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Adeus, lentilha
Sem a pressão de estar na praia certa e na festa exata, livre de superstições e dos fogos à meia-noite, o Réveillon longe do Brasil trouxe uma certeza: é preciso criar a cada segundo o sentido dos dias. Para nós, brasileiros, passar o Réveillon longe do calor é, à primeira sensação, começar o ano com o pé direito em terra de canhoto.
Para variar e virar a casaca de vez, encarei de frente o dia 31 a curta distância da tímida Barcelona de dezembro – é na capital da Catalunha que vivo atualmente –, sem o relento tropical e o arder das multidões em chamas nas praias do Rio ou da Bahia. Perto do mar (afinal, cariocas e andorinhas nunca voam de costas para o Atlântico) para saudar Iemanjá, mas sem a menor chance de pular as sete ondas e congelar para sempre em 2016, graças a um desejo de sopro familiar passei a data em Lisboa, onde os abraços são mais acalorados, a comida faz as vezes de beijo de avó e a alma cá dentro se acalma sob o sol de um inverno generoso.
A “passagem d’ano” na terrinha peca pela falta de excessos, mas é justamente na ausência de rompantes que se rompe com o passado sem grandes expectativas para o futuro, o que é libertador e alivia. Sem as mandingas que, dando resultados ou não, repetimos a cada virada com a mesma devoção que os portugueses têm na festa de Santo Antônio, e os catalães, no dia de São João (quando, no solstício de verão, saem pelas ruas vestidos de branco) celebrei a chegada de 2017 à moda da casa. Ou quase: por mais que o preto seja o traje uníssono em Portugal, me dei a licença poética e mística de quebrar o protocolo ao vestir branco da cintura para cima (não quis violar a “regra” de todo, afinal nunca se sabe o dia primeiro de amanhã) e um par de meias novas da cor sugerida pelas astrólogas sem medo de parecer um alienígena. Para eles era evidente que eu não era dali; para mim, era uma dúvida se eu deveria estar ali. Ficou claro no look, nas gracinhas das dancinhas e no incessante refil das tacinhas que eu era o convidado trapalhão. E estava na minha cara a interrogação, cara de quem não viu uma lentilha sobre a mesa, cara de estranho no ninho que não viu o ninho de ovos envolvendo o pernil... cara de quem pergunta: “cadê as gemas e o açúcar que vocês comem o ano inteiro?” E nem o pernil havia!!! Sobreviver a um Réveillon sem pinta de Réveillon parecia tarefa impossível (a prova de fogo seria a falta de fogos) e eu precisava de um sinal qualquer que fizesse meus olhos enxergarem que se tratava de uma festa de Ano-Novo. E nada. Aparentemente nada mudaria ao meu redor de 31 de dezembro para 1º de janeiro.
Ao mesmo tempo, estar livre da obrigação de ser feliz da porta (e do post) para fora, de estar na praia certa, na festa exata, no look preciso, no bronze ideal me soou perfeito para entrar 2017 sem a esperança travestida de ilusão, o otimismo disfarçado de alienação. A passagem suavemente se fez sem o rito, a quebra. E o Day after tornou-se um dia a mais, o primeiro do ano novo, mas com jeito da continuação de uma história sem pausa, sem pressa. Assim, no minuto 1 de 1º de janeiro, ficou entendido que é preciso criar a cada segundo o sentido dos dias. E num piscar de olhos e no passar ligeiro do tempo, eis que o ano-bom foi anunciado com a euforia de uma notícia extraordinária. Entre brindes e os adoráveis “beijinhos grandes” que os “tugas” tanto trocam e nos tocam, dei a noite por encerrada sem precisar explicar em português claro por que 2016 não vai deixar saudade.
(Débora ChodiK. Vougue. p. 122.)
Atente às seguintes afirmações sobre as características do discurso da enunciadora, ou da figura criada pela autora para ocupar o lugar de enunciadora, no caso, a cronista.
I. Apesar de falar em primeira pessoa, tem o cuidado de reforçar a generalização das próprias sensações.
II. A enunciadora ou a cronista, para falar das emoções experimentadas em um réveillon passado fora de casa, faz analogia entre as emoções (elementos abstratos) e elementos concretos. Isso acontece em virtude de nossa incapacidade de abstração absoluta.
É correto afirmar que
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Adeus, lentilha
Sem a pressão de estar na praia certa e na festa exata, livre de superstições e dos fogos à meia-noite, o Réveillon longe do Brasil trouxe uma certeza: é preciso criar a cada segundo o sentido dos dias. Para nós, brasileiros, passar o Réveillon longe do calor é, à primeira sensação, começar o ano com o pé direito em terra de canhoto.
Para variar e virar a casaca de vez, encarei de frente o dia 31 a curta distância da tímida Barcelona de dezembro – é na capital da Catalunha que vivo atualmente –, sem o relento tropical e o arder das multidões em chamas nas praias do Rio ou da Bahia. Perto do mar (afinal, cariocas e andorinhas nunca voam de costas para o Atlântico) para saudar Iemanjá, mas sem a menor chance de pular as sete ondas e congelar para sempre em 2016, graças a um desejo de sopro familiar passei a data em Lisboa, onde os abraços são mais acalorados, a comida faz as vezes de beijo de avó e a alma cá dentro se acalma sob o sol de um inverno generoso.
