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Brasileiro diz que juventude acaba aos 37 e velhice começa aos 64
A velhice de hoje não é mais o que era antigamente. Demógrafos deixaram de contar só os anos desde o nascimento, antropólogos veem uma reinvenção da velhice, valores que valiam antes hoje não têm mais valor, e pergunte aos brasileiros com que idade ficamos velhos: as respostas vão de 14 a 130 anos.
Na média, segundo a população, a velhice começa aos 64. Com tamanha amplitude de números, convém também olhar o que aparece no meio (mediana), que é 60. A cada 10 pessoas, porém, 1 delas não sabe dizer quando é que envelhecemos. (...)
O próprio significado da faixa etária precisa ser ajustado a cada época, defende uma corrente de demógrafos voltada à formulação de políticas públicas.
Nos cálculos de Sergei Scherbov, diretor de demografia do IIASA (International Institute for Applied Systems Analysis) e um dos principais especialistas mundiais em medida de populações, os 60 podem ser os novos 50. Em vez de contar o número de anos já vividos, Scherbov olha para quantos anos de vida ainda falta viver.
Para um australiano de 62 nos anos 2000, seriam mais 19 anos e meio. Em 1950, para ter a mesma sobrevida, teria que ser oito anos mais novo. "Tratar do envelhecimento com base apenas na idade cronológica é incompleto e inadequado", diz Scherbov.
O que os demógrafos estão fazendo é dar novo significado ao fato de que, na maioria dos países, há cada vez mais gente vivendo cada vez mais. No Brasil do ano 2000, por exemplo, havia 9,7 milhões de brasileiros com 65 anos ou mais, e eles eram menos de 6% da população. O número dobrou para 17,6 milhões em 2017, e a fatia superou 8%.
Em 2030, 30 milhões de brasileiros (ou 13% do total) estarão acima dos 65 anos, na estimativa do IBGE. Sinal de que o país está cada vez mais velho? Para quem conta anos já vividos, sim. Mas, para quem olha a vida que resta, a juventude e a maturidade se alongam, e haverá mais gente ainda ativa.
(Adaptado de: http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano. Acesso em: 27 de novembro de 2017.)
Os conectivos funcionam como termos que ligam palavras, orações, partes do texto, estabelecendo diversos sentidos. Assinale a alternativa em que o valor semântico NÃO corresponde ao que o conectivo representa:
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Brasileiro diz que juventude acaba aos 37 e velhice começa aos 64
A velhice de hoje não é mais o que era antigamente. Demógrafos deixaram de contar só os anos desde o nascimento, antropólogos veem uma reinvenção da velhice, valores que valiam antes hoje não têm mais valor, e pergunte aos brasileiros com que idade ficamos velhos: as respostas vão de 14 a 130 anos.
Na média, segundo a população, a velhice começa aos 64. Com tamanha amplitude de números, convém também olhar o que aparece no meio (mediana), que é 60. A cada 10 pessoas, porém, 1 delas não sabe dizer quando é que envelhecemos. (...)
O próprio significado da faixa etária precisa ser ajustado a cada época, defende uma corrente de demógrafos voltada à formulação de políticas públicas.
Nos cálculos de Sergei Scherbov, diretor de demografia do IIASA (International Institute for Applied Systems Analysis) e um dos principais especialistas mundiais em medida de populações, os 60 podem ser os novos 50. Em vez de contar o número de anos já vividos, Scherbov olha para quantos anos de vida ainda falta viver.
Para um australiano de 62 nos anos 2000, seriam mais 19 anos e meio. Em 1950, para ter a mesma sobrevida, teria que ser oito anos mais novo. "Tratar do envelhecimento com base apenas na idade cronológica é incompleto e inadequado", diz Scherbov.
O que os demógrafos estão fazendo é dar novo significado ao fato de que, na maioria dos países, há cada vez mais gente vivendo cada vez mais. No Brasil do ano 2000, por exemplo, havia 9,7 milhões de brasileiros com 65 anos ou mais, e eles eram menos de 6% da população. O número dobrou para 17,6 milhões em 2017, e a fatia superou 8%.
Em 2030, 30 milhões de brasileiros (ou 13% do total) estarão acima dos 65 anos, na estimativa do IBGE. Sinal de que o país está cada vez mais velho? Para quem conta anos já vividos, sim. Mas, para quem olha a vida que resta, a juventude e a maturidade se alongam, e haverá mais gente ainda ativa.
