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Texto I
Há um meio certo de começar a crônica por uma trivialidade. É dizer: Que calor! Que desenfreado calor! Diz-se isto, agitando as pontas do lenço, bufando como um touro, ou simplesmente sacudindo a sobrecasaca. Resvala-se do calor aos fenômenos atmosféricos, fazem-se algumas conjeturas acerca do sol e da lua, outras sobre a febre amarela, manda-se um suspiro a Petrópolis, e La glace est rompue; está começada a crônica.
Mas, leitor amigo, esse meio é mais velho ainda do que as crônicas, que apenas datam de Esdras. Antes de Esdras, antes de Moisés, antes de Abraão, Isaque e Jacó, antes mesmo de Noé, houve calor e crônicas. No paraíso é provável, é certo que o calor era mediano, e não é prova do contrário o fato de Adão andar nu. Adão andava nu por duas razões, uma capital e outra provincial. A primeira é que não havia alfaiates, não havia sequer casimiras; a segunda é que, ainda havendo-os, Adão andava baldo ao naipe. Digo que esta razão é provincial, porque as nossas províncias estão nas circunstâncias do primeiro homem.
(ASSIS, Machado. Obras Completas. Rio de Janeiro: W.C. Jackson, 1995.)
Texto II
A crônica não é um “gênero maior”. Não se imagina uma literatura feita de grandes cronistas, que lhe dessem o brilho universal dos grandes romancistas, dramaturgos e poetas. Nem se pensaria em atribuir o Prêmio Nobel a um cronista, por melhor que fosse. Portanto, parece mesmo que a crônica é um gênero menor.
“Graças a Deus”, – seria o caso de dizer, porque sendo assim ela fica perto de nós. E para muitos pode servir de caminho não apenas para a vida, que ela serve de perto, mas para a literatura... Por meio dos assuntos da composição aparentemente solta, do ar de coisa sem necessidade que costuma assumir, ela se ajusta à sensibilidade de todo dia. Principalmente porque elabora uma linguagem que fala de perto ao nosso modo de ser mais natural. Na sua despretensão, humaniza; e esta humanização lhe permite, como compensação sorrateira, recuperar com a outra mão uma certa profundidade de significado e um certo acabamento de forma, que de repente podem fazer dela uma inesperada embora discreta candidata à perfeição.
(CANDIDO, Antonio. Para gostar de ler: crônicas. São Paulo: Ática, 1980.)
Do ponto de vista da tipologia textual, os dois textos podem ser classificados, respectivamente, como:
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Texto I
Há um meio certo de começar a crônica por uma trivialidade. É dizer: Que calor! Que desenfreado calor! Diz-se isto, agitando as pontas do lenço, bufando como um touro, ou simplesmente sacudindo a sobrecasaca. Resvala-se do calor aos fenômenos atmosféricos, fazem-se algumas conjeturas acerca do sol e da lua, outras sobre a febre amarela, manda-se um suspiro a Petrópolis, e La glace est rompue; está começada a crônica.
Mas, leitor amigo, esse meio é mais velho ainda do que as crônicas, que apenas datam de Esdras. Antes de Esdras, antes de Moisés, antes de Abraão, Isaque e Jacó, antes mesmo de Noé, houve calor e crônicas. No paraíso é provável, é certo que o calor era mediano, e não é prova do contrário o fato de Adão andar nu. Adão andava nu por duas razões, uma capital e outra provincial. A primeira é que não havia alfaiates, não havia sequer casimiras; a segunda é que, ainda havendo-os, Adão andava baldo ao naipe. Digo que esta razão é provincial, porque as nossas províncias estão nas circunstâncias do primeiro homem.
(ASSIS, Machado. Obras Completas. Rio de Janeiro: W.C. Jackson, 1995.)
Texto II
A crônica não é um “gênero maior”. Não se imagina uma literatura feita de grandes cronistas, que lhe dessem o brilho universal dos grandes romancistas, dramaturgos e poetas. Nem se pensaria em atribuir o Prêmio Nobel a um cronista, por melhor que fosse. Portanto, parece mesmo que a crônica é um gênero menor.
