Foram encontradas 40 questões.
Leia o excerto a seguir, analise as sentenças e registre
V, para verdadeiras, e F, para falsas:
"A ética, para ser plenamente humana, precisa incorporar a compaixão. Há muito sofrimento na história, sangue demasiado em nossos caminhos e interminável solidão de milhões e milhões de pessoas, carregando sozinhas, em seu coração, a cruz da injustiça, da incompreensão e da amargura. O ethos que se compadece quer incluir a todos esses no 'ethos' planetário, vale dizer, na Casa Comum na qual há acolhida e as lágrimas podem ser choradas sem vergonha ou enxugadas carinhosamente."
Leonardo Boff
(Disponível em: https://www.brasildefato.com.br/colunista/leonardo-boff/2025/07/29/a-re levancia-da-compaixao-na-situacao-atual/. Acesso em: 18 out. 2025. Adaptado.)
(__)A partir da leitura do excerto, é possível afirmar que uma ética plenamente humana não ignora o sofrimento, as dificuldades e as exclusões de outras pessoas; antes, acolhe e integra essas pessoas.
(__)Considerando que "na Casa Comum" é uma explicação do termo "ethos planetário", a expressão "vale dizer", pode ser substituída por "isto é", mantendo a coesão e o sentido pretendidos pelo autor.
(__)O trecho "para ser plenamente humana" é uma oração subordinada adverbial, exercendo a função de adjunto adverbial e modificando a oração principal. Nesse contexto, ela expressa a ideia de finalidade, de propósito. Ela está entre vírgulas porque está deslocada da ordem direta da oração.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta:
"A ética, para ser plenamente humana, precisa incorporar a compaixão. Há muito sofrimento na história, sangue demasiado em nossos caminhos e interminável solidão de milhões e milhões de pessoas, carregando sozinhas, em seu coração, a cruz da injustiça, da incompreensão e da amargura. O ethos que se compadece quer incluir a todos esses no 'ethos' planetário, vale dizer, na Casa Comum na qual há acolhida e as lágrimas podem ser choradas sem vergonha ou enxugadas carinhosamente."
Leonardo Boff
(Disponível em: https://www.brasildefato.com.br/colunista/leonardo-boff/2025/07/29/a-re levancia-da-compaixao-na-situacao-atual/. Acesso em: 18 out. 2025. Adaptado.)
(__)A partir da leitura do excerto, é possível afirmar que uma ética plenamente humana não ignora o sofrimento, as dificuldades e as exclusões de outras pessoas; antes, acolhe e integra essas pessoas.
(__)Considerando que "na Casa Comum" é uma explicação do termo "ethos planetário", a expressão "vale dizer", pode ser substituída por "isto é", mantendo a coesão e o sentido pretendidos pelo autor.
(__)O trecho "para ser plenamente humana" é uma oração subordinada adverbial, exercendo a função de adjunto adverbial e modificando a oração principal. Nesse contexto, ela expressa a ideia de finalidade, de propósito. Ela está entre vírgulas porque está deslocada da ordem direta da oração.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta:
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O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
Brasil lidera a desinformação antivacina na América
Latina, aponta estudo
Desinformações sobre vacinas cresceram mais de 600
vezes durante a pandemia, segundo o levantamento.
O Brasil concentra 40% de todo o conteúdo antivacina
do continente latino-americano . É o que aponta o estudo "Anti-vaccine Disinformation in Latin America and
the Caribbean" (Desinformação antivacina na América
Latina e no Caribe), que mapeou, pela primeira vez, 81
milhões de mensagens publicadas em 1.785
comunidades de teorias da conspiração no Telegram,
distribuídas por 18 países, entre 2016 e 2025. O
levantamento é coordenado por pesquisadores da
Fundação Getúlio Vargas (FGV).
O estudo identificou 175 supostos danos atribuídos às
vacinas e 80 falsos "antídotos" vendidos como "detox"
para neutralizar seus efeitos. Segundo alerta dos
pesquisadores, a desinformação se consolidou como
mercado lucrativo e ameaça à saúde pública.
"A desinformação não é acaso, é um projeto daqueles
que lucram com isso. Ela se organiza, se financia e se
adapta porque há interesses por trás. O que o estudo
mostra é que o antivacinismo virou um sistema de
medo e lucro que mina a confiança social e fragiliza
políticas públicas de saúde", explica Ergon Cugler,
pesquisador do DesinfoPop/FGV e coordenador do
estudo. [...]
