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48128 Ano: 2011
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
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10 de abril

Grande novidade! O motivo da vinda do barão é consultar o desembargador sobre a alforria coletiva e imediata dos escravos de Santa-Pia. Acabo de sabê-lo, e mais isto, que a principal razão da consulta é apenas a redação do ato. Não parecendo ao irmão que este seja acertado, perguntou-lhe o que é que o impelia a isso, uma vez que condenava a ideia atribuída ao governo de decretar a abolição, e obteve esta resposta, não sei se sutil, se profunda, se ambas as coisas ou nada:

— Quero deixar provado que julgo o ato do governo uma espoliação, por intervir no exercício de um direito que só pertence ao proprietário, e do qual uso com perda minha, porque assim o quero e posso.

Será a certeza da abolição que impele Santa-Pia a praticar esse ato, anterior de algumas semanas ou meses ao outro? A alguém que lhe fez tal pergunta respondeu Campos que não. “Não, disse ele, meu irmão crê na tentativa do governo, mas não no resultado, a não ser o desmantelo que vai lançar às fazendas. O ato que ele resolveu fazer exprime apenas a sinceridade das suas convicções e o seu gênio violento. Ele é capaz de propor a todos os senhores a alforria dos escravos já, e no dia seguinte propor a queda do governo que tentar fazê-lo por lei.”

Campos teve uma ideia. Lembrou ao irmão que, com a alforria imediata, ele prejudica a filha, herdeira sua. Santa-Pia franziu o sobrolho. Não era a ideia de negar o direito eventual da filha aos escravos; podia ser o desgosto de ver que, ainda em tal situação, e com todo o poder que tinha de dispor dos seus bens, vinha Fidélia perturbar-lhe a ação. Depois de alguns instantes, respirou largo, e respondeu que, antes de morto, o que era seu era somente seu. Não podendo dissuadi-lo, o desembargador cedeu ao pedido do irmão, e redigiram ambos a carta de alforria. Retendo o papel, Santa-Pia disse:

— Estou certo que poucos deles deixarão a fazenda; a maior parte ficará comigo, ganhando o salário que lhes vou marcar, e alguns até sem nada —, pelo gosto de morrer onde nasceram.

Machado de Assis. Memorial de Aires. In: Obra
completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2007.

Com relação ao trecho do romance Memorial de Aires, de Machado de Assis, e a temas por ele suscitados, julgue o item a seguir.

No trecho apresentado, está clara a intenção de Machado de Assis de estabelecer intertextualidade com a obra romântica de José de Alencar, especialmente com o romance Senhora, cuja intriga central gira em torno da abolição dos escravos.

 

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48127 Ano: 2011
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
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10 de abril

Grande novidade! O motivo da vinda do barão é consultar o desembargador sobre a alforria coletiva e imediata dos escravos de Santa-Pia. Acabo de sabê-lo, e mais isto, que a principal razão da consulta é apenas a redação do ato. Não parecendo ao irmão que este seja acertado, perguntou-lhe o que é que o impelia a isso, uma vez que condenava a ideia atribuída ao governo de decretar a abolição, e obteve esta resposta, não sei se sutil, se profunda, se ambas as coisas ou nada:

— Quero deixar provado que julgo o ato do governo uma espoliação, por intervir no exercício de um direito que só pertence ao proprietário, e do qual uso com perda minha, porque assim o quero e posso.

Será a certeza da abolição que impele Santa-Pia a praticar esse ato, anterior de algumas semanas ou meses ao outro? A alguém que lhe fez tal pergunta respondeu Campos que não. “Não, disse ele, meu irmão crê na tentativa do governo, mas não no resultado, a não ser o desmantelo que vai lançar às fazendas. O ato que ele resolveu fazer exprime apenas a sinceridade das suas convicções e o seu gênio violento. Ele é capaz de propor a todos os senhores a alforria dos escravos já, e no dia seguinte propor a queda do governo que tentar fazê-lo por lei.”

