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Foram encontradas 244 questões.

2843238 Ano: 2023
Disciplina: Português
Banca: IBADE
Orgão: CIMCERO

Leia o texto a seguir para responder às questões de 01 a 07.

Cérebros de adolescentes envelheceram mais rápido com o estresse da pandemia, diz estudo.

Pesquisa da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos,

comparou mapeamentos cerebrais de adolescentes

antes e durante a pandemia para entender

como o período afetou essa população.

Katherine Reynolds Lewis - 05/12/2022

THE WASHINGTON POST – O estresse provocado pelas limitações da pandemia envelheceu prematuramente os cérebros dos adolescentes em pelo menos três anos e de maneira semelhante às mudanças observadas em crianças que enfrentaram estresse crônico e adversidades. É o que mostrou uma pesquisa da Universidade de Stanford publicada nesta quinta-feira, 1º, na revista científica Biological Psychiatry: Global Open Science.

O estudo foi o primeiro a mapear e comparar as estruturas físicas dos cérebros de adolescentes antes e depois do início da pandemia e a documentar diferenças significativas, disse Ian Gotlib, principal autor do artigo, professor de Psicologia da Stanford e diretor do Laboratório de Neurodesenvolvimento, Afeto e Psicopatologia da Universidade.

Os pesquisadores sabiam que os adolescentes tinham níveis de depressão, ansiedade e medo mais altos do que antes da pandemia. "Mas não sabíamos nada sobre os efeitos em seus cérebros", disse Gotlib. "Pensamos que poderia haver efeitos semelhantes aos que você encontraria com a adversidade inicial; simplesmente não imaginávamos o quão fortes eles seriam."

Ao comparar exames de ressonância magnética de um grupo de 128 crianças, metade antes e metade no final do primeiro ano da pandemia, os pesquisadores descobriram crescimento no hipocampo e na amígdala, áreas cerebrais que respectivamente controlam o acesso a algumas memórias e ajudam a regular o medo, o estresse e outras emoções. Eles também encontraram afinamento dos tecidos no córtex, que está envolvido no funcionamento executivo.

Essas mudanças acontecem durante o desenvolvimento normal do adolescente, no entanto, a pandemia parece ter acelerado o processo, disse Gotlib. E o envelhecimento prematuro do cérebro das crianças não é um desenvolvimento positivo. Antes da pandemia, era observado em casos de estresse crônico na infância, trauma, abuso e negligência.

Essas experiências adversas na infância não apenas tornam as pessoas mais vulneráveis à depressão, ansiedade, dependência e outras doenças mentais, mas também aumentam o risco de câncer, diabetes, doenças cardíacas e outros resultados negativos de longo prazo.

As imagens pré-pandemia de cérebros de adolescentes vieram de um estudo longitudinal que a equipe de Gotlib iniciou há oito anos com o objetivo original de entender melhor as diferenças de gênero nas taxas de depressão entre adolescentes. Nele, os pesquisadores recrutaram 220 crianças de 9 a 13 anos, com um plano de fazer exames de ressonância magnética de seus cérebros a cada dois anos.

Enquanto coletavam o terceiro conjunto de mapeamentos cerebrais, a pandemia interrompeu todas as pesquisas pessoais em Stanford, impedindo que os cientistas coletassem dados de março de 2020 até o final daquele ano. Enquanto debatiam como explicar a interrupção, os cientistas viram uma oportunidade de investigar uma questão diferente: como a própria pandemia pode ter impactado a estrutura física do cérebro das crianças e sua saúde mental.

Eles combinaram pares de crianças com a mesma idade e sexo, criando subgrupos com puberdade semelhante, status socioeconômico e exposição ao estresse infantil. "Isso nos permitiu comparar jovens de 16 anos antes da pandemia com diferentes jovens de 16 anos avaliados após a pandemia", disse Gotlib.

Para determinar a idade cerebral média de suas amostras, os pesquisadores fizeram os mapeamentos cerebrais em um modelo de inteligência artificial capaz de prever a idade cerebral desenvolvido pelo ENIGMA - grupo de trabalho de idade cerebral formado por cientistas que reúnem conjuntos de dados de imagens cerebrais.

Os cientistas também avaliaram os sintomas de saúde mental relatados pelos pares combinados e encontraram sintomas mais graves de ansiedade, depressão e problemas de internalização no grupo que havia passado pela pandemia. "A conclusão para mim é que há sérios problemas de saúde mental e crianças em torno da pandemia", disse Gotlib. "Só porque a paralisação terminou não significa que estamos bem."

Pesquisas anteriores já haviam encontrado níveis dramaticamente mais altos de ansiedade, depressão, tendências suicidas e outras doenças mentais em adolescentes desde o início da pandemia. Porém, segundo Jason Chein, professor de Psicologia e Neurociência e diretor do Centro de Pesquisa e Imagem do Cérebro da Universidade de Temple, também nos Estados Unidos, o estudo atual tem implicações importantes para outros estudos de imagens longitudinais de cérebros de adolescentes. "Tem implicações metodológicas e implicações potencialmente relevantes para a sociedade."

