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2682549 Ano: 2007
Disciplina: Português
Banca: CESGRANRIO
Orgão: TCE-RO

O Senhor Computador

Acabo de perder a crônica que havia escrito. Sequer tenho onde reescrevê-la, além desse caderninho onde inclino com mãos trêmulas uma esferográfica preta, desenhando garranchos que não vou entender daqui a meia hora. Explico: tenho, para uso próprio, dois computadores. E hoje os dois me deixaram órfão, fora do ar, batendo pino, encarando o vazio de suas telas obscuras. A carroça de mesa pifou depois de um pico de energia. O portátil, que muitas vezes levo para passear como um cachorrinho cheio de idéias, entrou em conflito com a atualização do antivírus e não quer “iniciar”. O temperamental está fazendo beicinho, e não estou a fim de discutir a relação homem máquina com ele.

Farei isso, pois, com os leitores. Tenho consciência de que a crônica sobre as agruras do escritor com computadores indolentes virou um clichê, um subgênero batido como são as crônicas sobre falta de idéia. Mas não tenho opção que não seja registrar meu desalento com as máquinas nos poucos minutos que me restam até que a redação do jornal me telefone cobrando peremptoriamente esse texto.

E registrar a decepção comigo mesmo – com a minha dependência estúpida do computador. Não somente deste escriba, aliás: somos todos cada vez mais subordinados ao senhor computador. Vemos televisão no computador, vamos ao cinema no computador, fazemos compras no computador, amigos no computador. Música no computador. Trabalho no computador.

Escritores mais graduados me confessam escrever somente a lápis. Depois de vários tratamentos, passam o texto para o computador, “quando já está pronto”. Faço parte de uma geração que não apenas cria direto no computador, mas pensa na frente do computador. Teclamos com olhos dilatados e dedos frementes sobre a cortina branca do processador de texto, encarando uma tela que esconde, por trás de si, um trilhão de outras janelas, “o mundo ao toque de um clique”.

Nada mais ilusório.

O que assustou por aqui foi minha sincera reação de pânico à possibilidade de perder tudo – como se a casa e a biblioteca pegassem fogo. Tenho pelo menos seis anos de textos, três mil fotos e umas sete mil músicas em cada um dos computadores – a cópia de segurança dos arquivos de um estava no outro. Claro, seria impossível que os dois quebrassem – “ainda mais no mesmo dia!” Os técnicos e entendidos em informática dirão que sou um idiota descuidado. Eles têm razão.

Há outro lado. Se nada recuperar, vou me sentir infinitamente livre para começar tudo de novo. Longe do computador, espero.

CUENCA, João Paulo. Megazine. Jornal O Globo. 20 mar. 2007. (com adaptações)

Todas as frases abaixo estão corretas quanto à concordância verbal. Uma delas, porém, admite uma outra concordância também correta. Assinale-a.

 

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2682548 Ano: 2007
Disciplina: Português
Banca: CESGRANRIO
Orgão: TCE-RO

O Senhor Computador

Acabo de perder a crônica que havia escrito. Sequer tenho onde reescrevê-la, além desse caderninho onde inclino com mãos trêmulas uma esferográfica preta, desenhando garranchos que não vou entender daqui a meia hora. Explico: tenho, para uso próprio, dois computadores. E hoje os dois me deixaram órfão, fora do ar, batendo pino, encarando o vazio de suas telas obscuras. A carroça de mesa pifou depois de um pico de energia. O portátil, que muitas vezes levo para passear como um cachorrinho(a) cheio de idéias, entrou em conflito com a atualização do antivírus e não quer “iniciar”. O temperamental está fazendo beicinho, e não estou a fim de discutir a relação homem máquina com ele.

Farei isso, pois, com os leitores(b). Tenho consciência de que a crônica sobre as agruras do escritor com computadores indolentes virou um clichê, um subgênero batido como são as crônicas sobre falta de idéia. Mas não tenho opção(c) que não seja registrar meu desalento com as máquinas nos poucos minutos que me restam até que a redação do jornal me telefone(d) cobrando peremptoriamente esse texto.

E registrar a decepção comigo mesmo – com a minha dependência estúpida do computador. Não somente deste escriba, aliás: somos todos cada vez mais subordinados ao senhor computador. Vemos televisão no computador, vamos ao cinema no computador, fazemos compras no computador, amigos no computador. Música no computador. Trabalho no computador.