Campos teve uma ideia. Lembrou ao irmão que, com a alforria imediata, ele prejudica a filha, herdeira sua. Santa-Pia franziu o sobrolho. Não era a ideia de negar o direito eventual da filha aos escravos; podia ser o desgosto de ver que, ainda em tal situação, e com todo o poder que tinha de dispor dos seus bens, vinha Fidélia perturbar-lhe a ação. Depois de alguns instantes, respirou largo, e respondeu que, antes de morto, o que era seu era somente seu. Não podendo dissuadi-lo, o desembargador cedeu ao pedido do irmão, e redigiram ambos a carta de alforria. Retendo o papel, Santa-Pia disse:

— Estou certo que poucos deles deixarão a fazenda; a maior parte ficará comigo, ganhando o salário que lhes vou marcar, e alguns até sem nada —, pelo gosto de morrer onde nasceram.

Machado de Assis. Memorial de Aires. In: Obra
completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2007.

Com relação ao trecho do romance Memorial de Aires, de Machado de Assis, e a temas por ele suscitados, julgue o item a seguir.

Por meio da apresentação de um debate entre irmãos relatado por uma terceira pessoa, a narrativa dá forma a uma contradição básica da formação da sociedade brasileira: a dominância dos interesses privados nos assuntos públicos.

 

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48126 Ano: 2011
Disciplina: História
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
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10 de abril

Grande novidade! O motivo da vinda do barão é consultar o desembargador sobre a alforria coletiva e imediata dos escravos de Santa-Pia. Acabo de sabê-lo, e mais isto, que a principal razão da consulta é apenas a redação do ato. Não parecendo ao irmão que este seja acertado, perguntou-lhe o que é que o impelia a isso, uma vez que condenava a ideia atribuída ao governo de decretar a abolição, e obteve esta resposta, não sei se sutil, se profunda, se ambas as coisas ou nada:

— Quero deixar provado que julgo o ato do governo uma espoliação, por intervir no exercício de um direito que só pertence ao proprietário, e do qual uso com perda minha, porque assim o quero e posso.

Será a certeza da abolição que impele Santa-Pia a praticar esse ato, anterior de algumas semanas ou meses ao outro? A alguém que lhe fez tal pergunta respondeu Campos que não. “Não, disse ele, meu irmão crê na tentativa do governo, mas não no resultado, a não ser o desmantelo que vai lançar às fazendas. O ato que ele resolveu fazer exprime apenas a sinceridade das suas convicções e o seu gênio violento. Ele é capaz de propor a todos os senhores a alforria dos escravos já, e no dia seguinte propor a queda do governo que tentar fazê-lo por lei.”

Campos teve uma ideia. Lembrou ao irmão que, com a alforria imediata, ele prejudica a filha, herdeira sua. Santa-Pia franziu o sobrolho. Não era a ideia de negar o direito eventual da filha aos escravos; podia ser o desgosto de ver que, ainda em tal situação, e com todo o poder que tinha de dispor dos seus bens, vinha Fidélia perturbar-lhe a ação. Depois de alguns instantes, respirou largo, e respondeu que, antes de morto, o que era seu era somente seu. Não podendo dissuadi-lo, o desembargador cedeu ao pedido do irmão, e redigiram ambos a carta de alforria. Retendo o papel, Santa-Pia disse:

— Estou certo que poucos deles deixarão a fazenda; a maior parte ficará comigo, ganhando o salário que lhes vou marcar, e alguns até sem nada —, pelo gosto de morrer onde nasceram.

Machado de Assis. Memorial de Aires. In: Obra
completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2007.

Com relação ao trecho do romance Memorial de Aires, de Machado de Assis, e a temas por ele suscitados, julgue o item a seguir.

Da proibição do tráfico negreiro à Lei Áurea, foi longo e complexo o processo de debate e aprovação das leis abolicionistas no Parlamento do Império, o que demonstra a força política dos que representavam interesses de latifundiários e escravocratas no interior do Estado brasileiro.

