Foram encontradas 135 questões.
Leia o texto, para responder à questão.
Minhas queridas,
Mais uma vez nossa amada mamãe foi presa e agora
ela e o papai estão na cadeia. Meu coração sangra quando penso nela em alguma cela policial longe de casa, talvez
sozinha e sem ninguém com quem conversar, e sem nada
para ler. Vinte e quatro horas por dia sentindo falta de suas
pequenas. Pode ser que se passem meses e até anos até
que vocês a vejam de novo. Por muito tempo talvez vocês
vivam como órfãs, sem seu lar e seus pais, sem o amor
natural, o afeto e a proteção que a mamãe costumava lhes
dar. Agora vocês não vão ter festas de aniversário nem de
Natal, nem presentes, nem vestidos novos, nem brinquedos.
Ela não estará aí; não terá condições de lhes dar a ajuda e a
orientação de que precisam à medida que vão crescendo e
novos problemas vão surgindo.
Não é a primeira vez que a mamãe vai para a cadeia.
Em outubro de 1958, apenas quatro meses antes do nosso
casamento, ela foi presa com 2000 outras mulheres quando
protestavam em Johanesburgo contra os passes de locomoção e ficou duas semanas na prisão. No ano passado ela
cumpriu quatro dias, mas agora ela voltou para a cadeia e
não sei dizer quanto tempo ficará detida desta vez. Tudo o
que desejo que vocês sempre tenham em mente é que temos
uma mamãe valente e determinada que ama sua gente com
todo o seu coração. Ela abriu mão de prazeres e confortos
por uma vida cheia de sacrifício e penúria por causa do profundo amor que ela tem por seu povo e seu país. Quando
vocês forem adultas e pensarem detidamente nas experiências desagradáveis que a mamãe atravessou e na obstinação com que ela se aferrou a suas convicções, começarão
a compreender a importância da contribuição dela à batalha
pela verdade e pela justiça e quanto ela sacrificou de seus
interesses pessoais e de sua felicidade.
(Carta de Nelson Mandela a suas filhas Zenani e Zindzi,
em 23 de junho de 1969. Veja, 11 de julho de 2018. Adaptado)
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Leia o texto para responder à questão.
Uma carta de Yaqub, pontual, chegava de São Paulo no
fim de cada mês. Zana fazia da leitura um ritual, lia como
quem lê um salmo; a dicção, emocionada, alternava com
uma pausa, como se quisesse escutar a voz do filho distante.
Halim convidava os vizinhos e a leitura era pretexto para um
jantar festivo. Sem festa, Zana ficaria deprimida, pensando
no frio que o filho sentia, coitadinho, na solidão das noites
num quarto úmido da Pensão Veneza, no centro de São Paulo. Com poucas palavras, Yaqub pintava o ritmo de sua vida
paulistana. A solidão e o frio não o incomodavam; comentava os estudos, a perturbação da metrópole, a seriedade e a
devoção das pessoas ao trabalho. De vez em quando, ao
atravessar a praça da República, parava para contemplar a
imensa seringueira. Gostou de ver a árvore amazônica no
centro de São Paulo, mas nunca mais a mencionou.
As cartas iam revelando um fascínio por uma vida nova,
o ritmo dos desgarrados da família que vivem só. Agora não
morava numa aldeia, mas numa metrópole.
“Meu filho paulista”, brincava Zana, orgulhosa e preocupada ao mesmo tempo. Temia que Yaqub nunca mais voltasse. No sexto mês de vida paulistana começou a lecionar
matemática. Abreviou as cartas, dois ou três parágrafos
curtos, ou apenas um: mero sinal de vida e uma notícia que
justificava a carta. Assim, sem alarde, quase em surdina, o
jovem professor Yaqub noticiou seu ingresso na Universidade
de São Paulo. Não ia ser matemático, ia ser engenheiro. Um
politécnico, calculista de estruturas. Zana não entendeu direito o significado da futura profissão do filho, mas engenheiro
já bastava, e era muito. Um doutor. Os pais mandaram-lhe
dinheiro e um telegrama; ele agradeceu as belas palavras e
devolveu o dinheiro. Entenderam que o filho nunca mais precisaria de um vintém. Mesmo se precisasse, não lhes pediria.
