Foram encontradas 788 questões.
Uma escada deverá ser construída com 15 degraus, cada
um com 12 cm de altura e 16 cm de largura, conforme o
esboço de uma parte dessa escada.

Qual será o comprimento total medido ao longo dessa escada?

Qual será o comprimento total medido ao longo dessa escada?
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Obuseiro é uma peça de artilharia parecida com um
canhão e que dispara em trajetória parabólica.
Considerando que a trajetória percorrida por um projétil
disparado por um obuseiro seja representada pela
equação h = -1/10 d² + 2d, sendo h a altura, em
quilômetros, atingida pelo projétil e d a distância, em
quilômetros, alcançada pelo projétil. A distância máxima,
na horizontal, em quilômetros, que o projétil pode atingir
é:
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Crise da Venezuela é teste para instituições da América
Latina
A crise na Venezuela, talvez o maior colapso econômico não provocado por uma guerra nas últimas quatro décadas, deu início a um dos maiores fluxos migratórios do mundo. De acordo com as Nações Unidas, até junho de 2019 mais de 4 milhões de pessoas haviam fugido do país, com uma média de 5 mil pessoas saindo por dia em 2018. Mais de 80% dos imigrantes venezuelanos ficaram em nações da América Latina ou do Caribe, muitas das quais nunca haviam lidado com migrações desse porte anteriormente.
Com o intenso impacto sentido na região, é de se
pensar que a reação seria hostil nesta era em que o
nativismo aumenta mundialmente e que o crescimento
econômico na região é anêmico. Em um primeiro
momento, porém, ela foi positiva, embora a tensão venha
aumentando. Com um grupo de estudantes, conduzimos
uma pesquisa em sete países da região e encontramos
exemplos de boas e más reações, incluindo sinais de piora.
Boa parte do debate gira em torno da oferta de serviços essenciais, como comida, saúde, moradia, apoio
jurídico e inserção no mercado de trabalho. A maioria dos
imigrantes venezuelanos é pobre e tem pouca formação
acadêmica, precisando, portanto, de diversos tipos de
apoio social, algo que tem custos incrivelmente altos para
os governos que já não possuem muitos fundos.
Ainda que a maioria dos países ofereça pelo menos o
mínimo desses serviços e que muitos colaborem
internacionalmente para assegurar mais apoio estrangeiro,
pesquisas mostram que boa parte dos imigrantes não está
recebendo apoio suficiente. Em países em que imigrantes
venezuelanos representam mais de 1,5% da população
(Equador, Chile, Colômbia, Trinidad e Tobago e o estado de
Roraima, no Brasil), o esgotamento já é visível. Alguns
governos precisaram contar demasiadamente com apoio
de organizações estrangeiras (especialmente o Equador),
ou até mobilizar as Forças Armadas para auxiliar com
operações logísticas e humanitárias, como no caso do
Brasil. As duas coisas são sinais de desespero.
Acolher imigrantes envolve, também, oferecer opções
jurídicas para sua chegada e residência. Para os
venezuelanos, um passaporte válido pode ser custoso,
quando não impossível. O governo venezuelano sempre
atrasou consideravelmente a emissão de passaportes — e
com taxas desnecessariamente altas — e desde 2017
suspendeu indefinidamente agendamentos e renovações
por falta de material. É ainda mais difícil para os
venezuelanos conseguir outros documentos, como
certidões de bons antecedentes criminais, requisito para a
entrada em países mais restritos, como o Equador. [...]
As instituições e a opinião pública na América Latina
têm sido testadas pela crise da Venezuela. O assunto já se
tornou motivo de discussão na eleição chilena de 2017, com
um dos principais candidatos assumindo um discurso
claramente anti-imigração. Felizmente, a região é protegida
por normas internacionais pró-imigração, organizações
civis robustas e políticos simpáticos à causa. Mas essas
defesas podem não ser suficientes para conter o aumento
do nativismo causado pela pior onda migratória em
décadas.
(Javier Corrales, da Americas Quarterly, traduzido por Daniel Salgado, 14/07/2019. Disponível em: https://epoca.globo.com/crise-davenezuela-teste-para-instituicoes-da-america-latina-23802888. Com adaptações.)
