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Texto I
Quantas vezes você mudou de opinião sobre o
que quer ser quando crescer?
Luana Génot
Muitas vezes, perguntamos às crianças o
que querem ser quando crescer. E, por mais
inocente que pareça, essa pergunta carrega
muitas nuances: ela faz com que a gente projete
o futuro, mas também perceba o quanto os
nossos sonhos mudam com o tempo. Quanto
mais repertório acumulamos, mais atualizamos nossos desejos. O sonho de ontem pode não
fazer mais sentido hoje, e está tudo bem.
Um executivo, certa vez, me contou algo
que jamais esqueci. Ele saiu do interior da Bahia
sonhando em ser caminhoneiro, como o pai.
Achava que aquele era o topo. Não porque
faltasse ambição, mas porque faltavam
referências. Ao se mudar para estudar, porém,
descobriu outros mundos. Passou a almejar um
trabalho como auxiliar, depois, novos postos, e foi
galgando degraus até virar diretor. Hoje, mais do que cargos, sonha em ter tempo. Tempo para si,
para a família, para ver o sol se pôr.
Sonhos mudam de roupa conforme a
estação da vida. Às vezes, crescem; outras
vezes, se simplificam. Já quisemos o palco e,
depois, queremos o sossego. Já almejamos o
sucesso financeiro a todo custo e, em seguida,
queremos a saúde mental acima de tudo. E tudo
isso faz parte do mesmo caminho e pode até
coexistir em muitas medidas.
O que me intriga é que também há
aqueles que não se permitem sonhar. Gente que
aprendeu cedo que isso é luxo, coisa de quem
tem tempo ou dinheiro. Sonhar, porém, é
ferramenta de sobrevivência, especialmente para
quem sempre precisou lutar para existir. É uma
forma de hackear o sistema, de furar a bolha do
“impossível”, de encontrar brechas nas estruturas
que dizem “não”.
O sonho é ancestral. É herança das
nossas avós que sonhavam em liberdade
enquanto lavavam roupa no rio. É a centelha que
moveu quem veio antes, que acreditou num
amanhã que talvez nunca tenha visto, mas
plantou para que a gente colhesse. Por isso,
deixar o sonho morrer é como cortar o fio que liga
o passado ao futuro.
Manter os desejos em dia é um ato de
resistência. É como revisar um documento
importante da alma: precisa ser atualizado,
revisitado, cuidado. Porque o mundo muda, e a
gente muda junto. E, se há dias em que algo
almejado parece distante, que isso vire farol,
mesmo que fraquinho, para iluminar o caminho.
Às vezes, o sonho não é mais ser
astronauta, é só dormir melhor. Não é mais ser
presidente, mas conseguir pagar as contas e
sorrir. E está tudo certo. A beleza existe em
continuar sonhando, mesmo que isso varie
conforme o fôlego do momento.
O importante é não deixar que o peso do
real atropele a leveza do que parece impossível,
que nos projeta. Que a pressa não atropele o
propósito. Que o medo não atropele a esperança.
Então, se hoje você não souber responder “o que
quer ser quando crescer”, relaxa. Talvez o que
você precise é só se perguntar: o que ainda quero
sonhar?
Fonte: https://oglobo.globo.com/ela/luanagenot/coluna/2025/11/quantas-vezes-voce-mudou-deopiniao-sobre-o-que-quer-ser-quando-crescer.ghtml.
Acesso em 15/11/2025. Adaptado.
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Quantas vezes você mudou de opinião sobre o
que quer ser quando crescer?
Luana Génot
Muitas vezes, perguntamos às crianças o
que querem ser quando crescer. E, por mais
inocente que pareça, essa pergunta carrega
muitas nuances: ela faz com que a gente projete
o futuro, mas também perceba o quanto os
nossos sonhos mudam com o tempo. Quanto
mais repertório acumulamos, mais atualizamos nossos desejos. O sonho de ontem pode não
fazer mais sentido hoje, e está tudo bem.
Um executivo, certa vez, me contou algo
que jamais esqueci. Ele saiu do interior da Bahia
sonhando em ser caminhoneiro, como o pai.
Achava que aquele era o topo. Não porque
faltasse ambição, mas porque faltavam
referências. Ao se mudar para estudar, porém,
descobriu outros mundos. Passou a almejar um
trabalho como auxiliar, depois, novos postos, e foi
galgando degraus até virar diretor. Hoje, mais do que cargos, sonha em ter tempo. Tempo para si,
para a família, para ver o sol se pôr.
