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- Interpretação de TextosTipologia e Gênero TextualTipologias TextuaisTexto Dissertativo-argumentativoEstratégias Argumentativas
• Leia o texto abaixo e responda às questões a ele pertinentes:
Eta povo bom danado
1º § Nosso povo é bom e até já foi melhor do que é hoje. Antigamente, éramos dulcíssimos, alegríssimos, tolerantíssimos, bondosíssimos, solidaríssimos, nossa História não narrava episódios de violência, não tínhamos nem vulcãozinho, um furacãozinho ou outras catástrofes naturais. Hoje, já não é mais bem assim. Lembramos, embora sem muito afinco, a escravidão, mantida até hoje, Canudos, a Revolta da Marinha e muitos outros episódios — e até uns abalos sísmicos e uns vendavais meio furacanescos vêm contribuindo para que não nos achemos mais tão abençoados assim e já há quem acredite que Deus devolveu seu passaporte brasileiro e hoje reside no Liechtenstein.
2º § Mas continuamos bons, notadamente em campanhas eleitorais, quando o povo, que nunca é culpado de nada, recebe os mais bajoulos elogios. O povo é trabalhador, ordeiro, disciplinado, cordial, boníssimo, alegríssimo etc. Ruins são “eles”, nunca nós. Mas, afinal, quem é o povo? Não somos nós mesmos? “Eles” são por acaso extraterrestres, ou mesmo estrangeiros (houve um tempo em que eram, principalmente os americanos, mas isso já deixou de colar faz tempo)? Não, não, somos nós mesmos. E, com perdão da má palavra, pois já fui metido a comunista e me lembro dela com arrepios, um pouco de autocrítica não faz mal a ninguém.
3º § Pois então, vamos pôr um pouco a mão na consciência, e com cuidado, senão pode doer bastante. É verdade ou não é que somos ótimos de cobrança e ruins de pagança? Andando a pé pelas ruas, denunciamos ferozmente os motoristas irresponsáveis, xingamos quem avança o sinal e abanamos desgostosamente a cabeça diante de filas duplas ou triplas, carros nas calçadas e outras abominações. Já ao volante de um carro, aceleramos na direção de pedestres (e, quando parados no sinal, damos uma aceleradinha em ponto morto, só para sobressaltar o infeliz que nos impede de prosseguir), nos consideramos no direito líquido e certo de atropelar e matar quem quer que esteja atravessando fora da faixa, bandalhamos à vontade, estacionamos na calçada e, se por acaso amassamos um carro parado sem ninguém dentro, jamais nos ocorre deixar um bilhete, com o número do telefone e a promessa de pagar o prejuízo.
4º § A depender do lado do balcão de serviços em que estejamos, somos pessoas muito diversas. Se estamos no lado a ser servido, vociferamos contra funcionários públicos, bancários e assemelhados que, por trás do guichê, em última análise, não somos nós também? Não blateramos encolerizados, quando ouvimos dizer que a polícia é corrupta? E, no entanto, quantos de nós já deram a “cervejinha” do guarda de trânsito ou oferecemos um “por fora” para que se quebre o galho e nos livrem daquilo a que legalmente estamos obrigados, para obedecermos à norma ou porque violentamos a norma? [...]
5º § O Maracanã em dia de clássico, linda festa do povo, bandeiras desfraldadas, catarse sublime, mitologia nacional a todo vapor, não é mesmo? É, sim, e, no dia da reabertura, só de torneiras arrancadas e furtadas houve centenas. Não se pode pôr espelhos nos banheiros, porque dão um jeito de levá-los. É, falar em banheiro, o da tribuna de honra (não o do “povão”, outro nome artístico para eles, nunca nós), segundo li nos jornais, estava em tais condições depois do jogo que daria náuseas a um suíno, mesmo de má formação. E quem tortura e mata, destrói orelhões, mutila estátuas, arrebenta lâmpadas, emporcalha as ruas, esburaca calçadas e depreda árvores? Quem fornece ao comércio de tóxicos o seu mercado e seu consequente poder? Eles, eles, eles fazem tudo isso. Eles são tão capazes de qualquer coisa que, sem a menor piedade, passam trotes cruéis a famílias de sequestrados e desaparecidos, aparentemente pelo simples prazer de causar mais sofrimento.
