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Sobre gramáticos e revisores
Os gramáticos são entidades dotadas de um grande
poder.
Eles têm o poder para baixar leis sobre como as
palavras devem ser escritas e sobre como elas devem ser
ajuntadas. Seu poder vai ao ponto de poderem estabelecer
que uma certa palavra existe ou que tal palavra não existe.
Quando a dita palavra aparece em um texto, eles a
desrealizam por meio de uma palavra latina, deleatur,
afirmando que se trata de um simples fantasma.
Foi o que aconteceu com a palavra “estória”.
Atreva-se a escrevê-la! Os “revisores”, policiais da língua
que cumprem as ordens dos gramáticos, logo a transformam
em “história”, assumindo que o escritor a escreveu por
ignorar que ela foi a óbito.
Os revisores são seres obedientes: cumprem e fazem
cumprir as leis ditadas pelos gramáticos. Saramago descreve
a sua condição como seres “atados de pés e mãos por um
conjunto de proibições mais severas que um código penal”.
Olhos de falcão, têm de estar atentos aos mínimos detalhes.
Sua concentração nos detalhes é de tal ordem que, por vezes,
o sentido do texto, aquilo que o escritor está dizendo, lhes
escapa.
Aconteceu comigo. Escrevi um livro — O Poeta,
o Guerreiro, o Profeta. O argumento se construía
precisamente sobre a diferença entre “estória” e “história”.
Em um capítulo era “estória”. No outro, era “história”. Se
ele, o revisor, tivesse prestado atenção naquilo que eu estava
dizendo, ele teria notado que o aparecimento alternativo de
“estória” e “história” não podia ser acidental. Mas ele,
obediente às leis dos gramáticos, transformou todos os
“estórias” em “história”, tornando o meu livro
gramaticalmente correto e literariamente nonsense. Noutra
ocasião, o revisor enquadrou na reforma ortográfica uma fala
do Riobaldo, que eu citava. Ficou divertido ler Riobaldo,
jagunço de muitas mortes, contando seus casos com fala de
professora primária.
Saramago tem medo dos revisores. Não permite que
eles metam o bedelho nos seus livros para enquadrá-los às
regras da gramática. Desprezando vírgulas e pontos, ele
vai em frente, consciente de que seus leitores são
suficientemente inteligentes para colocar as vírgulas e os
pontos nos lugares que sua respiração e o sentido
determinarem.
Mas o escritor português sabe que os revisores são
pessoas que sofrem. Deve ser terrível viver o tempo todo sob
a tirania das leis dos gramáticos e sob a tirania do texto do
autor a que eles têm de se submeter, sem dar sua
contribuição pessoal. Afinal de contas o revisor não gosta de
ser revisor. Ele queria mesmo era ser escritor.
Assim, contrariamente ao que já disse, fico a pensar
que talvez o poder dos revisores seja maior que o poder dos
gramáticos: com uma única palavra, eles podem mudar o
mundo ou arruinar um livro.
Rubem Alves. Folha de S. Paulo, 20/1/2009. Internet: www1.folha.uol.com.br (com adaptações).
Julgue os itens de 96 a 103, no tocante aos aspectos intrínsecos e extrínsecos do texto.
Ao relacionar os revisores a “policiais da língua que cumprem as ordens dos gramáticos” (l.11-12), o autor empregou um recurso retórico-estilístico que confere ao texto maior força argumentativa.
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Sobre gramáticos e revisores
Os gramáticos são entidades dotadas de um grande
poder.
Eles têm o poder para baixar leis sobre como as
palavras devem ser escritas e sobre como elas devem ser
ajuntadas. Seu poder vai ao ponto de poderem estabelecer
que uma certa palavra existe ou que tal palavra não existe.
Quando a dita palavra aparece em um texto, eles a
desrealizam por meio de uma palavra latina, deleatur,
afirmando que se trata de um simples fantasma.
Foi o que aconteceu com a palavra “estória”.
Atreva-se a escrevê-la! Os “revisores”, policiais da língua
que cumprem as ordens dos gramáticos, logo a transformam
em “história”, assumindo que o escritor a escreveu por
ignorar que ela foi a óbito.
Os revisores são seres obedientes: cumprem e fazem
cumprir as leis ditadas pelos gramáticos. Saramago descreve
a sua condição como seres “atados de pés e mãos por um
conjunto de proibições mais severas que um código penal”.
Olhos de falcão, têm de estar atentos aos mínimos detalhes.
