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O futuro da Web
Ao completar 30 anos, a tecnologia que transformou o
mundo moderno enfrenta desafios para continuar sendo
um território livre, democrático e plural.
A Web tornou-se balzaquiana. Em março deste ano, a
World Wide Web, ou simplesmente www, completou três
décadas de existência. Sua invenção mudou a cara da
internet, massificou seu uso e provocou profundas
transformações na maneira pela qual as pessoas se
relacionam e os negócios acontecem. A ideia brotou da
cabeça do físico britânico Tim Berners-Lee, quando tinha 33
anos e era pesquisador da Organização Europeia para a
Pesquisa Nuclear (Cern), na Suíça. Naquela época, a
internet, uma rede conectada de computadores localizados
em diferentes lugares, já operava havia duas décadas, mas
de forma bem diferente. Com recursos restritos, era usada
principalmente para troca de informações entre pesquisadores da área acadêmica. Não existiam sites, redes sociais nem
ferramentas de busca.
“A www permitiu a fácil interconexão de dados
distribuídos ao redor do globo e transformou-se em um
componente fundamental da internet moderna”, afirma o
cientista da computação Fabio Kon, professor do Instituto
de Matemática e Estatística da Universidade de São Paulo
(IME-USP) e editor-chefe do Journal of Internet Services and
Applications. A ferramenta idealizada pelo cientista britânico, segundo Kon, foi decisiva para a popularização da
internet, que tem hoje 4,4 bilhões de usuários, quase 60%
da população global. “A rede trouxe muitas coisas boas e
praticamente não conseguimos mais viver sem as
comodidades que ela nos proporciona”, opina. “Mas, por
outro lado, ela amplifica alguns fenômenos negativos e
indesejados que já existiam na sociedade.”
A ideia que originou a Web, destaca o cientista da
computação Roberto Marcondes César Júnior, do grupo
Ciência de Dados do IME-USP, tem uma gênese
interessante que revela a importância da pesquisa básica
para consolidação de grandes projetos científicos. “Ao ler a
sugestão de Berners-Lee para criação de um sistema de
compartilhamento de dados de pesquisa, seu superior
imediato no Cern, Mike Sendal, destacou no documento
que a proposta era ‘vaga, mas estimulante’”, conta
Marcondes. “Para ele, a ideia ainda não estava muito clara,
e foi preciso mais alguns anos de pesquisa em laboratório
para que o www se concretizasse e se transformasse na
ferramenta que viria a revolucionar o mundo.”
Outro aspecto apontado pelo pesquisador é a
importância da Web para o avanço das pesquisas em
inteligência artificial (IA). “Alguns dos algoritmos de IA
existentes hoje têm raiz em estudos iniciados muitos anos
atrás. A criação da World Wide Web disponibilizou na rede
uma grande quantidade de informações, permitindo que os
algoritmos trabalhassem numa escala de dados muito
superior, processo essencial para o refinamento deles. Sem a
invenção de Berners-Lee, talvez estivéssemos bem atrasados
em relação à revolução de IA”, destaca Marcondes.
Nas comemorações dos 30 anos da Web, Berners-Lee
expressou preocupação com os rumos que a internet está
tomando e fez um apelo para o estabelecimento de uma
nova ética para lidar com os problemas surgidos a partir dela.
Em entrevista à rede britânica BBC, ele externou o temor de
que ela caminhe para um futuro disfuncional. De acordo com
o cientista, o escândalo envolvendo a consultoria Cambridge
Analytica, do Reino Unido, acusada de usar dados privados
de 87 milhões de usuários do Facebook para finalidades
políticas durante a campanha presidencial dos Estados
Unidos em 2016, revelou quão frágil é a privacidade dos
usuários na rede mundial de computadores.
(Yuri Vasconcelos. Disponível em: https://revistapesquisa.fapesp.br/2019/06/07/o-futuro-da-web/. Fragmento.)
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A produção de si como mercadoria nas redes sociais
Estudar a história do trabalho, das indústrias e das corporações nos ajudaria a entender a história do poder econômico e, por conseguinte, a história de nossas vidas submetidas àqueles que controlam a possibilidade de nossa sobrevivência.
As formas de organização da produção industrial a que
se deu o nome de fordismo, taylorismo e toyotismo,
definiram não apenas o modo de fazer, mas o modo de ser
da vida em geral submetida ao controle pela produção.
