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- Interpretação de TextosTipologia e Gênero TextualTipologias TextuaisTexto Dissertativo-argumentativoEstratégias Argumentativas
• Leia o texto abaixo e responda às questões a ele pertinentes:
Eta povo bom danado
1º § Nosso povo é bom e até já foi melhor do que é hoje. Antigamente, éramos dulcíssimos, alegríssimos, tolerantíssimos, bondosíssimos, solidaríssimos, nossa História não narrava episódios de violência, não tínhamos nem vulcãozinho, um furacãozinho ou outras catástrofes naturais. Hoje, já não é mais bem assim. Lembramos, embora sem muito afinco, a escravidão, mantida até hoje, Canudos, a Revolta da Marinha e muitos outros episódios — e até uns abalos sísmicos e uns vendavais meio furacanescos vêm contribuindo para que não nos achemos mais tão abençoados assim e já há quem acredite que Deus devolveu seu passaporte brasileiro e hoje reside no Liechtenstein.
2º § Mas continuamos bons, notadamente em campanhas eleitorais, quando o povo, que nunca é culpado de nada, recebe os mais bajoulos elogios. O povo é trabalhador, ordeiro, disciplinado, cordial, boníssimo, alegríssimo etc. Ruins são “eles”, nunca nós. Mas, afinal, quem é o povo? Não somos nós mesmos? “Eles” são por acaso extraterrestres, ou mesmo estrangeiros (houve um tempo em que eram, principalmente os americanos, mas isso já deixou de colar faz tempo)? Não, não, somos nós mesmos. E, com perdão da má palavra, pois já fui metido a comunista e me lembro dela com arrepios, um pouco de autocrítica não faz mal a ninguém.
3º § Pois então, vamos pôr um pouco a mão na consciência, e com cuidado, senão pode doer bastante. É verdade ou não é que somos ótimos de cobrança e ruins de pagança? Andando a pé pelas ruas, denunciamos ferozmente os motoristas irresponsáveis, xingamos quem avança o sinal e abanamos desgostosamente a cabeça diante de filas duplas ou triplas, carros nas calçadas e outras abominações. Já ao volante de um carro, aceleramos na direção de pedestres (e, quando parados no sinal, damos uma aceleradinha em ponto morto, só para sobressaltar o infeliz que nos impede de prosseguir), nos consideramos no direito líquido e certo de atropelar e matar quem quer que esteja atravessando fora da faixa, bandalhamos à vontade, estacionamos na calçada e, se por acaso amassamos um carro parado sem ninguém dentro, jamais nos ocorre deixar um bilhete, com o número do telefone e a promessa de pagar o prejuízo.
4º § A depender do lado do balcão de serviços em que estejamos, somos pessoas muito diversas. Se estamos no lado a ser servido, vociferamos contra funcionários públicos, bancários e assemelhados que, por trás do guichê, em última análise, não somos nós também? Não blateramos encolerizados, quando ouvimos dizer que a polícia é corrupta? E, no entanto, quantos de nós já deram a “cervejinha” do guarda de trânsito ou oferecemos um “por fora” para que se quebre o galho e nos livrem daquilo a que legalmente estamos obrigados, para obedecermos à norma ou porque violentamos a norma? [...]
5º § O Maracanã em dia de clássico, linda festa do povo, bandeiras desfraldadas, catarse sublime, mitologia nacional a todo vapor, não é mesmo? É, sim, e, no dia da reabertura, só de torneiras arrancadas e furtadas houve centenas. Não se pode pôr espelhos nos banheiros, porque dão um jeito de levá-los. É, falar em banheiro, o da tribuna de honra (não o do “povão”, outro nome artístico para eles, nunca nós), segundo li nos jornais, estava em tais condições depois do jogo que daria náuseas a um suíno, mesmo de má formação. E quem tortura e mata, destrói orelhões, mutila estátuas, arrebenta lâmpadas, emporcalha as ruas, esburaca calçadas e depreda árvores? Quem fornece ao comércio de tóxicos o seu mercado e seu consequente poder? Eles, eles, eles fazem tudo isso. Eles são tão capazes de qualquer coisa que, sem a menor piedade, passam trotes cruéis a famílias de sequestrados e desaparecidos, aparentemente pelo simples prazer de causar mais sofrimento.
