Foram encontradas 788 questões.
- SintaxeFrase, Oração e PeríodoOração SubordinadaSubordinada Adjetiva
- SintaxeFrase, Oração e PeríodoOração SubordinadaSubordinadas Adverbial
É difícil pensar na finitude humana, por trazer à tona a visão escatológica do fim do mundo da nossa tradição judaico-cristã. Ela representa sinais inevitáveis de que todos os seres vivos são finitos, todos vamos morrer e temos um final, mas o medo da morte dispara o nosso mecanismo de defesa contra o absurdo de não querer morrer. No fundo, ninguém acredita em sua própria morte, como disse Freud: “no inconsciente cada um de nós está convencido de sua própria imortalidade”. Apesar dessa negação, a morte nos dá sinais com frequência, porque está em nós o medo do abandono, da doença, da velhice, da violência e das incertezas da vida e seus conflitos.
Então, para superar a negação da morte, precisamos aceitar que ela é um fenômeno impossível de não acontecer, que não se importa se somos religiosos, ateus, pobres e ricos ou menos ainda se alguém será enterrado como indigente ou em um mausoléu construído para sepultar uma figura importante. Entretanto, podemos aprender a lidar com isso de maneira pacífica: buscando o conforto na fé e nas crenças que acreditam na continuação da vida depois da morte, ou encontrar na sabedoria e na espiritualidade não apenas respostas sobre a finitude, mas sobre o sentido da vida, com seus encantos e desencantos.
Hoje, em nossa civilização, estão presentes duas grandes forças antagônicas, segundo o psicanalista Erich Fromm: a orientação necrófila (amor à morte) e a orientação biófila (amor à vida). A primeira considera a morte de estranhos e de inimigos um fato insólito, exaltando as enfermidades, os desastres, os homicídios, etc., que causam mortes. A orientação biófila, porém, revela-se nos seres humanos que celebram que todos os organismos vivos ______ direito ____ vida. Eles lutam para preservar a vida e compreender a morte como processo da nossa biofilia. Além disso, as pessoas biófilas amam a vida e são atraídas pela sua energia beneficiente e beleza em todas as dimensões, preferindo a pacificação à destruição.
Assim, passamos a ter a percepção de finitude humana, mas não pela razão fria e calculista que estabelece a condição niilista de vida e morte, presente em criaturas que prefaciam não existir tempo suficiente para concretizar todos seus desejos e ambições, vivendo a sensação feral e débil diante da vida. A finitude e seus sinais se impõem pela nossa realidade involuntária de haver nascido e ter que morrer. Contudo, nascemos livres para dar sentido à vida e entender os dilemas da existência humana. É como afirmou Leon Tolstói: “quando se pensa na morte, a vida tem menos encantos, mas é mais pacífica”.
Enfim, para nos desprender da tensão entre a vida e a morte, é necessária a capacidade de transcender, de se elevar acima dessa dicotomia, já que temos a potência para desenvolver a nossa consciência e sentimentos, que nutrem de significados a nossa existência nos planos material e espiritual.
(Texto adaptado especialmente para esta prova. Disponível em:
https://www.contioutra.com/quando-se-pensa-na-morte-a-vida-tem-
menos-encantos-mas-e-mais-pacifica/. Acesso em: 17/07/2019.)
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É difícil pensar na finitude humana, por trazer à tona a visão escatológica do fim do mundo da nossa tradição judaico-cristã. Ela representa sinais inevitáveis de que todos os seres vivos são finitos, todos vamos morrer e temos um final, mas o medo da morte dispara o nosso mecanismo de defesa contra o absurdo de não querer morrer. No fundo, ninguém acredita em sua própria morte, como disse Freud: “no inconsciente cada um de nós está convencido de sua própria imortalidade”. Apesar dessa negação, a morte nos dá sinais com frequência, porque está em nós o medo do abandono, da doença, da velhice, da violência e das incertezas da vida e seus conflitos.
Então, para superar a negação da morte, precisamos aceitar que ela é um fenômeno impossível de não acontecer, que não se importa se somos religiosos, ateus, pobres e ricos ou menos ainda se alguém será enterrado como indigente ou em um mausoléu construído para sepultar uma figura importante. Entretanto, podemos aprender a lidar com isso de maneira pacífica: buscando o conforto na fé e nas crenças que acreditam na continuação da vida depois da morte, ou encontrar na sabedoria e na espiritualidade não apenas respostas sobre a finitude, mas sobre o sentido da vida, com seus encantos e desencantos.
Hoje, em nossa civilização, estão presentes duas grandes forças antagônicas, segundo o psicanalista Erich Fromm: a orientação necrófila (amor à morte) e a orientação biófila (amor à vida). A primeira considera a morte de estranhos e de inimigos um fato insólito, exaltando as enfermidades, os desastres, os homicídios, etc., que causam mortes. A orientação biófila, porém, revela-se nos seres humanos que celebram que todos os organismos vivos ______ direito ____ vida. Eles lutam para preservar a vida e compreender a morte como processo da nossa biofilia. Além disso, as pessoas biófilas amam a vida e são atraídas pela sua energia beneficiente e beleza em todas as dimensões, preferindo a pacificação à destruição.