(Adaptado de: http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano. Acesso em: 27 de novembro de 2017.)
Assinale a alternativa que apresenta, respectivamente, os nomes dos processos de formação presentes nos termos: demógrafos, sobrevida, reinventar, envelhecer.
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Brasileiro diz que juventude acaba aos 37 e velhice começa aos 64
A velhice de hoje não é mais o que era antigamente. Demógrafos deixaram de contar só os anos desde o nascimento, antropólogos veem uma reinvenção da velhice, valores que valiam antes hoje não têm mais valor, e pergunte aos brasileiros com que idade ficamos velhos: as respostas vão de 14 a 130 anos.
Na média, segundo a população, a velhice começa aos 64. Com tamanha amplitude de números, convém também olhar o que aparece no meio (mediana), que é 60. A cada 10 pessoas, porém, 1 delas não sabe dizer quando é que envelhecemos. (...)
O próprio significado da faixa etária precisa ser ajustado a cada época, defende uma corrente de demógrafos voltada à formulação de políticas públicas.
Nos cálculos de Sergei Scherbov, diretor de demografia do IIASA (International Institute for Applied Systems Analysis) e um dos principais especialistas mundiais em medida de populações, os 60 podem ser os novos 50. Em vez de contar o número de anos já vividos, Scherbov olha para quantos anos de vida ainda falta viver.
Para um australiano de 62 nos anos 2000, seriam mais 19 anos e meio. Em 1950, para ter a mesma sobrevida, teria que ser oito anos mais novo. "Tratar do envelhecimento com base apenas na idade cronológica é incompleto e inadequado", diz Scherbov.
O que os demógrafos estão fazendo é dar novo significado ao fato de que, na maioria dos países, há cada vez mais gente vivendo cada vez mais. No Brasil do ano 2000, por exemplo, havia 9,7 milhões de brasileiros com 65 anos ou mais, e eles eram menos de 6% da população. O número dobrou para 17,6 milhões em 2017, e a fatia superou 8%.
Em 2030, 30 milhões de brasileiros (ou 13% do total) estarão acima dos 65 anos, na estimativa do IBGE. Sinal de que o país está cada vez mais velho? Para quem conta anos já vividos, sim. Mas, para quem olha a vida que resta, a juventude e a maturidade se alongam, e haverá mais gente ainda ativa.
(Adaptado de: http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano. Acesso em: 27 de novembro de 2017.)
De acordo com o texto, analise as afirmativas.
I - As definições de idoso e faixa etária estão sendo reconfiguradas, visto que a população tem vivido mais, a cada época.
II - De acordo com os dados numéricos, os brasileiros estão ficando cada vez mais jovens, por isso é considerado idoso aquele que passa dos 60 anos.
III - A mudança de paradigma de se contar os anos vividos para se contar os anos que ainda restam alonga a maturidade e cria um novo mercado ativo.
IV - A velhice de hoje não é mais o que era antigamente, porque atualmente os australianos tornam-se idosos a partir dos 62 anos.
Estão corretas as afirmativas
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SANGUE DE BARATA
Passei por um casal discutindo num ponto de ônibus. A moça estava uma arara, mas aludiu a outro bicho: “Não tenho sangue de barata!” gritava ela pra justificar seu destempero. Passei reto, mas encasquetei: barata teria sangue mesmo? Pelo que pesquisei, tem uma gosma chamada hemolinfa que não apresenta pigmentos como a hemoglobina, e por isso é transparente e não conduz sensibilidade até o coração, como acontece com os seres humanos. Daí o surgimento da expressão popular “ter sangue de barata”, que significa que a pessoa não reage quando é atingida, fica apática. Não ter sangue de barata é uma virtude. Seres humanos são reagentes por natureza, lutam pelos seus desejos, brigam por suas ideias, inflamam-se. Porém, fiz um rápido flashback dos momentos em que eu deveria ter feito a casa cair, soltado os cachorros e demais reações de quem tem sangue de verdade correndo nas veias, e concluí que tenho uma infeliz familiaridade com o tal inseto.
Minha sensibilidade alcança o coração, lógico, mas não provoca grandes curtos-circuitos. [...]. Nasci pouco antes de completar os nove meses de gestação e deve ter sido essa pressa em existir que me fez chegar aqui incompleta. Não deu tempo de incluir a raiva no meu DNA. Amo, sofro, choro, me frustro, me encanto, me assusto, me emociono e cometo seis dos sete pecados capitais, menos a ira, que faltou no meu código genético.
