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4051533 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: FCC
Orgão: MPE-SE
Atenção: Leia o trecho do romance Eles eram muitos cavalos, de Luiz Ruffato, para responder å questão.
    Nós poderíamos ter sido grandes amigos.

    Eu o convidaria para um jantar sábado à noite, aqui em nosso apartamento, serviriamos um magnifico pernil de cordeiro acomodado em ramos de alecrim, um honesto Quinta da Bacalhoa, e ouviríamos, encantados, o último disco do Chico Buarque, uma сoletânea da Dinah Washington, uma outra cantora que agora me foge o nome, adquirida na Tower Records, em Londres.

    Seríamos apresentados à sua esposa, já vislumbrada rapidamente na piscina, e, uma ou duas taças, deixariamos o sofá de veludo espanhol amarelo pelas duras e ásperas cadeiras de palha da cozinha, não tão grande quanto era nosso desejo, para ajudar a Célia, avental motivos-surrealistas, cuidando do assado e da salada. Eu lavaria a louça, ele e a mulher arrumariam a mesa, toalha, talheres, copos, descansos. Após o jantar, de novo esparramados no conforto da sala, nos perderíamos no torvelinho das conversas e, madrugada, quando já nem mais ânimo tivéssemos para trocar o cedé,a rua ausente de carros, uma leve culpa por as crianças estarem na casa de algum coleguinha ou de parentes, se imiscuiria em nosso último assunto, e nos despediriamos, prometendo nos frequentar com alguma assiduidade.

    O tempo solidificaria a relação.

  Trocaríamos e-mails e encheríamos o computador de spams, correntes-da-felicidade, abaixo-assinados, alertas sobrea descoberta de novos vírus, as mais recentes modalidades de crimes, fotos indecentes, charges e até mesmo endereços interessantes, lojas virtuais de cedés e de livros, e descobriríamos afinidades que insuspeitávamos, e toda sexta-feira nos encontraríamos para o happy hour num barzinho da Lapa, "o melhor tira-gosto de São Paulo", e revelariamos quea escola das crianças não é tão boa quanto imaginávamos, e confessaríamos que ambos mentiamos para os amigos sobre aventuras extraconjugais, e que, embora a colega assistente da diretoria existisse, a única vez que falei com ela foi para me desculpar por ter derrubado sua sobremesa no chão do refeitório, e chegaríamos em casa recendendo a álcool, e as mulheres reclamariam e diriam que "Homem é tudo igual", e no dia seguinte, sábado, acordaríamos cedo para comprar peixe e verduras no Mercado Municipal. Mas nós não nos conhecíamos. Nos vimos algumas vezes no elevador de serviço, a caminho da garagem do prédio, uma ou outra vez na piscina, ele lendo a Veja, eu nadando com a Joana e o Afonsinho. 
(Adaptado de: RUFFATO, Luiz. Eles eram muitos cavalos. São Paulo: Companhia das Letras, 2013) 
No trecho, o narrador
 

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4051532 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: FCC
Orgão: MPE-SE
Atenção: Leia o trecho do romance Eles eram muitos cavalos, de Luiz Ruffato, para responder å questão.
    Nós poderíamos ter sido grandes amigos.

    Eu o convidaria para um jantar sábado à noite, aqui em nosso apartamento, serviriamos um magnifico pernil de cordeiro acomodado em ramos de alecrim, um honesto Quinta da Bacalhoa, e ouviríamos, encantados, o último disco do Chico Buarque, uma сoletânea da Dinah Washington, uma outra cantora que agora me foge o nome, adquirida na Tower Records, em Londres.

    Seríamos apresentados à sua esposa, já vislumbrada rapidamente na piscina, e, uma ou duas taças, deixariamos o sofá de veludo espanhol amarelo pelas duras e ásperas cadeiras de palha da cozinha, não tão grande quanto era nosso desejo, para ajudar a Célia, avental motivos-surrealistas, cuidando do assado e da salada. Eu lavaria a louça, ele e a mulher arrumariam a mesa, toalha, talheres, copos, descansos. Após o jantar, de novo esparramados no conforto da sala, nos perderíamos no torvelinho das conversas e, madrugada, quando já nem mais ânimo tivéssemos para trocar o cedé,a rua ausente de carros, uma leve culpa por as crianças estarem na casa de algum coleguinha ou de parentes, se imiscuiria em nosso último assunto, e nos despediriamos, prometendo nos frequentar com alguma assiduidade.