Sonhos mudam de roupa conforme a
estação da vida. Às vezes, crescem; outras
vezes, se simplificam. Já quisemos o palco e,
depois, queremos o sossego. Já almejamos o
sucesso financeiro a todo custo e, em seguida,
queremos a saúde mental acima de tudo. E tudo
isso faz parte do mesmo caminho e pode até
coexistir em muitas medidas.
O que me intriga é que também há
aqueles que não se permitem sonhar. Gente que
aprendeu cedo que isso é luxo, coisa de quem
tem tempo ou dinheiro. Sonhar, porém, é
ferramenta de sobrevivência, especialmente para
quem sempre precisou lutar para existir. É uma
forma de hackear o sistema, de furar a bolha do
“impossível”, de encontrar brechas nas estruturas
que dizem “não”.
O sonho é ancestral. É herança das
nossas avós que sonhavam em liberdade
enquanto lavavam roupa no rio. É a centelha que
moveu quem veio antes, que acreditou num
amanhã que talvez nunca tenha visto, mas
plantou para que a gente colhesse. Por isso,
deixar o sonho morrer é como cortar o fio que liga
o passado ao futuro.
Manter os desejos em dia é um ato de
resistência. É como revisar um documento
importante da alma: precisa ser atualizado,
revisitado, cuidado. Porque o mundo muda, e a
gente muda junto. E, se há dias em que algo
almejado parece distante, que isso vire farol,
mesmo que fraquinho, para iluminar o caminho.
Às vezes, o sonho não é mais ser
astronauta, é só dormir melhor. Não é mais ser
presidente, mas conseguir pagar as contas e
sorrir. E está tudo certo. A beleza existe em
continuar sonhando, mesmo que isso varie
conforme o fôlego do momento.
O importante é não deixar que o peso do
real atropele a leveza do que parece impossível,
que nos projeta. Que a pressa não atropele o
propósito. Que o medo não atropele a esperança.
Então, se hoje você não souber responder “o que
quer ser quando crescer”, relaxa. Talvez o que
você precise é só se perguntar: o que ainda quero
sonhar?
Fonte: https://oglobo.globo.com/ela/luanagenot/coluna/2025/11/quantas-vezes-voce-mudou-deopiniao-sobre-o-que-quer-ser-quando-crescer.ghtml.
Acesso em 15/11/2025. Adaptado.
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Texto I
LER O BRASIL PARA AS CRIANÇAS
O mercado editorial está cheio de títulos
infantis disputando prateleiras e olhares de
crianças curiosas e pais preocupados em estimular
o hábito da leitura nos pequenos. Vale tudo na luta
desleal entre as imagens e sons fáceis que saltam
das telas e o delicado exercício de imaginar o que
a literatura conta e, por vezes, apenas sugere.
Entre os livros que recebo, um me chamou
especial atenção: A onça esfomeada e os bichos
espertos (2025), de Ugise Kalapalo, com
ilustrações de Babette Costa e Greta Comolatti. É
a adaptação de uma narrativa tradicional do povo
kalapalo que habita o Alto Xingu, às margens do
rio Kuluene, uma das mais de 305 etnias presentes
no território nacional. A edição caprichada da
editora Escuta Aqui Bem-Te-Vi é um exemplo a ser
seguido no trato com a cultura indígena. O texto é
bilíngue, em português-karib, língua falada pelos
kalapalos (há em torno de 270
línguas indígenas faladas no Brasil).
A informação da multiplicidade cultural
presente em nosso país dá um bom começo de
conversa com a criançada que tiver acesso ao
livro, seja nas escolas, seja nas livrarias que ainda
prezam o contato direto com seus leitores mirins,
por meio de contação de histórias e da presença
dos autores. Não é de menos importância o fato de
que um indígena kalapalo possa ver sua língua
estampada em espaços culturais que costumam
ignorar sua existência. Parabenizo os envolvidos
pela escolha político-editorial.
A segunda quebra de paradigma está na
ideia de que entre animais e pessoas não há a
hierarquia que o povo ocidental insiste em
defender e que faz de nós os maiores predadores
do ambiente do qual fazemos parte. É essa
empáfia supostamente evolutiva que nos mantém
na enrascada que deixará as próximas gerações
sem água potável, temperaturas suportáveis e
alimentos saudáveis. Como disse Nêgo Bispo, o
que chamamos de des-envolvimento é falta de
envolvimento. Para culturas em paz com o planeta
onde habitam, animais são “pessoas não
humanas”.