"O Brasil virou o epicentro latino-americano da
desinformação antivacina. Isso não acontece por acaso:
temos um ambiente digital que ainda engatinha no
debate da regulação, plataformas que lucram com o
engajamento do medo e desafios estruturais que
permitem que o discurso conspiratório floresça", diz
Ergon Cugler.
[...]
A pesquisa mapeou os 175 principais supostos danos
causados pelas vacinas, divulgados nos grupos de
desinformação. As alegações falsas mais comuns vão de
morte súbita e alteração do DNA a envenenamento e
câncer, seguidas por boatos sobre coágulos,
infertilidade e problemas cardíacos.
[...] O estudo também identificou 80 falsos antídotos para
supostamente "desfazer" vacinas. Os mais difundidos
são o aterramento − ficar descalço no solo − (2,2%), que
afirma "limpar energias do corpo"; o dióxido de cloro
(1,5%), vendido como "solução milagrosa mineral" mas
altamente tóxico; e produtos como alho, ivermectina e
zeólita. [...]
"O antivacinismo é mais do que um discurso: é um
mercado que transforma pânico em produto. Enfrentar
isso exige ação coordenada entre governo, imprensa,
plataformas e sociedade. Combater a desinformação é
uma questão de soberania informacional e de saúde
pública", conclui Ergon Cugler.
(Disponível em:
https://iclnoticias.com.br/brasil-lidera-a-desinformacao-antivacina/.
Acesso em: 20 out. 2025. Adaptado.)
I.A palavra "latino-americano" é composta por justaposição e o hífen está adequadamente empregado porque o primeiro termo está representado por um substantivo.
II.São formadas por derivação parassintética, ou seja, há o acréscimo simultâneo de um prefixo e um sufixo ao radical da forma primitiva, as palavras "antivacinismo", "envenenamento" e "infertilidade".
III.As palavras "epicentro", "antivacina" e "altamente" são formadas pelo mesmo processo, o de derivação prefixal.
É correto o que se afirma em:
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Brasil lidera a desinformação antivacina na América
Latina, aponta estudo
Desinformações sobre vacinas cresceram mais de 600
vezes durante a pandemia, segundo o levantamento.
O Brasil concentra 40% de todo o conteúdo antivacina
do continente latino-americano . É o que aponta o estudo "Anti-vaccine Disinformation in Latin America and
the Caribbean" (Desinformação antivacina na América
Latina e no Caribe), que mapeou, pela primeira vez, 81
milhões de mensagens publicadas em 1.785
comunidades de teorias da conspiração no Telegram,
distribuídas por 18 países, entre 2016 e 2025. O
levantamento é coordenado por pesquisadores da
Fundação Getúlio Vargas (FGV).
O estudo identificou 175 supostos danos atribuídos às
vacinas e 80 falsos "antídotos" vendidos como "detox"
para neutralizar seus efeitos. Segundo alerta dos
pesquisadores, a desinformação se consolidou como
mercado lucrativo e ameaça à saúde pública.
"A desinformação não é acaso, é um projeto daqueles
que lucram com isso. Ela se organiza, se financia e se
adapta porque há interesses por trás. O que o estudo
mostra é que o antivacinismo virou um sistema de
medo e lucro que mina a confiança social e fragiliza
políticas públicas de saúde", explica Ergon Cugler,
pesquisador do DesinfoPop/FGV e coordenador do
estudo. [...]
"O Brasil virou o epicentro latino-americano da
desinformação antivacina. Isso não acontece por acaso:
temos um ambiente digital que ainda engatinha no
debate da regulação, plataformas que lucram com o
engajamento do medo e desafios estruturais que
permitem que o discurso conspiratório floresça", diz
Ergon Cugler.
[...]
A pesquisa mapeou os 175 principais supostos danos
causados pelas vacinas, divulgados nos grupos de
desinformação. As alegações falsas mais comuns vão de
morte súbita e alteração do DNA a envenenamento e
câncer, seguidas por boatos sobre coágulos,
infertilidade e problemas cardíacos.
[...] O estudo também identificou 80 falsos antídotos para
supostamente "desfazer" vacinas. Os mais difundidos
são o aterramento − ficar descalço no solo − (2,2%), que
afirma "limpar energias do corpo"; o dióxido de cloro
(1,5%), vendido como "solução milagrosa mineral" mas
altamente tóxico; e produtos como alho, ivermectina e
zeólita. [...]