“Graças a Deus”, – seria o caso de dizer, porque sendo assim ela fica perto de nós. E para muitos pode servir de caminho não apenas para a vida, que ela serve de perto, mas para a literatura... Por meio dos assuntos da composição aparentemente solta, do ar de coisa sem necessidade que costuma assumir, ela se ajusta à sensibilidade de todo dia. Principalmente porque elabora uma linguagem que fala de perto ao nosso modo de ser mais natural. Na sua despretensão, humaniza; e esta humanização lhe permite, como compensação sorrateira, recuperar com a outra mão uma certa profundidade de significado e um certo acabamento de forma, que de repente podem fazer dela uma inesperada embora discreta candidata à perfeição.
(CANDIDO, Antonio. Para gostar de ler: crônicas. São Paulo: Ática, 1980.)
A expressão “baldo ao naipe” é um exemplo de que tipo de variação linguística?
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Texto I
Há um meio certo de começar a crônica por uma trivialidade. É dizer: Que calor! Que desenfreado calor! Diz-se isto, agitando as pontas do lenço, bufando como um touro, ou simplesmente sacudindo a sobrecasaca. Resvala-se do calor aos fenômenos atmosféricos, fazem-se algumas conjeturas acerca do sol e da lua, outras sobre a febre amarela, manda-se um suspiro a Petrópolis, e La glace est rompue; está começada a crônica.
Mas, leitor amigo, esse meio é mais velho ainda do que as crônicas, que apenas datam de Esdras. Antes de Esdras, antes de Moisés, antes de Abraão, Isaque e Jacó, antes mesmo de Noé, houve calor e crônicas. No paraíso é provável, é certo que o calor era mediano, e não é prova do contrário o fato de Adão andar nu. Adão andava nu por duas razões, uma capital e outra provincial. A primeira é que não havia alfaiates, não havia sequer casimiras; a segunda é que, ainda havendo-os, Adão andava baldo ao naipe. Digo que esta razão é provincial, porque as nossas províncias estão nas circunstâncias do primeiro homem.
(ASSIS, Machado. Obras Completas. Rio de Janeiro: W.C. Jackson, 1995.)
Texto II
A crônica não é um “gênero maior”. Não se imagina uma literatura feita de grandes cronistas, que lhe dessem o brilho universal dos grandes romancistas, dramaturgos e poetas. Nem se pensaria em atribuir o Prêmio Nobel a um cronista, por melhor que fosse. Portanto, parece mesmo que a crônica é um gênero menor.
“Graças a Deus”, – seria o caso de dizer, porque sendo assim ela fica perto de nós. E para muitos pode servir de caminho não apenas para a vida, que ela serve de perto, mas para a literatura... Por meio dos assuntos da composição aparentemente solta, do ar de coisa sem necessidade que costuma assumir, ela se ajusta à sensibilidade de todo dia. Principalmente porque elabora uma linguagem que fala de perto ao nosso modo de ser mais natural. Na sua despretensão, humaniza; e esta humanização lhe permite, como compensação sorrateira, recuperar com a outra mão uma certa profundidade de significado e um certo acabamento de forma, que de repente podem fazer dela uma inesperada embora discreta candidata à perfeição.
(CANDIDO, Antonio. Para gostar de ler: crônicas. São Paulo: Ática, 1980.)
Da relação dos dois textos, é correto afirmar que:
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É correto afirmar que o discurso literário:
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A noção de “superestrutura” foi proposta pelo pesquisador holandês Van Dijk, na década de oitenta, como um mecanismo de representação da forma global dos textos, bem como a organização de suas partes. As superestruturas, conforme Van Dijk (1986:158), “são esquemas ou formas convencionais que caracterizavam um tipo específico de discurso. Elas ordenam a sequência textual das sentenças e atribuem funções específicas a tais sequências”.
(Disponível em: https://www.scielo.br/j/er/a/btR63Q99Qg5VCpdVgTkfjYH/?lang=pt. Acesso em: 07/07/2022. Fragmento.)
Nesse sentido, pode-se afirmar que a superestrutura narrativa tem como categorias esquemáticas:
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O penteado
E Capitu deu-me as costas, voltando-se para o espelhando. Peguei-lhe dos cabelos, colhi-os todos e entrei a alisá-los com o pente, desde a testa até as última pontas, que lhe desciam à cintura. Em pé não dava jeito: não esquecestes que ela era um nadinha mais alta que eu, mas ainda que fosse da mesma altura. Pedi-lhe que se sentasse.