Aqueles modos de organização sempre visaram baixar custos
enquanto promoviam altos índices de produtividade. Todos,
certamente, sempre se preocuparam pouco com as pessoas
que trabalhavam nas fábricas ou nas empresas. Eram
sistemas bastante frustrantes para pessoas que não
queriam ser tratadas como robôs.
No taylorismo e no fordismo, as pessoas faziam uma
única atividade no processo produtivo, eram remuneradas
por produtividade e individualmente. A superprodução
levava a estoques gigantes e lucros enormes. Foi Ford que
acrescentou a esteira rolante que economizava tempo
dentro da fábrica para incrementar o processo de produção
em grande escala. Tempos modernos de Chaplin fez a sátira
disso tudo.
O toyotismo, que surgiu na fábrica do carro japonês,
tem algumas diferenças: o trabalho antes individual, agora
é em equipe. Uma pessoa não tem mais uma única
atividade repetitiva, ela deve saber fazer tudo. Deve-se
evitar todo tipo de desperdício. Retira-se o estoque e se
entrega às demandas. Em épocas de crise se produz
conforme o consumo.
Em qualquer desses casos, as pessoas sempre são bens
bastante descartáveis. Um produtor vale tanto quanto sua
produtividade. Ou menos do que ela, já que pode ser
substituído. Não há nenhuma novidade nisso. Só não se
submete a isso quem, em vez de ser operário comandado
por meios de produção, é o dono dos meios de produção.
Essa lógica das fábricas é espelho da lógica da vida e atinge
todas as instituições.
A produção de coisas, sejam carros ou telefones
celulares, panelas ou cosméticos, depende de operadores
de produção, ora humanos, ora robôs.
Do mesmo modo quando se trata de “meios de
produção da linguagem”. Pensemos no conteúdo da
internet, lotada de produção de material comunicacional
ou anticomunicacional por pessoas que participam do meio
apenas porque desejam. Mas será que é desejo mesmo o
que nos faz participar de redes sociais?
Coloco essas questões porque gostaria de pensar no
tipo de trabalho que temos nas redes sociais. É inegável que
as redes sociais oferecem algum tipo de diversão às
pessoas, então, parece que não estamos trabalhando.
Trata-se, nesse caso, de uma indústria do entretenimento. E é evidente que elas também se oferecem como meios de
comunicação.
Mas é a dimensão do trabalho que me interessa
entender. Quanto tempo gastamos diariamente nesses
meios? O que somos obrigados a fazer para sobreviver
neles? Somos submetidos aos parâmetros taylor-fordistas
nas redes sociais? Ou aos toyotistas? Que esforços, que
tensões enfrentamos quando deles queremos participar?
Podemos viver fora deles sem culpa? Há espertos que se
aproveitam dele para jogos de poder? Há pessoas neles
capazes de cometer violência? Para que são usadas as
redes? Qual o papel da comunicação violenta nas redes?
Há pessoas que trabalham para as redes e são
remuneradas por seu trabalho. Há mercado negro nas
redes, há trabalho ilegal e dinheiro sujo, há milícias
midiáticas ocupadas em enganar, mentir, destruir
reputações, há pessoas cometendo crimes, aliciando
pessoas mentalmente precárias, roubando e assaltando
virtualmente. Não estou mencionando esses aspectos para
dizer que as redes são más, não é isso. Temos que entender
que as redes são “medialidades”, são meios sobre os quais
fazemos escolhas. Meios que nós movimentamos? Ou eles
nos movimentam? Dançamos conforme a música nas
redes? [...]
O tempo, a privacidade, a vida íntima, familiar, o que
estiver a mão, é transformado em mercadoria. É o triunfo
da lógica da mercadoria.
Há ainda o aspecto da produção da subjetividade por
meio da transformação da subjetividade em mercadoria.
Um dos pontos altos dessa produção passa pela imagem de
si nas redes, imagens como selfies, imagens como
paisagens, imagens como frases feitas e formulações
instantâneas com alto teor de impacto ou “lacrações”.
Em termos simples, cada um está produzindo e
vendendo a si mesmo. Ao mesmo tempo, em não sendo
dono dos meios de produção de si, cada um se produz a
partir de uma fórmula pronta dada pelo funcionamento do
aparelho. Cada um é uma espécie de “consumidor
consumido”, para lembrar Vilém Flusser.