Sua concentração nos detalhes é de tal ordem que, por vezes,
o sentido do texto, aquilo que o escritor está dizendo, lhes
escapa.
Aconteceu comigo. Escrevi um livro — O Poeta,
o Guerreiro, o Profeta. O argumento se construía
precisamente sobre a diferença entre “estória” e “história”.
Em um capítulo era “estória”. No outro, era “história”. Se
ele, o revisor, tivesse prestado atenção naquilo que eu estava
dizendo, ele teria notado que o aparecimento alternativo de
“estória” e “história” não podia ser acidental. Mas ele,
obediente às leis dos gramáticos, transformou todos os
“estórias” em “história”, tornando o meu livro
gramaticalmente correto e literariamente nonsense. Noutra
ocasião, o revisor enquadrou na reforma ortográfica uma fala
do Riobaldo, que eu citava. Ficou divertido ler Riobaldo,
jagunço de muitas mortes, contando seus casos com fala de
professora primária.
Saramago tem medo dos revisores. Não permite que
eles metam o bedelho nos seus livros para enquadrá-los às
regras da gramática. Desprezando vírgulas e pontos, ele
vai em frente, consciente de que seus leitores são
suficientemente inteligentes para colocar as vírgulas e os
pontos nos lugares que sua respiração e o sentido
determinarem.
Mas o escritor português sabe que os revisores são
pessoas que sofrem. Deve ser terrível viver o tempo todo sob
a tirania das leis dos gramáticos e sob a tirania do texto do
autor a que eles têm de se submeter, sem dar sua
contribuição pessoal. Afinal de contas o revisor não gosta de
ser revisor. Ele queria mesmo era ser escritor.
Assim, contrariamente ao que já disse, fico a pensar
que talvez o poder dos revisores seja maior que o poder dos
gramáticos: com uma única palavra, eles podem mudar o
mundo ou arruinar um livro.
Rubem Alves. Folha de S. Paulo, 20/1/2009. Internet: www1.folha.uol.com.br (com adaptações).
Julgue os itens de 96 a 103, no tocante aos aspectos intrínsecos e extrínsecos do texto.
Ao longo do texto, o autor emprega aspas nas palavras ‘estória’ (l.10) e ‘história’ (l.13) como recurso estilístico para imprimir objetividade e clareza ao texto.
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Sobre gramáticos e revisores
Os gramáticos são entidades dotadas de um grande
poder.
Eles têm o poder para baixar leis sobre como as
palavras devem ser escritas e sobre como elas devem ser
ajuntadas. Seu poder vai ao ponto de poderem estabelecer
que uma certa palavra existe ou que tal palavra não existe.
Quando a dita palavra aparece em um texto, eles a
desrealizam por meio de uma palavra latina, deleatur,
afirmando que se trata de um simples fantasma.
Foi o que aconteceu com a palavra “estória”.
Atreva-se a escrevê-la! Os “revisores”, policiais da língua
que cumprem as ordens dos gramáticos, logo a transformam
em “história”, assumindo que o escritor a escreveu por
ignorar que ela foi a óbito.
Os revisores são seres obedientes: cumprem e fazem
cumprir as leis ditadas pelos gramáticos. Saramago descreve
a sua condição como seres “atados de pés e mãos por um
conjunto de proibições mais severas que um código penal”.
Olhos de falcão, têm de estar atentos aos mínimos detalhes.
Sua concentração nos detalhes é de tal ordem que, por vezes,
o sentido do texto, aquilo que o escritor está dizendo, lhes
escapa.
Aconteceu comigo. Escrevi um livro — O Poeta,
o Guerreiro, o Profeta. O argumento se construía
precisamente sobre a diferença entre “estória” e “história”.
Em um capítulo era “estória”. No outro, era “história”. Se
ele, o revisor, tivesse prestado atenção naquilo que eu estava
dizendo, ele teria notado que o aparecimento alternativo de
“estória” e “história” não podia ser acidental. Mas ele,
obediente às leis dos gramáticos, transformou todos os
“estórias” em “história”, tornando o meu livro
gramaticalmente correto e literariamente nonsense. Noutra
ocasião, o revisor enquadrou na reforma ortográfica uma fala
do Riobaldo, que eu citava. Ficou divertido ler Riobaldo,
jagunço de muitas mortes, contando seus casos com fala de
professora primária.
Saramago tem medo dos revisores. Não permite que
eles metam o bedelho nos seus livros para enquadrá-los às
regras da gramática. Desprezando vírgulas e pontos, ele
vai em frente, consciente de que seus leitores são
suficientemente inteligentes para colocar as vírgulas e os
pontos nos lugares que sua respiração e o sentido
determinarem.