— Senta aqui, é melhor.
Sentou-se. “Vamos ver o grande cabeleireiro”, disse-me rindo. Continuei a alisar os cabelos, com muito cuidado, e dividi-os em duas porções iguais, para compor as duas tranças. Não as fiz logo, nem assim depressa, como podem supor os cabeleireiros de ofício, mas devagar, devagarinho, saboreando pelo tacto aqueles fios grossos, que eram parte dela. O trabalho era atrapalhado, às vezes por desazo, outras de propósito para desfazer o feito e refazê-lo. Os dedos roçavam na nuca da pequena ou nas espáduas vestidas de chita, e a sensação era um deleite. Mas, enfim, os cabelos iam acabando, por mais que eu os quisesse intermináveis. Não pedi ao céu que eles fossem tão longos como os da Aurora, porque não conhecia ainda esta divindade que os velhos poetas me apresentaram depois; mas, desejei penteá-los por todos os séculos dos séculos, tecer duas tranças que pudessem envolver o infinito por um número inominável de vezes. Se isto vos parecer enfático, desgraçado leitor, é que nunca penteastes uma pequena, nunca pusestes as mãos adolescentes na jovem cabeça de uma ninfa... Uma ninfa! Todo eu estou mitológico.
(ASSIS, Machado. Dom Casmurro. São Paulo: Klick Editora, 1997. Fragmento.)
Assinale, a seguir, a alternativa que apresenta um exemplo de apóstrofe.
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O penteado
E Capitu deu-me as costas, voltando-se para o espelhando. Peguei-lhe dos cabelos, colhi-os todos e entrei a alisá-los com o pente, desde a testa até as última pontas, que lhe desciam à cintura. Em pé não dava jeito: não esquecestes que ela era um nadinha mais alta que eu, mas ainda que fosse da mesma altura. Pedi-lhe que se sentasse.
— Senta aqui, é melhor.
Sentou-se. “Vamos ver o grande cabeleireiro”, disse-me rindo. Continuei a alisar os cabelos, com muito cuidado, e dividi-os em duas porções iguais, para compor as duas tranças. Não as fiz logo, nem assim depressa, como podem supor os cabeleireiros de ofício, mas devagar, devagarinho, saboreando pelo tacto aqueles fios grossos, que eram parte dela. O trabalho era atrapalhado, às vezes por desazo, outras de propósito para desfazer o feito e refazê-lo. Os dedos roçavam na nuca da pequena ou nas espáduas vestidas de chita, e a sensação era um deleite. Mas, enfim, os cabelos iam acabando, por mais que eu os quisesse intermináveis. Não pedi ao céu que eles fossem tão longos como os da Aurora, porque não conhecia ainda esta divindade que os velhos poetas me apresentaram depois; mas, desejei penteá-los por todos os séculos dos séculos, tecer duas tranças que pudessem envolver o infinito por um número inominável de vezes. Se isto vos parecer enfático, desgraçado leitor, é que nunca penteastes uma pequena, nunca pusestes as mãos adolescentes na jovem cabeça de uma ninfa... Uma ninfa! Todo eu estou mitológico.
(ASSIS, Machado. Dom Casmurro. São Paulo: Klick Editora, 1997. Fragmento.)
No trecho “Peguei-lhe dos cabelos, [...]” (1º§), o pronome oblíquo tem a função de:
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O penteado
E Capitu deu-me as costas, voltando-se para o espelhando. Peguei-lhe dos cabelos, colhi-os todos e entrei a alisá-los com o pente, desde a testa até as última pontas, que lhe desciam à cintura. Em pé não dava jeito: não esquecestes que ela era um nadinha mais alta que eu, mas ainda que fosse da mesma altura. Pedi-lhe que se sentasse.
— Senta aqui, é melhor.