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Crise da Venezuela é teste para instituições da América
Latina
A crise na Venezuela, talvez o maior colapso econômico não provocado por uma guerra nas últimas quatro décadas, deu início a um dos maiores fluxos migratórios do mundo. De acordo com as Nações Unidas, até junho de 2019 mais de 4 milhões de pessoas haviam fugido do país, com uma média de 5 mil pessoas saindo por dia em 2018. Mais de 80% dos imigrantes venezuelanos ficaram em nações da América Latina ou do Caribe, muitas das quais nunca haviam lidado com migrações desse porte anteriormente.
Com o intenso impacto sentido na região, é de se
pensar que a reação seria hostil nesta era em que o
nativismo aumenta mundialmente e que o crescimento
econômico na região é anêmico. Em um primeiro
momento, porém, ela foi positiva, embora a tensão venha
aumentando. Com um grupo de estudantes, conduzimos
uma pesquisa em sete países da região e encontramos
exemplos de boas e más reações, incluindo sinais de piora.
Boa parte do debate gira em torno da oferta de
serviços essenciais, como comida, saúde, moradia, apoio
jurídico e inserção no mercado de trabalho. A maioria dos
imigrantes venezuelanos é pobre e tem pouca formação
acadêmica, precisando, portanto, de diversos tipos de
apoio social, algo que tem custos incrivelmente altos para
os governos que já não possuem muitos fundos.
Ainda que a maioria dos países ofereça pelo menos o
mínimo desses serviços e que muitos colaborem
internacionalmente para assegurar mais apoio estrangeiro,
pesquisas mostram que boa parte dos imigrantes não está
recebendo apoio suficiente. Em países em que imigrantes
venezuelanos representam mais de 1,5% da população
(Equador, Chile, Colômbia, Trinidad e Tobago e o estado de
Roraima, no Brasil), o esgotamento já é visível. Alguns
governos precisaram contar demasiadamente com apoio
de organizações estrangeiras (especialmente o Equador),
ou até mobilizar as Forças Armadas para auxiliar com
operações logísticas e humanitárias, como no caso do
Brasil. As duas coisas são sinais de desespero.
Acolher imigrantes envolve, também, oferecer opções
jurídicas para sua chegada e residência. Para os
venezuelanos, um passaporte válido pode ser custoso,
quando não impossível. O governo venezuelano sempre
atrasou consideravelmente a emissão de passaportes — e
com taxas desnecessariamente altas — e desde 2017
suspendeu indefinidamente agendamentos e renovações
por falta de material. É ainda mais difícil para os
venezuelanos conseguir outros documentos, como
certidões de bons antecedentes criminais, requisito para a
entrada em países mais restritos, como o Equador. [...]
As instituições e a opinião pública na América Latina
têm sido testadas pela crise da Venezuela. O assunto já se
tornou motivo de discussão na eleição chilena de 2017, com
um dos principais candidatos assumindo um discurso
claramente anti-imigração. Felizmente, a região é protegida
por normas internacionais pró-imigração, organizações
civis robustas e políticos simpáticos à causa. Mas essas
defesas podem não ser suficientes para conter o aumento
do nativismo causado pela pior onda migratória em
décadas.
(Javier Corrales, da Americas Quarterly, traduzido por Daniel Salgado,
14/07/2019. Disponível em: https://epoca.globo.com/crise-davenezuela-teste-para-instituicoes-da-america-latina-23802888.
Com adaptações.)
Provas
Questão presente nas seguintes provas
A produção de si como mercadoria nas redes sociais
Estudar a história do trabalho, das indústrias e das corporações nos ajudaria a entender a história do poder econômico e, por conseguinte, a história de nossas vidas submetidas àqueles que controlam a possibilidade de nossa sobrevivência.
As formas de organização da produção industrial a que
se deu o nome de fordismo, taylorismo e toyotismo,
definiram não apenas o modo de fazer, mas o modo de ser
da vida em geral submetida ao controle pela produção.
Aqueles modos de organização sempre visaram baixar custos
enquanto promoviam altos índices de produtividade. Todos,
certamente, sempre se preocuparam pouco com as pessoas
que trabalhavam nas fábricas ou nas empresas. Eram
sistemas bastante frustrantes para pessoas que não
queriam ser tratadas como robôs.