Mas o escritor português sabe que os revisores são
pessoas que sofrem. Deve ser terrível viver o tempo todo sob
a tirania das leis dos gramáticos e sob a tirania do texto do
autor a que eles têm de se submeter, sem dar sua
contribuição pessoal. Afinal de contas o revisor não gosta de
ser revisor. Ele queria mesmo era ser escritor.
Assim, contrariamente ao que já disse, fico a pensar
que talvez o poder dos revisores seja maior que o poder dos
gramáticos: com uma única palavra, eles podem mudar o
mundo ou arruinar um livro.
Rubem Alves. Folha de S. Paulo, 20/1/2009. Internet: www1.folha.uol.com.br (com adaptações).
Julgue os itens de 96 a 103, no tocante aos aspectos intrínsecos e extrínsecos do texto.
Estão coordenadas entre si as orações contidas em “sobre como as palavras devem ser escritas e sobre como elas devem ser ajuntadas” (l.3-5) e em “que uma certa palavra existe ou que tal palavra não existe” (l.6).
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Sobre gramáticos e revisores
Os gramáticos são entidades dotadas de um grande
poder.
Eles têm o poder para baixar leis sobre como as
palavras devem ser escritas e sobre como elas devem ser
ajuntadas. Seu poder vai ao ponto de poderem estabelecer
que uma certa palavra existe ou que tal palavra não existe.
Quando a dita palavra aparece em um texto, eles a
desrealizam por meio de uma palavra latina, deleatur,
afirmando que se trata de um simples fantasma.
Foi o que aconteceu com a palavra “estória”.
Atreva-se a escrevê-la! Os “revisores”, policiais da língua
que cumprem as ordens dos gramáticos, logo a transformam
em “história”, assumindo que o escritor a escreveu por
ignorar que ela foi a óbito.
Os revisores são seres obedientes: cumprem e fazem
cumprir as leis ditadas pelos gramáticos. Saramago descreve
a sua condição como seres “atados de pés e mãos por um
conjunto de proibições mais severas que um código penal”.
Olhos de falcão, têm de estar atentos aos mínimos detalhes.
Sua concentração nos detalhes é de tal ordem que, por vezes,
o sentido do texto, aquilo que o escritor está dizendo, lhes
escapa.
Aconteceu comigo. Escrevi um livro — O Poeta,
o Guerreiro, o Profeta. O argumento se construía
precisamente sobre a diferença entre “estória” e “história”.
Em um capítulo era “estória”. No outro, era “história”. Se
ele, o revisor, tivesse prestado atenção naquilo que eu estava
dizendo, ele teria notado que o aparecimento alternativo de
“estória” e “história” não podia ser acidental. Mas ele,
obediente às leis dos gramáticos, transformou todos os
“estórias” em “história”, tornando o meu livro
gramaticalmente correto e literariamente nonsense. Noutra
ocasião, o revisor enquadrou na reforma ortográfica uma fala
do Riobaldo, que eu citava. Ficou divertido ler Riobaldo,
jagunço de muitas mortes, contando seus casos com fala de
professora primária.
Saramago tem medo dos revisores. Não permite que
eles metam o bedelho nos seus livros para enquadrá-los às
regras da gramática. Desprezando vírgulas e pontos, ele
vai em frente, consciente de que seus leitores são
suficientemente inteligentes para colocar as vírgulas e os
pontos nos lugares que sua respiração e o sentido
determinarem.
Mas o escritor português sabe que os revisores são
pessoas que sofrem. Deve ser terrível viver o tempo todo sob
a tirania das leis dos gramáticos e sob a tirania do texto do
autor a que eles têm de se submeter, sem dar sua
contribuição pessoal. Afinal de contas o revisor não gosta de
ser revisor. Ele queria mesmo era ser escritor.
Assim, contrariamente ao que já disse, fico a pensar
que talvez o poder dos revisores seja maior que o poder dos
gramáticos: com uma única palavra, eles podem mudar o
mundo ou arruinar um livro.
Rubem Alves. Folha de S. Paulo, 20/1/2009. Internet: www1.folha.uol.com.br (com adaptações).
Julgue os itens de 96 a 103, no tocante aos aspectos intrínsecos e extrínsecos do texto.
Uma forma de reescrever os períodos contidos nas linhas de 3 a 6, objetivando-se dar-lhes concisão, mas sem perder as informações essenciais, é: Eles possuem o poder de legislar sobre a grafia, a sintaxe e a existência das palavras.