A “passagem d’ano” na terrinha peca pela falta de excessos, mas é justamente na ausência de rompantes que se rompe com o passado sem grandes expectativas para o futuro, o que é libertador e alivia. Sem as mandingas que, dando resultados ou não, repetimos a cada virada com a mesma devoção que os portugueses têm na festa de Santo Antônio, e os catalães, no dia de São João (quando, no solstício de verão, saem pelas ruas vestidos de branco) celebrei a chegada de 2017 à moda da casa. Ou quase: por mais que o preto seja o traje uníssono em Portugal, me dei a licença poética e mística de quebrar o protocolo ao vestir branco da cintura para cima (não quis violar a “regra” de todo, afinal nunca se sabe o dia primeiro de amanhã) e um par de meias novas da cor sugerida pelas astrólogas sem medo de parecer um alienígena. Para eles era evidente que eu não era dali; para mim, era uma dúvida se eu deveria estar ali. Ficou claro no look, nas gracinhas das dancinhas e no incessante refil das tacinhas que eu era o convidado trapalhão. E estava na minha cara a interrogação, cara de quem não viu uma lentilha sobre a mesa, cara de estranho no ninho que não viu o ninho de ovos envolvendo o pernil... cara de quem pergunta: “cadê as gemas e o açúcar que vocês comem o ano inteiro?” E nem o pernil havia!!! Sobreviver a um Réveillon sem pinta de Réveillon parecia tarefa impossível (a prova de fogo seria a falta de fogos) e eu precisava de um sinal qualquer que fizesse meus olhos enxergarem que se tratava de uma festa de Ano-Novo. E nada. Aparentemente nada mudaria ao meu redor de 31 de dezembro para 1º de janeiro.
Ao mesmo tempo, estar livre da obrigação de ser feliz da porta (e do post) para fora, de estar na praia certa, na festa exata, no look preciso, no bronze ideal me soou perfeito para entrar 2017 sem a esperança travestida de ilusão, o otimismo disfarçado de alienação. A passagem suavemente se fez sem o rito, a quebra. E o Day after tornou-se um dia a mais, o primeiro do ano novo, mas com jeito da continuação de uma história sem pausa, sem pressa. Assim, no minuto 1 de 1º de janeiro, ficou entendido que é preciso criar a cada segundo o sentido dos dias. E num piscar de olhos e no passar ligeiro do tempo, eis que o ano-bom foi anunciado com a euforia de uma notícia extraordinária. Entre brindes e os adoráveis “beijinhos grandes” que os “tugas” tanto trocam e nos tocam, dei a noite por encerrada sem precisar explicar em português claro por que 2016 não vai deixar saudade.
(Débora ChodiK. Vougue. p. 122.)
Atente ao que se diz sobre o seguinte trecho: “...o arder das multidões em chamas nas praias do Rio ou da Bahia”.
I. O verbo “arder” foi substantivado, o que lhe concentra o significado (estar em chamas, abrasado; incendiar-se; queimar).
II. Há, no emprego do verbo “arder” uma intenção hiperbólica, o que provoca uma ênfase expressiva, que resulta do exagero da significação linguística.
III. O trabalho linguístico da cronista, nesse trecho, dá ênfase a um dos cinco sentidos: o tato.
Está correto o que se diz em
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Adeus, lentilha
Sem a pressão de estar na praia certa e na festa exata, livre de superstições e dos fogos à meia-noite, o Réveillon longe do Brasil trouxe uma certeza: é preciso criar a cada segundo o sentido dos dias. Para nós, brasileiros, passar o Réveillon longe do calor é, à primeira sensação, começar o ano com o pé direito em terra de canhoto.
Para variar e virar a casaca de vez, encarei de frente o dia 31 a curta distância da tímida Barcelona de dezembro – é na capital da Catalunha que vivo atualmente –, sem o relento tropical e o arder das multidões em chamas nas praias do Rio ou da Bahia. Perto do mar (afinal, cariocas e andorinhas nunca voam de costas para o Atlântico) para saudar Iemanjá, mas sem a menor chance de pular as sete ondas e congelar para sempre em 2016, graças a um desejo de sopro familiar passei a data em Lisboa, onde os abraços são mais acalorados, a comida faz as vezes de beijo de avó e a alma cá dentro se acalma sob o sol de um inverno generoso.
A “passagem d’ano” na terrinha peca pela falta de excessos, mas é justamente na ausência de rompantes que se rompe com o passado sem grandes expectativas para o futuro, o que é libertador e alivia. Sem as mandingas que, dando resultados ou não, repetimos a cada virada com a mesma devoção que os portugueses têm na festa de Santo Antônio, e os catalães, no dia de São João (quando, no solstício de verão, saem pelas ruas vestidos de branco) celebrei a chegada de 2017 à moda da casa. Ou quase: por mais que o preto seja o traje uníssono em Portugal, me dei a licença poética e mística de quebrar o protocolo ao vestir branco da cintura para cima (não quis violar a “regra” de todo, afinal nunca se sabe o dia primeiro de amanhã) e um par de meias novas da cor sugerida pelas astrólogas sem medo de parecer um alienígena. Para eles era evidente que eu não era dali; para mim, era uma dúvida se eu deveria estar ali. Ficou claro no look, nas gracinhas das dancinhas e no incessante refil das tacinhas que eu era o convidado trapalhão. E estava na minha cara a interrogação, cara de quem não viu uma lentilha sobre a mesa, cara de estranho no ninho que não viu o ninho de ovos envolvendo o pernil... cara de quem pergunta: “cadê as gemas e o açúcar que vocês comem o ano inteiro?” E nem o pernil havia!!! Sobreviver a um Réveillon sem pinta de Réveillon parecia tarefa impossível (a prova de fogo seria a falta de fogos) e eu precisava de um sinal qualquer que fizesse meus olhos enxergarem que se tratava de uma festa de Ano-Novo. E nada. Aparentemente nada mudaria ao meu redor de 31 de dezembro para 1º de janeiro.
