Foram encontradas 45 questões.
Na Bienal do Rio, futebol e literatura entram em campo juntos
Com abertura marcada para quinta-feira, dia 29, a 16ª edição da Bienal do Livro do Rio tem como maior novidade um espaço dedicado a debates sobre futebol e literatura. Em um aquecimento para os bate-papos, escritores, jornalistas e pesquisadores falam sobre a relação entre o mundo das letras e o esporte das multidões no Brasil
por Leonardo Cazes
Os caminhos do futebol e da literatura nunca se cruzaram muito no Brasil. Apesar de não faltarem escritores apaixonados pelo esporte, há um consenso de que, com exceção da crônica, a produção literária sobre o tema ainda é pequena se comparada com o tamanho da devoção do país pelo universo da bola. Mas, às vésperas da Copa do Mundo de 2014, houve uma mudança nesse quadro: novos romances engrossam a lista de obras sobre o tema e a Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro, que começa na quinta-feira, terá um espaço exclusivo, o Placar Literário, para falar de futebol em suas múltiplas dimensões. O próprio mercado editorial parece estar fazendo as pazes com o esporte, pois nunca se lançou tantos livros sobre jogadores, clubes e campeonatos, ressalta João Máximo, jornalista do GLOBO e curador do espaço.
Historicamente, a relação entre futebol e as letras nunca foi propriamente tranquila. Bernardo Buarque de Hollanda, professor da Escola Superior de Ciências Sociais da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e que conversará com José Miguel Wisnik sobre “Amor e ódio na arquibancada”, no dia 1º de setembro, às 16h30m, destaca alguns momentos emblemáticos. O primeiro foi no final da década de 1910, quando o Brasil viveu um grande boom do esporte após a conquista do campeonato Sul-americano, em 1919, com uma vitória de 1 a 0 sobre o Uruguai no Estádio das Laranjeiras, no Rio de Janeiro. O título coincidiu com uma série de greves gerais e a organização do movimento operário, de onde sairiam os futuros ídolos esportivos.
— Os intelectuais e simpatizantes dos movimentos anarquistas e comunistas associam o futebol à fábrica de estratégias de distração dos trabalhadores pelas classes dirigentes, disseminando um profundo ceticismo sobre o esporte, tal como aparece na obra de Lima Barreto no início dos anos 1920 — afirma o professor.
Falsos inimigos da bola
A antipatia de Lima Barreto será, inclusive, tema de uma das mesas do Placar Literário. No dia 2 de setembro, às 18h30m, Dênis de Moraes, biógrafo de Graciliano Ramos, e Joel Rufino dos Santos participarão do debate “Graça e Lima, os falsos inimigos da bola”. Máximo conta que a rejeição de ambos ao esporte foi mal interpretada. No caso de Barreto, que chegou a fundar uma liga contra o futebol, sua raiva era justificada pelo caráter elitista da atividade na época. O primeiro clube a aceitar amplamente os negros em sua equipe, por exemplo, foi o Vasco da Gama, na década de 1920. Em 1914, o Fluminense chegou a escalar um jogador negro, Carlos Alberto, mas o obrigou a entrar em campo utilizando pó-de-arroz no rosto para disfarçar a sua cor. É daí que vem o apelido que o tricolor carrega até hoje.
— O Lima Barreto não foi contra o futebol, ele foi contra uma instituição que marginalizava os negros na sociedade, como ele. Ele chegou a esculhambar o próprio presidente da República que era contra a convocação de negros e mulatos para a seleção. Outra grande lenda que corre até hoje é que Graciliano Ramos previu que o futebol não vingaria no Brasil. Esse artigo que ele escreveu no início dos anos 1920, com o pseudônimo de J. Calisto, foi publicado num jornal de Palmeira dos Índios (AL). Na época, tentava-se introduzir o futebol na cidade, imitando os grandes centros onde ele já era popular. Quando Graciliano diz que o futebol não ia vingar aqui, ele se referia à cidade, não ao país — defende Máximo.
O principal retrato desta época é o livro “O negro no futebol brasileiro”, de Mário Filho, lançado em 1947. Para o escritor e jornalista Sérgio Rodrigues, este é o grande romance sobre futebol escrito no país, apesar de não ser uma obra de ficção. Rodrigues, que lança em setembro “O drible” (Companhia das Letras), afirma que o livro de Mário Filho é um “romance de não ficção”, pegando emprestado a expressão com que Truman Capote definia o seu “A sangue frio”, clássico do new journalism americano. O escritor chama a atenção para a linguagem de crônica e a enorme galeria de personagens e suas histórias apresentados na obra.
Bernardo Buarque de Hollanda enumera outras obras sobre futebol pouco conhecidas, como “Água-mãe”, publicada em 1941, de José Lins do Rêgo. Ela narra a melancólica trajetória de um craque dos gramados que é esquecido quando se contunde e se vê obrigado a abandonar o campo. Hollanda cita ainda “O sol escuro”, lançado em 1967, de Macedo Miranda, e o conto “O dia em que o Brasil perdeu a Copa”, de Paulo Perdigão, em 1975. O texto de Perdigão ficou mais conhecido por sua adaptação cinematográfica feita por Jorge Furtado e Anna Azevedo.
Apesar dos exemplos, o número é modesto. Sérgio Rodrigues, que participará da mesa “Gols de letra: dois romances” com Hélio de la Peña no dia 31 de agosto, às 18h30m, faz uma comparação com outros países e esportes para mostrar que o descompasso entre a paixão nacional e a produção literária não é só coisa nossa.
— Os casos são mesmo escassos, principalmente quando se leva em conta a força do futebol no país. Só não sei se faz muito sentido esse raciocínio que busca paralelos simplistas entre cultura esportiva e cultura literária. Não conheço o grande romance italiano de Fórmula 1 ou o grande romance japonês de sumô. Talvez porque o esporte seja um sistema narrativo completo, que não só prescinde de novas linguagens como tende até a rejeitá-las — diz o escritor.
(Disponível em: http://oglobo.globo.com/blogs/prosa. Acesso em: 27 ago. 2013. Adaptado.)
