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Foram encontradas 255 questões.

2687478 Ano: 2022
Disciplina: Português
Banca: VUNESP
Orgão: Pref. Piracicaba-SP
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Leia o texto para responder a questão.

Começou com Alice

O objeto veio embrulhado num papel verde estampado com motivos infantis. Muito justo. Era um presente de aniversário para uma criança que fazia cinco anos.

O objeto era um livro. O garoto o desembrulhou e contemplou aquele volume.

O título, na capa, ele leu com facilidade: Alice no país das maravilhas. Sentou-se, cruzou as pernas e abriu o livro na página 11, onde começava a história – e nunca mais foi o mesmo.

Já se passaram mais de cinquenta anos, mas posso manusear, folhear e até reler esse livro. Para dizer a verdade, ele está à minha frente nesse momento.

Sim, antes dos cinco anos, eu já conseguia ler. Aprendera meio sozinho, sentado diariamente no colo de minha mãe enquanto, rindo muito, ela lia para si mesma – mas em voz alta a meu pedido. De tanto ouvir o som e o significado daqueles símbolos impressos no jornal enquanto olhava para eles, descobri com naturalidade como funcionavam – as letras formavam sílabas, as sílabas formavam palavras, as palavras formavam ideias. A partir dali, passei a aplicar o processo às outras letras impressas que via pela frente – em cartazes de cinema, anúncios no bonde, tampa de lata de marmelada – e saí lendo tudo que podia. E escrevendo também, porque era fácil copiar os símbolos, criando minhas próprias palavras. Dias depois, descobri a máquina de escrever do meu pai. E, com isso, aprendi a ler, a escrever e a escrever à maquina quase ao mesmo tempo, antes dos cinco anos.

A vida não é mais a mesma depois que se penetra no reino das palavras. Na verdade, não me recordo de nenhum dia em que não estivesse cercado por elas. Meus pais não liam livros, mas eram grandes consumidores de jornais. Detalhe: depois de lidos, jornais e revistas raramente iam para o lixo. As pilhas se acumulavam e atravessavam os anos. Os exemplares com as catástrofes históricas eram guardados para sempre. Não se jogavam fora as palavras.

Em pouco tempo, decidi que, no futuro, seria jornalista – que viveria das e entre as palavras. Ao contrário de outros garotos de minha geração, nunca pensei em ser médico, engenheiro ou advogado, nem mesmo astronauta. O importante eram as palavras.

Bem, aconteceu que, em tempo hábil, me tornei jornalista, e as palavras têm me sustentado até hoje.

(Ruy Castro. O leitor Apaixonado: prazeres à luz do abajur. Prólogo. São Paulo: Companhia das letras, 2009. Excerto adaptado)

A frase do final do 6º parágrafo – Não se jogavam fora as palavras. – faz uma clara referência

 

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2687477 Ano: 2022
Disciplina: Português
Banca: VUNESP
Orgão: Pref. Piracicaba-SP
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Leia o texto para responder a questão.

Começou com Alice

O objeto veio embrulhado num papel verde estampado com motivos infantis. Muito justo. Era um presente de aniversário para uma criança que fazia cinco anos.

O objeto era um livro. O garoto o desembrulhou e contemplou aquele volume.

O título, na capa, ele leu com facilidade: Alice no país das maravilhas. Sentou-se, cruzou as pernas e abriu o livro na página 11, onde começava a história – e nunca mais foi o mesmo.

Já se passaram mais de cinquenta anos, mas posso manusear, folhear e até reler esse livro. Para dizer a verdade, ele está à minha frente nesse momento.

Sim, antes dos cinco anos, eu já conseguia ler. Aprendera meio sozinho, sentado diariamente no colo de minha mãe enquanto, rindo muito, ela lia para si mesma – mas em voz alta a meu pedido. De tanto ouvir o som e o significado daqueles símbolos impressos no jornal enquanto olhava para eles, descobri com naturalidade como funcionavam – as letras formavam sílabas, as sílabas formavam palavras, as palavras formavam ideias. A partir dali, passei a aplicar o processo às outras letras impressas que via pela frente – em cartazes de cinema, anúncios no bonde, tampa de lata de marmelada – e saí lendo tudo que podia. E escrevendo também, porque era fácil copiar os símbolos, criando minhas próprias palavras. Dias depois, descobri a máquina de escrever do meu pai. E, com isso, aprendi a ler, a escrever e a escrever à maquina quase ao mesmo tempo, antes dos cinco anos.