6º § Claro que há gente que não faz nada disso, mas a mentalidade de que são “eles” precisa acabar. E, junto com ela, a mania de arranjar um bode expiatório, sempre externo a nós e mais poderoso do que nós. Já foi o imperialismo americano, é a colonização portuguesa, o catolicismo, a mestiçagem, a falta de pena de morte, o ouro de Moscou, nosso mapa astrológico, qualquer coisa, porque, afinal, somos um povo bom. Não somos. Somos um povo como outro qualquer, gente como outra qualquer. Óbvio que somos culturalmente diversos dos outros povos, mas, no que isso é negativo — como nosso individualismo quase desumano, nossa generalizada atitude de “farinha pouca, meu pirão primeiro”, ou “dane-se o avião, que eu não sou piloto” etc. — podemos trabalhar para mudar.
7º § Embora eu considere besteira essa conversa de haver povos melhores ou piores do que outros, não custa provocar um pouco. Talvez, quem sabe, sejamos, não bons, mas maus. Pois não recebemos um dos países mais ricos do mundo e não vivemos perpetuamente assombrados pela miséria, pela instabilidade, pela fome e pela violência? [...]
(RIBEIRO, João Ubaldo. Eta povo bom danado. O Globo. 12 nov. 1995, 1º Caderno, p. 7.)
“Hoje, já não é mais bem assim.” (1º §)
Das alterações processadas na passagem acima, aquela em que a inserção do operador argumentativo em destaque NÃO acarreta mudança de sentido no texto é:
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Eta povo bom danado
1º § Nosso povo é bom e até já foi melhor do que é hoje. Antigamente, éramos dulcíssimos, alegríssimos, tolerantíssimos, bondosíssimos, solidaríssimos, nossa História não narrava episódios de violência, não tínhamos nem vulcãozinho, um furacãozinho ou outras catástrofes naturais. Hoje, já não é mais bem assim. Lembramos, embora sem muito afinco, a escravidão, mantida até hoje, Canudos, a Revolta da Marinha e muitos outros episódios — e até uns abalos sísmicos e uns vendavais meio furacanescos vêm contribuindo para que não nos achemos mais tão abençoados assim e já há quem acredite que Deus devolveu seu passaporte brasileiro e hoje reside no Liechtenstein.
2º § Mas continuamos bons, notadamente em campanhas eleitorais, quando o povo, que nunca é culpado de nada, recebe os mais bajoulos elogios. O povo é trabalhador, ordeiro, disciplinado, cordial, boníssimo, alegríssimo etc. Ruins são “eles”, nunca nós. Mas, afinal, quem é o povo? Não somos nós mesmos? “Eles” são por acaso extraterrestres, ou mesmo estrangeiros (houve um tempo em que eram, principalmente os americanos, mas isso já deixou de colar faz tempo)? Não, não, somos nós mesmos. E, com perdão da má palavra, pois já fui metido a comunista e me lembro dela com arrepios, um pouco de autocrítica não faz mal a ninguém.
3º § Pois então, vamos pôr um pouco a mão na consciência, e com cuidado, senão pode doer bastante. É verdade ou não é que somos ótimos de cobrança e ruins de pagança? Andando a pé pelas ruas, denunciamos ferozmente os motoristas irresponsáveis, xingamos quem avança o sinal e abanamos desgostosamente a cabeça diante de filas duplas ou triplas, carros nas calçadas e outras abominações. Já ao volante de um carro, aceleramos na direção de pedestres (e, quando parados no sinal, damos uma aceleradinha em ponto morto, só para sobressaltar o infeliz que nos impede de prosseguir), nos consideramos no direito líquido e certo de atropelar e matar quem quer que esteja atravessando fora da faixa, bandalhamos à vontade, estacionamos na calçada e, se por acaso amassamos um carro parado sem ninguém dentro, jamais nos ocorre deixar um bilhete, com o número do telefone e a promessa de pagar o prejuízo.
4º § A depender do lado do balcão de serviços em que estejamos, somos pessoas muito diversas. Se estamos no lado a ser servido, vociferamos contra funcionários públicos, bancários e assemelhados que, por trás do guichê, em última análise, não somos nós também? Não blateramos encolerizados, quando ouvimos dizer que a polícia é corrupta? E, no entanto, quantos de nós já deram a “cervejinha” do guarda de trânsito ou oferecemos um “por fora” para que se quebre o galho e nos livrem daquilo a que legalmente estamos obrigados, para obedecermos à norma ou porque violentamos a norma? [...]