6º § Claro que há gente que não faz nada disso, mas a mentalidade de que são “eles” precisa acabar. E, junto com ela, a mania de arranjar um bode expiatório, sempre externo a nós e mais poderoso do que nós. Já foi o imperialismo americano, é a colonização portuguesa, o catolicismo, a mestiçagem, a falta de pena de morte, o ouro de Moscou, nosso mapa astrológico, qualquer coisa, porque, afinal, somos um povo bom. Não somos. Somos um povo como outro qualquer, gente como outra qualquer. Óbvio que somos culturalmente diversos dos outros povos, mas, no que isso é negativo — como nosso individualismo quase desumano, nossa generalizada atitude de “farinha pouca, meu pirão primeiro”, ou “dane-se o avião, que eu não sou piloto” etc. — podemos trabalhar para mudar.
7º § Embora eu considere besteira essa conversa de haver povos melhores ou piores do que outros, não custa provocar um pouco. Talvez, quem sabe, sejamos, não bons, mas maus. Pois não recebemos um dos países mais ricos do mundo e não vivemos perpetuamente assombrados pela miséria, pela instabilidade, pela fome e pela violência? [...]
(RIBEIRO, João Ubaldo. Eta povo bom danado. O Globo. 12 nov. 1995, 1º Caderno, p. 7.)
“Hoje, já não é mais bem assim.” (1º §)
Das alterações processadas na passagem acima, aquela em que a inserção do operador argumentativo em destaque NÃO acarreta mudança de sentido no texto é:
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Eta povo bom danado
1º § Nosso povo é bom e até já foi melhor do que é hoje. Antigamente, éramos dulcíssimos, alegríssimos, tolerantíssimos, bondosíssimos, solidaríssimos, nossa História não narrava episódios de violência, não tínhamos nem vulcãozinho, um furacãozinho ou outras catástrofes naturais. Hoje, já não é mais bem assim. Lembramos, embora sem muito afinco, a escravidão, mantida até hoje, Canudos, a Revolta da Marinha e muitos outros episódios — e até uns abalos sísmicos e uns vendavais meio furacanescos vêm contribuindo para que não nos achemos mais tão abençoados assim e já há quem acredite que Deus devolveu seu passaporte brasileiro e hoje reside no Liechtenstein.
2º § Mas continuamos bons, notadamente em campanhas eleitorais, quando o povo, que nunca é culpado de nada, recebe os mais bajoulos elogios. O povo é trabalhador, ordeiro, disciplinado, cordial, boníssimo, alegríssimo etc. Ruins são “eles”, nunca nós. Mas, afinal, quem é o povo? Não somos nós mesmos? “Eles” são por acaso extraterrestres, ou mesmo estrangeiros (houve um tempo em que eram, principalmente os americanos, mas isso já deixou de colar faz tempo)? Não, não, somos nós mesmos. E, com perdão da má palavra, pois já fui metido a comunista e me lembro dela com arrepios, um pouco de autocrítica não faz mal a ninguém.
3º § Pois então, vamos pôr um pouco a mão na consciência, e com cuidado, senão pode doer bastante. É verdade ou não é que somos ótimos de cobrança e ruins de pagança? Andando a pé pelas ruas, denunciamos ferozmente os motoristas irresponsáveis, xingamos quem avança o sinal e abanamos desgostosamente a cabeça diante de filas duplas ou triplas, carros nas calçadas e outras abominações. Já ao volante de um carro, aceleramos na direção de pedestres (e, quando parados no sinal, damos uma aceleradinha em ponto morto, só para sobressaltar o infeliz que nos impede de prosseguir), nos consideramos no direito líquido e certo de atropelar e matar quem quer que esteja atravessando fora da faixa, bandalhamos à vontade, estacionamos na calçada e, se por acaso amassamos um carro parado sem ninguém dentro, jamais nos ocorre deixar um bilhete, com o número do telefone e a promessa de pagar o prejuízo.