“Outra grande lenda que corre até hoje é que Graciliano Ramos previu que o futebol não vingaria no Brasil.” (§ 5)
A passagem acima faz referência a uma “grande lenda” pretensamente atribuída às ideias do escritor Graciliano Ramos. De acordo com o texto, tal afirmação se trata de uma lenda porque o referido escritor:
Provas
Na Bienal do Rio, futebol e literatura entram em campo juntos
Com abertura marcada para quinta-feira, dia 29, a 16ª edição da Bienal do Livro do Rio tem como maior novidade um espaço dedicado a debates sobre futebol e literatura. Em um aquecimento para os bate-papos, escritores, jornalistas e pesquisadores falam sobre a relação entre o mundo das letras e o esporte das multidões no Brasil
por Leonardo Cazes
Os caminhos do futebol e da literatura nunca se cruzaram muito no Brasil. Apesar de não faltarem escritores apaixonados pelo esporte, há um consenso de que, com exceção da crônica, a produção literária sobre o tema ainda é pequena se comparada com o tamanho da devoção do país pelo universo da bola. Mas, às vésperas da Copa do Mundo de 2014, houve uma mudança nesse quadro: novos romances engrossam a lista de obras sobre o tema e a Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro, que começa na quinta-feira, terá um espaço exclusivo, o Placar Literário, para falar de futebol em suas múltiplas dimensões. O próprio mercado editorial parece estar fazendo as pazes com o esporte, pois nunca se lançou tantos livros sobre jogadores, clubes e campeonatos, ressalta João Máximo, jornalista do GLOBO e curador do espaço.
Historicamente, a relação entre futebol e as letras nunca foi propriamente tranquila. Bernardo Buarque de Hollanda, professor da Escola Superior de Ciências Sociais da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e que conversará com José Miguel Wisnik sobre “Amor e ódio na arquibancada”, no dia 1º de setembro, às 16h30m, destaca alguns momentos emblemáticos. O primeiro foi no final da década de 1910, quando o Brasil viveu um grande boom do esporte após a conquista do campeonato Sul-americano, em 1919, com uma vitória de 1 a 0 sobre o Uruguai no Estádio das Laranjeiras, no Rio de Janeiro. O título coincidiu com uma série de greves gerais e a organização do movimento operário, de onde sairiam os futuros ídolos esportivos.
— Os intelectuais e simpatizantes dos movimentos anarquistas e comunistas associam o futebol à fábrica de estratégias de distração dos trabalhadores pelas classes dirigentes, disseminando um profundo ceticismo sobre o esporte, tal como aparece na obra de Lima Barreto no início dos anos 1920 — afirma o professor.
Falsos inimigos da bola
A antipatia de Lima Barreto será, inclusive, tema de uma das mesas do Placar Literário. No dia 2 de setembro, às 18h30m, Dênis de Moraes, biógrafo de Graciliano Ramos, e Joel Rufino dos Santos participarão do debate “Graça e Lima, os falsos inimigos da bola”. Máximo conta que a rejeição de ambos ao esporte foi mal interpretada. No caso de Barreto, que chegou a fundar uma liga contra o futebol, sua raiva era justificada pelo caráter elitista da atividade na época. O primeiro clube a aceitar amplamente os negros em sua equipe, por exemplo, foi o Vasco da Gama, na década de 1920. Em 1914, o Fluminense chegou a escalar um jogador negro, Carlos Alberto, mas o obrigou a entrar em campo utilizando pó-de-arroz no rosto para disfarçar a sua cor. É daí que vem o apelido que o tricolor carrega até hoje.
— O Lima Barreto não foi contra o futebol, ele foi contra uma instituição que marginalizava os negros na sociedade, como ele. Ele chegou a esculhambar o próprio presidente da República que era contra a convocação de negros e mulatos para a seleção. Outra grande lenda que corre até hoje é que Graciliano Ramos previu que o futebol não vingaria no Brasil. Esse artigo que ele escreveu no início dos anos 1920, com o pseudônimo de J. Calisto, foi publicado num jornal de Palmeira dos Índios (AL). Na época, tentava-se introduzir o futebol na cidade, imitando os grandes centros onde ele já era popular. Quando Graciliano diz que o futebol não ia vingar aqui, ele se referia à cidade, não ao país — defende Máximo.
O principal retrato desta época é o livro “O negro no futebol brasileiro”, de Mário Filho, lançado em 1947. Para o escritor e jornalista Sérgio Rodrigues, este é o grande romance sobre futebol escrito no país, apesar de não ser uma obra de ficção. Rodrigues, que lança em setembro “O drible” (Companhia das Letras), afirma que o livro de Mário Filho é um “romance de não ficção”, pegando emprestado a expressão com que Truman Capote definia o seu “A sangue frio”, clássico do new journalism americano. O escritor chama a atenção para a linguagem de crônica e a enorme galeria de personagens e suas histórias apresentados na obra.
Bernardo Buarque de Hollanda enumera outras obras sobre futebol pouco conhecidas, como “Água-mãe”, publicada em 1941, de José Lins do Rêgo. Ela narra a melancólica trajetória de um craque dos gramados que é esquecido quando se contunde e se vê obrigado a abandonar o campo. Hollanda cita ainda “O sol escuro”, lançado em 1967, de Macedo Miranda, e o conto “O dia em que o Brasil perdeu a Copa”, de Paulo Perdigão, em 1975. O texto de Perdigão ficou mais conhecido por sua adaptação cinematográfica feita por Jorge Furtado e Anna Azevedo.
Apesar dos exemplos, o número é modesto. Sérgio Rodrigues, que participará da mesa “Gols de letra: dois romances” com Hélio de la Peña no dia 31 de agosto, às 18h30m, faz uma comparação com outros países e esportes para mostrar que o descompasso entre a paixão nacional e a produção literária não é só coisa nossa.
— Os casos são mesmo escassos, principalmente quando se leva em conta a força do futebol no país. Só não sei se faz muito sentido esse raciocínio que busca paralelos simplistas entre cultura esportiva e cultura literária. Não conheço o grande romance italiano de Fórmula 1 ou o grande romance japonês de sumô. Talvez porque o esporte seja um sistema narrativo completo, que não só prescinde de novas linguagens como tende até a rejeitá-las — diz o escritor.
(Disponível em: http://oglobo.globo.com/blogs/prosa. Acesso em: 27 ago. 2013. Adaptado.)