"O antivacinismo é mais do que um discurso: é um
mercado que transforma pânico em produto. Enfrentar
isso exige ação coordenada entre governo, imprensa,
plataformas e sociedade. Combater a desinformação é
uma questão de soberania informacional e de saúde
pública", conclui Ergon Cugler.
(Disponível em:
https://iclnoticias.com.br/brasil-lidera-a-desinformacao-antivacina/.
Acesso em: 20 out. 2025. Adaptado.)
(__)No trecho O estudo identificou 175 supostos danos atribuídos às vacinas e 80 falsos "antídotos" vendidos como "detox" para neutralizar seus efeitos (2º parágrafo), os numerais 175 e 80 têm a função de possibilitar a progressão do texto, uma vez que têm como referência os dados do estudo indicados no parágrafo anterior, retomando esses dados ao especificar dois aspectos da pesquisa: (175) supostos danos atribuídos às vacinas e (80) falsos "antídotos".
(__)No trecho A desinformação não é acaso, é um projeto daqueles que lucram com isso. Ela se organiza, se financia e se adapta porque há interesses por trás (3º parágrafo), tanto o pronome demonstrativo "isso" quanto o pronome pessoal "ela" retomam "a desinformação", evitando repetições desnecessárias e estabelecendo a coesão referencial.
(__)Nos trechos A pesquisa mapeou os 175 principais supostos danos causados pelas vacinas, divulgados nos grupos de desinformação (5º parágrafo) e O estudo também identificou 80 falsos antídotos para supostamente "desfazer" vacinas (6º parágrafo), há dois períodos que exercem duas importantes funções no texto: retomar uma ideia apresentada no início do texto, possibilitando ao leitor localizá-la, ou seja, há uma progressão referencial; e introduzir ideias novas, possibilitando o desenvolvimento do que foi apresentado no 2º parágrafo. Nesse caso, os verbos "mapeou" e "identificou" indicam essas ideias novas e são desenvolvidos na sequência.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta:
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O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
Brasil lidera a desinformação antivacina na América
Latina, aponta estudo
Desinformações sobre vacinas cresceram mais de 600
vezes durante a pandemia, segundo o levantamento.
O Brasil concentra 40% de todo o conteúdo antivacina
do continente latino-americano . É o que aponta o estudo "Anti-vaccine Disinformation in Latin America and
the Caribbean" (Desinformação antivacina na América
Latina e no Caribe), que mapeou, pela primeira vez, 81
milhões de mensagens publicadas em 1.785
comunidades de teorias da conspiração no Telegram,
distribuídas por 18 países, entre 2016 e 2025. O
levantamento é coordenado por pesquisadores da
Fundação Getúlio Vargas (FGV).
O estudo identificou 175 supostos danos atribuídos às
vacinas e 80 falsos "antídotos" vendidos como "detox"
para neutralizar seus efeitos. Segundo alerta dos
pesquisadores, a desinformação se consolidou como
mercado lucrativo e ameaça à saúde pública.
"A desinformação não é acaso, é um projeto daqueles
que lucram com isso. Ela se organiza, se financia e se
adapta porque há interesses por trás. O que o estudo
mostra é que o antivacinismo virou um sistema de
medo e lucro que mina a confiança social e fragiliza
políticas públicas de saúde", explica Ergon Cugler,
pesquisador do DesinfoPop/FGV e coordenador do
estudo. [...]
"O Brasil virou o epicentro latino-americano da
desinformação antivacina. Isso não acontece por acaso:
temos um ambiente digital que ainda engatinha no
debate da regulação, plataformas que lucram com o
engajamento do medo e desafios estruturais que
permitem que o discurso conspiratório floresça", diz
Ergon Cugler.
[...]
A pesquisa mapeou os 175 principais supostos danos
causados pelas vacinas, divulgados nos grupos de
desinformação. As alegações falsas mais comuns vão de
morte súbita e alteração do DNA a envenenamento e
câncer, seguidas por boatos sobre coágulos,
infertilidade e problemas cardíacos.
[...] O estudo também identificou 80 falsos antídotos para
supostamente "desfazer" vacinas. Os mais difundidos
são o aterramento − ficar descalço no solo − (2,2%), que
afirma "limpar energias do corpo"; o dióxido de cloro
(1,5%), vendido como "solução milagrosa mineral" mas
altamente tóxico; e produtos como alho, ivermectina e
zeólita. [...]