[...]

https://www.terra.com.br/byte/ciencia

“Os cientistas também avaliaram os sintomas de saúde mental relatados pelos pares combinados e encontraram sintomas mais graves de ansiedade, depressão e problemas de internalização no grupo que havia passado pela pandemia.” 11º§

Marque a alternativa em que a reescrita desse período NÃO apresenta erro de pontuação.

 

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2843237 Ano: 2023
Disciplina: Português
Banca: IBADE
Orgão: CIMCERO
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Os substantivos primitivos são palavras que não derivam de outras. Marque a alternativa que apresenta um substantivo primitivo e um derivado.

 

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2843236 Ano: 2023
Disciplina: Português
Banca: IBADE
Orgão: CIMCERO

Leia o texto a seguir para responder às questões de 01 a 07.

Cérebros de adolescentes envelheceram mais rápido com o estresse da pandemia, diz estudo.

Pesquisa da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos,

comparou mapeamentos cerebrais de adolescentes

antes e durante a pandemia para entender

como o período afetou essa população.

Katherine Reynolds Lewis - 05/12/2022

THE WASHINGTON POST – O estresse provocado pelas limitações da pandemia envelheceu prematuramente os cérebros dos adolescentes em pelo menos três anos e de maneira semelhante às mudanças observadas em crianças que enfrentaram estresse crônico e adversidades. É o que mostrou uma pesquisa da Universidade de Stanford publicada nesta quinta-feira, 1º, na revista científica Biological Psychiatry: Global Open Science.

O estudo foi o primeiro a mapear e comparar as estruturas físicas dos cérebros de adolescentes antes e depois do início da pandemia e a documentar diferenças significativas, disse Ian Gotlib, principal autor do artigo, professor de Psicologia da Stanford e diretor do Laboratório de Neurodesenvolvimento, Afeto e Psicopatologia da Universidade.

Os pesquisadores sabiam que os adolescentes tinham níveis de depressão, ansiedade e medo mais altos do que antes da pandemia. "Mas não sabíamos nada sobre os efeitos em seus cérebros", disse Gotlib. "Pensamos que poderia haver efeitos semelhantes aos que você encontraria com a adversidade inicial; simplesmente não imaginávamos o quão fortes eles seriam."

Ao comparar exames de ressonância magnética de um grupo de 128 crianças, metade antes e metade no final do primeiro ano da pandemia, os pesquisadores descobriram crescimento no hipocampo e na amígdala, áreas cerebrais que respectivamente controlam o acesso a algumas memórias e ajudam a regular o medo, o estresse e outras emoções. Eles também encontraram afinamento dos tecidos no córtex, que está envolvido no funcionamento executivo.

Essas mudanças acontecem durante o desenvolvimento normal do adolescente, no entanto, a pandemia parece ter acelerado o processo, disse Gotlib. E o envelhecimento prematuro do cérebro das crianças não é um desenvolvimento positivo. Antes da pandemia, era observado em casos de estresse crônico na infância, trauma, abuso e negligência.

Essas experiências adversas na infância não apenas tornam as pessoas mais vulneráveis à depressão, ansiedade, dependência e outras doenças mentais, mas também aumentam o risco de câncer, diabetes, doenças cardíacas e outros resultados negativos de longo prazo.

As imagens pré-pandemia de cérebros de adolescentes vieram de um estudo longitudinal que a equipe de Gotlib iniciou há oito anos com o objetivo original de entender melhor as diferenças de gênero nas taxas de depressão entre adolescentes. Nele, os pesquisadores recrutaram 220 crianças de 9 a 13 anos, com um plano de fazer exames de ressonância magnética de seus cérebros a cada dois anos.

Enquanto coletavam o terceiro conjunto de mapeamentos cerebrais, a pandemia interrompeu todas as pesquisas pessoais em Stanford, impedindo que os cientistas coletassem dados de março de 2020 até o final daquele ano. Enquanto debatiam como explicar a interrupção, os cientistas viram uma oportunidade de investigar uma questão diferente: como a própria pandemia pode ter impactado a estrutura física do cérebro das crianças e sua saúde mental.

Eles combinaram pares de crianças com a mesma idade e sexo, criando subgrupos com puberdade semelhante, status socioeconômico e exposição ao estresse infantil. "Isso nos permitiu comparar jovens de 16 anos antes da pandemia com diferentes jovens de 16 anos avaliados após a pandemia", disse Gotlib.

Para determinar a idade cerebral média de suas amostras, os pesquisadores fizeram os mapeamentos cerebrais em um modelo de inteligência artificial capaz de prever a idade cerebral desenvolvido pelo ENIGMA - grupo de trabalho de idade cerebral formado por cientistas que reúnem conjuntos de dados de imagens cerebrais.