De acordo com o texto, nas primeiras décadas do século XX, o futebol era visto pelos comunistas como:
Provas
Na Bienal do Rio, futebol e literatura entram em campo juntos
Com abertura marcada para quinta-feira, dia 29, a 16ª edição da Bienal do Livro do Rio tem como maior novidade um espaço dedicado a debates sobre futebol e literatura. Em um aquecimento para os bate-papos, escritores, jornalistas e pesquisadores falam sobre a relação entre o mundo das letras e o esporte das multidões no Brasil
por Leonardo Cazes
Os caminhos do futebol e da literatura nunca se cruzaram muito no Brasil. Apesar de não faltarem escritores apaixonados pelo esporte, há um consenso de que, com exceção da crônica, a produção literária sobre o tema ainda é pequena se comparada com o tamanho da devoção do país pelo universo da bola. Mas, às vésperas da Copa do Mundo de 2014, houve uma mudança nesse quadro: novos romances engrossam a lista de obras sobre o tema e a Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro, que começa na quinta-feira, terá um espaço exclusivo, o Placar Literário, para falar de futebol em suas múltiplas dimensões. O próprio mercado editorial parece estar fazendo as pazes com o esporte, pois nunca se lançou tantos livros sobre jogadores, clubes e campeonatos, ressalta João Máximo, jornalista do GLOBO e curador do espaço.
Historicamente, a relação entre futebol e as letras nunca foi propriamente tranquila. Bernardo Buarque de Hollanda, professor da Escola Superior de Ciências Sociais da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e que conversará com José Miguel Wisnik sobre “Amor e ódio na arquibancada”, no dia 1º de setembro, às 16h30m, destaca alguns momentos emblemáticos. O primeiro foi no final da década de 1910, quando o Brasil viveu um grande boom do esporte após a conquista do campeonato Sul-americano, em 1919, com uma vitória de 1 a 0 sobre o Uruguai no Estádio das Laranjeiras, no Rio de Janeiro. O título coincidiu com uma série de greves gerais e a organização do movimento operário, de onde sairiam os futuros ídolos esportivos.
— Os intelectuais e simpatizantes dos movimentos anarquistas e comunistas associam o futebol à fábrica de estratégias de distração dos trabalhadores pelas classes dirigentes, disseminando um profundo ceticismo sobre o esporte, tal como aparece na obra de Lima Barreto no início dos anos 1920 — afirma o professor.
Falsos inimigos da bola
A antipatia de Lima Barreto será, inclusive, tema de uma das mesas do Placar Literário. No dia 2 de setembro, às 18h30m, Dênis de Moraes, biógrafo de Graciliano Ramos, e Joel Rufino dos Santos participarão do debate “Graça e Lima, os falsos inimigos da bola”. Máximo conta que a rejeição de ambos ao esporte foi mal interpretada. No caso de Barreto, que chegou a fundar uma liga contra o futebol, sua raiva era justificada pelo caráter elitista da atividade na época. O primeiro clube a aceitar amplamente os negros em sua equipe, por exemplo, foi o Vasco da Gama, na década de 1920. Em 1914, o Fluminense chegou a escalar um jogador negro, Carlos Alberto, mas o obrigou a entrar em campo utilizando pó-de-arroz no rosto para disfarçar a sua cor. É daí que vem o apelido que o tricolor carrega até hoje.
— O Lima Barreto não foi contra o futebol, ele foi contra uma instituição que marginalizava os negros na sociedade, como ele. Ele chegou a esculhambar o próprio presidente da República que era contra a convocação de negros e mulatos para a seleção. Outra grande lenda que corre até hoje é que Graciliano Ramos previu que o futebol não vingaria no Brasil. Esse artigo que ele escreveu no início dos anos 1920, com o pseudônimo de J. Calisto, foi publicado num jornal de Palmeira dos Índios (AL). Na época, tentava-se introduzir o futebol na cidade, imitando os grandes centros onde ele já era popular. Quando Graciliano diz que o futebol não ia vingar aqui, ele se referia à cidade, não ao país — defende Máximo.
O principal retrato desta época é o livro “O negro no futebol brasileiro”, de Mário Filho, lançado em 1947. Para o escritor e jornalista Sérgio Rodrigues, este é o grande romance sobre futebol escrito no país, apesar de não ser uma obra de ficção. Rodrigues, que lança em setembro “O drible” (Companhia das Letras), afirma que o livro de Mário Filho é um “romance de não ficção”, pegando emprestado a expressão com que Truman Capote definia o seu “A sangue frio”, clássico do new journalism americano. O escritor chama a atenção para a linguagem de crônica e a enorme galeria de personagens e suas histórias apresentados na obra.
Bernardo Buarque de Hollanda enumera outras obras sobre futebol pouco conhecidas, como “Água-mãe”, publicada em 1941, de José Lins do Rêgo. Ela narra a melancólica trajetória de um craque dos gramados que é esquecido quando se contunde e se vê obrigado a abandonar o campo. Hollanda cita ainda “O sol escuro”, lançado em 1967, de Macedo Miranda, e o conto “O dia em que o Brasil perdeu a Copa”, de Paulo Perdigão, em 1975. O texto de Perdigão ficou mais conhecido por sua adaptação cinematográfica feita por Jorge Furtado e Anna Azevedo.
Apesar dos exemplos, o número é modesto. Sérgio Rodrigues, que participará da mesa “Gols de letra: dois romances” com Hélio de la Peña no dia 31 de agosto, às 18h30m, faz uma comparação com outros países e esportes para mostrar que o descompasso entre a paixão nacional e a produção literária não é só coisa nossa.
— Os casos são mesmo escassos, principalmente quando se leva em conta a força do futebol no país. Só não sei se faz muito sentido esse raciocínio que busca paralelos simplistas entre cultura esportiva e cultura literária. Não conheço o grande romance italiano de Fórmula 1 ou o grande romance japonês de sumô. Talvez porque o esporte seja um sistema narrativo completo, que não só prescinde de novas linguagens como tende até a rejeitá-las — diz o escritor.
(Disponível em: http://oglobo.globo.com/blogs/prosa. Acesso em: 27 ago. 2013. Adaptado.)
Leia as afirmativas abaixo e assinale a alternativa em que NÃO há uma expressão típica da linguagem do futebol:
Provas
Na Bienal do Rio, futebol e literatura entram em campo juntos
Com abertura marcada para quinta-feira, dia 29, a 16ª edição da Bienal do Livro do Rio tem como maior novidade um espaço dedicado a debates sobre futebol e literatura. Em um aquecimento para os bate-papos, escritores, jornalistas e pesquisadores falam sobre a relação entre o mundo das letras e o esporte das multidões no Brasil
por Leonardo Cazes
Os caminhos do futebol e da literatura nunca se cruzaram muito no Brasil. Apesar de não faltarem escritores apaixonados pelo esporte, há um consenso de que, com exceção da crônica, a produção literária sobre o tema ainda é pequena se comparada com o tamanho da devoção do país pelo universo da bola. Mas, às vésperas da Copa do Mundo de 2014, houve uma mudança nesse quadro: novos romances engrossam a lista de obras sobre o tema e a Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro, que começa na quinta-feira, terá um espaço exclusivo, o Placar Literário, para falar de futebol em suas múltiplas dimensões. O próprio mercado editorial parece estar fazendo as pazes com o esporte, pois nunca se lançou tantos livros sobre jogadores, clubes e campeonatos, ressalta João Máximo, jornalista do GLOBO e curador do espaço.