5º § O Maracanã em dia de clássico, linda festa do povo, bandeiras desfraldadas, catarse sublime, mitologia nacional a todo vapor, não é mesmo? É, sim, e, no dia da reabertura, só de torneiras arrancadas e furtadas houve centenas. Não se pode pôr espelhos nos banheiros, porque dão um jeito de levá-los. É, falar em banheiro, o da tribuna de honra (não o do “povão”, outro nome artístico para eles, nunca nós), segundo li nos jornais, estava em tais condições depois do jogo que daria náuseas a um suíno, mesmo de má formação. E quem tortura e mata, destrói orelhões, mutila estátuas, arrebenta lâmpadas, emporcalha as ruas, esburaca calçadas e depreda árvores? Quem fornece ao comércio de tóxicos o seu mercado e seu consequente poder? Eles, eles, eles fazem tudo isso. Eles são tão capazes de qualquer coisa que, sem a menor piedade, passam trotes cruéis a famílias de sequestrados e desaparecidos, aparentemente pelo simples prazer de causar mais sofrimento.
6º § Claro que há gente que não faz nada disso, mas a mentalidade de que são “eles” precisa acabar. E, junto com ela, a mania de arranjar um bode expiatório, sempre externo a nós e mais poderoso do que nós. Já foi o imperialismo americano, é a colonização portuguesa, o catolicismo, a mestiçagem, a falta de pena de morte, o ouro de Moscou, nosso mapa astrológico, qualquer coisa, porque, afinal, somos um povo bom. Não somos. Somos um povo como outro qualquer, gente como outra qualquer. Óbvio que somos culturalmente diversos dos outros povos, mas, no que isso é negativo — como nosso individualismo quase desumano, nossa generalizada atitude de “farinha pouca, meu pirão primeiro”, ou “dane-se o avião, que eu não sou piloto” etc. — podemos trabalhar para mudar.
7º § Embora eu considere besteira essa conversa de haver povos melhores ou piores do que outros, não custa provocar um pouco. Talvez, quem sabe, sejamos, não bons, mas maus. Pois não recebemos um dos países mais ricos do mundo e não vivemos perpetuamente assombrados pela miséria, pela instabilidade, pela fome e pela violência? [...]
(RIBEIRO, João Ubaldo. Eta povo bom danado. O Globo. 12 nov. 1995, 1º Caderno, p. 7.)
“[...] um pouco de autocrítica não faz mal a ninguém.” (2º §)
“Pois então, vamos pôr um pouco a mão na consciência, e com cuidado, senão pode doer bastante.” (3º §)
Atentando para a grafia das palavras, a alternativa em que as lacunas são CORRETAMENTE preenchidas por mal e senão, respectivamente, é:
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- OrtografiaProblemas da Norma Culta
- MorfologiaAdjetivosClassificação dos Adjetivos
- Interpretação de Textos
• Leia o texto abaixo e responda às questões a ele pertinentes:
Eta povo bom danado
1º § Nosso povo é bom e até já foi melhor do que é hoje. Antigamente, éramos dulcíssimos, alegríssimos, tolerantíssimos, bondosíssimos, solidaríssimos, nossa História não narrava episódios de violência, não tínhamos nem vulcãozinho, um furacãozinho ou outras catástrofes naturais. Hoje, já não é mais bem assim. Lembramos, embora sem muito afinco, a escravidão, mantida até hoje, Canudos, a Revolta da Marinha e muitos outros episódios — e até uns abalos sísmicos e uns vendavais meio furacanescos vêm contribuindo para que não nos achemos mais tão abençoados assim e já há quem acredite que Deus devolveu seu passaporte brasileiro e hoje reside no Liechtenstein.
2º § Mas continuamos bons, notadamente em campanhas eleitorais, quando o povo, que nunca é culpado de nada, recebe os mais bajoulos elogios. O povo é trabalhador, ordeiro, disciplinado, cordial, boníssimo, alegríssimo etc. Ruins são “eles”, nunca nós. Mas, afinal, quem é o povo? Não somos nós mesmos? “Eles” são por acaso extraterrestres, ou mesmo estrangeiros (houve um tempo em que eram, principalmente os americanos, mas isso já deixou de colar faz tempo)? Não, não, somos nós mesmos. E, com perdão da má palavra, pois já fui metido a comunista e me lembro dela com arrepios, um pouco de autocrítica não faz mal a ninguém.
