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Conquanto a fórmula “Fica aprovado o texto...”
venha tendo a preferência nas redações finais dos projetos de
decreto legislativo desta década, o formato anterior,
“É aprovado o texto...”, utilizado em décadas passadas,
parece mais consentâneo com o bom português. Não apenas é
o verbo ser o verbo auxiliar típico para a formação da voz
passiva analítica, quanto é o mais adequado para formar
locução verbal com o verbo aprovar.
Ademais, em sua acepção intransitiva, ser tem a
conotação de ter existência real, existir. Um ato internacional
ao qual o parlamento brasileiro concede aprovação legislativa
cumpre a etapa parlamentar deliberativa para a sua existência
real como norma de direito positivo interno, com caráter de
permanência (não se trata de alguma coisa qualquer que recebe
um aval momentâneo para ali ficar transitoriamente).
Conquanto as duas fórmulas tenham sido utilizadas, a
opção pela utilização da locução verbal é aprovado soa,
juridicamente, mais robusta, com maior força de comunicado
de decisão peremptória à nação. Afinal, o que fica, pode,
também, sair, partir...
Maria Ester Mena Barreto Camino e Luiz Henrique Cascelli de Azevedo. Necessidade de uniformização dos projetos de decreto legislativo pertinentes a atos internacionais. Maio/2011. Internet: www2.camara.gov.br (com adaptações
Julgue o item, acerca do texto.
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Em Buenos Aires, os argentinos sacaram
US$ 645 milhões em depósitos denominados em dólar dos
bancos privados locais na primeira semana que se seguiu a uma
medida do governo para dificultar a compra da
moeda norte-americana por pessoas físicas e jurídicas. O
número, publicado pelo Banco Central argentino no dia 13 de
novembro, indica que a medida causou tensão entre os
argentinos e os levou a agir como em tempos de crise, quando
normalmente intensificam a compra de dólares ou sacam
recursos do sistema bancário. Antes de a medida ser anunciada,
em 31 de outubro, os bancos privados contavam com depósitos
no valor de US$ 14,833 bilhões, segundo o Banco Central
argentino. Cinco dias depois, a quantia havia caído para
US$ 14,188 bilhões: 4,3%. Na mesma semana, os depósitos em
peso cresceram 4,2%.
Internet: www.economia.ig.com.br, acesso em 14/11/2011 (com adaptações)
No que se refere a aspectos linguísticos do texto acima, julgue o item.
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As obras para melhoria das rodovias federais
brasileiras viraram um jogo de faz de conta: as empresas
responsáveis por elas fazem de conta que estão tocando os
trabalhos, e o governo finge que acredita. Já os usuários dessas
vias são obrigados a enfrentar a vida real, que é feita de trechos
congestionados, esburacados e índices de acidentes que
aumentaram mais de 50% nos últimos cinco anos. Em 2007, o
governo licitou um pacote que incluiu a Régis Bittencourt,
principal corredor entre São Paulo e o sul do país, a
Fernão Dias, que une a capital paulista à mineira, e outras
cinco rodovias importantes do Sul e do Sudeste do país. Com
a Dutra, elas formam o cerne da malha rodoviária nacional.
De acordo com o edital de privatização, as empresas que
ganharam o direito de explorá-las deveriam ampliar o seu
número de faixas e construir contornos e ramais com vistas a
desatar os nós que as asfixiam. A reportagem percorreu de
carro 4.500 quilômetros dessas estradas para chegar a uma
conclusão assustadora. Quatro anos depois da privatização
“baratinha”, nenhuma das grandes obras previstas saiu do
papel.
Kalleo Coura. O golpe do pedágio barato. In: Veja, 16/11/2011 (com adaptações).
A respeito das ideias e das estruturas linguísticas do texto acima,
julgue os itens de 5 a 9.
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As universidades corporativas surgiram no mercado
educacional com o intuito de capacitar os funcionários de
instituições e grandes empresas. No caso da Universidade do
Parlamento Cearense (UNIPACE), um dos seus principais
focos foi contribuir com a educação dos servidores públicos.
Criada em 2007, ela surgiu para aperfeiçoar a atuação do
funcionalismo estadual, promovendo atividades direcionadas
à formação e qualificação profissional dos servidores e agentes
políticos vinculados às assembleias legislativas e às câmaras
municipais conveniadas.