As cartas rareavam e as notícias de São Paulo pareciam
sinais de um outro mundo. O pouco que ele revelava não justificava o barulho que se fazia em casa. Um bilhete com palavras
vagas podia originar um festejo. Zana aderiu à comemoração,
que no início era mensal e depois foi rareando, de modo que
as poucas linhas enviadas por Yaqub passavam por Manaus
como um cometa de brilho pálido. Os acenos intermitentes da
metrópole: o dia a dia na Pensão Veneza, os cinemas da São
João, os passeios de bonde, o burburinho do viaduto do Chá
e os sisudos mestres engravatados, venerados por Yaqub. Na
primeira foto que enviou, trajava paletó e gravata e tinha o ar
posudo que lembrava o espadachim no desfile da Independência.
“Como está diferente daquele montanhês que vi no Rio”,
comentou Halim, mirando a imagem do filho.
“O montanhês é o teu filho”, disse Zana. “O meu é outro,
é esse futuro doutor em frente do Teatro Municipal.”
(Milton Hatoum. Dois Irmãos. Companhia das Letras, 2000. Adaptado)
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Leia a tira a seguir.

(André Dahmer. https://twitter.com/malvados, 17.05.2018.)
Quanto ao emprego do acento indicativo de crase, assinale a alternativa cuja frase está corretamente redigida.

(André Dahmer. https://twitter.com/malvados, 17.05.2018.)
Quanto ao emprego do acento indicativo de crase, assinale a alternativa cuja frase está corretamente redigida.
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Para responder à questão, considere
a seguinte passagem do texto.
Quando vocês forem adultas e pensarem detidamente
nas experiências desagradáveis que a mamãe atravessou
e na obstinação com que ela se aferrou a suas convicções,
começarão a compreender a importância da contribuição
dela à batalha pela verdade e pela justiça e quanto ela sacrificou de seus interesses pessoais e de sua felicidade.
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Leia o texto, para responder à questão.
Espelhos
Chega um dia na vida de todo homem em que ele se olha
no espelho de manhã e tem uma revelação estarrecedora:
sua mulher está dormindo com outro! Depois ele olha melhor
e vê que não é outro, é ele mesmo, mas por alguma razão
inexplicável ele está com 40 anos. Acabou de entrar naquela
terra mítica chamada meia-idade, outrora habitada apenas
por pessoas estranhas como os pais da gente.
O espelho nos mostra o nosso contrário, a nossa esquerda na nossa direita, mas este é o limite máximo da sua dissimulação. Fora isso, ele é de uma franqueza brutal e irrecorrível. Vivemos na era das relações públicas, é inadmissível
que a nossa própria imagem nos trate com tanta crueza.
É inadmissível que alguém lhe diga: “Você tem 40 anos!”
(ou 50, ou 60, ou até, meu Deus, mais!) assim na cara, mesmo que quem diga seja sua própria cara. E de manhã, na
hora em que, ainda amarrotado pelo sono e antes de botar
o rosto que usará durante o dia, você está mais vulnerável.
(Luis Fernando Veríssimo, As mentiras que os homens contam)
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Leia o texto, para responder à questão.
Espelhos
Chega um dia na vida de todo homem em que ele se olha
no espelho de manhã e tem uma revelação estarrecedora:
sua mulher está dormindo com outro! Depois ele olha melhor
e vê que não é outro, é ele mesmo, mas por alguma razão
inexplicável ele está com 40 anos. Acabou de entrar naquela
terra mítica chamada meia-idade, outrora habitada apenas
por pessoas estranhas como os pais da gente.
O espelho nos mostra o nosso contrário, a nossa esquerda na nossa direita, mas este é o limite máximo da sua dissimulação. Fora isso, ele é de uma franqueza brutal e irrecorrível. Vivemos na era das relações públicas, é inadmissível
que a nossa própria imagem nos trate com tanta crueza.
É inadmissível que alguém lhe diga: “Você tem 40 anos!”
(ou 50, ou 60, ou até, meu Deus, mais!) assim na cara, mesmo que quem diga seja sua própria cara. E de manhã, na
hora em que, ainda amarrotado pelo sono e antes de botar
o rosto que usará durante o dia, você está mais vulnerável.
(Luis Fernando Veríssimo, As mentiras que os homens contam)
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Leia o texto, para responder à questão.
Cuidado na rede
Com a popularização dos smartphones, a internet se tornou o principal meio de comunicação do brasileiro. Ninguém
mais fala ao telefone ou manda uma correspondência física. É tudo resolvido pelo WhatsApp, pelo Facebook e pelo
Instagram, citando apenas alguns dos mais populares aplicativos presentes nos celulares da maioria. Já as compras e as
transações bancárias são todas feitas on-line.