Os cientistas também avaliaram os sintomas de saúde mental relatados pelos pares combinados e encontraram sintomas mais graves de ansiedade, depressão e problemas de internalização no grupo que havia passado pela pandemia. "A conclusão para mim é que há sérios problemas de saúde mental e crianças em torno da pandemia", disse Gotlib. "Só porque a paralisação terminou não significa que estamos bem."

Pesquisas anteriores já haviam encontrado níveis dramaticamente mais altos de ansiedade, depressão, tendências suicidas e outras doenças mentais em adolescentes desde o início da pandemia. Porém, segundo Jason Chein, professor de Psicologia e Neurociência e diretor do Centro de Pesquisa e Imagem do Cérebro da Universidade de Temple, também nos Estados Unidos, o estudo atual tem implicações importantes para outros estudos de imagens longitudinais de cérebros de adolescentes. "Tem implicações metodológicas e implicações potencialmente relevantes para a sociedade."

[...]

https://www.terra.com.br/byte/ciencia

“Enquanto coletavam o terceiro conjunto de mapeamentos cerebrais, a pandemia interrompeu [...].” 8º§

A primeira oração desse período estabelece com a oração principal a seguinte relação de sentido:

 

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2843235 Ano: 2023
Disciplina: Português
Banca: IBADE
Orgão: CIMCERO

Leia o texto a seguir para responder às questões de 01 a 07.

Cérebros de adolescentes envelheceram mais rápido com o estresse da pandemia, diz estudo.

Pesquisa da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos,

comparou mapeamentos cerebrais de adolescentes

antes e durante a pandemia para entender

como o período afetou essa população.

Katherine Reynolds Lewis - 05/12/2022

THE WASHINGTON POST – O estresse provocado pelas limitações da pandemia envelheceu prematuramente os cérebros dos adolescentes em pelo menos três anos e de maneira semelhante às mudanças observadas em crianças que enfrentaram estresse crônico e adversidades. É o que mostrou uma pesquisa da Universidade de Stanford publicada nesta quinta-feira, 1º, na revista científica Biological Psychiatry: Global Open Science.

O estudo foi o primeiro a mapear e comparar as estruturas físicas dos cérebros de adolescentes antes e depois do início da pandemia e a documentar diferenças significativas, disse Ian Gotlib, principal autor do artigo, professor de Psicologia da Stanford e diretor do Laboratório de Neurodesenvolvimento, Afeto e Psicopatologia da Universidade.

Os pesquisadores sabiam que os adolescentes tinham níveis de depressão, ansiedade e medo mais altos do que antes da pandemia. "Mas não sabíamos nada sobre os efeitos em seus cérebros", disse Gotlib. "Pensamos que poderia haver efeitos semelhantes aos que você encontraria com a adversidade inicial; simplesmente não imaginávamos o quão fortes eles seriam."

Ao comparar exames de ressonância magnética de um grupo de 128 crianças, metade antes e metade no final do primeiro ano da pandemia, os pesquisadores descobriram crescimento no hipocampo e na amígdala, áreas cerebrais que respectivamente controlam o acesso a algumas memórias e ajudam a regular o medo, o estresse e outras emoções. Eles também encontraram afinamento dos tecidos no córtex, que está envolvido no funcionamento executivo.

Essas mudanças acontecem durante o desenvolvimento normal do adolescente, no entanto, a pandemia parece ter acelerado o processo, disse Gotlib. E o envelhecimento prematuro do cérebro das crianças não é um desenvolvimento positivo. Antes da pandemia, era observado em casos de estresse crônico na infância, trauma, abuso e negligência.

Essas experiências adversas na infância não apenas tornam as pessoas mais vulneráveis à depressão, ansiedade, dependência e outras doenças mentais, mas também aumentam o risco de câncer, diabetes, doenças cardíacas e outros resultados negativos de longo prazo.

As imagens pré-pandemia de cérebros de adolescentes vieram de um estudo longitudinal que a equipe de Gotlib iniciou há oito anos com o objetivo original de entender melhor as diferenças de gênero nas taxas de depressão entre adolescentes. Nele, os pesquisadores recrutaram 220 crianças de 9 a 13 anos, com um plano de fazer exames de ressonância magnética de seus cérebros a cada dois anos.

Enquanto coletavam o terceiro conjunto de mapeamentos cerebrais, a pandemia interrompeu todas as pesquisas pessoais em Stanford, impedindo que os cientistas coletassem dados de março de 2020 até o final daquele ano. Enquanto debatiam como explicar a interrupção, os cientistas viram uma oportunidade de investigar uma questão diferente: como a própria pandemia pode ter impactado a estrutura física do cérebro das crianças e sua saúde mental.