Assim, passamos a ter a percepção de finitude humana, mas não pela razão fria e calculista que estabelece a condição niilista de vida e morte, presente em criaturas que prefaciam não existir tempo suficiente para concretizar todos seus desejos e ambições, vivendo a sensação feral e débil diante da vida. A finitude e seus sinais se impõem pela nossa realidade involuntária de haver nascido e ter que morrer. Contudo, nascemos livres para dar sentido à vida e entender os dilemas da existência humana. É como afirmou Leon Tolstói: “quando se pensa na morte, a vida tem menos encantos, mas é mais pacífica”.
Enfim, para nos desprender da tensão entre a vida e a morte, é necessária a capacidade de transcender, de se elevar acima dessa dicotomia, já que temos a potência para desenvolver a nossa consciência e sentimentos, que nutrem de significados a nossa existência nos planos material e espiritual.
(Texto adaptado especialmente para esta prova. Disponível em:
https://www.contioutra.com/quando-se-pensa-na-morte-a-vida-tem-
menos-encantos-mas-e-mais-pacifica/. Acesso em: 17/07/2019.)
I. É correto escrever e pronunciar “faixada” em vez de “fachada”.
II. É errôneo escrever e pronunciar “dignatário” em vez de “dignitário”.
III. É correto escrever e pronunciar “freada” em vez de “freiada”.
Conforme a norma culta da Língua Portuguesa, é válido o que se afirma em
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A produção de si como mercadoria nas redes sociais
Estudar a história do trabalho, das indústrias e das corporações nos ajudaria a entender a história do poder econômico e, por conseguinte, a história de nossas vidas submetidas àqueles que controlam a possibilidade de nossa sobrevivência.
As formas de organização da produção industrial a que
se deu o nome de fordismo, taylorismo e toyotismo,
definiram não apenas o modo de fazer, mas o modo de ser
da vida em geral submetida ao controle pela produção.
Aqueles modos de organização sempre visaram baixar custos
enquanto promoviam altos índices de produtividade. Todos,
certamente, sempre se preocuparam pouco com as pessoas
que trabalhavam nas fábricas ou nas empresas. Eram
sistemas bastante frustrantes para pessoas que não
queriam ser tratadas como robôs.
No taylorismo e no fordismo, as pessoas faziam uma
única atividade no processo produtivo, eram remuneradas
por produtividade e individualmente. A superprodução
levava a estoques gigantes e lucros enormes. Foi Ford que
acrescentou a esteira rolante que economizava tempo
dentro da fábrica para incrementar o processo de produção
em grande escala. Tempos modernos de Chaplin fez a sátira
disso tudo.
O toyotismo, que surgiu na fábrica do carro japonês,
tem algumas diferenças: o trabalho antes individual, agora
é em equipe. Uma pessoa não tem mais uma única
atividade repetitiva, ela deve saber fazer tudo. Deve-se
evitar todo tipo de desperdício. Retira-se o estoque e se
entrega às demandas. Em épocas de crise se produz
conforme o consumo.
Em qualquer desses casos, as pessoas sempre são bens
bastante descartáveis. Um produtor vale tanto quanto sua
produtividade. Ou menos do que ela, já que pode ser
substituído. Não há nenhuma novidade nisso. Só não se
submete a isso quem, em vez de ser operário comandado
por meios de produção, é o dono dos meios de produção.
Essa lógica das fábricas é espelho da lógica da vida e atinge
todas as instituições.
A produção de coisas, sejam carros ou telefones
celulares, panelas ou cosméticos, depende de operadores
de produção, ora humanos, ora robôs.
Do mesmo modo quando se trata de “meios de
produção da linguagem”. Pensemos no conteúdo da
internet, lotada de produção de material comunicacional
ou anticomunicacional por pessoas que participam do meio
apenas porque desejam. Mas será que é desejo mesmo o
que nos faz participar de redes sociais?
Coloco essas questões porque gostaria de pensar no
tipo de trabalho que temos nas redes sociais. É inegável que
as redes sociais oferecem algum tipo de diversão às
pessoas, então, parece que não estamos trabalhando.
Trata-se, nesse caso, de uma indústria do entretenimento. E é evidente que elas também se oferecem como meios de
comunicação.
Mas é a dimensão do trabalho que me interessa
entender. Quanto tempo gastamos diariamente nesses
meios? O que somos obrigados a fazer para sobreviver
neles? Somos submetidos aos parâmetros taylor-fordistas
nas redes sociais? Ou aos toyotistas? Que esforços, que
tensões enfrentamos quando deles queremos participar?
Podemos viver fora deles sem culpa? Há espertos que se
aproveitam dele para jogos de poder? Há pessoas neles
capazes de cometer violência? Para que são usadas as
redes? Qual o papel da comunicação violenta nas redes?
