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Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
Colonização, mais do que um conceito, é uma categoria histórica, porque diz respeito a diferentes sociedades e momentos ao longo do tempo. Trata-se de um fenômeno de expansão humana pelo planeta, desenvolvendo a ocupação e o povoamento de novas regiões. Em determinadas épocas históricas, a colonização foi realizada sobre espaços vazios, como é o caso das migrações pré-históricas que trouxeram a espécie humana ao continente americano. Mas, desde que a humanidade se espalhou pelo mundo, diminuindo significativamente os vazios geográficos, o tipo de colonização mais comum tem sido mesmo aquele executado sobre áreas já habitadas.
O processo colonizador movido pela Europa Moderna na América foi realizado em um conjunto específico de relações de dependência e de controle político e econômico que as metrópoles impuseram a suas colônias, conjunto esse denominado sistema colonial.
K. V. Silva e M. H. Silva. Dicionário de conceitos históricos.
São Paulo: Contexto, 2005, p. 67-8 (com adaptações).
Com relação à temática e a aspectos semânticos e gramaticais do texto acima bem como a informações a respeito da literatura brasileira, julgue o item.
Basílio da Gama, que focalizou, no poema épico O Uraguai, a luta entre as tropas portuguesas, auxiliadas pelos espanhóis, e os índios dos Sete Povos das Missões, instigados pelos jesuítas, faz parte do Arcadismo brasileiro, que se desenvolveu no período colonial.
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Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
Rios sem discurso
1 Quando um rio corta, corta-se de vez
o discurso-rio de água que ele fazia;
cortado, a água se quebra em pedaços,
4 em poços de água, em água paralítica.
Em situação de poço, a água equivale
a uma palavra em situação dicionária:
7 isolada, estanque no poço dela mesma,
e porque assim estanque, estancada;
e mais; porque assim estancada, muda,
10 e muda porque com nenhuma comunica,
porque cortou-se a sintaxe desse rio,
o fio de água por que ele discorria.
13 O curso de um rio, seu discurso-rio,
chega raramente a se reatar de vez;
um rio precisa de muito fio de água
16 para refazer o fio antigo que fez.
Salvo a grandiloqüência de uma cheia
lhe impondo interina outra linguagem,
19 um rio precisa de muita água em fios
para que todos os poços se enfrasem:
se reatando, de um para outro poço,
22 em frases curtas, então frase e frase,
até a sentença-rio do discurso único
em que se tem voz a seca ele combate.
João Cabral de Melo Neto. A educação pela pedra. In: Obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2003, p. 350.
Julgue os seguintes itens, a respeito da composição e das idéias do poema de João Cabral de Melo Neto apresentado acima, bem como das relações históricas que podem ser feitas a partir desse texto.
A poesia de João Cabral de Melo Neto apresenta as mesmas características estilísticas — construção rigorosa da forma dos versos — e temáticas da obra poética de Vinicius de Moraes.
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Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
Rios sem discurso
1 Quando um rio corta, corta-se de vez
o discurso-rio de água que ele fazia;
cortado, a água se quebra em pedaços,
4 em poços de água, em água paralítica.
Em situação de poço, a água equivale
a uma palavra em situação dicionária:
7 isolada, estanque no poço dela mesma,
e porque assim estanque, estancada;
e mais; porque assim estancada, muda,
10 e muda porque com nenhuma comunica,
porque cortou-se a sintaxe desse rio,
o fio de água por que ele discorria.
13 O curso de um rio, seu discurso-rio,
chega raramente a se reatar de vez;
um rio precisa de muito fio de água
16 para refazer o fio antigo que fez.
Salvo a grandiloqüência de uma cheia
lhe impondo interina outra linguagem,
19 um rio precisa de muita água em fios
para que todos os poços se enfrasem:
se reatando, de um para outro poço,
22 em frases curtas, então frase e frase,
até a sentença-rio do discurso único
em que se tem voz a seca ele combate.
João Cabral de Melo Neto. A educação pela pedra. In: Obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2003, p. 350.
Julgue os seguintes itens, a respeito da composição e das idéias do poema de João Cabral de Melo Neto apresentado acima, bem como das relações históricas que podem ser feitas a partir desse texto.