Não se trata do antropomorfismo das
fábulas de Esopo, com suas mensagens
carregadas de moral a ser incutida nas crianças
que, como nós, aprenderam horrorizadas que a
Cigarra artista merecia ser deixada à míngua pela
Formiga trabalhadeira. Entre os kalapalos, cada
pessoa tem seu valor, seu truque e ensinamento,
fazendo da onça – a maior caçadora da floresta –
um animal a ser respeitado, mas não onipotente.
A escolha por retratar o cotidiano das
aldeias nas ilustrações ao longo do livro é de
extremo bom gosto e atiçará a curiosidade da
criançada branca atenta à jornada da dona Onça
em busca de comida. O detalhe final fica para a introdução dos antropólogos Veronica Monachini
(que assina a adaptação) e Antonio Guerreiro, que
nos explicam que não se trata de um mito ou de
um conto, mas daquilo que para os kalapalos é a
própria história com h.
É nesse ponto que se tem a oportunidade
de avaliar o que entendemos por ficção em nossa
cultura e aprender algo. As versões que fazemos
do mundo não só explicam quem somos como nos
orientam em como lidar com nossa existência
coletivamente. Faz 500 anos que esses povos nos
alertam para o perigo de nosso discurso
desenvolvimentista, cujos efeitos nefastos nossas
crianças já testemunham.
VERA IACONELLI
Adaptado de folha.uol.com.br, 25/08/2025.
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Texto I
LER O BRASIL PARA AS CRIANÇAS
O mercado editorial está cheio de títulos
infantis disputando prateleiras e olhares de
crianças curiosas e pais preocupados em estimular
o hábito da leitura nos pequenos. Vale tudo na luta
desleal entre as imagens e sons fáceis que saltam
das telas e o delicado exercício de imaginar o que
a literatura conta e, por vezes, apenas sugere.
Entre os livros que recebo, um me chamou
especial atenção: A onça esfomeada e os bichos
espertos (2025), de Ugise Kalapalo, com
ilustrações de Babette Costa e Greta Comolatti. É
a adaptação de uma narrativa tradicional do povo
kalapalo que habita o Alto Xingu, às margens do
rio Kuluene, uma das mais de 305 etnias presentes
no território nacional. A edição caprichada da
editora Escuta Aqui Bem-Te-Vi é um exemplo a ser
seguido no trato com a cultura indígena. O texto é
bilíngue, em português-karib, língua falada pelos
kalapalos (há em torno de 270
línguas indígenas faladas no Brasil).
A informação da multiplicidade cultural
presente em nosso país dá um bom começo de
conversa com a criançada que tiver acesso ao
livro, seja nas escolas, seja nas livrarias que ainda
prezam o contato direto com seus leitores mirins,
por meio de contação de histórias e da presença
dos autores. Não é de menos importância o fato de
que um indígena kalapalo possa ver sua língua
estampada em espaços culturais que costumam
ignorar sua existência. Parabenizo os envolvidos
pela escolha político-editorial.
A segunda quebra de paradigma está na
ideia de que entre animais e pessoas não há a
hierarquia que o povo ocidental insiste em
defender e que faz de nós os maiores predadores
do ambiente do qual fazemos parte. É essa
empáfia supostamente evolutiva que nos mantém
na enrascada que deixará as próximas gerações
sem água potável, temperaturas suportáveis e
alimentos saudáveis. Como disse Nêgo Bispo, o
que chamamos de des-envolvimento é falta de
envolvimento. Para culturas em paz com o planeta
onde habitam, animais são “pessoas não
humanas”.
Não se trata do antropomorfismo das
fábulas de Esopo, com suas mensagens
carregadas de moral a ser incutida nas crianças
que, como nós, aprenderam horrorizadas que a
Cigarra artista merecia ser deixada à míngua pela
Formiga trabalhadeira. Entre os kalapalos, cada
pessoa tem seu valor, seu truque e ensinamento,
fazendo da onça – a maior caçadora da floresta –
um animal a ser respeitado, mas não onipotente.
A escolha por retratar o cotidiano das
aldeias nas ilustrações ao longo do livro é de
extremo bom gosto e atiçará a curiosidade da
criançada branca atenta à jornada da dona Onça
em busca de comida. O detalhe final fica para a introdução dos antropólogos Veronica Monachini
(que assina a adaptação) e Antonio Guerreiro, que
nos explicam que não se trata de um mito ou de
um conto, mas daquilo que para os kalapalos é a
própria história com h.