(Marcia Tiburi. Disponível em: https://revistacult.uol.com.br/home/producao-de-si-mercadoriaredes-sociais/. Acesso em: 08/05/2019. Adaptado.)
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‘Habilidade emocional é o que vai importar no mercado
de trabalho’, diz futurologista britânico
O britânico Ian Pearson não foge de uma polêmica. Em
2018, o futurologista ficou em evidência após declarar que
em 2050 os humanos vão se tornar imortais, por conta dos
avanços na medicina e na tecnologia de tratamento de
doenças hoje incuráveis. Sobre o futuro do trabalho,
Pearson acredita que a automação e a inteligência artificial
vão tornar as funções dos humanos mais focadas em
situações que envolvam um alto grau de inteligência
emocional. “Pode ser que nosso trabalho seja tomar uma
cerveja com um amigo e saber como ele está. Talvez o
Estado até nos pague para isso”, afirma.
Formado em física e matemática, Pearson trabalhou
como futurólogo da empresa de telecomunicações
britânica BT Group de 1991 a 2007, quando fundou sua
empresa de consultoria, a Futurizon. Ele calcula que a taxa
de acerto nas suas previsões seja de 85%. Veja se você
concorda com ele, na entrevista exclusiva ao EstadãoQR:
Como você vê as relações de trabalho nas próximas
décadas?
O que todo mundo prevê, e eu concordo, é que a
automação vai resultar em funções com um foco maior em
habilidades emocionais e sociais e ir acabando
gradualmente com tarefas repetitivas. Um fenômeno que
vai crescer é o chamado “cobots”, o trabalho colaborativo
de humanos com robôs. Enquanto uma máquina
inteligente ou uma inteligência artificial faz as partes chatas
de um trabalho, o humano vai ter mais tempo para se
aprimorar e concentrar esforços nas tarefas que realmente
importam no seu emprego. A não ser que aconteça uma
inovação sem precedentes, acho que pelos próximos 10 a
20 anos a inteligência artificial não vai conseguir realizar
essas tarefas que exigem habilidades essencialmente
humanas. No médio prazo, vejo os humanos saindo das
funções que exigem um QI elevado para as que necessitam
de QE, um quociente emocional, mais apurado.
Essas mudanças no trabalho, mesmo com foco em
inteligência emocional, vão causar desemprego?
Eu comparo essa situação com caixas eletrônicos de
bancos. Quando os primeiros surgiram, muitas pessoas
ficaram receosas e continuaram usando os caixas com
funcionários, mas hoje as pessoas pouco frequentam um
banco. Vai chegar um ponto em que as pessoas vão preferir
a rapidez de uma máquina a um humano e o mercado de
trabalho vai se adaptar. Eu não sou um daqueles
apocalípticos que acha que a inteligência artificial vai
acabar com empregos, porque em um primeiro momento
você vai precisar de pessoas supervisionando a máquina e
o aumento de produtividade por conta dessa automação vai causar uma expansão e, com isso, mais postos de
trabalho.
Como assim expansão de empregos?
No Reino Unido isso acontece, e tenho certeza que aí
no Brasil também, de pessoas que trabalham com uma
espécie de hobby como forma de ganhar um dinheiro a
mais no fim do mês. Eu tenho uma amiga na área de
software que nas horas vagas faz bolos de casamento, mas
isso não chega a ser um negócio por conta de toda a
burocracia que envolve abrir e gerenciar uma empresa.
Com a inteligência artificial cuidando dessa parte
operacional e um sistema automatizado de entregas, via
drones, por exemplo, ela poderia profissionalizar esse
hobby e ganhar mais dinheiro, talvez até contratar alguém
para ajudá-la. Por isso que não vejo com pessimismo a
automação: ela vai garantir mais autonomia para as
pessoas realizarem tarefas que hoje elas não têm tempo
por conta das funções repetitivas no dia a dia.
Quais habilidades serão essenciais para o trabalhador do
futuro não perder seu emprego?
Empregos que hoje envolvem um alto nível de
inteligência emocional, como o de enfermeira, que exige
um contato humano de zelo e acolhimento, não vão sumir.