A vida não é mais a mesma depois que se penetra no reino das palavras. Na verdade, não me recordo de nenhum dia em que não estivesse cercado por elas. Meus pais não liam livros, mas eram grandes consumidores de jornais. Detalhe: depois de lidos, jornais e revistas raramente iam para o lixo. As pilhas se acumulavam e atravessavam os anos. Os exemplares com as catástrofes históricas eram guardados para sempre. Não se jogavam fora as palavras.

Em pouco tempo, decidi que, no futuro, seria jornalista – que viveria das e entre as palavras. Ao contrário de outros garotos de minha geração, nunca pensei em ser médico, engenheiro ou advogado, nem mesmo astronauta. O importante eram as palavras.

Bem, aconteceu que, em tempo hábil, me tornei jornalista, e as palavras têm me sustentado até hoje.

(Ruy Castro. O leitor Apaixonado: prazeres à luz do abajur. Prólogo. São Paulo: Companhia das letras, 2009. Excerto adaptado)

No contexto de leitura, há emprego de linguagem em sentido figurado na passagem:

 

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2687476 Ano: 2022
Disciplina: Português
Banca: VUNESP
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Começou com Alice

O objeto veio embrulhado num papel verde estampado com motivos infantis. Muito justo. Era um presente de aniversário para uma criança que fazia cinco anos.

O objeto era um livro. O garoto o desembrulhou e contemplou aquele volume.

O título, na capa, ele leu com facilidade: Alice no país das maravilhas. Sentou-se, cruzou as pernas e abriu o livro na página 11, onde começava a história – e nunca mais foi o mesmo.

Já se passaram mais de cinquenta anos, mas posso manusear, folhear e até reler esse livro. Para dizer a verdade, ele está à minha frente nesse momento.

Sim, antes dos cinco anos, eu já conseguia ler. Aprendera meio sozinho, sentado diariamente no colo de minha mãe enquanto, rindo muito, ela lia para si mesma – mas em voz alta a meu pedido. De tanto ouvir o som e o significado daqueles símbolos impressos no jornal enquanto olhava para eles, descobri com naturalidade como funcionavam – as letras formavam sílabas, as sílabas formavam palavras, as palavras formavam ideias. A partir dali, passei a aplicar o processo às outras letras impressas que via pela frente – em cartazes de cinema, anúncios no bonde, tampa de lata de marmelada – e saí lendo tudo que podia. E escrevendo também, porque era fácil copiar os símbolos, criando minhas próprias palavras. Dias depois, descobri a máquina de escrever do meu pai. E, com isso, aprendi a ler, a escrever e a escrever à maquina quase ao mesmo tempo, antes dos cinco anos.

A vida não é mais a mesma depois que se penetra no reino das palavras. Na verdade, não me recordo de nenhum dia em que não estivesse cercado por elas. Meus pais não liam livros, mas eram grandes consumidores de jornais. Detalhe: depois de lidos, jornais e revistas raramente iam para o lixo. As pilhas se acumulavam e atravessavam os anos. Os exemplares com as catástrofes históricas eram guardados para sempre. Não se jogavam fora as palavras.

Em pouco tempo, decidi que, no futuro, seria jornalista – que viveria das e entre as palavras. Ao contrário de outros garotos de minha geração, nunca pensei em ser médico, engenheiro ou advogado, nem mesmo astronauta. O importante eram as palavras.

Bem, aconteceu que, em tempo hábil, me tornei jornalista, e as palavras têm me sustentado até hoje.

(Ruy Castro. O leitor Apaixonado: prazeres à luz do abajur. Prólogo. São Paulo: Companhia das letras, 2009. Excerto adaptado)

O autor do texto narra a

 

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2687475 Ano: 2022
Disciplina: Português
Banca: VUNESP
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O chato

Outro dia conversava com uma senhora que me falava sobre seu filho de 25 anos. Ela me disse que o filho adora ler. Que lê poesia desde menino. Que conhece a obra e a biografia de grande parte dos escritores gaúchos. Que não errou uma única questão na prova de literatura, quando fez vestibular. Que não consegue pegar no sono sem antes ler ao menos algumas linhas. E aí ela me alertou: “Mas não é chato!”.