No taylorismo e no fordismo, as pessoas faziam uma
única atividade no processo produtivo, eram remuneradas
por produtividade e individualmente. A superprodução
levava a estoques gigantes e lucros enormes. Foi Ford que
acrescentou a esteira rolante que economizava tempo
dentro da fábrica para incrementar o processo de produção
em grande escala. Tempos modernos de Chaplin fez a sátira
disso tudo.
O toyotismo, que surgiu na fábrica do carro japonês,
tem algumas diferenças: o trabalho antes individual, agora
é em equipe. Uma pessoa não tem mais uma única
atividade repetitiva, ela deve saber fazer tudo. Deve-se
evitar todo tipo de desperdício. Retira-se o estoque e se
entrega às demandas. Em épocas de crise se produz
conforme o consumo.
Em qualquer desses casos, as pessoas sempre são bens
bastante descartáveis. Um produtor vale tanto quanto sua
produtividade. Ou menos do que ela, já que pode ser
substituído. Não há nenhuma novidade nisso. Só não se
submete a isso quem, em vez de ser operário comandado
por meios de produção, é o dono dos meios de produção.
Essa lógica das fábricas é espelho da lógica da vida e atinge
todas as instituições.
A produção de coisas, sejam carros ou telefones
celulares, panelas ou cosméticos, depende de operadores
de produção, ora humanos, ora robôs.
Do mesmo modo quando se trata de “meios de
produção da linguagem”. Pensemos no conteúdo da
internet, lotada de produção de material comunicacional
ou anticomunicacional por pessoas que participam do meio
apenas porque desejam. Mas será que é desejo mesmo o
que nos faz participar de redes sociais?
Coloco essas questões porque gostaria de pensar no
tipo de trabalho que temos nas redes sociais. É inegável que
as redes sociais oferecem algum tipo de diversão às
pessoas, então, parece que não estamos trabalhando.
Trata-se, nesse caso, de uma indústria do entretenimento. E é evidente que elas também se oferecem como meios de
comunicação.
Mas é a dimensão do trabalho que me interessa
entender. Quanto tempo gastamos diariamente nesses
meios? O que somos obrigados a fazer para sobreviver
neles? Somos submetidos aos parâmetros taylor-fordistas
nas redes sociais? Ou aos toyotistas? Que esforços, que
tensões enfrentamos quando deles queremos participar?
Podemos viver fora deles sem culpa? Há espertos que se
aproveitam dele para jogos de poder? Há pessoas neles
capazes de cometer violência? Para que são usadas as
redes? Qual o papel da comunicação violenta nas redes?
Há pessoas que trabalham para as redes e são
remuneradas por seu trabalho. Há mercado negro nas
redes, há trabalho ilegal e dinheiro sujo, há milícias
midiáticas ocupadas em enganar, mentir, destruir
reputações, há pessoas cometendo crimes, aliciando
pessoas mentalmente precárias, roubando e assaltando
virtualmente. Não estou mencionando esses aspectos para
dizer que as redes são más, não é isso. Temos que entender
que as redes são “medialidades”, são meios sobre os quais
fazemos escolhas. Meios que nós movimentamos? Ou eles
nos movimentam? Dançamos conforme a música nas
redes? [...]
O tempo, a privacidade, a vida íntima, familiar, o que
estiver a mão, é transformado em mercadoria. É o triunfo
da lógica da mercadoria.
Há ainda o aspecto da produção da subjetividade por
meio da transformação da subjetividade em mercadoria.
Um dos pontos altos dessa produção passa pela imagem de
si nas redes, imagens como selfies, imagens como
paisagens, imagens como frases feitas e formulações
instantâneas com alto teor de impacto ou “lacrações”.
Em termos simples, cada um está produzindo e
vendendo a si mesmo. Ao mesmo tempo, em não sendo
dono dos meios de produção de si, cada um se produz a
partir de uma fórmula pronta dada pelo funcionamento do
aparelho. Cada um é uma espécie de “consumidor
consumido”, para lembrar Vilém Flusser.
(Marcia Tiburi. Disponível em: https://revistacult.uol.com.br/home/producao-de-si-mercadoriaredes-sociais/. Acesso em: 08/05/2019. Adaptado.)
Provas
Questão presente nas seguintes provas
A produção de si como mercadoria nas redes sociais
Estudar a história do trabalho, das indústrias e das corporações nos ajudaria a entender a história do poder econômico e, por conseguinte, a história de nossas vidas submetidas àqueles que controlam a possibilidade de nossa sobrevivência.