 

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48125 Ano: 2011
Disciplina: Música
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
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O sistema de classificação de instrumentos musicais criado por Erich von Hornbostel e Curt Sachs em 1914 é utilizado até hoje. Segundo esse sistema, as fontes sonoras classificam-se em cinco grandes grupos, considerando-se a forma como o som é produzido: cordofones — através da vibração de uma ou mais cordas tensionadas; membranofones — através da vibração de uma membrana estendida e tensionada; aerofones — através da vibração do ar ou de sua passagem pelo instrumento; idiofones — através da vibração do corpo do instrumento, ou alguma de suas partes, decorrente da própria elasticidade do material, sem necessidade de tensão adicional, cordas, membranas ou colunas de ar; eletrofones — através da passagem de corrente elétrica.

Com relação ao texto acima e aos instrumentos musicais utilizados na música popular e folclórica brasileira, julgue o item a seguir.

O trio de forró é formado por sanfona, zabumba e triângulo, que correspondem, respectivamente, aos grupos de idiofones, cordofones e membranofones.

 

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48124 Ano: 2011
Disciplina: Música
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
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O sistema de classificação de instrumentos musicais criado por Erich von Hornbostel e Curt Sachs em 1914 é utilizado até hoje. Segundo esse sistema, as fontes sonoras classificam-se em cinco grandes grupos, considerando-se a forma como o som é produzido: cordofones — através da vibração de uma ou mais cordas tensionadas; membranofones — através da vibração de uma membrana estendida e tensionada; aerofones — através da vibração do ar ou de sua passagem pelo instrumento; idiofones — através da vibração do corpo do instrumento, ou alguma de suas partes, decorrente da própria elasticidade do material, sem necessidade de tensão adicional, cordas, membranas ou colunas de ar; eletrofones — através da passagem de corrente elétrica.

Com relação ao texto acima e aos instrumentos musicais utilizados na música popular e folclórica brasileira, julgue o item a seguir.

Considerados os múltiplos sons que produz, o pandeiro pode ser, corretamente, classificado como membranofone e também como idiofone.

 

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48123 Ano: 2011
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
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Não se sabe ao certo quando os primeiros escravos africanos foram trazidos para o Brasil. No entanto, é somente a partir do alvará de D. João III de 29 de março de 1549, que faculta o “resgate e recebimento de escravos da costa da Guiné e da ilha de São Tomé” para auxílio da cultura da cana e do trabalho dos engenhos, que a importação de escravos africanos para o Brasil cresce de forma vertiginosa. Já no final do século XVI, os africanos ocupavam majoritariamente a base da sociedade colonial brasileira, o que iria acentuar-se no século XVII. É possível que os primeiros escravos africanos tenham tido contato com a língua geral, mas, com a redução da presença indígena na zona açucareira, pode-se dizer que os escravos passaram a ter contato, desde cedo, com o português. Os escravos que eram incapazes de se comunicar nessa língua eram chamados de boçais, em oposição aos que demonstravam conhecer o português, que eram chamados de ladinos. No decorrer do século XVIII, com o ciclo do ouro, aumentou a onda migratória vinda de Portugal, e o tráfico negreiro também se orientou para as demandas cada vez maiores de mão de obra para a mineração, tendo aumentado, portanto, o acesso dos escravos africanos à língua portuguesa.

Dante Lucchesi. História do contato entre línguas no Brasil. In: Dante
Lucchesi, Alan Baxter e Ilza Ribeiro (Org.). O português afro-brasileiro.
Salvador: EDUFBA, 2009, p. 47-8 (com adaptações).

O gramático

Os negros discutiam
Que o cavalo sipantou
Mas o que mais sabia
Disse que era
Sipantarrou.

Oswald de Andrade. Poesias reunidas. 5. a ed.
Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1978.

Considerando o texto de Dante Lucchesi, o poema de Oswald de Andrade e as questões por eles suscitadas, julgue o item a seguir.

Considerando, de um lado, a questão linguística referida no texto e, de outro, as intenções propostas por Oswald de Andrade no Manifesto Pau-Brasil, pode-se apontar que, no poema, há tematização de aspectos relativos ao contato linguístico no Brasil colônia, como evidenciado na dicotomia “boçais”/“ladinos”.