"O antivacinismo é mais do que um discurso: é um
mercado que transforma pânico em produto. Enfrentar
isso exige ação coordenada entre governo, imprensa,
plataformas e sociedade. Combater a desinformação é
uma questão de soberania informacional e de saúde
pública", conclui Ergon Cugler.
(Disponível em:
https://iclnoticias.com.br/brasil-lidera-a-desinformacao-antivacina/.
Acesso em: 20 out. 2025. Adaptado.)
"O antivacinismo é mais do que um discurso: é um mercado que transforma pânico em produto. Enfrentar isso exige ação coordenada entre governo, imprensa, plataformas e sociedade. Combater a desinformação é uma questão de soberania informacional e de saúde pública".
Nesse raciocínio construído pelo pesquisador e coordenador da pesquisa, observa-se que:
I.Tem início com a problematização do que é antivacinismo, definindo-o a partir disso, ou seja, é algo mais complexo do que apenas um discurso; é mercadológico, podendo-se inferir que tem como objetivo o lucro. Essa inferência é possível também pela escolha vocabular: mercado, produto.
II.Na sequência, o pesquisador apresenta um caminho possível para enfrentar o discurso mercadológico antivacina, um trabalho conjunto de diversas esferas, o que possibilita ao leitor compreender que o problema é complexo e não se resolverá com movimentos isolados.
III.Finalmente, concluindo seu raciocínio, o pesquisador associa o "antivacinismo" à desinformação, ou seja, o leitor é instigado a compreender que o "antivacinismo" é um entrave à soberania da informação e à saúde pública.
É correto o que se afirma em:
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O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
A segurança alimentar deixou de ser um tema restrito à
agricultura e virou assunto de saúde, economia e, cada
vez mais, de clima. Quando secas prolongadas,
enchentes ou ondas de calor atingem lavouras,
rebanhos e cadeias de abastecimento, o preço e a
qualidade dos alimentos mudam , e quem tem menos
renda sente primeiro. [...] há segurança alimentar quando
todas as pessoas, em todos os momentos, têm acesso
físico, social e econômico a alimentos suficientes,
seguros e nutritivos, que atendam às necessidades e
preferências para uma vida ativa e saudável.
(Disponível em: https://www.politize.com.br/seguranca-alimentar/.
Acesso em: 19 out. 2025. Adaptado.)
I.A regência nominal está correta em "restrito à agricultura" porque o adjetivo "restrito" é regido pela preposição "a" que se funde ao artigo definido que acompanha o substantivo "agricultura". Essa fusão é marcada pelo acento grave.
II.No trecho "têm acesso físico, social e econômico a alimentos suficientes", a preposição "a" estabelece corretamente a regência nominal do substantivo "acesso" nesse contexto.
III.O verbo "atender" é um verbo com regência mais flexível, podendo ser transitivo direto ou indireto, ou intransitivo. Assim, o uso ou não da preposição regendo o verbo dependerá do contexto, do sentido pretendido e, às vezes, da decisão do autor. É o que acontece em "atendam às necessidades e preferências", em que o verbo "atender" tem o sentido de "levar em conta", "ter em vista". Nesse contexto, está correta a regência da preposição "a", considerando-o transitivo indireto, mas também poderia ser transitivo direto (atendam as necessidades e preferências).
É correto o que se afirma em:
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O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
A segurança alimentar deixou de ser um tema restrito à
agricultura e virou assunto de saúde, economia e, cada
vez mais, de clima. Quando secas prolongadas,
enchentes ou ondas de calor atingem lavouras,
rebanhos e cadeias de abastecimento, o preço e a
qualidade dos alimentos mudam , e quem tem menos
renda sente primeiro. [...] há segurança alimentar quando
todas as pessoas, em todos os momentos, têm acesso
físico, social e econômico a alimentos suficientes,
seguros e nutritivos, que atendam às necessidades e
preferências para uma vida ativa e saudável.
(Disponível em: https://www.politize.com.br/seguranca-alimentar/.
Acesso em: 19 out. 2025. Adaptado.)
(__)A concordância do verbo "atingir" está inadequada, uma vez que os elementos de seu sujeito são unidos por "ou".
(__)O verbo "mudar" está no plural porque concorda com o sujeito "alimentos".
(__)No excerto há duas ocorrências do verbo "ter" e ambos deveriam estar no plural porque se referem ao sujeito "todas as pessoas".