Ao mesmo tempo, estar livre da obrigação de ser feliz da porta (e do post) para fora, de estar na praia certa, na festa exata, no look preciso, no bronze ideal me soou perfeito para entrar 2017 sem a esperança travestida de ilusão, o otimismo disfarçado de alienação. A passagem suavemente se fez sem o rito, a quebra. E o Day after tornou-se um dia a mais, o primeiro do ano novo, mas com jeito da continuação de uma história sem pausa, sem pressa. Assim, no minuto 1 de 1º de janeiro, ficou entendido que é preciso criar a cada segundo o sentido dos dias. E num piscar de olhos e no passar ligeiro do tempo, eis que o ano-bom foi anunciado com a euforia de uma notícia extraordinária. Entre brindes e os adoráveis “beijinhos grandes” que os “tugas” tanto trocam e nos tocam, dei a noite por encerrada sem precisar explicar em português claro por que 2016 não vai deixar saudade.
(Débora ChodiK. Vougue. p. 122.)
Atente ao contexto da crônica e, dentro desse contexto, reconheça o que significam os elementos destacados do excerto: “Para variar e virar a casaca de vez, encarei de frente o dia 31 a curta distância da tímida Barcelona de dezembro”.
I. O vocábulo “variar” significa ser inconstante, não ter estabilidade.
II. A expressão “virar a casaca” significa mudar de lado, mudar de partido, de time.
III. A expressão “de vez” quer dizer, no caso do texto, radicalmente.E a mudança radical é a cronista passar o réveillon longe de sua terra.
Está correto o que se diz em
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Adeus, lentilha
Sem a pressão de estar na praia certa e na festa exata, livre de superstições e dos fogos à meia-noite, o Réveillon longe do Brasil trouxe uma certeza: é preciso criar a cada segundo o sentido dos dias. Para nós, brasileiros, passar o Réveillon longe do calor é, à primeira sensação, começar o ano com o pé direito em terra de canhoto.
Para variar e virar a casaca de vez, encarei de frente o dia 31 a curta distância da tímida Barcelona de dezembro – é na capital da Catalunha que vivo atualmente –, sem o relento tropical e o arder das multidões em chamas nas praias do Rio ou da Bahia. Perto do mar (afinal, cariocas e andorinhas nunca voam de costas para o Atlântico) para saudar Iemanjá, mas sem a menor chance de pular as sete ondas e congelar para sempre em 2016, graças a um desejo de sopro familiar passei a data em Lisboa, onde os abraços são mais acalorados, a comida faz as vezes de beijo de avó e a alma cá dentro se acalma sob o sol de um inverno generoso.
A “passagem d’ano” na terrinha peca pela falta de excessos, mas é justamente na ausência de rompantes que se rompe com o passado sem grandes expectativas para o futuro, o que é libertador e alivia. Sem as mandingas que, dando resultados ou não, repetimos a cada virada com a mesma devoção que os portugueses têm na festa de Santo Antônio, e os catalães, no dia de São João (quando, no solstício de verão, saem pelas ruas vestidos de branco) celebrei a chegada de 2017 à moda da casa. Ou quase: por mais que o preto seja o traje uníssono em Portugal, me dei a licença poética e mística de quebrar o protocolo ao vestir branco da cintura para cima (não quis violar a “regra” de todo, afinal nunca se sabe o dia primeiro de amanhã) e um par de meias novas da cor sugerida pelas astrólogas sem medo de parecer um alienígena. Para eles era evidente que eu não era dali; para mim, era uma dúvida se eu deveria estar ali. Ficou claro no look, nas gracinhas das dancinhas e no incessante refil das tacinhas que eu era o convidado trapalhão. E estava na minha cara a interrogação, cara de quem não viu uma lentilha sobre a mesa, cara de estranho no ninho que não viu o ninho de ovos envolvendo o pernil... cara de quem pergunta: “cadê as gemas e o açúcar que vocês comem o ano inteiro?” E nem o pernil havia!!! Sobreviver a um Réveillon sem pinta de Réveillon parecia tarefa impossível (a prova de fogo seria a falta de fogos) e eu precisava de um sinal qualquer que fizesse meus olhos enxergarem que se tratava de uma festa de Ano-Novo. E nada. Aparentemente nada mudaria ao meu redor de 31 de dezembro para 1º de janeiro.
Ao mesmo tempo, estar livre da obrigação de ser feliz da porta (e do post) para fora, de estar na praia certa, na festa exata, no look preciso, no bronze ideal me soou perfeito para entrar 2017 sem a esperança travestida de ilusão, o otimismo disfarçado de alienação. A passagem suavemente se fez sem o rito, a quebra. E o Day after tornou-se um dia a mais, o primeiro do ano novo, mas com jeito da continuação de uma história sem pausa, sem pressa. Assim, no minuto 1 de 1º de janeiro, ficou entendido que é preciso criar a cada segundo o sentido dos dias. E num piscar de olhos e no passar ligeiro do tempo, eis que o ano-bom foi anunciado com a euforia de uma notícia extraordinária. Entre brindes e os adoráveis “beijinhos grandes” que os “tugas” tanto trocam e nos tocam, dei a noite por encerrada sem precisar explicar em português claro por que 2016 não vai deixar saudade.
