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2490674 Ano: 2014
Disciplina: Português
Banca: UECE
Orgão: UECE
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A Internet e a neutralidade da rede

A Internet vista, unanimemente, como o território livre, a tecnologia libertadora que, em muitos países, permitiu o florescimento da cidadania, a ampliação das oportunidades de educação, o ambiente para novas empresas e novos empreendedores, para o trabalho colaborativo em rede.

Graças a seu ambiente libertário, internacionalmente ajudou a derrubar ditaduras e monopólios de mídia, o controle da informação, tanto por governos como por cartéis.

No entanto, não se considere um modelo consolidadoA). Em outros momentos da história surgiram novas tecnologias, promovendo rupturas, abrindo espaço para a democratização e, no momento seguinte, quedaram dominadas por novos cartéis e monopólios que se formaram.

Foi assim com o início da telefoniaC). Enquanto a Bell Co se consolidava, como grande companhia nacional, surgiram inúmeras experiências locais, como a Mesa Telephone, para localidades rurais norte-americanas, de tecnologia rudimentar porém útil para ligar comunidades agrícolas.

Nasceram centenas de outras companhias por todo o paísD). Esse mesmo modelo disseminou-se pelo Brasil dos anos 40 em diante, com companhias municipais levando o telefone a cidades menores, em um surto de pioneirismo extraordinário.

Nos Estados Unidos, o movimento dos "independentes" permitiu às comunidades rurais estreitar laços, criar amizades, sistemas de informação, da mesma maneira que as redes sociais de agora. Através do telefone desenvolveram noticiários sobre o clima, sobre a região, relatórios de mercado etc.

Os "independentes" chegaram a ter 3 milhões de aparelhos, contra 2,5 milhões da Bell.

Com a ajuda do J.P.Morgan, o mais influente banco da época, a Bell reestruturou-se em torno da AT&T.

Em vez de declarar guerra aos "independentes", a nova direção propôs um trabalho conjunto, facilitando para eles as ligações de longa distância, desde que trocassem seus sistemas rústicos pelos padrões Bell. Quem não aderisse, não teria ligações de longa distância.

Como resultado, a AT&T matou a concorrência dos "independentes" e construiu o mais longevo e poderoso monopólio da história, só desmembrado na década de 1980.

O mesmo processo de concentração se repetiu no rádio.

No início, o rádio tornou-se uma ferramenta tão democrática e disseminada quanto a Internet. Não havia controle e qualquer pessoa, adquirindo um kit de rádio, montava sua estação sem fio.

Em 1921 havia 525 estatais transmissoras nos Estados Unidos. Até o final de 1924, mais de 2 milhões de aparelhos de rádio. Segundo Tim Wu, autor do importante "Impérios da Comunicação", antes da Internet os rádios foram a maior mídia aberta do século.

Repetiu-se o mesmo processo do telefoneB). À medida que aumentava o público e criava escala, o mercado libertário era enquadrado pelo poder público e a ocupação do espaço entregue a grupos particulares.

Hoje em dia, as concessões de rádio se tornaram ativos de empresas privadas, as rádios comunitárias são criminalizadas e o exercício pessoal se restringe aos rádios amadores.

Esse é o desafio atual da Internet. Se não for garantida a neutralidade da rede - isto é, o direito de qualquer site ou pessoa de ter acesso à rede, sem privilégios - em breve o grande sonho libertário da Internet terá o mesmo destino do telefone e do rádio.

Luís Nassif. Coluna Econômica.07/09/2013.

Um dos enunciados dispostos a seguir é redundante. O articulista usa excesso de palavra, insistindo em uma ideia. Reconheça e assinale esse enunciado.

 

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2490673 Ano: 2014
Disciplina: Português
Banca: UECE
Orgão: UECE
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A Internet e a neutralidade da rede

A Internet vista, unanimemente, como o território livre, a tecnologia libertadora que, em muitos países, permitiu o florescimento da cidadania, a ampliação das oportunidades de educação, o ambiente para novas empresas e novos empreendedores, para o trabalho colaborativo em rede.

Graças a seu ambiente libertário, internacionalmente ajudou a derrubar ditaduras e monopólios de mídia, o controle da informação, tanto por governos como por cartéis.

