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Mais iguais ou mais livres?
Se, por um lado, não faria sentido algum dizer que, sem liberdade, não há igualdade, por outro, é perfeitamente legítimo dizer que, sem igualdade (como reciprocidade de poder), não há liberdade. Com essa frase, quero chamar a atenção para uma propriedade desses dois conceitos que geralmente não é relevada. Se não se pode definir a igualdade pela liberdade, há pelo menos um caso em que se pode definir a liberdade pela igualdade. Essa é a situação em que por liberdade se entende a eliminação da desigualdade de poder, ou, por outras palavras, a condição em que todos os membros de uma sociedade se consideram livres porque têm igual poder.
Entre as mil definições de democracia que podem ser dadas ou foram dadas, uma das possíveis e menos banal é a que a considera uma forma de governo em que todos são livres porque são iguais. Evidentemente, ao dizer que, na democracia, todos são livres porque são iguais, não me refiro a uma igualdade genérica, uma caixa vazia (no estilo do exagero da linguagem política) nem tampouco a uma igualdade universal como ideal inalcançável.
Explico-me melhor. Subjetivamente, uma das razões pelas quais eu me considero menos livre que outras pessoas é porque estou convencido de que essas pessoas têm mais poder que eu, o que significa que podem fazer coisas que eu não posso fazer e até mandarem que eu faça coisas que não posso mandar que elas façam. A famosa afirmação de Spinoza, segundo a qual uma pessoa tem tanto mais direito quanto mais poder tiver, pode converter-se perfeitamente nesta outra: uma pessoa tem tanto mais liberdade quanto mais poder tiver. No limite extremo, a liberdade absoluta coincide com o poder absoluto: absolutamente livre é só o onipotente.
Norberto Bobbio. A ideologia e o poder em crise. Brasília: Editora
Universidade de Brasília, 1999, p. 42-3 (com adaptações).
Com relação aos sentidos e a aspectos morfossintáticos do texto acima, julgue o próximo item.
Para a redução das ocorrências da palavra “que” entre as linhas 10 e 12, seria correta a seguinte estrutura: mandar eu fazer coisas que não posso mandar elas fazerem.
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Mais iguais ou mais livres?
Se, por um lado, não faria sentido algum dizer que, sem liberdade, não há igualdade, por outro, é perfeitamente legítimo dizer que, sem igualdade (como reciprocidade de poder), não há liberdade. Com essa frase, quero chamar a atenção para uma propriedade desses dois conceitos que geralmente não é relevada. Se não se pode definir a igualdade pela liberdade, há pelo menos um caso em que se pode definir a liberdade pela igualdade. Essa é a situação em que por liberdade se entende a eliminação da desigualdade de poder, ou, por outras palavras, a condição em que todos os membros de uma sociedade se consideram livres porque têm igual poder.
Entre as mil definições de democracia que podem ser dadas ou foram dadas, uma das possíveis e menos banal é a que a considera uma forma de governo em que todos são livres porque são iguais. Evidentemente, ao dizer que, na democracia, todos são livres porque são iguais, não me refiro a uma igualdade genérica, uma caixa vazia (no estilo do exagero da linguagem política) nem tampouco a uma igualdade universal como ideal inalcançável.
Explico-me melhor. Subjetivamente, uma das razões pelas quais eu me considero menos livre que outras pessoas é porque estou convencido de que essas pessoas têm mais poder que eu, o que significa que podem fazer coisas que eu não posso fazer e até mandarem que eu faça coisas que não posso mandar que elas façam. A famosa afirmação de Spinoza, segundo a qual uma pessoa tem tanto mais direito quanto mais poder tiver, pode converter-se perfeitamente nesta outra: uma pessoa tem tanto mais liberdade quanto mais poder tiver. No limite extremo, a liberdade absoluta coincide com o poder absoluto: absolutamente livre é só o onipotente.
Norberto Bobbio. A ideologia e o poder em crise. Brasília: Editora
Universidade de Brasília, 1999, p. 42-3 (com adaptações).
Com relação aos sentidos e a aspectos morfossintáticos do texto acima, julgue o próximo item.
No final do segundo parágrafo (R.7-9), o autor do texto empenha-se em estabelecer um conceito preciso de igualdade, o que é reiterado, no início do parágrafo seguinte, por meio da oração “Explico-me melhor.”
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Mais iguais ou mais livres?
Se, por um lado, não faria sentido algum dizer que, sem liberdade, não há igualdade, por outro, é perfeitamente legítimo dizer que, sem igualdade (como reciprocidade de poder), não há liberdade. Com essa frase, quero chamar a atenção para uma propriedade desses dois conceitos que geralmente não é relevada. Se não se pode definir a igualdade pela liberdade, há pelo menos um caso em que se pode definir a liberdade pela igualdade. Essa é a situação em que por liberdade se entende a eliminação da desigualdade de poder, ou, por outras palavras, a condição em que todos os membros de uma sociedade se consideram livres porque têm igual poder.