4º § A depender do lado do balcão de serviços em que estejamos, somos pessoas muito diversas. Se estamos no lado a ser servido, vociferamos contra funcionários públicos, bancários e assemelhados que, por trás do guichê, em última análise, não somos nós também? Não blateramos encolerizados, quando ouvimos dizer que a polícia é corrupta? E, no entanto, quantos de nós já deram a “cervejinha” do guarda de trânsito ou oferecemos um “por fora” para que se quebre o galho e nos livrem daquilo a que legalmente estamos obrigados, para obedecermos à norma ou porque violentamos a norma? [...]
5º § O Maracanã em dia de clássico, linda festa do povo, bandeiras desfraldadas, catarse sublime, mitologia nacional a todo vapor, não é mesmo? É, sim, e, no dia da reabertura, só de torneiras arrancadas e furtadas houve centenas. Não se pode pôr espelhos nos banheiros, porque dão um jeito de levá-los. É, falar em banheiro, o da tribuna de honra (não o do “povão”, outro nome artístico para eles, nunca nós), segundo li nos jornais, estava em tais condições depois do jogo que daria náuseas a um suíno, mesmo de má formação. E quem tortura e mata, destrói orelhões, mutila estátuas, arrebenta lâmpadas, emporcalha as ruas, esburaca calçadas e depreda árvores? Quem fornece ao comércio de tóxicos o seu mercado e seu consequente poder? Eles, eles, eles fazem tudo isso. Eles são tão capazes de qualquer coisa que, sem a menor piedade, passam trotes cruéis a famílias de sequestrados e desaparecidos, aparentemente pelo simples prazer de causar mais sofrimento.
6º § Claro que há gente que não faz nada disso, mas a mentalidade de que são “eles” precisa acabar. E, junto com ela, a mania de arranjar um bode expiatório, sempre externo a nós e mais poderoso do que nós. Já foi o imperialismo americano, é a colonização portuguesa, o catolicismo, a mestiçagem, a falta de pena de morte, o ouro de Moscou, nosso mapa astrológico, qualquer coisa, porque, afinal, somos um povo bom. Não somos. Somos um povo como outro qualquer, gente como outra qualquer. Óbvio que somos culturalmente diversos dos outros povos, mas, no que isso é negativo — como nosso individualismo quase desumano, nossa generalizada atitude de “farinha pouca, meu pirão primeiro”, ou “dane-se o avião, que eu não sou piloto” etc. — podemos trabalhar para mudar.
7º § Embora eu considere besteira essa conversa de haver povos melhores ou piores do que outros, não custa provocar um pouco. Talvez, quem sabe, sejamos, não bons, mas maus. Pois não recebemos um dos países mais ricos do mundo e não vivemos perpetuamente assombrados pela miséria, pela instabilidade, pela fome e pela violência? [...]
(RIBEIRO, João Ubaldo. Eta povo bom danado. O Globo. 12 nov. 1995, 1º Caderno, p. 7.)
“[...] um pouco de autocrítica não faz mal a ninguém.” (2º §)
“Pois então, vamos pôr um pouco a mão na consciência, e com cuidado, senão pode doer bastante.” (3º §)
Atentando para a grafia das palavras, a alternativa em que as lacunas são CORRETAMENTE preenchidas por mal e senão, respectivamente, é:
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- OrtografiaProblemas da Norma Culta
- MorfologiaAdjetivosClassificação dos Adjetivos
- Interpretação de Textos
• Leia o texto abaixo e responda às questões a ele pertinentes:
Eta povo bom danado
1º § Nosso povo é bom e até já foi melhor do que é hoje. Antigamente, éramos dulcíssimos, alegríssimos, tolerantíssimos, bondosíssimos, solidaríssimos, nossa História não narrava episódios de violência, não tínhamos nem vulcãozinho, um furacãozinho ou outras catástrofes naturais. Hoje, já não é mais bem assim. Lembramos, embora sem muito afinco, a escravidão, mantida até hoje, Canudos, a Revolta da Marinha e muitos outros episódios — e até uns abalos sísmicos e uns vendavais meio furacanescos vêm contribuindo para que não nos achemos mais tão abençoados assim e já há quem acredite que Deus devolveu seu passaporte brasileiro e hoje reside no Liechtenstein.
