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Texto 3
Nossa herança neandertal
Uma nova pesquisa mostra como os humanos adquiriram imunidade a doenças cruzando com outras espécies de hominídeos hoje extintas.
O destino dos homens de neandertal é um dos maiores mistérios da história humana. Os primeiros fósseis da espécie foram achados há 150 anos, no vale do Rio Neander, na Alemanha, em 1856. Como aqueles ossos eram claramente diferentes dos nossos, e foram achados numa caverna, os neandertais (ou Homo neanderthalensis) foram apelidados de homens das cavernas. Os neandertais surgiram há cerca de 130 mil anos na Europa, na Ásia e no Oriente Médio, durante um período em que nossos antepassados, os primeiros Homo sapiens, ainda não tinham saído da África. Os neandertais prosperaram durante toda a idade do gelo. Eles eram resistentes ao frio intenso e aos agentes infecciosos das regiões que dominaram. Mas desapareceram entre 50 mil ou 30 mil anos atrás. A grande suspeita é que foram exterminados pelos primeiros humanos que saíram da África, há cerca de 65 mil anos. O que se tem como certo é que, quando nossa espécie se espalhou pela Europa e pela Ásia, foi o fim dos neandertais.
Porém, recentemente, uma sequência de descobertas está mostrando que essa história é mais picante. Segundo novas evidências, os humanos cruzaram com os neandertais e tiveram filhos. A maior parte da humanidade de hoje descende desse estranho casamento. Foi o que se comprovou em 2010, quando a equipe do geneticista sueco Svante Pääbo, diretor do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva, em Leipzig, Alemanha, reconstruiu o genoma neandertal e comparou-o ao humano. Descobriu que todos os humanos que descendem de europeus ou asiáticos possuem quase 4% de genes cuja origem é neandertal. Só faltava saber quais eram esses genes e sua função.
Uma grande pista foi revelada na semana passada. Segundo uma pesquisa publicada na revista científica Science, genes dos neandertais conferiram mais resistência a nosso sistema imune [...] Quando os primeiros humanos modernos saíram da África há 65 mil anos, essa resistência adquirida dos neandertais foi essencial para que nossa espécie, que era mais inteligente, se adaptasse mais rapidamente ao clima rigoroso do Hemisfério Norte e resistisse a seus agentes infecciosos. Com a vantagem competitiva recém-adquirida, os humanos teriam derrotado os neandertais.
[.........................................................]
(Revista Época, nº 693, de 29/08/2011. Seção “Ciência & Tecnologia”. p. 130.)
Assinale a afirmação INCORRETA a respeito do excerto transcrito do texto: Quando os humanos modernos saíram da África há 65 mil anos, essa resistência adquirida dos neandertais foi essencial para que nossa espécie, que era mais inteligente, se adaptasse mais rapidamente ao clima rigoroso do Hemisfério Norte e resistisse a seus agentes infecciosos.
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Texto 3
Nossa herança neandertal
Uma nova pesquisa mostra como os humanos adquiriram imunidade a doenças cruzando com outras espécies de hominídeos hoje extintas.
O destino dos homens de neandertal é um dos maiores mistérios da história humana. Os primeiros fósseis da espécie foram achados há 150 anos, no vale do Rio Neander, na Alemanha, em 1856. Como aqueles ossos eram claramente diferentes dos nossos, e foram achados numa caverna, os neandertais (ou Homo neanderthalensis) foram apelidados de homens das cavernas. Os neandertais surgiram há cerca de 130 mil anos na Europa, na Ásia e no Oriente Médio, durante um período em que nossos antepassados, os primeiros Homo sapiens, ainda não tinham saído da África. Os neandertais prosperaram durante toda a idade do gelo. Eles eram resistentes ao frio intenso e aos agentes infecciosos das regiões que dominaram. Mas desapareceram entre 50 mil ou 30 mil anos atrás. A grande suspeita é que foram exterminados pelos primeiros humanos que saíram da África, há cerca de 65 mil anos. O que se tem como certo é que, quando nossa espécie se espalhou pela Europa e pela Ásia, foi o fim dos neandertais.