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Vida de professor de escola pública é um massacre
diário, especialmente nas grandes cidades. As salas são
superlotadas, boa parte dos alunos tem doenças, inclusive
mentais, os laboratórios não funcionam, os pais se envolvem
pouco na educação dos filhos, cujo repertório cultural é,
geralmente, baixo. Existem as mais variadas formas de violência
— do xingamento às agressões físicas. O sistema de aulas
dissertativas é insuportável para quem gosta de criatividade e
inovação.
Gilberto Dimenstein. Folha de S.Paulo, 31/5/2009, C
A respeito das ideias principais e da organização do parágrafo acima, julgue os itens que se seguem.
O texto está constituído por orações curtas, predominantemente coordenadas, não ocorrendo prolixidade nem linguagem rebuscada.
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Vida de professor de escola pública é um massacre
diário, especialmente nas grandes cidades. As salas são
superlotadas, boa parte dos alunos tem doenças, inclusive
mentais, os laboratórios não funcionam, os pais se envolvem
pouco na educação dos filhos, cujo repertório cultural é,
geralmente, baixo. Existem as mais variadas formas de violência
— do xingamento às agressões físicas. O sistema de aulas
dissertativas é insuportável para quem gosta de criatividade e
inovação.
Gilberto Dimenstein. Folha de S.Paulo, 31/5/2009, C
A respeito das ideias principais e da organização do parágrafo acima, julgue os itens que se seguem.
Um resumo do texto apresentado, que retome apenas as ideias centrais do texto, pode ser assim formulado: Os professores de escola pública, especialmente nas grandes cidades, sofrem diariamente com superlotação das salas, doenças dos alunos, laboratórios inoperantes, pais negligentes, variadas formas de violência, além de metodologia de ensino repetitiva.
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Vida de professor de escola pública é um massacre
diário, especialmente nas grandes cidades. As salas são
superlotadas, boa parte dos alunos tem doenças, inclusive
mentais, os laboratórios não funcionam, os pais se envolvem
pouco na educação dos filhos, cujo repertório cultural é,
geralmente, baixo. Existem as mais variadas formas de violência
— do xingamento às agressões físicas. O sistema de aulas
dissertativas é insuportável para quem gosta de criatividade e
inovação.
Gilberto Dimenstein. Folha de S.Paulo, 31/5/2009, C
A respeito das ideias principais e da organização do parágrafo acima, julgue os itens que se seguem.
Uma forma de dar seguimento coeso e coerente ao texto apresentado é acrescentar-lhe o período: Os diretores de escolas públicas, mesmo nas grandes cidades, gozam de maiores privilégios junto às secretarias estaduais de educação.
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Vida de professor de escola pública é um massacre
diário, especialmente nas grandes cidades. As salas são
superlotadas, boa parte dos alunos tem doenças, inclusive
mentais, os laboratórios não funcionam, os pais se envolvem
pouco na educação dos filhos, cujo repertório cultural é,
geralmente, baixo. Existem as mais variadas formas de violência
— do xingamento às agressões físicas. O sistema de aulas
dissertativas é insuportável para quem gosta de criatividade e
inovação.
Gilberto Dimenstein. Folha de S.Paulo, 31/5/2009, C
A respeito das ideias principais e da organização do parágrafo acima, julgue os itens que se seguem.
O desenvolvimento do parágrafo se faz por meio da enumeração ou descrição de detalhes.
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Vida de professor de escola pública é um massacre
diário, especialmente nas grandes cidades. As salas são
superlotadas, boa parte dos alunos tem doenças, inclusive
mentais, os laboratórios não funcionam, os pais se envolvem
pouco na educação dos filhos, cujo repertório cultural é,
geralmente, baixo. Existem as mais variadas formas de violência
— do xingamento às agressões físicas. O sistema de aulas
dissertativas é insuportável para quem gosta de criatividade e
inovação.
Gilberto Dimenstein. Folha de S.Paulo, 31/5/2009, C
A respeito das ideias principais e da organização do parágrafo acima, julgue os itens que se seguem.
O parágrafo apresentado consta de duas partes: o tópico frasal, que expressa a ideia-núcleo: a vida de professor de escola pública nas grandes cidades é um massacre diário; e o desenvolvimento, que se inicia em “As salas”.
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Julgue o item a seguir, referente a correspondência oficial.
Mensagem, ofício, memorando e ata constituem tipos de correspondência no âmbito da administração pública.
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Caderno Container