Escritores mais graduados me confessam escrever somente a lápis. Depois de vários tratamentos, passam o texto para o computador, “quando já está pronto”(e). Faço parte de uma geração que não apenas cria direto no computador, mas pensa na frente do computador. Teclamos com olhos dilatados e dedos frementes sobre a cortina branca do processador de texto, encarando uma tela que esconde, por trás de si, um trilhão de outras janelas, “o mundo ao toque de um clique”.

Nada mais ilusório.

O que assustou por aqui foi minha sincera reação de pânico à possibilidade de perder tudo – como se a casa e a biblioteca pegassem fogo. Tenho pelo menos seis anos de textos, três mil fotos e umas sete mil músicas em cada um dos computadores – a cópia de segurança dos arquivos de um estava no outro. Claro, seria impossível que os dois quebrassem – “ainda mais no mesmo dia!” Os técnicos e entendidos em informática dirão que sou um idiota descuidado. Eles têm razão.

Há outro lado. Se nada recuperar, vou me sentir infinitamente livre para começar tudo de novo. Longe do computador, espero.

CUENCA, João Paulo. Megazine. Jornal O Globo. 20 mar. 2007. (com adaptações)

A idéia introduzida pela conjunção em destaque está em DESACORDO com a que vem indicada entre parênteses em:

 

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2682547 Ano: 2007
Disciplina: Português
Banca: CESGRANRIO
Orgão: TCE-RO

O Senhor Computador

Acabo de perder a crônica que havia escrito. Sequer tenho onde reescrevê-la, além desse caderninho onde inclino com mãos trêmulas uma esferográfica preta, desenhando garranchos que não vou entender daqui a meia hora. Explico: tenho, para uso próprio, dois computadores. E hoje os dois me deixaram órfão, fora do ar, batendo pino, encarando o vazio de suas telas obscuras. A carroça de mesa pifou depois de um pico de energia. O portátil, que muitas vezes levo para passear como um cachorrinho cheio de idéias, entrou em conflito com a atualização do antivírus e não quer “iniciar”. O temperamental está fazendo beicinho, e não estou a fim de discutir a relação homem máquina com ele.

Farei isso, pois, com os leitores. Tenho consciência de que a crônica sobre as agruras do escritor com computadores indolentes virou um clichê, um subgênero batido como são as crônicas sobre falta de idéia. Mas não tenho opção que não seja registrar meu desalento com as máquinas nos poucos minutos que me restam até que a redação do jornal me telefone cobrando peremptoriamente esse texto.

E registrar a decepção comigo mesmo – com a minha dependência estúpida do computador. Não somente deste escriba, aliás: somos todos cada vez mais subordinados ao senhor computador. Vemos televisão no computador, vamos ao cinema no computador, fazemos compras no computador, amigos no computador. Música no computador. Trabalho no computador.

Escritores mais graduados me confessam escrever somente a lápis. Depois de vários tratamentos, passam o texto para o computador, “quando já está pronto”. Faço parte de uma geração que não apenas cria direto no computador, mas pensa na frente do computador. Teclamos com olhos dilatados e dedos frementes sobre a cortina branca do processador de texto, encarando uma tela que esconde, por trás de si, um trilhão de outras janelas, “o mundo ao toque de um clique”.

Nada mais ilusório.

O que assustou por aqui foi minha sincera reação de pânico à possibilidade de perder tudo – como se a casa e a biblioteca pegassem fogo. Tenho pelo menos seis anos de textos, três mil fotos e umas sete mil músicas em cada um dos computadores – a cópia de segurança dos arquivos de um estava no outro. Claro, seria impossível que os dois quebrassem – “ainda mais no mesmo dia!” Os técnicos e entendidos em informática dirão que sou um idiota descuidado. Eles têm razão.

Há outro lado. Se nada recuperar, vou me sentir infinitamente livre para começar tudo de novo. Longe do computador, espero.

CUENCA, João Paulo. Megazine. Jornal O Globo. 20 mar. 2007. (com adaptações)

Assinale a única frase em que o a deve receber acento indicativo de crase.

 

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2682546 Ano: 2007
Disciplina: Português
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Acabo de perder a crônica que havia escrito. Sequer tenho onde reescrevê-la, além desse caderninho onde inclino com mãos trêmulas uma esferográfica preta, desenhando garranchos que não vou entender daqui a meia hora. Explico: tenho, para uso próprio, dois computadores. E hoje os dois me deixaram órfão, fora do ar, batendo pino, encarando o vazio de suas telas obscuras. A carroça de mesa pifou depois de um pico de energia. O portátil, que muitas vezes levo para passear como um cachorrinho cheio de idéias, entrou em conflito com a atualização do antivírus e não quer “iniciar”. O temperamental está fazendo beicinho, e não estou a fim de discutir a relação homem máquina com ele.