Há pessoas que trabalham para as redes e são
remuneradas por seu trabalho. Há mercado negro nas
redes, há trabalho ilegal e dinheiro sujo, há milícias
midiáticas ocupadas em enganar, mentir, destruir
reputações, há pessoas cometendo crimes, aliciando
pessoas mentalmente precárias, roubando e assaltando
virtualmente. Não estou mencionando esses aspectos para
dizer que as redes são más, não é isso. Temos que entender
que as redes são “medialidades”, são meios sobre os quais
fazemos escolhas. Meios que nós movimentamos? Ou eles
nos movimentam? Dançamos conforme a música nas
redes? [...]
O tempo, a privacidade, a vida íntima, familiar, o que
estiver a mão, é transformado em mercadoria. É o triunfo
da lógica da mercadoria.
Há ainda o aspecto da produção da subjetividade por
meio da transformação da subjetividade em mercadoria.
Um dos pontos altos dessa produção passa pela imagem de
si nas redes, imagens como selfies, imagens como
paisagens, imagens como frases feitas e formulações
instantâneas com alto teor de impacto ou “lacrações”.
Em termos simples, cada um está produzindo e
vendendo a si mesmo. Ao mesmo tempo, em não sendo
dono dos meios de produção de si, cada um se produz a
partir de uma fórmula pronta dada pelo funcionamento do
aparelho. Cada um é uma espécie de “consumidor
consumido”, para lembrar Vilém Flusser.
(Marcia Tiburi. Disponível em: https://revistacult.uol.com.br/home/producao-de-si-mercadoriaredes-sociais/. Acesso em: 08/05/2019. Adaptado.)
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É difícil pensar na finitude humana, por trazer à tona a visão escatológica do fim do mundo da nossa tradição judaico-cristã. Ela representa sinais inevitáveis de que todos os seres vivos são finitos, todos vamos morrer e temos um final, mas o medo da morte dispara o nosso mecanismo de defesa contra o absurdo de não querer morrer. No fundo, ninguém acredita em sua própria morte, como disse Freud: “no inconsciente cada um de nós está convencido de sua própria imortalidade”. Apesar dessa negação, a morte nos dá sinais com frequência, porque está em nós o medo do abandono, da doença, da velhice, da violência e das incertezas da vida e seus conflitos.
Então, para superar a negação da morte, precisamos aceitar que ela é um fenômeno impossível de não acontecer, que não se importa se somos religiosos, ateus, pobres e ricos ou menos ainda se alguém será enterrado como indigente ou em um mausoléu construído para sepultar uma figura importante. Entretanto, podemos aprender a lidar com isso de maneira pacífica: buscando o conforto na fé e nas crenças que acreditam na continuação da vida depois da morte, ou encontrar na sabedoria e na espiritualidade não apenas respostas sobre a finitude, mas sobre o sentido da vida, com seus encantos e desencantos.
Hoje, em nossa civilização, estão presentes duas grandes forças antagônicas, segundo o psicanalista Erich Fromm: a orientação necrófila (amor à morte) e a orientação biófila (amor à vida). A primeira considera a morte de estranhos e de inimigos um fato insólito, exaltando as enfermidades, os desastres, os homicídios, etc., que causam mortes. A orientação biófila, porém, revela-se nos seres humanos que celebram que todos os organismos vivos ______ direito ____ vida. Eles lutam para preservar a vida e compreender a morte como processo da nossa biofilia. Além disso, as pessoas biófilas amam a vida e são atraídas pela sua energia beneficiente e beleza em todas as dimensões, preferindo a pacificação à destruição.
Assim, passamos a ter a percepção de finitude humana, mas não pela razão fria e calculista que estabelece a condição niilista de vida e morte, presente em criaturas que prefaciam não existir tempo suficiente para concretizar todos seus desejos e ambições, vivendo a sensação feral e débil diante da vida. A finitude e seus sinais se impõem pela nossa realidade involuntária de haver nascido e ter que morrer. Contudo, nascemos livres para dar sentido à vida e entender os dilemas da existência humana. É como afirmou Leon Tolstói: “quando se pensa na morte, a vida tem menos encantos, mas é mais pacífica”.
Enfim, para nos desprender da tensão entre a vida e a morte, é necessária a capacidade de transcender, de se elevar acima dessa dicotomia, já que temos a potência para desenvolver a nossa consciência e sentimentos, que nutrem de significados a nossa existência nos planos material e espiritual.
(Texto adaptado especialmente para esta prova. Disponível em:
https://www.contioutra.com/quando-se-pensa-na-morte-a-vida-tem-
menos-encantos-mas-e-mais-pacifica/. Acesso em: 17/07/2019.)