3º § Pois então, vamos pôr um pouco a mão na consciência, e com cuidado, senão pode doer bastante. É verdade ou não é que somos ótimos de cobrança e ruins de pagança? Andando a pé pelas ruas, denunciamos ferozmente os motoristas irresponsáveis, xingamos quem avança o sinal e abanamos desgostosamente a cabeça diante de filas duplas ou triplas, carros nas calçadas e outras abominações. Já ao volante de um carro, aceleramos na direção de pedestres (e, quando parados no sinal, damos uma aceleradinha em ponto morto, só para sobressaltar o infeliz que nos impede de prosseguir), nos consideramos no direito líquido e certo de atropelar e matar quem quer que esteja atravessando fora da faixa, bandalhamos à vontade, estacionamos na calçada e, se por acaso amassamos um carro parado sem ninguém dentro, jamais nos ocorre deixar um bilhete, com o número do telefone e a promessa de pagar o prejuízo.
4º § A depender do lado do balcão de serviços em que estejamos, somos pessoas muito diversas. Se estamos no lado a ser servido, vociferamos contra funcionários públicos, bancários e assemelhados que, por trás do guichê, em última análise, não somos nós também? Não blateramos encolerizados, quando ouvimos dizer que a polícia é corrupta? E, no entanto, quantos de nós já deram a “cervejinha” do guarda de trânsito ou oferecemos um “por fora” para que se quebre o galho e nos livrem daquilo a que legalmente estamos obrigados, para obedecermos à norma ou porque violentamos a norma? [...]
5º § O Maracanã em dia de clássico, linda festa do povo, bandeiras desfraldadas, catarse sublime, mitologia nacional a todo vapor, não é mesmo? É, sim, e, no dia da reabertura, só de torneiras arrancadas e furtadas houve centenas. Não se pode pôr espelhos nos banheiros, porque dão um jeito de levá-los. É, falar em banheiro, o da tribuna de honra (não o do “povão”, outro nome artístico para eles, nunca nós), segundo li nos jornais, estava em tais condições depois do jogo que daria náuseas a um suíno, mesmo de má formação. E quem tortura e mata, destrói orelhões, mutila estátuas, arrebenta lâmpadas, emporcalha as ruas, esburaca calçadas e depreda árvores? Quem fornece ao comércio de tóxicos o seu mercado e seu consequente poder? Eles, eles, eles fazem tudo isso. Eles são tão capazes de qualquer coisa que, sem a menor piedade, passam trotes cruéis a famílias de sequestrados e desaparecidos, aparentemente pelo simples prazer de causar mais sofrimento.
6º § Claro que há gente que não faz nada disso, mas a mentalidade de que são “eles” precisa acabar. E, junto com ela, a mania de arranjar um bode expiatório, sempre externo a nós e mais poderoso do que nós. Já foi o imperialismo americano, é a colonização portuguesa, o catolicismo, a mestiçagem, a falta de pena de morte, o ouro de Moscou, nosso mapa astrológico, qualquer coisa, porque, afinal, somos um povo bom. Não somos. Somos um povo como outro qualquer, gente como outra qualquer. Óbvio que somos culturalmente diversos dos outros povos, mas, no que isso é negativo — como nosso individualismo quase desumano, nossa generalizada atitude de “farinha pouca, meu pirão primeiro”, ou “dane-se o avião, que eu não sou piloto” etc. — podemos trabalhar para mudar.
7º § Embora eu considere besteira essa conversa de haver povos melhores ou piores do que outros, não custa provocar um pouco. Talvez, quem sabe, sejamos, não bons, mas maus. Pois não recebemos um dos países mais ricos do mundo e não vivemos perpetuamente assombrados pela miséria, pela instabilidade, pela fome e pela violência? [...]
(RIBEIRO, João Ubaldo. Eta povo bom danado. O Globo. 12 nov. 1995, 1º Caderno, p. 7.)
A sentença em que a concordância do adjetivo sublinhado está INCORRETA, com relação à norma culta da língua, é:
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Eta povo bom danado
1º § Nosso povo é bom e até já foi melhor do que é hoje. Antigamente, éramos dulcíssimos, alegríssimos, tolerantíssimos, bondosíssimos, solidaríssimos, nossa História não narrava episódios de violência, não tínhamos nem vulcãozinho, um furacãozinho ou outras catástrofes naturais. Hoje, já não é mais bem assim. Lembramos, embora sem muito afinco, a escravidão, mantida até hoje, Canudos, a Revolta da Marinha e muitos outros episódios — e até uns abalos sísmicos e uns vendavais meio furacanescos vêm contribuindo para que não nos achemos mais tão abençoados assim e já há quem acredite que Deus devolveu seu passaporte brasileiro e hoje reside no Liechtenstein.
