimentos instantâneos se tornaram então ainda mais
comuns nas despensas do bairro. Segundo a pesquisa,
dois em cada três deles disseram que seus hábitos
alimentares pioraram com a chegada da covid.
Foi após esse cenário de crise que um cozinheiro pernambucano viu em um terreno abandonado a chance
de produzir comida de qualidade.[...] É nesse pequeno
espaço que ele tenta construir, junto com os vizinhos,
uma alternativa limpa e natural para substituir o avanço
dos ultraprocessados. [...] Hoje as três hortas do bairro
produzem verduras, legumes, frutas e plantas para chá,
dos quais a população faz uso medicinal.
"Eu me considero hoje outra pessoa mexendo com a
terra, trabalhando no ritmo da natureza e sabendo
exatamente o que tem no alimento que eu como", afirma
Neto, que, assim como os demais agricultores, não usa
agrotóxico na produção e adota princípios da
agroecologia para fazer a gestão de pragas. "Demora
mais, às vezes a gente erra, mas vale a pena porque é
saudável." [...]
A etnografia do observatório identificou que no Jardim
Ibirapuera 29% dos moradores têm origem no Nordeste
e três em cada quatro são pessoas pretas ou pardas.
Para muitas delas os hábitos alimentares refletem a
cultura e as tradições que a vida e a rotina em uma
cidade como São Paulo ainda não foram capazes de
apagar.
"Na São Paulo urbana e formalizada, as gôndolas dos
mercados podem até ocultar as origens dos
ingredientes", escreveu Marcelo Zarzuela Coelho, o Lelo,
um dos coordenadores do estudo. "Mas nas periferias, o
cuscuz de milho ainda é memória nordestina em estado
sólido, o leite de coco ainda carrega o sopro da diáspora
africana, o azeite de dendê resiste ao
embranquecimento do paladar urbano, e a mandioca
segue sendo mais que raiz: é símbolo de autonomia e
continuidade." [...]
"Nosso sonho até 2030 é construir um tripé", explica Luiz
Claudio de Souza, articulador institucional do
Observatório. "Potencializar as hortas, criar um banco de
alimentos, também com a contribuição de mercados e
hortifrutis do bairro, e construir uma cozinha comunitária
que possa manipular esses alimentos junto com a
comunidade. Mas pra isso precisamos de parceiros."
Enquanto esse sonho não se concretiza, os agricultores
urbanos colhem das hortas frutos que não se resumem
aos vegetais que crescem ali. São valores intangíveis
que se espalham pela comunidade como sementes
levadas pelo vento. [...]
(Disponível em:
https://ojoioeotrigo.com.br/2025/11/sob-os-trilhos-do-metro-hortas-urba
nas-combatem-avanco-de-ultraprocessados-na-periferia-de-sao-paulo/.
Acesso em: 25 nov. 2025. Adaptado.)
(__)A fome não está apenas na falta de acesso a alimentos. Diante da impossibilidade de adquirir alimentos mais nutritivos, as pessoas os trocam por ultraprocessados, que são opções mais baratas. Isso também é entendido como fome.
(__)Os planos futuros dos agricultores se estruturam em três frentes: o fortalecimento da produção nas hortas, a criação de um fundo, uma reserva de alimentos e a construção de uma cozinha comunitária para manipulação dos alimentos.
(__)O principal objetivo dos agricultores ao construir as hortas é impedir a entrada de ultraprocessados na comunidade, criando uma barreira natural e limpa e obrigando a comunidade a mudar seus hábitos alimentares.
(__)A maioria dos moradores do Jardim Ibirapuera é constituída por pessoas negras.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta:
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O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
Sob os trilhos do metrô, hortas urbanas combatem
avanço de ultraprocessados na periferia de São
Paulo
Moradores do Jardim Ibirapuera plantam legumes e
verduras sem agrotóxico como alternativa à pobreza de
nutrientes identificada em estudo inédito conduzido pela
comunidade.
Adriano Wilkson
Debaixo dos trilhos do metrô de São Paulo, quatro
agricultores urbanos observam o lento crescimento de
mudas de milho cuidadosamente organizadas em um
canteiro montado com restos de construção civil. Alguns
metros adiante, pés de alface, couve, banana e
erva-cidreira dividem terreno com uma vaca que pasta
displicente.
Ao caminhar em meio ao verde, por um momento você
até poderia supor que saiu da capital paulista, mas o
frenesi do trânsito da avenida Guido Caloi, que dá
acesso à Marginal Pinheiros, logo chama à realidade.
Essa é uma das vias mais movimentadas e caóticas de
São Paulo. Mas é ali, no meio de um conjunto de favelas
chamado Jardim Ibirapuera, que os moradores decidiram
construir uma alternativa à pobreza alimentar que assola
a comunidade.