É nesse ponto que se tem a oportunidade
de avaliar o que entendemos por ficção em nossa
cultura e aprender algo. As versões que fazemos
do mundo não só explicam quem somos como nos
orientam em como lidar com nossa existência
coletivamente. Faz 500 anos que esses povos nos
alertam para o perigo de nosso discurso
desenvolvimentista, cujos efeitos nefastos nossas
crianças já testemunham.
VERA IACONELLI
Adaptado de folha.uol.com.br, 25/08/2025.
Sem prejuízo para o sentido original do trecho acima, o verbo contido na oração entre parênteses também poderia ser conjugado no seguinte tempo do modo indicativo:
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LER O BRASIL PARA AS CRIANÇAS
O mercado editorial está cheio de títulos
infantis disputando prateleiras e olhares de
crianças curiosas e pais preocupados em estimular
o hábito da leitura nos pequenos. Vale tudo na luta
desleal entre as imagens e sons fáceis que saltam
das telas e o delicado exercício de imaginar o que
a literatura conta e, por vezes, apenas sugere.
Entre os livros que recebo, um me chamou
especial atenção: A onça esfomeada e os bichos
espertos (2025), de Ugise Kalapalo, com
ilustrações de Babette Costa e Greta Comolatti. É
a adaptação de uma narrativa tradicional do povo
kalapalo que habita o Alto Xingu, às margens do
rio Kuluene, uma das mais de 305 etnias presentes
no território nacional. A edição caprichada da
editora Escuta Aqui Bem-Te-Vi é um exemplo a ser
seguido no trato com a cultura indígena. O texto é
bilíngue, em português-karib, língua falada pelos
kalapalos (há em torno de 270
línguas indígenas faladas no Brasil).
A informação da multiplicidade cultural
presente em nosso país dá um bom começo de
conversa com a criançada que tiver acesso ao
livro, seja nas escolas, seja nas livrarias que ainda
prezam o contato direto com seus leitores mirins,
por meio de contação de histórias e da presença
dos autores. Não é de menos importância o fato de
que um indígena kalapalo possa ver sua língua
estampada em espaços culturais que costumam
ignorar sua existência. Parabenizo os envolvidos
pela escolha político-editorial.
A segunda quebra de paradigma está na
ideia de que entre animais e pessoas não há a
hierarquia que o povo ocidental insiste em
defender e que faz de nós os maiores predadores
do ambiente do qual fazemos parte. É essa
empáfia supostamente evolutiva que nos mantém
na enrascada que deixará as próximas gerações
sem água potável, temperaturas suportáveis e
alimentos saudáveis. Como disse Nêgo Bispo, o
que chamamos de des-envolvimento é falta de
envolvimento. Para culturas em paz com o planeta
onde habitam, animais são “pessoas não
humanas”.
Não se trata do antropomorfismo das
fábulas de Esopo, com suas mensagens
carregadas de moral a ser incutida nas crianças
que, como nós, aprenderam horrorizadas que a
Cigarra artista merecia ser deixada à míngua pela
Formiga trabalhadeira. Entre os kalapalos, cada
pessoa tem seu valor, seu truque e ensinamento,
fazendo da onça – a maior caçadora da floresta –
um animal a ser respeitado, mas não onipotente.
A escolha por retratar o cotidiano das
aldeias nas ilustrações ao longo do livro é de
extremo bom gosto e atiçará a curiosidade da
criançada branca atenta à jornada da dona Onça
em busca de comida. O detalhe final fica para a introdução dos antropólogos Veronica Monachini
(que assina a adaptação) e Antonio Guerreiro, que
nos explicam que não se trata de um mito ou de
um conto, mas daquilo que para os kalapalos é a
própria história com h.
É nesse ponto que se tem a oportunidade
de avaliar o que entendemos por ficção em nossa
cultura e aprender algo. As versões que fazemos
do mundo não só explicam quem somos como nos
orientam em como lidar com nossa existência
coletivamente. Faz 500 anos que esses povos nos
alertam para o perigo de nosso discurso
desenvolvimentista, cujos efeitos nefastos nossas
crianças já testemunham.
VERA IACONELLI
Adaptado de folha.uol.com.br, 25/08/2025.
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LER O BRASIL PARA AS CRIANÇAS
O mercado editorial está cheio de títulos
infantis disputando prateleiras e olhares de
crianças curiosas e pais preocupados em estimular
o hábito da leitura nos pequenos. Vale tudo na luta
desleal entre as imagens e sons fáceis que saltam
das telas e o delicado exercício de imaginar o que
a literatura conta e, por vezes, apenas sugere.
