Antes de todo recomeço, existe a necessidade do ponto final
Recomeçar. Está aí um verbo que me encanta. Não pela palavra em si, que tem como um de seus significados “formar-se novamente”, mas por tudo o que ela representa. A coragem da mudança, a esperança diante do futuro que se quer construir e a capacidade de reziliência tornam a vida mais leve. Naturalmente, não é porque a palavra “recomeçar” é bonita que sua aplicabilidade se torna fácil. Na verdade, o recomeçar é difícil demais porque envolve coragem, determinação e altas doses de inteligência emocional, aspectos que, se faltarem ao indivíduo, não despertam qualquer alteração em sua vida. Assim, os dias ficam maiores, o medo em ficar sozinho nos tortura e o arrependimento de que “deveríamos ter tentado mais” coloca nossa sanidade mental em xeque. Porém, apesar de tudo isso, a liberdade e a paz que os recomeços trazem faz toda e qualquer atitude valer a pena.
Diariamente vejo pessoas promovendo os recomeços como condição de felicidade e, sinceramente, acredito que sejam mesmo. O problema é que muitos querem recomeçar sem colocar um ponto final nas coisas que lhes fazem mal e tentam, a todo custo, manter as situações como elas estão para não sentirem a dor da mudança. Sejamos realistas: sem disposição, atitude e objetividade plano nenhum dará certo. Você não será capaz de viver um relacionamento sadio e duradouro se sua vida está desorganizada financeira e emocionalmente. Você não terá o emprego dos sonhos se dedica dezoito horas do seu dia trabalhando com o que não gosta. Você não será capaz de comprar o que deseja se gasta mais do que ganha mensalmente. É preciso entender que, antes de querer uma nova história, você precisa ser capaz de abandonar a antiga. Dessa forma, a reestruturação mental e o recondicionamento da dimensão emocional são providências precípuas para pavimentar uma trajetória em que o equilíbrio volte a predominar dia após dia.
Para ser merecedor de um verdadeiro recomeço você vai precisar ser forte o suficiente para dizer basta a tudo o que lhe distancia da sua essência (e isso engloba relacionamentos, profissão e sonhos). Não deveria ser difícil pôr fim às situações desgastantes, mas o motivo pelo qual isso se torna uma tarefa de gigantes é um só: as pessoas se acomodaram (e se acostumaram) com as situações abusivas e acreditam que viver do jeito que vivem é normal. Destarte, vão procastinando a tomada de decisões que deveria ser feita tão logo os problemas acabem aparecendo. Infelizmente, a covardia rouba a possibilidade de felicidade das pessoas, já que muitas não aceitam o fato das coisas não estarem bem e procuram convencer a mente de que viver assim é “normal”. Muitas pessoas acreditam que insistir nas histórias é bonito e usam como lema de vida o “é melhor se contentar com o que tenho do que arriscar algo que pode não dar certo”. Antes de se acomodar em alguma situação, entenda que ofensas diárias não são normais. Traição não é algo que “todo mundo faz” e que o tempo não fará seu parceiro mudar de atitudes. Você precisa ser capaz de ver além do muro do comodismo e finalizar tudo o que destrói sua auto-estima. Simples assim!
É bom ressaltar que, enquanto você adiar tomar atitudes necessárias, a conta das consequências sempre virá. Você precisa ser capaz de mais, de ir além, de acreditar que merece mais do que essa vida “morna” que você aceita viver. O fim de um relacionamento não é o fim da vida. O emprego que te faz infeliz não é a sua única forma de sobrevivência e a sua vida financeira atual não será assim eternamente. Você tem o poder de mudar o curso da vida apenas tomando as decisões certas. Portanto, quando a covardia quiser fazer morada, pare, respire e pergunte a si mesmo: qual é o meu limite? Quando você for capaz de responder a essa pergunta, você será capaz de ser verdadeiramente livre e grangeará um sentimento de felicidade muito mais profundo por reduzir sofrimentos que podem ser expurgados da própria existência.
(Disponível em: https://www.contioutra.com/antes-de-todo-recomeco-existe-a-necessidade-do-pontofinal/ - texto adaptado especialmente para esta prova.)
Na frase “a reestruturação mental e o recondicionamento da dimensão emocional são providências precípuas para pavimentar uma trajetória em que o equilíbrio volte a predominar dia após dia”, retirada do texto, se o fragmento “e o recondicionamento da dimensão emocional” fosse suprimido, quantas outras palavras precisariam ter a grafia modificada para garantir a correta concordância verbo-nominal?