Porém, recentemente, uma sequência de descobertas está mostrando que essa história é mais picante. Segundo novas evidências, os humanos cruzaram com os neandertais e tiveram filhos. A maior parte da humanidade de hoje descende desse estranho casamento. Foi o que se comprovou em 2010, quando a equipe do geneticista sueco Svante Pääbo, diretor do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva, em Leipzig, Alemanha, reconstruiu o genoma neandertal e comparou-o ao humano. Descobriu que todos os humanos que descendem de europeus ou asiáticos possuem quase 4% de genes cuja origem é neandertal. Só faltava saber quais eram esses genes e sua função.
Uma grande pista foi revelada na semana passada. Segundo uma pesquisa publicada na revista científica Science, genes dos neandertais conferiram mais resistência a nosso sistema imune [...] Quando os primeiros humanos modernos saíram da África há 65 mil anos, essa resistência adquirida dos neandertais foi essencial para que nossa espécie, que era mais inteligente, se adaptasse mais rapidamente ao clima rigoroso do Hemisfério Norte e resistisse a seus agentes infecciosos. Com a vantagem competitiva recém-adquirida, os humanos teriam derrotado os neandertais.
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(Revista Época, nº 693, de 29/08/2011. Seção “Ciência & Tecnologia”. p. 130.)
Considere o seguinte excerto do texto: Como aqueles ossos eram claramente diferentes dos nossos, e foram achados numa caverna, os neandertais (ou Homo neanderthalensis) foram apelidados de homens das cavernas. Os neandertais surgiram há cerca de 130 mil anos na Europa, na Ásia e no Oriente Médio, durante um período em que nossos antepassados, os primeiros Homo sapiens, ainda não tinham saído da África. Os neandertais prosperaram durante toda a idade do gelo. Eles eram resistentes ao frio intenso e aos agentes infecciosos das regiões que dominaram, mas desapareceram entre 50 mil ou 30 mil anos atrás.
Para evitar a repetição do vocábulo neandertais e o emprego do pronome ele, esse trecho poderia ser reescrito, sem prejuízo da compreensão das ideias, da seguinte maneira: “Como aqueles ossos eram claramente diferentes dos nossos, e foram achados numa caverna, os neandertais (ou Homo neanderthalensis) foram apelidados de homens das cavernas. (1) Esses seres primitivos surgiram há cerca de 130 mil anos na Europa, na Ásia e no Oriente Médio, durante um período em que nossos antepassados, os primeiros Homo sapiens, ainda não tinham saído da África. (2) Esses hominídeos prosperaram durante toda a idade do gelo. (3) Eram resistentes ao frio intenso e aos agentes infecciosos das regiões que dominaram, mas desapareceram entre 50 mil ou 30 mil anos atrás”.
Atente para o que se diz sobre as mudanças feitas no texto.
I. Na substituição (1), temos o emprego de uma expressão que funciona no texto como sinônimo de neandertal. A esse tipo de substituição de um termo por uma expressão, dá-se o nome de perífrase ou circunlóquio.
II. A substituição (2) foi feita por um sinônimo de neandertal, processo muito usado para evitar a repetição que não provoca efeito expressivo.
III. A alteração (3) se justifica porque a oração do penúltimo período do excerto (Esses hominídeos prosperaram durante toda a idade do gelo.) e a primeira oração do período que vem imediatamente depois (Eram resistentes ao frio intenso e aos agentes infecciosos das regiões) têm o mesmo sujeito, representado por expressões referencias diferentes. Nesse caso, a explicitação do sujeito é desnecessária e até não recomendável.
Está correto o que se diz em
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Texto 3
Nossa herança neandertal
Uma nova pesquisa mostra como os humanos adquiriram imunidade a doenças cruzando com outras espécies de hominídeos hoje extintas.
O destino dos homens de neandertal é um dos maiores mistérios da história humana. Os primeiros fósseis da espécie foram achados há 150 anos, no vale do Rio Neander, na Alemanha, em 1856. Como aqueles ossos eram claramente diferentes dos nossos, e foram achados numa caverna, os neandertais (ou Homo neanderthalensis) foram apelidados de homens das cavernas. Os neandertais surgiram há cerca de 130 mil anos na Europa, na Ásia e no Oriente Médio, durante um período em que nossos antepassados, os primeiros Homo sapiens, ainda não tinham saído da África. Os neandertais prosperaram durante toda a idade do gelo. Eles eram resistentes ao frio intenso e aos agentes infecciosos das regiões que dominaram. Mas desapareceram entre 50 mil ou 30 mil anos atrás. A grande suspeita é que foram exterminados pelos primeiros humanos que saíram da África, há cerca de 65 mil anos. O que se tem como certo é que, quando nossa espécie se espalhou pela Europa e pela Ásia, foi o fim dos neandertais.