No entanto, não se considere um modelo consolidado. Em outros momentos da história surgiram novas tecnologias, promovendo rupturas, abrindo espaço para a democratização e, no momento seguinte, quedaram dominadas por novos cartéis e monopólios que se formaram.

Foi assim com o início da telefonia. Enquanto a Bell Co se consolidava, como grande companhia nacional, surgiram inúmeras experiências locais, como a Mesa Telephone, para localidades rurais norte-americanas, de tecnologia rudimentar porém útil para ligar comunidades agrícolas.

Nasceram centenas de outras companhias por todo o país. Esse mesmo modelo disseminou-se pelo Brasil dos anos 40 em diante, com companhias municipais levando o telefone a cidades menores, em um surto de pioneirismo extraordinário.

Nos Estados Unidos, o movimento dos "independentes" permitiu às comunidades rurais estreitar laços, criar amizades, sistemas de informação, da mesma maneira que as redes sociais de agora. Através do telefone desenvolveram noticiários sobre o clima, sobre a região, relatórios de mercado etc.

Os "independentes" chegaram a ter 3 milhões de aparelhos, contra 2,5 milhões da Bell.

Com a ajuda do J.P.Morgan, o mais influente banco da época, a Bell reestruturou-se em torno da AT&T.

Em vez de declarar guerra aos "independentes", a nova direção propôs um trabalho conjunto, facilitando para eles as ligações de longa distância, desde que trocassem seus sistemas rústicos pelos padrões Bell. Quem não aderisse, não teria ligações de longa distância.

Como resultado, a AT&T matou a concorrência dos "independentes" e construiu o mais longevo e poderoso monopólio da história, só desmembrado na década de 1980.

O mesmo processo de concentração se repetiu no rádio.

No início, o rádio tornou-se uma ferramenta tão democrática e disseminada quanto a Internet. Não havia controle e qualquer pessoa, adquirindo um kit de rádio, montava sua estação sem fio.

Em 1921 havia 525 estatais transmissoras nos Estados Unidos. Até o final de 1924, mais de 2 milhões de aparelhos de rádio. Segundo Tim Wu, autor do importante "Impérios da Comunicação", antes da Internet os rádios foram a maior mídia aberta do século.

Repetiu-se o mesmo processo do telefone. À medida que aumentava o público e criava escala, o mercado libertário era enquadrado pelo poder público e a ocupação do espaço entregue a grupos particulares.

Hoje em dia, as concessões de rádio se tornaram ativos de empresas privadas, as rádios comunitárias são criminalizadas e o exercício pessoal se restringe aos rádios amadores.

Esse é o desafio atual da Internet. Se não for garantida a neutralidade da rede - isto é, o direito de qualquer site ou pessoa de ter acesso à rede, sem privilégios - em breve o grande sonho libertário da Internet terá o mesmo destino do telefone e do rádio.

Luís Nassif. Coluna Econômica.07/09/2013.

Considere os dois enunciados do último parágrafo e atente ao que se diz sobre eles.

I. O pronome “esse”, pelos ensinamentos da gramática normativa, aponta para o que vem antes dele (enquanto o “este” aponta para o que vem depois). No primeiro enunciado do último parágrafo – “Esse é o desafio atual da internet”, no entanto, o que deveria ter sido dito antes não foi explicitado linguisticamente.

II. Por inferência o leitor fica sabendo qual é o desafio da Internet: conservar-se como um território livre e neutro.

III. “em breve o grande sonho libertário da Internet terá o mesmo destino do telefone e do rádio.” Esse destino consiste em ser a Internet dominada por cartéis (acordos comerciais entre empresas com a finalidade de determinar os preços e limitar a concorrência) e, portanto, passar a ser um espaço privilegiado de liberdade.

Está correto o que se diz apenas em

 

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2490672 Ano: 2014
Disciplina: Português
Banca: UECE
Orgão: UECE
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A Internet e a neutralidade da rede

A Internet vista, unanimemente, como o território livre, a tecnologia libertadora que, em muitos países, permitiu o florescimento da cidadania, a ampliação das oportunidades de educação, o ambiente para novas empresas e novos empreendedores, para o trabalho colaborativo em rede.

Graças a seu ambiente libertário, internacionalmente ajudou a derrubar ditaduras e monopólios de mídia, o controle da informação, tanto por governos como por cartéis.