2º § Mas continuamos bons, notadamente em campanhas eleitorais, quando o povo, que nunca é culpado de nada, recebe os mais bajoulos elogios. O povo é trabalhador, ordeiro, disciplinado, cordial, boníssimo, alegríssimo etc. Ruins são “eles”, nunca nós. Mas, afinal, quem é o povo? Não somos nós mesmos? “Eles” são por acaso extraterrestres, ou mesmo estrangeiros (houve um tempo em que eram, principalmente os americanos, mas isso já deixou de colar faz tempo)? Não, não, somos nós mesmos. E, com perdão da má palavra, pois já fui metido a comunista e me lembro dela com arrepios, um pouco de autocrítica não faz mal a ninguém.
3º § Pois então, vamos pôr um pouco a mão na consciência, e com cuidado, senão pode doer bastante. É verdade ou não é que somos ótimos de cobrança e ruins de pagança? Andando a pé pelas ruas, denunciamos ferozmente os motoristas irresponsáveis, xingamos quem avança o sinal e abanamos desgostosamente a cabeça diante de filas duplas ou triplas, carros nas calçadas e outras abominações. Já ao volante de um carro, aceleramos na direção de pedestres (e, quando parados no sinal, damos uma aceleradinha em ponto morto, só para sobressaltar o infeliz que nos impede de prosseguir), nos consideramos no direito líquido e certo de atropelar e matar quem quer que esteja atravessando fora da faixa, bandalhamos à vontade, estacionamos na calçada e, se por acaso amassamos um carro parado sem ninguém dentro, jamais nos ocorre deixar um bilhete, com o número do telefone e a promessa de pagar o prejuízo.
4º § A depender do lado do balcão de serviços em que estejamos, somos pessoas muito diversas. Se estamos no lado a ser servido, vociferamos contra funcionários públicos, bancários e assemelhados que, por trás do guichê, em última análise, não somos nós também? Não blateramos encolerizados, quando ouvimos dizer que a polícia é corrupta? E, no entanto, quantos de nós já deram a “cervejinha” do guarda de trânsito ou oferecemos um “por fora” para que se quebre o galho e nos livrem daquilo a que legalmente estamos obrigados, para obedecermos à norma ou porque violentamos a norma? [...]
5º § O Maracanã em dia de clássico, linda festa do povo, bandeiras desfraldadas, catarse sublime, mitologia nacional a todo vapor, não é mesmo? É, sim, e, no dia da reabertura, só de torneiras arrancadas e furtadas houve centenas. Não se pode pôr espelhos nos banheiros, porque dão um jeito de levá-los. É, falar em banheiro, o da tribuna de honra (não o do “povão”, outro nome artístico para eles, nunca nós), segundo li nos jornais, estava em tais condições depois do jogo que daria náuseas a um suíno, mesmo de má formação. E quem tortura e mata, destrói orelhões, mutila estátuas, arrebenta lâmpadas, emporcalha as ruas, esburaca calçadas e depreda árvores? Quem fornece ao comércio de tóxicos o seu mercado e seu consequente poder? Eles, eles, eles fazem tudo isso. Eles são tão capazes de qualquer coisa que, sem a menor piedade, passam trotes cruéis a famílias de sequestrados e desaparecidos, aparentemente pelo simples prazer de causar mais sofrimento.
6º § Claro que há gente que não faz nada disso, mas a mentalidade de que são “eles” precisa acabar. E, junto com ela, a mania de arranjar um bode expiatório, sempre externo a nós e mais poderoso do que nós. Já foi o imperialismo americano, é a colonização portuguesa, o catolicismo, a mestiçagem, a falta de pena de morte, o ouro de Moscou, nosso mapa astrológico, qualquer coisa, porque, afinal, somos um povo bom. Não somos. Somos um povo como outro qualquer, gente como outra qualquer. Óbvio que somos culturalmente diversos dos outros povos, mas, no que isso é negativo — como nosso individualismo quase desumano, nossa generalizada atitude de “farinha pouca, meu pirão primeiro”, ou “dane-se o avião, que eu não sou piloto” etc. — podemos trabalhar para mudar.