2º § Mas continuamos bons, notadamente em campanhas eleitorais, quando o povo, que nunca é culpado de nada, recebe os mais bajoulos elogios. O povo é trabalhador, ordeiro, disciplinado, cordial, boníssimo, alegríssimo etc. Ruins são “eles”, nunca nós. Mas, afinal, quem é o povo? Não somos nós mesmos? “Eles” são por acaso extraterrestres, ou mesmo estrangeiros (houve um tempo em que eram, principalmente os americanos, mas isso já deixou de colar faz tempo)? Não, não, somos nós mesmos. E, com perdão da má palavra, pois já fui metido a comunista e me lembro dela com arrepios, um pouco de autocrítica não faz mal a ninguém.
3º § Pois então, vamos pôr um pouco a mão na consciência, e com cuidado, senão pode doer bastante. É verdade ou não é que somos ótimos de cobrança e ruins de pagança? Andando a pé pelas ruas, denunciamos ferozmente os motoristas irresponsáveis, xingamos quem avança o sinal e abanamos desgostosamente a cabeça diante de filas duplas ou triplas, carros nas calçadas e outras abominações. Já ao volante de um carro, aceleramos na direção de pedestres (e, quando parados no sinal, damos uma aceleradinha em ponto morto, só para sobressaltar o infeliz que nos impede de prosseguir), nos consideramos no direito líquido e certo de atropelar e matar quem quer que esteja atravessando fora da faixa, bandalhamos à vontade, estacionamos na calçada e, se por acaso amassamos um carro parado sem ninguém dentro, jamais nos ocorre deixar um bilhete, com o número do telefone e a promessa de pagar o prejuízo.
4º § A depender do lado do balcão de serviços em que estejamos, somos pessoas muito diversas. Se estamos no lado a ser servido, vociferamos contra funcionários públicos, bancários e assemelhados que, por trás do guichê, em última análise, não somos nós também? Não blateramos encolerizados, quando ouvimos dizer que a polícia é corrupta? E, no entanto, quantos de nós já deram a “cervejinha” do guarda de trânsito ou oferecemos um “por fora” para que se quebre o galho e nos livrem daquilo a que legalmente estamos obrigados, para obedecermos à norma ou porque violentamos a norma? [...]
5º § O Maracanã em dia de clássico, linda festa do povo, bandeiras desfraldadas, catarse sublime, mitologia nacional a todo vapor, não é mesmo? É, sim, e, no dia da reabertura, só de torneiras arrancadas e furtadas houve centenas. Não se pode pôr espelhos nos banheiros, porque dão um jeito de levá-los. É, falar em banheiro, o da tribuna de honra (não o do “povão”, outro nome artístico para eles, nunca nós), segundo li nos jornais, estava em tais condições depois do jogo que daria náuseas a um suíno, mesmo de má formação. E quem tortura e mata, destrói orelhões, mutila estátuas, arrebenta lâmpadas, emporcalha as ruas, esburaca calçadas e depreda árvores? Quem fornece ao comércio de tóxicos o seu mercado e seu consequente poder? Eles, eles, eles fazem tudo isso. Eles são tão capazes de qualquer coisa que, sem a menor piedade, passam trotes cruéis a famílias de sequestrados e desaparecidos, aparentemente pelo simples prazer de causar mais sofrimento.
6º § Claro que há gente que não faz nada disso, mas a mentalidade de que são “eles” precisa acabar. E, junto com ela, a mania de arranjar um bode expiatório, sempre externo a nós e mais poderoso do que nós. Já foi o imperialismo americano, é a colonização portuguesa, o catolicismo, a mestiçagem, a falta de pena de morte, o ouro de Moscou, nosso mapa astrológico, qualquer coisa, porque, afinal, somos um povo bom. Não somos. Somos um povo como outro qualquer, gente como outra qualquer. Óbvio que somos culturalmente diversos dos outros povos, mas, no que isso é negativo — como nosso individualismo quase desumano, nossa generalizada atitude de “farinha pouca, meu pirão primeiro”, ou “dane-se o avião, que eu não sou piloto” etc. — podemos trabalhar para mudar.
7º § Embora eu considere besteira essa conversa de haver povos melhores ou piores do que outros, não custa provocar um pouco. Talvez, quem sabe, sejamos, não bons, mas maus. Pois não recebemos um dos países mais ricos do mundo e não vivemos perpetuamente assombrados pela miséria, pela instabilidade, pela fome e pela violência? [...]