Dos 41 mil moradores do bairro, 13 mil, ou 31%, passam
fome. Tecnicamente, essas pessoas vivem em
"insegurança alimentar grave", o que significa que a falta
de renda as impede de fazer todas as refeições que
gostariam. Essa taxa é maior do que a registrada no
município de São Paulo como um todo, onde 12% da
população passa fome [...]. A conclusão consta em uma
pesquisa inédita feita pelo Observatório Ibira30, um
braço do Bloco do Beco, organização não governamental
que atua no Jardim Ibirapuera desde 2003. Durante seis
meses, entre janeiro e junho de 2025, pesquisadores do
observatório bateram de porta em porta para entrevistar
moradores e investigar seus hábitos alimentares.
As 382 entrevistas revelaram a presença da fome não
apenas na ausência de alimentos, mas também no
avanço de ultraprocessados e de opções menos
nutritivas entre os moradores. Por exemplo, 86% dos
entrevistados disseram já terem precisado trocar
alimentos saudáveis por opções mais baratas e menos
nutritivas.
A situação piorou durante a pandemia, quando muitos
moradores perderam renda e precisaram contar com
doações para sobreviver. Biscoitos, bebidas açucaradas
e alimentos instantâneos se tornaram então ainda mais
comuns nas despensas do bairro. Segundo a pesquisa,
dois em cada três deles disseram que seus hábitos
alimentares pioraram com a chegada da covid.
Foi após esse cenário de crise que um cozinheiro pernambucano viu em um terreno abandonado a chance
de produzir comida de qualidade.[...] É nesse pequeno
espaço que ele tenta construir, junto com os vizinhos,
uma alternativa limpa e natural para substituir o avanço
dos ultraprocessados. [...] Hoje as três hortas do bairro
produzem verduras, legumes, frutas e plantas para chá,
dos quais a população faz uso medicinal.
"Eu me considero hoje outra pessoa mexendo com a
terra, trabalhando no ritmo da natureza e sabendo
exatamente o que tem no alimento que eu como", afirma
Neto, que, assim como os demais agricultores, não usa
agrotóxico na produção e adota princípios da
agroecologia para fazer a gestão de pragas. "Demora
mais, às vezes a gente erra, mas vale a pena porque é
saudável." [...]
A etnografia do observatório identificou que no Jardim
Ibirapuera 29% dos moradores têm origem no Nordeste
e três em cada quatro são pessoas pretas ou pardas.
Para muitas delas os hábitos alimentares refletem a
cultura e as tradições que a vida e a rotina em uma
cidade como São Paulo ainda não foram capazes de
apagar.
"Na São Paulo urbana e formalizada, as gôndolas dos
mercados podem até ocultar as origens dos
ingredientes", escreveu Marcelo Zarzuela Coelho, o Lelo,
um dos coordenadores do estudo. "Mas nas periferias, o
cuscuz de milho ainda é memória nordestina em estado
sólido, o leite de coco ainda carrega o sopro da diáspora
africana, o azeite de dendê resiste ao
embranquecimento do paladar urbano, e a mandioca
segue sendo mais que raiz: é símbolo de autonomia e
continuidade." [...]
"Nosso sonho até 2030 é construir um tripé", explica Luiz
Claudio de Souza, articulador institucional do
Observatório. "Potencializar as hortas, criar um banco de
alimentos, também com a contribuição de mercados e
hortifrutis do bairro, e construir uma cozinha comunitária
que possa manipular esses alimentos junto com a
comunidade. Mas pra isso precisamos de parceiros."
Enquanto esse sonho não se concretiza, os agricultores
urbanos colhem das hortas frutos que não se resumem
aos vegetais que crescem ali. São valores intangíveis
que se espalham pela comunidade como sementes
levadas pelo vento. [...]
(Disponível em:
https://ojoioeotrigo.com.br/2025/11/sob-os-trilhos-do-metro-hortas-urba
nas-combatem-avanco-de-ultraprocessados-na-periferia-de-sao-paulo/.
Acesso em: 25 nov. 2025. Adaptado.)
I.A pesquisa que identifica a realidade de pessoas em "insegurança alimentar grave" foi um estudo conduzido pela própria comunidade.
II.No contexto da comunidade, estar entre aquelas pessoas que vivem em "insegurança alimentar grave" é resultado da falta de renda, ou seja, sem renda elas não podem fazer todas as refeições diárias.
III.No Jardim Ibirapuera há, proporcionalmente, mais pessoas em situação de vulnerabilidade alimentar do que em toda a cidade de São Paulo.
É correto o que se afirma em:
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Sob os trilhos do metrô, hortas urbanas combatem
avanço de ultraprocessados na periferia de São
Paulo
Moradores do Jardim Ibirapuera plantam legumes e
verduras sem agrotóxico como alternativa à pobreza de
nutrientes identificada em estudo inédito conduzido pela
comunidade.
Adriano Wilkson
Debaixo dos trilhos do metrô de São Paulo, quatro
agricultores urbanos observam o lento crescimento de
mudas de milho cuidadosamente organizadas em um
canteiro montado com restos de construção civil. Alguns
metros adiante, pés de alface, couve, banana e
erva-cidreira dividem terreno com uma vaca que pasta
displicente.