Tenho, pois, sangue de barata.
Por um lado, é útil. [...]. Não chego a ser o sonho do Procon: reivindico meus direitos legais, mas quando o caso é de discordância ou falta de sintonia, simplesmente sumo, desapareço. Prefiro tratar da minha vida a vencer uma discussão. Pode não ser nobre, mas só eu sei o que essa inclinação para a paz me devolve em benefícios, e não são poucos. Quase tudo que conquistei na vida (desconte o exagero) foi por ter sangue de barata. O silêncio em meio a discussões estéreis, a confiança de que as pessoas cansarão se eu não der corda para suas maluquices, a compaixão por quem não tem condição de expandir-se, a calma diante de provocações, a tolerância com alguns desaforos e a paciência para aguardar a hora exata de cair fora. Falando nisso, o que o Brasil mais tem feito é testar o meu sangue de barata. Não creio que mudarei de tática, mas a continuar o avanço do nosso atraso, a barata pode voar.
(Martha Medeiros. Adaptado de: https://gauchazh.clicrbs.com.br. Acesso em: 30 de outubro de 2017.)
O pronome relativo também exerce a função de elemento coesivo, pois retoma o sentido de algo já dito no texto. Assinale o trecho que NÃO apresenta pronome relativo.
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SANGUE DE BARATA
Passei por um casal discutindo num ponto de ônibus. A moça estava uma arara, mas aludiu a outro bicho: “Não tenho sangue de barata!” gritava ela pra justificar seu destempero. Passei reto, mas encasquetei: barata teria sangue mesmo? Pelo que pesquisei, tem uma gosma chamada hemolinfa que não apresenta pigmentos como a hemoglobina, e por isso é transparente e não conduz sensibilidade até o coração, como acontece com os seres humanos. Daí o surgimento da expressão popular “ter sangue de barata”, que significa que a pessoa não reage quando é atingida, fica apática. Não ter sangue de barata é uma virtude. Seres humanos são reagentes por natureza, lutam pelos seus desejos, brigam por suas ideias, inflamam-se. Porém, fiz um rápido flashback dos momentos em que eu deveria ter feito a casa cair, soltado os cachorros e demais reações de quem tem sangue de verdade correndo nas veias, e concluí que tenho uma infeliz familiaridade com o tal inseto.
Minha sensibilidade alcança o coração, lógico, mas não provoca grandes curtos-circuitos. [...]. Nasci pouco antes de completar os nove meses de gestação e deve ter sido essa pressa em existir que me fez chegar aqui incompleta. Não deu tempo de incluir a raiva no meu DNA. Amo, sofro, choro, me frustro, me encanto, me assusto, me emociono e cometo seis dos sete pecados capitais, menos a ira, que faltou no meu código genético.
Tenho, pois, sangue de barata.
Por um lado, é útil. [...]. Não chego a ser o sonho do Procon: reivindico meus direitos legais, mas quando o caso é de discordância ou falta de sintonia, simplesmente sumo, desapareço. Prefiro tratar da minha vida a vencer uma discussão. Pode não ser nobre, mas só eu sei o que essa inclinação para a paz me devolve em benefícios, e não são poucos. Quase tudo que conquistei na vida (desconte o exagero) foi por ter sangue de barata. O silêncio em meio a discussões estéreis, a confiança de que as pessoas cansarão se eu não der corda para suas maluquices, a compaixão por quem não tem condição de expandir-se, a calma diante de provocações, a tolerância com alguns desaforos e a paciência para aguardar a hora exata de cair fora. Falando nisso, o que o Brasil mais tem feito é testar o meu sangue de barata. Não creio que mudarei de tática, mas a continuar o avanço do nosso atraso, a barata pode voar.
(Martha Medeiros. Adaptado de: https://gauchazh.clicrbs.com.br. Acesso em: 30 de outubro de 2017.)
Assinale a alternativa em que os dois termos destacados NÃO apresentam o mesmo tempo verbal.