Entre os livros que recebo, um me chamou
especial atenção: A onça esfomeada e os bichos
espertos (2025), de Ugise Kalapalo, com
ilustrações de Babette Costa e Greta Comolatti. É
a adaptação de uma narrativa tradicional do povo
kalapalo que habita o Alto Xingu, às margens do
rio Kuluene, uma das mais de 305 etnias presentes
no território nacional. A edição caprichada da
editora Escuta Aqui Bem-Te-Vi é um exemplo a ser
seguido no trato com a cultura indígena. O texto é
bilíngue, em português-karib, língua falada pelos
kalapalos (há em torno de 270
línguas indígenas faladas no Brasil).
A informação da multiplicidade cultural
presente em nosso país dá um bom começo de
conversa com a criançada que tiver acesso ao
livro, seja nas escolas, seja nas livrarias que ainda
prezam o contato direto com seus leitores mirins,
por meio de contação de histórias e da presença
dos autores. Não é de menos importância o fato de
que um indígena kalapalo possa ver sua língua
estampada em espaços culturais que costumam
ignorar sua existência. Parabenizo os envolvidos
pela escolha político-editorial.
A segunda quebra de paradigma está na
ideia de que entre animais e pessoas não há a
hierarquia que o povo ocidental insiste em
defender e que faz de nós os maiores predadores
do ambiente do qual fazemos parte. É essa
empáfia supostamente evolutiva que nos mantém
na enrascada que deixará as próximas gerações
sem água potável, temperaturas suportáveis e
alimentos saudáveis. Como disse Nêgo Bispo, o
que chamamos de des-envolvimento é falta de
envolvimento. Para culturas em paz com o planeta
onde habitam, animais são “pessoas não
humanas”.
Não se trata do antropomorfismo das
fábulas de Esopo, com suas mensagens
carregadas de moral a ser incutida nas crianças
que, como nós, aprenderam horrorizadas que a
Cigarra artista merecia ser deixada à míngua pela
Formiga trabalhadeira. Entre os kalapalos, cada
pessoa tem seu valor, seu truque e ensinamento,
fazendo da onça – a maior caçadora da floresta –
um animal a ser respeitado, mas não onipotente.
A escolha por retratar o cotidiano das
aldeias nas ilustrações ao longo do livro é de
extremo bom gosto e atiçará a curiosidade da
criançada branca atenta à jornada da dona Onça
em busca de comida. O detalhe final fica para a introdução dos antropólogos Veronica Monachini
(que assina a adaptação) e Antonio Guerreiro, que
nos explicam que não se trata de um mito ou de
um conto, mas daquilo que para os kalapalos é a
própria história com h.
É nesse ponto que se tem a oportunidade
de avaliar o que entendemos por ficção em nossa
cultura e aprender algo. As versões que fazemos
do mundo não só explicam quem somos como nos
orientam em como lidar com nossa existência
coletivamente. Faz 500 anos que esses povos nos
alertam para o perigo de nosso discurso
desenvolvimentista, cujos efeitos nefastos nossas
crianças já testemunham.
VERA IACONELLI
Adaptado de folha.uol.com.br, 25/08/2025.
No relato do líder e intelectual quilombola Antônio Bispo dos Santos, conhecido como Nêgo Bispo, emprega-se um processo linguístico que pode ser denominado:
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O mercado editorial está cheio de títulos
infantis disputando prateleiras e olhares de
crianças curiosas e pais preocupados em estimular
o hábito da leitura nos pequenos. Vale tudo na luta
desleal entre as imagens e sons fáceis que saltam
das telas e o delicado exercício de imaginar o que
a literatura conta e, por vezes, apenas sugere.
Entre os livros que recebo, um me chamou
especial atenção: A onça esfomeada e os bichos
espertos (2025), de Ugise Kalapalo, com
ilustrações de Babette Costa e Greta Comolatti. É
a adaptação de uma narrativa tradicional do povo
kalapalo que habita o Alto Xingu, às margens do
rio Kuluene, uma das mais de 305 etnias presentes
no território nacional. A edição caprichada da
editora Escuta Aqui Bem-Te-Vi é um exemplo a ser
seguido no trato com a cultura indígena. O texto é
bilíngue, em português-karib, língua falada pelos
kalapalos (há em torno de 270
línguas indígenas faladas no Brasil).
A informação da multiplicidade cultural
presente em nosso país dá um bom começo de
conversa com a criançada que tiver acesso ao
livro, seja nas escolas, seja nas livrarias que ainda
prezam o contato direto com seus leitores mirins,
por meio de contação de histórias e da presença
dos autores. Não é de menos importância o fato de
que um indígena kalapalo possa ver sua língua
estampada em espaços culturais que costumam
ignorar sua existência. Parabenizo os envolvidos
pela escolha político-editorial.