Porém, recentemente, uma sequência de descobertas está mostrando que essa história é mais picante. Segundo novas evidências, os humanos cruzaram com os neandertais e tiveram filhos. A maior parte da humanidade de hoje descende desse estranho casamento. Foi o que se comprovou em 2010, quando a equipe do geneticista sueco Svante Pääbo, diretor do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva, em Leipzig, Alemanha, reconstruiu o genoma neandertal e comparou-o ao humano. Descobriu que todos os humanos que descendem de europeus ou asiáticos possuem quase 4% de genes cuja origem é neandertal. Só faltava saber quais eram esses genes e sua função.
Uma grande pista foi revelada na semana passada. Segundo uma pesquisa publicada na revista científica Science, genes dos neandertais conferiram mais resistência a nosso sistema imune [...] Quando os primeiros humanos modernos saíram da África há 65 mil anos, essa resistência adquirida dos neandertais foi essencial para que nossa espécie, que era mais inteligente, se adaptasse mais rapidamente ao clima rigoroso do Hemisfério Norte e resistisse a seus agentes infecciosos. Com a vantagem competitiva recém-adquirida, os humanos teriam derrotado os neandertais.
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(Revista Época, nº 693, de 29/08/2011. Seção “Ciência & Tecnologia”. p. 130.)
Observe o que se diz sobre o que o texto deixa entrever acerca do processo da evolução humana.
I. A evolução não se fez no mesmo ritmo para todos os seres humanos.
II. A evolução dependeu de fatores internos e externos.
III. Grupos mais evoluídos conviveram com grupos menos evoluídos. Venceram os mais adaptáveis e mais hábeis.
Está correto o que se diz em
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Texto 3
Nossa herança neandertal
Uma nova pesquisa mostra como os humanos adquiriram imunidade a doenças cruzando com outras espécies de hominídeos hoje extintas.
O destino dos homens de neandertal é um dos maiores mistérios da história humana. Os primeiros fósseis da espécie foram achados há 150 anos, no vale do Rio Neander, na Alemanha, em 1856. Como aqueles ossos eram claramente diferentes dos nossos, e foram achados numa caverna, os neandertais (ou Homo neanderthalensis) foram apelidados de homens das cavernas. Os neandertais surgiram há cerca de 130 mil anos na Europa, na Ásia e no Oriente Médio, durante um período em que nossos antepassados, os primeiros Homo sapiens, ainda não tinham saído da África. Os neandertais prosperaram durante toda a idade do gelo. Eles eram resistentes ao frio intenso e aos agentes infecciosos das regiões que dominaram. Mas desapareceram entre 50 mil ou 30 mil anos atrás. A grande suspeita é que foram exterminados pelos primeiros humanos que saíram da África, há cerca de 65 mil anos. O que se tem como certo é que, quando nossa espécie se espalhou pela Europa e pela Ásia, foi o fim dos neandertais.
Porém, recentemente, uma sequência de descobertas está mostrando que essa história é mais picante. Segundo novas evidências, os humanos cruzaram com os neandertais e tiveram filhos. A maior parte da humanidade de hoje descende desse estranho casamento. Foi o que se comprovou em 2010, quando a equipe do geneticista sueco Svante Pääbo, diretor do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva, em Leipzig, Alemanha, reconstruiu o genoma neandertal e comparou-o ao humano. Descobriu que todos os humanos que descendem de europeus ou asiáticos possuem quase 4% de genes cuja origem é neandertal. Só faltava saber quais eram esses genes e sua função.
Uma grande pista foi revelada na semana passada. Segundo uma pesquisa publicada na revista científica Science, genes dos neandertais conferiram mais resistência a nosso sistema imune [...] Quando os primeiros humanos modernos saíram da África há 65 mil anos, essa resistência adquirida dos neandertais foi essencial para que nossa espécie, que era mais inteligente, se adaptasse mais rapidamente ao clima rigoroso do Hemisfério Norte e resistisse a seus agentes infecciosos. Com a vantagem competitiva recém-adquirida, os humanos teriam derrotado os neandertais.
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(Revista Época, nº 693, de 29/08/2011. Seção “Ciência & Tecnologia”. p. 130.)