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SANGUE DE BARATA
Passei por um casal discutindo num ponto de ônibus. A moça estava uma arara, mas aludiu a outro bicho: “Não tenho sangue de barata!” gritava ela pra justificar seu destempero. Passei reto, mas encasquetei: barata teria sangue mesmo? Pelo que pesquisei, tem uma gosma chamada hemolinfa que não apresenta pigmentos como a hemoglobina, e por isso é transparente e não conduz sensibilidade até o coração, como acontece com os seres humanos. Daí o surgimento da expressão popular “ter sangue de barata”, que significa que a pessoa não reage quando é atingida, fica apática. Não ter sangue de barata é uma virtude. Seres humanos são reagentes por natureza, lutam pelos seus desejos, brigam por suas ideias, inflamam-se. Porém, fiz um rápido flashback dos momentos em que eu deveria ter feito a casa cair, soltado os cachorros e demais reações de quem tem sangue de verdade correndo nas veias, e concluí que tenho uma infeliz familiaridade com o tal inseto.
Minha sensibilidade alcança o coração, lógico, mas não provoca grandes curtos-circuitos. [...]. Nasci pouco antes de completar os nove meses de gestação e deve ter sido essa pressa em existir que me fez chegar aqui incompleta. Não deu tempo de incluir a raiva no meu DNA. Amo, sofro, choro, me frustro, me encanto, me assusto, me emociono e cometo seis dos sete pecados capitais, menos a ira, que faltou no meu código genético.
Tenho, pois, sangue de barata.
Por um lado, é útil. [...]. Não chego a ser o sonho do Procon: reivindico meus direitos legais, mas quando o caso é de discordância ou falta de sintonia, simplesmente sumo, desapareço. Prefiro tratar da minha vida a vencer uma discussão. Pode não ser nobre, mas só eu sei o que essa inclinação para a paz me devolve em benefícios, e não são poucos. Quase tudo que conquistei na vida (desconte o exagero) foi por ter sangue de barata. O silêncio em meio a discussões estéreis, a confiança de que as pessoas cansarão se eu não der corda para suas maluquices, a compaixão por quem não tem condição de expandir-se, a calma diante de provocações, a tolerância com alguns desaforos e a paciência para aguardar a hora exata de cair fora. Falando nisso, o que o Brasil mais tem feito é testar o meu sangue de barata. Não creio que mudarei de tática, mas a continuar o avanço do nosso atraso, a barata pode voar.
(Martha Medeiros. Adaptado de: https://gauchazh.clicrbs.com.br. Acesso em: 30 de outubro de 2017.)
Apresenta a mesma regra de flexão de número que curtos-circuitos o substantivo
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SANGUE DE BARATA
Passei por um casal discutindo num ponto de ônibus. A moça estava uma arara, mas aludiu a outro bicho: “Não tenho sangue de barata!” gritava ela pra justificar seu destempero. Passei reto, mas encasquetei: barata teria sangue mesmo? Pelo que pesquisei, tem uma gosma chamada hemolinfa que não apresenta pigmentos como a hemoglobina, e por isso é transparente e não conduz sensibilidade até o coração, como acontece com os seres humanos. Daí o surgimento da expressão popular “ter sangue de barata”, que significa que a pessoa não reage quando é atingida, fica apática. Não ter sangue de barata é uma virtude. Seres humanos são reagentes por natureza, lutam pelos seus desejos, brigam por suas ideias, inflamam-se. Porém, fiz um rápido flashback dos momentos em que eu deveria ter feito a casa cair, soltado os cachorros e demais reações de quem tem sangue de verdade correndo nas veias, e concluí que tenho uma infeliz familiaridade com o tal inseto.
Minha sensibilidade alcança o coração, lógico, mas não provoca grandes curtos-circuitos. [...]. Nasci pouco antes de completar os nove meses de gestação e deve ter sido essa pressa em existir que me fez chegar aqui incompleta. Não deu tempo de incluir a raiva no meu DNA. Amo, sofro, choro, me frustro, me encanto, me assusto, me emociono e cometo seis dos sete pecados capitais, menos a ira, que faltou no meu código genético.
Tenho, pois, sangue de barata.
Por um lado, é útil. [...]. Não chego a ser o sonho do Procon: reivindico meus direitos legais, mas quando o caso é de discordância ou falta de sintonia, simplesmente sumo, desapareço. Prefiro tratar da minha vida a vencer uma discussão. Pode não ser nobre, mas só eu sei o que essa inclinação para a paz me devolve em benefícios, e não são poucos. Quase tudo que conquistei na vida (desconte o exagero) foi por ter sangue de barata. O silêncio em meio a discussões estéreis, a confiança de que as pessoas cansarão se eu não der corda para suas maluquices, a compaixão por quem não tem condição de expandir-se, a calma diante de provocações, a tolerância com alguns desaforos e a paciência para aguardar a hora exata de cair fora. Falando nisso, o que o Brasil mais tem feito é testar o meu sangue de barata. Não creio que mudarei de tática, mas a continuar o avanço do nosso atraso, a barata pode voar.
