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3977646 Ano: 2025
Disciplina: Português
Banca: IBAM
Orgão: Pref. Arapiraca-AL
Texto I
LER O BRASIL PARA AS CRIANÇAS
   O mercado editorial está cheio de títulos infantis disputando prateleiras e olhares de crianças curiosas e pais preocupados em estimular o hábito da leitura nos pequenos. Vale tudo na luta desleal entre as imagens e sons fáceis que saltam das telas e o delicado exercício de imaginar o que a literatura conta e, por vezes, apenas sugere.
    Entre os livros que recebo, um me chamou especial atenção: A onça esfomeada e os bichos espertos (2025), de Ugise Kalapalo, com ilustrações de Babette Costa e Greta Comolatti. É a adaptação de uma narrativa tradicional do povo kalapalo que habita o Alto Xingu, às margens do rio Kuluene, uma das mais de 305 etnias presentes no território nacional. A edição caprichada da editora Escuta Aqui Bem-Te-Vi é um exemplo a ser seguido no trato com a cultura indígena. O texto é bilíngue, em português-karib, língua falada pelos kalapalos (há em torno de 270 línguas indígenas faladas no Brasil).
    A informação da multiplicidade cultural presente em nosso país dá um bom começo de conversa com a criançada que tiver acesso ao livro, seja nas escolas, seja nas livrarias que ainda prezam o contato direto com seus leitores mirins, por meio de contação de histórias e da presença dos autores. Não é de menos importância o fato de que um indígena kalapalo possa ver sua língua estampada em espaços culturais que costumam ignorar sua existência. Parabenizo os envolvidos pela escolha político-editorial.  
    A segunda quebra de paradigma está na ideia de que entre animais e pessoas não há a hierarquia que o povo ocidental insiste em defender e que faz de nós os maiores predadores do ambiente do qual fazemos parte. É essa empáfia supostamente evolutiva que nos mantém na enrascada que deixará as próximas gerações sem água potável, temperaturas suportáveis e alimentos saudáveis. Como disse Nêgo Bispo, o que chamamos de des-envolvimento é falta de envolvimento. Para culturas em paz com o planeta onde habitam, animais são “pessoas não humanas”.
    Não se trata do antropomorfismo das fábulas de Esopo, com suas mensagens carregadas de moral a ser incutida nas crianças que, como nós, aprenderam horrorizadas que a Cigarra artista merecia ser deixada à míngua pela Formiga trabalhadeira. Entre os kalapalos, cada pessoa tem seu valor, seu truque e ensinamento, fazendo da onça – a maior caçadora da floresta – um animal a ser respeitado, mas não onipotente.
    A escolha por retratar o cotidiano das aldeias nas ilustrações ao longo do livro é de extremo bom gosto e atiçará a curiosidade da criançada branca atenta à jornada da dona Onça em busca de comida. O detalhe final fica para a introdução dos antropólogos Veronica Monachini (que assina a adaptação) e Antonio Guerreiro, que nos explicam que não se trata de um mito ou de um conto, mas daquilo que para os kalapalos é a própria história com h.
    É nesse ponto que se tem a oportunidade de avaliar o que entendemos por ficção em nossa cultura e aprender algo. As versões que fazemos do mundo não só explicam quem somos como nos orientam em como lidar com nossa existência coletivamente. Faz 500 anos que esses povos nos alertam para o perigo de nosso discurso desenvolvimentista, cujos efeitos nefastos nossas crianças já testemunham.
VERA IACONELLI
Adaptado de folha.uol.com.br, 25/08/2025.
“Vale tudo na luta desleal entre as imagens e sons fáceis que saltam das telas e o delicado exercício de imaginar o que a literatura conta e, por vezes, apenas sugere.” (1º parágrafo)

Considerando o contexto em debate, a escolha dos verbos sublinhados e sua organização caracterizam um recurso de:
 