    O tempo solidificaria a relação.

  Trocaríamos e-mails e encheríamos o computador de spams, correntes-da-felicidade, abaixo-assinados, alertas sobrea descoberta de novos vírus, as mais recentes modalidades de crimes, fotos indecentes, charges e até mesmo endereços interessantes, lojas virtuais de cedés e de livros, e descobriríamos afinidades que insuspeitávamos, e toda sexta-feira nos encontraríamos para o happy hour num barzinho da Lapa, "o melhor tira-gosto de São Paulo", e revelariamos quea escola das crianças não é tão boa quanto imaginávamos, e confessaríamos que ambos mentiamos para os amigos sobre aventuras extraconjugais, e que, embora a colega assistente da diretoria existisse, a única vez que falei com ela foi para me desculpar por ter derrubado sua sobremesa no chão do refeitório, e chegaríamos em casa recendendo a álcool, e as mulheres reclamariam e diriam que "Homem é tudo igual", e no dia seguinte, sábado, acordaríamos cedo para comprar peixe e verduras no Mercado Municipal. Mas nós não nos conhecíamos. Nos vimos algumas vezes no elevador de serviço, a caminho da garagem do prédio, uma ou outra vez na piscina, ele lendo a Veja, eu nadando com a Joana e o Afonsinho. 
(Adaptado de: RUFFATO, Luiz. Eles eram muitos cavalos. São Paulo: Companhia das Letras, 2013) 
O trecho "mas nós não nos conhecíamos" (final do texto) revela que a relação entre os dois personagens configura-se como
 

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4051531 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: FCC
Orgão: MPE-SE
Atenção: Leia o trecho do romance Eles eram muitos cavalos, de Luiz Ruffato, para responder å questão.
    Nós poderíamos ter sido grandes amigos.

    Eu o convidaria para um jantar sábado à noite, aqui em nosso apartamento, serviriamos um magnifico pernil de cordeiro acomodado em ramos de alecrim, um honesto Quinta da Bacalhoa, e ouviríamos, encantados, o último disco do Chico Buarque, uma сoletânea da Dinah Washington, uma outra cantora que agora me foge o nome, adquirida na Tower Records, em Londres.

    Seríamos apresentados à sua esposa, já vislumbrada rapidamente na piscina, e, uma ou duas taças, deixariamos o sofá de veludo espanhol amarelo pelas duras e ásperas cadeiras de palha da cozinha, não tão grande quanto era nosso desejo, para ajudar a Célia, avental motivos-surrealistas, cuidando do assado e da salada. Eu lavaria a louça, ele e a mulher arrumariam a mesa, toalha, talheres, copos, descansos. Após o jantar, de novo esparramados no conforto da sala, nos perderíamos no torvelinho das conversas e, madrugada, quando já nem mais ânimo tivéssemos para trocar o cedé,a rua ausente de carros, uma leve culpa por as crianças estarem na casa de algum coleguinha ou de parentes, se imiscuiria em nosso último assunto, e nos despediriamos, prometendo nos frequentar com alguma assiduidade.

    O tempo solidificaria a relação.