Entre as mil definições de democracia que podem ser dadas ou foram dadas, uma das possíveis e menos banal é a que a considera uma forma de governo em que todos são livres porque são iguais. Evidentemente, ao dizer que, na democracia, todos são livres porque são iguais, não me refiro a uma igualdade genérica, uma caixa vazia (no estilo do exagero da linguagem política) nem tampouco a uma igualdade universal como ideal inalcançável.
Explico-me melhor. Subjetivamente, uma das razões pelas quais eu me considero menos livre que outras pessoas é porque estou convencido de que essas pessoas têm mais poder que eu, o que significa que podem fazer coisas que eu não posso fazer e até mandarem que eu faça coisas que não posso mandar que elas façam. A famosa afirmação de Spinoza, segundo a qual uma pessoa tem tanto mais direito quanto mais poder tiver, pode converter-se perfeitamente nesta outra: uma pessoa tem tanto mais liberdade quanto mais poder tiver. No limite extremo, a liberdade absoluta coincide com o poder absoluto: absolutamente livre é só o onipotente.
Norberto Bobbio. A ideologia e o poder em crise. Brasília: Editora
Universidade de Brasília, 1999, p. 42-3 (com adaptações).
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O sentido expresso pela palavra “tampouco” também é expresso pela locução tão pouco.
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Se, por um lado, não faria sentido algum dizer que, sem liberdade, não há igualdade, por outro, é perfeitamente legítimo dizer que, sem igualdade (como reciprocidade de poder), não há liberdade. Com essa frase, quero chamar a atenção para uma propriedade desses dois conceitos que geralmente não é relevada. Se não se pode definir a igualdade pela liberdade, há pelo menos um caso em que se pode definir a liberdade pela igualdade. Essa é a situação em que por liberdade se entende a eliminação da desigualdade de poder, ou, por outras palavras, a condição em que todos os membros de uma sociedade se consideram livres porque têm igual poder.
Entre as mil definições de democracia que podem ser dadas ou foram dadas, uma das possíveis e menos banal é a que a considera uma forma de governo em que todos são livres porque são iguais. Evidentemente, ao dizer que, na democracia, todos são livres porque são iguais, não me refiro a uma igualdade genérica, uma caixa vazia (no estilo do exagero da linguagem política) nem tampouco a uma igualdade universal como ideal inalcançável.
Explico-me melhor. Subjetivamente, uma das razões pelas quais eu me considero menos livre que outras pessoas é porque estou convencido de que essas pessoas têm mais poder que eu, o que significa que podem fazer coisas que eu não posso fazer e até mandarem que eu faça coisas que não posso mandar que elas façam. A famosa afirmação de Spinoza, segundo a qual uma pessoa tem tanto mais direito quanto mais poder tiver, pode converter-se perfeitamente nesta outra: uma pessoa tem tanto mais liberdade quanto mais poder tiver. No limite extremo, a liberdade absoluta coincide com o poder absoluto: absolutamente livre é só o onipotente.
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Universidade de Brasília, 1999, p. 42-3 (com adaptações).
Com relação aos sentidos e a aspectos morfossintáticos do texto acima, julgue o próximo item.
Os parênteses foram empregados para retificação do que foi anteriormente expresso.
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Se, por um lado, não faria sentido algum dizer que, sem liberdade, não há igualdade, por outro, é perfeitamente legítimo dizer que, sem igualdade (como reciprocidade de poder), não há liberdade. Com essa frase, quero chamar a atenção para uma propriedade desses dois conceitos que geralmente não é relevada. Se não se pode definir a igualdade pela liberdade, há pelo menos um caso em que se pode definir a liberdade pela igualdade. Essa é a situação em que por liberdade se entende a eliminação da desigualdade de poder, ou, por outras palavras, a condição em que todos os membros de uma sociedade se consideram livres porque têm igual poder.
Entre as mil definições de democracia que podem ser dadas ou foram dadas, uma das possíveis e menos banal é a que a considera uma forma de governo em que todos são livres porque são iguais. Evidentemente, ao dizer que, na democracia, todos são livres porque são iguais, não me refiro a uma igualdade genérica, uma caixa vazia (no estilo do exagero da linguagem política) nem tampouco a uma igualdade universal como ideal inalcançável.