(Débora ChodiK. Vougue. p. 122.)
O trecho “é preciso criar a cada segundo o sentido dos dias” (linhas 168-169) sugere uma lição de vida que pode ser corretamente explicada da seguinte forma:
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Adeus, lentilha
Sem a pressão de estar na praia certa e na festa exata, livre de superstições e dos fogos à meia-noite, o Réveillon longe do Brasil trouxe uma certeza: é preciso criar a cada segundo o sentido dos dias. Para nós, brasileiros, passar o Réveillon longe do calor é, à primeira sensação, começar o ano com o pé direito em terra de canhoto.
Para variar e virar a casaca de vez, encarei de frente o dia 31 a curta distância da tímida Barcelona de dezembro – é na capital da Catalunha que vivo atualmente –, sem o relento tropical e o arder das multidões em chamas nas praias do Rio ou da Bahia. Perto do mar (afinal, cariocas e andorinhas nunca voam de costas para o Atlântico) para saudar Iemanjá, mas sem a menor chance de pular as sete ondas e congelar para sempre em 2016, graças a um desejo de sopro familiar(a) passei a data em Lisboa, onde os abraços são mais acalorados, a comida faz as vezes de beijo de avó e a alma cá dentro se acalma sob o sol de um inverno generoso.
A “passagem d’ano” na terrinha peca pela falta de excessos, mas é justamente na ausência de rompantes que se rompe com o passado sem grandes expectativas para o futuro, o que é libertador e alivia. Sem as mandingas que, dando resultados ou não, repetimos a cada virada com a mesma devoção que os portugueses têm na festa de Santo Antônio, e os catalães, no dia de São João (quando, no solstício de verão, saem pelas ruas vestidos de branco) celebrei a chegada de 2017 à moda da casa(b). Ou quase: por mais que o preto seja o traje uníssono em Portugal, me dei a licença poética e mística de quebrar o protocolo ao vestir branco da cintura para cima (não quis violar a “regra” de todo, afinal nunca se sabe o dia primeiro de amanhã) e um par de meias novas da cor sugerida pelas astrólogas sem medo de parecer um alienígena. Para eles era evidente que eu não era dali; para mim, era uma dúvida se eu deveria estar ali. Ficou claro no look, nas gracinhas das dancinhas e no incessante refil das tacinhas que eu era o convidado trapalhão. E estava na minha cara a interrogação, cara de quem não viu uma lentilha sobre a mesa, cara de estranho no ninho que não viu o ninho de ovos envolvendo o pernil... cara de quem pergunta: “cadê as gemas e o açúcar que vocês comem o ano inteiro?” E nem o pernil havia!!! Sobreviver a um Réveillon sem pinta de Réveillon parecia tarefa impossível (a prova de fogo seria a falta de fogos) e eu precisava de um sinal qualquer que fizesse meus olhos enxergarem que se tratava de uma festa de Ano-Novo. E nada. Aparentemente nada mudaria ao meu redor de 31 de dezembro para 1º de janeiro.
Ao mesmo tempo, estar livre da obrigação de ser feliz da porta (e do post) para fora, de estar na praia certa, na festa exata, no look preciso, no bronze ideal me soou perfeito para entrar 2017 sem a esperança travestida de ilusão, o otimismo disfarçado de alienação. A passagem suavemente se fez sem o rito, a quebra(c). E o Day after tornou-se um dia a mais, o primeiro do ano novo, mas com jeito da continuação de uma história sem pausa, sem pressa. Assim, no minuto 1 de 1º de janeiro, ficou entendido que é preciso criar a cada segundo o sentido dos dias. E num piscar de olhos e no passar ligeiro do tempo, eis que o ano-bom foi anunciado com a euforia de uma notícia extraordinária. Entre brindes e os adoráveis “beijinhos grandes” que os “tugas” tanto trocam e nos tocam, dei a noite por encerrada sem precisar explicar em português claro por que 2016 não vai deixar saudade.
(Débora ChodiK. Vougue. p. 122.)
A cronista emprega umas expressões típicas do português de Portugal, o que dá mais coerência ao sentido do texto. Assinale a opção em que uma dessas expressões está presente.
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Sem a pressão de estar na praia certa e na festa exata, livre de superstições e dos fogos à meia-noite, o Réveillon longe do Brasil trouxe uma certeza: é preciso criar a cada segundo o sentido dos dias. Para nós, brasileiros, passar o Réveillon longe do calor é, à primeira sensação, começar o ano com o pé direito em terra de canhoto.
Para variar e virar a casaca de vez, encarei de frente o dia 31 a curta distância da tímida Barcelona de dezembro – é na capital da Catalunha que vivo atualmente –, sem o relento tropical e o arder das multidões em chamas nas praias do Rio ou da Bahia. Perto do mar (afinal, cariocas e andorinhas nunca voam de costas para o Atlântico) para saudar Iemanjá, mas sem a menor chance de pular as sete ondas e congelar para sempre em 2016, graças a um desejo de sopro familiar passei a data em Lisboa, onde os abraços são mais acalorados, a comida faz as vezes de beijo de avó e a alma cá dentro se acalma sob o sol de um inverno generoso.