No entanto, não se considere um modelo consolidado. Em outros momentos da história surgiram novas tecnologias, promovendo rupturas, abrindo espaço para a democratização e, no momento seguinte, quedaram dominadas por novos cartéis e monopólios que se formaram.C)*

Foi assim com o início da telefonia. Enquanto a Bell Co se consolidava, como grande companhia nacional, surgiram inúmeras experiências locais, como a Mesa Telephone, para localidades rurais norte-americanas, de tecnologia rudimentar porém útil para ligar comunidades agrícolas.

Nasceram centenas de outras companhias por todo o país. Esse mesmo modelo disseminou-se pelo Brasil dos anos 40 em diante, com companhias municipais levando o telefone a cidades menores, em um surto de pioneirismo extraordinário.

Nos Estados Unidos, o movimento dos "independentes" permitiu às comunidades rurais estreitar laços, criar amizades, sistemas de informação, da mesma maneira que as redes sociais de agora. Através do telefone desenvolveram noticiários sobre o clima, sobre a região, relatórios de mercado etc.

Os "independentes" chegaram a ter 3 milhões de aparelhos, contra 2,5 milhões da Bell.

Com a ajuda do J.P.Morgan, o mais influente banco da época, a Bell reestruturou-se em torno da AT&T.

Em vez de declarar guerra aos "independentes", a nova direção propôs um trabalho conjunto, facilitando para eles as ligações de longa distância, desde que trocassem seus sistemas rústicos pelos padrões Bell. Quem não aderisse, não teria ligações de longa distância.

Como resultado, a AT&T matou a concorrência dos "independentes" e construiu o mais longevo e poderoso monopólio da história, só desmembrado na década de 1980.

O mesmo processo de concentração se repetiu no rádio.D)**

No início, o rádio tornou-se uma ferramenta tão democrática e disseminada quanto a Internet. Não havia controle e qualquer pessoa, adquirindo um kit de rádio, montava sua estação sem fio.

Em 1921 havia 525 estatais transmissoras nos Estados Unidos. Até o final de 1924, mais de 2 milhões de aparelhos de rádio. Segundo Tim Wu, autor do importante "Impérios da Comunicação", antes da Internet os rádios foram a maior mídia aberta do século.

Repetiu-se o mesmo processo do telefone. À medida que aumentava o público e criava escala, o mercado libertário era enquadrado pelo poder público e a ocupação do espaço entregue a grupos particulares.

Hoje em dia, as concessões de rádio se tornaram ativos de empresas privadas, as rádios comunitárias são criminalizadas e o exercício pessoal se restringe aos rádios amadores.

Esse é o desafio atual da Internet. Se não for garantida a neutralidade da rede - isto é, o direito de qualquer site ou pessoa de ter acesso à rede, sem privilégios - em breve o grande sonho libertário da Internet terá o mesmo destino do telefone e do rádio.

Luís Nassif. Coluna Econômica.07/09/2013.

Os parágrafos do texto têm um alto grau de coesão. Assinale a afirmação FALSA em relação ao mecanismo coesivo.

 

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2490671 Ano: 2014
Disciplina: Português
Banca: UECE
Orgão: UECE
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A Internet e a neutralidade da rede

A Internet vista, unanimemente, como o território livre, a tecnologia libertadora que, em muitos países, permitiu o florescimento da cidadania, a ampliação das oportunidades de educação, o ambiente para novas empresas e novos empreendedores, para o trabalho colaborativo em rede.

Graças a seu ambiente libertário, internacionalmente ajudou a derrubar ditaduras e monopólios de mídia, o controle da informação, tanto por governos como por cartéis.

No entanto, não se considere um modelo consolidado. Em outros momentos da história surgiram novas tecnologias, promovendo rupturas, abrindo espaço para a democratização e, no momento seguinte, quedaram dominadas por novos cartéis e monopólios que se formaram.

Foi assim com o início da telefonia. Enquanto a Bell Co se consolidava, como grande companhia nacional, surgiram inúmeras experiências locais, como a Mesa Telephone, para localidades rurais norte-americanas, de tecnologia rudimentar porém útil para ligar comunidades agrícolas.

Nasceram centenas de outras companhias por todo o país. Esse mesmo modelo disseminou-se pelo Brasil dos anos 40 em diante, com companhias municipais levando o telefone a cidades menores, em um surto de pioneirismo extraordinário.