  Trocaríamos e-mails e encheríamos o computador de spams, correntes-da-felicidade, abaixo-assinados, alertas sobrea descoberta de novos vírus, as mais recentes modalidades de crimes, fotos indecentes, charges e até mesmo endereços interessantes, lojas virtuais de cedés e de livros, e descobriríamos afinidades que insuspeitávamos, e toda sexta-feira nos encontraríamos para o happy hour num barzinho da Lapa, "o melhor tira-gosto de São Paulo", e revelariamos quea escola das crianças não é tão boa quanto imaginávamos, e confessaríamos que ambos mentiamos para os amigos sobre aventuras extraconjugais, e que, embora a colega assistente da diretoria existisse, a única vez que falei com ela foi para me desculpar por ter derrubado sua sobremesa no chão do refeitório, e chegaríamos em casa recendendo a álcool, e as mulheres reclamariam e diriam que "Homem é tudo igual", e no dia seguinte, sábado, acordaríamos cedo para comprar peixe e verduras no Mercado Municipal. Mas nós não nos conhecíamos. Nos vimos algumas vezes no elevador de serviço, a caminho da garagem do prédio, uma ou outra vez na piscina, ele lendo a Veja, eu nadando com a Joana e o Afonsinho. 
(Adaptado de: RUFFATO, Luiz. Eles eram muitos cavalos. São Paulo: Companhia das Letras, 2013) 
A palavra sublinhada no trecho "e descobririamos afinidades que insuspeitávamos" (5º parágrafo) pode ser substituida, sem prejuízo para as relações de sentido e a correção gramatical, por:
 

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4051530 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: FCC
Orgão: MPE-SE
Atenção: Leia o trecho do romance Eles eram muitos cavalos, de Luiz Ruffato, para responder å questão.
    Nós poderíamos ter sido grandes amigos.

    Eu o convidaria para um jantar sábado à noite, aqui em nosso apartamento, serviriamos um magnifico pernil de cordeiro acomodado em ramos de alecrim, um honesto Quinta da Bacalhoa, e ouviríamos, encantados, o último disco do Chico Buarque, uma сoletânea da Dinah Washington, uma outra cantora que agora me foge o nome, adquirida na Tower Records, em Londres.

    Seríamos apresentados à sua esposa, já vislumbrada rapidamente na piscina, e, uma ou duas taças, deixariamos o sofá de veludo espanhol amarelo pelas duras e ásperas cadeiras de palha da cozinha, não tão grande quanto era nosso desejo, para ajudar a Célia, avental motivos-surrealistas, cuidando do assado e da salada. Eu lavaria a louça, ele e a mulher arrumariam a mesa, toalha, talheres, copos, descansos. Após o jantar, de novo esparramados no conforto da sala, nos perderíamos no torvelinho das conversas e, madrugada, quando já nem mais ânimo tivéssemos para trocar o cedé,a rua ausente de carros, uma leve culpa por as crianças estarem na casa de algum coleguinha ou de parentes, se imiscuiria em nosso último assunto, e nos despediriamos, prometendo nos frequentar com alguma assiduidade.

    O tempo solidificaria a relação.

  Trocaríamos e-mails e encheríamos o computador de spams, correntes-da-felicidade, abaixo-assinados, alertas sobrea descoberta de novos vírus, as mais recentes modalidades de crimes, fotos indecentes, charges e até mesmo endereços interessantes, lojas virtuais de cedés e de livros, e descobriríamos afinidades que insuspeitávamos, e toda sexta-feira nos encontraríamos para o happy hour num barzinho da Lapa, "o melhor tira-gosto de São Paulo", e revelariamos quea escola das crianças não é tão boa quanto imaginávamos, e confessaríamos que ambos mentiamos para os amigos sobre aventuras extraconjugais, e que, embora a colega assistente da diretoria existisse, a única vez que falei com ela foi para me desculpar por ter derrubado sua sobremesa no chão do refeitório, e chegaríamos em casa recendendo a álcool, e as mulheres reclamariam e diriam que "Homem é tudo igual", e no dia seguinte, sábado, acordaríamos cedo para comprar peixe e verduras no Mercado Municipal. Mas nós não nos conhecíamos. Nos vimos algumas vezes no elevador de serviço, a caminho da garagem do prédio, uma ou outra vez na piscina, ele lendo a Veja, eu nadando com a Joana e o Afonsinho. 
(Adaptado de: RUFFATO, Luiz. Eles eram muitos cavalos. São Paulo: Companhia das Letras, 2013) 
O trecho "encheríamos o computador de spams, correntes-da-felicidade, abaixo-assinados, alertas sobre a descoberta de novos virus, as mais recentes modalidades de crimes, fotos indecentes, charges" ilustra, sobretudo,
 

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Não demorou, contudo, para se tornar 6bvia a potencial relevância do que estávamos empreendendo.