Sentou-se. “Vamos ver o grande cabeleireiro”, disse-me rindo. Continuei a alisar os cabelos, com muito cuidado, e dividi-os em duas porções iguais, para compor as duas tranças. Não as fiz logo, nem assim depressa, como podem supor os cabeleireiros de ofício, mas devagar, devagarinho, saboreando pelo tacto aqueles fios grossos, que eram parte dela. O trabalho era atrapalhado, às vezes por desazo, outras de propósito para desfazer o feito e refazê-lo. Os dedos roçavam na nuca da pequena ou nas espáduas vestidas de chita, e a sensação era um deleite. Mas, enfim, os cabelos iam acabando, por mais que eu os quisesse intermináveis. Não pedi ao céu que eles fossem tão longos como os da Aurora, porque não conhecia ainda esta divindade que os velhos poetas me apresentaram depois; mas, desejei penteá-los por todos os séculos dos séculos, tecer duas tranças que pudessem envolver o infinito por um número inominável de vezes. Se isto vos parecer enfático, desgraçado leitor, é que nunca penteastes uma pequena, nunca pusestes as mãos adolescentes na jovem cabeça de uma ninfa... Uma ninfa! Todo eu estou mitológico.
(ASSIS, Machado. Dom Casmurro. São Paulo: Klick Editora, 1997. Fragmento.)
Em relação ao emprego das funções de linguagem é correto afirmar que no trecho:
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O elemento da comunicação que é destacado pela função fática é:
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Em entrevista, o cantor Lucas Bezerra fala da influência do nordeste em suas músicas
O cantor cearense conversa sobre seu primeiro EP lançado em 2021, chamado “Transito”.
Dos sertões do nosso Nordeste até os litorais, quantas histórias podem ser vividas? É isto que o cantor e compositor
cearense, Lucas Bezerra, trata no seu primeiro EP lançado em 2021, chamado “Transito”, no qual ele conjuga em primeira pessoa as mudanças e transições da vida através de música.
Ele traz um pouco das suas origens no sertão do Ceará, na cidade de Orós, com um pouco mais que aprendeu em João
Pessoa, na Paraíba, para onde foi cursar a graduação em Serviço Social até sua chegada ao Rio de Janeiro, onde mora atualmente.
O Brasil de Fato conversou com Lucas Bezerra no programa Trilhas do Nordeste. Confira os principais pontos da entrevista:
Brasil de Fato: Lucas, conta para a gente como a música chegou na tua vida e que espaço ela ocupa hoje?
Lucas Bezerra: A música chegou na minha vida por poucas influências. A voz cantada, mas distante aos meus ouvidos, mais
longínqua, é a voz do Raimundo Fagner, porque eu sou da cidade dele e na cidade se escuta muito ele, meus pais escutavam muito ele, a rádio da cidade pertence a ele [...].
Quem conhece um pouco da sua trajetória sabe que ela é marcada por muitas andanças geográficas. Essa é a principal
inspiração do EP “Transito”?
É isso. Saí do Ceará, fiz serviço social na Paraíba, então morei um tempão em João Pessoa, que foi decisivo nessa
aproximação, nesse interesse por fazer música. Esse vai e vem está muito contido, mas muito menos em uma dimensão pessoal e muito mais no sentido de que a partir daquelas letras fazer com que muitos brasileiros se identifiquem, porquê de fato é essa trajetória de muitas e muitos brasileiros que migram.
Lucas, o teu EP completou um ano de lançado recentemente. Tem algum projeto em curso? Quais são os passos que você
está dando agora?
Estamos trabalhando no projeto ainda, tentando fazer os shows, dar uma rodada, com esse trabalho pequeno, mas que é
um trabalho de chegada. Então, o repertório do show que a gente tem feito ele mistura essas canções autorais com uma leva de compositores de diferentes gerações, que são referência para esse trabalho. E, sobre próximos projetos, já tem um na gaveta. A gente tem um projeto de gravar um disco em homenagem à obra de Totonho. Esse compositor do Cariri paraibano, mas que é um cidadão mundano, universal, um tangedor de palavras e uma poesia absurda.
(Disponível em: https://www.brasildefato.com.br/2022/06/05/em-entrevista-o-cantor-lucas-bezerra-fala-da-influencia-do-nordeste-em-suas-musicas. Acesso em: 06/07/2022. Fragmento. Adaptado.)
No trecho “Dos sertões do nosso Nordeste até os litorais, quantas histórias podem ser vividas? É isto que o cantor e compositor cearense, Lucas Bezerra, trata no seu primeiro EP lançado em 2021 [...]” (1º§), o elemento coesivo é representado por:
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