Farei isso, pois, com os leitores. Tenho consciência de que a crônica sobre as agruras(a) do escritor com computadores indolentes(b) virou um clichê, um subgênero batido como são as crônicas sobre falta de idéia. Mas não tenho opção que não seja registrar meu desalento(c) com as máquinas nos poucos minutos que me restam até que a redação do jornal me telefone cobrando peremptoriamente(d) esse texto.

E registrar a decepção comigo mesmo – com a minha dependência estúpida do computador. Não somente deste escriba, aliás: somos todos cada vez mais subordinados ao senhor computador. Vemos televisão no computador, vamos ao cinema no computador, fazemos compras no computador, amigos no computador. Música no computador. Trabalho no computador.

Escritores mais graduados me confessam escrever somente a lápis. Depois de vários tratamentos, passam o texto para o computador, “quando já está pronto”. Faço parte de uma geração que não apenas cria direto no computador, mas pensa na frente do computador. Teclamos com olhos dilatados e dedos frementes(e) sobre a cortina branca do processador de texto, encarando uma tela que esconde, por trás de si, um trilhão de outras janelas, “o mundo ao toque de um clique”.

Nada mais ilusório.

O que assustou por aqui foi minha sincera reação de pânico à possibilidade de perder tudo – como se a casa e a biblioteca pegassem fogo. Tenho pelo menos seis anos de textos, três mil fotos e umas sete mil músicas em cada um dos computadores – a cópia de segurança dos arquivos de um estava no outro. Claro, seria impossível que os dois quebrassem – “ainda mais no mesmo dia!” Os técnicos e entendidos em informática dirão que sou um idiota descuidado. Eles têm razão.

Há outro lado. Se nada recuperar, vou me sentir infinitamente livre para começar tudo de novo. Longe do computador, espero.

CUENCA, João Paulo. Megazine. Jornal O Globo. 20 mar. 2007. (com adaptações)

ERRO no significado atribuído à palavra:

 

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2682545 Ano: 2007
Disciplina: Português
Banca: CESGRANRIO
Orgão: TCE-RO

O Senhor Computador

Acabo de perder a crônica que havia escrito. Sequer tenho onde reescrevê-la(a), além desse caderninho onde inclino com mãos trêmulas uma esferográfica preta, desenhando garranchos que não vou entender daqui a meia hora. Explico: tenho, para uso próprio, dois computadores. E hoje os dois me deixaram órfão, fora do ar, batendo pino(b), encarando o vazio de suas telas obscuras. A carroça de mesa pifou depois de um pico de energia. O portátil, que muitas vezes levo para passear como um cachorrinho cheio de idéias, entrou em conflito com a atualização do antivírus e não quer “iniciar”. O temperamental está fazendo beicinho, e não estou a fim de discutir a relação homem máquina com ele.

Farei isso, pois, com os leitores. Tenho consciência de que a crônica sobre as agruras do escritor com computadores indolentes virou um clichê, um subgênero batido como são as crônicas sobre falta de idéia. Mas não tenho opção que não seja registrar meu desalento com as máquinas(c) nos poucos minutos que me restam até que a redação do jornal me telefone cobrando peremptoriamente esse texto.

E registrar a decepção comigo mesmo – com a minha dependência estúpida do computador. Não somente deste escriba, aliás: somos todos cada vez mais subordinados ao senhor computador. Vemos televisão no computador, vamos ao cinema no computador, fazemos compras no computador, amigos no computador. Música no computador. Trabalho no computador.

Escritores mais graduados me confessam escrever somente a lápis. Depois de vários tratamentos, passam o texto para o computador, “quando já está pronto”. Faço parte de uma geração que não apenas cria direto no computador, mas pensa na frente do computador. Teclamos com olhos dilatados e dedos frementes(d) sobre a cortina branca do processador de texto, encarando uma tela que esconde, por trás de si, um trilhão de outras janelas, “o mundo ao toque de um clique”.

Nada mais ilusório.

O que assustou por aqui foi minha sincera reação de pânico à possibilidade de perder tudo – como se a casa e a biblioteca pegassem fogo. Tenho pelo menos seis anos de textos, três mil fotos e umas sete mil músicas em cada um dos computadores – a cópia de segurança dos arquivos de um estava no outro. Claro, seria impossível que os dois quebrassem – “ainda mais no mesmo dia!” Os técnicos e entendidos em informática dirão que sou um idiota descuidado. Eles têm razão.

