Foram encontradas 135 questões.
Leia o texto para responder à questão.
Uma carta de Yaqub, pontual, chegava de São Paulo no
fim de cada mês. Zana fazia da leitura um ritual, lia como
quem lê um salmo; a dicção, emocionada, alternava com
uma pausa, como se quisesse escutar a voz do filho distante.
Halim convidava os vizinhos e a leitura era pretexto para um
jantar festivo. Sem festa, Zana ficaria deprimida, pensando
no frio que o filho sentia, coitadinho, na solidão das noites
num quarto úmido da Pensão Veneza, no centro de São Paulo. Com poucas palavras, Yaqub pintava o ritmo de sua vida
paulistana. A solidão e o frio não o incomodavam; comentava os estudos, a perturbação da metrópole, a seriedade e a
devoção das pessoas ao trabalho. De vez em quando, ao
atravessar a praça da República, parava para contemplar a
imensa seringueira. Gostou de ver a árvore amazônica no
centro de São Paulo, mas nunca mais a mencionou.
As cartas iam revelando um fascínio por uma vida nova,
o ritmo dos desgarrados da família que vivem só. Agora não
morava numa aldeia, mas numa metrópole.
“Meu filho paulista”, brincava Zana, orgulhosa e preocupada ao mesmo tempo. Temia que Yaqub nunca mais voltasse. No sexto mês de vida paulistana começou a lecionar
matemática. Abreviou as cartas, dois ou três parágrafos
curtos, ou apenas um: mero sinal de vida e uma notícia que
justificava a carta. Assim, sem alarde, quase em surdina, o
jovem professor Yaqub noticiou seu ingresso na Universidade
de São Paulo. Não ia ser matemático, ia ser engenheiro. Um
politécnico, calculista de estruturas. Zana não entendeu direito o significado da futura profissão do filho, mas engenheiro
já bastava, e era muito. Um doutor. Os pais mandaram-lhe
dinheiro e um telegrama; ele agradeceu as belas palavras e
devolveu o dinheiro. Entenderam que o filho nunca mais precisaria de um vintém. Mesmo se precisasse, não lhes pediria.
As cartas rareavam e as notícias de São Paulo pareciam
sinais de um outro mundo. O pouco que ele revelava não justificava o barulho que se fazia em casa. Um bilhete com palavras
vagas podia originar um festejo. Zana aderiu à comemoração,
que no início era mensal e depois foi rareando, de modo que
as poucas linhas enviadas por Yaqub passavam por Manaus
como um cometa de brilho pálido. Os acenos intermitentes da
metrópole: o dia a dia na Pensão Veneza, os cinemas da São
João, os passeios de bonde, o burburinho do viaduto do Chá
e os sisudos mestres engravatados, venerados por Yaqub. Na
primeira foto que enviou, trajava paletó e gravata e tinha o ar
posudo que lembrava o espadachim no desfile da Independência.
“Como está diferente daquele montanhês que vi no Rio”,
comentou Halim, mirando a imagem do filho.
“O montanhês é o teu filho”, disse Zana. “O meu é outro,
é esse futuro doutor em frente do Teatro Municipal.”
(Milton Hatoum. Dois Irmãos. Companhia das Letras, 2000. Adaptado)
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Leia o texto, para responder à questão.
Cuidado na rede
Com a popularização dos smartphones, a internet se tornou o principal meio de comunicação do brasileiro. Ninguém
mais fala ao telefone ou manda uma correspondência física. É tudo resolvido pelo WhatsApp, pelo Facebook e pelo
Instagram, citando apenas alguns dos mais populares aplicativos presentes nos celulares da maioria. Já as compras e as
transações bancárias são todas feitas on-line.
O aumento ao acesso também eleva o risco. Apesar
de muito se falar sobre o cuidado na rede, parece que as
pessoas não têm se protegido como deveriam. Segundo o
Relatório de Segurança Digital no Brasil, apenas no primeiro
trimestre deste ano, foram 56,9 milhões de ciberataques via
links maliciosos e 7,9 milhões de pessoas atacadas. Isto é,
um em cada quatro brasileiros foi potencialmente vítima de
cibercriminosos.
E o que tem feito mais vítimas são publicações suspeitas
e notícias falsas, as famosas fake news.
Mas não se engane. Não são apenas links recebidos por
mensagens e e-mails ou publicidades infectadas que representam risco para a privacidade na internet. Toda transação
on-line potencialmente se coloca como um risco…
(Beto Carlomagno, Revista Vida&Arte, 07.07.2018. Adaptado)
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Leia a tira, em que ocorre um diálogo entre Hagar e sua esposa, Helga, para responder à questão.