Explico-me melhor. Subjetivamente, uma das razões pelas quais eu me considero menos livre que outras pessoas é porque estou convencido de que essas pessoas têm mais poder que eu, o que significa que podem fazer coisas que eu não posso fazer e até mandarem que eu faça coisas que não posso mandar que elas façam. A famosa afirmação de Spinoza, segundo a qual uma pessoa tem tanto mais direito quanto mais poder tiver, pode converter-se perfeitamente nesta outra: uma pessoa tem tanto mais liberdade quanto mais poder tiver. No limite extremo, a liberdade absoluta coincide com o poder absoluto: absolutamente livre é só o onipotente.
Norberto Bobbio. A ideologia e o poder em crise. Brasília: Editora
Universidade de Brasília, 1999, p. 42-3 (com adaptações).
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No trecho “é a que a considera”, as duas formas pronominais “a” equivalem semanticamente a definição e democracia, respectivamente.
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Se, por um lado, não faria sentido algum dizer que, sem liberdade, não há igualdade, por outro, é perfeitamente legítimo dizer que, sem igualdade (como reciprocidade de poder), não há liberdade. Com essa frase, quero chamar a atenção para uma propriedade desses dois conceitos que geralmente não é relevada. Se não se pode definir a igualdade pela liberdade, há pelo menos um caso em que se pode definir a liberdade pela igualdade. Essa é a situação em que por liberdade se entende a eliminação da desigualdade de poder, ou, por outras palavras, a condição em que todos os membros de uma sociedade se consideram livres porque têm igual poder.
Entre as mil definições de democracia que podem ser dadas ou foram dadas, uma das possíveis e menos banal é a que a considera uma forma de governo em que todos são livres porque são iguais. Evidentemente, ao dizer que, na democracia, todos são livres porque são iguais, não me refiro a uma igualdade genérica, uma caixa vazia (no estilo do exagero da linguagem política) nem tampouco a uma igualdade universal como ideal inalcançável.
Explico-me melhor. Subjetivamente, uma das razões pelas quais eu me considero menos livre que outras pessoas é porque estou convencido de que essas pessoas têm mais poder que eu, o que significa que podem fazer coisas que eu não posso fazer e até mandarem que eu faça coisas que não posso mandar que elas façam. A famosa afirmação de Spinoza, segundo a qual uma pessoa tem tanto mais direito quanto mais poder tiver, pode converter-se perfeitamente nesta outra: uma pessoa tem tanto mais liberdade quanto mais poder tiver. No limite extremo, a liberdade absoluta coincide com o poder absoluto: absolutamente livre é só o onipotente.
Norberto Bobbio. A ideologia e o poder em crise. Brasília: Editora
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No segundo período do texto, na oração “que geralmente não é relevada”, a concordância no plural — não são relevados — atenderia às regras de concordância verbal e nominal sem alterar o sentido do período.
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Se, por um lado, não faria sentido algum dizer que, sem liberdade, não há igualdade, por outro, é perfeitamente legítimo dizer que, sem igualdade (como reciprocidade de poder), não há liberdade. Com essa frase, quero chamar a atenção para uma propriedade desses dois conceitos que geralmente não é relevada. Se não se pode definir a igualdade pela liberdade, há pelo menos um caso em que se pode definir a liberdade pela igualdade. Essa é a situação em que por liberdade se entende a eliminação da desigualdade de poder, ou, por outras palavras, a condição em que todos os membros de uma sociedade se consideram livres porque têm igual poder.
Entre as mil definições de democracia que podem ser dadas ou foram dadas, uma das possíveis e menos banal é a que a considera uma forma de governo em que todos são livres porque são iguais. Evidentemente, ao dizer que, na democracia, todos são livres porque são iguais, não me refiro a uma igualdade genérica, uma caixa vazia (no estilo do exagero da linguagem política) nem tampouco a uma igualdade universal como ideal inalcançável.
Explico-me melhor. Subjetivamente, uma das razões pelas quais eu me considero menos livre que outras pessoas é porque estou convencido de que essas pessoas têm mais poder que eu, o que significa que podem fazer coisas que eu não posso fazer e até mandarem que eu faça coisas que não posso mandar que elas façam. A famosa afirmação de Spinoza, segundo a qual uma pessoa tem tanto mais direito quanto mais poder tiver, pode converter-se perfeitamente nesta outra: uma pessoa tem tanto mais liberdade quanto mais poder tiver. No limite extremo, a liberdade absoluta coincide com o poder absoluto: absolutamente livre é só o onipotente.
Norberto Bobbio. A ideologia e o poder em crise. Brasília: Editora
Universidade de Brasília, 1999, p. 42-3 (com adaptações).
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A frase “sem liberdade, não há igualdade” corresponde, quanto ao sentido, a: sempre que houver liberdade, haverá igualdade.