Nos Estados Unidos, o movimento dos "independentes" permitiu às comunidades rurais estreitar laços, criar amizades, sistemas de informação, da mesma maneira que as redes sociais de agora. Através do telefone desenvolveram noticiários sobre o clima, sobre a região, relatórios de mercado etc.

Os "independentes" chegaram a ter 3 milhões de aparelhos, contra 2,5 milhões da Bell.

Com a ajuda do J.P.Morgan, o mais influente banco da época, a Bell reestruturou-se em torno da AT&T.

Em vez de declarar guerra aos "independentes", a nova direção propôs um trabalho conjunto, facilitando para eles as ligações de longa distância, desde que trocassem seus sistemas rústicos pelos padrões Bell. Quem não aderisse, não teria ligações de longa distância.

Como resultado, a AT&T matou a concorrência dos "independentes" e construiu o mais longevo e poderoso monopólio da história, só desmembrado na década de 1980.

O mesmo processo de concentração se repetiu no rádio.

No início, o rádio tornou-se uma ferramenta tão democrática e disseminada quanto a Internet. Não havia controle e qualquer pessoa, adquirindo um kit de rádio, montava sua estação sem fio.

Em 1921 havia 525 estatais transmissoras nos Estados Unidos. Até o final de 1924, mais de 2 milhões de aparelhos de rádio. Segundo Tim Wu, autor do importante "Impérios da Comunicação", antes da Internet os rádios foram a maior mídia aberta do século.

Repetiu-se o mesmo processo do telefone. À medida que aumentava o público e criava escala, o mercado libertário era enquadrado pelo poder público e a ocupação do espaço entregue a grupos particulares.

Hoje em dia, as concessões de rádio se tornaram ativos de empresas privadas, as rádios comunitárias são criminalizadas e o exercício pessoal se restringe aos rádios amadores.

Esse é o desafio atual da Internet. Se não for garantida a neutralidade da rede - isto é, o direito de qualquer site ou pessoa de ter acesso à rede, sem privilégios - em breve o grande sonho libertário da Internet terá o mesmo destino do telefone e do rádio.

Luís Nassif. Coluna Econômica.07/09/2013.

A argumentação do texto nos leva a entender que

 

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2490670 Ano: 2014
Disciplina: Português
Banca: UECE
Orgão: UECE
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O milagre das folhas

Não, nunca me acontecem milagres. Ouço falar, e às vezes isso me basta como esperança. Mas também me revolta: por que não a mim? Por que só de ouvir falar? Pois já cheguei a ouvir conversas assim, sobre milagres: “Avisou-me que, ao ser dita determinada palavra, um objeto de estimação se quebraria”. Meus objetos se quebram banalmente e pelas mãos das empregadas.

Até que fui obrigada a chegar à conclusão de que sou daqueles que rolam pedras durante séculos, e não daqueles para os quais os seixos já vêm prontos, polidos e brancos. Bem que tenho visões fugitivas antes de adormecer – seria milagre? Mas já me foi tranquilamente explicado que isso até nome tem: cidetismo (sic), capacidade de projetar no alucinatório as imagens inconscientes.

Milagre, não. Mas as coincidências. Vivo de coincidências, vivo de linhas que incidem uma na outra e se cruzam e no cruzamento formam um leve e instantâneo ponto, tão leve e instantâneo que mais é feito de pudor e segredo: mal eu falasse nele, já estaria falando em nada.

Mas tenho um milagre, sim. O milagre das folhas. Estou andando pela rua e do vento me cai uma folha exatamente nos cabelos. A incidência da linha de milhões de folhas transformadas em uma única, e de milhões de pessoas a incidência de reduzi-las a mim. Isso me acontece tantas vezes que passei a me considerar modestamente a escolhida das folhas. Com gestos furtivos tiro a folha dos cabelos e guardo-a na bolsa, como o mais diminuto diamante.

Até que um dia, abrindo a bolsa, encontro entre os objetos a folha seca, engelhada, morta. Jogo-a fora: não me interessa fetiche morto como lembrança. E também porque sei que novas folhas coincidirão comigo.

Um dia uma folha me bateu nos cílios. Achei Deus de uma grande delicadeza.

LISPECTOR, Clarice. In: SANTOS, Joaquim Ferreira

dos. Organização e introdução. As cem melhores

crônicas brasileiras. Rio de Janeiro: Objetiva, 2007.

p. 186-187.