Há outro lado. Se nada recuperar, vou me sentir infinitamente livre(e) para começar tudo de novo. Longe do computador, espero.

CUENCA, João Paulo. Megazine. Jornal O Globo. 20 mar. 2007. (com adaptações)

Assinale a passagem em que predomina o uso da linguagem informal.

 

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2682544 Ano: 2007
Disciplina: Português
Banca: CESGRANRIO
Orgão: TCE-RO

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Acabo de perder a crônica que havia escrito. Sequer tenho onde reescrevê-la, além desse caderninho onde inclino com mãos trêmulas uma esferográfica preta, desenhando garranchos que não vou entender daqui a meia hora. Explico: tenho, para uso próprio, dois computadores. E hoje os dois me deixaram órfão, fora do ar, batendo pino, encarando o vazio de suas telas obscuras. A carroça de mesa pifou depois de um pico de energia. O portátil, que muitas vezes levo para passear como um cachorrinho cheio de idéias, entrou em conflito com a atualização do antivírus e não quer “iniciar”. O temperamental está fazendo beicinho, e não estou a fim de discutir a relação homem máquina com ele.

Farei isso, pois, com os leitores. Tenho consciência de que a crônica sobre as agruras do escritor com computadores indolentes virou um clichê, um subgênero batido como são as crônicas sobre falta de idéia. Mas não tenho opção que não seja registrar meu desalento com as máquinas nos poucos minutos que me restam até que a redação do jornal me telefone cobrando peremptoriamente esse texto.

E registrar a decepção comigo mesmo – com a minha dependência estúpida do computador. Não somente deste escriba, aliás: somos todos cada vez mais subordinados ao senhor computador. Vemos televisão no computador, vamos ao cinema no computador, fazemos compras no computador, amigos no computador. Música no computador. Trabalho no computador.

Escritores mais graduados me confessam escrever somente a lápis. Depois de vários tratamentos, passam o texto para o computador, “quando já está pronto”. Faço parte de uma geração que não apenas cria direto no computador, mas pensa na frente do computador. Teclamos com olhos dilatados e dedos frementes sobre a cortina branca do processador de texto, encarando uma tela que esconde, por trás de si, um trilhão de outras janelas, “o mundo ao toque de um clique”.

Nada mais ilusório.

O que assustou por aqui foi minha sincera reação de pânico à possibilidade de perder tudo – como se a casa e a biblioteca pegassem fogo. Tenho pelo menos seis anos de textos, três mil fotos e umas sete mil músicas em cada um dos computadores – a cópia de segurança dos arquivos de um estava no outro. Claro, seria impossível que os dois quebrassem – “ainda mais no mesmo dia!” Os técnicos e entendidos em informática dirão que sou um idiota descuidado. Eles têm razão.

Há outro lado. Se nada recuperar, vou me sentir infinitamente livre para começar tudo de novo. Longe do computador, espero.

CUENCA, João Paulo. Megazine. Jornal O Globo. 20 mar. 2007. (com adaptações)

Assinale a palavra que, no texto, se aplica à reação do cronista diante da possibilidade de perda total de seu arquivo.

 

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2682543 Ano: 2007
Disciplina: Português
Banca: CESGRANRIO
Orgão: TCE-RO

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Acabo de perder a crônica que havia escrito. Sequer tenho onde reescrevê-la, além desse caderninho onde inclino com mãos trêmulas uma esferográfica preta, desenhando garranchos que não vou entender daqui a meia hora. Explico: tenho, para uso próprio, dois computadores. E hoje os dois me deixaram órfão, fora do ar, batendo pino, encarando o vazio de suas telas obscuras. A carroça de mesa pifou depois de um pico de energia. O portátil, que muitas vezes levo para passear como um cachorrinho cheio de idéias, entrou em conflito com a atualização do antivírus e não quer “iniciar”. O temperamental está fazendo beicinho, e não estou a fim de discutir a relação homem máquina com ele.

Farei isso, pois, com os leitores. Tenho consciência de que a crônica sobre as agruras do escritor com computadores indolentes virou um clichê, um subgênero batido como são as crônicas sobre falta de idéia. Mas não tenho opção que não seja registrar meu desalento com as máquinas nos poucos minutos que me restam até que a redação do jornal me telefone cobrando peremptoriamente esse texto.

