1 Parto do ponto de vista de que a nação é uma
construção histórica carregada de significações. Portanto, ao
buscar sentido histórico no fenômeno nacional, o que desejo
4 compreender não é o mero reflexo de uma suposta realidade
empírica dada, mas o próprio processo de elaboração
simbólica. Diferentemente do físico, que pode repetir a
7 experiência, a matéria-prima do historiador, o passado, foi
embora para sempre, o que impede sua reconstrução em um
sentido físico e objetivo, como se fosse possível despertá-lo
10 em uma nova vida. Apesar de a questão nacional ter voltado,
pelo menos desde os anos 80, a estar presente no centro dos
debates nas ciências sociais, para a maioria dos historiadores
13 do nosso século, a nação se constitui mais em um dado do
que em um problema, quase como uma base natural da
história a ser estudada.
Afonso Carlos Marques dos Santos. Linguagem, memória e história: o
enunciado nacional. In: Lúcia M. A. Ferreira e Evelyn G. D. Orrico (Org.).
Linguagem, identidade e memória social: novas fronteiras, novas
articulações. Rio de Janeiro: DP&A, 2002, p. 14-5 (com adaptações).
Com base no texto acima, julgue os seguintes itens.
A argumentação do texto defende que "a nação se constitui mais em um dado do que em um problema" (l.13-14) porque "nação" é o conceito empírico que constitui a "matéria-prima do historiador" (.7).