Ao caminhar em meio ao verde, por um momento você
até poderia supor que saiu da capital paulista, mas o
frenesi do trânsito da avenida Guido Caloi, que dá
acesso à Marginal Pinheiros, logo chama à realidade.
Essa é uma das vias mais movimentadas e caóticas de
São Paulo. Mas é ali, no meio de um conjunto de favelas
chamado Jardim Ibirapuera, que os moradores decidiram
construir uma alternativa à pobreza alimentar que assola
a comunidade.
Dos 41 mil moradores do bairro, 13 mil, ou 31%, passam
fome. Tecnicamente, essas pessoas vivem em
"insegurança alimentar grave", o que significa que a falta
de renda as impede de fazer todas as refeições que
gostariam. Essa taxa é maior do que a registrada no
município de São Paulo como um todo, onde 12% da
população passa fome [...]. A conclusão consta em uma
pesquisa inédita feita pelo Observatório Ibira30, um
braço do Bloco do Beco, organização não governamental
que atua no Jardim Ibirapuera desde 2003. Durante seis
meses, entre janeiro e junho de 2025, pesquisadores do
observatório bateram de porta em porta para entrevistar
moradores e investigar seus hábitos alimentares.
As 382 entrevistas revelaram a presença da fome não
apenas na ausência de alimentos, mas também no
avanço de ultraprocessados e de opções menos
nutritivas entre os moradores. Por exemplo, 86% dos
entrevistados disseram já terem precisado trocar
alimentos saudáveis por opções mais baratas e menos
nutritivas.
A situação piorou durante a pandemia, quando muitos
moradores perderam renda e precisaram contar com
doações para sobreviver. Biscoitos, bebidas açucaradas
e alimentos instantâneos se tornaram então ainda mais
comuns nas despensas do bairro. Segundo a pesquisa,
dois em cada três deles disseram que seus hábitos
alimentares pioraram com a chegada da covid.
Foi após esse cenário de crise que um cozinheiro pernambucano viu em um terreno abandonado a chance
de produzir comida de qualidade.[...] É nesse pequeno
espaço que ele tenta construir, junto com os vizinhos,
uma alternativa limpa e natural para substituir o avanço
dos ultraprocessados. [...] Hoje as três hortas do bairro
produzem verduras, legumes, frutas e plantas para chá,
dos quais a população faz uso medicinal.
"Eu me considero hoje outra pessoa mexendo com a
terra, trabalhando no ritmo da natureza e sabendo
exatamente o que tem no alimento que eu como", afirma
Neto, que, assim como os demais agricultores, não usa
agrotóxico na produção e adota princípios da
agroecologia para fazer a gestão de pragas. "Demora
mais, às vezes a gente erra, mas vale a pena porque é
saudável." [...]
A etnografia do observatório identificou que no Jardim
Ibirapuera 29% dos moradores têm origem no Nordeste
e três em cada quatro são pessoas pretas ou pardas.
Para muitas delas os hábitos alimentares refletem a
cultura e as tradições que a vida e a rotina em uma
cidade como São Paulo ainda não foram capazes de
apagar.
"Na São Paulo urbana e formalizada, as gôndolas dos
mercados podem até ocultar as origens dos
ingredientes", escreveu Marcelo Zarzuela Coelho, o Lelo,
um dos coordenadores do estudo. "Mas nas periferias, o
cuscuz de milho ainda é memória nordestina em estado
sólido, o leite de coco ainda carrega o sopro da diáspora
africana, o azeite de dendê resiste ao
embranquecimento do paladar urbano, e a mandioca
segue sendo mais que raiz: é símbolo de autonomia e
continuidade." [...]
"Nosso sonho até 2030 é construir um tripé", explica Luiz
Claudio de Souza, articulador institucional do
Observatório. "Potencializar as hortas, criar um banco de
alimentos, também com a contribuição de mercados e
hortifrutis do bairro, e construir uma cozinha comunitária
que possa manipular esses alimentos junto com a
comunidade. Mas pra isso precisamos de parceiros."
Enquanto esse sonho não se concretiza, os agricultores
urbanos colhem das hortas frutos que não se resumem
aos vegetais que crescem ali. São valores intangíveis
que se espalham pela comunidade como sementes
levadas pelo vento. [...]
(Disponível em:
https://ojoioeotrigo.com.br/2025/11/sob-os-trilhos-do-metro-hortas-urba
nas-combatem-avanco-de-ultraprocessados-na-periferia-de-sao-paulo/.
Acesso em: 25 nov. 2025. Adaptado.)
"Demora mais, às vezes a gente erra, mas vale a pena porque é saudável."
(__)A conjunção mas estabelece um sentido de oposição, sendo que a informação seguinte tem maior importância para o enunciador que a anterior.
(__)A conjunção mas poderia ser substituída, mantendo o sentido do texto, por todavia.