E registrar a decepção comigo mesmo – com a minha dependência estúpida do computador. Não somente deste escriba, aliás: somos todos cada vez mais subordinados ao senhor computador. Vemos televisão no computador, vamos ao cinema no computador, fazemos compras no computador, amigos no computador. Música no computador. Trabalho no computador.

Escritores mais graduados me confessam escrever somente a lápis. Depois de vários tratamentos, passam o texto para o computador, “quando já está pronto”. Faço parte de uma geração que não apenas cria direto no computador, mas pensa na frente do computador. Teclamos com olhos dilatados e dedos frementes sobre a cortina branca do processador de texto, encarando uma tela que esconde, por trás de si, um trilhão de outras janelas, “o mundo ao toque de um clique”.

Nada mais ilusório.

O que assustou por aqui foi minha sincera reação de pânico à possibilidade de perder tudo – como se a casa e a biblioteca pegassem fogo. Tenho pelo menos seis anos de textos, três mil fotos e umas sete mil músicas em cada um dos computadores – a cópia de segurança dos arquivos de um estava no outro. Claro, seria impossível que os dois quebrassem – “ainda mais no mesmo dia!” Os técnicos e entendidos em informática dirão que sou um idiota descuidado. Eles têm razão.

Há outro lado. Se nada recuperar, vou me sentir infinitamente livre para começar tudo de novo. Longe do computador, espero.

CUENCA, João Paulo. Megazine. Jornal O Globo. 20 mar. 2007. (com adaptações)

“Escritores mais graduados...” revelam-se mais cautelosos que o cronista porque:

 

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2682542 Ano: 2007
Disciplina: Português
Banca: CESGRANRIO
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O Senhor Computador

Acabo de perder a crônica que havia escrito. Sequer tenho onde reescrevê-la, além desse caderninho onde inclino com mãos trêmulas uma esferográfica preta, desenhando garranchos que não vou entender daqui a meia hora. Explico: tenho, para uso próprio, dois computadores. E hoje os dois me deixaram órfão, fora do ar, batendo pino, encarando o vazio de suas telas obscuras. A carroça de mesa(a) pifou depois de um pico de energia. O portátil, que muitas vezes levo para passear como um cachorrinho cheio de idéias, entrou em conflito com a atualização do antivírus e não quer “iniciar”. O temperamental está fazendo beicinho, e não estou a fim de discutir a relação homem máquina com ele.

Farei isso, pois, com os leitores. Tenho consciência de que a crônica sobre as agruras do escritor com computadores indolentes(b) virou um clichê, um subgênero batido(c) como são as crônicas sobre falta de idéia. Mas não tenho opção que não seja registrar meu desalento com as máquinas nos poucos minutos que me restam até que a redação do jornal me telefone cobrando peremptoriamente esse texto.

E registrar a decepção comigo mesmo – com a minha dependência estúpida do computador. Não somente deste escriba, aliás: somos todos cada vez mais subordinados ao senhor computador(d). Vemos televisão no computador, vamos ao cinema no computador, fazemos compras no computador, amigos no computador. Música no computador. Trabalho no computador.

Escritores mais graduados(e) me confessam escrever somente a lápis. Depois de vários tratamentos, passam o texto para o computador, “quando já está pronto”. Faço parte de uma geração que não apenas cria direto no computador, mas pensa na frente do computador. Teclamos com olhos dilatados e dedos frementes sobre a cortina branca do processador de texto, encarando uma tela que esconde, por trás de si, um trilhão de outras janelas, “o mundo ao toque de um clique”.

Nada mais ilusório.

O que assustou por aqui foi minha sincera reação de pânico à possibilidade de perder tudo – como se a casa e a biblioteca pegassem fogo. Tenho pelo menos seis anos de textos, três mil fotos e umas sete mil músicas em cada um dos computadores – a cópia de segurança dos arquivos de um estava no outro. Claro, seria impossível que os dois quebrassem – “ainda mais no mesmo dia!” Os técnicos e entendidos em informática dirão que sou um idiota descuidado. Eles têm razão.

Há outro lado. Se nada recuperar, vou me sentir infinitamente livre para começar tudo de novo. Longe do computador, espero.

CUENCA, João Paulo. Megazine. Jornal O Globo. 20 mar. 2007. (com adaptações)

“com a minha dependência estúpida do computador.”