7º § Embora eu considere besteira essa conversa de haver povos melhores ou piores do que outros, não custa provocar um pouco. Talvez, quem sabe, sejamos, não bons, mas maus. Pois não recebemos um dos países mais ricos do mundo e não vivemos perpetuamente assombrados pela miséria, pela instabilidade, pela fome e pela violência? [...]
(RIBEIRO, João Ubaldo. Eta povo bom danado. O Globo. 12 nov. 1995, 1º Caderno, p. 7.)
A sentença em que a concordância do adjetivo sublinhado está INCORRETA, com relação à norma culta da língua, é:
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Eta povo bom danado
1º § Nosso povo é bom e até já foi melhor do que é hoje. Antigamente, éramos dulcíssimos, alegríssimos, tolerantíssimos, bondosíssimos, solidaríssimos, nossa História não narrava episódios de violência, não tínhamos nem vulcãozinho, um furacãozinho ou outras catástrofes naturais. Hoje, já não é mais bem assim. Lembramos, embora sem muito afinco, a escravidão, mantida até hoje, Canudos, a Revolta da Marinha e muitos outros episódios — e até uns abalos sísmicos e uns vendavais meio furacanescos vêm contribuindo para que não nos achemos mais tão abençoados assim e já há quem acredite que Deus devolveu seu passaporte brasileiro e hoje reside no Liechtenstein.
2º § Mas continuamos bons, notadamente em campanhas eleitorais, quando o povo, que nunca é culpado de nada, recebe os mais bajoulos elogios. O povo é trabalhador, ordeiro, disciplinado, cordial, boníssimo, alegríssimo etc. Ruins são “eles”, nunca nós. Mas, afinal, quem é o povo? Não somos nós mesmos? “Eles” são por acaso extraterrestres, ou mesmo estrangeiros (houve um tempo em que eram, principalmente os americanos, mas isso já deixou de colar faz tempo)? Não, não, somos nós mesmos. E, com perdão da má palavra, pois já fui metido a comunista e me lembro dela com arrepios, um pouco de autocrítica não faz mal a ninguém.
3º § Pois então, vamos pôr um pouco a mão na consciência, e com cuidado, senão pode doer bastante. É verdade ou não é que somos ótimos de cobrança e ruins de pagança? Andando a pé pelas ruas, denunciamos ferozmente os motoristas irresponsáveis, xingamos quem avança o sinal e abanamos desgostosamente a cabeça diante de filas duplas ou triplas, carros nas calçadas e outras abominações. Já ao volante de um carro, aceleramos na direção de pedestres (e, quando parados no sinal, damos uma aceleradinha em ponto morto, só para sobressaltar o infeliz que nos impede de prosseguir), nos consideramos no direito líquido e certo de atropelar e matar quem quer que esteja atravessando fora da faixa, bandalhamos à vontade, estacionamos na calçada e, se por acaso amassamos um carro parado sem ninguém dentro, jamais nos ocorre deixar um bilhete, com o número do telefone e a promessa de pagar o prejuízo.
4º § A depender do lado do balcão de serviços em que estejamos, somos pessoas muito diversas. Se estamos no lado a ser servido, vociferamos contra funcionários públicos, bancários e assemelhados que, por trás do guichê, em última análise, não somos nós também? Não blateramos encolerizados, quando ouvimos dizer que a polícia é corrupta? E, no entanto, quantos de nós já deram a “cervejinha” do guarda de trânsito ou oferecemos um “por fora” para que se quebre o galho e nos livrem daquilo a que legalmente estamos obrigados, para obedecermos à norma ou porque violentamos a norma? [...]