As formas de organização da produção industrial a que
se deu o nome de fordismo, taylorismo e toyotismo,
definiram não apenas o modo de fazer, mas o modo de ser
da vida em geral submetida ao controle pela produção.
Aqueles modos de organização sempre visaram baixar custos
enquanto promoviam altos índices de produtividade. Todos,
certamente, sempre se preocuparam pouco com as pessoas
que trabalhavam nas fábricas ou nas empresas. Eram
sistemas bastante frustrantes para pessoas que não
queriam ser tratadas como robôs.
No taylorismo e no fordismo, as pessoas faziam uma
única atividade no processo produtivo, eram remuneradas
por produtividade e individualmente. A superprodução
levava a estoques gigantes e lucros enormes. Foi Ford que
acrescentou a esteira rolante que economizava tempo
dentro da fábrica para incrementar o processo de produção
em grande escala. Tempos modernos de Chaplin fez a sátira
disso tudo.
O toyotismo, que surgiu na fábrica do carro japonês,
tem algumas diferenças: o trabalho antes individual, agora
é em equipe. Uma pessoa não tem mais uma única
atividade repetitiva, ela deve saber fazer tudo. Deve-se
evitar todo tipo de desperdício. Retira-se o estoque e se
entrega às demandas. Em épocas de crise se produz
conforme o consumo.
Em qualquer desses casos, as pessoas sempre são bens
bastante descartáveis. Um produtor vale tanto quanto sua
produtividade. Ou menos do que ela, já que pode ser
substituído. Não há nenhuma novidade nisso. Só não se
submete a isso quem, em vez de ser operário comandado
por meios de produção, é o dono dos meios de produção.
Essa lógica das fábricas é espelho da lógica da vida e atinge
todas as instituições.
A produção de coisas, sejam carros ou telefones
celulares, panelas ou cosméticos, depende de operadores
de produção, ora humanos, ora robôs.
Do mesmo modo quando se trata de “meios de
produção da linguagem”. Pensemos no conteúdo da
internet, lotada de produção de material comunicacional
ou anticomunicacional por pessoas que participam do meio
apenas porque desejam. Mas será que é desejo mesmo o
que nos faz participar de redes sociais?
Coloco essas questões porque gostaria de pensar no
tipo de trabalho que temos nas redes sociais. É inegável que
as redes sociais oferecem algum tipo de diversão às
pessoas, então, parece que não estamos trabalhando.
Trata-se, nesse caso, de uma indústria do entretenimento. E é evidente que elas também se oferecem como meios de
comunicação.
Mas é a dimensão do trabalho que me interessa
entender. Quanto tempo gastamos diariamente nesses
meios? O que somos obrigados a fazer para sobreviver
neles? Somos submetidos aos parâmetros taylor-fordistas
nas redes sociais? Ou aos toyotistas? Que esforços, que
tensões enfrentamos quando deles queremos participar?
Podemos viver fora deles sem culpa? Há espertos que se
aproveitam dele para jogos de poder? Há pessoas neles
capazes de cometer violência? Para que são usadas as
redes? Qual o papel da comunicação violenta nas redes?
Há pessoas que trabalham para as redes e são
remuneradas por seu trabalho. Há mercado negro nas
redes, há trabalho ilegal e dinheiro sujo, há milícias
midiáticas ocupadas em enganar, mentir, destruir
reputações, há pessoas cometendo crimes, aliciando
pessoas mentalmente precárias, roubando e assaltando
virtualmente. Não estou mencionando esses aspectos para
dizer que as redes são más, não é isso. Temos que entender
que as redes são “medialidades”, são meios sobre os quais
fazemos escolhas. Meios que nós movimentamos? Ou eles
nos movimentam? Dançamos conforme a música nas
redes? [...]
O tempo, a privacidade, a vida íntima, familiar, o que
estiver a mão, é transformado em mercadoria. É o triunfo
da lógica da mercadoria.
Há ainda o aspecto da produção da subjetividade por
meio da transformação da subjetividade em mercadoria.
Um dos pontos altos dessa produção passa pela imagem de
si nas redes, imagens como selfies, imagens como
paisagens, imagens como frases feitas e formulações
instantâneas com alto teor de impacto ou “lacrações”.
