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A generalidade que o conhecimento físico alcançou no que diz respeito a seus princípios últimos se a elevação verdadeiramente filosófica que conquistou em nossos dias fazem com que ele supere de longe, em audácia, todos os feitos anteriores do pensamento científico.
(Schlick, 2016: 9.)
Formado no início da década de 1920 por um grupo de pensadores, como reação à filosofia idealista e especulativa que, como acreditavam seus membros, era praticada nos centros de estudos da Alemanha naquela época, o Círculo de Viena (Wiener Kreis) teve como principais influências as ideias dos positivistas Ernst Mach e Auguste Comte, a lógica de Russell, Whitehead, Peano e Frege, bem como os novos paradigmas da física contemporânea, especialmente as descobertas de Einstein. O Círculo de Viena pertencia a um movimento intelectual:
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Será que a natureza da atividade de pensar, o hábito de examinar, refletir sobre qualquer acontecimento poderia condicionar as pessoas a não fazer o mal? Estará entre os atributos da atividade do pensar, em sua natureza intrínseca, a possibilidade de evitar que se faça o mal? Ou será que podemos detectar uma das expressões do mal, qual seja, o mal banal como fruto do não exercício do pensar?
(Hannah Arendt, 1998.)
Hannah Arendt nasceu no ano de 1906, em Hannover, Alemanha. O conteúdo das reflexões filosóficas e sua intensa produção literária na área da filosofia foi (e é) muito importante, embora ela mesma não se incluísse dentro da categoria de pensadores. Dentre algumas de suas discussões, podemos apontar:
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O valor de culto da obra de arte
Se se consideram os diversos modos pelos quais uma obra de arte pode ser acolhida, a ênfase coloca-se ora sobre um fator, ora sobre outro, entre tais fatores, há dois que se opõem diametralmente: o valor da obra de arte como objeto de culto, e seu valor como realidade capaz de ser exposta. A produção artística começa por imagens que servem ao culto. Pode-se admitir que a presença mesma destas imagens tenha mais importância do que o fato de serem vistas. O gamo que o homem figura nas paredes de uma caverna, na idade da pedra, é um instrumento. Ele é indubitavelmente exposto aos olhos de outros homens, mas ele se dirige sobretudo aos espíritos. Posteriormente, é este valor de culto como tal que leva a que a obra de arte seja guardada em segredo; algumas estátuas de deuses não são acessíveis senão ao padre em sua cela. Algumas Virgens permanecem cobertas quase o ano todo, algumas esculturas de catedrais góticas são invisíveis quando contempladas debaixo. A medida que as obras de arte se emancipar de seu uso ritual, tornam-se mais numerosas as ocasiões de serem expostas. [...]
(BENJAMIN, W. “A obra de arte na época de sua reprodutibilidade técnica”. In: LIMA, LC. (org.). Teoria da cultura da massa. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1990. p. 218-219.)
Walter Benjamin, associado à Escola de Frankfurt e à Teoria Crítica, preconizava, dentre outras ideias, que:
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A perturbação do arquivo deriva de um mal de arquivo. Estamos com um mal de arquivo (en mal d'archive). Escutando o idioma francês e nele, o atributo de “en mal de”, “estar com mal de arquivo” pode significar outra coisa que não sofrer de um mal, de uma perturbação ou disso que o nome “mal” poderia nomear. É arder de paixão. É não ter sossego, é incessantemente, interminavelmente, procurar o arquivo onde ele se esconde. É correr atrás dele ali onde, mesmo se há bastante, alguma coisa nele se anarquiza. É dirigir-se a ele com um desejo compulsivo, repetitivo e nostálgico, um desejo irreprimível de retorno à origem, uma dor da pátria, uma saudade de casa, uma nostalgia do retorno ao lugar mais arcaico do começo absoluto.
(Derrida, 2001, p. 118.)
Jacques Derrida faz um incessante trabalho de investigação que coloca sob suspeita os discursos da Filosofia e das Ciências Humanas, da Literatura e da História, da Fenomenologia e da Psicanálise ao questionar, inclusive, o próprio conceito clássico de ciência. Entre as suas teorias, apresenta que:
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Ciência e poder do homem coincidem, uma vez que, sendo a causa ignorada, frusta-se o efeito. Pois a natureza não se vence, se não quando se lhe obedece. E o que à contemplação apresenta-se como causa é regra na prática.
(Bacon, 1997, p. 33.)
O filósofo Francis Bacon, também político e escritor inglês que viveu durante o início do século XVII, acreditava que a ciência poderia proporcionar às pessoas uma melhor qualidade de vida. Como Galileu, ele desejava que os cientistas se livrassem da ignorância e dos preconceitos do passado e que realizassem novas descobertas. Dentre suas teorias, podemos destacar:
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Afinal, um laboratório terá uma boa performance tanto por seu pessoal ser bem organizado e ter acesso a aparelhos precisos quanto por raciocinar corretamente. A fim de produzir resultados científicos, é preciso, também, possuir recursos, acesso às revistas, às bibliotecas, a congressos etc. É preciso, também, que, nas unidades de pesquisa, a comunicação, o diálogo e a crítica circulem. O método de produção da ciência passa, portanto, pelos processos sociais que permitem a constituição de equipes estáveis e eficazes; subsídios, contratos, alianças sociopolíticas, gestão de equipes etc. Mais uma vez, a ciência aparece como um processo humano, feito por humanos, para humanos e com humanos.