A arquitetura formal do poema demonstra que seu autor, João Cabral de Melo Neto, situa-se entre os poetas do Parnasianismo brasileiro.
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Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
Tudo no mundo começou com um sim. Uma molécula disse sim a outra molécula e nasceu a vida. Mas antes da pré-história havia a pré-história da pré-história e havia o nunca e havia o sim. Sempre houve. Não sei o que, mas sei que o universo jamais começou.
Que ninguém se engane, só consigo a simplicidade através de muito trabalho.
Enquanto eu tiver perguntas e não houver resposta continuarei a escrever. Como começar pelo início, se as coisas acontecem antes de acontecer? Se antes da pré-préhistória já havia os monstros apocalípticos? Se esta história não existe, passará a existir. Pensar é um ato. Sentir é um fato. Os dois juntos — sou eu que escrevo o que estou escrevendo.
Clarice Lispector. A hora da estrela. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1984, p. 17.
Considerando o trecho acima, extraído da obra A Hora da Estrela, de Clarice Lispector, julgue o item a seguir.
Por focalizar problemas da sociedade rural, esse romance de Clarice Lispector aproxima-se da obra de José Lins do Rego.
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Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
Tudo no mundo começou com um sim. Uma molécula disse sim a outra molécula e nasceu a vida. Mas antes da pré-história havia a pré-história da pré-história e havia o nunca e havia o sim. Sempre houve. Não sei o que, mas sei que o universo jamais começou.
Que ninguém se engane, só consigo a simplicidade através de muito trabalho.
Enquanto eu tiver perguntas e não houver resposta continuarei a escrever. Como começar pelo início, se as coisas acontecem antes de acontecer? Se antes da pré-préhistória já havia os monstros apocalípticos? Se esta história não existe, passará a existir. Pensar é um ato. Sentir é um fato. Os dois juntos — sou eu que escrevo o que estou escrevendo.
Clarice Lispector. A hora da estrela. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1984, p. 17.
Considerando o trecho acima, extraído da obra A Hora da Estrela, de Clarice Lispector, julgue o item a seguir.
Clarice Lispector inclui-se entre os autores do romance introspectivo, da literatura intimista, que se caracteriza, na literatura brasileira moderna, por um questionamento do ser.
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Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: IGETEC
Orgão: CBM-MG
Leia o texto, a seguir, e responda a questão:
“Nova Canção do Exílio”
Carlos Drummond de Andrade
Um sabiá
na palmeira, longe.
Estas aves cantam
um outro canto.
O céu cintila
sobre flores úmidas.
Vozes na mata,
e o maior amor.
Só, na noite,
seria feliz:
um sabiá,
na palmeira, longe.
Onde é tudo belo
e fantástico,
só, na noite,
seria feliz.
(Um sabiá,
na palmeira, longe)
Ainda um grito de vida e
voltar
para onde é tudo belo
e fantástico
: a palmeira, o sabiá,
o longe.
Assinale a alternativa CORRETA sobre o texto:
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A encenação de Vestido de Noiva, em 1943, marcou o início da modernidade do teatro brasileiro. Após sua morte em 1980, Nelson Rodrigues se tornou o dramaturgo brasileiro mais encenado no país.
Assinale a montagem teatral abaixo que não é baseada em sua obra.
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Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: FUB
A Universidade esperava-me com as suas matérias árduas; estudei-as muito mediocremente, e nem por isso perdi o grau de bacharel; deram-mo com a solenidade do estilo, após os anos da lei; uma bela festa que me encheu de orgulho e de saudades, — principalmente de saudades. Tinha eu conquistado em Coimbra uma grande nomeada de folião; era um acadêmico estróina, superficial, tumultuário e petulante, dado às aventuras, fazendo romantismo prático e liberalismo teórico, vivendo na pura fé dos olhos pretos e das constituições escritas. No dia em que a Universidade me atestou, em pergaminho, uma ciência que eu estava longe de trazer arraigada no cérebro, confesso que me achei de algum modo logrado, ainda que orgulhoso. Explico-me: o diploma era uma carta de alforria; se me dava a liberdade, davame a responsabilidade. Guardei-o, deixei as margens do Mondego, e vim por ali fora assaz desconsolado, mas sentindo já uns ímpetos, uma curiosidade, um desejo de acotovelar os outros, de influir, de gozar, de viver, — de prolongar a Universidade pela vida adiante. Machado de Assis. Memórias póstumas de Brás Cubas. São Paulo: Livraria Editora Iracema Ltda., 1975, cap. XX, p. 56.