Em termos simples, cada um está produzindo e
vendendo a si mesmo. Ao mesmo tempo, em não sendo
dono dos meios de produção de si, cada um se produz a
partir de uma fórmula pronta dada pelo funcionamento do
aparelho. Cada um é uma espécie de “consumidor
consumido”, para lembrar Vilém Flusser.
(Marcia Tiburi. Disponível em: https://revistacult.uol.com.br/home/producao-de-si-mercadoriaredes-sociais/. Acesso em: 08/05/2019. Adaptado.)
Provas
Questão presente nas seguintes provas
A produção de si como mercadoria nas redes sociais
Estudar a história do trabalho, das indústrias e das corporações nos ajudaria a entender a história do poder econômico e, por conseguinte, a história de nossas vidas submetidas àqueles que controlam a possibilidade de nossa sobrevivência.
As formas de organização da produção industrial a que
se deu o nome de fordismo, taylorismo e toyotismo,
definiram não apenas o modo de fazer, mas o modo de ser
da vida em geral submetida ao controle pela produção.
Aqueles modos de organização sempre visaram baixar custos
enquanto promoviam altos índices de produtividade. Todos,
certamente, sempre se preocuparam pouco com as pessoas
que trabalhavam nas fábricas ou nas empresas. Eram
sistemas bastante frustrantes para pessoas que não
queriam ser tratadas como robôs.
No taylorismo e no fordismo, as pessoas faziam uma
única atividade no processo produtivo, eram remuneradas
por produtividade e individualmente. A superprodução
levava a estoques gigantes e lucros enormes. Foi Ford que
acrescentou a esteira rolante que economizava tempo
dentro da fábrica para incrementar o processo de produção
em grande escala. Tempos modernos de Chaplin fez a sátira
disso tudo.
O toyotismo, que surgiu na fábrica do carro japonês,
tem algumas diferenças: o trabalho antes individual, agora
é em equipe. Uma pessoa não tem mais uma única
atividade repetitiva, ela deve saber fazer tudo. Deve-se
evitar todo tipo de desperdício. Retira-se o estoque e se
entrega às demandas. Em épocas de crise se produz
conforme o consumo.
Em qualquer desses casos, as pessoas sempre são bens
bastante descartáveis. Um produtor vale tanto quanto sua
produtividade. Ou menos do que ela, já que pode ser
substituído. Não há nenhuma novidade nisso. Só não se
submete a isso quem, em vez de ser operário comandado
por meios de produção, é o dono dos meios de produção.
Essa lógica das fábricas é espelho da lógica da vida e atinge
todas as instituições.
A produção de coisas, sejam carros ou telefones
celulares, panelas ou cosméticos, depende de operadores
de produção, ora humanos, ora robôs.
Do mesmo modo quando se trata de “meios de
produção da linguagem”. Pensemos no conteúdo da
internet, lotada de produção de material comunicacional
ou anticomunicacional por pessoas que participam do meio
apenas porque desejam. Mas será que é desejo mesmo o
que nos faz participar de redes sociais?
Coloco essas questões porque gostaria de pensar no
tipo de trabalho que temos nas redes sociais. É inegável que
as redes sociais oferecem algum tipo de diversão às
pessoas, então, parece que não estamos trabalhando.
Trata-se, nesse caso, de uma indústria do entretenimento. E é evidente que elas também se oferecem como meios de
comunicação.
Mas é a dimensão do trabalho que me interessa
entender. Quanto tempo gastamos diariamente nesses
meios? O que somos obrigados a fazer para sobreviver
neles? Somos submetidos aos parâmetros taylor-fordistas
nas redes sociais? Ou aos toyotistas? Que esforços, que
tensões enfrentamos quando deles queremos participar?
Podemos viver fora deles sem culpa? Há espertos que se
aproveitam dele para jogos de poder? Há pessoas neles
capazes de cometer violência? Para que são usadas as
redes? Qual o papel da comunicação violenta nas redes?