Historicamente, a relação entre futebol e as letras nunca foi propriamente tranquila. Bernardo Buarque de Hollanda, professor da Escola Superior de Ciências Sociais da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e que conversará com José Miguel Wisnik sobre “Amor e ódio na arquibancada”, no dia 1º de setembro, às 16h30m, destaca alguns momentos emblemáticos. O primeiro foi no final da década de 1910, quando o Brasil viveu um grande boom do esporte após a conquista do campeonato Sul-americano, em 1919, com uma vitória de 1 a 0 sobre o Uruguai no Estádio das Laranjeiras, no Rio de Janeiro. O título coincidiu com uma série de greves gerais e a organização do movimento operário, de onde sairiam os futuros ídolos esportivos.
— Os intelectuais e simpatizantes dos movimentos anarquistas e comunistas associam o futebol à fábrica de estratégias de distração dos trabalhadores pelas classes dirigentes, disseminando um profundo ceticismo sobre o esporte, tal como aparece na obra de Lima Barreto no início dos anos 1920 — afirma o professor.
Falsos inimigos da bola
A antipatia de Lima Barreto será, inclusive, tema de uma das mesas do Placar Literário. No dia 2 de setembro, às 18h30m, Dênis de Moraes, biógrafo de Graciliano Ramos, e Joel Rufino dos Santos participarão do debate “Graça e Lima, os falsos inimigos da bola”. Máximo conta que a rejeição de ambos ao esporte foi mal interpretada. No caso de Barreto, que chegou a fundar uma liga contra o futebol, sua raiva era justificada pelo caráter elitista da atividade na época. O primeiro clube a aceitar amplamente os negros em sua equipe, por exemplo, foi o Vasco da Gama, na década de 1920. Em 1914, o Fluminense chegou a escalar um jogador negro, Carlos Alberto, mas o obrigou a entrar em campo utilizando pó-de-arroz no rosto para disfarçar a sua cor. É daí que vem o apelido que o tricolor carrega até hoje.
— O Lima Barreto não foi contra o futebol, ele foi contra uma instituição que marginalizava os negros na sociedade, como ele. Ele chegou a esculhambar o próprio presidente da República que era contra a convocação de negros e mulatos para a seleção. Outra grande lenda que corre até hoje é que Graciliano Ramos previu que o futebol não vingaria no Brasil. Esse artigo que ele escreveu no início dos anos 1920, com o pseudônimo de J. Calisto, foi publicado num jornal de Palmeira dos Índios (AL). Na época, tentava-se introduzir o futebol na cidade, imitando os grandes centros onde ele já era popular. Quando Graciliano diz que o futebol não ia vingar aqui, ele se referia à cidade, não ao país — defende Máximo.
O principal retrato desta época é o livro “O negro no futebol brasileiro”, de Mário Filho, lançado em 1947. Para o escritor e jornalista Sérgio Rodrigues, este é o grande romance sobre futebol escrito no país, apesar de não ser uma obra de ficção. Rodrigues, que lança em setembro “O drible” (Companhia das Letras), afirma que o livro de Mário Filho é um “romance de não ficção”, pegando emprestado a expressão com que Truman Capote definia o seu “A sangue frio”, clássico do new journalism americano. O escritor chama a atenção para a linguagem de crônica e a enorme galeria de personagens e suas histórias apresentados na obra.
Bernardo Buarque de Hollanda enumera outras obras sobre futebol pouco conhecidas, como “Água-mãe”, publicada em 1941, de José Lins do Rêgo. Ela narra a melancólica trajetória de um craque dos gramados que é esquecido quando se contunde e se vê obrigado a abandonar o campo. Hollanda cita ainda “O sol escuro”, lançado em 1967, de Macedo Miranda, e o conto “O dia em que o Brasil perdeu a Copa”, de Paulo Perdigão, em 1975. O texto de Perdigão ficou mais conhecido por sua adaptação cinematográfica feita por Jorge Furtado e Anna Azevedo.
Apesar dos exemplos, o número é modesto. Sérgio Rodrigues, que participará da mesa “Gols de letra: dois romances” com Hélio de la Peña no dia 31 de agosto, às 18h30m, faz uma comparação com outros países e esportes para mostrar que o descompasso entre a paixão nacional e a produção literária não é só coisa nossa.
— Os casos são mesmo escassos, principalmente quando se leva em conta a força do futebol no país. Só não sei se faz muito sentido esse raciocínio que busca paralelos simplistas entre cultura esportiva e cultura literária. Não conheço o grande romance italiano de Fórmula 1 ou o grande romance japonês de sumô. Talvez porque o esporte seja um sistema narrativo completo, que não só prescinde de novas linguagens como tende até a rejeitá-las — diz o escritorC.
(Disponível em: http://oglobo.globo.com/blogs/prosa. Acesso em: 27 ago. 2013. Adaptado.)
Assinale a alternativa em que a expressão sublinhada NÃO se refere especificamente ao futebol:
Provas
Na Bienal do Rio, futebol e literatura entram em campo juntos
Com abertura marcada para quinta-feira, dia 29, a 16ª edição da Bienal do Livro do Rio tem como maior novidade um espaço dedicado a debates sobre futebol e literatura. Em um aquecimento para os bate-papos, escritores, jornalistas e pesquisadores falam sobre a relação entre o mundo das letras e o esporte das multidões no Brasil
por Leonardo Cazes
Os caminhos do futebol e da literatura nunca se cruzaram muito no Brasil. Apesar de não faltarem escritores apaixonados pelo esporte, há um consenso de que, com exceção da crônica, a produção literária sobre o tema ainda é pequena se comparada com o tamanho da devoção do país pelo universo da bola. Mas, às vésperas da Copa do Mundo de 2014, houve uma mudança nesse quadro: novos romances engrossam a lista de obras sobre o tema e a Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro, que começa na quinta-feira, terá um espaço exclusivo, o Placar Literário, para falar de futebol em suas múltiplas dimensões. O próprio mercado editorial parece estar fazendo as pazes com o esporte, pois nunca se lançou tantos livros sobre jogadores, clubes e campeonatos, ressalta João Máximo, jornalista do GLOBO e curador do espaço.