A presidente da UNIPACE, Patrícia Saboya, define a
educação como princípio da democratização de um povo, da
manutenção da cultura e das tradições. Em consonância com o
discurso do escritor e economista César Benjamin, que afirma:
“O maior patrimônio de um país é seu próprio povo, e o maior
patrimônio de um povo é a sua cultura”, ela acredita que a
cultura permite ao cidadão comum expressar melhor conceitos
e sentimentos, conhecer bem a língua que fala, reconhecer sua
identidade e ampliar seu horizonte de direitos. O resultado
disso, segundo a deputada, é um aumento de sua capacidade de
organização e de comunicar-se melhor consigo e com outros
povos, aprender novas técnicas. Enfim, ter acesso ao que de
melhor a humanidade produziu na ciência e na arte. De acordo
com a parlamentar, um dos objetivos da instituição é ampliar
os cursos de formação na área de políticas públicas para
capacitar os servidores públicos ao melhor atendimento à
população.
Internet: www.al.ce.gov.br (com adaptações).
No que se refere a aspectos gramaticais e formais do texto acima,
julgue os itens seguintes.
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Quando se fala em gramática, geralmente se pensa em
um conjunto de ensinamentos sobre a maneira correta de falar
e escrever uma língua ou em um livro que contenha esses
ensinamentos. Trata-se de uma imagem construída ao longo de
pelo menos vinte séculos, desde que os gregos — e, dando-lhes
seguimento, os romanos — conceituaram gramática como a
arte do uso correto da língua. Essa história abriga um extenso
capítulo escrito a partir do final do século XV e recheado de
episódios decisivos no curso dos séculos XVI e XVII, quando
se consolidou o perfil das gramáticas normativas das línguas
europeias modernas.
José Carlos de Azeredo. Gramática Houaiss da língua portuguesa. 3.ª ed. São Paulo: Publifolha, Houaiss, 2010, p. 32 (com adaptações).
A respeito dos aspectos sintáticos e semânticos do texto acima,
julgue os itens que se seguem.
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- OrtografiaPontuaçãoVírgula
- Interpretação de TextosCoesão e Coerência
- Interpretação de TextosSubstituição/Reescritura de Texto
Um dicionário analógico, ou de ideias afins, ou
thesaurus, parte de um pressuposto semelhante àquele que rege
a função de um dicionário de língua como o conhecemos. Este
é uma ferramenta de busca de significados e informações de
uso de palavras que conhecemos, ou seja, partimos de uma
palavra conhecida para buscar-lhe as acepções e usos possíveis.
O dicionário analógico pressupõe situação em que, ao
contrário, temos noção de um significado, temos uma intenção
de uso, mas não nos ocorre uma palavra satisfatória. O
thesaurus, a partir de um contexto de possíveis significados,
oferece uma grande quantidade de palavras em torno dessa
significação, isto é, termos análogos com maior ou menor grau
de proximidade em relação às acepções apresentadas, para que,
nesse conjunto, possamos encontrar a palavra — ou expressão
— que melhor nos convenha, em qualquer de suas mais
prováveis funções gramaticais.
Francisco Azevedo. Apresentação do dicionário analógico da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Lexicon, 20
Com relação a aspectos linguísticos do texto acima, julgue os itens
subsequentes.
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Os telejornais, de grande audiência em todas as
camadas da população, nem sempre dedicam espaço à política.
Nos jornais impressos de circulação nacional — considerados
os principais divulgadores da atividade legislativa e dos fatos
de natureza política —, o noticiário, naturalmente, não abrange
todas as atividades de plenário, das comissões e muito menos
dos parlamentares individualmente. O espaço dedicado aos
assuntos políticos nos meios de comunicação é insuficiente
para dar ampla cobertura e adequada divulgação às atividades
do Congresso. Jornalistas políticos de destaque, como o
veterano Villas Boas Corrêa, já se manifestaram de maneira
incisiva a respeito: “Acho que a imprensa merece seus puxões
de orelha porque não faz nenhum esforço para cobrir aquilo
que ainda remanesce de importante no Congresso, como, por
exemplo, o trabalho das comissões...”, disse o jornalista, em
depoimento ao Centro de Pesquisas e Documentação da
Fundação Getúlio Vargas, em 1995.
Sérgio Chacon. Congresso, imprensa e opinião pública: o caso da CPMI dos Sanguessugas, 2008. Internet: www.bd.camara.gov.br (com adaptações).
Julgue o item, relativo à sintaxe e aos elementos estruturais do texto.
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Os telejornais, de grande audiência em todas as
camadas da população, nem sempre dedicam espaço à política.