Isso é engraçado porque alguns médicos, principalmente os
da área diagnóstica e alguns cirurgiões, vão acabar ficando
sem função com a automação, mas enfermeiras, que
recebem menos da metade do salário e não têm glamour
como eles, vão continuar empregadas. Por mais avançada
que uma máquina ou inteligência artificial seja, essas
funções que exigem um contato humano são
insubstituíveis. O que é importante salientar é que ninguém
é contratado porque sabe apertar teclas de um computador
muito bem e sim o que ele, como pessoa, traz para o
ambiente de trabalho. Então, hoje se um gerente tem
funções operacionais, ele será mantido em seu emprego
como alguém que vai elevar a produtividade do setor e
checar a parte humana, se os colegas de trabalho estão
bem e se precisam de alguma coisa.
Quais empregos vão surgir?
Uma das funções que mais vemos crescer atualmente
são relacionadas de alguma forma a coaching, ensinar
outras pessoas habilidades que elas não sabem ou precisam
de um aprimoramento. Com mais tempo livre por conta da
automação, vamos ter de aprender novas coisas e há uma
categoria profissional se especializando nisso. Não se trata
apenas de ensinar novas habilidades, mas também
aprimorar relações interpessoais e se tornar um líder
melhor. O que nós entendemos como trabalho está
mudando. Pode ser que lá em 2050, quando os
computadores ocuparem a maioria das funções que
desempenhamos hoje, nosso trabalho seja tomar uma
cerveja com um amigo e ver como ele está emocionalmente.
Talvez o Estado nos pague para isso.
(Disponível em:
https://arte.estadao.com.br/focas/estadaoqr/materia/habilidadeemo
cional-e-o-que-vai-importar-no-mercado-de-trabalho-diz-futurologistabritanico. Fragmento. Felipe Laurence e Iander Porcella. 11/07/2019.)
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- SintaxeTermos Essenciais da Oração
- SintaxePalavras com Múltiplas FunçõesFunções da Palavra “que”
- Interpretação de TextosCoesão e Coerência
O futuro da Web
Ao completar 30 anos, a tecnologia que transformou o
mundo moderno enfrenta desafios para continuar sendo
um território livre, democrático e plural.
A Web tornou-se balzaquiana. Em março deste ano, a
World Wide Web, ou simplesmente www, completou três
décadas de existência. Sua invenção mudou a cara da
internet, massificou seu uso e provocou profundas
transformações na maneira pela qual as pessoas se
relacionam e os negócios acontecem. A ideia brotou da
cabeça do físico britânico Tim Berners-Lee, quando tinha 33
anos e era pesquisador da Organização Europeia para a
Pesquisa Nuclear (Cern), na Suíça. Naquela época, a
internet, uma rede conectada de computadores localizados
em diferentes lugares, já operava havia duas décadas, mas
de forma bem diferente. Com recursos restritos, era usada
principalmente para troca de informações entre pesquisadores da área acadêmica. Não existiam sites, redes sociais nem
ferramentas de busca.
“A www permitiu a fácil interconexão de dados
distribuídos ao redor do globo e transformou-se em um
componente fundamental da internet moderna”, afirma o
cientista da computação Fabio Kon, professor do Instituto
de Matemática e Estatística da Universidade de São Paulo
(IME-USP) e editor-chefe do Journal of Internet Services and
Applications. A ferramenta idealizada pelo cientista britânico, segundo Kon, foi decisiva para a popularização da
internet, que tem hoje 4,4 bilhões de usuários, quase 60%
da população global. “A rede trouxe muitas coisas boas e
praticamente não conseguimos mais viver sem as
comodidades que ela nos proporciona”, opina. “Mas, por
outro lado, ela amplifica alguns fenômenos negativos e
indesejados que já existiam na sociedade.”
A ideia que originou a Web, destaca o cientista da
computação Roberto Marcondes César Júnior, do grupo
Ciência de Dados do IME-USP, tem uma gênese
interessante que revela a importância da pesquisa básica
para consolidação de grandes projetos científicos. “Ao ler a
sugestão de Berners-Lee para criação de um sistema de
compartilhamento de dados de pesquisa, seu superior
imediato no Cern, Mike Sendal, destacou no documento
que a proposta era ‘vaga, mas estimulante’”, conta
Marcondes. “Para ele, a ideia ainda não estava muito clara,
e foi preciso mais alguns anos de pesquisa em laboratório
para que o www se concretizasse e se transformasse na
ferramenta que viria a revolucionar o mundo.”