A segunda quebra de paradigma está na
ideia de que entre animais e pessoas não há a
hierarquia que o povo ocidental insiste em
defender e que faz de nós os maiores predadores
do ambiente do qual fazemos parte. É essa
empáfia supostamente evolutiva que nos mantém
na enrascada que deixará as próximas gerações
sem água potável, temperaturas suportáveis e
alimentos saudáveis. Como disse Nêgo Bispo, o
que chamamos de des-envolvimento é falta de
envolvimento. Para culturas em paz com o planeta
onde habitam, animais são “pessoas não
humanas”.
Não se trata do antropomorfismo das
fábulas de Esopo, com suas mensagens
carregadas de moral a ser incutida nas crianças
que, como nós, aprenderam horrorizadas que a
Cigarra artista merecia ser deixada à míngua pela
Formiga trabalhadeira. Entre os kalapalos, cada
pessoa tem seu valor, seu truque e ensinamento,
fazendo da onça – a maior caçadora da floresta –
um animal a ser respeitado, mas não onipotente.
A escolha por retratar o cotidiano das
aldeias nas ilustrações ao longo do livro é de
extremo bom gosto e atiçará a curiosidade da
criançada branca atenta à jornada da dona Onça
em busca de comida. O detalhe final fica para a introdução dos antropólogos Veronica Monachini
(que assina a adaptação) e Antonio Guerreiro, que
nos explicam que não se trata de um mito ou de
um conto, mas daquilo que para os kalapalos é a
própria história com h.
É nesse ponto que se tem a oportunidade
de avaliar o que entendemos por ficção em nossa
cultura e aprender algo. As versões que fazemos
do mundo não só explicam quem somos como nos
orientam em como lidar com nossa existência
coletivamente. Faz 500 anos que esses povos nos
alertam para o perigo de nosso discurso
desenvolvimentista, cujos efeitos nefastos nossas
crianças já testemunham.
VERA IACONELLI
Adaptado de folha.uol.com.br, 25/08/2025.
A segunda quebra de paradigma está na ideia de que entre animais e pessoas não há a hierarquia [1] que o povo ocidental insiste em defender e [2] que faz de nós os maiores predadores do ambiente [3] do qual fazemos parte. (4º parágrafo)
As três orações sublinhadas são todas subordinadas do seguinte tipo:
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O mercado editorial está cheio de títulos
infantis disputando prateleiras e olhares de
crianças curiosas e pais preocupados em estimular
o hábito da leitura nos pequenos. Vale tudo na luta
desleal entre as imagens e sons fáceis que saltam
das telas e o delicado exercício de imaginar o que
a literatura conta e, por vezes, apenas sugere.
Entre os livros que recebo, um me chamou
especial atenção: A onça esfomeada e os bichos
espertos (2025), de Ugise Kalapalo, com
ilustrações de Babette Costa e Greta Comolatti. É
a adaptação de uma narrativa tradicional do povo
kalapalo que habita o Alto Xingu, às margens do
rio Kuluene, uma das mais de 305 etnias presentes
no território nacional. A edição caprichada da
editora Escuta Aqui Bem-Te-Vi é um exemplo a ser
seguido no trato com a cultura indígena. O texto é
bilíngue, em português-karib, língua falada pelos
kalapalos (há em torno de 270
línguas indígenas faladas no Brasil).
A informação da multiplicidade cultural
presente em nosso país dá um bom começo de
conversa com a criançada que tiver acesso ao
livro, seja nas escolas, seja nas livrarias que ainda
prezam o contato direto com seus leitores mirins,
por meio de contação de histórias e da presença
dos autores. Não é de menos importância o fato de
que um indígena kalapalo possa ver sua língua
estampada em espaços culturais que costumam
ignorar sua existência. Parabenizo os envolvidos
pela escolha político-editorial.
A segunda quebra de paradigma está na
ideia de que entre animais e pessoas não há a
hierarquia que o povo ocidental insiste em
defender e que faz de nós os maiores predadores
do ambiente do qual fazemos parte. É essa
empáfia supostamente evolutiva que nos mantém
na enrascada que deixará as próximas gerações
sem água potável, temperaturas suportáveis e
alimentos saudáveis. Como disse Nêgo Bispo, o
que chamamos de des-envolvimento é falta de
envolvimento. Para culturas em paz com o planeta
onde habitam, animais são “pessoas não
humanas”.