(FOUREZ, Gérard. A construção das ciências: introdução à filosofia e à ética das ciências São Paulo: Editora Unesp, 1995. p. 94-95.)
O conhecimento científico é considerado conquista recente da humanidade. Atualmente, temos várias comunidades científicas, indivíduos que se reconhecem e são reconhecidos como possuidores de conhecimentos específicos nas áreas da investigação científica. Nesse contexto:
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Texto I
Porque se por reflexão própria abraçar as opiniões de Xenofonte e Platão, elas deixarão de ser deles e se tornarão suas. (...) Não se trata de aprender os preceitos desses filósofos, e sim de lhes entender o espírito. Que os esqueça à vontade, mas que os saiba assimilar.
(MONTAIGNE, Michel de. Ensaios, Livro I, cap. XXVI, Da educação das crianças, p. 77 Revista de Administração Educacional, Recife, v.1, n. 1 p. 76, jan/jun, 2014.)
Texto II
A advertência para cada qual conhecer a si mesmo deve ter um efeito importante, pois aquele deus de ciência e de luz [Apolo] mandou fixá-la na fachada de seu templo, como abrangendo tudo o que ele tinha para aconselhar-nos. Platão também diz que a sabedoria não é mais que a execução dessa ordem, e Sócrates prova-o detalhadamente em Xenofonte.
(MONTAIGNE, Michel de. Ensaios, Livro I, cap. XXVI, Da educação das crianças, p. 77 Revista de Administração Educacional, Recife, v. 1, n. 1 p. 437.)
O Renascimento Cultural contribuiu para uma série de transformações, inclusive nos aspectos filosóficos. Erasmo de Rotterdam, Michel de Montaigne, Giordano Bruno, Nicolau Maquiavel, dentre outros, foram pensadores que se destacaram nesse período. Montaigne, especificamente:
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O pensamento decolonial objetiva problematizar a manutenção das condições colonizadas da epistemologia, buscando a emancipação absoluta de todos os tipos de opressão e dominação, ao articular interdisciplinarmente cultura, política e economia de maneira a construir um campo totalmente inovador de pensamento que privilegie os elementos epistêmicos locais em detrimento dos legados impostos pela situação colonial. Grosfoguel aponta que “é preciso descolonizar não apenas os estudos subalternos como também os pós-coloniais”.
(Apud ROSEVICS, 2017, p. 189.)
O racismo epistêmico é um dos racismos mais invisibilizados no “sistema-mundo capitalista/patriarcal/moderno/colonial”. O racismo em nível social, político e econômico é muito mais reconhecido e visível que o racismo epistemológico. Sobre essa questão, é correto afirmar que:
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No mundo contemporâneo, as investigações sobre a linguagem deram um grande salto. A filosofia da linguagem afastou-se das questões sobre a natureza e a origem das línguas e tornou-se um domínio próximo da linguística e da lógica. A linguística foi se constituindo como uma ciência da linguagem, especialmente com o trabalho de Ferdinand de Saussure, no seu Curso de Linguística Geral. Uma das distinções mais importantes na linguística é aquela que se dá entre linguagem e língua. Enquanto a linguagem é entendida como uma capacidade humana universal de comunicação por meio dos signos, a língua é vista como um produto social, um conjunto de convenções adotadas pela sociedade.
(Gilberto Dimenstein, 2008.)
A Filosofia da Linguagem é o ramo da Filosofia que investiga as relações entre mundo, pensamento e linguagem. Foi somente a partir do século XX que a Filosofia passou a considerar a linguagem como uma investigação filosófica fundamental. Para o filósofo austríaco Wittgenstein — um dos mais notáveis autores da Filosofia da Linguagem:
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No início do período colonial, diferentes visões de mundo e de valores entre europeus e indígenas impuseram como correta a conduta dos “civilizados”, mesmo que suas práticas fossem incompreensíveis para os indígenas, como a transformação da propriedade de terras em bem particular voltado para o acúmulo de riquezas. Outro exemplo clássico desse choque cultural foi a questão da antropofagia. Os europeus que chegaram à América ficaram escandalizados com o canibalismo praticado por vários povos indígenas, enquanto para estes o ato de devorar o inimigo revestia-se de homenagem simbólica às qualidades dele, as quais se desejava incorporar. Como seria vista uma pessoa que praticasse hoje o canibalismo? Como seria uma análise ética desse caso, em vários períodos da história?
(Dimesnstein, 2008.)
A ética em Aristóteles é voltada para a razão prático-teleológica, no sentido da busca de todas as coisas por um bem, e sendo esta a busca também das ações humanas, este deve ser o melhor dos bens, cuja finalidade encontra-se em si mesmo. Já em Sócrates, a ética:
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