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A Primeira República brasileira (1889–1930) foi
marcada por uma tensão estrutural entre a
formalização de um regime representativo liberal e a
persistência de práticas políticas assentadas na
desigualdade material e na fragmentação do poder
estatal. Em Coronelismo, enxada e voto, Victor Nunes
Leal analisa o coronelismo como expressão de uma
engrenagem política fundada na dependência
econômica local, na precariedade administrativa do
Estado e na assimetria federativa (LEAL, 2012). Já em
Os bestializados, José Murilo de Carvalho enfatiza os
limites da cidadania republicana, destacando o
distanciamento entre as instituições políticas e a
experiência social das camadas populares no processo
de construção da República (CARVALHO, 1987). A
articulação dessas abordagens permite compreender a
Primeira República não apenas como um regime de
exclusão política, mas como uma forma histórica
específica de integração subordinada, na qual a
participação política era condicionada por vínculos
econômicos, relações pessoais e pela baixa capacidade
estatal de universalizar direitos. Considerando esse
cruzamento interpretativo, assinale a alternativa que
melhor expressa o cenário político do Brail na
Primeira República:
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No contexto da crise do regime militar brasileiro,
especialmente a partir do final da década de 1970, a
abertura política foi marcada por ambiguidades
estruturais, nas quais a ampliação da participação
social convivia com mecanismos institucionais de
contenção e controle. Segundo Boris Fausto, a
transição brasileira caracterizou-se por um processo
negociado, no qual a pressão popular exerceu papel
relevante, mas não determinante de forma exclusiva
(FAUSTO, 2013). O movimento das Diretas Já
emergiu, nesse cenário, como uma das maiores
mobilizações de massa da história republicana,
articulando partidos políticos, movimentos sociais,
setores da sociedade civil e frações das elites, em torno
da reivindicação por eleições diretas para a
Presidência da República. Entretanto, a derrota da
Emenda Dante de Oliveira no Congresso Nacional
revelou os limites institucionais da mobilização
popular dentro da estrutura autoritária ainda vigente.
À luz dessa interpretação historiográfica, assinale a
alternativa que melhor expressa o papel histórico
das Diretas Já no processo de redemocratização
brasileira.
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Nas últimas décadas, parte da historiografia
passou a se interessar de modo mais atento pelas
formas pelas quais a violência histórica se inscreve nos
corpos e afeta a experiência dos sujeitos em situaçõeslimite. Nesse horizonte interpretativo, o texto “O
corpo e o campo de concentração”, de Annette
Becker, propõe uma leitura do universo
concentracionário que não dissocia a vivência
corporal das estruturas políticas e institucionais que
organizam o sistema dos campos (BECKER, 2008).
Ao analisar a experiência concentracionária, Becker
evidencia como a organização administrativa, militar
e normativa dos campos produziu um tipo específico
de experiência histórica, na qual o corpo se torna alvo
privilegiado de dispositivos de poder voltados à degradação, ao controle e à destruição progressiva do
sujeito (BECKER, 2008).
Considerando essa abordagem, assinale a alternativa que melhor expressa a interpretação da autora sobre a relação entre corpo, poder e experiência histórica.
Considerando essa abordagem, assinale a alternativa que melhor expressa a interpretação da autora sobre a relação entre corpo, poder e experiência histórica.
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O golpe civil-militar de 1964 instaurou, no Brasil,
um regime autoritário que articulou legalidade formal
e suspensão seletiva de direitos. A noção de estado de
exceção tem sido utilizada pela historiografia para
interpretar esse período não como simples ruptura
institucional, mas como uma forma específica de
exercício do poder. Considerando essa chave analítica,
assinale a alternativa que melhor expressa a lógica
do estado de exceção instaurado após 1964.
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Os movimentos sociais da Primeira República
brasileira foram frequentemente interpretados pelas
elites políticas, militares e intelectuais a partir de
matrizes explicativas que combinavam evolucionismo
social, cientificismo e projetos autoritários de
modernização. Nesse contexto, a experiência de
Canudos foi alvo de leituras que justificaram sua
repressão extrema. Considerando as interpretações
dominantes no discurso oficial e intelectual da
época, assinale a alternativa correta.
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A escravidão africana no Brasil integrou-se a um
sistema atlântico de larga escala, marcado pelas
viagens ultramarinas, pelo deslocamento forçado e
pela reorganização compulsória da vida dos africanos
no espaço colonial. Ao longo desse processo,
observam-se tanto estratégias de sobrevivência,
adaptação e recriação sociocultural por parte dos
africanos escravizados quanto a consolidação de discursos raciais voltados à legitimação da ordem
escravista. Considerando essa dinâmica histórica,
assinale a alternativa que apresenta a interpretação
historiograficamente mais consistente sobre a
relação entre travessia atlântica, adaptação dos
africanos e racismo no Brasil.
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A escola histórica social inglesa consolidou-se
como uma vertente crítica às interpretações
economicistas e às leituras teleológicas da história
social, propondo uma abordagem atenta às
experiências vividas, às práticas culturais e aos
conflitos sociais. Nesse campo, a obra de E. P.
Thompson (2012) ocupa lugar central ao redefinir a
noção de classe e o papel da experiência histórica na
constituição dos sujeitos sociais. Considerando essa
perspectiva, assinale a alternativa que expressa de
forma mais precisa a concepção thompsoniana de
classe social e sua implicação metodológica para a
escrita da história.
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No Brasil das primeiras décadas do século XX, o
discurso médico-higienista consolidou-se como um
saber institucionalizado, mobilizado pelo Estado
republicano para enfrentar crises sanitárias, urbanas e
sociais. Em situações de emergência, como as grandes
secas, esse discurso orientou políticas de contenção
populacional, entre elas a criação dos campos de
concentração para retirantes no estado do Ceará,
notadamente nos anos de 1915 e 1932. À luz desse
contexto histórico, assinale a alternativa que apresenta
a interpretação historicamente mais consistente do
ponto de vista do discurso médico-higienista, tal
como formulado e defendido pelas autoridades da
época.
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No debate teórico contemporâneo acerca das
formas de exercício do poder soberano, as políticas
migratórias dos Estados Unidos no século XXI têm
sido interpretadas como dispositivos que articulam
fronteira, exceção jurídica e gestão diferencial da vida
e da morte. Nesse contexto, o conceito de
necropolítica, formulado por Achille Mbembe
(2011), oferece uma chave analítica para compreender
a produção sistemática de vulnerabilidade extrema
aplicada a populações migrantes. Considerando essa
perspectiva, e dialogando com a crítica de Slavoj
Žižek (1996) à ideologia liberal contemporânea e à
naturalização da violência estrutural, assinale a
alternativa que expressa a interpretação teoricamente
mais consistente dessas políticas.
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O conceito de necropolítica, desenvolvido por
Achille Mbembe (2011), tem sido amplamente
utilizado para analisar dinâmicas de poder no século
XXI. Diferentemente de formas clássicas de
dominação política descritas pela biopolítica
foucaultiana, a necropolítica enfatiza a gestão da
morte como instrumento central do poder soberano.
Considerando as transformações do Estado, do
capitalismo global e dos regimes de exceção
contemporâneos, assinale a alternativa que melhor
expressa uma aplicação coerente do conceito de
necropolítica no século XXI.
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