Reconstruindo de modo adequado a frase acima, iniciando-se pelo segmento A potencial relevância do que estávamos empreendendo, deve seguir-se esta complementação:

 

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Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto seguinte.

[Em busca da origem da desigualdade social]

A pesquisa que culminou na escrita deste livro - O despertar de tudo - começou quase uma década atrás, basicamente como uma forma de brincadeira. No principio, nós nos lançamos a isso, cabe reconhecer, num espírito de ligeiro desvio das nossas responsabilidades acadêmicas mais "sérias". Acima de tudo, estávamos curiosos para ver como as novas evidėncias arqueológicas que se acumularam nas trés últimas décadas poderiam modificar nossas concepções dos primórdios da história humana, sobretudo os aspectos associados às discussões sobre as origens da desigualdade social.


    Não demorou, contudo, para se tornar óbvia a potencial relevância do que estávamos empreendendo, pois quase ninguém mais em nossas disciplinas parece dedicado a esse trabalho de síntese. Com frequência ficamos surpresos ao buscar em vão por livros que supúnhamos existir, mas que na verdade sequer haviam sido escritos -por exemplo, compêndios das cidades primitivas desprovidas de governos fortes, exercidos de cima para baixo, ou relatos de processos democráticos de tomada de decisão na Africa ou na América.


    No final, concluímos que essa relutância em sintetizar informações básicas não se devia apenasa uma reticência por parte de pesquisadores: tratava-se apenas da inexistência de uma linguagem apropriada para dar conta de determinadas estruturas sociais. Como, por exemplo, nos referirmos a uma "cidade desprovida de estruturas de governo de cima para baixo"?


    No momento, ainda não há um termo de aceitação geral. Nos arriscaríamos a chamar isso de "democracia"? Ou 'república"? Caberia dizer "cidade igualitária"? Mas isso implicaria o ônus de provar que a cidade era "de fato" igualitária - o que significaria, na prática, demonstrar que nenhum elemento de desigualdade estrutural estava presente em qualquer aspecto da vida de seus habitantes, incluindo grupos familiares e práticas religiosas. Dada a raridade, ou mesmo inexistência de tais evidências, seria inevitável a conclusão de que afinal essas cidades não tinham nada de igualitário. Trata-se, enfim, de considerar que a existência de civilizações originalmente não marcadas pela desigualdade social pode não ser mais do que um mito a ser desmontado.


(Adaptado de: GRAEBER, David, e WENGROW, David. O despertar de tudo. São Paulo: Companhia das Letras, 2022, p. 552)

Esta inteiramente adequada a pontuação da seguinte frase:
 

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Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto seguinte.

[Em busca da origem da desigualdade social]

A pesquisa que culminou na escrita deste livro - O despertar de tudo - começou quase uma década atrás, basicamente como uma forma de brincadeira. No principio, nós nos lançamos a isso, cabe reconhecer, num espírito de ligeiro desvio das nossas responsabilidades acadêmicas mais "sérias". Acima de tudo, estávamos curiosos para ver como as novas evidėncias arqueológicas que se acumularam nas trés últimas décadas poderiam modificar nossas concepções dos primórdios da história humana, sobretudo os aspectos associados às discussões sobre as origens da desigualdade social.


    Não demorou, contudo, para se tornar óbvia a potencial relevância do que estávamos empreendendo, pois quase ninguém mais em nossas disciplinas parece dedicado a esse trabalho de síntese. Com frequência ficamos surpresos ao buscar em vão por livros que supúnhamos existir, mas que na verdade sequer haviam sido escritos -por exemplo, compêndios das cidades primitivas desprovidas de governos fortes, exercidos de cima para baixo, ou relatos de processos democráticos de tomada de decisão na Africa ou na América.


    No final, concluímos que essa relutância em sintetizar informações básicas não se devia apenasa uma reticência por parte de pesquisadores: tratava-se apenas da inexistência de uma linguagem apropriada para dar conta de determinadas estruturas sociais. Como, por exemplo, nos referirmos a uma "cidade desprovida de estruturas de governo de cima para baixo"?