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta:
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O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
A saudade como motor criativo da literatura
Luciana de Gnone
A saudade é mais do que um sentimento de falta, ela é
também um dos grandes impulsionadores da literatura.
Para os leitores, os livros muitas vezes saciam a
nostalgia de vivências passadas. Para os escritores, a
saudade é uma grande aliada da criação: molda
lembranças, revive experiências e são fios condutores de
grandes narrativas. Na literatura, a saudade é
matéria-prima. Ela é capaz de transformar a ausência em
presença e memória em palavras.
São inúmeras as razões que levam os autores a
transformar a saudade em narrativa. Há motivações
políticas, como as dos exilados e refugiados. Existem os
gatilhos emocionais, como a migração em busca de
novas terras, ou mesmo o luto em suas inúmeras
facetas. Em todos esses casos, a escrita se oferece
como território aconchegante para reconstruir o que foi
perdido.
No início da década de 1990, morei por um ano nos
EUA. Estava no final do ensino médio e fui fazer um
intercâmbio cultural. Em uma cidade do interior de
Michigan, estudantes estrangeiros eram facilmente
reconhecidos pela comunidade local. Éramos cinco
intercambistas, digamos, "oficiais" — aqueles que
estavam de passagem por um período determinado,
geralmente de um ano. Mas havia também algumas
dezenas de outros estrangeiros, residentes
permanentes.
Eram todos filhos de imigrantes: alguns de primeira,
outros de segunda geração nascida na América. Dentre
eles, havia um menino que se destacava por ser um
exilado de guerra. Embora tivesse entrado nos EUA
como intercambista, assim como eu, havia chegado dois
anos antes e permanecido indefinidamente. Foi acolhido
pela família americana quando a guerra na Bósnia teve
início, em 1992, sem jamais conseguir retornar ao seu
país.
Ele não fazia ideia de como sua família estava. Não tinha
notícias dos pais, dos irmãos, nem de qualquer outro
parente. As informações simplesmente não chegavam.
Canalizou toda a saudade — e também o medo — na
escrita. Suas redações logo ficaram conhecidas na
escola. Não me lembro do nome dele, infelizmente, o
que é uma pena — é bem possível que tenha se tornado
autor.
Escrever sobre o que ficou para trás é uma forma de
habitar novamente o que já não está ao alcance. Ainda
que em escala muito diferente da vivida pelo colega
bósnio, posso dizer que algo semelhante aconteceu
comigo, ao viver por quase treze anos fora do Brasil.
A distância física e emocional foi o estopim para que eu começasse a escrever — primeiro de forma
despretensiosa; depois, o meu primeiro romance. A
escrita tornou-se uma ferramenta de reconexão com
minhas origens. Ao criar personagens e, principalmente,
cenários, eu buscava reconstruir minhas próprias
vivências, tentando suprir a saudade que sentia da
minha terra.
Muitas vezes a saudade pode vir com uma enorme carga
de desconforto, mas é preciso reconhecer a potência
desse sentimento. É divino poder usar a saudade para
revisitar o passado, questionar o presente e escrever o
futuro. É um recurso para preencher lacunas e curar-se
da ausência. Por essa razão, tantas obras nascem desse
vazio. É nesse espaço que o escritor encontra liberdade
criativa.
No gênero policial, muitos protagonistas são
apresentados como pessoas disfuncionais — marcados
pela saudade de uma família perdida, de um amor
desfeito ou de um luto mal resolvido. Quebrar essa casca
e revelar a vulnerabilidade do personagem é o que
provoca conexão com o mundo real. A saudade é esse
fragmento entre o que se viveu e o que continua a pulsar
dentro de nós.
(Disponível em:
https://www.publishnews.com.br/materias/2025/08/27/a-saudade-comomotor-criativo-da-literatura. Acesso em: 18 out. 2025. Adaptado.)
Éramos cinco intercambistas, digamos, "oficiais" — aqueles que estavam de passagem por um período determinado, geralmente de um ano. (3º parágrafo)
Canalizou toda a saudade — e também o medo — na escrita. Suas redações logo ficaram conhecidas na escola. Não me lembro do nome dele, infelizmente, o que é uma pena — é bem possível que tenha se tornado autor. (5º parágrafo)
A distância física e emocional foi o estopim para que eu começasse a escrever — primeiro de forma despretensiosa; depois, o meu primeiro romance. (7º parágrafo)
Assinale a alternativa que apresenta a justificativa correta para esses usos do travessão feitos pela autora:
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O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
A saudade como motor criativo da literatura
Luciana de Gnone
A saudade é mais do que um sentimento de falta, ela é
também um dos grandes impulsionadores da literatura.