Há pessoas que trabalham para as redes e são
remuneradas por seu trabalho. Há mercado negro nas
redes, há trabalho ilegal e dinheiro sujo, há milícias
midiáticas ocupadas em enganar, mentir, destruir
reputações, há pessoas cometendo crimes, aliciando
pessoas mentalmente precárias, roubando e assaltando
virtualmente. Não estou mencionando esses aspectos para
dizer que as redes são más, não é isso. Temos que entender
que as redes são “medialidades”, são meios sobre os quais
fazemos escolhas. Meios que nós movimentamos? Ou eles
nos movimentam? Dançamos conforme a música nas
redes? [...]
O tempo, a privacidade, a vida íntima, familiar, o que
estiver a mão, é transformado em mercadoria. É o triunfo
da lógica da mercadoria.
Há ainda o aspecto da produção da subjetividade por
meio da transformação da subjetividade em mercadoria.
Um dos pontos altos dessa produção passa pela imagem de
si nas redes, imagens como selfies, imagens como
paisagens, imagens como frases feitas e formulações
instantâneas com alto teor de impacto ou “lacrações”.
Em termos simples, cada um está produzindo e
vendendo a si mesmo. Ao mesmo tempo, em não sendo
dono dos meios de produção de si, cada um se produz a
partir de uma fórmula pronta dada pelo funcionamento do
aparelho. Cada um é uma espécie de “consumidor
consumido”, para lembrar Vilém Flusser.
(Marcia Tiburi. Disponível em: https://revistacult.uol.com.br/home/producao-de-si-mercadoriaredes-sociais/. Acesso em: 08/05/2019. Adaptado.)
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Crise da Venezuela é teste para instituições da América
Latina
A crise na Venezuela, talvez o maior colapso econômico não provocado por uma guerra nas últimas quatro décadas, deu início a um dos maiores fluxos migratórios do mundo. De acordo com as Nações Unidas, até junho de 2019 mais de 4 milhões de pessoas haviam fugido do país, com uma média de 5 mil pessoas saindo por dia em 2018. Mais de 80% dos imigrantes venezuelanos ficaram em nações da América Latina ou do Caribe, muitas das quais nunca haviam lidado com migrações desse porte anteriormente.
Com o intenso impacto sentido na região, é de se
pensar que a reação seria hostil nesta era em que o
nativismo aumenta mundialmente e que o crescimento
econômico na região é anêmico. Em um primeiro
momento, porém, ela foi positiva, embora a tensão venha
aumentando. Com um grupo de estudantes, conduzimos
uma pesquisa em sete países da região e encontramos
exemplos de boas e más reações, incluindo sinais de piora.
Boa parte do debate gira em torno da oferta de serviços essenciais, como comida, saúde, moradia, apoio
jurídico e inserção no mercado de trabalho. A maioria dos
imigrantes venezuelanos é pobre e tem pouca formação
acadêmica, precisando, portanto, de diversos tipos de
apoio social, algo que tem custos incrivelmente altos para
os governos que já não possuem muitos fundos.
Ainda que a maioria dos países ofereça pelo menos o
mínimo desses serviços e que muitos colaborem
internacionalmente para assegurar mais apoio estrangeiro,
pesquisas mostram que boa parte dos imigrantes não está
recebendo apoio suficiente. Em países em que imigrantes
venezuelanos representam mais de 1,5% da população
(Equador, Chile, Colômbia, Trinidad e Tobago e o estado de
Roraima, no Brasil), o esgotamento já é visível. Alguns
governos precisaram contar demasiadamente com apoio
de organizações estrangeiras (especialmente o Equador),
ou até mobilizar as Forças Armadas para auxiliar com
operações logísticas e humanitárias, como no caso do
Brasil. As duas coisas são sinais de desespero.
Acolher imigrantes envolve, também, oferecer opções
jurídicas para sua chegada e residência. Para os
venezuelanos, um passaporte válido pode ser custoso,
quando não impossível. O governo venezuelano sempre
atrasou consideravelmente a emissão de passaportes — e
com taxas desnecessariamente altas — e desde 2017
suspendeu indefinidamente agendamentos e renovações
por falta de material. É ainda mais difícil para os
venezuelanos conseguir outros documentos, como
certidões de bons antecedentes criminais, requisito para a
entrada em países mais restritos, como o Equador. [...]
As instituições e a opinião pública na América Latina
têm sido testadas pela crise da Venezuela. O assunto já se
tornou motivo de discussão na eleição chilena de 2017, com
um dos principais candidatos assumindo um discurso
claramente anti-imigração. Felizmente, a região é protegida
por normas internacionais pró-imigração, organizações
civis robustas e políticos simpáticos à causa. Mas essas
defesas podem não ser suficientes para conter o aumento
do nativismo causado pela pior onda migratória em
décadas.