E continuou justificando: disse que o filho adorava sair à noite, escutava rock, viajava bastante e tinha a cabeça super boa. Não era chato. Tive que rir. Por que ele seria?

A gente se apega aos estereótipos e não repara no quanto eles podem ser equivocados. Coloque um livro na mão de um rapaz e logo o imaginamos dentro de uma camisa trancafiada até o último botão, óculos fundo de garrafa e o ombro meio curvado. Provavelmente é antissocial, só escuta música barroca e vive citando Platão. Não parece mesmo muito divertido.

Quem é viciado em leitura também pode gostar muito de fazer musculação, ouvir U2, viajar, saltar de paraquedas, trabalhar com fotografia, todas essas coisas empolgantes que parece que só os não chatos têm acesso.

O pecado do chato é a oratória. Ele fala muito. Fala sobre assuntos que não nos interessam em nada. Ou até nos interessam, mas não naquela hora. O chato não tem timing*.

Uma pessoa pode adorar culinária e ser extremamente agradável ao falar dos pratos exóticos que experimentou em Cingapura, mas vai ser um chato se ficar dissertando sobre as propriedades malignas de um hambúrguer. E uma pessoa pode detestar ler e ainda assim ser extremamente agradável dançando, conversando sobre informática, contando suas experiências com a yoga.

Livro nos dá conhecimento, uma visão mais aberta da vida e nos ensina a escrever melhor. Não nos torna chatos nem nos salva de sê-los.

(Martha Medeiros. Montanha russa: crônicas – Porto Alegre, RS: L&PM, 2016. Excerto adaptado)

*Timing: habilidade para fazer certas coisas, para adotar determinadas medidas, no momento mais adequado ou oportuno.

Considere as seguintes passagens do texto:

• ... não repara no quanto eles podem ser equivocados. (3º parágrafo)

• E uma pessoa pode detestar ler... (6º parágrafo)

Com a substituição dos verbos destacados, as frases estão em conformidade com a norma-padrão de regência verbal e nominal, e sem alteração do sentido do texto original, em:

 

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2687474 Ano: 2022
Disciplina: Português
Banca: VUNESP
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O chato

Outro dia conversava com uma senhora que me falava sobre seu filho de 25 anos. Ela me disse que o filho adora ler. Que lê poesia desde menino. Que conhece a obra e a biografia de grande parte dos escritores gaúchos. Que não errou uma única questão na prova de literatura, quando fez vestibular. Que não consegue pegar no sono sem antes ler ao menos algumas linhas. E aí ela me alertou: “Mas não é chato!”.

E continuou justificando: disse que o filho adorava sair à noite, escutava rock, viajava bastante e tinha a cabeça super boa. Não era chato. Tive que rir. Por que ele seria?

A gente se apega aos estereótipos e não repara no quanto eles podem ser equivocados. Coloque um livro na mão de um rapaz e logo o imaginamos dentro de uma camisa trancafiada até o último botão, óculos fundo de garrafa e o ombro meio curvado. Provavelmente é antissocial, só escuta música barroca e vive citando Platão. Não parece mesmo muito divertido.

Quem é viciado em leitura também pode gostar muito de fazer musculação, ouvir U2, viajar, saltar de paraquedas, trabalhar com fotografia, todas essas coisas empolgantes que parece que só os não chatos têm acesso.

O pecado do chato é a oratória. Ele fala muito. Fala sobre assuntos que não nos interessam em nada. Ou até nos interessam, mas não naquela hora. O chato não tem timing*.

Uma pessoa pode adorar culinária e ser extremamente agradável ao falar dos pratos exóticos que experimentou em Cingapura, mas vai ser um chato se ficar dissertando sobre as propriedades malignas de um hambúrguer. E uma pessoa pode detestar ler e ainda assim ser extremamente agradável dançando, conversando sobre informática, contando suas experiências com a yoga.

Livro nos dá conhecimento, uma visão mais aberta da vida e nos ensina a escrever melhor. Não nos torna chatos nem nos salva de sê-los.