Eles combinaram pares de crianças com a mesma idade e sexo, criando subgrupos com puberdade semelhante, status socioeconômico e exposição ao estresse infantil. "Isso nos permitiu comparar jovens de 16 anos antes da pandemia com diferentes jovens de 16 anos avaliados após a pandemia", disse Gotlib.

Para determinar a idade cerebral média de suas amostras, os pesquisadores fizeram os mapeamentos cerebrais em um modelo de inteligência artificial capaz de prever a idade cerebral desenvolvido pelo ENIGMA - grupo de trabalho de idade cerebral formado por cientistas que reúnem conjuntos de dados de imagens cerebrais.

Os cientistas também avaliaram os sintomas de saúde mental relatados pelos pares combinados e encontraram sintomas mais graves de ansiedade, depressão e problemas de internalização no grupo que havia passado pela pandemia. "A conclusão para mim é que há sérios problemas de saúde mental e crianças em torno da pandemia", disse Gotlib. "Só porque a paralisação terminou não significa que estamos bem."

Pesquisas anteriores já haviam encontrado níveis dramaticamente mais altos de ansiedade, depressão, tendências suicidas e outras doenças mentais em adolescentes desde o início da pandemia. Porém, segundo Jason Chein, professor de Psicologia e Neurociência e diretor do Centro de Pesquisa e Imagem do Cérebro da Universidade de Temple, também nos Estados Unidos, o estudo atual tem implicações importantes para outros estudos de imagens longitudinais de cérebros de adolescentes. "Tem implicações metodológicas e implicações potencialmente relevantes para a sociedade."

[...]

https://www.terra.com.br/byte/ciencia

“Essas experiências adversas na infância não apenas tornam as pessoas mais vulneráveis à depressão, ansiedade [...].” 6º§

A palavra que apresenta um sentido diferente em relação ao vocábulo destacado nessa frase é:

 

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2843234 Ano: 2023
Disciplina: Português
Banca: IBADE
Orgão: CIMCERO
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Leia o texto a seguir para responder às questões de 01 a 09.

Você é um número

Clarice Lispector

Se você não tomar cuidado vira número até para si mesmo. Porque, a partir do instante em que você nasce, classificam-no com um número. Sua identidade no Félix Pacheco é um número. O registro civil é um número. Seu título de eleitor é um número. Profissionalmente falando você também é. Para ser motorista, tem carteira com número e chapa de carro. No Imposto de Renda, o contribuinte é identificado com um número. Seu prédio, seu telefone, seu número de apartamento - tudo é número.

Se é dos que abrem crediário, para eles você é um número. Se tem propriedade, também. Se é sócio de um clube, tem um número. Se é imortal da Academia Brasileira de Letras tem o número da cadeira.

É por isso que vou tomar aulas particulares de matemática. Preciso saber coisas. Ou aulas de Física. Não estou brincando: vou mesmo tomar aulas de matemática, preciso saber alguma coisa sobre cálculo integral.

Se você é comerciante, seu alvará de localização o classifica também. Se é contribuinte de qualquer obra de beneficência, também é solicitado por um número. Se faz viagem de passeio ou de turismo ou de negócio, também recebe um número. Para tomar um avião, dão-lhe um número. Se possui ações, também recebe um, como acionista de uma companhia. É claro que você é um número de recenseamento. Se é católico, recebe número de batismo. No registro civil ou religioso, você é numerado. Se possui personalidade jurídica, tem. E quando morre, no jazigo, tem um número. E a certidão de óbito também.

Nós não somos ninguém? Protesto. Aliás, é inútil o protesto. E vai ver meu protesto também é número. Uma amiga minha contou que, no Alto Sertão de Pernambuco, uma mulher estava com o filho doente, desidratado, e foi ao Posto de Saúde. E recebeu a ficha número dez. Mas dentro do horário previsto pelo médico, a criança não pôde ser atendida porque só atenderam até o número nove. A criança morreu por causa de um número. Nós somos culpados.

Se há uma guerra, você é classificado por um número. Numa pulseira com placa metálica, se não me engano. Ou numa corrente de pescoço, metálica.

Nós vamos lutar contra isso. Cada um é um, sem número. O si mesmo é apenas o si mesmo. E Deus não é número.

Vamos ser gente, por favor. Nossa sociedade está nos deixando secos como um número seco, como um osso branco seco posto ao sol. Meu número íntimo é nove. Só. Oito. Só. Sete. Só. Sem somá-los nem transformá-los em 987. Estou me classificando como um número? Não, a intimidade não deixa. Vejam, tentei várias vezes na vida não ter número e não escapei. O que faz com que precisemos de muito carinho, de nome próprio, de genuinidade. Vamos amar que amor não tem número. Ou tem?

https://cronicabrasileira.org.br

“É claro que você é um número de recenseamento.” 4º§

A palavra destacada foi formada a partir de:

 

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2843233 Ano: 2023
Disciplina: Português
Banca: IBADE
Orgão: CIMCERO
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Leia o texto a seguir para responder às questões de 01 a 09.