(Javier Corrales, da Americas Quarterly, traduzido por Daniel Salgado, 14/07/2019. Disponível em: https://epoca.globo.com/crise-davenezuela-teste-para-instituicoes-da-america-latina-23802888. Com adaptações.)
Primeiro parágrafo: Crise na Venezuela e fluxo migratório.
Segundo parágrafo: Importância da pesquisa científica para estudantes.
Terceiro parágrafo: Necessidades básicas dos imigrantes venezuelanos.
Quarto parágrafo: Atendimento insuficiente aos imigrantes.
Quinto parágrafo: Condições de acolhimento restritas no Equador.
Sexto parágrafo: A eleição chilena de 2017.
Estão corretamente indicadas as que se referem aos:
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Crise da Venezuela é teste para instituições da América
Latina
A crise na Venezuela, talvez o maior colapso econômico não provocado por uma guerra nas últimas quatro décadas, deu início a um dos maiores fluxos migratórios do mundo. De acordo com as Nações Unidas, até junho de 2019 mais de 4 milhões de pessoas haviam fugido do país, com uma média de 5 mil pessoas saindo por dia em 2018. Mais de 80% dos imigrantes venezuelanos ficaram em nações da América Latina ou do Caribe, muitas das quais nunca haviam lidado com migrações desse porte anteriormente.
Com o intenso impacto sentido na região, é de se
pensar que a reação seria hostil nesta era em que o
nativismo aumenta mundialmente e que o crescimento
econômico na região é anêmico. Em um primeiro
momento, porém, ela foi positiva, embora a tensão venha
aumentando. Com um grupo de estudantes, conduzimos
uma pesquisa em sete países da região e encontramos
exemplos de boas e más reações, incluindo sinais de piora.
Boa parte do debate gira em torno da oferta de serviços essenciais, como comida, saúde, moradia, apoio
jurídico e inserção no mercado de trabalho. A maioria dos
imigrantes venezuelanos é pobre e tem pouca formação
acadêmica, precisando, portanto, de diversos tipos de
apoio social, algo que tem custos incrivelmente altos para
os governos que já não possuem muitos fundos.
Ainda que a maioria dos países ofereça pelo menos o
mínimo desses serviços e que muitos colaborem
internacionalmente para assegurar mais apoio estrangeiro,
pesquisas mostram que boa parte dos imigrantes não está
recebendo apoio suficiente. Em países em que imigrantes
venezuelanos representam mais de 1,5% da população
(Equador, Chile, Colômbia, Trinidad e Tobago e o estado de
Roraima, no Brasil), o esgotamento já é visível. Alguns
governos precisaram contar demasiadamente com apoio
de organizações estrangeiras (especialmente o Equador),
ou até mobilizar as Forças Armadas para auxiliar com
operações logísticas e humanitárias, como no caso do
Brasil. As duas coisas são sinais de desespero.
Acolher imigrantes envolve, também, oferecer opções
jurídicas para sua chegada e residência. Para os
venezuelanos, um passaporte válido pode ser custoso,
quando não impossível. O governo venezuelano sempre
atrasou consideravelmente a emissão de passaportes — e
com taxas desnecessariamente altas — e desde 2017
suspendeu indefinidamente agendamentos e renovações
por falta de material. É ainda mais difícil para os
venezuelanos conseguir outros documentos, como
certidões de bons antecedentes criminais, requisito para a
entrada em países mais restritos, como o Equador. [...]
As instituições e a opinião pública na América Latina
têm sido testadas pela crise da Venezuela. O assunto já se
tornou motivo de discussão na eleição chilena de 2017, com
um dos principais candidatos assumindo um discurso
claramente anti-imigração. Felizmente, a região é protegida
por normas internacionais pró-imigração, organizações
civis robustas e políticos simpáticos à causa. Mas essas
defesas podem não ser suficientes para conter o aumento
do nativismo causado pela pior onda migratória em
décadas.
(Javier Corrales, da Americas Quarterly, traduzido por Daniel Salgado, 14/07/2019. Disponível em: https://epoca.globo.com/crise-davenezuela-teste-para-instituicoes-da-america-latina-23802888. Com adaptações.)