    No momento, ainda não há um termo de aceitação geral. Nos arriscaríamos a chamar isso de "democracia"? Ou 'república"? Caberia dizer "cidade igualitária"? Mas isso implicaria o ônus de provar que a cidade era "de fato" igualitária - o que significaria, na prática, demonstrar que nenhum elemento de desigualdade estrutural estava presente em qualquer aspecto da vida de seus habitantes, incluindo grupos familiares e práticas religiosas. Dada a raridade, ou mesmo inexistência de tais evidências, seria inevitável a conclusão de que afinal essas cidades não tinham nada de igualitário. Trata-se, enfim, de considerar que a existência de civilizações originalmente não marcadas pela desigualdade social pode não ser mais do que um mito a ser desmontado.


(Adaptado de: GRAEBER, David, e WENGROW, David. O despertar de tudo. São Paulo: Companhia das Letras, 2022, p. 552)

Há utilização de linguagem figurada neste comentário sobre o texto:
 

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Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto seguinte.

[Em busca da origem da desigualdade social]

A pesquisa que culminou na escrita deste livro - O despertar de tudo - começou quase uma década atrás, basicamente como uma forma de brincadeira. No principio, nós nos lançamos a isso, cabe reconhecer, num espírito de ligeiro desvio das nossas responsabilidades acadêmicas mais "sérias". Acima de tudo, estávamos curiosos para ver como as novas evidėncias arqueológicas que se acumularam nas trés últimas décadas poderiam modificar nossas concepções dos primórdios da história humana, sobretudo os aspectos associados às discussões sobre as origens da desigualdade social.


    Não demorou, contudo, para se tornar óbvia a potencial relevância do que estávamos empreendendo, pois quase ninguém mais em nossas disciplinas parece dedicado a esse trabalho de síntese. Com frequência ficamos surpresos ao buscar em vão por livros que supúnhamos existir, mas que na verdade sequer haviam sido escritos -por exemplo, compêndios das cidades primitivas desprovidas de governos fortes, exercidos de cima para baixo, ou relatos de processos democráticos de tomada de decisão na Africa ou na América.


    No final, concluímos que essa relutância em sintetizar informações básicas não se devia apenasa uma reticência por parte de pesquisadores: tratava-se apenas da inexistência de uma linguagem apropriada para dar conta de determinadas estruturas sociais. Como, por exemplo, nos referirmos a uma "cidade desprovida de estruturas de governo de cima para baixo"?


    No momento, ainda não há um termo de aceitação geral. Nos arriscaríamos a chamar isso de "democracia"? Ou 'república"? Caberia dizer "cidade igualitária"? Mas isso implicaria o ônus de provar que a cidade era "de fato" igualitária - o que significaria, na prática, demonstrar que nenhum elemento de desigualdade estrutural estava presente em qualquer aspecto da vida de seus habitantes, incluindo grupos familiares e práticas religiosas. Dada a raridade, ou mesmo inexistência de tais evidências, seria inevitável a conclusão de que afinal essas cidades não tinham nada de igualitário. Trata-se, enfim, de considerar que a existência de civilizações originalmente não marcadas pela desigualdade social pode não ser mais do que um mito a ser desmontado.


(Adaptado de: GRAEBER, David, e WENGROW, David. O despertar de tudo. São Paulo: Companhia das Letras, 2022, p. 552)

No final, concluímos que essa relutância em sintetizar informações básicas não se devia apenas a uma reticência por parte de pesquisadores.

A frase acima manterá seu sentido e sua correção caso se substituam os elementos sublinhados, na ordem dada, por:

 

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Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto seguinte.

[Em busca da origem da desigualdade social]

A pesquisa que culminou na escrita deste livro - O despertar de tudo - começou quase uma década atrás, basicamente como uma forma de brincadeira. No principio, nós nos lançamos a isso, cabe reconhecer, num espírito de ligeiro desvio das nossas responsabilidades acadêmicas mais "sérias". Acima de tudo, estávamos curiosos para ver como as novas evidėncias arqueológicas que se acumularam nas trés últimas décadas poderiam modificar nossas concepções dos primórdios da história humana, sobretudo os aspectos associados às discussões sobre as origens da desigualdade social.