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Entre as mil definições de democracia que podem ser dadas ou foram dadas, uma das possíveis e menos banal é a que a considera uma forma de governo em que todos são livres porque são iguais. Evidentemente, ao dizer que, na democracia, todos são livres porque são iguais, não me refiro a uma igualdade genérica, uma caixa vazia (no estilo do exagero da linguagem política) nem tampouco a uma igualdade universal como ideal inalcançável.
Explico-me melhor. Subjetivamente, uma das razões pelas quais eu me considero menos livre que outras pessoas é porque estou convencido de que essas pessoas têm mais poder que eu, o que significa que podem fazer coisas que eu não posso fazer e até mandarem que eu faça coisas que não posso mandar que elas façam. A famosa afirmação de Spinoza, segundo a qual uma pessoa tem tanto mais direito quanto mais poder tiver, pode converter-se perfeitamente nesta outra: uma pessoa tem tanto mais liberdade quanto mais poder tiver. No limite extremo, a liberdade absoluta coincide com o poder absoluto: absolutamente livre é só o onipotente.
Norberto Bobbio. A ideologia e o poder em crise. Brasília: Editora
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De acordo com o autor do texto, a igualdade é requisito da liberdade.
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Entre as mil definições de democracia que podem ser dadas ou foram dadas, uma das possíveis e menos banal é a que a considera uma forma de governo em que todos são livres porque são iguais. Evidentemente, ao dizer que, na democracia, todos são livres porque são iguais, não me refiro a uma igualdade genérica, uma caixa vazia (no estilo do exagero da linguagem política) nem tampouco a uma igualdade universal como ideal inalcançável.
Explico-me melhor. Subjetivamente, uma das razões pelas quais eu me considero menos livre que outras pessoas é porque estou convencido de que essas pessoas têm mais poder que eu, o que significa que podem fazer coisas que eu não posso fazer e até mandarem que eu faça coisas que não posso mandar que elas façam. A famosa afirmação de Spinoza, segundo a qual uma pessoa tem tanto mais direito quanto mais poder tiver, pode converter-se perfeitamente nesta outra: uma pessoa tem tanto mais liberdade quanto mais poder tiver. No limite extremo, a liberdade absoluta coincide com o poder absoluto: absolutamente livre é só o onipotente.
Norberto Bobbio. A ideologia e o poder em crise. Brasília: Editora
Universidade de Brasília, 1999, p. 42-3 (com adaptações).
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Na oração “absolutamente livre é só o onipotente”, o deslocamento da palavra “só” para o final da oração acarretaria ambigüidade.
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A ilusão da igualdade
Todos os países do Ocidente, tal como o Brasil, gostam de alardear, em suas constituições, o velho e desmoralizado princípio de que “todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza”. Mas, em todo o mundo ocidental, como vemos agora na França, a realidade efetiva é bem diversa, o que transforma esse enunciado constitucional em meras palavras bonitas, sem qualquer efeito prático.
Se houvesse, em cada país, uma constituição oficial e outra não-oficial, que refletisse a realidade dos fatos, esta certamente diria: “todos são iguais perante a lei desde que tenham a mesma condição social e econômica, a mesma cor e o mesmo credo político; caso contrário, a lei e o Poder Judiciário darão tratamento desigual a cada indivíduo.” Na realidade, o que falta é uma ação governamental concreta e efetiva, e, nesse vácuo, as constituições não-oficiais seriam menos hipócritas e poderiam até criar um espírito nacional mais comprometido com a verdade e a ética vigentes. Com o passar do tempo, seus efeitos seriam cada vez mais profundos. A publicidade, por exemplo, deixaria de lado as velhas mentiras utilizadas para captar clientes incautos. Só para ilustrar: os preços de produtos e serviços veiculados na televisão e na imprensa deixariam de ser de R$ 499,90 e seriam, finalmente, de R$ 500,00 claros e redondos. Outro exemplo: os canais de “TV por Assina e Atura”, ou “TV Acabo com Você”, diriam, honestamente, em suas propagandas: “assine este canal e assista, com várias interrupções, a seus programas preferidos, pois os chatíssimos comerciais não existem só na TV aberta, como você imaginava. Filmes novos? Primeiro, temos de pagar aquele que já mostramos 20 vezes.”
Seria mais humano um mundo verdadeiro onde os governos e as pessoas assumissem, abertamente, o que fazem dia a dia, deixando de lado aquelas palavras bonitas que estão nas constituições e nas leis apenas para “inglês ver”.
Alfredo Ruy Barbosa. Jornal do Brasil, “Outras
opiniões”, 19/11/2005, p. A11 (com adaptações).
Com relação aos sentidos bem como a aspectos morfossintáticos do texto A ilusão da igualdade, julgue o seguinte item.
Em ‘temos de pagar aquele’, o emprego do acento indicativo da crase em “aquele” é facultativo, visto que o verbo pagar rege complemento com ou sem a preposição a.
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