(__)A conjunção porque estabelece uma relação de explicação, em que a ideia introduzida por ela explica ou justifica outra ideia; no caso, explica o fato de valer a pena cultivar sem agrotóxicos e com princípios agroecológicos, mesmo que demande mais tempo.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta:
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Sob os trilhos do metrô, hortas urbanas combatem
avanço de ultraprocessados na periferia de São
Paulo
Moradores do Jardim Ibirapuera plantam legumes e
verduras sem agrotóxico como alternativa à pobreza de
nutrientes identificada em estudo inédito conduzido pela
comunidade.
Adriano Wilkson
Debaixo dos trilhos do metrô de São Paulo, quatro
agricultores urbanos observam o lento crescimento de
mudas de milho cuidadosamente organizadas em um
canteiro montado com restos de construção civil. Alguns
metros adiante, pés de alface, couve, banana e
erva-cidreira dividem terreno com uma vaca que pasta
displicente.
Ao caminhar em meio ao verde, por um momento você
até poderia supor que saiu da capital paulista, mas o
frenesi do trânsito da avenida Guido Caloi, que dá
acesso à Marginal Pinheiros, logo chama à realidade.
Essa é uma das vias mais movimentadas e caóticas de
São Paulo. Mas é ali, no meio de um conjunto de favelas
chamado Jardim Ibirapuera, que os moradores decidiram
construir uma alternativa à pobreza alimentar que assola
a comunidade.
Dos 41 mil moradores do bairro, 13 mil, ou 31%, passam
fome. Tecnicamente, essas pessoas vivem em
"insegurança alimentar grave", o que significa que a falta
de renda as impede de fazer todas as refeições que
gostariam. Essa taxa é maior do que a registrada no
município de São Paulo como um todo, onde 12% da
população passa fome [...]. A conclusão consta em uma
pesquisa inédita feita pelo Observatório Ibira30, um
braço do Bloco do Beco, organização não governamental
que atua no Jardim Ibirapuera desde 2003. Durante seis
meses, entre janeiro e junho de 2025, pesquisadores do
observatório bateram de porta em porta para entrevistar
moradores e investigar seus hábitos alimentares.
As 382 entrevistas revelaram a presença da fome não
apenas na ausência de alimentos, mas também no
avanço de ultraprocessados e de opções menos
nutritivas entre os moradores. Por exemplo, 86% dos
entrevistados disseram já terem precisado trocar
alimentos saudáveis por opções mais baratas e menos
nutritivas.
A situação piorou durante a pandemia, quando muitos
moradores perderam renda e precisaram contar com
doações para sobreviver. Biscoitos, bebidas açucaradas
e alimentos instantâneos se tornaram então ainda mais
comuns nas despensas do bairro. Segundo a pesquisa,
dois em cada três deles disseram que seus hábitos
alimentares pioraram com a chegada da covid.
Foi após esse cenário de crise que um cozinheiro pernambucano viu em um terreno abandonado a chance
de produzir comida de qualidade.[...] É nesse pequeno
espaço que ele tenta construir, junto com os vizinhos,
uma alternativa limpa e natural para substituir o avanço
dos ultraprocessados. [...] Hoje as três hortas do bairro
produzem verduras, legumes, frutas e plantas para chá,
dos quais a população faz uso medicinal.
"Eu me considero hoje outra pessoa mexendo com a
terra, trabalhando no ritmo da natureza e sabendo
exatamente o que tem no alimento que eu como", afirma
Neto, que, assim como os demais agricultores, não usa
agrotóxico na produção e adota princípios da
agroecologia para fazer a gestão de pragas. "Demora
mais, às vezes a gente erra, mas vale a pena porque é
saudável." [...]
A etnografia do observatório identificou que no Jardim
Ibirapuera 29% dos moradores têm origem no Nordeste
e três em cada quatro são pessoas pretas ou pardas.
Para muitas delas os hábitos alimentares refletem a
cultura e as tradições que a vida e a rotina em uma
cidade como São Paulo ainda não foram capazes de
apagar.
"Na São Paulo urbana e formalizada, as gôndolas dos
mercados podem até ocultar as origens dos
ingredientes", escreveu Marcelo Zarzuela Coelho, o Lelo,
um dos coordenadores do estudo. "Mas nas periferias, o
cuscuz de milho ainda é memória nordestina em estado
sólido, o leite de coco ainda carrega o sopro da diáspora
africana, o azeite de dendê resiste ao
embranquecimento do paladar urbano, e a mandioca
segue sendo mais que raiz: é símbolo de autonomia e
continuidade." [...]
"Nosso sonho até 2030 é construir um tripé", explica Luiz
Claudio de Souza, articulador institucional do
Observatório. "Potencializar as hortas, criar um banco de
alimentos, também com a contribuição de mercados e
hortifrutis do bairro, e construir uma cozinha comunitária
que possa manipular esses alimentos junto com a
comunidade. Mas pra isso precisamos de parceiros."
Enquanto esse sonho não se concretiza, os agricultores
urbanos colhem das hortas frutos que não se resumem
aos vegetais que crescem ali. São valores intangíveis
que se espalham pela comunidade como sementes
levadas pelo vento. [...]
(Disponível em:
https://ojoioeotrigo.com.br/2025/11/sob-os-trilhos-do-metro-hortas-urba
nas-combatem-avanco-de-ultraprocessados-na-periferia-de-sao-paulo/.