Historicamente, a relação entre futebol e as letras nunca foi propriamente tranquila. Bernardo Buarque de Hollanda, professor da Escola Superior de Ciências Sociais da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e que conversará com José Miguel Wisnik sobre “Amor e ódio na arquibancada”, no dia 1º de setembro, às 16h30m, destaca alguns momentos emblemáticos. O primeiro foi no final da década de 1910, quando o Brasil viveu um grande boom do esporte após a conquista do campeonato Sul-americano, em 1919, com uma vitória de 1 a 0 sobre o Uruguai no Estádio das Laranjeiras, no Rio de Janeiro. O título coincidiu com uma série de greves gerais e a organização do movimento operário, de onde sairiam os futuros ídolos esportivos.
— Os intelectuais e simpatizantes dos movimentos anarquistas e comunistas associam o futebol à fábrica de estratégias de distração dos trabalhadores pelas classes dirigentes, disseminando um profundo ceticismo sobre o esporte, tal como aparece na obra de Lima Barreto no início dos anos 1920 — afirma o professor.
Falsos inimigos da bola
A antipatia de Lima Barreto será, inclusive, tema de uma das mesas do Placar Literário. No dia 2 de setembro, às 18h30m, Dênis de Moraes, biógrafo de Graciliano Ramos, e Joel Rufino dos Santos participarão do debate “Graça e Lima, os falsos inimigos da bola”. Máximo conta que a rejeição de ambos ao esporte foi mal interpretada. No caso de Barreto, que chegou a fundar uma liga contra o futebol, sua raiva era justificada pelo caráter elitista da atividade na época. O primeiro clube a aceitar amplamente os negros em sua equipe, por exemplo, foi o Vasco da Gama, na década de 1920. Em 1914, o Fluminense chegou a escalar um jogador negro, Carlos Alberto, mas o obrigou a entrar em campo utilizando pó-de-arroz no rosto para disfarçar a sua cor. É daí que vem o apelido que o tricolor carrega até hoje.
— O Lima Barreto não foi contra o futebol, ele foi contra uma instituição que marginalizava os negros na sociedade, como ele. Ele chegou a esculhambar o próprio presidente da República que era contra a convocação de negros e mulatos para a seleção. Outra grande lenda que corre até hoje é que Graciliano Ramos previu que o futebol não vingaria no Brasil. Esse artigo que ele escreveu no início dos anos 1920, com o pseudônimo de J. Calisto, foi publicado num jornal de Palmeira dos Índios (AL). Na época, tentava-se introduzir o futebol na cidade, imitando os grandes centros onde ele já era popular. Quando Graciliano diz que o futebol não ia vingar aqui, ele se referia à cidade, não ao país — defende Máximo.
O principal retrato desta época é o livro “O negro no futebol brasileiro”, de Mário Filho, lançado em 1947. Para o escritor e jornalista Sérgio Rodrigues, este é o grande romance sobre futebol escrito no país, apesar de não ser uma obra de ficção. Rodrigues, que lança em setembro “O drible” (Companhia das Letras), afirma que o livro de Mário Filho é um “romance de não ficção”, pegando emprestado a expressão com que Truman Capote definia o seu “A sangue frio”, clássico do new journalism americano. O escritor chama a atenção para a linguagem de crônica e a enorme galeria de personagens e suas histórias apresentados na obra.
Bernardo Buarque de Hollanda enumera outras obras sobre futebol pouco conhecidas, como “Água-mãe”, publicada em 1941, de José Lins do Rêgo. Ela narra a melancólica trajetória de um craque dos gramados que é esquecido quando se contunde e se vê obrigado a abandonar o campo. Hollanda cita ainda “O sol escuro”, lançado em 1967, de Macedo Miranda, e o conto “O dia em que o Brasil perdeu a Copa”, de Paulo Perdigão, em 1975. O texto de Perdigão ficou mais conhecido por sua adaptação cinematográfica feita por Jorge Furtado e Anna Azevedo.
Apesar dos exemplos, o número é modesto. Sérgio Rodrigues, que participará da mesa “Gols de letra: dois romances” com Hélio de la Peña no dia 31 de agosto, às 18h30m, faz uma comparação com outros países e esportes para mostrar que o descompasso entre a paixão nacional e a produção literária não é só coisa nossa.
— Os casos são mesmo escassos, principalmente quando se leva em conta a força do futebol no país. Só não sei se faz muito sentido esse raciocínio que busca paralelos simplistas entre cultura esportiva e cultura literária. Não conheço o grande romance italiano de Fórmula 1 ou o grande romance japonês de sumô. Talvez porque o esporte seja um sistema narrativo completo, que não só prescinde de novas linguagens como tende até a rejeitá-las — diz o escritor.
(Disponível em: http://oglobo.globo.com/blogs/prosa. Acesso em: 27 ago. 2013. Adaptado.)
Tendo por base o texto 2, analise as afirmativas abaixo:
I. A literatura brasileira apresenta uma lacuna considerável por não apresentar escritores que se interessem pelo futebol como esporte nacional.
II. As relações entre a literatura e o futebol, no contexto brasileiro, demonstram que o diálogo da primeira com o segundo historicamente se constituiu de forma tensa.
III. A relação entre literatura e futebol em nosso país pode ser considerada conflituosa, fato que não é observado em outros países, como na Itália ou no Japão.
Está CORRETO o que se afirma em:
Provas
CONTRA OS GARRANCHOS
Cursos de caligrafia atraem alunos que, apesar dos computadores, querem reaprender a letra cursiva
por Thiago Alves
Numa época em que os manuscritos andam cada vez mais raros, em que quase tudo é digitado num teclado de computador ou na tela de um smartphone, ainda existem pessoas interessadas em caligrafia, a arte milenar da escrita a mão. Nas escolas especializadas ou em aulas particulares, alunos repetem exaustivamente o abecedário em letra cursiva até alcançar uma estética primorosa. "As pessoas esqueceram como se escreve, temos de reensiná-Ias", diz Kátia Xanchão, instrutora de caligrafia do Senac Minas, especialista nos estilos inglês e bordado holandês. Carioca que se mudou para Belo Horizonte há 26 anos, Kátia até tentou não seguir os passos de calígrafa da mãe. Chegou a formar-se em administração de empresas, mas só trabalhou na área por um curto período. "Não gostei da profissão e resolvi cursar caligrafia", conta. Há doze anos, ela começou a dar aulas particulares e não parou mais. Assim que conseguiu uma boa clientela, largou de vez a antiga profissão. "Tenho uma boa rentabilidade e ainda faço o que amo." Adolescentes com garranchos ininteligíveis, vestibulandos e interessados em prestar concurso público são frequentes em sua sala de aula.