(Martha Medeiros. Adaptado de: https://gauchazh.clicrbs.com.br. Acesso em: 30 de outubro de 2017.)
A autora afirma que tem sangue de barata e aponta como causa para esse fator
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SANGUE DE BARATA
Passei por um casal discutindo num ponto de ônibus. A moça estava uma arara, mas aludiu a outro bicho: “Não tenho sangue de barata!” gritava ela pra justificar seu destempero. Passei reto, mas encasquetei: barata teria sangue mesmo? Pelo que pesquisei, tem uma gosma chamada hemolinfa que não apresenta pigmentos como a hemoglobina, e por isso é transparente e não conduz sensibilidade até o coração, como acontece com os seres humanos. Daí o surgimento da expressão popular “ter sangue de barata”, que significa que a pessoa não reage quando é atingida, fica apática. Não ter sangue de barata é uma virtude. Seres humanos são reagentes por natureza, lutam pelos seus desejos, brigam por suas ideias, inflamam-se. Porém, fiz um rápido flashback dos momentos em que eu deveria ter feito a casa cair, soltado os cachorros e demais reações de quem tem sangue de verdade correndo nas veias, e concluí que tenho uma infeliz familiaridade com o tal inseto.
Minha sensibilidade alcança o coração, lógico, mas não provoca grandes curtos-circuitos. [...]. Nasci pouco antes de completar os nove meses de gestação e deve ter sido essa pressa em existir que me fez chegar aqui incompleta. Não deu tempo de incluir a raiva no meu DNA. Amo, sofro, choro, me frustro, me encanto, me assusto, me emociono e cometo seis dos sete pecados capitais, menos a ira, que faltou no meu código genético.
Tenho, pois, sangue de barata.
Por um lado, é útil. [...]. Não chego a ser o sonho do Procon: reivindico meus direitos legais, mas quando o caso é de discordância ou falta de sintonia, simplesmente sumo, desapareço. Prefiro tratar da minha vida a vencer uma discussão. Pode não ser nobre, mas só eu sei o que essa inclinação para a paz me devolve em benefícios, e não são poucos. Quase tudo que conquistei na vida (desconte o exagero) foi por ter sangue de barata. O silêncio em meio a discussões estéreis, a confiança de que as pessoas cansarão se eu não der corda para suas maluquices, a compaixão por quem não tem condição de expandir-se, a calma diante de provocações, a tolerância com alguns desaforos e a paciência para aguardar a hora exata de cair fora. Falando nisso, o que o Brasil mais tem feito é testar o meu sangue de barata. Não creio que mudarei de tática, mas a continuar o avanço do nosso atraso, a barata pode voar.
(Martha Medeiros. Adaptado de: https://gauchazh.clicrbs.com.br. Acesso em: 30 de outubro de 2017.)
A expressão popular ter sangue de barata, no texto, está associada à
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SANGUE DE BARATA
Passei por um casal discutindo num ponto de ônibus. A moça estava uma arara, mas aludiu a outro bicho: “Não tenho sangue de barata!” gritava ela pra justificar seu destempero. Passei reto, mas encasquetei: barata teria sangue mesmo? Pelo que pesquisei, tem uma gosma chamada hemolinfa que não apresenta pigmentos como a hemoglobina, e por isso é transparente e não conduz sensibilidade até o coração, como acontece com os seres humanos. Daí o surgimento da expressão popular “ter sangue de barata”, que significa que a pessoa não reage quando é atingida, fica apática. Não ter sangue de barata é uma virtude. Seres humanos são reagentes por natureza, lutam pelos seus desejos, brigam por suas ideias, inflamam-se. Porém, fiz um rápido flashback dos momentos em que eu deveria ter feito a casa cair, soltado os cachorros e demais reações de quem tem sangue de verdade correndo nas veias, e concluí que tenho uma infeliz familiaridade com o tal inseto.
Minha sensibilidade alcança o coração, lógico, mas não provoca grandes curtos-circuitos. [...]. Nasci pouco antes de completar os nove meses de gestação e deve ter sido essa pressa em existir que me fez chegar aqui incompleta. Não deu tempo de incluir a raiva no meu DNA. Amo, sofro, choro, me frustro, me encanto, me assusto, me emociono e cometo seis dos sete pecados capitais, menos a ira, que faltou no meu código genético.