Acesso em: 25 nov. 2025. Adaptado.)
"Ao caminhar em meio ao verde, por um momento você até poderia supor que saiu da capital paulista, mas o frenesi do trânsito da avenida Guido Caloi, que dá acesso à Marginal Pinheiros, logo chama à realidade. Essa é uma das vias mais movimentadas e caóticas de São Paulo. Mas é ali, no meio de um conjunto de favelas chamado Jardim Ibirapuera, que os moradores decidiram construir uma alternativa à pobreza alimentar que assola a comunidade."
I.A crase em "acesso à Marginal Pinheiros" foi usada porque tem-se a fusão da preposição "a", que rege o substantivo "acesso", com o artigo definido "a", que acompanha "Marginal Pinheiros".
II.No contexto de "logo chama à realidade", tem-se um caso em que o verbo, para ter o sentido pretendido, precisa ser regido por preposição. Nesse caso, o verbo "chamar" tem dois complementos − "você" (subentendido pelo contexto) e "realidade" −, e o sentido de "convocar".
III.Em "uma alternativa à pobreza alimentar", a crase foi corretamente usada porque o substantivo "alternativa" solicita a presença da preposição para a construção de sentido. A preposição "a", nesse caso, poderia ser substituída por "para".
IV.Em "assola a comunidade" há um equívoco do autor do texto porque o verbo "assolar" pede a regência da preposição "a", uma vez que, para a construção de seu sentido (devastar), ele precisa de complemento indireto, portanto, faz falta a crase.
É correto o que se afirma em:
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Sob os trilhos do metrô, hortas urbanas combatem
avanço de ultraprocessados na periferia de São
Paulo
Moradores do Jardim Ibirapuera plantam legumes e
verduras sem agrotóxico como alternativa à pobreza de
nutrientes identificada em estudo inédito conduzido pela
comunidade.
Adriano Wilkson
Debaixo dos trilhos do metrô de São Paulo, quatro
agricultores urbanos observam o lento crescimento de
mudas de milho cuidadosamente organizadas em um
canteiro montado com restos de construção civil. Alguns
metros adiante, pés de alface, couve, banana e
erva-cidreira dividem terreno com uma vaca que pasta
displicente.
Ao caminhar em meio ao verde, por um momento você
até poderia supor que saiu da capital paulista, mas o
frenesi do trânsito da avenida Guido Caloi, que dá
acesso à Marginal Pinheiros, logo chama à realidade.
Essa é uma das vias mais movimentadas e caóticas de
São Paulo. Mas é ali, no meio de um conjunto de favelas
chamado Jardim Ibirapuera, que os moradores decidiram
construir uma alternativa à pobreza alimentar que assola
a comunidade.
Dos 41 mil moradores do bairro, 13 mil, ou 31%, passam
fome. Tecnicamente, essas pessoas vivem em
"insegurança alimentar grave", o que significa que a falta
de renda as impede de fazer todas as refeições que
gostariam. Essa taxa é maior do que a registrada no
município de São Paulo como um todo, onde 12% da
população passa fome [...]. A conclusão consta em uma
pesquisa inédita feita pelo Observatório Ibira30, um
braço do Bloco do Beco, organização não governamental
que atua no Jardim Ibirapuera desde 2003. Durante seis
meses, entre janeiro e junho de 2025, pesquisadores do
observatório bateram de porta em porta para entrevistar
moradores e investigar seus hábitos alimentares.
As 382 entrevistas revelaram a presença da fome não
apenas na ausência de alimentos, mas também no
avanço de ultraprocessados e de opções menos
nutritivas entre os moradores. Por exemplo, 86% dos
entrevistados disseram já terem precisado trocar
alimentos saudáveis por opções mais baratas e menos
nutritivas.
A situação piorou durante a pandemia, quando muitos
moradores perderam renda e precisaram contar com
doações para sobreviver. Biscoitos, bebidas açucaradas
e alimentos instantâneos se tornaram então ainda mais
comuns nas despensas do bairro. Segundo a pesquisa,
dois em cada três deles disseram que seus hábitos
alimentares pioraram com a chegada da covid.
Foi após esse cenário de crise que um cozinheiro pernambucano viu em um terreno abandonado a chance
de produzir comida de qualidade.[...] É nesse pequeno
espaço que ele tenta construir, junto com os vizinhos,
uma alternativa limpa e natural para substituir o avanço
dos ultraprocessados. [...] Hoje as três hortas do bairro
produzem verduras, legumes, frutas e plantas para chá,
dos quais a população faz uso medicinal.
"Eu me considero hoje outra pessoa mexendo com a
terra, trabalhando no ritmo da natureza e sabendo
exatamente o que tem no alimento que eu como", afirma
Neto, que, assim como os demais agricultores, não usa
agrotóxico na produção e adota princípios da
agroecologia para fazer a gestão de pragas. "Demora
mais, às vezes a gente erra, mas vale a pena porque é
saudável." [...]