Com base na compreensão dos sentidos e na análise da estrutura lingüística do texto acima, que constitui um excerto da fala do narrador-personagem Brás Cubas, julgue os itens de 76 a 86.
Ao se referir ao diploma como o atestado de “uma ciência que eu estava longe de trazer arraigada no cérebro”, Brás Cubas confessa não merecer o grau de bacharel.
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Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: FUB
A Universidade esperava-me com as suas matérias árduas; estudei-as muito mediocremente, e nem por isso perdi o grau de bacharel; deram-mo com a solenidade do estilo, após os anos da lei; uma bela festa que me encheu de orgulho e de saudades, — principalmente de saudades. Tinha eu conquistado em Coimbra uma grande nomeada de folião; era um acadêmico estróina, superficial, tumultuário e petulante, dado às aventuras, fazendo romantismo prático e liberalismo teórico, vivendo na pura fé dos olhos pretos e das constituições escritas. No dia em que a Universidade me atestou, em pergaminho, uma ciência que eu estava longe de trazer arraigada no cérebro, confesso que me achei de algum modo logrado, ainda que orgulhoso. Explico-me: o diploma era uma carta de alforria; se me dava a liberdade, davame a responsabilidade. Guardei-o, deixei as margens do Mondego, e vim por ali fora assaz desconsolado, mas sentindo já uns ímpetos, uma curiosidade, um desejo de acotovelar os outros, de influir, de gozar, de viver, — de prolongar a Universidade pela vida adiante. Machado de Assis. Memórias póstumas de Brás Cubas. São Paulo: Livraria Editora Iracema Ltda., 1975, cap. XX, p. 56.
Com base na compreensão dos sentidos e na análise da estrutura lingüística do texto acima, que constitui um excerto da fala do narrador-personagem Brás Cubas, julgue os itens de 76 a 86.
Os binômios “romantismo prático” versus “liberalismo teórico” e “logrado” versus “orgulhoso” são antíteses e permitem ao leitor formar a imagem de Brás Cubas como um acadêmico contraditório e confuso.
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Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: FUB
A Universidade esperava-me com as suas matérias árduas; estudei-as muito mediocremente, e nem por isso perdi o grau de bacharel; deram-mo com a solenidade do estilo, após os anos da lei; uma bela festa que me encheu de orgulho e de saudades, — principalmente de saudades. Tinha eu conquistado em Coimbra uma grande nomeada de folião; era um acadêmico estróina, superficial, tumultuário e petulante, dado às aventuras, fazendo romantismo prático e liberalismo teórico, vivendo na pura fé dos olhos pretos e das constituições escritas. No dia em que a Universidade me atestou, em pergaminho, uma ciência que eu estava longe de trazer arraigada no cérebro, confesso que me achei de algum modo logrado, ainda que orgulhoso. Explico-me: o diploma era uma carta de alforria; se me dava a liberdade, davame a responsabilidade. Guardei-o, deixei as margens do Mondego, e vim por ali fora assaz desconsolado, mas sentindo já uns ímpetos, uma curiosidade, um desejo de acotovelar os outros, de influir, de gozar, de viver, — de prolongar a Universidade pela vida adiante. Machado de Assis. Memórias póstumas de Brás Cubas. São Paulo: Livraria Editora Iracema Ltda., 1975, cap. XX, p. 56.
Com base na compreensão dos sentidos e na análise da estrutura lingüística do texto acima, que constitui um excerto da fala do narrador-personagem Brás Cubas, julgue os itens de 76 a 86.
Ter recebido um diploma que sabia não merecer trouxe a Brás Cubas um sentimento de logro, de burla, de fraude, como se tivesse enganado alguém.
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