A restauradora Nathália Falagán, de 25 anos, é um exemplo dessa geração que praticamente abandonou a escrita a mão e procura, no curso de caligrafia, melhorar a própria letra. "Uso o computador ou o celular para me comunicar, praticamente não escrevo no papel", admite. A falta de prática com a caneta fez sua letra ficar quase ilegível, a ponto de deixar a moça constrangida nas primeiras aulas da faculdade de letras, que iniciou neste mês. "Se um dia vier a ser professora, terei pelo menos de ter letra bonita", afirma. O servidor estadual Geraldo Magela de Almeida, de 48 anos, se matriculou no começo de fevereiro. "Em apenas um mês de aulas, minha letra já está muito mais bonita." Pai de um rapaz que se prepara para prestar concurso público, Almeida recomendou as aulas de caligrafia ao filho. "A letra dele é horrível, e isso pode prejudicá-Io na prova."
Apaixonada pela escrita desde os tempos em que trabalhava como alfabetizadora, a educadora aposentada Marina Miranda não tem letra feia, mas voltou à escola como aprendiz em busca de uma terapia. "A caligrafia me deixa mais calma e ajuda a me concentrar", garante. A aposentada não descarta a possibilidade de trabalhar como calígrafa e complementar a renda sobrescritando convites de casamento e formatura. "É um bom passatempo para não ficar parada", diz ela.
A Associação de Calígrafos de Belo Horizonte estima que cerca de 2000 pessoas exerçam o ofício na cidade. Entre esses profissionais, um dos mais famosos é Silvio Antônio de Sousa, de 73 anos, que há mais de duas décadas ensina a técnica em seu escritório na Rua São Paulo, no Centro. Autor de dois livros sobre o assunto, o professor só dá aulas particulares. Para a primeira lição, não é preciso papel nem caneta. O que Sousa explica, antes de qualquer coisa, é como sentar-se corretamente à mesa. "Os meninos de hoje sentam-se na ponta da cadeira, com a coluna toda curvada. Não dá para escrever direito assim." Com sua mão sobre a do discípulo, ele mostra pacientemente como desenhar cada letra nas folhas pautadas. "Não existe caso incorrigível", assegura. Segundo o mestre dos calígrafos, bastam dez horas de aula para qualquer um sair de lá escrevendo bonito.
(ALVES, Thiago. Contra os garranchos. Revista Veja BH. Ano 46, n. 12, 20 mar. 2013, p. 33-34.)
“Autor de dois livros sobre o assunto, o professor só dá aulas particulares. Para a primeira lição, não é preciso papel nem caneta. O que Sousa explica, antes de qualquer coisa, é como sentar-se corretamente à mesa. „Os meninos de hoje sentam-se na ponta da cadeira, com a coluna toda curvada. Não dá para escrever direito assim." Com sua mão sobre a do discípulo, ele mostra pacientemente como desenhar cada letra nas folhas pautadas.” (§ 4)
Em relação ao trecho acima, assinale a afirmativa INCORRETA:
Provas
CONTRA OS GARRANCHOS
Cursos de caligrafia atraem alunos que, apesar dos computadores, querem reaprender a letra cursiva
por Thiago Alves
Numa época em que os manuscritos andam cada vez mais raros, em que quase tudo é digitado num teclado de computador ou na tela de um smartphone, ainda existem pessoas interessadas em caligrafia, a arte milenar da escrita a mão. Nas escolas especializadas ou em aulas particulares, alunos repetem exaustivamente o abecedário em letra cursiva até alcançar uma estética primorosa. "As pessoas esqueceram como se escreve, temos de reensiná-Ias", diz Kátia Xanchão, instrutora de caligrafia do Senac Minas, especialista nos estilos inglês e bordado holandês. Carioca que se mudou para Belo Horizonte há 26 anos, Kátia até tentou não seguir os passos de calígrafa da mãe. Chegou a formar-se em administração de empresas, mas só trabalhou na área por um curto período. "Não gostei da profissão e resolvi cursar caligrafia", conta. Há doze anos, ela começou a dar aulas particulares e não parou mais. Assim que conseguiu uma boa clientela, largou de vez a antiga profissão. "Tenho uma boa rentabilidade e ainda faço o que amo." Adolescentes com garranchos ininteligíveis, vestibulandos e interessados em prestar concurso público são frequentes em sua sala de aula.
A restauradora Nathália Falagán, de 25 anos, é um exemplo dessa geração que praticamente abandonou a escrita a mão e procura, no curso de caligrafia, melhorar a própria letra. "Uso o computador ou o celular para me comunicar, praticamente não escrevo no papel", admite. A falta de prática com a caneta fez sua letra ficar quase ilegível, a ponto de deixar a moça constrangida nas primeiras aulas da faculdade de letras, que iniciou neste mês. "Se um dia vier a ser professora, terei pelo menos de ter letra bonita", afirma. O servidor estadual Geraldo Magela de Almeida, de 48 anos, se matriculou no começo de fevereiro. "Em apenas um mês de aulas, minha letra já está muito mais bonita." Pai de um rapaz que se prepara para prestar concurso público, Almeida recomendou as aulas de caligrafia ao filho. "A letra dele é horrível, e isso pode prejudicá-Io na prova."
Apaixonada pela escrita desde os tempos em que trabalhava como alfabetizadora, a educadora aposentada Marina Miranda não tem letra feia, mas voltou à escola como aprendiz em busca de uma terapia. "A caligrafia me deixa mais calma e ajuda a me concentrar", garante. A aposentada não descarta a possibilidade de trabalhar como calígrafa e complementar a renda sobrescritando convites de casamento e formatura. "É um bom passatempo para não ficar parada", diz ela.