A etnografia do observatório identificou que no Jardim
Ibirapuera 29% dos moradores têm origem no Nordeste
e três em cada quatro são pessoas pretas ou pardas.
Para muitas delas os hábitos alimentares refletem a
cultura e as tradições que a vida e a rotina em uma
cidade como São Paulo ainda não foram capazes de
apagar.
"Na São Paulo urbana e formalizada, as gôndolas dos
mercados podem até ocultar as origens dos
ingredientes", escreveu Marcelo Zarzuela Coelho, o Lelo,
um dos coordenadores do estudo. "Mas nas periferias, o
cuscuz de milho ainda é memória nordestina em estado
sólido, o leite de coco ainda carrega o sopro da diáspora
africana, o azeite de dendê resiste ao
embranquecimento do paladar urbano, e a mandioca
segue sendo mais que raiz: é símbolo de autonomia e
continuidade." [...]
"Nosso sonho até 2030 é construir um tripé", explica Luiz
Claudio de Souza, articulador institucional do
Observatório. "Potencializar as hortas, criar um banco de
alimentos, também com a contribuição de mercados e
hortifrutis do bairro, e construir uma cozinha comunitária
que possa manipular esses alimentos junto com a
comunidade. Mas pra isso precisamos de parceiros."
Enquanto esse sonho não se concretiza, os agricultores
urbanos colhem das hortas frutos que não se resumem
aos vegetais que crescem ali. São valores intangíveis
que se espalham pela comunidade como sementes
levadas pelo vento. [...]
(Disponível em:
https://ojoioeotrigo.com.br/2025/11/sob-os-trilhos-do-metro-hortas-urba
nas-combatem-avanco-de-ultraprocessados-na-periferia-de-sao-paulo/.
Acesso em: 25 nov. 2025. Adaptado.)
"A situação piorou durante a pandemia, quando muitos moradores perderam renda e precisaram contar com doações para sobreviver. Biscoitos, bebidas açucaradas e alimentos instantâneos se tornaram então ainda mais comuns nas despensas do bairro. Segundo a pesquisa, dois em cada três deles disseram que seus hábitos alimentares pioraram com a chegada da covid.
Foi após esse cenário de crise que um cozinheiro pernambucano viu em um terreno abandonado a chance de produzir comida de qualidade.[...] É nesse pequeno espaço que ele tenta construir, junto com os vizinhos, uma alternativa limpa e natural para substituir o avanço dos ultraprocessados. [...] Hoje as três hortas do bairro produzem verduras, legumes, frutas e plantas para chá, dos quais a população faz uso medicinal. "
Analise as sentenças a seguir tendo como base o excerto e também o contexto a que ele pertence:
I.Observando a coesão textual do excerto, o pronome pessoal "eles" (parágrafo 1) se refere a "muitos moradores", evitando a repetição desnecessária do substantivo "moradores". O mesmo ocorre no parágrafo seguinte em que "ele" substitui "cozinheiro pernambucano".
II."A situação" se refere a todo o contexto de vulnerabilidade alimentar descrito no parágrafo anterior.
III.Em "esse cenário", tem-se uma coesão referencial, possibilitando ao leitor compreender que se trata do cenário da insegurança alimentar agravado pela pandemia, tratado anteriormente.
É correto o que se afirma em:
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Sob os trilhos do metrô, hortas urbanas combatem
avanço de ultraprocessados na periferia de São
Paulo
Moradores do Jardim Ibirapuera plantam legumes e
verduras sem agrotóxico como alternativa à pobreza de
nutrientes identificada em estudo inédito conduzido pela
comunidade.
Adriano Wilkson
Debaixo dos trilhos do metrô de São Paulo, quatro
agricultores urbanos observam o lento crescimento de
mudas de milho cuidadosamente organizadas em um
canteiro montado com restos de construção civil. Alguns
metros adiante, pés de alface, couve, banana e
erva-cidreira dividem terreno com uma vaca que pasta
displicente.
Ao caminhar em meio ao verde, por um momento você
até poderia supor que saiu da capital paulista, mas o
frenesi do trânsito da avenida Guido Caloi, que dá
acesso à Marginal Pinheiros, logo chama à realidade.
Essa é uma das vias mais movimentadas e caóticas de
São Paulo. Mas é ali, no meio de um conjunto de favelas
chamado Jardim Ibirapuera, que os moradores decidiram
construir uma alternativa à pobreza alimentar que assola
a comunidade.
Dos 41 mil moradores do bairro, 13 mil, ou 31%, passam
fome. Tecnicamente, essas pessoas vivem em
"insegurança alimentar grave", o que significa que a falta
de renda as impede de fazer todas as refeições que
gostariam. Essa taxa é maior do que a registrada no
município de São Paulo como um todo, onde 12% da
população passa fome [...]. A conclusão consta em uma
pesquisa inédita feita pelo Observatório Ibira30, um
braço do Bloco do Beco, organização não governamental
que atua no Jardim Ibirapuera desde 2003. Durante seis
meses, entre janeiro e junho de 2025, pesquisadores do
observatório bateram de porta em porta para entrevistar
moradores e investigar seus hábitos alimentares.