Assinale a expressão que completa corretamente a informação que segue: A hipótese mais aceita para explicar a extinção do neandertal - a de que ela se deve ao embate entre esses hominídeos e o homo sapiens - é baseada em
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Texto 3
Nossa herança neandertal
Uma nova pesquisa mostra como os humanos adquiriram imunidade a doenças cruzando com outras espécies de hominídeos hoje extintas.
O destino dos homens de neandertal é um dos maiores mistérios da história humana. Os primeiros fósseis da espécie foram achados há 150 anos, no vale do Rio Neander, na Alemanha, em 1856. Como aqueles ossos eram claramente diferentes dos nossos, e foram achados numa caverna, os neandertais (ou Homo neanderthalensis) foram apelidados de homens das cavernas. Os neandertais surgiram há cerca de 130 mil anos na Europa, na Ásia e no Oriente Médio, durante um período em que nossos antepassados, os primeiros Homo sapiens, ainda não tinham saído da África. Os neandertais prosperaram durante toda a idade do gelo. Eles eram resistentes ao frio intenso e aos agentes infecciosos das regiões que dominaram. Mas desapareceram entre 50 mil ou 30 mil anos atrás. A grande suspeita é que foram exterminados pelos primeiros humanos que saíram da África, há cerca de 65 mil anos. O que se tem como certo é que, quando nossa espécie se espalhou pela Europa e pela Ásia, foi o fim dos neandertais.
Porém, recentemente, uma sequência de descobertas está mostrando que essa história é mais picante. Segundo novas evidências, os humanos cruzaram com os neandertais e tiveram filhos. A maior parte da humanidade de hoje descende desse estranho casamento. Foi o que se comprovou em 2010, quando a equipe do geneticista sueco Svante Pääbo, diretor do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva, em Leipzig, Alemanha, reconstruiu o genoma neandertal e comparou-o ao humano. Descobriu que todos os humanos que descendem de europeus ou asiáticos possuem quase 4% de genes cuja origem é neandertal. Só faltava saber quais eram esses genes e sua função.
Uma grande pista foi revelada na semana passada. Segundo uma pesquisa publicada na revista científica Science, genes dos neandertais conferiram mais resistência a nosso sistema imune [...] Quando os primeiros humanos modernos saíram da África há 65 mil anos, essa resistência adquirida dos neandertais foi essencial para que nossa espécie, que era mais inteligente, se adaptasse mais rapidamente ao clima rigoroso do Hemisfério Norte e resistisse a seus agentes infecciosos. Com a vantagem competitiva recém-adquirida, os humanos teriam derrotado os neandertais.
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(Revista Época, nº 693, de 29/08/2011. Seção “Ciência & Tecnologia”. p. 130.)
Assinale a opção que expressa o sentido do vocábulo herança no título do texto.
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Texto 2
Antes de Rosa ser Rosa
Esse é o título de uma matéria publicada na seção “Mente Aberta”, da revista Época, de 29 de agosto de 2011, sobre Guimarães Rosa, mais especificamente sobre a obra Antes das Primeiras Histórias. A obra reúne quatro contos de horror, fantasia e suspense publicados em revistas, de 1929 a 1930. Em 1946, o escritor mineiro publica Sagarana, considerada sua primeira grande obra.
O título da matéria — Antes de Rosa ser Rosa — é muito curioso. Abaixo são feitas algumas afirmações sobre ele. Marque com V o que for verdadeiro e com F o que for falso.
( ) Faz referência a um pseudônimo que Guimarães Rosa usava no início de sua vida literária.
( ) Sugere que Guimarães Rosa tinha um outro sobrenome.
( ) Aponta para duas fases diferentes na obra de Guimarães Rosa.
( ) Pode ser traduzido pela seguinte frase: Guimarães Rosa antes de ser famoso, antes de ser considerado um grande escritor.
( ) Permite-nos inferir que a obra de Guimarães Rosa recém-publicada não tem a mesma dimensão das outras.
( ) Deve-se considerar o segundo Rosa como um elemento que recategoriza (modifica o primeiro Rosa, acrescentando-lhe algum atributo). Esse trabalho de recategorização se realiza cognitivamente, sem deixar marcas linguísticas.
Está correta, de cima para baixo, a sequência seguinte:
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Texto 1
Um novo A B C
Aquela velha carta de A B C dava arrepios. Três faixas verticais borravam a capa, duras, antipáticas; e, fugindo a elas, encontrávamos num papel de embrulho o alfabeto, sílabas, frases soltas e afinal máximas sisudas.