I. A vírgula no primeiro período do texto, antes da palavra “talvez”, é facultativa, e a escolha por seu emprego relaciona-se à ênfase que se queira transmitir à palavra “Venezuela”.
II. No último parágrafo do texto, a forma verbal “têm” estabelece concordância verbal com o núcleo mais próximo do sujeito a que se refere.
III. A concordância verbal estabelecida em “A maioria dos imigrantes venezuelanos é pobre” (3º§) pode ser alterada, sendo facultativo o uso do verbo no singular ou no plural.
Está(ão) correta(s) a(s) afirmativa(s)
Provas
Questão presente nas seguintes provas
- SintaxeColocação Pronominal
- SintaxeConectivos
- MorfologiaPronomesPronomes PessoaisPronomes Pessoais Oblíquos
- SemânticaSinônimos e Antônimos
- Interpretação de Textos
Crise da Venezuela é teste para instituições da América Latina
A crise na Venezuela, talvez o maior colapso econômico não provocado por uma guerra nas últimas quatro décadas, deu início a um dos maiores fluxos migratórios do mundo. De acordo com as Nações Unidas, até junho de 2019 mais de 4 milhões de pessoas haviam fugido do país, com uma média de 5 mil pessoas saindo por dia em 2018. Mais de 80% dos imigrantes venezuelanos ficaram em nações da América Latina ou do Caribe, muitas das quais nunca haviam lidado com migrações desse porte anteriormente.
Com o intenso impacto sentido na região, é de se pensar que a reação seria hostil nesta era em que o nativismo aumenta mundialmente e que o crescimento econômico na região é anêmico. Em um primeiro momento, porém, ela foi positiva, embora a tensão venha aumentando. Com um grupo de estudantes, conduzimos uma pesquisa em sete países da região e encontramos exemplos de boas e más reações, incluindo sinais de piora.
Boa parte do debate gira em torno da oferta de serviços essenciais, como comida, saúde, moradia, apoio jurídico e inserção no mercado de trabalho. A maioria dos imigrantes venezuelanos é pobre e tem pouca formação acadêmica, precisando, portanto, de diversos tipos de apoio social, algo que tem custos incrivelmente altos para os governos que já não possuem muitos fundos.
Ainda que a maioria dos países ofereça pelo menos o mínimo desses serviços e que muitos colaborem internacionalmente para assegurar mais apoio estrangeiro, pesquisas mostram que boa parte dos imigrantes não está recebendo apoio suficiente. Em países em que imigrantes venezuelanos representam mais de 1,5% da população (Equador, Chile, Colômbia, Trinidad e Tobago e o estado de Roraima, no Brasil), o esgotamento já é visível. Alguns governos precisaram contar demasiadamente com apoio de organizações estrangeiras (especialmente o Equador), ou até mobilizar as Forças Armadas para auxiliar com operações logísticas e humanitárias, como no caso do Brasil. As duas coisas são sinais de desespero.
Acolher imigrantes envolve, também, oferecer opções jurídicas para sua chegada e residência. Para os venezuelanos, um passaporte válido pode ser custoso, quando não impossível. O governo venezuelano sempre atrasou consideravelmente a emissão de passaportes — e com taxas desnecessariamente altas — e desde 2017 suspendeu indefinidamente agendamentos e renovações por falta de material. É ainda mais difícil para os venezuelanos conseguir outros documentos, como certidões de bons antecedentes criminais, requisito para a entrada em países mais restritos, como o Equador. [...]
As instituições e a opinião pública na América Latina têm sido testadas pela crise da Venezuela. O assunto já se tornou motivo de discussão na eleição chilena de 2017, com um dos principais candidatos assumindo um discurso claramente anti-imigração. Felizmente, a região é protegida por normas internacionais pró-imigração, organizações civis robustas e políticos simpáticos à causa. Mas essas defesas podem não ser suficientes para conter o aumento do nativismo causado pela pior onda migratória em décadas.
(Javier Corrales, da Americas Quarterly, traduzido por Daniel Salgado, 14/07/2019. Disponível em: https://epoca.globo.com/crise-davenezuela-teste-para-instituicoes-da-america-latina-23802888. Com adaptações.)
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Cadernos
Caderno Container