A “passagem d’ano” na terrinha peca pela falta de excessos, mas é justamente na ausência de rompantes que se rompe com o passado sem grandes expectativas para o futuro, o que é libertador e alivia. Sem as mandingas que, dando resultados ou não, repetimos a cada virada com a mesma devoção que os portugueses têm na festa de Santo Antônio, e os catalães, no dia de São João (quando, no solstício de verão, saem pelas ruas vestidos de branco) celebrei a chegada de 2017 à moda da casa. Ou quase: por mais que o preto seja o traje uníssono em Portugal, me dei a licença poética e mística de quebrar o protocolo ao vestir branco da cintura para cima (não quis violar a “regra” de todo, afinal nunca se sabe o dia primeiro de amanhã) e um par de meias novas da cor sugerida pelas astrólogas sem medo de parecer um alienígena. Para eles era evidente que eu não era dali; para mim, era uma dúvida se eu deveria estar ali. Ficou claro no look, nas gracinhas das dancinhas e no incessante refil das tacinhas que eu era o convidado trapalhão. E estava na minha cara a interrogação, cara de quem não viu uma lentilha sobre a mesa, cara de estranho no ninho que não viu o ninho de ovos envolvendo o pernil... cara de quem pergunta: “cadê as gemas e o açúcar que vocês comem o ano inteiro?” E nem o pernil havia!!! Sobreviver a um Réveillon sem pinta de Réveillon parecia tarefa impossível (a prova de fogo seria a falta de fogos) e eu precisava de um sinal qualquer que fizesse meus olhos enxergarem que se tratava de uma festa de Ano-Novo. E nada. Aparentemente nada mudaria ao meu redor de 31 de dezembro para 1º de janeiro.
Ao mesmo tempo, estar livre da obrigação de ser feliz da porta (e do post) para fora, de estar na praia certa, na festa exata, no look preciso, no bronze ideal me soou perfeito para entrar 2017 sem a esperança travestida de ilusão, o otimismo disfarçado de alienação. A passagem suavemente se fez sem o rito, a quebra. E o Day after tornou-se um dia a mais, o primeiro do ano novo, mas com jeito da continuação de uma história sem pausa, sem pressa. Assim, no minuto 1 de 1º de janeiro, ficou entendido que é preciso criar a cada segundo o sentido dos dias. E num piscar de olhos e no passar ligeiro do tempo, eis que o ano-bom foi anunciado com a euforia de uma notícia extraordinária. Entre brindes e os adoráveis “beijinhos grandes” que os “tugas” tanto trocam e nos tocam, dei a noite por encerrada sem precisar explicar em português claro por que 2016 não vai deixar saudade.
(Débora ChodiK. Vougue. p. 122.)
Além dos dois principais processos de formação de palavras em português — derivação e composição —, há ainda os processos de formação regressiva, abreviação, reduplicação, conversão e combinação. Consiste a conversão no emprego de uma palavra fora de sua classe normal. Assinale a opção em que as duas palavras destacadas foram formadas por esse processo.
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Adeus, lentilha
Sem a pressão de estar na praia certa e na festa exata, livre de superstições e dos fogos à meia-noite, o Réveillon longe do Brasil trouxe uma certeza: é preciso criar a cada segundo o sentido dos dias. Para nós, brasileiros, passar o Réveillon longe do calor é, à primeira sensação, começar o ano com o pé direito em terra de canhoto.
Para variar e virar a casaca de vez, encarei de frente o dia 31 a curta distância da tímida Barcelona de dezembro – é na capital da Catalunha que vivo atualmente –, sem o relento tropical e o arder das multidões em chamas nas praias do Rio ou da Bahia. Perto do mar (afinal, cariocas e andorinhas nunca voam de costas para o Atlântico) para saudar Iemanjá, mas sem a menor chance de pular as sete ondas e congelar para sempre em 2016, graças a um desejo de sopro familiar passei a data em Lisboa, onde os abraços são mais acalorados, a comida faz as vezes de beijo de avó e a alma cá dentro se acalma sob o sol de um inverno generoso.
A “passagem d’ano” na terrinha peca pela falta de excessos, mas é justamente na ausência de rompantes que se rompe com o passado sem grandes expectativas para o futuro, o que é libertador e alivia. Sem as mandingas que, dando resultados ou não, repetimos a cada virada com a mesma devoção que os portugueses têm na festa de Santo Antônio, e os catalães, no dia de São João (quando, no solstício de verão, saem pelas ruas vestidos de branco) celebrei a chegada de 2017 à moda da casa. Ou quase: por mais que o preto seja o traje uníssono em Portugal, me dei a licença poética e mística de quebrar o protocolo ao vestir branco da cintura para cima (não quis violar a “regra” de todo, afinal nunca se sabe o dia primeiro de amanhã) e um par de meias novas da cor sugerida pelas astrólogas sem medo de parecer um alienígena. Para eles era evidente que eu não era dali; para mim, era uma dúvida se eu deveria estar ali. Ficou claro no look, nas gracinhas das dancinhas e no incessante refil das tacinhas que eu era o convidado trapalhão. E estava na minha cara a interrogação, cara de quem não viu uma lentilha sobre a mesa, cara de estranho no ninho que não viu o ninho de ovos envolvendo o pernil... cara de quem pergunta: “cadê as gemas e o açúcar que vocês comem o ano inteiro?” E nem o pernil havia!!! Sobreviver a um Réveillon sem pinta de Réveillon parecia tarefa impossível (a prova de fogo seria a falta de fogos) e eu precisava de um sinal qualquer que fizesse meus olhos enxergarem que se tratava de uma festa de Ano-Novo. E nada. Aparentemente nada mudaria ao meu redor de 31 de dezembro para 1º de janeiro.