 

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48122 Ano: 2011
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
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Não se sabe ao certo quando os primeiros escravos africanos foram trazidos para o Brasil. No entanto, é somente a partir do alvará de D. João III de 29 de março de 1549, que faculta o “resgate e recebimento de escravos da costa da Guiné e da ilha de São Tomé” para auxílio da cultura da cana e do trabalho dos engenhos, que a importação de escravos africanos para o Brasil cresce de forma vertiginosa. Já no final do século XVI, os africanos ocupavam majoritariamente a base da sociedade colonial brasileira, o que iria acentuar-se no século XVII. É possível que os primeiros escravos africanos tenham tido contato com a língua geral, mas, com a redução da presença indígena na zona açucareira, pode-se dizer que os escravos passaram a ter contato, desde cedo, com o português. Os escravos que eram incapazes de se comunicar nessa língua eram chamados de boçais, em oposição aos que demonstravam conhecer o português, que eram chamados de ladinos. No decorrer do século XVIII, com o ciclo do ouro, aumentou a onda migratória vinda de Portugal, e o tráfico negreiro também se orientou para as demandas cada vez maiores de mão de obra para a mineração, tendo aumentado, portanto, o acesso dos escravos africanos à língua portuguesa.

Dante Lucchesi. História do contato entre línguas no Brasil. In: Dante
Lucchesi, Alan Baxter e Ilza Ribeiro (Org.). O português afro-brasileiro.
Salvador: EDUFBA, 2009, p. 47-8 (com adaptações).

O gramático

Os negros discutiam
Que o cavalo sipantou
Mas o que mais sabia
Disse que era
Sipantarrou.

Oswald de Andrade. Poesias reunidas. 5. a ed.
Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1978.

Considerando o texto de Dante Lucchesi, o poema de Oswald de Andrade e as questões por eles suscitadas, julgue o item a seguir.

A estrutura do trecho “faculta o ‘resgate e recebimento de escravos da costa da Guiné e da ilha de São Tomé’ para auxílio da cultura da cana e do trabalho dos engenhos” está centrada em nominalizações, que — se consideradas as formas verbais cognatas — correspondem a estruturas verbais na voz passiva sem agente explícito.

 

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48121 Ano: 2011
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
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Não se sabe ao certo quando os primeiros escravos africanos foram trazidos para o Brasil. No entanto, é somente a partir do alvará de D. João III de 29 de março de 1549, que faculta o “resgate e recebimento de escravos da costa da Guiné e da ilha de São Tomé” para auxílio da cultura da cana e do trabalho dos engenhos, que a importação de escravos africanos para o Brasil cresce de forma vertiginosa. Já no final do século XVI, os africanos ocupavam majoritariamente a base da sociedade colonial brasileira, o que iria acentuar-se no século XVII. É possível que os primeiros escravos africanos tenham tido contato com a língua geral, mas, com a redução da presença indígena na zona açucareira, pode-se dizer que os escravos passaram a ter contato, desde cedo, com o português. Os escravos que eram incapazes de se comunicar nessa língua eram chamados de boçais, em oposição aos que demonstravam conhecer o português, que eram chamados de ladinos. No decorrer do século XVIII, com o ciclo do ouro, aumentou a onda migratória vinda de Portugal, e o tráfico negreiro também se orientou para as demandas cada vez maiores de mão de obra para a mineração, tendo aumentado, portanto, o acesso dos escravos africanos à língua portuguesa.

Dante Lucchesi. História do contato entre línguas no Brasil. In: Dante
Lucchesi, Alan Baxter e Ilza Ribeiro (Org.). O português afro-brasileiro.
Salvador: EDUFBA, 2009, p. 47-8 (com adaptações).

O gramático

Os negros discutiam
Que o cavalo sipantou
Mas o que mais sabia
Disse que era
Sipantarrou.

Oswald de Andrade. Poesias reunidas. 5. a ed.
Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1978.

Considerando o texto de Dante Lucchesi, o poema de Oswald de Andrade e as questões por eles suscitadas, julgue o item a seguir.

No texto, é destacada a importância do contato linguístico entre portugueses e escravos africanos como forma de atenuar a crueza das imagens historicamente associadas ao processo de escravidão.