Tenho, pois, sangue de barata.
Por um lado, é útil. [...]. Não chego a ser o sonho do Procon: reivindico meus direitos legais, mas quando o caso é de discordância ou falta de sintonia, simplesmente sumo, desapareço. Prefiro tratar da minha vida a vencer uma discussão. Pode não ser nobre, mas só eu sei o que essa inclinação para a paz me devolve em benefícios, e não são poucos. Quase tudo que conquistei na vida (desconte o exagero) foi por ter sangue de barata. O silêncio em meio a discussões estéreis, a confiança de que as pessoas cansarão se eu não der corda para suas maluquices, a compaixão por quem não tem condição de expandir-se, a calma diante de provocações, a tolerância com alguns desaforos e a paciência para aguardar a hora exata de cair fora. Falando nisso, o que o Brasil mais tem feito é testar o meu sangue de barata. Não creio que mudarei de tática, mas a continuar o avanço do nosso atraso, a barata pode voar.
(Martha Medeiros. Adaptado de: https://gauchazh.clicrbs.com.br. Acesso em: 30 de outubro de 2017.)
O texto “Sangue de barata” trata de assunto comum do cotidiano sobre o qual a autora, de forma leve e bem-humorada, tece reflexões, sendo um exemplo do gênero
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SANGUE DE BARATA
Passei por um casal discutindo num ponto de ônibus. A moça estava uma arara, mas aludiu a outro bicho: “Não tenho sangue de barata!” gritava ela pra justificar seu destempero. Passei reto, mas encasquetei: barata teria sangue mesmo? Pelo que pesquisei, tem uma gosma chamada hemolinfa que não apresenta pigmentos como a hemoglobina, e por isso é transparente e não conduz sensibilidade até o coração, como acontece com os seres humanos. Daí o surgimento da expressão popular “ter sangue de barata”, que significa que a pessoa não reage quando é atingida, fica apática. Não ter sangue de barata é uma virtude. Seres humanos são reagentes por natureza, lutam pelos seus desejos, brigam por suas ideias, inflamam-se. Porém, fiz um rápido flashback dos momentos em que eu deveria ter feito a casa cair, soltado os cachorros e demais reações de quem tem sangue de verdade correndo nas veias, e concluí que tenho uma infeliz familiaridade com o tal inseto.
Minha sensibilidade alcança o coração, lógico, mas não provoca grandes curtos-circuitos. [...]. Nasci pouco antes de completar os nove meses de gestação e deve ter sido essa pressa em existir que me fez chegar aqui incompleta. Não deu tempo de incluir a raiva no meu DNA. Amo, sofro, choro, me frustro, me encanto, me assusto, me emociono e cometo seis dos sete pecados capitais, menos a ira, que faltou no meu código genético.
Tenho, pois, sangue de barata.
Por um lado, é útil. [...]. Não chego a ser o sonho do Procon: reivindico meus direitos legais, mas quando o caso é de discordância ou falta de sintonia, simplesmente sumo, desapareço. Prefiro tratar da minha vida a vencer uma discussão. Pode não ser nobre, mas só eu sei o que essa inclinação para a paz me devolve em benefícios, e não são poucos. Quase tudo que conquistei na vida (desconte o exagero) foi por ter sangue de barata. O silêncio em meio a discussões estéreis, a confiança de que as pessoas cansarão se eu não der corda para suas maluquices, a compaixão por quem não tem condição de expandir-se, a calma diante de provocações, a tolerância com alguns desaforos e a paciência para aguardar a hora exata de cair fora. Falando nisso, o que o Brasil mais tem feito é testar o meu sangue de barata. Não creio que mudarei de tática, mas a continuar o avanço do nosso atraso, a barata pode voar.
(Martha Medeiros. Adaptado de: https://gauchazh.clicrbs.com.br. Acesso em: 30 de outubro de 2017.)
Em relação ao texto, analise as afirmativas.
I - Há um narrador em 1.ª pessoa do singular.
II - Os eventos temporais retratados no texto referem-se ao passado e presente do narrador.
III - O evento inicial, casal discutindo na rua, serve como um gatilho para a reflexão proposta pelo narrador.
IV - O narrador reconhece os fatos da história e pode ser classificado como narrador-observador.
Estão corretas as afirmativas
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