Você é um número

Clarice Lispector

Se você não tomar cuidado vira número até para si mesmo. Porque, a partir do instante em que você nasce, classificam-no com um número. Sua identidade no Félix Pacheco é um número. O registro civil é um número. Seu título de eleitor é um número. Profissionalmente falando você também é. Para ser motorista, tem carteira com número e chapa de carro. No Imposto de Renda, o contribuinte é identificado com um número. Seu prédio, seu telefone, seu número de apartamento - tudo é número.

Se é dos que abrem crediário, para eles você é um número. Se tem propriedade, também. Se é sócio de um clube, tem um número. Se é imortal da Academia Brasileira de Letras tem o número da cadeira.

É por isso que vou tomar aulas particulares de matemática. Preciso saber coisas. Ou aulas de Física. Não estou brincando: vou mesmo tomar aulas de matemática, preciso saber alguma coisa sobre cálculo integral.

Se você é comerciante, seu alvará de localização o classifica também. Se é contribuinte de qualquer obra de beneficência, também é solicitado por um número. Se faz viagem de passeio ou de turismo ou de negócio, também recebe um número. Para tomar um avião, dão-lhe um número. Se possui ações, também recebe um, como acionista de uma companhia. É claro que você é um número de recenseamento. Se é católico, recebe número de batismo. No registro civil ou religioso, você é numerado. Se possui personalidade jurídica, tem. E quando morre, no jazigo, tem um número. E a certidão de óbito também.

Nós não somos ninguém? Protesto. Aliás, é inútil o protesto. E vai ver meu protesto também é número. Uma amiga minha contou que, no Alto Sertão de Pernambuco, uma mulher estava com o filho doente, desidratado, e foi ao Posto de Saúde. E recebeu a ficha número dez. Mas dentro do horário previsto pelo médico, a criança não pôde ser atendida porque só atenderam até o número nove. A criança morreu por causa de um número. Nós somos culpados.

Se há uma guerra, você é classificado por um número. Numa pulseira com placa metálica, se não me engano. Ou numa corrente de pescoço, metálica.

Nós vamos lutar contra isso. Cada um é um, sem número. O si mesmo é apenas o si mesmo. E Deus não é número.

Vamos ser gente, por favor. Nossa sociedade está nos deixando secos como um número seco, como um osso branco seco posto ao sol. Meu número íntimo é nove. Só. Oito. Só. Sete. Só. Sem somá-los nem transformá-los em 987. Estou me classificando como um número? Não, a intimidade não deixa. Vejam, tentei várias vezes na vida não ter número e não escapei. O que faz com que precisemos de muito carinho, de nome próprio, de genuinidade. Vamos amar que amor não tem número. Ou tem?

https://cronicabrasileira.org.br

Vamos amar que amor não tem número.” 8º§

Na frase sublinhada, o sujeito do verbo é:

 

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2843232 Ano: 2023
Disciplina: Português
Banca: IBADE
Orgão: CIMCERO

Leia o texto a seguir para responder às questões de 01 a 07.

Cérebros de adolescentes envelheceram mais rápido com o estresse da pandemia, diz estudo.

Pesquisa da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos,

comparou mapeamentos cerebrais de adolescentes

antes e durante a pandemia para entender

como o período afetou essa população.

Katherine Reynolds Lewis - 05/12/2022

THE WASHINGTON POST – O estresse provocado pelas limitações da pandemia envelheceu prematuramente os cérebros dos adolescentes em pelo menos três anos e de maneira semelhante às mudanças observadas em crianças que enfrentaram estresse crônico e adversidades. É o que mostrou uma pesquisa da Universidade de Stanford publicada nesta quinta-feira, 1º, na revista científica Biological Psychiatry: Global Open Science.

O estudo foi o primeiro a mapear e comparar as estruturas físicas dos cérebros de adolescentes antes e depois do início da pandemia e a documentar diferenças significativas, disse Ian Gotlib, principal autor do artigo, professor de Psicologia da Stanford e diretor do Laboratório de Neurodesenvolvimento, Afeto e Psicopatologia da Universidade.

Os pesquisadores sabiam que os adolescentes tinham níveis de depressão, ansiedade e medo mais altos do que antes da pandemia. "Mas não sabíamos nada sobre os efeitos em seus cérebros", disse Gotlib. "Pensamos que poderia haver efeitos semelhantes aos que você encontraria com a adversidade inicial; simplesmente não imaginávamos o quão fortes eles seriam."

Ao comparar exames de ressonância magnética de um grupo de 128 crianças, metade antes e metade no final do primeiro ano da pandemia, os pesquisadores descobriram crescimento no hipocampo e na amígdala, áreas cerebrais que respectivamente controlam o acesso a algumas memórias e ajudam a regular o medo, o estresse e outras emoções. Eles também encontraram afinamento dos tecidos no córtex, que está envolvido no funcionamento executivo.