 

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48120 Ano: 2011
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
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Não se sabe ao certo quando os primeiros escravos africanos foram trazidos para o Brasil. No entanto, é somente a partir do alvará de D. João III de 29 de março de 1549, que faculta o “resgate e recebimento de escravos da costa da Guiné e da ilha de São Tomé” para auxílio da cultura da cana e do trabalho dos engenhos, que a importação de escravos africanos para o Brasil cresce de forma vertiginosa. Já no final do século XVI, os africanos ocupavam majoritariamente a base da sociedade colonial brasileira, o que iria acentuar-se no século XVII. É possível que os primeiros escravos africanos tenham tido contato com a língua geral, mas, com a redução da presença indígena na zona açucareira, pode-se dizer que os escravos passaram a ter contato, desde cedo, com o português. Os escravos que eram incapazes de se comunicar nessa língua eram chamados de boçais, em oposição aos que demonstravam conhecer o português, que eram chamados de ladinos. No decorrer do século XVIII, com o ciclo do ouro, aumentou a onda migratória vinda de Portugal, e o tráfico negreiro também se orientou para as demandas cada vez maiores de mão de obra para a mineração, tendo aumentado, portanto, o acesso dos escravos africanos à língua portuguesa.

Dante Lucchesi. História do contato entre línguas no Brasil. In: Dante
Lucchesi, Alan Baxter e Ilza Ribeiro (Org.). O português afro-brasileiro.
Salvador: EDUFBA, 2009, p. 47-8 (com adaptações).

O gramático

Os negros discutiam
Que o cavalo sipantou
Mas o que mais sabia
Disse que era
Sipantarrou.

Oswald de Andrade. Poesias reunidas. 5. a ed.
Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1978.

Considerando o texto de Dante Lucchesi, o poema de Oswald de Andrade e as questões por eles suscitadas, julgue o item a seguir.

Ainda que se desconheça o significado dos verbos que são objeto de comparação no poema de Oswald de Andrade ou, ainda, admitindo-se a hipótese de que tais vocábulos não pertençam ao léxico da língua portuguesa, é correto inferir que, na discussão a que o poema se refere, os interlocutores demonstram capacidade de aplicar elementos estruturais da morfologia da língua portuguesa.

 

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48119 Ano: 2011
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
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Não se sabe ao certo quando os primeiros escravos africanos foram trazidos para o Brasil. No entanto, é somente a partir do alvará de D. João III de 29 de março de 1549, que faculta o “resgate e recebimento de escravos da costa da Guiné e da ilha de São Tomé” para auxílio da cultura da cana e do trabalho dos engenhos, que a importação de escravos africanos para o Brasil cresce de forma vertiginosa. Já no final do século XVI, os africanos ocupavam majoritariamente a base da sociedade colonial brasileira, o que iria acentuar-se no século XVII. É possível que os primeiros escravos africanos tenham tido contato com a língua geral, mas, com a redução da presença indígena na zona açucareira, pode-se dizer que os escravos passaram a ter contato, desde cedo, com o português. Os escravos que eram incapazes de se comunicar nessa língua eram chamados de boçais, em oposição aos que demonstravam conhecer o português, que eram chamados de ladinos. No decorrer do século XVIII, com o ciclo do ouro, aumentou a onda migratória vinda de Portugal, e o tráfico negreiro também se orientou para as demandas cada vez maiores de mão de obra para a mineração, tendo aumentado, portanto, o acesso dos escravos africanos à língua portuguesa.

Dante Lucchesi. História do contato entre línguas no Brasil. In: Dante
Lucchesi, Alan Baxter e Ilza Ribeiro (Org.). O português afro-brasileiro.
Salvador: EDUFBA, 2009, p. 47-8 (com adaptações).

O gramático

Os negros discutiam
Que o cavalo sipantou
Mas o que mais sabia
Disse que era
Sipantarrou.

Oswald de Andrade. Poesias reunidas. 5. a ed.
Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1978.

Considerando o texto de Dante Lucchesi, o poema de Oswald de Andrade e as questões por eles suscitadas, julgue o item a seguir.

Infere-se do texto que o alvará de 29 de março de 1549 foi o primeiro ato governamental da monarquia lusitana a normatizar ações relativas ao tráfico de escravos para o Brasil.

 

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