A Associação de Calígrafos de Belo Horizonte estima que cerca de 2000 pessoas exerçam o ofício na cidade. Entre esses profissionais, um dos mais famosos é Silvio Antônio de Sousa, de 73 anos, que há mais de duas décadas ensina a técnica em seu escritório na Rua São Paulo, no Centro. Autor de dois livros sobre o assunto, o professor só dá aulas particulares. Para a primeira lição, não é preciso papel nem caneta. O que Sousa explica, antes de qualquer coisa, é como sentar-se corretamente à mesa. "Os meninos de hoje sentam-se na ponta da cadeira, com a coluna toda curvada. Não dá para escrever direito assim." Com sua mão sobre a do discípulo, ele mostra pacientemente como desenhar cada letra nas folhas pautadas. "Não existe caso incorrigível", assegura. Segundo o mestre dos calígrafos, bastam dez horas de aula para qualquer um sair de lá escrevendo bonito.
(ALVES, Thiago. Contra os garranchos. Revista Veja BH. Ano 46, n. 12, 20 mar. 2013, p. 33-34.)
“ 'Não existe caso incorrigível' , assegura.” (§ 4)
Em relação ao termo “incorrigível”, é CORRETO afirmar que:
Provas
CONTRA OS GARRANCHOS
Cursos de caligrafia atraem alunos que, apesar dos computadores, querem reaprender a letra cursiva
por Thiago Alves
Numa época em que os manuscritos andam cada vez mais raros, em que quase tudo é digitado num teclado de computador ou na tela de um smartphone, ainda existem pessoas interessadas em caligrafia, a arte milenar da escrita a mão. Nas escolas especializadas ou em aulas particulares, alunos repetem exaustivamente o abecedário em letra cursiva até alcançar uma estética primorosa. "As pessoas esqueceram como se escreve, temos de reensiná-Ias", diz Kátia Xanchão, instrutora de caligrafia do Senac Minas, especialista nos estilos inglês e bordado holandês. Carioca que se mudou para Belo Horizonte há 26 anos, Kátia até tentou não seguir os passos de calígrafa da mãe. Chegou a formar-se em administração de empresas, mas só trabalhou na área por um curto período. "Não gostei da profissão e resolvi cursar caligrafia", conta. Há doze anos, ela começou a dar aulas particulares e não parou mais. Assim que conseguiu uma boa clientela, largou de vez a antiga profissão. "Tenho uma boa rentabilidade e ainda faço o que amo." Adolescentes com garranchos ininteligíveis, vestibulandos e interessados em prestar concurso público são frequentes em sua sala de aula.
A restauradora Nathália Falagán, de 25 anos, é um exemplo dessa geração que praticamente abandonou a escrita a mão e procura, no curso de caligrafia, melhorar a própria letra. "Uso o computador ou o celular para me comunicar, praticamente não escrevo no papel", admite. A falta de prática com a caneta fez sua letra ficar quase ilegível, a ponto de deixar a moça constrangida nas primeiras aulas da faculdade de letras, que iniciou neste mês. "Se um dia vier a ser professora, terei pelo menos de ter letra bonita", afirma. O servidor estadual Geraldo Magela de Almeida, de 48 anos, se matriculou no começo de fevereiro. "Em apenas um mês de aulas, minha letra já está muito mais bonita." Pai de um rapaz que se prepara para prestar concurso público, Almeida recomendou as aulas de caligrafia ao filho. "A letra dele é horrível, e isso pode prejudicá-Io na prova."
Apaixonada pela escrita desde os tempos em que trabalhava como alfabetizadora, a educadora aposentada Marina Miranda não tem letra feia, mas voltou à escola como aprendiz em busca de uma terapia. "A caligrafia me deixa mais calma e ajuda a me concentrar", garante. A aposentada não descarta a possibilidade de trabalhar como calígrafa e complementar a renda sobrescritando convites de casamento e formatura. "É um bom passatempo para não ficar parada", diz ela.
A Associação de Calígrafos de Belo Horizonte estima que cerca de 2000 pessoas exerçam o ofício na cidade. Entre esses profissionais, um dos mais famosos é Silvio Antônio de Sousa, de 73 anos, que há mais de duas décadas ensina a técnica em seu escritório na Rua São Paulo, no Centro. Autor de dois livros sobre o assunto, o professor só dá aulas particulares. Para a primeira lição, não é preciso papel nem caneta. O que Sousa explica, antes de qualquer coisa, é como sentar-se corretamente à mesa. "Os meninos de hoje sentam-se na ponta da cadeira, com a coluna toda curvada. Não dá para escrever direito assim." Com sua mão sobre a do discípulo, ele mostra pacientemente como desenhar cada letra nas folhas pautadas. "Não existe caso incorrigível", assegura. Segundo o mestre dos calígrafos, bastam dez horas de aula para qualquer um sair de lá escrevendo bonito.
(ALVES, Thiago. Contra os garranchos. Revista Veja BH. Ano 46, n. 12, 20 mar. 2013, p. 33-34.)
“ 'A letra dele é horrível, e isso pode prejudicá-lo na prova.' ” (§ 2)
No trecho acima, os pronomes sublinhados se referem, respectivamente:
Provas
CONTRA OS GARRANCHOS
Cursos de caligrafia atraem alunos que, apesar dos computadores, querem reaprender a letra cursiva
por Thiago Alves
Numa época em que os manuscritos andam cada vez mais raros, em que quase tudo é digitado num teclado de computador ou na tela de um smartphone, ainda existem pessoas interessadas em caligrafia, a arte milenar da escrita a mão. Nas escolas especializadas ou em aulas particulares, alunos repetem exaustivamente o abecedário em letra cursiva até alcançar uma estética primorosa. "As pessoas esqueceram como se escreve, temos de reensiná-Ias", diz Kátia Xanchão, instrutora de caligrafia do Senac Minas, especialista nos estilos inglês e bordado holandês. Carioca que se mudou para Belo Horizonte há 26 anos, Kátia até tentou não seguir os passos de calígrafa da mãe. Chegou a formar-se em administração de empresas, mas só trabalhou na área por um curto período. "Não gostei da profissão e resolvi cursar caligrafia", conta. Há doze anos, ela começou a dar aulas particulares e não parou mais. Assim que conseguiu uma boa clientela, largou de vez a antiga profissão. "Tenho uma boa rentabilidade e ainda faço o que amo." Adolescentes com garranchos ininteligíveis, vestibulandos e interessados em prestar concurso público são frequentes em sua sala de aula.