Para os leitores, os livros muitas vezes saciam a
nostalgia de vivências passadas. Para os escritores, a
saudade é uma grande aliada da criação: molda
lembranças, revive experiências e são fios condutores de
grandes narrativas. Na literatura, a saudade é
matéria-prima. Ela é capaz de transformar a ausência em
presença e memória em palavras.
São inúmeras as razões que levam os autores a
transformar a saudade em narrativa. Há motivações
políticas, como as dos exilados e refugiados. Existem os
gatilhos emocionais, como a migração em busca de
novas terras, ou mesmo o luto em suas inúmeras
facetas. Em todos esses casos, a escrita se oferece
como território aconchegante para reconstruir o que foi
perdido.
No início da década de 1990, morei por um ano nos
EUA. Estava no final do ensino médio e fui fazer um
intercâmbio cultural. Em uma cidade do interior de
Michigan, estudantes estrangeiros eram facilmente
reconhecidos pela comunidade local. Éramos cinco
intercambistas, digamos, "oficiais" — aqueles que
estavam de passagem por um período determinado,
geralmente de um ano. Mas havia também algumas
dezenas de outros estrangeiros, residentes
permanentes.
Eram todos filhos de imigrantes: alguns de primeira,
outros de segunda geração nascida na América. Dentre
eles, havia um menino que se destacava por ser um
exilado de guerra. Embora tivesse entrado nos EUA
como intercambista, assim como eu, havia chegado dois
anos antes e permanecido indefinidamente. Foi acolhido
pela família americana quando a guerra na Bósnia teve
início, em 1992, sem jamais conseguir retornar ao seu
país.
Ele não fazia ideia de como sua família estava. Não tinha
notícias dos pais, dos irmãos, nem de qualquer outro
parente. As informações simplesmente não chegavam.
Canalizou toda a saudade — e também o medo — na
escrita. Suas redações logo ficaram conhecidas na
escola. Não me lembro do nome dele, infelizmente, o
que é uma pena — é bem possível que tenha se tornado
autor.
Escrever sobre o que ficou para trás é uma forma de
habitar novamente o que já não está ao alcance. Ainda
que em escala muito diferente da vivida pelo colega
bósnio, posso dizer que algo semelhante aconteceu
comigo, ao viver por quase treze anos fora do Brasil.
A distância física e emocional foi o estopim para que eu começasse a escrever — primeiro de forma
despretensiosa; depois, o meu primeiro romance. A
escrita tornou-se uma ferramenta de reconexão com
minhas origens. Ao criar personagens e, principalmente,
cenários, eu buscava reconstruir minhas próprias
vivências, tentando suprir a saudade que sentia da
minha terra.
Muitas vezes a saudade pode vir com uma enorme carga
de desconforto, mas é preciso reconhecer a potência
desse sentimento. É divino poder usar a saudade para
revisitar o passado, questionar o presente e escrever o
futuro. É um recurso para preencher lacunas e curar-se
da ausência. Por essa razão, tantas obras nascem desse
vazio. É nesse espaço que o escritor encontra liberdade
criativa.
No gênero policial, muitos protagonistas são
apresentados como pessoas disfuncionais — marcados
pela saudade de uma família perdida, de um amor
desfeito ou de um luto mal resolvido. Quebrar essa casca
e revelar a vulnerabilidade do personagem é o que
provoca conexão com o mundo real. A saudade é esse
fragmento entre o que se viveu e o que continua a pulsar
dentro de nós.
(Disponível em:
https://www.publishnews.com.br/materias/2025/08/27/a-saudade-comomotor-criativo-da-literatura. Acesso em: 18 out. 2025. Adaptado.)
I.Para Luciana de Gnone, a saudade exerce dois papéis distintos no contexto da literatura: um de tocar em memórias daqueles que leem uma obra e outro de ser substância principal no processo de escrita.
II.A literatura impulsionada pela saudade está ancorada em dois temas: política e emoções, pois é nesses campos que se encontra acolhida para reconstruir o que se perdeu ao longo da vida.
III.O que impulsionou a autora do texto a começar a escrever foi ter conhecido a história do intercambista bósnio que, exilado, usou a escrita para canalizar a saudade que sentia da família, assim como a falta de notícias.
