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Para além de narrar suas experiências etnográficas, Agier apresenta algumas das suas posturas pessoais sobre a antropologia e a etnografia. Em relação às experiências do autor, assinale a alternativa correta.
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No recente livro Encontros etnográficos: interação, contexto, comparação , Michel Agier faz uma pessoal reflexão sobre suas diversas experiências etnográficas e extrai algumas conclusões sobre o ofício de etnólogo. A esse respeito, identifique como verdadeiras (V) ou falsas (F) as seguintes afirmativas:
( ) No final do livro, Agier conclui que o ofício de etnólogo mostra que a alteridade não é uma verdade absoluta de povos distantes, mas uma atitude epistemológica reversível.
( ) Segundo a consideração de Agier, para além da preparação teórica antes de ir a campo, é necessário que a pesquisa esteja motivada pela curiosidade e o desejo de descoberta.
( ) O autor reivindica o papel dos “informantes privilegiados” que encontrou em várias situações de campo. Esses informantes eram, antes de tudo, pessoas capazes de fornecer uma visão privilegiada da cultura de que faziam parte e, portanto, fontes de informação.
( ) O autor descreve o processo inicial de descobrir o lugar onde se realiza a pesquisa como um perder-se, e se orientar nesse espaço como encontrar as pessoas que o habitam.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta, de cima para baixo.
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Num recente artigo, Manuela Carneiro da Cunha propõe uma reflexão sobre as categorias analíticas que são apropriadas por agentes externos a seus espaços de origem e ressignificadas. No âmbito da Antropologia, uma dessas categorias é a de cultura. A esse respeito, propõe fazer uma distinção entre cultura e “cultura” (com aspas), para diferenciar a categoria analítica usada pela Antropologia dos usos locais, vernáculos, da categoria de cultura. Em relação a essa reflexão desenvolvida por Manuela Carneiro da Cunha, identifique como verdadeiras (V) ou falsas (F) as seguintes afirmativas:
( ) A autora define cultura (sem aspas) como uma noção reflexiva que tem a propriedade de metalinguagem.
( ) Depois de analisar alguns casos de povos indígenas brasileiros, a autora conclui que “cultura” opera em um regime de etnicidade, o que tem como um dos seus efeitos sua extensão democrática a todos os membros do coletivo, entrando em contradição, em alguns casos, com direitos diferenciais sobre determinados elementos da cultura.
( ) Embora as categorias de cultura e “cultura” apresentem disparidades significativas entre si, seus conteúdos não diferem necessariamente. A disparidade se refere a que pertencem a universos de discurso diferentes.
( ) Segundo a autora, as pessoas vivem ao mesmo tempo na “cultura” e na cultura.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta, de cima para baixo.
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Henare, Holbraad e Wastell se inspiram na proposta teórica conhecida como “virada ontológica” para fazer uma nova proposta metodológica. A partir dos argumentos desenvolvidos pelos autores na introdução do livro Thinking through things, identifique como verdadeiras (V) ou falsas (F) as seguintes afirmativas:
( ) A antropologia não deve estar apenas atenta às representações sobre a realidade (visões de mundo) dos povos que estuda: precisa considerar esses mundos também como realidades ontológicas.
( ) Os relativistas caem em contradição ao afirmar que nossas representações sobre o outro, que são desde seu ponto de vista necessariamente parciais, como qualquer outra representação sobre o mundo, são, entretanto, suficientemente ricas para traduzir o outro.
( ) A única forma de levar a sério a alteridade é aceitar que os nossos conceitos são insuficientes para traduzir os conceitos dos outros.
( ) O método proposto, inspirado em Roy Wagner, é de caráter recursivo, o que implica evitar a criação de novos conceitos, de forma a evitar o que esse autor chamou de “extensões metafóricas”.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta, de cima para baixo.