I. A palavra “humana” apresenta três consoantes e três vogais.
II. O termo “organismos” possui seis consoantes e quatro vogais.
III. A expressão “própria” contém quatro consoantes e três vogais.
Estão corretas as afirmativas
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Crise da Venezuela é teste para instituições da América
Latina
A crise na Venezuela, talvez o maior colapso econômico não provocado por uma guerra nas últimas quatro décadas, deu início a um dos maiores fluxos migratórios do mundo. De acordo com as Nações Unidas, até junho de 2019 mais de 4 milhões de pessoas haviam fugido do país, com uma média de 5 mil pessoas saindo por dia em 2018. Mais de 80% dos imigrantes venezuelanos ficaram em nações da América Latina ou do Caribe, muitas das quais nunca haviam lidado com migrações desse porte anteriormente.
Com o intenso impacto sentido na região, é de se
pensar que a reação seria hostil nesta era em que o
nativismo aumenta mundialmente e que o crescimento
econômico na região é anêmico. Em um primeiro
momento, porém, ela foi positiva, embora a tensão venha
aumentando. Com um grupo de estudantes, conduzimos
uma pesquisa em sete países da região e encontramos
exemplos de boas e más reações, incluindo sinais de piora.
Boa parte do debate gira em torno da oferta de serviços essenciais, como comida, saúde, moradia, apoio
jurídico e inserção no mercado de trabalho. A maioria dos
imigrantes venezuelanos é pobre e tem pouca formação
acadêmica, precisando, portanto, de diversos tipos de
apoio social, algo que tem custos incrivelmente altos para
os governos que já não possuem muitos fundos.
Ainda que a maioria dos países ofereça pelo menos o
mínimo desses serviços e que muitos colaborem
internacionalmente para assegurar mais apoio estrangeiro,
pesquisas mostram que boa parte dos imigrantes não está
recebendo apoio suficiente. Em países em que imigrantes
venezuelanos representam mais de 1,5% da população
(Equador, Chile, Colômbia, Trinidad e Tobago e o estado de
Roraima, no Brasil), o esgotamento já é visível. Alguns
governos precisaram contar demasiadamente com apoio
de organizações estrangeiras (especialmente o Equador),
ou até mobilizar as Forças Armadas para auxiliar com
operações logísticas e humanitárias, como no caso do
Brasil. As duas coisas são sinais de desespero.
Acolher imigrantes envolve, também, oferecer opções
jurídicas para sua chegada e residência. Para os
venezuelanos, um passaporte válido pode ser custoso,
quando não impossível. O governo venezuelano sempre
atrasou consideravelmente a emissão de passaportes — e
com taxas desnecessariamente altas — e desde 2017
suspendeu indefinidamente agendamentos e renovações
por falta de material. É ainda mais difícil para os
venezuelanos conseguir outros documentos, como
certidões de bons antecedentes criminais, requisito para a
entrada em países mais restritos, como o Equador. [...]
As instituições e a opinião pública na América Latina
têm sido testadas pela crise da Venezuela. O assunto já se
tornou motivo de discussão na eleição chilena de 2017, com
um dos principais candidatos assumindo um discurso
claramente anti-imigração. Felizmente, a região é protegida
por normas internacionais pró-imigração, organizações
civis robustas e políticos simpáticos à causa. Mas essas
defesas podem não ser suficientes para conter o aumento
do nativismo causado pela pior onda migratória em
décadas.
(Javier Corrales, da Americas Quarterly, traduzido por Daniel Salgado, 14/07/2019. Disponível em: https://epoca.globo.com/crise-davenezuela-teste-para-instituicoes-da-america-latina-23802888. Com adaptações.)
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1071405
Ano: 2019
Disciplina: Atualidades e Conhecimentos Gerais
Banca: Consulplan
Orgão: Pref. Pitangueiras-SP
Disciplina: Atualidades e Conhecimentos Gerais
Banca: Consulplan
Orgão: Pref. Pitangueiras-SP
Provas:
Crise da Venezuela é teste para instituições da América
Latina
A crise na Venezuela, talvez o maior colapso
econômico não provocado por uma guerra nas últimas
quatro décadas, deu início a um dos maiores fluxos
migratórios do mundo. De acordo com as Nações Unidas,
até junho de 2019 mais de 4 milhões de pessoas haviam
fugido do país, com uma média de 5 mil pessoas saindo por
dia em 2018. Mais de 80% dos imigrantes venezuelanos
ficaram em nações da América Latina ou do Caribe, muitas
das quais nunca haviam lidado com migrações desse porte
anteriormente.
Com o intenso impacto sentido na região, é de se
pensar que a reação seria hostil nesta era em que o
nativismo aumenta mundialmente e que o crescimento
econômico na região é anêmico. Em um primeiro
momento, porém, ela foi positiva, embora a tensão venha
aumentando. Com um grupo de estudantes, conduzimos
uma pesquisa em sete países da região e encontramos
exemplos de boas e más reações, incluindo sinais de piora.
Boa parte do debate gira em torno da oferta de
serviços essenciais, como comida, saúde, moradia, apoio
jurídico e inserção no mercado de trabalho. A maioria dos
imigrantes venezuelanos é pobre e tem pouca formação
acadêmica, precisando, portanto, de diversos tipos de
apoio social, algo que tem custos incrivelmente altos para
os governos que já não possuem muitos fundos.