Suportávamos esses horrores como um castigo e inutilizávamos as folhas percorridas, esperando sempre que as coisas melhorassem. Engano: as letras eram pequeninas e feias; o exercício da soletração, cantado, embrutecia a gente; os provérbios, os graves conselhos morais ficavam impenetráveis, apesar dos esforços dos mestres arreliados, dos puxavantes de orelhas e da palmatória.
“A preguiça é a chave da pobreza”, afirmava-se ali. Que espécie de chave seria aquela? Aos seis anos, eu e os meus companheiros de infelicidade escolar, quase todos pobres, não conhecíamos a pobreza pelo nome e tínhamos poucas chaves, de gavetas, de armários e de portas. Chave de pobreza para uma criança de seis anos é terrível.
Nessa medonha carta, que rasgávamos com prazer,A) salvam-se algumas linhas. “Paulina mastigou pimenta.” Bem. Conhecíamos pimenta e achávamos natural que a língua de Paulina estivesse ardendo. Mas que teria acontecido depois? Essa história contada em três palavras não nos satisfaziaC), precisávamos saber mais alguma coisa a respeito da aventura de Paulina.
O que ofereciam, porém, à nossa curiosidade infantil eram conceitos idiotas: “Fala pouco e bem: ter-te-ão por alguém”. Ter-te-ão! Esse Terteão para mim era um homem, e nunca pude compreender o que ele fazia na última página do odioso folheto. Éramos realmente uns pirralhos bastante desgraçados.
Marques Rebelo enviou-me há dias um A B C novoB). Recebendo-o, lembrei-me com amargura da chave da pobreza e do Terteão, que ainda circulam no interior.
A capa da brochura que hoje me aparece tem uns balões — e logo aí o futuro cidadão aprende algumas letras. Na primeira folha, em tabuleiros de xadrez de casas brancas e vermelhas, procurou-se a melhor maneira de impingir aos inocentes essa coisa desagradável que é o alfabeto. O resto do livro encerra pedaços de vida de um casal de crianças. João e Maria regam flores, bebem leite, brincam na praia, jogam bola, passeiam em bicicleta, nadam, apanham legumes, vão ao Jardim Zoológico.
Tudo isso é dito em poucas palavras, como na história de Paulina, que mastigava pimentas na velha carta de A B C. Mas enquanto ali o caso se narrava com letras miúdas e safadasD), em papel de embrulho, aqui as brincadeiras e as ocupações das personagens se contam em bonitas legendas e principalmente em desenhos cheios de pormenores que a narração curta não poderia conter.
(............................................................) Abril, 1938.
(Graciliano Ramos. Linhas tortas. Obra póstuma. p.174-175.)
O texto todo apresenta inúmeras marcas de autoria, através das quais o enunciador expressa um juízo de valor sobre o assunto de que está falando. Dentre as expressões destacadas do texto, assinale a única que NÃO revela um posicionamento do enunciador.
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Texto 1
Um novo A B C
Aquela velha carta de A B C dava arrepios. Três faixas verticais borravam a capa, duras, antipáticas; e, fugindo a elas, encontrávamos num papel de embrulho o alfabeto, sílabas, frases soltas e afinal máximas sisudas.
Suportávamos esses horrores como um castigo e inutilizávamos as folhas percorridas, esperando sempre que as coisas melhorassem. Engano: as letras eram pequeninas e feias; o exercício da soletração, cantado, embrutecia a gente; os provérbios, os graves conselhos morais ficavam impenetráveis, apesar dos esforços dos mestres arreliados, dos puxavantes de orelhas e da palmatória.
“A preguiça é a chave da pobreza”, afirmava-se ali. Que espécie de chave seria aquela? Aos seis anos, eu e os meus companheiros de infelicidade escolar, quase todos pobres, não conhecíamos a pobreza pelo nome e tínhamos poucas chaves, de gavetas, de armários e de portas. Chave de pobreza para uma criança de seis anos é terrível.
Nessa medonha carta, que rasgávamos com prazer, salvam-se algumas linhas. “Paulina mastigou pimenta.” Bem. Conhecíamos pimenta e achávamos natural que a língua de Paulina estivesse ardendo. Mas que teria acontecido depois? Essa história contada em três palavras não nos satisfazia, precisávamos saber mais alguma coisa a respeito da aventura de Paulina.