É correto o que se afirma em:
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A saudade como motor criativo da literatura
Luciana de Gnone
A saudade é mais do que um sentimento de falta, ela é
também um dos grandes impulsionadores da literatura.
Para os leitores, os livros muitas vezes saciam a
nostalgia de vivências passadas. Para os escritores, a
saudade é uma grande aliada da criação: molda
lembranças, revive experiências e são fios condutores de
grandes narrativas. Na literatura, a saudade é
matéria-prima. Ela é capaz de transformar a ausência em
presença e memória em palavras.
São inúmeras as razões que levam os autores a
transformar a saudade em narrativa. Há motivações
políticas, como as dos exilados e refugiados. Existem os
gatilhos emocionais, como a migração em busca de
novas terras, ou mesmo o luto em suas inúmeras
facetas. Em todos esses casos, a escrita se oferece
como território aconchegante para reconstruir o que foi
perdido.
No início da década de 1990, morei por um ano nos
EUA. Estava no final do ensino médio e fui fazer um
intercâmbio cultural. Em uma cidade do interior de
Michigan, estudantes estrangeiros eram facilmente
reconhecidos pela comunidade local. Éramos cinco
intercambistas, digamos, "oficiais" — aqueles que
estavam de passagem por um período determinado,
geralmente de um ano. Mas havia também algumas
dezenas de outros estrangeiros, residentes
permanentes.
Eram todos filhos de imigrantes: alguns de primeira,
outros de segunda geração nascida na América. Dentre
eles, havia um menino que se destacava por ser um
exilado de guerra. Embora tivesse entrado nos EUA
como intercambista, assim como eu, havia chegado dois
anos antes e permanecido indefinidamente. Foi acolhido
pela família americana quando a guerra na Bósnia teve
início, em 1992, sem jamais conseguir retornar ao seu
país.
Ele não fazia ideia de como sua família estava. Não tinha
notícias dos pais, dos irmãos, nem de qualquer outro
parente. As informações simplesmente não chegavam.
Canalizou toda a saudade — e também o medo — na
escrita. Suas redações logo ficaram conhecidas na
escola. Não me lembro do nome dele, infelizmente, o
que é uma pena — é bem possível que tenha se tornado
autor.
Escrever sobre o que ficou para trás é uma forma de
habitar novamente o que já não está ao alcance. Ainda
que em escala muito diferente da vivida pelo colega
bósnio, posso dizer que algo semelhante aconteceu
comigo, ao viver por quase treze anos fora do Brasil.
A distância física e emocional foi o estopim para que eu começasse a escrever — primeiro de forma
despretensiosa; depois, o meu primeiro romance. A
escrita tornou-se uma ferramenta de reconexão com
minhas origens. Ao criar personagens e, principalmente,
cenários, eu buscava reconstruir minhas próprias
vivências, tentando suprir a saudade que sentia da
minha terra.
Muitas vezes a saudade pode vir com uma enorme carga
de desconforto, mas é preciso reconhecer a potência
desse sentimento. É divino poder usar a saudade para
revisitar o passado, questionar o presente e escrever o
futuro. É um recurso para preencher lacunas e curar-se
da ausência. Por essa razão, tantas obras nascem desse
vazio. É nesse espaço que o escritor encontra liberdade
criativa.
No gênero policial, muitos protagonistas são
apresentados como pessoas disfuncionais — marcados
pela saudade de uma família perdida, de um amor
desfeito ou de um luto mal resolvido. Quebrar essa casca
e revelar a vulnerabilidade do personagem é o que
provoca conexão com o mundo real. A saudade é esse
fragmento entre o que se viveu e o que continua a pulsar
dentro de nós.
(Disponível em:
https://www.publishnews.com.br/materias/2025/08/27/a-saudade-comomotor-criativo-da-literatura. Acesso em: 18 out. 2025. Adaptado.)
"Eram todos filhos de imigrantes: alguns de primeira, outros de segunda geração nascida na América. Dentre eles, havia um menino que se destacava por ser um exilado de guerra. Embora tivesse entrado nos EUA como intercambista, assim como eu, havia chegado dois anos antes e permanecido indefinidamente. Foi acolhido pela família americana quando a guerra na Bósnia teve início, em 1992, sem jamais conseguir retornar ao seu país."
I.O pronome indefinido "todos" tem como referente "algumas dezenas de outros estrangeiros, residentes permanentes" e estabelece uma relação coesiva referencial.