Ainda que a maioria dos países ofereça pelo menos o
mínimo desses serviços e que muitos colaborem
internacionalmente para assegurar mais apoio estrangeiro,
pesquisas mostram que boa parte dos imigrantes não está
recebendo apoio suficiente. Em países em que imigrantes
venezuelanos representam mais de 1,5% da população
(Equador, Chile, Colômbia, Trinidad e Tobago e o estado de
Roraima, no Brasil), o esgotamento já é visível. Alguns
governos precisaram contar demasiadamente com apoio
de organizações estrangeiras (especialmente o Equador),
ou até mobilizar as Forças Armadas para auxiliar com
operações logísticas e humanitárias, como no caso do
Brasil. As duas coisas são sinais de desespero.
Acolher imigrantes envolve, também, oferecer opções
jurídicas para sua chegada e residência. Para os
venezuelanos, um passaporte válido pode ser custoso,
quando não impossível. O governo venezuelano sempre
atrasou consideravelmente a emissão de passaportes — e
com taxas desnecessariamente altas — e desde 2017
suspendeu indefinidamente agendamentos e renovações
por falta de material. É ainda mais difícil para os
venezuelanos conseguir outros documentos, como
certidões de bons antecedentes criminais, requisito para a
entrada em países mais restritos, como o Equador. [...]
As instituições e a opinião pública na América Latina
têm sido testadas pela crise da Venezuela. O assunto já se
tornou motivo de discussão na eleição chilena de 2017, com
um dos principais candidatos assumindo um discurso
claramente anti-imigração. Felizmente, a região é protegida
por normas internacionais pró-imigração, organizações
civis robustas e políticos simpáticos à causa. Mas essas
defesas podem não ser suficientes para conter o aumento
do nativismo causado pela pior onda migratória em
décadas.
(Javier Corrales, da Americas Quarterly, traduzido por Daniel Salgado,
14/07/2019. Disponível em: https://epoca.globo.com/crise-davenezuela-teste-para-instituicoes-da-america-latina-23802888.
Com adaptações.)
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A produção de si como mercadoria nas redes sociais
Estudar a história do trabalho, das indústrias e das corporações nos ajudaria a entender a história do poder econômico e, por conseguinte, a história de nossas vidas submetidas àqueles que controlam a possibilidade de nossa sobrevivência.
As formas de organização da produção industrial a que
se deu o nome de fordismo, taylorismo e toyotismo,
definiram não apenas o modo de fazer, mas o modo de ser
da vida em geral submetida ao controle pela produção.
Aqueles modos de organização sempre visaram baixar custos
enquanto promoviam altos índices de produtividade. Todos,
certamente, sempre se preocuparam pouco com as pessoas
que trabalhavam nas fábricas ou nas empresas. Eram
sistemas bastante frustrantes para pessoas que não
queriam ser tratadas como robôs.
No taylorismo e no fordismo, as pessoas faziam uma
única atividade no processo produtivo, eram remuneradas
por produtividade e individualmente. A superprodução
levava a estoques gigantes e lucros enormes. Foi Ford que
acrescentou a esteira rolante que economizava tempo
dentro da fábrica para incrementar o processo de produção
em grande escala. Tempos modernos de Chaplin fez a sátira
disso tudo.
O toyotismo, que surgiu na fábrica do carro japonês,
tem algumas diferenças: o trabalho antes individual, agora
é em equipe. Uma pessoa não tem mais uma única
atividade repetitiva, ela deve saber fazer tudo. Deve-se
evitar todo tipo de desperdício. Retira-se o estoque e se
entrega às demandas. Em épocas de crise se produz
conforme o consumo.
Em qualquer desses casos, as pessoas sempre são bens
bastante descartáveis. Um produtor vale tanto quanto sua
produtividade. Ou menos do que ela, já que pode ser
substituído. Não há nenhuma novidade nisso. Só não se
submete a isso quem, em vez de ser operário comandado
por meios de produção, é o dono dos meios de produção.
Essa lógica das fábricas é espelho da lógica da vida e atinge
todas as instituições.
A produção de coisas, sejam carros ou telefones
celulares, panelas ou cosméticos, depende de operadores
de produção, ora humanos, ora robôs.
Do mesmo modo quando se trata de “meios de
produção da linguagem”. Pensemos no conteúdo da
internet, lotada de produção de material comunicacional
ou anticomunicacional por pessoas que participam do meio
apenas porque desejam. Mas será que é desejo mesmo o
que nos faz participar de redes sociais?
Coloco essas questões porque gostaria de pensar no
tipo de trabalho que temos nas redes sociais. É inegável que
as redes sociais oferecem algum tipo de diversão às
pessoas, então, parece que não estamos trabalhando.
Trata-se, nesse caso, de uma indústria do entretenimento. E é evidente que elas também se oferecem como meios de
comunicação.