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Num dos textos que compõem a coletânea A inconstância da alma selvagem, Eduardo Viveiros de Castro, após apresentar alguns desenvolvimentos dos conceitos de sociedade e cultura na história da Antropologia, que não seriam, segundo o argumento apresentado, senão um desdobramento da oposição entre as noções de societas e universitas, discorre sobre a crítica atual ao conceito de sociedade na Antropologia. A respeito do assunto, considere as seguintes afirmativas:
1. Uma das críticas ao conceito de sociedade como totalidade autocontida é que ele deriva de categorias e instituições do Ocidente moderno, e não pode, portanto, ser considerado como um conceito de alcance universal.
2. O autor considera que, apesar das críticas que possam ser feitas ao conceito, ele não pode ser totalmente abandonado em favor de outros, como o de socialidade, já que este último não possibilita a apreensão da ordem objetiva que qualquer coletivo humano apresenta.
3. A crise conceitual das noções de sociedade e cultura está intimamente associada à crise histórica derivada do fim do colonialismo e da globalização, já que colocou em evidência o caráter ideológico e artificial desses conceitos e transformou a percepção ocidental sobre o que era concebido até então como “sociedades primitivas”.
4. O que caracterizaria a orientação predominante na antropologia contemporânea a respeito dessa eterna oscilação entre societas e universitas seria o ressurgimento de propostas de inspiração estruturalista, como as novas teorias que abordam o pensamento ameríndio.
Assinale a alternativa correta.
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A revista científica Pediatrics acaba de publicar os resultados de um estudo pioneiro que avaliou o impacto de um programa brasileiro de incentivo à leitura voltado para famílias de baixa renda com crianças pequenas. O estudo foi realizado por pesquisadores do Instituto Alfa e Beto em parceria com a Faculdade de Medicina da Universidade de Nova York (NYU). Editada pela Academia Americana de Pediatria, a Pediatrics é uma das publicações mais importantes do mundo na área do desenvolvimento infantil.
Os resultados surpreenderam os pesquisadores. Além dos ganhos esperados no vocabulário das crianças, o estudo registrou impacto relevante na qualidade do relacionamento dos adultos com as crianças, reduzindo a violência dentro de casa. Foram observados, ainda, impactos significativos no desenvolvimento cognitivo e no QI (quociente de inteligência) das crianças. Realizado entre 2014 e 2015 no município de Boa Vista (RR), o estudo envolveu beneficiários do Programa Bolsa-Família atendidos pelo Programa Família que Acolhe (FQA), uma política de Primeira Infância implementada com a colaboração do Instituto Alfa e Beto.
(http://www.alfaebeto.org.br/blog/estudo-pioneiro-/)
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Em entrevista à Revista Veja (https://complemento.veja.abril.com.br/entrevista/michael-oreskes.html), Michael Oreskes, diretor editorial de uma rádio pública americana, afirma que os ataques contra a imprensa têm como objetivo ofuscar a verdade, e que a missão dos jornalistas é impedir isso. Abaixo, é apresentado um trecho dessa entrevista. Numere a coluna da direita, relacionando as respostas com as respectivas perguntas.
1. No Brasil e nos Estados Unidos, as pessoas parecem só querer ler informações enviesadas que comprovem seus pontos de vista. A verdade não existe mais?
2. O que essa falta de respeito pela verdade pode acarretar?
3. Quando o presidente se comunica diretamente com o público por meio do Twitter, isso enfraquece a imprensa?
( ) Chefes de governo e de Estado, prefeitos, líderes políticos e
corporações não precisam mais da imprensa para alcançar
grandes audiências. Esse não é mais o papel do jornalismo.
Nossa função é a de produzir informação completa e precisa.
O público pode receber a mensagem que quiser do
presidente, mas precisa que alguém conte o resto da história
e fale sobre os outros fatos que não estão sendo abordados.
( ) De forma alguma. A realidade e os fatos não desapareceram.
A maior evidência disso é que repórteres estão sendo
intimidados, presos e até assassinados em vários lugares do
mundo para impedir que eles reportem os acontecimentos.