Os dois últimos parágrafos do texto constituem uma sequência

 

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2490669 Ano: 2014
Disciplina: Português
Banca: UECE
Orgão: UECE
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O milagre das folhas

Não, nunca me acontecem milagres. Ouço falar, e às vezes isso me basta como esperança. Mas também me revolta: por que não a mim? Por que só de ouvir falar? Pois já cheguei a ouvir conversas assim, sobre milagres: “Avisou-me que, ao ser dita determinada palavra, um objeto de estimação se quebraria”. Meus objetos se quebram banalmente e pelas mãos das empregadas.

Até queI) fui obrigada a chegar à conclusão de que sou daqueles que rolam pedras durante séculos, e não daqueles para os quais os seixos já vêm prontos, polidos e brancos. Bem que tenho visões fugitivas antes de adormecer – seria milagre? Mas já me foi tranquilamente explicado que isso até nome tem: cidetismo (sic), capacidade de projetar no alucinatório as imagens inconscientes.

Milagre, não. Mas as coincidências. Vivo de coincidências, vivo de linhas que incidem uma na outra e se cruzam e no cruzamento formam um leve e instantâneo ponto, tão leve e instantâneo que mais é feito de pudor e segredo: mal eu falasse nele, já estaria falando em nada.

Mas tenho um milagre, sim. O milagre das folhas. Estou andando pela rua e do vento me cai uma folha exatamente nos cabelos. A incidência da linha de milhões de folhas transformadas em uma única, e de milhões de pessoas a incidência de reduzi-las a mim. Isso me acontece tantas vezes que passei a me considerar modestamente a escolhida das folhas. Com gestos furtivos tiro a folha dos cabelos e guardo-a na bolsa, como o mais diminuto diamante.

Até queII) um dia, abrindo a bolsa, encontro entre os objetos a folha seca, engelhada, morta. Jogo-a fora: não me interessa fetiche morto como lembrança. E também porque sei que novas folhas coincidirão comigo.

Um dia uma folha me bateu nos cíliosIII). Achei Deus de uma grande delicadeza.

LISPECTOR, Clarice. In: SANTOS, Joaquim Ferreira

dos. Organização e introdução. As cem melhores

crônicas brasileiras. Rio de Janeiro: Objetiva, 2007.

p. 186-187.

Observe a ocorrência, no texto, de marcadores temporais: “Até que”, “Até que” e “um dia (uma folha me bateu nos cílios)”. Geralmente esses marcadores, chamados de adjuntos adverbiais, aparecem com mais de um valor semântico. Atente para o que é dito sobre esses marcadores.

I. Tem valor semântico de tempo e de consequência.

II. É puramente temporal.

III. Acrescenta o valor semântico de tempo ao de condição.

É correto o que se diz em

 

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2490668 Ano: 2014
Disciplina: Português
Banca: UECE
Orgão: UECE
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O milagre das folhas

Não, nunca me acontecem milagres. Ouço falar, e às vezes isso me basta como esperança. Mas também me revolta: por que não a mim? Por que só de ouvir falar? Pois já cheguei a ouvir conversas assim, sobre milagres: “Avisou-me que, ao ser dita determinada palavra, um objeto de estimação se quebraria”. Meus objetos se quebram banalmente e pelas mãos das empregadas.

Até que fui obrigada a chegar à conclusão de que sou daqueles que rolam pedras durante séculos, e não daqueles para os quais os seixos já vêm prontos, polidos e brancos. Bem que tenho visões fugitivas antes de adormecer – seria milagre? Mas já me foi tranquilamente explicado que isso até nome tem: cidetismo (sic), capacidade de projetar no alucinatório as imagens inconscientes.

Milagre, não. Mas as coincidências. Vivo de coincidências, vivo de linhas que incidem uma na outra e se cruzam e no cruzamento formam um leve e instantâneo ponto, tão leve e instantâneo que mais é feito de pudor e segredo: mal eu falasse nele, já estaria falando em nada.

Mas tenho um milagre, sim. O milagre das folhas. Estou andando pela rua e do vento me cai uma folha exatamente nos cabelos. A incidência da linha de milhões de folhas transformadas em uma única, e de milhões de pessoas a incidência de reduzi-las a mim. Isso me acontece tantas vezes que passei a me considerar modestamente a escolhida das folhas. Com gestos furtivos tiro a folha dos cabelos e guardo-a na bolsa, como o mais diminuto diamante.