Outro aspecto apontado pelo pesquisador é a
importância da Web para o avanço das pesquisas em
inteligência artificial (IA). “Alguns dos algoritmos de IA
existentes hoje têm raiz em estudos iniciados muitos anos
atrás. A criação da World Wide Web disponibilizou na rede
uma grande quantidade de informações, permitindo que os
algoritmos trabalhassem numa escala de dados muito
superior, processo essencial para o refinamento deles. Sem a
invenção de Berners-Lee, talvez estivéssemos bem atrasados
em relação à revolução de IA”, destaca Marcondes.
Nas comemorações dos 30 anos da Web, Berners-Lee
expressou preocupação com os rumos que a internet está
tomando e fez um apelo para o estabelecimento de uma
nova ética para lidar com os problemas surgidos a partir dela.
Em entrevista à rede britânica BBC, ele externou o temor de
que ela caminhe para um futuro disfuncional. De acordo com
o cientista, o escândalo envolvendo a consultoria Cambridge
Analytica, do Reino Unido, acusada de usar dados privados
de 87 milhões de usuários do Facebook para finalidades
políticas durante a campanha presidencial dos Estados
Unidos em 2016, revelou quão frágil é a privacidade dos
usuários na rede mundial de computadores.
(Yuri Vasconcelos. Disponível em: https://revistapesquisa.fapesp.br/2019/06/07/o-futuro-da-web/. Fragmento.)
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A produção de si como mercadoria nas redes sociais
Estudar a história do trabalho, das indústrias e das corporações nos ajudaria a entender a história do poder econômico e, por conseguinte, a história de nossas vidas submetidas àqueles que controlam a possibilidade de nossa sobrevivência.
As formas de organização da produção industrial a que
se deu o nome de fordismo, taylorismo e toyotismo,
definiram não apenas o modo de fazer, mas o modo de ser
da vida em geral submetida ao controle pela produção.
Aqueles modos de organização sempre visaram baixar custos
enquanto promoviam altos índices de produtividade. Todos,
certamente, sempre se preocuparam pouco com as pessoas
que trabalhavam nas fábricas ou nas empresas. Eram
sistemas bastante frustrantes para pessoas que não
queriam ser tratadas como robôs.
No taylorismo e no fordismo, as pessoas faziam uma
única atividade no processo produtivo, eram remuneradas
por produtividade e individualmente. A superprodução
levava a estoques gigantes e lucros enormes. Foi Ford que
acrescentou a esteira rolante que economizava tempo
dentro da fábrica para incrementar o processo de produção
em grande escala. Tempos modernos de Chaplin fez a sátira
disso tudo.
O toyotismo, que surgiu na fábrica do carro japonês,
tem algumas diferenças: o trabalho antes individual, agora
é em equipe. Uma pessoa não tem mais uma única
atividade repetitiva, ela deve saber fazer tudo. Deve-se
evitar todo tipo de desperdício. Retira-se o estoque e se
entrega às demandas. Em épocas de crise se produz
conforme o consumo.
Em qualquer desses casos, as pessoas sempre são bens
bastante descartáveis. Um produtor vale tanto quanto sua
produtividade. Ou menos do que ela, já que pode ser
substituído. Não há nenhuma novidade nisso. Só não se
submete a isso quem, em vez de ser operário comandado
por meios de produção, é o dono dos meios de produção.
Essa lógica das fábricas é espelho da lógica da vida e atinge
todas as instituições.
A produção de coisas, sejam carros ou telefones
celulares, panelas ou cosméticos, depende de operadores
de produção, ora humanos, ora robôs.
Do mesmo modo quando se trata de “meios de
produção da linguagem”. Pensemos no conteúdo da
internet, lotada de produção de material comunicacional
ou anticomunicacional por pessoas que participam do meio
apenas porque desejam. Mas será que é desejo mesmo o
que nos faz participar de redes sociais?
Coloco essas questões porque gostaria de pensar no
tipo de trabalho que temos nas redes sociais. É inegável que
as redes sociais oferecem algum tipo de diversão às
pessoas, então, parece que não estamos trabalhando.
Trata-se, nesse caso, de uma indústria do entretenimento. E é evidente que elas também se oferecem como meios de
comunicação.