Essas mudanças acontecem durante o desenvolvimento normal do adolescente, no entanto, a pandemia parece ter acelerado o processo, disse Gotlib. E o envelhecimento prematuro do cérebro das crianças não é um desenvolvimento positivo. Antes da pandemia, era observado em casos de estresse crônico na infância, trauma, abuso e negligência.

Essas experiências adversas na infância não apenas tornam as pessoas mais vulneráveis à depressão, ansiedade, dependência e outras doenças mentais, mas também aumentam o risco de câncer, diabetes, doenças cardíacas e outros resultados negativos de longo prazo.

As imagens pré-pandemia de cérebros de adolescentes vieram de um estudo longitudinal que a equipe de Gotlib iniciou há oito anos com o objetivo original de entender melhor as diferenças de gênero nas taxas de depressão entre adolescentes. Nele, os pesquisadores recrutaram 220 crianças de 9 a 13 anos, com um plano de fazer exames de ressonância magnética de seus cérebros a cada dois anos.

Enquanto coletavam o terceiro conjunto de mapeamentos cerebrais, a pandemia interrompeu todas as pesquisas pessoais em Stanford, impedindo que os cientistas coletassem dados de março de 2020 até o final daquele ano. Enquanto debatiam como explicar a interrupção, os cientistas viram uma oportunidade de investigar uma questão diferente: como a própria pandemia pode ter impactado a estrutura física do cérebro das crianças e sua saúde mental.

Eles combinaram pares de crianças com a mesma idade e sexo, criando subgrupos com puberdade semelhante, status socioeconômico e exposição ao estresse infantil. "Isso nos permitiu comparar jovens de 16 anos antes da pandemia com diferentes jovens de 16 anos avaliados após a pandemia", disse Gotlib.

Para determinar a idade cerebral média de suas amostras, os pesquisadores fizeram os mapeamentos cerebrais em um modelo de inteligência artificial capaz de prever a idade cerebral desenvolvido pelo ENIGMA - grupo de trabalho de idade cerebral formado por cientistas que reúnem conjuntos de dados de imagens cerebrais.

Os cientistas também avaliaram os sintomas de saúde mental relatados pelos pares combinados e encontraram sintomas mais graves de ansiedade, depressão e problemas de internalização no grupo que havia passado pela pandemia. "A conclusão para mim é que há sérios problemas de saúde mental e crianças em torno da pandemia", disse Gotlib. "Só porque a paralisação terminou não significa que estamos bem."

Pesquisas anteriores já haviam encontrado níveis dramaticamente mais altos de ansiedade, depressão, tendências suicidas e outras doenças mentais em adolescentes desde o início da pandemia. Porém, segundo Jason Chein, professor de Psicologia e Neurociência e diretor do Centro de Pesquisa e Imagem do Cérebro da Universidade de Temple, também nos Estados Unidos, o estudo atual tem implicações importantes para outros estudos de imagens longitudinais de cérebros de adolescentes. "Tem implicações metodológicas e implicações potencialmente relevantes para a sociedade."

[...]

https://www.terra.com.br/byte/ciencia

Todos os seguintes recursos foram usados na estruturação do texto, exceto:

 

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2843231 Ano: 2023
Disciplina: Português
Banca: IBADE
Orgão: CIMCERO

Leia o texto a seguir para responder às questões de 01 a 07.

Cérebros de adolescentes envelheceram mais rápido com o estresse da pandemia, diz estudo.

Pesquisa da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos,

comparou mapeamentos cerebrais de adolescentes

antes e durante a pandemia para entender

como o período afetou essa população.

Katherine Reynolds Lewis - 05/12/2022

THE WASHINGTON POST – O estresse provocado pelas limitações da pandemia envelheceu prematuramente os cérebros dos adolescentes em pelo menos três anos e de maneira semelhante às mudanças observadas em crianças que enfrentaram estresse crônico e adversidades. É o que mostrou uma pesquisa da Universidade de Stanford publicada nesta quinta-feira, 1º, na revista científica Biological Psychiatry: Global Open Science.

O estudo foi o primeiro a mapear e comparar as estruturas físicas dos cérebros de adolescentes antes e depois do início da pandemia e a documentar diferenças significativas, disse Ian Gotlib, principal autor do artigo, professor de Psicologia da Stanford e diretor do Laboratório de Neurodesenvolvimento, Afeto e Psicopatologia da Universidade.

Os pesquisadores sabiam que os adolescentes tinham níveis de depressão, ansiedade e medo mais altos do que antes da pandemia. "Mas não sabíamos nada sobre os efeitos em seus cérebros", disse Gotlib. "Pensamos que poderia haver efeitos semelhantes aos que você encontraria com a adversidade inicial; simplesmente não imaginávamos o quão fortes eles seriam."