Até que um dia, abrindo a bolsa, encontro entre os objetos a folha seca, engelhada, morta. Jogo-a fora: não me interessa fetiche morto como lembrança. E também porque sei que novas folhas coincidirão comigo.

Um dia uma folha me bateu nos cílios. Achei Deus de uma grande delicadeza.

LISPECTOR, Clarice. In: SANTOS, Joaquim Ferreira

dos. Organização e introdução. As cem melhores

crônicas brasileiras. Rio de Janeiro: Objetiva, 2007.

p. 186-187.

O dicionário Houaiss Eletrônico apresenta várias acepções para o vocábulo “coincidência”. Assinale a acepção na qual repousa o sentido em que o termo em questão foi usado no texto.

 

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2490667 Ano: 2014
Disciplina: Português
Banca: UECE
Orgão: UECE
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O milagre das folhas

Não, nunca me acontecem milagres. Ouço falar, e às vezes isso me basta como esperança. Mas também me revolta: por que não a mim? Por que só de ouvir falar? Pois já cheguei a ouvir conversas assim, sobre milagres: “Avisou-me que, ao ser dita determinada palavra, um objeto de estimação se quebraria”. Meus objetos se quebram banalmente e pelas mãos das empregadas.

Até que fui obrigada a chegar à conclusão de que sou daqueles que rolam pedras durante séculos, e não daqueles para os quais os seixos já vêm prontos, polidos e brancos. Bem que tenho visões fugitivas antes de adormecer – seria milagre? Mas já me foi tranquilamente explicado que isso até nome tem: cidetismo (sic), capacidade de projetar no alucinatório as imagens inconscientes.

Milagre, não. Mas as coincidências. Vivo de coincidências, vivo de linhas que incidem uma na outra e se cruzam e no cruzamento formam um leve e instantâneo ponto, tão leve e instantâneo que mais é feito de pudor e segredo: mal eu falasse nele, já estaria falando em nada.

Mas tenho um milagre, sim. O milagre das folhas. Estou andando pela rua e do vento me cai uma folha exatamente nos cabelos. A incidência da linha de milhões de folhas transformadas em uma única, e de milhões de pessoas a incidência de reduzi-las a mim. Isso me acontece tantas vezes que passei a me considerar modestamente a escolhida das folhas. Com gestos furtivos tiro a folha dos cabelos e guardo-a na bolsa, como o mais diminuto diamante.

Até que um dia, abrindo a bolsa, encontro entre os objetos a folha seca, engelhada, morta. Jogo-a fora: não me interessa fetiche morto como lembrança. E também porque sei que novas folhas coincidirão comigo.

Um dia uma folha me bateu nos cílios. Achei Deus de uma grande delicadeza.

LISPECTOR, Clarice. In: SANTOS, Joaquim Ferreira

dos. Organização e introdução. As cem melhores

crônicas brasileiras. Rio de Janeiro: Objetiva, 2007.

p. 186-187.

O personagem do texto percorre etapas para chegar, ao final, a um estado de epifania ou iluminação. Identifique esse percurso na ordem em que ele acontece.

 

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2490666 Ano: 2014
Disciplina: Português
Banca: UECE
Orgão: UECE
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O milagre das folhas

Não, nunca me acontecem milagres. Ouço falar, e às vezes isso me basta como esperança. Mas também me revolta: por que não a mim? Por que só de ouvir falar? Pois já cheguei a ouvir conversas assim, sobre milagres: “Avisou-me que, ao ser dita determinada palavra, um objeto de estimação se quebraria”. Meus objetos se quebram banalmente e pelas mãos das empregadas.

Até que fui obrigada a chegar à conclusão de que sou daqueles que rolam pedras durante séculos, e não daqueles para os quais os seixos já vêm prontos, polidos e brancos. Bem que tenho visões fugitivas antes de adormecer – seria milagre? Mas já me foi tranquilamente explicado que isso até nome tem: cidetismo (sic), capacidade de projetar no alucinatório as imagens inconscientes.