5º § O Maracanã em dia de clássico, linda festa do povo, bandeiras desfraldadas, catarse sublime, mitologia nacional a todo vapor, não é mesmo? É, sim, e, no dia da reabertura, só de torneiras arrancadas e furtadas houve centenas. Não se pode pôr espelhos nos banheiros, porque dão um jeito de levá-los. É, falar em banheiro, o da tribuna de honra (não o do “povão”, outro nome artístico para eles, nunca nós), segundo li nos jornais, estava em tais condições depois do jogo que daria náuseas a um suíno, mesmo de má formação. E quem tortura e mata, destrói orelhões, mutila estátuas, arrebenta lâmpadas, emporcalha as ruas, esburaca calçadas e depreda árvores? Quem fornece ao comércio de tóxicos o seu mercado e seu consequente poder? Eles, eles, eles fazem tudo isso. Eles são tão capazes de qualquer coisa que, sem a menor piedade, passam trotes cruéis a famílias de sequestrados e desaparecidos, aparentemente pelo simples prazer de causar mais sofrimento.
6º § Claro que há gente que não faz nada disso, mas a mentalidade de que são “eles” precisa acabar. E, junto com ela, a mania de arranjar um bode expiatório, sempre externo a nós e mais poderoso do que nós. Já foi o imperialismo americano, é a colonização portuguesa, o catolicismo, a mestiçagem, a falta de pena de morte, o ouro de Moscou, nosso mapa astrológico, qualquer coisa, porque, afinal, somos um povo bom. Não somos. Somos um povo como outro qualquer, gente como outra qualquer. Óbvio que somos culturalmente diversos dos outros povos, mas, no que isso é negativo — como nosso individualismo quase desumano, nossa generalizada atitude de “farinha pouca, meu pirão primeiro”, ou “dane-se o avião, que eu não sou piloto” etc. — podemos trabalhar para mudar.
7º § Embora eu considere besteira essa conversa de haver povos melhores ou piores do que outros, não custa provocar um pouco. Talvez, quem sabe, sejamos, não bons, mas maus. Pois não recebemos um dos países mais ricos do mundo e não vivemos perpetuamente assombrados pela miséria, pela instabilidade, pela fome e pela violência? [...]
(RIBEIRO, João Ubaldo. Eta povo bom danado. O Globo. 12 nov. 1995, 1º Caderno, p. 7.)
A alternativa em que o pronome sublinhado NÃO faz referência ao termo ou expressão em destaque é:
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Os fatores pré-analíticos, analíticos e pós-analíticos podem comprometer a qualidade dos resultados obtidos no laboratório de análises clínicas. Assinale a alternativa que apresenta um fator pré-analítico que pode comprometer a exatidão dos resultados:
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No diagnóstico da malária, as extensões sanguíneas podem ser úteis na identificação dos parasitas. É muito importante que a coloração seja adequada para que detalhes do agente possam ser identificados.
Dentre os corantes, os melhores resultados para identificação do parasita da malária (Leishmania) são obtidos pela coloração com:
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Segundo a RDC 302/2005, o Laboratório de Análises Clínicas assegura confiabilidade dos serviços laboratoriais prestados por meio de, no mínimo:
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A conservação da amostra biológica pode ser um fator determinante da qualidade na realização dos exames. A velocidade no processo de congelamento do soro ou plasma pode interferir na estabilidade da amostra. Com relação a esse processo, é CORRETO afirmar que:
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Ao realizar o controle de qualidade interno em um laboratório, os seguintes resultados foram obtidos para a dosagem em triplicata de uma amostra controle de glicose:
Dosagem 1: 69 mg/dL
Dosagem 2: 72 mg/dL
Dosagem 3: 60 mg/dL
O valor médio esperado era de 70 mg/dL e desvio padrão (SD) 3,5 mg/dL, considerando aceitável a diferença de +/- 1 SD da média. No que se refere às dosagens, leia as afirmativas abaixo:
I. Todas as dosagens estão dentro dos limites aceitáveis.
II. Somente as dosagens 1 e 2 ficaram dentro dos limites aceitáveis.
III. A dosagem 3 poderá ser utilizada na média geral, uma vez que está dentro dos limites aceitáveis.
É CORRETO o que se afirma apenas em:
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A leishmaniose é uma doença do sistema fagocítico mononuclear causada por protozoários cinetoplastídeos do gênero Leishmania. Os vetores transmissores da leishmaniose pertencem aos gêneros:
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