As 382 entrevistas revelaram a presença da fome não
apenas na ausência de alimentos, mas também no
avanço de ultraprocessados e de opções menos
nutritivas entre os moradores. Por exemplo, 86% dos
entrevistados disseram já terem precisado trocar
alimentos saudáveis por opções mais baratas e menos
nutritivas.
A situação piorou durante a pandemia, quando muitos
moradores perderam renda e precisaram contar com
doações para sobreviver. Biscoitos, bebidas açucaradas
e alimentos instantâneos se tornaram então ainda mais
comuns nas despensas do bairro. Segundo a pesquisa,
dois em cada três deles disseram que seus hábitos
alimentares pioraram com a chegada da covid.
Foi após esse cenário de crise que um cozinheiro pernambucano viu em um terreno abandonado a chance
de produzir comida de qualidade.[...] É nesse pequeno
espaço que ele tenta construir, junto com os vizinhos,
uma alternativa limpa e natural para substituir o avanço
dos ultraprocessados. [...] Hoje as três hortas do bairro
produzem verduras, legumes, frutas e plantas para chá,
dos quais a população faz uso medicinal.
"Eu me considero hoje outra pessoa mexendo com a
terra, trabalhando no ritmo da natureza e sabendo
exatamente o que tem no alimento que eu como", afirma
Neto, que, assim como os demais agricultores, não usa
agrotóxico na produção e adota princípios da
agroecologia para fazer a gestão de pragas. "Demora
mais, às vezes a gente erra, mas vale a pena porque é
saudável." [...]
A etnografia do observatório identificou que no Jardim
Ibirapuera 29% dos moradores têm origem no Nordeste
e três em cada quatro são pessoas pretas ou pardas.
Para muitas delas os hábitos alimentares refletem a
cultura e as tradições que a vida e a rotina em uma
cidade como São Paulo ainda não foram capazes de
apagar.
"Na São Paulo urbana e formalizada, as gôndolas dos
mercados podem até ocultar as origens dos
ingredientes", escreveu Marcelo Zarzuela Coelho, o Lelo,
um dos coordenadores do estudo. "Mas nas periferias, o
cuscuz de milho ainda é memória nordestina em estado
sólido, o leite de coco ainda carrega o sopro da diáspora
africana, o azeite de dendê resiste ao
embranquecimento do paladar urbano, e a mandioca
segue sendo mais que raiz: é símbolo de autonomia e
continuidade." [...]
"Nosso sonho até 2030 é construir um tripé", explica Luiz
Claudio de Souza, articulador institucional do
Observatório. "Potencializar as hortas, criar um banco de
alimentos, também com a contribuição de mercados e
hortifrutis do bairro, e construir uma cozinha comunitária
que possa manipular esses alimentos junto com a
comunidade. Mas pra isso precisamos de parceiros."
Enquanto esse sonho não se concretiza, os agricultores
urbanos colhem das hortas frutos que não se resumem
aos vegetais que crescem ali. São valores intangíveis
que se espalham pela comunidade como sementes
levadas pelo vento. [...]
(Disponível em:
https://ojoioeotrigo.com.br/2025/11/sob-os-trilhos-do-metro-hortas-urba
nas-combatem-avanco-de-ultraprocessados-na-periferia-de-sao-paulo/.
Acesso em: 25 nov. 2025. Adaptado.)
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Sob os trilhos do metrô, hortas urbanas combatem
avanço de ultraprocessados na periferia de São
Paulo
Moradores do Jardim Ibirapuera plantam legumes e
verduras sem agrotóxico como alternativa à pobreza de
nutrientes identificada em estudo inédito conduzido pela
comunidade.
Adriano Wilkson
Debaixo dos trilhos do metrô de São Paulo, quatro
agricultores urbanos observam o lento crescimento de
mudas de milho cuidadosamente organizadas em um
canteiro montado com restos de construção civil. Alguns
metros adiante, pés de alface, couve, banana e
erva-cidreira dividem terreno com uma vaca que pasta
displicente.
Ao caminhar em meio ao verde, por um momento você
até poderia supor que saiu da capital paulista, mas o
frenesi do trânsito da avenida Guido Caloi, que dá
acesso à Marginal Pinheiros, logo chama à realidade.
Essa é uma das vias mais movimentadas e caóticas de
São Paulo. Mas é ali, no meio de um conjunto de favelas
chamado Jardim Ibirapuera, que os moradores decidiram
construir uma alternativa à pobreza alimentar que assola
a comunidade.
Dos 41 mil moradores do bairro, 13 mil, ou 31%, passam
fome. Tecnicamente, essas pessoas vivem em
"insegurança alimentar grave", o que significa que a falta
de renda as impede de fazer todas as refeições que
gostariam. Essa taxa é maior do que a registrada no
município de São Paulo como um todo, onde 12% da
população passa fome [...]. A conclusão consta em uma
pesquisa inédita feita pelo Observatório Ibira30, um
braço do Bloco do Beco, organização não governamental
que atua no Jardim Ibirapuera desde 2003. Durante seis
meses, entre janeiro e junho de 2025, pesquisadores do
observatório bateram de porta em porta para entrevistar
moradores e investigar seus hábitos alimentares.