Ao comparar exames de ressonância magnética de um grupo de 128 crianças, metade antes e metade no final do primeiro ano da pandemia, os pesquisadores descobriram crescimento no hipocampo e na amígdala, áreas cerebrais que respectivamente controlam o acesso a algumas memórias e ajudam a regular o medo, o estresse e outras emoções. Eles também encontraram afinamento dos tecidos no córtex, que está envolvido no funcionamento executivo.

Essas mudanças acontecem durante o desenvolvimento normal do adolescente, no entanto, a pandemia parece ter acelerado o processo, disse Gotlib. E o envelhecimento prematuro do cérebro das crianças não é um desenvolvimento positivo. Antes da pandemia, era observado em casos de estresse crônico na infância, trauma, abuso e negligência.

Essas experiências adversas na infância não apenas tornam as pessoas mais vulneráveis à depressão, ansiedade, dependência e outras doenças mentais, mas também aumentam o risco de câncer, diabetes, doenças cardíacas e outros resultados negativos de longo prazo.

As imagens pré-pandemia de cérebros de adolescentes vieram de um estudo longitudinal que a equipe de Gotlib iniciou há oito anos com o objetivo original de entender melhor as diferenças de gênero nas taxas de depressão entre adolescentes. Nele, os pesquisadores recrutaram 220 crianças de 9 a 13 anos, com um plano de fazer exames de ressonância magnética de seus cérebros a cada dois anos.

Enquanto coletavam o terceiro conjunto de mapeamentos cerebrais, a pandemia interrompeu todas as pesquisas pessoais em Stanford, impedindo que os cientistas coletassem dados de março de 2020 até o final daquele ano. Enquanto debatiam como explicar a interrupção, os cientistas viram uma oportunidade de investigar uma questão diferente: como a própria pandemia pode ter impactado a estrutura física do cérebro das crianças e sua saúde mental.

Eles combinaram pares de crianças com a mesma idade e sexo, criando subgrupos com puberdade semelhante, status socioeconômico e exposição ao estresse infantil. "Isso nos permitiu comparar jovens de 16 anos antes da pandemia com diferentes jovens de 16 anos avaliados após a pandemia", disse Gotlib.

Para determinar a idade cerebral média de suas amostras, os pesquisadores fizeram os mapeamentos cerebrais em um modelo de inteligência artificial capaz de prever a idade cerebral desenvolvido pelo ENIGMA - grupo de trabalho de idade cerebral formado por cientistas que reúnem conjuntos de dados de imagens cerebrais.

Os cientistas também avaliaram os sintomas de saúde mental relatados pelos pares combinados e encontraram sintomas mais graves de ansiedade, depressão e problemas de internalização no grupo que havia passado pela pandemia. "A conclusão para mim é que há sérios problemas de saúde mental e crianças em torno da pandemia", disse Gotlib. "Só porque a paralisação terminou não significa que estamos bem."

Pesquisas anteriores já haviam encontrado níveis dramaticamente mais altos de ansiedade, depressão, tendências suicidas e outras doenças mentais em adolescentes desde o início da pandemia. Porém, segundo Jason Chein, professor de Psicologia e Neurociência e diretor do Centro de Pesquisa e Imagem do Cérebro da Universidade de Temple, também nos Estados Unidos, o estudo atual tem implicações importantes para outros estudos de imagens longitudinais de cérebros de adolescentes. "Tem implicações metodológicas e implicações potencialmente relevantes para a sociedade."

[...]

https://www.terra.com.br/byte/ciencia

Os gêneros textuais são caracterizados, dentre outros fatores, por seus objetivos. O texto acima é um(a):

 

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2843230 Ano: 2023
Disciplina: Português
Banca: IBADE
Orgão: CIMCERO
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Leia o texto a seguir para responder às questões de 01 a 09.

Você é um número

Clarice Lispector

Se você não tomar cuidado vira número até para si mesmo. Porque, a partir do instante em que você nasce, classificam-no com um número. Sua identidade no Félix Pacheco é um número. O registro civil é um número. Seu título de eleitor é um número. Profissionalmente falando você também é. Para ser motorista, tem carteira com número e chapa de carro. No Imposto de Renda, o contribuinte é identificado com um número. Seu prédio, seu telefone, seu número de apartamento - tudo é número.

Se é dos que abrem crediário, para eles você é um número. Se tem propriedade, também. Se é sócio de um clube, tem um número. Se é imortal da Academia Brasileira de Letras tem o número da cadeira.

É por isso que vou tomar aulas particulares de matemática. Preciso saber coisas. Ou aulas de Física. Não estou brincando: vou mesmo tomar aulas de matemática, preciso saber alguma coisa sobre cálculo integral.