    Não demorou, contudo, para se tornar óbvia a potencial relevância do que estávamos empreendendo, pois quase ninguém mais em nossas disciplinas parece dedicado a esse trabalho de síntese. Com frequência ficamos surpresos ao buscar em vão por livros que supúnhamos existir, mas que na verdade sequer haviam sido escritos -por exemplo, compêndios das cidades primitivas desprovidas de governos fortes, exercidos de cima para baixo, ou relatos de processos democráticos de tomada de decisão na Africa ou na América.


    No final, concluímos que essa relutância em sintetizar informações básicas não se devia apenasa uma reticência por parte de pesquisadores: tratava-se apenas da inexistência de uma linguagem apropriada para dar conta de determinadas estruturas sociais. Como, por exemplo, nos referirmos a uma "cidade desprovida de estruturas de governo de cima para baixo"?


    No momento, ainda não há um termo de aceitação geral. Nos arriscaríamos a chamar isso de "democracia"? Ou 'república"? Caberia dizer "cidade igualitária"? Mas isso implicaria o ônus de provar que a cidade era "de fato" igualitária - o que significaria, na prática, demonstrar que nenhum elemento de desigualdade estrutural estava presente em qualquer aspecto da vida de seus habitantes, incluindo grupos familiares e práticas religiosas. Dada a raridade, ou mesmo inexistência de tais evidências, seria inevitável a conclusão de que afinal essas cidades não tinham nada de igualitário. Trata-se, enfim, de considerar que a existência de civilizações originalmente não marcadas pela desigualdade social pode não ser mais do que um mito a ser desmontado.


(Adaptado de: GRAEBER, David, e WENGROW, David. O despertar de tudo. São Paulo: Companhia das Letras, 2022, p. 552)

Em busca da origem da desigualdade social, os autores do livro O despertar de tudo, no último paragrafo desse texto,
 

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Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto seguinte.

[Em busca da origem da desigualdade social]

A pesquisa que culminou na escrita deste livro - O despertar de tudo - começou quase uma década atrás, basicamente como uma forma de brincadeira. No principio, nós nos lançamos a isso, cabe reconhecer, num espírito de ligeiro desvio das nossas responsabilidades acadêmicas mais "sérias". Acima de tudo, estávamos curiosos para ver como as novas evidėncias arqueológicas que se acumularam nas trés últimas décadas poderiam modificar nossas concepções dos primórdios da história humana, sobretudo os aspectos associados às discussões sobre as origens da desigualdade social.


    Não demorou, contudo, para se tornar óbvia a potencial relevância do que estávamos empreendendo, pois quase ninguém mais em nossas disciplinas parece dedicado a esse trabalho de síntese. Com frequência ficamos surpresos ao buscar em vão por livros que supúnhamos existir, mas que na verdade sequer haviam sido escritos -por exemplo, compêndios das cidades primitivas desprovidas de governos fortes, exercidos de cima para baixo, ou relatos de processos democráticos de tomada de decisão na Africa ou na América.


    No final, concluímos que essa relutância em sintetizar informações básicas não se devia apenasa uma reticência por parte de pesquisadores: tratava-se apenas da inexistência de uma linguagem apropriada para dar conta de determinadas estruturas sociais. Como, por exemplo, nos referirmos a uma "cidade desprovida de estruturas de governo de cima para baixo"?


    No momento, ainda não há um termo de aceitação geral. Nos arriscaríamos a chamar isso de "democracia"? Ou 'república"? Caberia dizer "cidade igualitária"? Mas isso implicaria o ônus de provar que a cidade era "de fato" igualitária - o que significaria, na prática, demonstrar que nenhum elemento de desigualdade estrutural estava presente em qualquer aspecto da vida de seus habitantes, incluindo grupos familiares e práticas religiosas. Dada a raridade, ou mesmo inexistência de tais evidências, seria inevitável a conclusão de que afinal essas cidades não tinham nada de igualitário. Trata-se, enfim, de considerar que a existência de civilizações originalmente não marcadas pela desigualdade social pode não ser mais do que um mito a ser desmontado.


(Adaptado de: GRAEBER, David, e WENGROW, David. O despertar de tudo. São Paulo: Companhia das Letras, 2022, p. 552)

As formas verbais estão corretamente flexionadas e há presença de voz passiva na frase:
 

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