(RIBEIRO, João Ubaldo. Eta povo bom danado. O Globo. 12 nov. 1995, 1º Caderno, p. 7.)
A alternativa em que o pronome sublinhado NÃO faz referência ao termo ou expressão em destaque é:
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Na implantação da lavoura de café, a propagação vegetativa pode ser utilizada, sobretudo para a espécie C. canephora. Sobre a propagação vegetativa, assinale a afirmativa CORRETA:
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Na implantação da lavoura, é importante a definição da população e do arranjo das plantas do cafeeiro, pois se deve levar em consideração o manejo a ser praticado nos anos subsequentes.
Em relação ao arranjo das plantas do cafeeiro, analise as afirmativas abaixo:
I. Em plantios adensados, onde se utilizam de 6.000 a 7.500 plantas por hectare, prolonga-se o número de colheitas com altos rendimentos, maturação mais precoce e redução da competição com o mato.
II. Em áreas de topografia plana devem-se preferir espaçamentos maiores entre linhas que permitem populações de 2.500 a 5.000 plantas por hectare, com espaçamentos entre plantas de 0,5 a 0,75 m, sobretudo onde se prevê colheita mecanizada.
III. Culturas intercalares podem ser utilizadas na fase de formação da lavoura, como forma de reduzir os custos de formação, podendo utilizar gramíneas ou leguminosas.
Está CORRETO o que se afirma em:
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Desde a introdução do café no Brasil até a década de 1950, o seu cultivo era feito sob sombra. A partir de então o sombreamento foi quase que totalmente abandonado e o cultivo a pleno sol predominou nas lavouras cafeeiras. Sobre a arborização do cafezal, analise as afirmativas a seguir:
I. Admitindo-se que as previsões feitas pelo International Pannel of Climatic Change (IPCC) de aumento de 5,8oC na temperatura média da Terra nos próximos 50 anos, a arborização do cafezal se tornaria inviável tecnicamente pela formação de microclima entre as plantas, com elevação da temperatura e da umidade relativa.
II. A arborização do cafezal é benéfica porque reduz a incidência direta de luz intensa, trazendo benefícios à fotossíntese, visto que mantém os estômatos das folhas abertos por maior período.
III. O sombreamento das plantas de café prolonga a fase de enchimento e maturação dos grãos, com benefícios tanto na qualidade da bebida quanto na redução da amplitude da bienalidade.
IV. A arborização diminui a dependência de adubações químicas devido ao efeito de reciclagem de nutrientes no solo e reduz a ocorrência de ferrugem e broca-do-café.
É CORRETO o que se afirma apenas em:
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Em lavouras implantadas em grandes áreas, que permitem a total mecanização, o controle do mato que envolve mão de obra braçal torna-se inviável. Nessas condições o cafeicultor deve optar por utilizar alternativas que envolvam o controle químico do mato. Considerando o controle químico das plantas daninhas no cafezal e suas associações, analise as afirmativas abaixo:
I. Em lavouras novas, até o segundo ano de idade, a competição do mato é mais intensa e a utilização de herbicida seletivo em área total é mais eficiente e não depende de mão de obra braçal.
II. A utilização de somente herbicida seletivo em qualquer fase da cultura do café, desde plantas jovens até plantas adultas, é vantajosa em relação aos outros métodos, pois mantém a planta de café sempre livre da competição das plantas daninhas com as do café e dá maior sustentabilidade à exploração.
III. A utilização dos herbicidas fluazifop-p-butil e oryzalin, aplicados em jatos dirigidos nas linhas de plantio, associada com roçadora entre as linhas das plantas de café, é uma alternativa que se aplica para qualquer tamanho de área cultivada e declividade do solo.
Está CORRETO o que se afirma em:
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Apesar dos poucos estudos sobre perdas causadas por nematoides, há evidências de até 45% de redução na produtividade de grãos de café.
Sobre os nematoides que podem ocorrer na lavoura de café, assinale a afirmativa CORRETA:
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A suplementação nutricional do café ocorre pela aplicação de adubos fertilizantes, visto que as reservas do solo quase sempre não suprem as necessidades das plantas. Dentre os nutrientes essenciais, há aqueles que são absorvidos em menor quantidade pelas plantas, não obstante podem estar pouco disponíveis no solo. Sobre a adubação com micronutrientes, é CORRETO afirmar que:
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