Essa dependência justifica o emprego da expressão:

 

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2682541 Ano: 2007
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Acabo de perder a crônica que havia escrito. Sequer tenho onde reescrevê-la, além desse caderninho onde inclino com mãos trêmulas uma esferográfica preta, desenhando garranchos que não vou entender daqui a meia hora. Explico: tenho, para uso próprio, dois computadores. E hoje os dois me deixaram órfão, fora do ar, batendo pino, encarando o vazio de suas telas obscuras. A carroça de mesa pifou depois de um pico de energia. O portátil, que muitas vezes levo para passear como um cachorrinho cheio de idéias, entrou em conflito com a atualização do antivírus e não quer “iniciar”. O temperamental está fazendo beicinho, e não estou a fim de discutir a relação homem máquina com ele.

Farei isso, pois, com os leitores. Tenho consciência de que a crônica sobre as agruras do escritor com computadores indolentes virou um clichê, um subgênero batido como são as crônicas sobre falta de idéia. Mas não tenho opção que não seja registrar meu desalento com as máquinas nos poucos minutos que me restam até que a redação do jornal me telefone cobrando peremptoriamente esse texto.

E registrar a decepção comigo mesmo – com a minha dependência estúpida do computador. Não somente deste escriba, aliás: somos todos cada vez mais subordinados ao senhor computador. Vemos televisão no computador, vamos ao cinema no computador, fazemos compras no computador, amigos no computador. Música no computador. Trabalho no computador.

Escritores mais graduados me confessam escrever somente a lápis. Depois de vários tratamentos, passam o texto para o computador, “quando já está pronto”. Faço parte de uma geração que não apenas cria direto no computador, mas pensa na frente do computador. Teclamos com olhos dilatados e dedos frementes sobre a cortina branca do processador de texto, encarando uma tela que esconde, por trás de si, um trilhão de outras janelas, “o mundo ao toque de um clique”.

Nada mais ilusório.

O que assustou por aqui foi minha sincera reação de pânico à possibilidade de perder tudo – como se a casa e a biblioteca pegassem fogo. Tenho pelo menos seis anos de textos, três mil fotos e umas sete mil músicas em cada um dos computadores – a cópia de segurança dos arquivos de um estava no outro. Claro, seria impossível que os dois quebrassem – “ainda mais no mesmo dia!” Os técnicos e entendidos em informática dirão que sou um idiota descuidado. Eles têm razão.

Há outro lado. Se nada recuperar, vou me sentir infinitamente livre para começar tudo de novo. Longe do computador, espero.

CUENCA, João Paulo. Megazine. Jornal O Globo. 20 mar. 2007. (com adaptações)

Conforme o segundo e o terceiro parágrafos, pode-se afirmar que o autor:

 

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Farei isso, pois, com os leitores. Tenho consciência de que a crônica sobre as agruras do escritor com computadores indolentes virou um clichê, um subgênero batido como são as crônicas sobre falta de idéia. Mas não tenho opção que não seja registrar meu desalento com as máquinas nos poucos minutos que me restam até que a redação do jornal me telefone cobrando peremptoriamente esse texto.

E registrar a decepção comigo mesmo – com a minha dependência estúpida do computador. Não somente deste escriba, aliás: somos todos cada vez mais subordinados ao senhor computador. Vemos televisão no computador, vamos ao cinema no computador, fazemos compras no computador, amigos no computador. Música no computador. Trabalho no computador.

Escritores mais graduados me confessam escrever somente a lápis. Depois de vários tratamentos, passam o texto para o computador, “quando já está pronto”. Faço parte de uma geração que não apenas cria direto no computador, mas pensa na frente do computador. Teclamos com olhos dilatados e dedos frementes sobre a cortina branca do processador de texto, encarando uma tela que esconde, por trás de si, um trilhão de outras janelas, “o mundo ao toque de um clique”.

Nada mais ilusório.

O que assustou por aqui foi minha sincera reação de pânico à possibilidade de perder tudo – como se a casa e a biblioteca pegassem fogo. Tenho pelo menos seis anos de textos, três mil fotos e umas sete mil músicas em cada um dos computadores – a cópia de segurança dos arquivos de um estava no outro. Claro, seria impossível que os dois quebrassem – “ainda mais no mesmo dia!” Os técnicos e entendidos em informática dirão que sou um idiota descuidado. Eles têm razão.

Há outro lado. Se nada recuperar, vou me sentir infinitamente livre para começar tudo de novo. Longe do computador, espero.

CUENCA, João Paulo. Megazine. Jornal O Globo. 20 mar. 2007. (com adaptações)

“Acabo de perder a crônica que havia escrito.” (l. 1)

A frase acima indica que o autor refere-se ao(à):

 

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