Ao mesmo tempo, estar livre da obrigação de ser feliz da porta (e do post) para fora, de estar na praia certa, na festa exata, no look preciso, no bronze ideal me soou perfeito para entrar 2017 sem a esperança travestida de ilusão, o otimismo disfarçado de alienação. A passagem suavemente se fez sem o rito, a quebra. E o Day after tornou-se um dia a mais, o primeiro do ano novo, mas com jeito da continuação de uma história sem pausa, sem pressa. Assim, no minuto 1 de 1º de janeiro, ficou entendido que é preciso criar a cada segundo o sentido dos dias. E num piscar de olhos e no passar ligeiro do tempo, eis que o ano-bom foi anunciado com a euforia de uma notícia extraordinária. Entre brindes e os adoráveis “beijinhos grandes” que os “tugas” tanto trocam e nos tocam, dei a noite por encerrada sem precisar explicar em português claro por que 2016 não vai deixar saudade.
(Débora ChodiK. Vougue. p. 122.)
Tendo em mente o vocábulo “terrinha” e as transformações linguísticas por que ele passou, atente ao que se diz a seguir.
I. Na língua havia a forma terra, com o sentido “território, região, solo, chão”, vinda diretamente do latim. A essa palavra uniu-se o sufixo diminutivo –inho, formando, por meio do processo conhecido como derivação sufixal, um novo vocábulo com o significado de “terra pequena”.
II. O vocábulo “terrinha”, além do valor dimensional, tinha também um certo valor afetivo, que todo diminutivo tem. Com o tempo, ganhou em conotação e afetividade, recuando, na fala de alguns usuários da língua o valor puramente dimensional.
III. O valor dimensional foi recuando mais, enquanto crescia o valor afetivo: o vocábulo terrinha agora é usado, por muitos falantes do português, pricipalmente pelos portugueses, em subtituição a Portugal e também com o sentido de terra querida, terra amada.
Está correto o que se diz em
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Adeus, lentilha
Sem a pressão de estar na praia certa e na festa exata, livre de superstições e dos fogos à meia-noite, o Réveillon longe do Brasil trouxe uma certeza: é preciso criar a cada segundo o sentido dos dias. Para nós, brasileiros, passar o Réveillon longe do calor é, à primeira sensação, começar o ano com o pé direito em terra de canhoto.
Para variar e virar a casaca de vez, encarei de frente o dia 31 a curta distância da tímida Barcelona de dezembro – é na capital da Catalunha que vivo atualmente –, sem o relento tropical e o arder das multidões em chamas nas praias do Rio ou da Bahia. Perto do mar (afinal, cariocas e andorinhas nunca voam de costas para o Atlântico) para saudar Iemanjá, mas sem a menor chance de pular as sete ondas e congelar para sempre em 2016, graças a um desejo de sopro familiar passei a data em Lisboa, onde os abraços são mais acalorados, a comida faz as vezes de beijo de avó e a alma cá dentro se acalma sob o sol de um inverno generoso.
A “passagem d’ano” na terrinha peca pela falta de excessos, mas é justamente na ausência de rompantes que se rompe com o passado sem grandes expectativas para o futuro, o que é libertador e alivia. Sem as mandingas que, dando resultados ou não, repetimos a cada virada com a mesma devoção que os portugueses têm na festa de Santo Antônio, e os catalães, no dia de São João (quando, no solstício de verão, saem pelas ruas vestidos de branco) celebrei a chegada de 2017 à moda da casa. Ou quase: por mais que o preto seja o traje uníssono em Portugal, me dei a licença poética e mística de quebrar o protocolo ao vestir branco da cintura para cima (não quis violar a “regra” de todo, afinal nunca se sabe o dia primeiro de amanhã) e um par de meias novas da cor sugerida pelas astrólogas sem medo de parecer um alienígena. Para eles era evidente que eu não era dali; para mim, era uma dúvida se eu deveria estar ali. Ficou claro no look, nas gracinhas das dancinhas e no incessante refil das tacinhas que eu era o convidado trapalhão. E estava na minha cara a interrogação, cara de quem não viu uma lentilha sobre a mesa, cara de estranho no ninho que não viu o ninho de ovos envolvendo o pernil... cara de quem pergunta: “cadê as gemas e o açúcar que vocês comem o ano inteiro?” E nem o pernil havia!!! Sobreviver a um Réveillon sem pinta de Réveillon parecia tarefa impossível (a prova de fogo seria a falta de fogos) e eu precisava de um sinal qualquer que fizesse meus olhos enxergarem que se tratava de uma festa de Ano-Novo. E nada. Aparentemente nada mudaria ao meu redor de 31 de dezembro para 1º de janeiro.