As 382 entrevistas revelaram a presença da fome não
apenas na ausência de alimentos, mas também no
avanço de ultraprocessados e de opções menos
nutritivas entre os moradores. Por exemplo, 86% dos
entrevistados disseram já terem precisado trocar
alimentos saudáveis por opções mais baratas e menos
nutritivas.
A situação piorou durante a pandemia, quando muitos
moradores perderam renda e precisaram contar com
doações para sobreviver. Biscoitos, bebidas açucaradas
e alimentos instantâneos se tornaram então ainda mais
comuns nas despensas do bairro. Segundo a pesquisa,
dois em cada três deles disseram que seus hábitos
alimentares pioraram com a chegada da covid.
Foi após esse cenário de crise que um cozinheiro pernambucano viu em um terreno abandonado a chance
de produzir comida de qualidade.[...] É nesse pequeno
espaço que ele tenta construir, junto com os vizinhos,
uma alternativa limpa e natural para substituir o avanço
dos ultraprocessados. [...] Hoje as três hortas do bairro
produzem verduras, legumes, frutas e plantas para chá,
dos quais a população faz uso medicinal.
"Eu me considero hoje outra pessoa mexendo com a
terra, trabalhando no ritmo da natureza e sabendo
exatamente o que tem no alimento que eu como", afirma
Neto, que, assim como os demais agricultores, não usa
agrotóxico na produção e adota princípios da
agroecologia para fazer a gestão de pragas. "Demora
mais, às vezes a gente erra, mas vale a pena porque é
saudável." [...]
A etnografia do observatório identificou que no Jardim
Ibirapuera 29% dos moradores têm origem no Nordeste
e três em cada quatro são pessoas pretas ou pardas.
Para muitas delas os hábitos alimentares refletem a
cultura e as tradições que a vida e a rotina em uma
cidade como São Paulo ainda não foram capazes de
apagar.
"Na São Paulo urbana e formalizada, as gôndolas dos
mercados podem até ocultar as origens dos
ingredientes", escreveu Marcelo Zarzuela Coelho, o Lelo,
um dos coordenadores do estudo. "Mas nas periferias, o
cuscuz de milho ainda é memória nordestina em estado
sólido, o leite de coco ainda carrega o sopro da diáspora
africana, o azeite de dendê resiste ao
embranquecimento do paladar urbano, e a mandioca
segue sendo mais que raiz: é símbolo de autonomia e
continuidade." [...]
"Nosso sonho até 2030 é construir um tripé", explica Luiz
Claudio de Souza, articulador institucional do
Observatório. "Potencializar as hortas, criar um banco de
alimentos, também com a contribuição de mercados e
hortifrutis do bairro, e construir uma cozinha comunitária
que possa manipular esses alimentos junto com a
comunidade. Mas pra isso precisamos de parceiros."
Enquanto esse sonho não se concretiza, os agricultores
urbanos colhem das hortas frutos que não se resumem
aos vegetais que crescem ali. São valores intangíveis
que se espalham pela comunidade como sementes
levadas pelo vento. [...]
(Disponível em:
https://ojoioeotrigo.com.br/2025/11/sob-os-trilhos-do-metro-hortas-urba
nas-combatem-avanco-de-ultraprocessados-na-periferia-de-sao-paulo/.
Acesso em: 25 nov. 2025. Adaptado.)
"Mas nas periferias, o cuscuz de milho ainda é memória nordestina em estado sólido, o leite de coco ainda carrega o sopro da diáspora africana, o azeite de dendê resiste ao embranquecimento do paladar urbano, e a mandioca segue sendo mais que raiz: é símbolo de autonomia e continuidade."
Considerando as informações contidas no excerto, o texto e seus conhecimentos prévios, analise as sentenças e registre V, para verdadeiras, e F, para falsas:
(__)De acordo com o texto, a relação das populações periféricas com o alimento vai além do gesto de se alimentar, de consumi-lo. A relação é cultural, afetiva e histórica.
(__)Ao afirmar que "o azeite de dendê resiste ao embranquecimento do paladar urbano", o autor do texto tece uma crítica à valorização dos alimentos originados em culturas brancas, como as europeias, em detrimento daqueles oriundos, por exemplo, dos povos afrodescendentes.
(__)A partir da leitura de todo o texto, é possível compreender que o alimento pode ser muito mais do que apenas comida. Seu modo de produção pode ser um gesto de resistência, por exemplo, aos ultraprocessados.
(__)Quando o imigrante vai para grandes metrópoles, como São Paulo, e leva consigo os alimentos típicos de seu lugar de origem, ele está demonstrando sua indisposição em se adaptar à outra cultura alimentar. Isso fica muito evidente quando o autor do texto lança mão de palavras como "estado sólido", "resiste ao embranquecimento", "autonomia e continuidade".
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta:
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