Não se trata do antropomorfismo das
fábulas de Esopo, com suas mensagens
carregadas de moral a ser incutida nas crianças
que, como nós, aprenderam horrorizadas que a
Cigarra artista merecia ser deixada à míngua pela
Formiga trabalhadeira. Entre os kalapalos, cada
pessoa tem seu valor, seu truque e ensinamento,
fazendo da onça – a maior caçadora da floresta –
um animal a ser respeitado, mas não onipotente.
A escolha por retratar o cotidiano das
aldeias nas ilustrações ao longo do livro é de
extremo bom gosto e atiçará a curiosidade da
criançada branca atenta à jornada da dona Onça
em busca de comida. O detalhe final fica para a introdução dos antropólogos Veronica Monachini
(que assina a adaptação) e Antonio Guerreiro, que
nos explicam que não se trata de um mito ou de
um conto, mas daquilo que para os kalapalos é a
própria história com h.
É nesse ponto que se tem a oportunidade
de avaliar o que entendemos por ficção em nossa
cultura e aprender algo. As versões que fazemos
do mundo não só explicam quem somos como nos
orientam em como lidar com nossa existência
coletivamente. Faz 500 anos que esses povos nos
alertam para o perigo de nosso discurso
desenvolvimentista, cujos efeitos nefastos nossas
crianças já testemunham.
VERA IACONELLI
Adaptado de folha.uol.com.br, 25/08/2025.
A segunda quebra de paradigma está na ideia de que entre animais e pessoas não há a hierarquia [1] que o povo ocidental insiste em defender e [2] que faz de nós os maiores predadores do ambiente [3] do qual fazemos parte. (4º parágrafo)
A frase permite inferir que já foi mencionada uma primeira quebra de paradigma promovida pelo livro.
Essa primeira quebra de paradigma diz respeito ao seguinte tópico:
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LER O BRASIL PARA AS CRIANÇAS
O mercado editorial está cheio de títulos
infantis disputando prateleiras e olhares de
crianças curiosas e pais preocupados em estimular
o hábito da leitura nos pequenos. Vale tudo na luta
desleal entre as imagens e sons fáceis que saltam
das telas e o delicado exercício de imaginar o que
a literatura conta e, por vezes, apenas sugere.
Entre os livros que recebo, um me chamou
especial atenção: A onça esfomeada e os bichos
espertos (2025), de Ugise Kalapalo, com
ilustrações de Babette Costa e Greta Comolatti. É
a adaptação de uma narrativa tradicional do povo
kalapalo que habita o Alto Xingu, às margens do
rio Kuluene, uma das mais de 305 etnias presentes
no território nacional. A edição caprichada da
editora Escuta Aqui Bem-Te-Vi é um exemplo a ser
seguido no trato com a cultura indígena. O texto é
bilíngue, em português-karib, língua falada pelos
kalapalos (há em torno de 270
línguas indígenas faladas no Brasil).
A informação da multiplicidade cultural
presente em nosso país dá um bom começo de
conversa com a criançada que tiver acesso ao
livro, seja nas escolas, seja nas livrarias que ainda
prezam o contato direto com seus leitores mirins,
por meio de contação de histórias e da presença
dos autores. Não é de menos importância o fato de
que um indígena kalapalo possa ver sua língua
estampada em espaços culturais que costumam
ignorar sua existência. Parabenizo os envolvidos
pela escolha político-editorial.
A segunda quebra de paradigma está na
ideia de que entre animais e pessoas não há a
hierarquia que o povo ocidental insiste em
defender e que faz de nós os maiores predadores
do ambiente do qual fazemos parte. É essa
empáfia supostamente evolutiva que nos mantém
na enrascada que deixará as próximas gerações
sem água potável, temperaturas suportáveis e
alimentos saudáveis. Como disse Nêgo Bispo, o
que chamamos de des-envolvimento é falta de
envolvimento. Para culturas em paz com o planeta
onde habitam, animais são “pessoas não
humanas”.
Não se trata do antropomorfismo das
fábulas de Esopo, com suas mensagens
carregadas de moral a ser incutida nas crianças
que, como nós, aprenderam horrorizadas que a
Cigarra artista merecia ser deixada à míngua pela
Formiga trabalhadeira. Entre os kalapalos, cada
pessoa tem seu valor, seu truque e ensinamento,
fazendo da onça – a maior caçadora da floresta –
um animal a ser respeitado, mas não onipotente.