Se você é comerciante, seu alvará de localização o classifica também. Se é contribuinte de qualquer obra de beneficência, também é solicitado por um número. Se faz viagem de passeio ou de turismo ou de negócio, também recebe um número. Para tomar um avião, dão-lhe um número. Se possui ações, também recebe um, como acionista de uma companhia. É claro que você é um número de recenseamento. Se é católico, recebe número de batismo. No registro civil ou religioso, você é numerado. Se possui personalidade jurídica, tem. E quando morre, no jazigo, tem um número. E a certidão de óbito também.

Nós não somos ninguém? Protesto. Aliás, é inútil o protesto. E vai ver meu protesto também é número. Uma amiga minha contou que, no Alto Sertão de Pernambuco, uma mulher estava com o filho doente, desidratado, e foi ao Posto de Saúde. E recebeu a ficha número dez. Mas dentro do horário previsto pelo médico, a criança não pôde ser atendida porque só atenderam até o número nove. A criança morreu por causa de um número. Nós somos culpados.

Se há uma guerra, você é classificado por um número. Numa pulseira com placa metálica, se não me engano. Ou numa corrente de pescoço, metálica.

Nós vamos lutar contra isso. Cada um é um, sem número. O si mesmo é apenas o si mesmo. E Deus não é número.

Vamos ser gente, por favor. Nossa sociedade está nos deixando secos como um número seco, como um osso branco seco posto ao sol. Meu número íntimo é nove. Só. Oito. Só. Sete. Só. Sem somá-los nem transformá-los em 987. Estou me classificando como um número? Não, a intimidade não deixa. Vejam, tentei várias vezes na vida não ter número e não escapei. O que faz com que precisemos de muito carinho, de nome próprio, de genuinidade. Vamos amar que amor não tem número. Ou tem?

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“Se possui ações, também recebe um, como acionista de uma companhia.” 4º§

Os verbos empregados no período acima estão no tempo:

 

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2843229 Ano: 2023
Disciplina: Português
Banca: IBADE
Orgão: CIMCERO
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Leia o texto a seguir para responder às questões de 01 a 09.

Você é um número

Clarice Lispector

Se você não tomar cuidado vira número até para si mesmo. Porque, a partir do instante em que você nasce, classificam-no com um número. Sua identidade no Félix Pacheco é um número. O registro civil é um número. Seu título de eleitor é um número. Profissionalmente falando você também é. Para ser motorista, tem carteira com número e chapa de carro. No Imposto de Renda, o contribuinte é identificado com um número. Seu prédio, seu telefone, seu número de apartamento - tudo é número.

Se é dos que abrem crediário, para eles você é um número. Se tem propriedade, também. Se é sócio de um clube, tem um número. Se é imortal da Academia Brasileira de Letras tem o número da cadeira.

É por isso que vou tomar aulas particulares de matemática. Preciso saber coisas. Ou aulas de Física. Não estou brincando: vou mesmo tomar aulas de matemática, preciso saber alguma coisa sobre cálculo integral.

Se você é comerciante, seu alvará de localização o classifica também. Se é contribuinte de qualquer obra de beneficência, também é solicitado por um número. Se faz viagem de passeio ou de turismo ou de negócio, também recebe um número. Para tomar um avião, dão-lhe um número. Se possui ações, também recebe um, como acionista de uma companhia. É claro que você é um número de recenseamento. Se é católico, recebe número de batismo. No registro civil ou religioso, você é numerado. Se possui personalidade jurídica, tem. E quando morre, no jazigo, tem um número. E a certidão de óbito também.

Nós não somos ninguém? Protesto. Aliás, é inútil o protesto. E vai ver meu protesto também é número. Uma amiga minha contou que, no Alto Sertão de Pernambuco, uma mulher estava com o filho doente, desidratado, e foi ao Posto de Saúde. E recebeu a ficha número dez. Mas dentro do horário previsto pelo médico, a criança não pôde ser atendida porque só atenderam até o número nove. A criança morreu por causa de um número. Nós somos culpados.

Se há uma guerra, você é classificado por um número. Numa pulseira com placa metálica, se não me engano. Ou numa corrente de pescoço, metálica.

Nós vamos lutar contra isso. Cada um é um, sem número. O si mesmo é apenas o si mesmo. E Deus não é número.

Vamos ser gente, por favor. Nossa sociedade está nos deixando secos como um número seco, como um osso branco seco posto ao sol. Meu número íntimo é nove. Só. Oito. Só. Sete. Só. Sem somá-los nem transformá-los em 987. Estou me classificando como um número? Não, a intimidade não deixa. Vejam, tentei várias vezes na vida não ter número e não escapei. O que faz com que precisemos de muito carinho, de nome próprio, de genuinidade. Vamos amar que amor não tem número. Ou tem?

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“Se você é comerciante, seu alvará de localização o classifica também.” 4º§

O pronome destacado na frase acima faz uma referência a:

 

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