Mas é a dimensão do trabalho que me interessa
entender. Quanto tempo gastamos diariamente nesses
meios? O que somos obrigados a fazer para sobreviver
neles? Somos submetidos aos parâmetros taylor-fordistas
nas redes sociais? Ou aos toyotistas? Que esforços, que
tensões enfrentamos quando deles queremos participar?
Podemos viver fora deles sem culpa? Há espertos que se
aproveitam dele para jogos de poder? Há pessoas neles
capazes de cometer violência? Para que são usadas as
redes? Qual o papel da comunicação violenta nas redes?
Há pessoas que trabalham para as redes e são
remuneradas por seu trabalho. Há mercado negro nas
redes, há trabalho ilegal e dinheiro sujo, há milícias
midiáticas ocupadas em enganar, mentir, destruir
reputações, há pessoas cometendo crimes, aliciando
pessoas mentalmente precárias, roubando e assaltando
virtualmente. Não estou mencionando esses aspectos para
dizer que as redes são más, não é isso. Temos que entender
que as redes são “medialidades”, são meios sobre os quais
fazemos escolhas. Meios que nós movimentamos? Ou eles
nos movimentam? Dançamos conforme a música nas
redes? [...]
O tempo, a privacidade, a vida íntima, familiar, o que
estiver a mão, é transformado em mercadoria. É o triunfo
da lógica da mercadoria.
Há ainda o aspecto da produção da subjetividade por
meio da transformação da subjetividade em mercadoria.
Um dos pontos altos dessa produção passa pela imagem de
si nas redes, imagens como selfies, imagens como
paisagens, imagens como frases feitas e formulações
instantâneas com alto teor de impacto ou “lacrações”.
Em termos simples, cada um está produzindo e
vendendo a si mesmo. Ao mesmo tempo, em não sendo
dono dos meios de produção de si, cada um se produz a
partir de uma fórmula pronta dada pelo funcionamento do
aparelho. Cada um é uma espécie de “consumidor
consumido”, para lembrar Vilém Flusser.
(Marcia Tiburi. Disponível em: https://revistacult.uol.com.br/home/producao-de-si-mercadoriaredes-sociais/. Acesso em: 08/05/2019. Adaptado.)
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3665899
Ano: 2019
Disciplina: Direito Constitucional
Banca: Consulplan
Orgão: Pref. Pitangueiras-SP
Disciplina: Direito Constitucional
Banca: Consulplan
Orgão: Pref. Pitangueiras-SP
Provas:
- Organização do EstadoAdministração PúblicaServidores Públicos
- Ordem SocialSeguridade SocialPrevidência social
“Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios instituirão
contribuição, cobrada de seus servidores, para o custeio,
em benefício destes, do Regime Próprio de Previdência
Social – RPPS, cuja alíquota não será inferior à da
contribuição dos servidores titulares de cargos efetivos da
União. ” Nos termos do ordenamento jurídico brasileiro, o
trecho apresentado é:
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Considere duas funções reais: \(f(x) = \dfrac{2x}{3} - 4\) e \(g(x) = 3x - 9 \). Qual alternativa apresenta o intervalo real dos valores de \(x\) para os quais \(\dfrac{f(x)}{g(x)} \leq 0\) ?
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Considere duas funções reais:
e
g(x) = 3x - 9
. Qual alternativa apresenta o intervalo real
dos valores de x para os quais
?
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2654976
Ano: 2019
Disciplina: Legislação Municipal
Banca: Consulplan
Orgão: Pref. Pitangueiras-SP
Disciplina: Legislação Municipal
Banca: Consulplan
Orgão: Pref. Pitangueiras-SP
Provas:
Sobre a licença à gestante, à adotante e da
licença-paternidade à luz do Estatuto dos Servidores
Públicos do Município de Pitangueiras, assinale a afirmativa
INCORRETA.
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2654970
Ano: 2019
Disciplina: Legislação Municipal
Banca: Consulplan
Orgão: Pref. Pitangueiras-SP
Disciplina: Legislação Municipal
Banca: Consulplan
Orgão: Pref. Pitangueiras-SP
Provas:
A Lei nº 1.904, de 10 de dezembro de 1997, informa que a
família do servidor ativo afastado por motivo de prisão em
flagrante ou preventiva tem direito ao auxílio reclusão.
Acerca dos valores do benefício, assinale a afirmativa
correta.
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Cadernos
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