Nos jornais impressos de circulação nacional — considerados
os principais divulgadores da atividade legislativa e dos fatos
de natureza política —, o noticiário, naturalmente, não abrange
todas as atividades de plenário, das comissões e muito menos
dos parlamentares individualmente. O espaço dedicado aos
assuntos políticos nos meios de comunicação é insuficiente
para dar ampla cobertura e adequada divulgação às atividades
do Congresso. Jornalistas políticos de destaque, como o
veterano Villas Boas Corrêa, já se manifestaram de maneira
incisiva a respeito: “Acho que a imprensa merece seus puxões
de orelha porque não faz nenhum esforço para cobrir aquilo
que ainda remanesce de importante no Congresso, como, por
exemplo, o trabalho das comissões...”, disse o jornalista, em
depoimento ao Centro de Pesquisas e Documentação da
Fundação Getúlio Vargas, em 1995.
Sérgio Chacon. Congresso, imprensa e opinião pública: o caso da CPMI dos Sanguessugas, 2008. Internet: www.bd.camara.gov.br (com adaptações).
Julgue o item, relativo à sintaxe e aos elementos estruturais do texto.
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- OrtografiaPontuaçãoParênteses
- OrtografiaPontuaçãoTravessão
- Interpretação de TextosCoesão e Coerência
- Interpretação de TextosSubstituição/Reescritura de Texto
Quando se fala em gramática, geralmente se pensa em
um conjunto de ensinamentos sobre a maneira correta de falar
e escrever uma língua ou em um livro que contenha esses
ensinamentos. Trata-se de uma imagem construída ao longo de
pelo menos vinte séculos, desde que os gregos — e, dando-lhes
seguimento, os romanos — conceituaram gramática como a
arte do uso correto da língua. Essa história abriga um extenso
capítulo escrito a partir do final do século XV e recheado de
episódios decisivos no curso dos séculos XVI e XVII, quando
se consolidou o perfil das gramáticas normativas das línguas
europeias modernas.
José Carlos de Azeredo. Gramática Houaiss da língua portuguesa. 3.ª ed. São Paulo: Publifolha, Houaiss, 2010, p. 32 (com adaptações).
A respeito dos aspectos sintáticos e semânticos do texto acima,
julgue os itens que se seguem.
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Uma vez, ouvi na televisão um político americano
dizer: “É preciso limpar as palavras.” Se bem me lembro, ele
falava a respeito de um escândalo que havia ferido
injustamente a reputação de alguém. Era como se assinalasse
que tínhamos que ter mais cuidado na escolha dos termos que
utilizamos, mas chamou-me a atenção que ele se referisse às
palavras como objetos que podem estar mais ou menos limpos.
Tal afirmativa, na boca de um escritor, seria natural.
Mas, dita por um político, soou como algo raro. Claro que,
sendo ele um político americano, há uma explicação para isso.
A cultura daquele país tem um substrato calvinista, e um dos
itens da ética protestante é o confronto entre o limpo e o sujo,
o puro e o impuro.
Anotei a expressão “limpar as palavras”. Gostei da
frase e da intenção.
Assim como a gente manda uma roupa para a
tinturaria, é preciso mandar limpar as palavras. Como se faz
uma faxina na casa, pode-se faxinar o texto. Há até
especialistas nisto: o revisor, o copidesque, o redator. Eles
pegam o texto alheio e começam a cortar aqui e ali as gorduras,
os excessos, as impurezas gramaticais. Também os professores,
os linguistas, os filólogos podem entrar nessa categoria, a
exemplo dos dicionaristas.
Mas como se limpa a palavra? Só uma palavra pode
limpar outra.
Cada um tem lá sua técnica para limpar as palavras.
Lembro uma conhecida que sugeria que, para um jeans bem
limpo, era necessário jogar na máquina de lavar roupas também
um par de tênis. No fundo, era um pouco a imitação
tecnológica do que as lavadeiras sempre fizeram na beira dos
rios, batendo as roupas na pedra. Cada escritor coloca dentro
de sua máquina de escrever um tênis diferente para clarear a
escrita. São matreirices.
O bate-enxuga das palavras. O publicitário também
sabe o que é isso, o que é sacar a frase de efeito, revirar o texto
para que ele tenha a força do slogan, do provérbio, do axioma.
Os homens que tratam das leis também pensam nisso. Ficam ali
burilando os termos pra evitar ambiguidades e subterfúgios. Às
vezes conseguem, às vezes não. A lei deveria ser limpa,
transparente. Às vezes é, às vezes, não.
Limpar as palavras. Mas há palavra pura? Há algum
tempo houve um movimento chamado “poesia pura”, “arte
pura”. Existe alguma coisa pura? Há dúvidas. Hoje, que a
ecologia está na moda, condena-se a poluição. A despoluição,
na verdade, começa pela despoluição no discurso.
Affonso Romano de Sant'Anna. Limpar as palavras. In: Coleção Melhores Crônicas. São Paulo: Global, 2003 (com adaptações).
A respeito dos aspectos linguísticos do texto, julgue os itens que se
seguem.
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Caderno Container