A escolha por retratar o cotidiano das
aldeias nas ilustrações ao longo do livro é de
extremo bom gosto e atiçará a curiosidade da
criançada branca atenta à jornada da dona Onça
em busca de comida. O detalhe final fica para a introdução dos antropólogos Veronica Monachini
(que assina a adaptação) e Antonio Guerreiro, que
nos explicam que não se trata de um mito ou de
um conto, mas daquilo que para os kalapalos é a
própria história com h.
É nesse ponto que se tem a oportunidade
de avaliar o que entendemos por ficção em nossa
cultura e aprender algo. As versões que fazemos
do mundo não só explicam quem somos como nos
orientam em como lidar com nossa existência
coletivamente. Faz 500 anos que esses povos nos
alertam para o perigo de nosso discurso
desenvolvimentista, cujos efeitos nefastos nossas
crianças já testemunham.
VERA IACONELLI
Adaptado de folha.uol.com.br, 25/08/2025.
A frase final do 3º parágrafo mantém, com aquela que a antecede, a seguinte relação de sentido:
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Texto I
LER O BRASIL PARA AS CRIANÇAS
O mercado editorial está cheio de títulos
infantis disputando prateleiras e olhares de
crianças curiosas e pais preocupados em estimular
o hábito da leitura nos pequenos. Vale tudo na luta
desleal entre as imagens e sons fáceis que saltam
das telas e o delicado exercício de imaginar o que
a literatura conta e, por vezes, apenas sugere.
Entre os livros que recebo, um me chamou
especial atenção: A onça esfomeada e os bichos
espertos (2025), de Ugise Kalapalo, com
ilustrações de Babette Costa e Greta Comolatti. É
a adaptação de uma narrativa tradicional do povo
kalapalo que habita o Alto Xingu, às margens do
rio Kuluene, uma das mais de 305 etnias presentes
no território nacional. A edição caprichada da
editora Escuta Aqui Bem-Te-Vi é um exemplo a ser
seguido no trato com a cultura indígena. O texto é
bilíngue, em português-karib, língua falada pelos
kalapalos (há em torno de 270
línguas indígenas faladas no Brasil).
A informação da multiplicidade cultural
presente em nosso país dá um bom começo de
conversa com a criançada que tiver acesso ao
livro, seja nas escolas, seja nas livrarias que ainda
prezam o contato direto com seus leitores mirins,
por meio de contação de histórias e da presença
dos autores. Não é de menos importância o fato de
que um indígena kalapalo possa ver sua língua
estampada em espaços culturais que costumam
ignorar sua existência. Parabenizo os envolvidos
pela escolha político-editorial.
A segunda quebra de paradigma está na
ideia de que entre animais e pessoas não há a
hierarquia que o povo ocidental insiste em
defender e que faz de nós os maiores predadores
do ambiente do qual fazemos parte. É essa
empáfia supostamente evolutiva que nos mantém
na enrascada que deixará as próximas gerações
sem água potável, temperaturas suportáveis e
alimentos saudáveis. Como disse Nêgo Bispo, o
que chamamos de des-envolvimento é falta de
envolvimento. Para culturas em paz com o planeta
onde habitam, animais são “pessoas não
humanas”.
Não se trata do antropomorfismo das
fábulas de Esopo, com suas mensagens
carregadas de moral a ser incutida nas crianças
que, como nós, aprenderam horrorizadas que a
Cigarra artista merecia ser deixada à míngua pela
Formiga trabalhadeira. Entre os kalapalos, cada
pessoa tem seu valor, seu truque e ensinamento,
fazendo da onça – a maior caçadora da floresta –
um animal a ser respeitado, mas não onipotente.
A escolha por retratar o cotidiano das
aldeias nas ilustrações ao longo do livro é de
extremo bom gosto e atiçará a curiosidade da
criançada branca atenta à jornada da dona Onça
em busca de comida. O detalhe final fica para a introdução dos antropólogos Veronica Monachini
(que assina a adaptação) e Antonio Guerreiro, que
nos explicam que não se trata de um mito ou de
um conto, mas daquilo que para os kalapalos é a
própria história com h.
É nesse ponto que se tem a oportunidade
de avaliar o que entendemos por ficção em nossa
cultura e aprender algo. As versões que fazemos
do mundo não só explicam quem somos como nos
orientam em como lidar com nossa existência
coletivamente. Faz 500 anos que esses povos nos
alertam para o perigo de nosso discurso
desenvolvimentista, cujos efeitos nefastos nossas
crianças já testemunham.
VERA IACONELLI
Adaptado de folha.uol.com.br, 25/08/2025.
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