(Dik Browne. Hagar, o horrível.)
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Leia a tira, em que ocorre um diálogo entre Hagar e sua esposa, Helga, para responder à questão.

(Dik Browne. Hagar, o horrível.)
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Para responder à questão, considere
a seguinte passagem do texto.
Quando vocês forem adultas e pensarem detidamente
nas experiências desagradáveis que a mamãe atravessou
e na obstinação com que ela se aferrou a suas convicções,
começarão a compreender a importância da contribuição
dela à batalha pela verdade e pela justiça e quanto ela sacrificou de seus interesses pessoais e de sua felicidade.
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Leia o texto para responder à questão.
Uma carta de Yaqub, pontual, chegava de São Paulo no
fim de cada mês. Zana fazia da leitura um ritual, lia como
quem lê um salmo; a dicção, emocionada, alternava com
uma pausa, como se quisesse escutar a voz do filho distante.
Halim convidava os vizinhos e a leitura era pretexto para um
jantar festivo. Sem festa, Zana ficaria deprimida, pensando
no frio que o filho sentia, coitadinho, na solidão das noites
num quarto úmido da Pensão Veneza, no centro de São Paulo. Com poucas palavras, Yaqub pintava o ritmo de sua vida
paulistana. A solidão e o frio não o incomodavam; comentava os estudos, a perturbação da metrópole, a seriedade e a
devoção das pessoas ao trabalho. De vez em quando, ao
atravessar a praça da República, parava para contemplar a
imensa seringueira. Gostou de ver a árvore amazônica no
centro de São Paulo, mas nunca mais a mencionou.
As cartas iam revelando um fascínio por uma vida nova,
o ritmo dos desgarrados da família que vivem só. Agora não
morava numa aldeia, mas numa metrópole.
“Meu filho paulista”, brincava Zana, orgulhosa e preocupada ao mesmo tempo. Temia que Yaqub nunca mais voltasse. No sexto mês de vida paulistana começou a lecionar
matemática. Abreviou as cartas, dois ou três parágrafos
curtos, ou apenas um: mero sinal de vida e uma notícia que
justificava a carta. Assim, sem alarde, quase em surdina, o
jovem professor Yaqub noticiou seu ingresso na Universidade
de São Paulo. Não ia ser matemático, ia ser engenheiro. Um
politécnico, calculista de estruturas. Zana não entendeu direito o significado da futura profissão do filho, mas engenheiro
já bastava, e era muito. Um doutor. Os pais mandaram-lhe
dinheiro e um telegrama; ele agradeceu as belas palavras e
devolveu o dinheiro. Entenderam que o filho nunca mais precisaria de um vintém. Mesmo se precisasse, não lhes pediria.
As cartas rareavam e as notícias de São Paulo pareciam
sinais de um outro mundo. O pouco que ele revelava não justificava o barulho que se fazia em casa. Um bilhete com palavras
vagas podia originar um festejo. Zana aderiu à comemoração,
que no início era mensal e depois foi rareando, de modo que
as poucas linhas enviadas por Yaqub passavam por Manaus
como um cometa de brilho pálido. Os acenos intermitentes da
metrópole: o dia a dia na Pensão Veneza, os cinemas da São
João, os passeios de bonde, o burburinho do viaduto do Chá
e os sisudos mestres engravatados, venerados por Yaqub. Na
primeira foto que enviou, trajava paletó e gravata e tinha o ar
posudo que lembrava o espadachim no desfile da Independência.
“Como está diferente daquele montanhês que vi no Rio”,
comentou Halim, mirando a imagem do filho.
“O montanhês é o teu filho”, disse Zana. “O meu é outro,
é esse futuro doutor em frente do Teatro Municipal.”
(Milton Hatoum. Dois Irmãos. Companhia das Letras, 2000. Adaptado)
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Leia o texto, para responder à questão.
Espelhos
Chega um dia na vida de todo homem em que ele se olha
no espelho de manhã e tem uma revelação estarrecedora:
sua mulher está dormindo com outro! Depois ele olha melhor
e vê que não é outro, é ele mesmo, mas por alguma razão
inexplicável ele está com 40 anos. Acabou de entrar naquela
terra mítica chamada meia-idade, outrora habitada apenas
por pessoas estranhas como os pais da gente.
O espelho nos mostra o nosso contrário, a nossa esquerda na nossa direita, mas este é o limite máximo da sua dissimulação. Fora isso, ele é de uma franqueza brutal e irrecorrível. Vivemos na era das relações públicas, é inadmissível
que a nossa própria imagem nos trate com tanta crueza.
É inadmissível que alguém lhe diga: “Você tem 40 anos!”