(Martha Medeiros. Montanha russa: crônicas – Porto Alegre, RS: L&PM, 2016. Excerto adaptado)

*Timing: habilidade para fazer certas coisas, para adotar determinadas medidas, no momento mais adequado ou oportuno.

Para responder a questão, considere a passagem do penúltimo parágrafo:

Uma pessoa pode adorar culinária e ser extremamente agradável ao falar dos pratos exóticos que experimentou em Cingapura, mas vai ser um chato se ficar dissertando sobre as propriedades malignas de um hambúrguer.

Os termos extremamente, exóticos e propriedades, destacados na passagem, têm como sinônimos adequados ao contexto, respectivamente:

 

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2687473 Ano: 2022
Disciplina: Português
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O chato

Outro dia conversava com uma senhora que me falava sobre seu filho de 25 anos. Ela me disse que o filho adora ler. Que lê poesia desde menino. Que conhece a obra e a biografia de grande parte dos escritores gaúchos. Que não errou uma única questão na prova de literatura, quando fez vestibular. Que não consegue pegar no sono sem antes ler ao menos algumas linhas. E aí ela me alertou: “Mas não é chato!”.

E continuou justificando: disse que o filho adorava sair à noite, escutava rock, viajava bastante e tinha a cabeça super boa. Não era chato. Tive que rir. Por que ele seria?

A gente se apega aos estereótipos e não repara no quanto eles podem ser equivocados. Coloque um livro na mão de um rapaz e logo o imaginamos dentro de uma camisa trancafiada até o último botão, óculos fundo de garrafa e o ombro meio curvado. Provavelmente é antissocial, só escuta música barroca e vive citando Platão. Não parece mesmo muito divertido.

Quem é viciado em leitura também pode gostar muito de fazer musculação, ouvir U2, viajar, saltar de paraquedas, trabalhar com fotografia, todas essas coisas empolgantes que parece que só os não chatos têm acesso.

O pecado do chato é a oratória. Ele fala muito. Fala sobre assuntos que não nos interessam em nada. Ou até nos interessam, mas não naquela hora. O chato não tem timing*.

Uma pessoa pode adorar culinária e ser extremamente agradável ao falar dos pratos exóticos que experimentou em Cingapura, mas vai ser um chato se ficar dissertando sobre as propriedades malignas de um hambúrguer. E uma pessoa pode detestar ler e ainda assim ser extremamente agradável dançando, conversando sobre informática, contando suas experiências com a yoga.

Livro nos dá conhecimento, uma visão mais aberta da vida e nos ensina a escrever melhor. Não nos torna chatos nem nos salva de sê-los.

(Martha Medeiros. Montanha russa: crônicas – Porto Alegre, RS: L&PM, 2016. Excerto adaptado)

*Timing: habilidade para fazer certas coisas, para adotar determinadas medidas, no momento mais adequado ou oportuno.

Para responder a questão, considere a passagem do penúltimo parágrafo:

Uma pessoa pode adorar culinária e ser extremamente agradável ao falar dos pratos exóticos que experimentou em Cingapura, mas vai ser um chato se ficar dissertando sobre as propriedades malignas de um hambúrguer.

O termo destacado na frase – ... mas vai ser um chato se ficar dissertando... – introduz, em relação ao que é enunciado anteriormente, a ideia de

 

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2687472 Ano: 2022
Disciplina: Português
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Leia o texto para responder a questão.

O chato

Outro dia conversava com uma senhora que me falava sobre seu filho de 25 anos. Ela me disse que o filho adora ler. Que lê poesia desde menino. Que conhece a obra e a biografia de grande parte dos escritores gaúchos. Que não errou uma única questão na prova de literatura, quando fez vestibular. Que não consegue pegar no sono sem antes ler ao menos algumas linhas. E aí ela me alertou: “Mas não é chato!”.

E continuou justificando: disse que o filho adorava sair à noite, escutava rock, viajava bastante e tinha a cabeça super boa. Não era chato. Tive que rir. Por que ele seria?