O que ofereciam, porém, à nossa curiosidade infantil eram conceitos idiotas: “Fala pouco e bem: ter-te-ão por alguém”. Ter-te-ão! Esse Terteão para mim era um homem, e nunca pude compreender o que ele fazia na última página do odioso folheto. Éramos realmente uns pirralhos bastante desgraçados.
Marques Rebelo enviou-me há dias um A B C novo. Recebendo-o, lembrei-me com amargura da chave da pobreza e do Terteão, que ainda circulam no interior.
A capa da brochura que hoje me aparece tem uns balões — e logo aí o futuro cidadão aprende algumas letras. Na primeira folha, em tabuleiros de xadrez de casas brancas e vermelhas, procurou-se a melhor maneira de impingir aos inocentes essa coisa desagradável que é o alfabeto. O resto do livro encerra pedaços de vida de um casal de crianças. João e Maria regam flores, bebem leite, brincam na praia, jogam bola, passeiam em bicicleta, nadam, apanham legumes, vão ao Jardim Zoológico.
Tudo isso é dito em poucas palavras, como na história de Paulina, que mastigava pimentas na velha carta de A B C. Mas enquanto ali o caso se narrava com letras miúdas e safadas, em papel de embrulho, aqui as brincadeiras e as ocupações das personagens se contam em bonitas legendas e principalmente em desenhos cheios de pormenores que a narração curta não poderia conter.
(............................................................) Abril, 1938.
(Graciliano Ramos. Linhas tortas. Obra póstuma. p.174-175.)
Assinale V ou F, conforme se afirme abaixo algo verdadeiro ou falso sobre Graciliano Ramos.
( ) Para alguns críticos foi o maior nome do chamado Romance de 30.
( ) Foi da mesma geração literária de Rachel de Queiroz, Jorge Amado e José Lins do Rego.
( ) Suas obras apresentam um estilo muito parecido com o estilo de Jorge Amado.
( ) É mais conhecido como romancista. São dele as obras Vidas secas, São Bernardo e Angústia, dentre outras.
( ) Sua obra é caracterizada, principalmente, pelo chamado realismo crítico.
( ) Outras características de sua obra podem ser apontadas: adjetivação contida, sintaxe clássica, frase enxuta e em ordem direta.
Está correta, de cima para baixo, a sequência
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Texto 1
Um novo A B C
Aquela velha carta de A B C dava arrepios. Três faixas verticais borravam a capa, duras, antipáticas; e, fugindo a elas, encontrávamos num papel de embrulho o alfabeto, sílabas, frases soltas e afinal máximas sisudas.
Suportávamos esses horrores como um castigo e inutilizávamos as folhas percorridas, esperando sempre que as coisas melhorassem. Engano: as letras eram pequeninas e feias; o exercício da soletração, cantado, embrutecia a gente; os provérbios, os graves conselhos morais ficavam impenetráveis, apesar dos esforços dos mestres arreliados, dos puxavantes de orelhas e da palmatória.
“A preguiça é a chave da pobreza”, afirmava-se ali. Que espécie de chave seria aquela? Aos seis anos, eu e os meus companheiros de infelicidade escolar, quase todos pobres, não conhecíamos a pobreza pelo nome e tínhamos poucas chaves, de gavetas, de armários e de portas. Chave de pobreza para uma criança de seis anos é terrível.
Nessa medonha carta, que rasgávamos com prazer, salvam-se algumas linhas. “Paulina mastigou pimenta.” Bem. Conhecíamos pimenta e achávamos natural que a língua de Paulina estivesse ardendo. Mas que teria acontecido depois? Essa história contada em três palavras não nos satisfazia, precisávamos saber mais alguma coisa a respeito da aventura de Paulina.
O que ofereciam, porém, à nossa curiosidade infantil eram conceitos idiotas: “Fala pouco e bem: ter-te-ão por alguém”. Ter-te-ão! Esse Terteão para mim era um homem, e nunca pude compreender o que ele fazia na última página do odioso folheto. Éramos realmente uns pirralhos bastante desgraçados.
Marques Rebelo enviou-me há dias um A B C novo. Recebendo-o, lembrei-me com amargura da chave da pobreza e do Terteão, que ainda circulam no interior.