Milagre, não. Mas as coincidências. Vivo de coincidências, vivo de linhas que incidem uma na outra e se cruzam e no cruzamento formam um leve e instantâneo ponto, tão leve e instantâneo que mais é feito de pudor e segredo: mal eu falasse nele, já estaria falando em nada.

Mas tenho um milagre, sim. O milagre das folhas. Estou andando pela rua e do vento me cai uma folha exatamente nos cabelos. A incidência da linha de milhões de folhas transformadas em uma única, e de milhões de pessoas a incidência de reduzi-las a mim. Isso me acontece tantas vezes que passei a me considerar modestamente a escolhida das folhas. Com gestos furtivos tiro a folha dos cabelos e guardo-a na bolsa, como o mais diminuto diamante.

Até que um dia, abrindo a bolsa, encontro entre os objetos a folha seca, engelhada, morta. Jogo-a fora: não me interessa fetiche morto como lembrança. E também porque sei que novas folhas coincidirão comigo.

Um dia uma folha me bateu nos cílios. Achei Deus de uma grande delicadeza.

LISPECTOR, Clarice. In: SANTOS, Joaquim Ferreira

dos. Organização e introdução. As cem melhores

crônicas brasileiras. Rio de Janeiro: Objetiva, 2007.

p. 186-187.

“Isso me acontece tantas vezes que passei a me considerar modestamente a escolhida das folhas.” Assinale a afirmação INCORRETA em relação aos elementos do enunciado transcrito.

 

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2490664 Ano: 2014
Disciplina: Português
Banca: UECE
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O milagre das folhas

Não, nunca me acontecem milagres. Ouço falar, e às vezes isso me basta como esperança. Mas também me revolta: por que não a mim? Por que só de ouvir falar? Pois já cheguei a ouvir conversas assim, sobre milagres: “Avisou-me que, ao ser dita determinada palavra, um objeto de estimação se quebraria”. Meus objetos se quebram banalmente e pelas mãos das empregadas.

Até que fui obrigada a chegar à conclusão de que sou daqueles que rolam pedras durante séculos, e não daqueles para os quais os seixos já vêm prontos, polidos e brancos. Bem que tenho visões fugitivas antes de adormecer – seria milagre? Mas já me foi tranquilamente explicado que isso até nome tem: cidetismo (sic), capacidade de projetar no alucinatório as imagens inconscientes.

Milagre, não. Mas as coincidências. Vivo de coincidências, vivo de linhas que incidem uma na outra e se cruzam e no cruzamento formam um leve e instantâneo ponto, tão leve e instantâneo que mais é feito de pudor e segredo: mal eu falasse nele, já estaria falando em nada.

Mas tenho um milagre, sim. O milagre das folhas. Estou andando pela rua e do vento me cai uma folha exatamente nos cabelos. A incidência da linha de milhões de folhas transformadas em uma única, e de milhões de pessoas a incidência de reduzi-las a mim. Isso me acontece tantas vezes que passei a me considerar modestamente a escolhida das folhas. Com gestos furtivos tiro a folha dos cabelos e guardo-a na bolsa, como o mais diminuto diamante.

Até que um dia, abrindo a bolsa, encontro entre os objetos a folha seca, engelhada, morta. Jogo-a fora: não me interessa fetiche morto como lembrança. E também porque sei que novas folhas coincidirão comigo.

Um dia uma folha me bateu nos cílios. Achei Deus de uma grande delicadeza.

LISPECTOR, Clarice. In: SANTOS, Joaquim Ferreira

dos. Organização e introdução. As cem melhores

crônicas brasileiras. Rio de Janeiro: Objetiva, 2007.

p. 186-187.

Geralmente, em um texto, detectam-se outras vozes além da voz do enunciador, contradizendo-o ou concordando com ele. Às vezes, essas vozes vêm marcadas por um verbo discendi e por sinais gráficos, tais como dois pontos, aspas, travessão, etc. Isso acontece, principalmente, na narrativa dita tradicional. Outras vezes, essas vozes aparecem muito sutilmente e exigem maior atenção do leitor. Pondere sobre o seguinte excerto: “Pois já cheguei a ouvir conversas assim, sobre milagres: Avisou-me que, ao ser dita determinada palavra, um objeto de estimação se quebraria.”. Nesse trecho da crônica, ouve-se mais de uma voz camuflada pela voz do enunciador. Reconheça a única voz que NÃO se manifesta no trecho destacado.

 

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