Ao mesmo tempo, estar livre da obrigação de ser feliz da porta (e do post) para fora, de estar na praia certa, na festa exata, no look preciso, no bronze ideal me soou perfeito para entrar 2017 sem a esperança travestida de ilusão, o otimismo disfarçado de alienação. A passagem suavemente se fez sem o rito, a quebra. E o Day after tornou-se um dia a mais, o primeiro do ano novo, mas com jeito da continuação de uma história sem pausa, sem pressa. Assim, no minuto 1 de 1º de janeiro, ficou entendido que é preciso criar a cada segundo o sentido dos dias. E num piscar de olhos e no passar ligeiro do tempo, eis que o ano-bom foi anunciado com a euforia de uma notícia extraordinária. Entre brindes e os adoráveis “beijinhos grandes” que os “tugas” tanto trocam e nos tocam, dei a noite por encerrada sem precisar explicar em português claro por que 2016 não vai deixar saudade.
(Débora ChodiK. Vougue. p. 122.)
O texto “Adeus, lentilha”, tem as características de uma crônica como a maioria das pessoas a veem hoje. Desde que a crônica surgiu como relato de acontecimentos históricos, que obedeciam à passagem do tempo, até os dias atuais, esse gênero discursivo sofreu inúmeras mudanças, principalmente a partir do século XIX. Hoje, os estudiosos reconhecem uma diversidade de tipos de crônica (a narrativa, a descritiva, a jornalística, a humorística, etc.). Não é, porém, o assunto o elemento decisivo na distinção de uma crônica, mas a linguagem empregada: é um texto curto, de linguagem simples, leve, agradável, que normalmente tem um tom de humor.
Atente ao que se diz sobre o primeiro parágrafo da crônica.
I. Funciona como uma espécie de apresentação do que vai ser explorado, trazendo, portando, estrutura de introdução.
II. Esse parágrafo constrói-se de maneira inusitada: traz características de introdução, mas também um elemento comum à conclusão, que é a solução do problema.
III. Cria um clima de expectativa para o leitor.
Está correto o que se diz em
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Moderna e Eterna
Cem anos após inaugurar a primeira exposição modernista do Brasil, que serviu de embrião para a Semana de 1922, Anita Malfatti ganha uma grande mostra, em São Paulo, sobre seu legado.
Uma semana após inaugurar aquela que seria a primeira exposição de arte moderna no Brasil, no dia 12 de dezembro de 1917, Anita Malfatti (1889-1964) teve cinco telas devolvidas por seus compradores, além de receber dezenas de bilhetes anônimos falando mal de suas obras. O motivo? A crítica feroz do influente escritor Monteiro Lobato (1882-1948), que comparou o trabalho da paulistana “aos desenhos de internos dos manicômios”. A mostra de Malfatti serviu de embrião para a revolução artística que culminaria na Semana de Arte Moderna de 1922, protagonizada por ela, Tarsila do Amaral, Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Menotti Del Picchia – conhecidos como o Grupo dos Cinco. É em comemoração a essa emblemática exposição que o MAM de São Paulo inaugura no próximo dia 7 Anita Malfatti: 100 Anos de Arte Moderna.
Graças à crítica de Lobato, Anita tornou-se a mártir do modernismo brasileiro”, explica a curadoura Regina Teixeira de Barros. Foi depois da publicação do artigo do escritor que começaram a se reunir em torno dela jovens poetas e artistas inconformados com a linguagem tradicional que dominava o cenário cultural da época. Apesar de ser mais discreta na forma de agir e se vestir que sua amiga Tarsila, Anita não deixou de ganhar notoriedade e reconhecimento em mercado ainda dominado por homens.
Aos 20 anos mudou-se para a Alemanha, onde se apaixonou pelo expressionismo. Depois seguiu para os Estados Unidos, terra natal de sua mãe, pintora nas horas vagas e a primeira a incentivar a filha a seguir o sonho de ser artista. Casada com o engenheiro italiano Samuelli Malfatti, Elizabeth Krug viajava com a filha desde pequena pela Europa, não apenas para iniciá-la no mundo das artes, mas por causa de um problema congênito de Anita – uma atrofia no braço e na mão direita. Sem grandes resultados no tratamento, a pintora usava lenços coloridos para enconder a malformação na mão – o que a levou a ter uma bela coleção do acessório para diversas ocasiões.
Ela não se deixou abater. Aprendeu a pintar com a mão esquerda, algo marcante em sua personalidade. Conforme crescia, experimentava voluntariamente a fome, a cegueira e a sede, na busca de sensações físicas de “superação do eu”, como ela mesma descrevia. Um dos fatos insuperáveis, no entanto, foi sua paixão nem tão secreta assim pelo grande amigo Mário de Andrade. Homossexual convicto, o modernista nunca correspondeu (sic) o amor de Anita. Após a Semana de 1922 (e apesar de sua profunda admiração pela amiga), Mário decidiu não apoiá-la quando, nas décadas de 30 e 40, a artista decidiu inspirar-se nas pinturas da academia em suas novas produções. “Ela fraquejou, sua mão, indecisa, se perdeu”, comentou ele à época. Mário recusou também as pinturas de Anita para o Salão de Belas Artes, o que provocou uma fissura na relação dos dois. “Ele foi um dos críticos que não assimilou que o modernismo não era apenas feito de ruptura à tradição, mas também [de] uma reflexão sobre o passado, algo que Anita conseguiu colocar de forma magistral em suas pinturas”, explica Regina.
Entre as poucas obras que mostram a amizade do Grupo dos Cinco, a mais conhecida é certamente um desenho homônimo assinado por Anita, destaque da mostra de São Paulo. Nele a pintora e Mário aparecem tocando piano, enquanto Tarsila, Oswald e Menotti estão deitados. A cena mostra o ambiente genuíno no qual a Semana de Arte Moderna de 1922 nasceu, resume a curadora.