O aumento ao acesso também eleva o risco. Apesar
de muito se falar sobre o cuidado na rede, parece que as
pessoas não têm se protegido como deveriam. Segundo o
Relatório de Segurança Digital no Brasil, apenas no primeiro
trimestre deste ano, foram 56,9 milhões de ciberataques via
links maliciosos e 7,9 milhões de pessoas atacadas. Isto é,
um em cada quatro brasileiros foi potencialmente vítima de
cibercriminosos.
E o que tem feito mais vítimas são publicações suspeitas
e notícias falsas, as famosas fake news.
Mas não se engane. Não são apenas links recebidos por
mensagens e e-mails ou publicidades infectadas que representam risco para a privacidade na internet. Toda transação
on-line potencialmente se coloca como um risco…
(Beto Carlomagno, Revista Vida&Arte, 07.07.2018. Adaptado)
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- MorfologiaPronomesPronomes PessoaisPronomes Pessoais Retos
- MorfologiaPronomesPronomes PessoaisPronomes Pessoais Oblíquos
A alternativa em que o pronome destacado está empregado de acordo com a norma-padrão é:
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Leia o texto para responder à questão.
Uma carta de Yaqub, pontual, chegava de São Paulo no
fim de cada mês. Zana fazia da leitura um ritual, lia como
quem lê um salmo; a dicção, emocionada, alternava com
uma pausa, como se quisesse escutar a voz do filho distante.
Halim convidava os vizinhos e a leitura era pretexto para um
jantar festivo. Sem festa, Zana ficaria deprimida, pensando
no frio que o filho sentia, coitadinho, na solidão das noites
num quarto úmido da Pensão Veneza, no centro de São Paulo. Com poucas palavras, Yaqub pintava o ritmo de sua vida
paulistana. A solidão e o frio não o incomodavam; comentava os estudos, a perturbação da metrópole, a seriedade e a
devoção das pessoas ao trabalho. De vez em quando, ao
atravessar a praça da República, parava para contemplar a
imensa seringueira. Gostou de ver a árvore amazônica no
centro de São Paulo, mas nunca mais a mencionou.
As cartas iam revelando um fascínio por uma vida nova,
o ritmo dos desgarrados da família que vivem só. Agora não
morava numa aldeia, mas numa metrópole.
“Meu filho paulista”, brincava Zana, orgulhosa e preocupada ao mesmo tempo. Temia que Yaqub nunca mais voltasse. No sexto mês de vida paulistana começou a lecionar
matemática. Abreviou as cartas, dois ou três parágrafos
curtos, ou apenas um: mero sinal de vida e uma notícia que
justificava a carta. Assim, sem alarde, quase em surdina, o
jovem professor Yaqub noticiou seu ingresso na Universidade
de São Paulo. Não ia ser matemático, ia ser engenheiro. Um
politécnico, calculista de estruturas. Zana não entendeu direito o significado da futura profissão do filho, mas engenheiro
já bastava, e era muito. Um doutor. Os pais mandaram-lhe
dinheiro e um telegrama; ele agradeceu as belas palavras e
devolveu o dinheiro. Entenderam que o filho nunca mais precisaria de um vintém. Mesmo se precisasse, não lhes pediria.
As cartas rareavam e as notícias de São Paulo pareciam
sinais de um outro mundo. O pouco que ele revelava não justificava o barulho que se fazia em casa. Um bilhete com palavras
vagas podia originar um festejo. Zana aderiu à comemoração,
que no início era mensal e depois foi rareando, de modo que
as poucas linhas enviadas por Yaqub passavam por Manaus
como um cometa de brilho pálido. Os acenos intermitentes da
metrópole: o dia a dia na Pensão Veneza, os cinemas da São
João, os passeios de bonde, o burburinho do viaduto do Chá
e os sisudos mestres engravatados, venerados por Yaqub. Na
primeira foto que enviou, trajava paletó e gravata e tinha o ar
posudo que lembrava o espadachim no desfile da Independência.
“Como está diferente daquele montanhês que vi no Rio”,
comentou Halim, mirando a imagem do filho.
“O montanhês é o teu filho”, disse Zana. “O meu é outro,
é esse futuro doutor em frente do Teatro Municipal.”
(Milton Hatoum. Dois Irmãos. Companhia das Letras, 2000. Adaptado)
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1113664
Ano: 2018
Disciplina: Atualidades e Conhecimentos Gerais
Banca: VUNESP
Orgão: ARES-PCJ
Disciplina: Atualidades e Conhecimentos Gerais
Banca: VUNESP
Orgão: ARES-PCJ
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Observe a capa da revista Veja – Edição 2592, de 25 de julho de 2018.

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