A capa da brochura que hoje me aparece tem uns balões — e logo aí o futuro cidadão aprende algumas letras. Na primeira folha, em tabuleiros de xadrez de casas brancas e vermelhas, procurou-se a melhor maneira de impingir aos inocentes essa coisa desagradável que é o alfabeto. O resto do livro encerra pedaços de vida de um casal de crianças. João e Maria regam flores, bebem leite, brincam na praia, jogam bola, passeiam em bicicleta, nadam, apanham legumes, vão ao Jardim Zoológico.
Tudo isso é dito em poucas palavras, como na história de Paulina, que mastigava pimentas na velha carta de A B C. Mas enquanto ali o caso se narrava com letras miúdas e safadas, em papel de embrulho, aqui as brincadeiras e as ocupações das personagens se contam em bonitas legendas e principalmente em desenhos cheios de pormenores que a narração curta não poderia conter.
(............................................................) Abril, 1938.
(Graciliano Ramos. Linhas tortas. Obra póstuma. p.174-175.)
Atente ao que se diz sobre a partícula Bem.
I. É um elemento ligado ao discurso, às condições da enunciação e não tem relação sintática com os outros termos do texto.
II. Revela uma disposição do enunciador: uma aceitação do que está sendo dito.
III. É uma partícula mais usada no texto escrito.
Está correto o que se diz apenas em
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Texto 1
Um novo A B C
Aquela velha carta de A B C dava arrepios. Três faixas verticais borravam a capa, duras, antipáticas; e, fugindo a elas, encontrávamos num papel de embrulho o alfabeto, sílabas, frases soltas e afinal máximas sisudas.
Suportávamos esses horrores como um castigo e inutilizávamos as folhas percorridas, esperando sempre que as coisas melhorassem. Engano: as letras eram pequeninas e feias; o exercício da soletração, cantado, embrutecia a gente; os provérbios, os graves conselhos morais ficavam impenetráveis, apesar dos esforços dos mestres arreliados, dos puxavantes de orelhas e da palmatória.
“A preguiça é a chave da pobreza”, afirmava-se ali. Que espécie de chave seria aquela? Aos seis anos, eu e os meus companheiros de infelicidade escolar, quase todos pobres, não conhecíamos a pobreza pelo nome e tínhamos poucas chaves, de gavetas, de armários e de portas. Chave de pobreza para uma criança de seis anos é terrível.
Nessa medonha carta, que rasgávamos com prazer, salvam-se algumas linhas. “Paulina mastigou pimenta.” Bem. Conhecíamos pimenta e achávamos natural que a língua de Paulina estivesse ardendo. Mas que teria acontecido depois? Essa história contada em três palavras não nos satisfazia, precisávamos saber mais alguma coisa a respeito da aventura de Paulina.
O que ofereciam, porém, à nossa curiosidade infantil eram conceitos idiotas: “Fala pouco e bem: ter-te-ão por alguém”. Ter-te-ão! Esse Terteão para mim era um homem, e nunca pude compreender o que ele fazia na última página do odioso folheto. Éramos realmente uns pirralhos bastante desgraçados.
Marques Rebelo enviou-me há dias um A B C novo. Recebendo-o, lembrei-me com amargura da chave da pobreza e do Terteão, que ainda circulam no interior.
A capa da brochura que hoje me aparece tem uns balões — e logo aí o futuro cidadão aprende algumas letras. Na primeira folha, em tabuleiros de xadrez de casas brancas e vermelhas, procurou-se a melhor maneira de impingir aos inocentes essa coisa desagradável que é o alfabeto. O resto do livro encerra pedaços de vida de um casal de crianças. João e Maria regam flores, bebem leite, brincam na praia, jogam bola, passeiam em bicicleta, nadam, apanham legumes, vão ao Jardim Zoológico.
Tudo isso é dito em poucas palavras, como na história de Paulina, que mastigava pimentas na velha carta de A B C. Mas enquanto ali o caso se narrava com letras miúdas e safadas, em papel de embrulho, aqui as brincadeiras e as ocupações das personagens se contam em bonitas legendas e principalmente em desenhos cheios de pormenores que a narração curta não poderia conter.
(............................................................) Abril, 1938.
(Graciliano Ramos. Linhas tortas. Obra póstuma. p.174-175.)
No último parágrafo, encontram-se dois advérbios que formam, no texto, um par opositivo: ali e aqui . Marque a opção em que se faz uma afirmação correta a respeito desses termos.
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