Mas é a dimensão do trabalho que me interessa
entender. Quanto tempo gastamos diariamente nesses
meios? O que somos obrigados a fazer para sobreviver
neles? Somos submetidos aos parâmetros taylor-fordistas
nas redes sociais? Ou aos toyotistas? Que esforços, que
tensões enfrentamos quando deles queremos participar?
Podemos viver fora deles sem culpa? Há espertos que se
aproveitam dele para jogos de poder? Há pessoas neles
capazes de cometer violência? Para que são usadas as
redes? Qual o papel da comunicação violenta nas redes?
Há pessoas que trabalham para as redes e são
remuneradas por seu trabalho. Há mercado negro nas
redes, há trabalho ilegal e dinheiro sujo, há milícias
midiáticas ocupadas em enganar, mentir, destruir
reputações, há pessoas cometendo crimes, aliciando
pessoas mentalmente precárias, roubando e assaltando
virtualmente. Não estou mencionando esses aspectos para
dizer que as redes são más, não é isso. Temos que entender
que as redes são “medialidades”, são meios sobre os quais
fazemos escolhas. Meios que nós movimentamos? Ou eles
nos movimentam? Dançamos conforme a música nas
redes? [...]
O tempo, a privacidade, a vida íntima, familiar, o que
estiver a mão, é transformado em mercadoria. É o triunfo
da lógica da mercadoria.
Há ainda o aspecto da produção da subjetividade por
meio da transformação da subjetividade em mercadoria.
Um dos pontos altos dessa produção passa pela imagem de
si nas redes, imagens como selfies, imagens como
paisagens, imagens como frases feitas e formulações
instantâneas com alto teor de impacto ou “lacrações”.
Em termos simples, cada um está produzindo e
vendendo a si mesmo. Ao mesmo tempo, em não sendo
dono dos meios de produção de si, cada um se produz a
partir de uma fórmula pronta dada pelo funcionamento do
aparelho. Cada um é uma espécie de “consumidor
consumido”, para lembrar Vilém Flusser.
(Marcia Tiburi. Disponível em: https://revistacult.uol.com.br/home/producao-de-si-mercadoriaredes-sociais/. Acesso em: 08/05/2019. Adaptado.)
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Questão presente nas seguintes provas
É difícil pensar na finitude humana, por trazer à tona a visão escatológica do fim do mundo da nossa tradição judaico-cristã. Ela representa sinais inevitáveis de que todos os seres vivos são finitos, todos vamos morrer e temos um final, mas o medo da morte dispara o nosso mecanismo de defesa contra o absurdo de não querer morrer. No fundo, ninguém acredita em sua própria morte, como disse Freud: “no inconsciente cada um de nós está convencido de sua própria imortalidade”. Apesar dessa negação, a morte nos dá sinais com frequência, porque está em nós o medo do abandono, da doença, da velhice, da violência e das incertezas da vida e seus conflitos.
Então, para superar a negação da morte, precisamos aceitar que ela é um fenômeno impossível de não acontecer, que não se importa se somos religiosos, ateus, pobres e ricos ou menos ainda se alguém será enterrado como indigente ou em um mausoléu construído para sepultar uma figura importante. Entretanto, podemos aprender a lidar com isso de maneira pacífica: buscando o conforto na fé e nas crenças que acreditam na continuação da vida depois da morte, ou encontrar na sabedoria e na espiritualidade não apenas respostas sobre a finitude, mas sobre o sentido da vida, com seus encantos e desencantos.
Hoje, em nossa civilização, estão presentes duas grandes forças antagônicas, segundo o psicanalista Erich Fromm: a orientação necrófila (amor à morte) e a orientação biófila (amor à vida). A primeira considera a morte de estranhos e de inimigos um fato insólito, exaltando as enfermidades, os desastres, os homicídios, etc., que causam mortes. A orientação biófila, porém, revela-se nos seres humanos que celebram que todos os organismos vivos ______ direito ____ vida. Eles lutam para preservar a vida e compreender a morte como processo da nossa biofilia. Além disso, as pessoas biófilas amam a vida e são atraídas pela sua energia beneficiente e beleza em todas as dimensões, preferindo a pacificação à destruição.
Assim, passamos a ter a percepção de finitude humana, mas não pela razão fria e calculista que estabelece a condição niilista de vida e morte, presente em criaturas que prefaciam não existir tempo suficiente para concretizar todos seus desejos e ambições, vivendo a sensação feral e débil diante da vida. A finitude e seus sinais se impõem pela nossa realidade involuntária de haver nascido e ter que morrer. Contudo, nascemos livres para dar sentido à vida e entender os dilemas da existência humana. É como afirmou Leon Tolstói: “quando se pensa na morte, a vida tem menos encantos, mas é mais pacífica”.
Enfim, para nos desprender da tensão entre a vida e a morte, é necessária a capacidade de transcender, de se elevar acima dessa dicotomia, já que temos a potência para desenvolver a nossa consciência e sentimentos, que nutrem de significados a nossa existência nos planos material e espiritual.