A gente se apega aos estereótipos e não repara no quanto eles podem ser equivocados. Coloque um livro na mão de um rapaz e logo o imaginamos dentro de uma camisa trancafiada até o último botão, óculos fundo de garrafa e o ombro meio curvado. Provavelmente é antissocial, só escuta música barroca e vive citando Platão. Não parece mesmo muito divertido.

Quem é viciado em leitura também pode gostar muito de fazer musculação, ouvir U2, viajar, saltar de paraquedas, trabalhar com fotografia, todas essas coisas empolgantes que parece que só os não chatos têm acesso.

O pecado do chato é a oratória. Ele fala muito. Fala sobre assuntos que não nos interessam em nada. Ou até nos interessam, mas não naquela hora. O chato não tem timing*.

Uma pessoa pode adorar culinária e ser extremamente agradável ao falar dos pratos exóticos que experimentou em Cingapura, mas vai ser um chato se ficar dissertando sobre as propriedades malignas de um hambúrguer. E uma pessoa pode detestar ler e ainda assim ser extremamente agradável dançando, conversando sobre informática, contando suas experiências com a yoga.

Livro nos dá conhecimento, uma visão mais aberta da vida e nos ensina a escrever melhor. Não nos torna chatos nem nos salva de sê-los.

(Martha Medeiros. Montanha russa: crônicas – Porto Alegre, RS: L&PM, 2016. Excerto adaptado)

*Timing: habilidade para fazer certas coisas, para adotar determinadas medidas, no momento mais adequado ou oportuno.

Assinale a alternativa em que a concordância verbal e nominal da frase escrita a partir do texto está de acordo com a norma-padrão da língua portuguesa.

 

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2687471 Ano: 2022
Disciplina: Português
Banca: VUNESP
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O chato

Outro dia conversava com uma senhora que me falava sobre seu filho de 25 anos. Ela me disse que o filho adora ler. Que lê poesia desde menino. Que conhece a obra e a biografia de grande parte dos escritores gaúchos. Que não errou uma única questão na prova de literatura, quando fez vestibular. Que não consegue pegar no sono sem antes ler ao menos algumas linhas. E aí ela me alertou: “Mas não é chato!”.

E continuou justificando: disse que o filho adorava sair à noite, escutava rock, viajava bastante e tinha a cabeça super boa. Não era chato. Tive que rir. Por que ele seria?

A gente se apega aos estereótipos e não repara no quanto eles podem ser equivocados. Coloque um livro na mão de um rapaz e logo o imaginamos dentro de uma camisa trancafiada até o último botão, óculos fundo de garrafa e o ombro meio curvado. Provavelmente é antissocial, só escuta música barroca e vive citando Platão. Não parece mesmo muito divertido.

Quem é viciado em leitura também pode gostar muito de fazer musculação, ouvir U2, viajar, saltar de paraquedas, trabalhar com fotografia, todas essas coisas empolgantes que parece que só os não chatos têm acesso.

O pecado do chato é a oratória. Ele fala muito. Fala sobre assuntos que não nos interessam em nada. Ou até nos interessam, mas não naquela hora. O chato não tem timing*.

Uma pessoa pode adorar culinária e ser extremamente agradável ao falar dos pratos exóticos que experimentou em Cingapura, mas vai ser um chato se ficar dissertando sobre as propriedades malignas de um hambúrguer. E uma pessoa pode detestar ler e ainda assim ser extremamente agradável dançando, conversando sobre informática, contando suas experiências com a yoga.

Livro nos dá conhecimento, uma visão mais aberta da vida e nos ensina a escrever melhor. Não nos torna chatos nem nos salva de sê-los.

(Martha Medeiros. Montanha russa: crônicas – Porto Alegre, RS: L&PM, 2016. Excerto adaptado)

*Timing: habilidade para fazer certas coisas, para adotar determinadas medidas, no momento mais adequado ou oportuno.

Em seu texto, a autora aponta como um equívoco

 

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2687470 Ano: 2022
Disciplina: Português
Banca: VUNESP
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Leia o texto para responder a questão.

O chato

Outro dia conversava com uma senhora que me falava sobre seu filho de 25 anos. Ela me disse que o filho adora ler. Que lê poesia desde menino. Que conhece a obra e a biografia de grande parte dos escritores gaúchos. Que não errou uma única questão na prova de literatura, quando fez vestibular. Que não consegue pegar no sono sem antes ler ao menos algumas linhas. E aí ela me alertou: “Mas não é chato!”.