II."Dentre eles" está ambíguo, pois pode se referir tanto a "alguns de primeira" quanto a "outros de segunda geração nascida na América".
III."Embora" é uma conjunção concessiva e tem papel importante no excerto para estabelecer uma relação clara e coesa entre as ideias, dando sequência à reflexão da autora.
É correto o que se afirma em:
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O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
A saudade como motor criativo da literatura
Luciana de Gnone
A saudade é mais do que um sentimento de falta, ela é
também um dos grandes impulsionadores da literatura.
Para os leitores, os livros muitas vezes saciam a
nostalgia de vivências passadas. Para os escritores, a
saudade é uma grande aliada da criação: molda
lembranças, revive experiências e são fios condutores de
grandes narrativas. Na literatura, a saudade é
matéria-prima. Ela é capaz de transformar a ausência em
presença e memória em palavras.
São inúmeras as razões que levam os autores a
transformar a saudade em narrativa. Há motivações
políticas, como as dos exilados e refugiados. Existem os
gatilhos emocionais, como a migração em busca de
novas terras, ou mesmo o luto em suas inúmeras
facetas. Em todos esses casos, a escrita se oferece
como território aconchegante para reconstruir o que foi
perdido.
No início da década de 1990, morei por um ano nos
EUA. Estava no final do ensino médio e fui fazer um
intercâmbio cultural. Em uma cidade do interior de
Michigan, estudantes estrangeiros eram facilmente
reconhecidos pela comunidade local. Éramos cinco
intercambistas, digamos, "oficiais" — aqueles que
estavam de passagem por um período determinado,
geralmente de um ano. Mas havia também algumas
dezenas de outros estrangeiros, residentes
permanentes.
Eram todos filhos de imigrantes: alguns de primeira,
outros de segunda geração nascida na América. Dentre
eles, havia um menino que se destacava por ser um
exilado de guerra. Embora tivesse entrado nos EUA
como intercambista, assim como eu, havia chegado dois
anos antes e permanecido indefinidamente. Foi acolhido
pela família americana quando a guerra na Bósnia teve
início, em 1992, sem jamais conseguir retornar ao seu
país.
Ele não fazia ideia de como sua família estava. Não tinha
notícias dos pais, dos irmãos, nem de qualquer outro
parente. As informações simplesmente não chegavam.
Canalizou toda a saudade — e também o medo — na
escrita. Suas redações logo ficaram conhecidas na
escola. Não me lembro do nome dele, infelizmente, o
que é uma pena — é bem possível que tenha se tornado
autor.
Escrever sobre o que ficou para trás é uma forma de
habitar novamente o que já não está ao alcance. Ainda
que em escala muito diferente da vivida pelo colega
bósnio, posso dizer que algo semelhante aconteceu
comigo, ao viver por quase treze anos fora do Brasil.
A distância física e emocional foi o estopim para que eu começasse a escrever — primeiro de forma
despretensiosa; depois, o meu primeiro romance. A
escrita tornou-se uma ferramenta de reconexão com
minhas origens. Ao criar personagens e, principalmente,
cenários, eu buscava reconstruir minhas próprias
vivências, tentando suprir a saudade que sentia da
minha terra.
Muitas vezes a saudade pode vir com uma enorme carga
de desconforto, mas é preciso reconhecer a potência
desse sentimento. É divino poder usar a saudade para
revisitar o passado, questionar o presente e escrever o
futuro. É um recurso para preencher lacunas e curar-se
da ausência. Por essa razão, tantas obras nascem desse
vazio. É nesse espaço que o escritor encontra liberdade
criativa.
No gênero policial, muitos protagonistas são
apresentados como pessoas disfuncionais — marcados
pela saudade de uma família perdida, de um amor
desfeito ou de um luto mal resolvido. Quebrar essa casca
e revelar a vulnerabilidade do personagem é o que
provoca conexão com o mundo real. A saudade é esse
fragmento entre o que se viveu e o que continua a pulsar
dentro de nós.
(Disponível em:
https://www.publishnews.com.br/materias/2025/08/27/a-saudade-comomotor-criativo-da-literatura. Acesso em: 18 out. 2025. Adaptado.)
"Ele não fazia ideia de como sua família estava. Não tinha notícias dos pais, dos irmãos, nem de qualquer outro parente".
A conjunção "nem" tem valor negativo, conectando palavras e orações negativas. Considerando o uso da conjunção "nem" no excerto, assinale a alternativa que indica corretamente a relação que ela estabelece nesse contexto:
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