(Texto adaptado especialmente para esta prova. Disponível em:
https://www.contioutra.com/quando-se-pensa-na-morte-a-vida-tem-
menos-encantos-mas-e-mais-pacifica/. Acesso em: 17/07/2019.)
( ) Se o segundo parágrafo fosse concluído com reticências em vez de ponto final, o autor poderia estar indicando que a ideia ali expressa não se completa com o término gramatical da frase, devendo ser suprida com a imaginação do leitor.
( ) No excerto “É como afirmou Leon Tolstói: ‘quando se pensa na morte, a vida tem menos encantos, mas é mais pacífica.’,” (5º§) os dois pontos são utilizados para anunciar a fala de um ser ficcional.
( ) Além de servir para marcar uma pausa longa, o ponto é o sinal que se emprega depois de qualquer palavra escrita abreviadamente, como “etc.” (3º§)
A sequência está correta em
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Questão presente nas seguintes provas
- MorfologiaVerbosConjugaçãoFlexão Verbal de Modo
- MorfologiaVerbosConjugaçãoFlexão Verbal de Tempo
- Interpretação de Textos
A produção de si como mercadoria nas redes sociais
Estudar a história do trabalho, das indústrias e das corporações nos ajudaria a entender a história do poder econômico e, por conseguinte, a história de nossas vidas submetidas àqueles que controlam a possibilidade de nossa sobrevivência.
As formas de organização da produção industrial a que
se deu o nome de fordismo, taylorismo e toyotismo,
definiram não apenas o modo de fazer, mas o modo de ser
da vida em geral submetida ao controle pela produção.
Aqueles modos de organização sempre visaram baixar custos
enquanto promoviam altos índices de produtividade. Todos,
certamente, sempre se preocuparam pouco com as pessoas
que trabalhavam nas fábricas ou nas empresas. Eram
sistemas bastante frustrantes para pessoas que não
queriam ser tratadas como robôs.
No taylorismo e no fordismo, as pessoas faziam uma
única atividade no processo produtivo, eram remuneradas
por produtividade e individualmente. A superprodução
levava a estoques gigantes e lucros enormes. Foi Ford que
acrescentou a esteira rolante que economizava tempo
dentro da fábrica para incrementar o processo de produção
em grande escala. Tempos modernos de Chaplin fez a sátira
disso tudo.
O toyotismo, que surgiu na fábrica do carro japonês,
tem algumas diferenças: o trabalho antes individual, agora
é em equipe. Uma pessoa não tem mais uma única
atividade repetitiva, ela deve saber fazer tudo. Deve-se
evitar todo tipo de desperdício. Retira-se o estoque e se
entrega às demandas. Em épocas de crise se produz
conforme o consumo.
Em qualquer desses casos, as pessoas sempre são bens
bastante descartáveis. Um produtor vale tanto quanto sua
produtividade. Ou menos do que ela, já que pode ser
substituído. Não há nenhuma novidade nisso. Só não se
submete a isso quem, em vez de ser operário comandado
por meios de produção, é o dono dos meios de produção.
Essa lógica das fábricas é espelho da lógica da vida e atinge
todas as instituições.
A produção de coisas, sejam carros ou telefones
celulares, panelas ou cosméticos, depende de operadores
de produção, ora humanos, ora robôs.
Do mesmo modo quando se trata de “meios de
produção da linguagem”. Pensemos no conteúdo da
internet, lotada de produção de material comunicacional
ou anticomunicacional por pessoas que participam do meio
apenas porque desejam. Mas será que é desejo mesmo o
que nos faz participar de redes sociais?
Coloco essas questões porque gostaria de pensar no
tipo de trabalho que temos nas redes sociais. É inegável que
as redes sociais oferecem algum tipo de diversão às
pessoas, então, parece que não estamos trabalhando.
Trata-se, nesse caso, de uma indústria do entretenimento. E é evidente que elas também se oferecem como meios de
comunicação.
Mas é a dimensão do trabalho que me interessa
entender. Quanto tempo gastamos diariamente nesses
meios? O que somos obrigados a fazer para sobreviver
neles? Somos submetidos aos parâmetros taylor-fordistas
nas redes sociais? Ou aos toyotistas? Que esforços, que
tensões enfrentamos quando deles queremos participar?
Podemos viver fora deles sem culpa? Há espertos que se
aproveitam dele para jogos de poder? Há pessoas neles
capazes de cometer violência? Para que são usadas as
redes? Qual o papel da comunicação violenta nas redes?
Há pessoas que trabalham para as redes e são
remuneradas por seu trabalho. Há mercado negro nas
redes, há trabalho ilegal e dinheiro sujo, há milícias
midiáticas ocupadas em enganar, mentir, destruir
reputações, há pessoas cometendo crimes, aliciando
pessoas mentalmente precárias, roubando e assaltando
virtualmente. Não estou mencionando esses aspectos para
dizer que as redes são más, não é isso. Temos que entender
que as redes são “medialidades”, são meios sobre os quais
fazemos escolhas. Meios que nós movimentamos? Ou eles
nos movimentam? Dançamos conforme a música nas
redes? [...]