E continuou justificando: disse que o filho adorava sair à noite, escutava rock, viajava bastante e tinha a cabeça super boa. Não era chato. Tive que rir. Por que ele seria?

A gente se apega aos estereótipos e não repara no quanto eles podem ser equivocados. Coloque um livro na mão de um rapaz e logo o imaginamos dentro de uma camisa trancafiada até o último botão, óculos fundo de garrafa e o ombro meio curvado. Provavelmente é antissocial, só escuta música barroca e vive citando Platão. Não parece mesmo muito divertido.

Quem é viciado em leitura também pode gostar muito de fazer musculação, ouvir U2, viajar, saltar de paraquedas, trabalhar com fotografia, todas essas coisas empolgantes que parece que só os não chatos têm acesso.

O pecado do chato é a oratória. Ele fala muito. Fala sobre assuntos que não nos interessam em nada. Ou até nos interessam, mas não naquela hora. O chato não tem timing*.

Uma pessoa pode adorar culinária e ser extremamente agradável ao falar dos pratos exóticos que experimentou em Cingapura, mas vai ser um chato se ficar dissertando sobre as propriedades malignas de um hambúrguer. E uma pessoa pode detestar ler e ainda assim ser extremamente agradável dançando, conversando sobre informática, contando suas experiências com a yoga.

Livro nos dá conhecimento, uma visão mais aberta da vida e nos ensina a escrever melhor. Não nos torna chatos nem nos salva de sê-los.

(Martha Medeiros. Montanha russa: crônicas – Porto Alegre, RS: L&PM, 2016. Excerto adaptado)

*Timing: habilidade para fazer certas coisas, para adotar determinadas medidas, no momento mais adequado ou oportuno.

A autora do texto trata

 

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2687469 Ano: 2022
Disciplina: Português
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Leia o texto para responder a questão.

Um telefone sempre toca na hora errada

Desenvolvi um tipo de fobia social muito específica. Pertenço à categoria cada vez mais numerosa de gente que odeia atender o telefone. Pior ainda: odeio que ele toque. Toda vez que meu telefone vibra fico ao mesmo tempo surpreso e irritado, como se o aparelho estivesse indo além da sua alçada. Olho para ele como olharia para uma geladeira que começasse a tocar sanfona: “Não foi para isso que eu te comprei”.

Talvez o incômodo venha do motivo da ligação. Em 99% dos casos, trata-se de um número desconhecido tentando me vender um cartão de crédito. Mas também sofro quando ligam de casa. Ou do trabalho. Um telefone tocando sempre incomoda.

Não lembro se já era assim antes do WhatsApp, mas tenho certeza de que o desprezo ao telefonema piorou depois que ele começou a rarear. Quanto menos um telefone toca, mais chateia quando toca. A raridade da ligação gerou uma alergia ao toque. Um telefone, quando toca, sempre toca na hora errada. Hoje uma ligação sempre pega o ser humano de surpresa. Resultado: minha geração perdeu os macetes da ligação telefônica. Falamos ao telefone com pausas esquisitas, nunca sabemos quando desligar.

Os defensores da ligação argumentam: telefone é bom porque você resolve na hora. Sim. Esse é o problema. Não quero resolver nada na hora. Que pesadelo uma tecnologia que serve para te obrigar a resolver coisas na hora.

Já que é para ressuscitar velhas tecnologias, queria sugerir que voltássemos todos para o e-mail. A correspondência epistolar permite que cada um tome o tempo que quiser para responder – ou simplesmente não responder.

Um e-mail tem essa grande vantagem: nem sempre chega. Uma tecnologia que se preze tem que falhar. Um e-mail sempre pode ter se extraviado. Saudade de quando a comunicação não funcionava tão bem. O sucesso das relações humanas depende de uma tecnologia pouco confiável.

(Gregorio Duvivier. https://www1.folha.uol.com.br/. 08.02.2022. Adaptado)

Os dois-pontos da frase do último parágrafo – Um e-mail tem essa grande vantagem: nem sempre chega. – podem ser substituídos, sem prejuízo de sentido ao texto original, pela conjunção destacada em:

 

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