A restauradora Nathália Falagán, de 25 anos, é um exemplo dessa geração que praticamente abandonou a escrita a mão e procura, no curso de caligrafia, melhorar a própria letra. "Uso o computador ou o celular para me comunicar, praticamente não escrevo no papel", admite. A falta de prática com a caneta fez sua letra ficar quase ilegível, a ponto de deixar a moça constrangida nas primeiras aulas da faculdade de letras, que iniciou neste mês. "Se um dia vier a ser professora, terei pelo menos de ter letra bonita", afirma. O servidor estadual Geraldo Magela de Almeida, de 48 anos, se matriculou no começo de fevereiro. "Em apenas um mês de aulas, minha letra já está muito mais bonita." Pai de um rapaz que se prepara para prestar concurso público, Almeida recomendou as aulas de caligrafia ao filho. "A letra dele é horrível, e isso pode prejudicá-Io na prova."
Apaixonada pela escrita desde os tempos em que trabalhava como alfabetizadora, a educadora aposentada Marina Miranda não tem letra feia, mas voltou à escola como aprendiz em busca de uma terapia. "A caligrafia me deixa mais calma e ajuda a me concentrar", garante. A aposentada não descarta a possibilidade de trabalhar como calígrafa e complementar a renda sobrescritando convites de casamento e formatura. "É um bom passatempo para não ficar parada", diz ela.
A Associação de Calígrafos de Belo Horizonte estima que cerca de 2000 pessoas exerçam o ofício na cidade. Entre esses profissionais, um dos mais famosos é Silvio Antônio de Sousa, de 73 anos, que há mais de duas décadas ensina a técnica em seu escritório na Rua São Paulo, no Centro. Autor de dois livros sobre o assunto, o professor só dá aulas particulares. Para a primeira lição, não é preciso papel nem caneta. O que Sousa explica, antes de qualquer coisa, é como sentar-se corretamente à mesa. "Os meninos de hoje sentam-se na ponta da cadeira, com a coluna toda curvada. Não dá para escrever direito assim." Com sua mão sobre a do discípulo, ele mostra pacientemente como desenhar cada letra nas folhas pautadas. "Não existe caso incorrigível", assegura. Segundo o mestre dos calígrafos, bastam dez horas de aula para qualquer um sair de lá escrevendo bonito.
(ALVES, Thiago. Contra os garranchos. Revista Veja BH. Ano 46, n. 12, 20 mar. 2013, p. 33-34.)
“Numa época em que os manuscritos andam cada vez mais raros [...].” (§ 1)
Assinale a alternativa em que o verbo “andam” é usado com o mesmo sentido da informação acima:
Provas
CONTRA OS GARRANCHOS
Cursos de caligrafia atraem alunos que, apesar dos computadores, querem reaprender a letra cursiva
por Thiago Alves
Numa época em que os manuscritos andam cada vez mais raros, em que quase tudo é digitado num teclado de computador ou na tela de um smartphone, ainda existem pessoas interessadas em caligrafia, a arte milenar da escrita a mão. Nas escolas especializadas ou em aulas particulares, alunos repetem exaustivamente o abecedário em letra cursiva até alcançar uma estética primorosa. "As pessoas esqueceram como se escreve, temos de reensiná-Ias", diz Kátia Xanchão, instrutora de caligrafia do Senac Minas, especialista nos estilos inglês e bordado holandês. Carioca que se mudou para Belo Horizonte há 26 anos, Kátia até tentou não seguir os passos de calígrafa da mãe. Chegou a formar-se em administração de empresas, mas só trabalhou na área por um curto período. "Não gostei da profissão e resolvi cursar caligrafia", conta. Há doze anos, ela começou a dar aulas particulares e não parou mais. Assim que conseguiu uma boa clientela, largou de vez a antiga profissão. "Tenho uma boa rentabilidade e ainda faço o que amo." Adolescentes com garranchos ininteligíveis, vestibulandos e interessados em prestar concurso público são frequentes em sua sala de aula.
A restauradora Nathália Falagán, de 25 anos, é um exemplo dessa geração que praticamente abandonou a escrita a mão e procura, no curso de caligrafia, melhorar a própria letra. "Uso o computador ou o celular para me comunicar, praticamente não escrevo no papel", admite. A falta de prática com a caneta fez sua letra ficar quase ilegível, a ponto de deixar a moça constrangida nas primeiras aulas da faculdade de letras, que iniciou neste mês. "Se um dia vier a ser professora, terei pelo menos de ter letra bonita", afirma. O servidor estadual Geraldo Magela de Almeida, de 48 anos, se matriculou no começo de fevereiro. "Em apenas um mês de aulas, minha letra já está muito mais bonita." Pai de um rapaz que se prepara para prestar concurso público, Almeida recomendou as aulas de caligrafia ao filho. "A letra dele é horrível, e isso pode prejudicá-Io na prova."
Apaixonada pela escrita desde os tempos em que trabalhava como alfabetizadora, a educadora aposentada Marina Miranda não tem letra feia, mas voltou à escola como aprendiz em busca de uma terapia. "A caligrafia me deixa mais calma e ajuda a me concentrar", garante. A aposentada não descarta a possibilidade de trabalhar como calígrafa e complementar a renda sobrescritando convites de casamento e formatura. "É um bom passatempo para não ficar parada", diz ela.
A Associação de Calígrafos de Belo Horizonte estima que cerca de 2000 pessoas exerçam o ofício na cidade. Entre esses profissionais, um dos mais famosos é Silvio Antônio de Sousa, de 73 anos, que há mais de duas décadas ensina a técnica em seu escritório na Rua São Paulo, no Centro. Autor de dois livros sobre o assunto, o professor só dá aulas particulares. Para a primeira lição, não é preciso papel nem caneta. O que Sousa explica, antes de qualquer coisa, é como sentar-se corretamente à mesa. "Os meninos de hoje sentam-se na ponta da cadeira, com a coluna toda curvada. Não dá para escrever direito assim." Com sua mão sobre a do discípulo, ele mostra pacientemente como desenhar cada letra nas folhas pautadas. "Não existe caso incorrigível", assegura. Segundo o mestre dos calígrafos, bastam dez horas de aula para qualquer um sair de lá escrevendo bonito.
(ALVES, Thiago. Contra os garranchos. Revista Veja BH. Ano 46, n. 12, 20 mar. 2013, p. 33-34.)
“Nas escolas especializadas ou em aulas particulares, alunos repetem exaustivamente o abecedário em letra cursiva até alcançar uma estética primorosa.” (§ 1)
Assinale a alternativa que apresenta a palavra que substitui, sem mudança de sentido, o termo sublinhado no trecho acima:
Provas
Caderno Container