(ou 50, ou 60, ou até, meu Deus, mais!) assim na cara, mesmo que quem diga seja sua própria cara. E de manhã, na
hora em que, ainda amarrotado pelo sono e antes de botar
o rosto que usará durante o dia, você está mais vulnerável.
(Luis Fernando Veríssimo, As mentiras que os homens contam)
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Leia o texto para responder à questão.
Está provado: um outro mundo é possível
No começo dos anos 1970, Copenhague estava cheia
de carros, como qualquer outra capital importante do mundo.
Poluição aumentava, trânsito piorava, acidentes aconteciam.
Aí bateu na cabeça a crise do petróleo, uma disputa econômica que virou confusão geopolítica entre os países islâmicos
do Oriente Médio, com seus xeques e aiatolás, e o Ocidente queimador de gasolina, com seus exércitos e empresas
monopolistas de petróleo. No mundo inteiro a gasolina ficou
cara e isso machucou economias em toda parte. Mas, em
Copenhague, a crise foi ótima.
O governo, obcecado pelo interesse público, aproveitou
para pensar estrategicamente. Viu que poderia mudar a matriz
de mobilidade da cidade, com um investimento pequeno, e que
isso iria acabar tendo efeito positivo em muitas áreas – na saúde, inclusive mental, no turismo, nos índices de felicidade, no
trânsito, na economia, até na educação (ciclistas estatisticamente tiram notas mais altas). Como essa mudança foi muito bem
conduzida por gente talentosa, ela acabou fazendo com que a
cidade ficasse mais rica, mais saudável e mais feliz. Hoje, mais
de 40 anos depois, há mais gente pedalando do que dirigindo na
cidade. Não peguei nenhum engarrafamento em uma semana
aqui. Não vi nenhuma briga de trânsito – nem sequer um xingamento. Não vi quase ninguém muito acima do peso.
(Denis R. Burgierman. www.nexojornal.com.br, 18.07.2018. Adaptado)
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Espelhos
Chega um dia na vida de todo homem em que ele se olha
no espelho de manhã e tem uma revelação estarrecedora:
sua mulher está dormindo com outro! Depois ele olha melhor
e vê que não é outro, é ele mesmo, mas por alguma razão
inexplicável ele está com 40 anos. Acabou de entrar naquela
terra mítica chamada meia-idade, outrora habitada apenas
por pessoas estranhas como os pais da gente.
O espelho nos mostra o nosso contrário, a nossa esquerda na nossa direita, mas este é o limite máximo da sua dissimulação. Fora isso, ele é de uma franqueza brutal e irrecorrível. Vivemos na era das relações públicas, é inadmissível
que a nossa própria imagem nos trate com tanta crueza.
É inadmissível que alguém lhe diga: “Você tem 40 anos!”
(ou 50, ou 60, ou até, meu Deus, mais!) assim na cara, mesmo que quem diga seja sua própria cara. E de manhã, na
hora em que, ainda amarrotado pelo sono e antes de botar
o rosto que usará durante o dia, você está mais vulnerável.
(Luis Fernando Veríssimo, As mentiras que os homens contam)
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Está provado: um outro mundo é possível
No começo dos anos 1970, Copenhague estava cheia
de carros, como qualquer outra capital importante do mundo.
Poluição aumentava, trânsito piorava, acidentes aconteciam.
Aí bateu na cabeça a crise do petróleo, uma disputa econômica que virou confusão geopolítica entre os países islâmicos
do Oriente Médio, com seus xeques e aiatolás, e o Ocidente queimador de gasolina, com seus exércitos e empresas
monopolistas de petróleo. No mundo inteiro a gasolina ficou
cara e isso machucou economias em toda parte. Mas, em
Copenhague, a crise foi ótima.
O governo, obcecado pelo interesse público, aproveitou
para pensar estrategicamente. Viu que poderia mudar a matriz
de mobilidade da cidade, com um investimento pequeno, e que
isso iria acabar tendo efeito positivo em muitas áreas – na saúde, inclusive mental, no turismo, nos índices de felicidade, no
trânsito, na economia, até na educação (ciclistas estatisticamente tiram notas mais altas). Como essa mudança foi muito bem
conduzida por gente talentosa, ela acabou fazendo com que a
cidade ficasse mais rica, mais saudável e mais feliz. Hoje, mais
de 40 anos depois, há mais gente pedalando do que dirigindo na
cidade. Não peguei nenhum engarrafamento em uma semana
aqui. Não vi nenhuma briga de trânsito – nem sequer um xingamento. Não vi quase ninguém muito acima do peso.
(Denis R. Burgierman. www.nexojornal.com.br, 18.07.2018. Adaptado)
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