Organizações corruptas e governos autocráticos não querem
deixar que vozes independentes venham à tona. Em vez de
“pós-verdade”, o que estamos presenciando é uma espécie
de “pós-respeito pela verdade”.
( ) Se os cidadãos se iludirem achando que os fatos não existem
ou não importam, a sociedade acabará tomando decisões
equivocadas. Se alguém acredita em um conjunto de versões
sobre a realidade e outro em algo oposto, eles não irão
concordar sobre nada. O debate não terá sentido algum. Pode
até ter uma discussão, mas essa será vazia, rasa.
Assinale a alternativa que apresenta a numeração correta da coluna da direita, de cima para baixo.
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Leia a tirinha a seguir:
O efeito de humor dessa tirinha é causado:
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Considere o seguinte trecho inicial de um parágrafo:
Sem dúvida, a maior contribuição de Blade Runner 2049 é a sua assustadora atualidade – mesmo vislumbrando como seria o mundo daqui a 32 anos.
Os segmentos abaixo dão continuidade a esse trecho inicial, mas estão fora de ordem. Numere os parênteses, identificando a sequência que dá lógica discursiva ao texto.
( ) Durante 35 anos, a mínima menção a essa possibilidade já era motivo para as mais acaloradas reações por parte de
um peculiar público cinéfilo, sempre refratário.
( ) As suas propostas constituem, a meu ver, um dos pontos principais do filme.
( ) Essa função caberia ao canadense Dennis Villeneuve, que vinha, até então, com um currículo respeitável na bagagem.
A Scott caberia a produção executiva do novo filme.
( ) O culto em torno de
Blade Runner
,
O Caçador de Androides
tornou o filme, ao longo de pouco mais de três décadas,
um clássico da ficção científica, daqueles que não se imagina tendo uma continuação ou uma refilmagem, tal o
processo de sacralização que se operou em seu entorno.
( ) Eis que, há uns dois anos, mais ou menos, se anunciou que estava em curso a produção de uma continuação de
Blade Runner
. A principal informação era a de que o novo filme iria contar com Harrison Ford, que deu vida eterna ao
policial Rick Deckard, mas não com Ridley Scott na direção.
(Adaptado de: <https://diplomatique.org.br/assustadora-atualidade-de-blade-runner-2049-2/>.)
Assinale a alternativa que apresenta a numeração correta dos parênteses, de cima para baixo.
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A não menos nobre vírgula
[...] Jacob mandou esta questão: “Sempre aprendi que o advérbio deveria vir entre vírgulas, mesmo que, às vezes, a frase fique truncada.
Quando vi que não colocou os advérbios entre vírgulas, senti que há uma esperança de me libertar dessas verdadeiras amarras dos tempos escolares. Como pontuar, afinal, nesses casos?”.
O leitor acertou na mosca quando se referiu a “essas verdadeiras amarras escolares”. Tomemos como exemplo o próprio texto do leitor, que na passagem “...mesmo que, às vezes, a frase fique truncada” optou por pôr entre vírgulas a expressão adverbial “às vezes”, que vem entre a locução conjuntiva “mesmo que” e “a frase”, sujeito da oração introduzida por “mesmo que”.
Vamos lá. Teria sido perfeitamente possível deixar “livre” a expressão adverbial “às vezes”, ou seja, teria sido possível não empregar as duas vírgulas (“...mesmo que às vezes a frase fique truncada”). É bom que se diga que, com as duas vírgulas, a expressão “às vezes” ganha ênfase, o que não ocorreria se não fossem empregadas as vírgulas.
O que não se pode fazer de jeito nenhum nesses casos é empregar a chamada “vírgula solteira”, que é aquela que perde o par no meio do caminho. Tradução: ou se escreve “...mesmo que, às vezes, a frase fique truncada” ou se escreve “...mesmo que às vezes a frase fique truncada”. [...]
(Pasquale Cipro Neto, publicado em: <https://www1.folha.uol.com.br/colunas/pasquale/2016/11/1831039-a-nao-menos-nobre-virgula.shtml>
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