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3977645 Ano: 2025
Disciplina: Português
Banca: IBAM
Orgão: Pref. Arapiraca-AL
Texto I
LER O BRASIL PARA AS CRIANÇAS
   O mercado editorial está cheio de títulos infantis disputando prateleiras e olhares de crianças curiosas e pais preocupados em estimular o hábito da leitura nos pequenos. Vale tudo na luta desleal entre as imagens e sons fáceis que saltam das telas e o delicado exercício de imaginar o que a literatura conta e, por vezes, apenas sugere.
    Entre os livros que recebo, um me chamou especial atenção: A onça esfomeada e os bichos espertos (2025), de Ugise Kalapalo, com ilustrações de Babette Costa e Greta Comolatti. É a adaptação de uma narrativa tradicional do povo kalapalo que habita o Alto Xingu, às margens do rio Kuluene, uma das mais de 305 etnias presentes no território nacional. A edição caprichada da editora Escuta Aqui Bem-Te-Vi é um exemplo a ser seguido no trato com a cultura indígena. O texto é bilíngue, em português-karib, língua falada pelos kalapalos (há em torno de 270 línguas indígenas faladas no Brasil).
    A informação da multiplicidade cultural presente em nosso país dá um bom começo de conversa com a criançada que tiver acesso ao livro, seja nas escolas, seja nas livrarias que ainda prezam o contato direto com seus leitores mirins, por meio de contação de histórias e da presença dos autores. Não é de menos importância o fato de que um indígena kalapalo possa ver sua língua estampada em espaços culturais que costumam ignorar sua existência. Parabenizo os envolvidos pela escolha político-editorial.  
    A segunda quebra de paradigma está na ideia de que entre animais e pessoas não há a hierarquia que o povo ocidental insiste em defender e que faz de nós os maiores predadores do ambiente do qual fazemos parte. É essa empáfia supostamente evolutiva que nos mantém na enrascada que deixará as próximas gerações sem água potável, temperaturas suportáveis e alimentos saudáveis. Como disse Nêgo Bispo, o que chamamos de des-envolvimento é falta de envolvimento. Para culturas em paz com o planeta onde habitam, animais são “pessoas não humanas”.
    Não se trata do antropomorfismo das fábulas de Esopo, com suas mensagens carregadas de moral a ser incutida nas crianças que, como nós, aprenderam horrorizadas que a Cigarra artista merecia ser deixada à míngua pela Formiga trabalhadeira. Entre os kalapalos, cada pessoa tem seu valor, seu truque e ensinamento, fazendo da onça – a maior caçadora da floresta – um animal a ser respeitado, mas não onipotente.
    A escolha por retratar o cotidiano das aldeias nas ilustrações ao longo do livro é de extremo bom gosto e atiçará a curiosidade da criançada branca atenta à jornada da dona Onça em busca de comida. O detalhe final fica para a introdução dos antropólogos Veronica Monachini (que assina a adaptação) e Antonio Guerreiro, que nos explicam que não se trata de um mito ou de um conto, mas daquilo que para os kalapalos é a própria história com h.
    É nesse ponto que se tem a oportunidade de avaliar o que entendemos por ficção em nossa cultura e aprender algo. As versões que fazemos do mundo não só explicam quem somos como nos orientam em como lidar com nossa existência coletivamente. Faz 500 anos que esses povos nos alertam para o perigo de nosso discurso desenvolvimentista, cujos efeitos nefastos nossas crianças já testemunham.
VERA IACONELLI
Adaptado de folha.uol.com.br, 25/08/2025.
Por suas características de tema, forma e estilo, o texto da psicanalista Vera Iaconelli aproxima-se do gênero de discurso denominado:
 

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3977563 Ano: 2025
Disciplina: Português
Banca: AMAUC
Orgão: Pref. Itá-SC
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Ao se considerar as operações enunciativas que organizam os diferentes tipos de discurso (direto, indireto e indireto livre), é possível perceber não apenas variações estruturais, mas também efeitos de sentido específicos decorrentes da forma como o dizer alheio é incorporado ao enunciado. Com base nessa perspectiva, assinale a alternativa que apresenta uma análise teórica compatível com os fundamentos discursivos da heterogeneidade enunciativa.
 

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3977561 Ano: 2025
Disciplina: Português
Banca: AMAUC
Orgão: Pref. Itá-SC
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Considerando os pressupostos da Linguística Textual e da Análise do Discurso sobre a constituição do texto como prática social, assinale a alternativa que melhor define a natureza dos gêneros discursivos na perspectiva enunciativa.
 

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3977560 Ano: 2025
Disciplina: Português
Banca: AMAUC
Orgão: Pref. Itá-SC
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À luz da distinção entre fonética e fonologia, bem como a concepção de fonema como unidade funcional e distintiva no sistema linguístico, assinale a alternativa que apresenta uma interpretação coerente com os fundamentos teóricos contemporâneos.
 

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3977559 Ano: 2025
Disciplina: Português
Banca: AMAUC
Orgão: Pref. Itá-SC
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Ao considerar as abordagens contemporâneas para o ensino de leitura, distintas teorias dialogam com a concepção de linguagem como prática social, deslocando o foco do processo decodificador para a construção interativa de sentidos. À luz dessas perspectivas, qual das alternativas apresenta um entendimento coerente com os fundamentos sociocognitivos e discursivos do processo de leitura?
 

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3977558 Ano: 2025
Disciplina: Português
Banca: AMAUC
Orgão: Pref. Itá-SC
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A abordagem da oralidade no ensino de língua materna implica compreender os gêneros orais como práticas sociais marcadas por condições específicas de produção, circulação e recepção. Com base nessa perspectiva, assinale a alternativa que expressa uma concepção coerente com os estudos contemporâneos sobre oralidade e sua inserção no ensino.
 

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3977557 Ano: 2025
Disciplina: Português
Banca: AMAUC
Orgão: Pref. Itá-SC
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"Trata-se da formulação sintática, que envolve concordância, regência, colocação e organização dos termos da oração, cuja falha decorre do uso inadequado de elementos gramaticais ou do emprego, em uma variedade linguística, de padrões pertencentes a outra; normalmente, ocorre quando estruturas da fala coloquial ou popular são avaliadas segundo os critérios da norma culta."

Esse conceito está apresentando o seguinte vício de linguagem:
 

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3977556 Ano: 2025
Disciplina: Português
Banca: AMAUC
Orgão: Pref. Itá-SC
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Considere as afirmativas a seguir, relativas à estrutura oracional segundo a doutrina gramatical normativa de tradição brasileira. Registre V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas.


(__)A noção de frase se sustenta na completude formal da estrutura sintática, razão pela qual frases nominais são classificadas como orações elípticas, devido à omissão de predicados exigíveis.


(__)O predicativo do objeto integra a tipologia dos termos essenciais, pois participa diretamente da constituição do núcleo predicativo quando há predicação complexa.


Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta de cima para baixo:
 

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3977555 Ano: 2025
Disciplina: Português
Banca: AMAUC
Orgão: Pref. Itá-SC
Provas:
Considerando os processos morfológicos do português e sua classificação, assinale a alternativa em que a análise da estrutura interna da palavra e do processo de formação está correta e plenamente de acordo com os critérios morfofuncionais estabelecidos pela tradição gramatical normativa.
 

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