(Ana Carolina Ralston. Vogue. Fevereiro de 2016. p. 86-87.)
“Casada com o engenheiro italiano Samuelle Malfatti, Elizabeth Krug viajava com a filha pequena pela Europa, não apenas para iniciá-la no mundo das artes, mas por causa de um problema congênito de Anita — uma atrofia no braço e na mão direita.”
O enunciado acima peca por falta de paralelismo sintático. Assinale a opção em que o paralelismo está presente.
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Moderna e Eterna
Cem anos após inaugurar a primeira exposição modernista do Brasil, que serviu de embrião para a Semana de 1922, Anita Malfatti ganha uma grande mostra, em São Paulo, sobre seu legado.
Uma semana após inaugurar aquela que seria a primeira exposição de arte moderna no Brasil, no dia 12 de dezembro de 1917, Anita Malfatti (1889-1964) teve cinco telas devolvidas por seus compradores, além de receber dezenas de bilhetes anônimos falando mal de suas obras. O motivo? A crítica feroz do influente escritor Monteiro Lobato (1882-1948), que comparou o trabalho da paulistana “aos desenhos de internos dos manicômios”. A mostra de Malfatti serviu de embrião para a revolução artística que culminaria na Semana de Arte Moderna de 1922, protagonizada por ela, Tarsila do Amaral, Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Menotti Del Picchia – conhecidos como o Grupo dos Cinco. É em comemoração a essa emblemática exposição que o MAM de São Paulo inaugura no próximo dia 7 Anita Malfatti: 100 Anos de Arte Moderna.
Graças à crítica de Lobato, Anita tornou-se a mártir do modernismo brasileiro”, explica a curadoura Regina Teixeira de Barros. Foi depois da publicação do artigo do escritor que começaram a se reunir em torno dela jovens poetas e artistas inconformados com a linguagem tradicional que dominava o cenário cultural da época. Apesar de ser mais discreta na forma de agir e se vestir que sua amiga Tarsila, Anita não deixou de ganhar notoriedade e reconhecimento em mercado ainda dominado por homens.
Aos 20 anos mudou-se para a Alemanha, onde se apaixonou pelo expressionismo. Depois seguiu para os Estados Unidos, terra natal de sua mãe, pintora nas horas vagas e a primeira a incentivar a filha a seguir o sonho de ser artista. Casada com o engenheiro italiano Samuelli Malfatti, Elizabeth Krug viajava com a filha desde pequena pela Europa, não apenas para iniciá-la no mundo das artes, mas por causa de um problema congênito de Anita – uma atrofia no braço e na mão direita. Sem grandes resultados no tratamento, a pintora usava lenços coloridos para enconder a malformação na mão – o que a levou a ter uma bela coleção do acessório para diversas ocasiões.
Ela não se deixou abater. Aprendeu a pintar com a mão esquerda, algo marcante em sua personalidade. Conforme crescia, experimentava voluntariamente a fome, a cegueira e a sede, na busca de sensações físicas de “superação do eu”, como ela mesma descrevia. Um dos fatos insuperáveis, no entanto, foi sua paixão nem tão secreta assim pelo grande amigo Mário de Andrade. Homossexual convicto, o modernista nunca correspondeu (sic) o amor de Anita. Após a Semana de 1922 (e apesar de sua profunda admiração pela amiga), Mário decidiu não apoiá-la quando, nas décadas de 30 e 40, a artista decidiu inspirar-se nas pinturas da academia em suas novas produções. “Ela fraquejou, sua mão, indecisa, se perdeu”, comentou ele à época. Mário recusou também as pinturas de Anita para o Salão de Belas Artes, o que provocou uma fissura na relação dos dois. “Ele foi um dos críticos que não assimilou que o modernismo não era apenas feito de ruptura à tradição, mas também [de] uma reflexão sobre o passado, algo que Anita conseguiu colocar de forma magistral em suas pinturas”, explica Regina.
Entre as poucas obras que mostram a amizade do Grupo dos Cinco, a mais conhecida é certamente um desenho homônimo assinado por Anita, destaque da mostra de São Paulo. Nele a pintora e Mário aparecem tocando piano, enquanto Tarsila, Oswald e Menotti estão deitados. A cena mostra o ambiente genuíno no qual a Semana de Arte Moderna de 1922 nasceu, resume a curadora.
(Ana Carolina Ralston. Vogue. Fevereiro de 2016. p. 86-87.)
“Foi depois da publicação do artigo do escritor que começaram a se reunir em torno dela jovens poetas e artistas inconformados com a linguagem tradicional que dominava o cenário cultural da época.” Atente ao que se diz sobre o enunciado e escreva V para o que for verdadeiro e F para o que for falso.
( ) O enunciado acima apresenta três verbos e, portanto, três orações.
( ) O “foi que” não pode constituir uma oração, por formar uma locução expletiva, ao modelo de “é que”.
( ) A expressão dita expletiva deixa o enunciado mais forte, mais expressivo.
( ) A locução “foi que” equivale a “é que” , mas, diferentemente do “é que”, não pode ser retirada da frase.
( ) Esse enunciado poderia ser reescrito desta maneira: Depois da publicação do artigo do escritor foi que começaram a se reunir em torno dela jovens poetas e artistas inconformados com a linguagem tradicional que dominava o cenário cultural da época.
Está correta, de cima para baixo, a seguinte sequência:
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