O tempo, a privacidade, a vida íntima, familiar, o que
estiver a mão, é transformado em mercadoria. É o triunfo
da lógica da mercadoria.
Há ainda o aspecto da produção da subjetividade por
meio da transformação da subjetividade em mercadoria.
Um dos pontos altos dessa produção passa pela imagem de
si nas redes, imagens como selfies, imagens como
paisagens, imagens como frases feitas e formulações
instantâneas com alto teor de impacto ou “lacrações”.
Em termos simples, cada um está produzindo e
vendendo a si mesmo. Ao mesmo tempo, em não sendo
dono dos meios de produção de si, cada um se produz a
partir de uma fórmula pronta dada pelo funcionamento do
aparelho. Cada um é uma espécie de “consumidor
consumido”, para lembrar Vilém Flusser.
(Marcia Tiburi. Disponível em: https://revistacult.uol.com.br/home/producao-de-si-mercadoriaredes-sociais/. Acesso em: 08/05/2019. Adaptado.)
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O futuro da Web
Ao completar 30 anos, a tecnologia que transformou o
mundo moderno enfrenta desafios para continuar sendo
um território livre, democrático e plural.
A Web tornou-se balzaquiana. Em março deste ano, a
World Wide Web, ou simplesmente www, completou três
décadas de existência. Sua invenção mudou a cara da
internet, massificou seu uso e provocou profundas
transformações na maneira pela qual as pessoas se
relacionam e os negócios acontecem. A ideia brotou da
cabeça do físico britânico Tim Berners-Lee, quando tinha 33
anos e era pesquisador da Organização Europeia para a
Pesquisa Nuclear (Cern), na Suíça. Naquela época, a
internet, uma rede conectada de computadores localizados
em diferentes lugares, já operava havia duas décadas, mas
de forma bem diferente. Com recursos restritos, era usada
principalmente para troca de informações entre pesquisadores da área acadêmica. Não existiam sites, redes sociais nem
ferramentas de busca.
“A www permitiu a fácil interconexão de dados
distribuídos ao redor do globo e transformou-se em um
componente fundamental da internet moderna”, afirma o
cientista da computação Fabio Kon, professor do Instituto
de Matemática e Estatística da Universidade de São Paulo
(IME-USP) e editor-chefe do Journal of Internet Services and
Applications. A ferramenta idealizada pelo cientista britânico, segundo Kon, foi decisiva para a popularização da
internet, que tem hoje 4,4 bilhões de usuários, quase 60%
da população global. “A rede trouxe muitas coisas boas e
praticamente não conseguimos mais viver sem as
comodidades que ela nos proporciona”, opina. “Mas, por
outro lado, ela amplifica alguns fenômenos negativos e
indesejados que já existiam na sociedade.”
A ideia que originou a Web, destaca o cientista da
computação Roberto Marcondes César Júnior, do grupo
Ciência de Dados do IME-USP, tem uma gênese
interessante que revela a importância da pesquisa básica
para consolidação de grandes projetos científicos. “Ao ler a
sugestão de Berners-Lee para criação de um sistema de
compartilhamento de dados de pesquisa, seu superior
imediato no Cern, Mike Sendal, destacou no documento
que a proposta era ‘vaga, mas estimulante’”, conta
Marcondes. “Para ele, a ideia ainda não estava muito clara,
e foi preciso mais alguns anos de pesquisa em laboratório
para que o www se concretizasse e se transformasse na
ferramenta que viria a revolucionar o mundo.”
Outro aspecto apontado pelo pesquisador é a
importância da Web para o avanço das pesquisas em
inteligência artificial (IA). “Alguns dos algoritmos de IA
existentes hoje têm raiz em estudos iniciados muitos anos
atrás. A criação da World Wide Web disponibilizou na rede
uma grande quantidade de informações, permitindo que os
algoritmos trabalhassem numa escala de dados muito
superior, processo essencial para o refinamento deles. Sem a
invenção de Berners-Lee, talvez estivéssemos bem atrasados
em relação à revolução de IA”, destaca Marcondes.
Nas comemorações dos 30 anos da Web, Berners-Lee
expressou preocupação com os rumos que a internet está
tomando e fez um apelo para o estabelecimento de uma
nova ética para lidar com os problemas surgidos a partir dela.
Em entrevista à rede britânica BBC, ele externou o temor de
que ela caminhe para um futuro disfuncional. De acordo com
o cientista, o escândalo envolvendo a consultoria Cambridge
Analytica, do Reino Unido, acusada de usar dados privados
de 87 milhões de usuários do Facebook para finalidades
políticas durante a campanha presidencial dos Estados
Unidos em 2016, revelou quão frágil é a privacidade dos
usuários na rede mundial de computadores.
(Yuri Vasconcelos. Disponível em: https://revistapesquisa.fapesp.br/2019/06/07/o-futuro-da-web/. Fragmento.)
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