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Texto.
O sermão há-de ter um só assunto e uma só matéria. Por isso Cristo disse que o lavrador do Evangelho não semeara muitos géneros de sementes, senão uma só: Exiit, qui seminat, seminare semen. Semeou uma semente só, e não muitas, porque o sermão há-de ter uma só matéria, e não muitas matérias. Se o lavrador semeara primeiro trigo, e sobre o trigo semeara centeio, e sobre o centeio semeara milho grosso e miúdo, e sobre o milho semeara cevada, que havia de nascer? Uma mata brava, uma confusão verde. Eis aqui o que acontece aos sermões deste género. (...)
Não nego nem quero dizer que o sermão não haja de ter variedade de discursos, mas esses hão-de nascer todos da mesma matéria e continuar e acabar nela. Quereis ver tudo isto com os olhos? Ora vede. Uma árvore tem raízes, tem tronco, tem ramos, tem folhas, tem varas, tem flores, tem frutos. Assim há-de ser o sermão: há-de ter raízes fortes e sólidas, porque há-de ser fundado no Evangelho; há-de ter um tronco, porque há-de ter um só assunto e tratar uma só matéria; deste tronco hão-de nascer diversos ramos, que são diversos discursos, mas nascidos da mesma matéria e continuados nela; estes ramos hão-de ser secos, senão cobertos de folhas, porque os discursos hão-de ser vestidos e ornados de palavras. Há-de ter esta árvore varas, que são a repreensão dos vícios; há-de ter flores, que são as sentenças; e por remate de tudo, há-de ter frutos, que é o fruto e o fim a que se há-de ordenar o sermão. De maneira que há-de haver frutos, há-de haver flores, há-de haver varas, há-de haver folhas, há-de haver ramos; mas tudo nascido e fundado em um só tronco, que é uma só matéria. Se tudo são troncos, não é sermão, é madeira. Se tudo são ramos, não é sermão, são maravalhas. Se tudo são folhas, não é sermão, são versas. Se tudo são varas, não é sermão, é feixe. Se tudo são flores, não é sermão, é ramalhete. Serem tudo frutos, não pode ser; porque não há frutos sem árvore. Assim que nesta árvore, a que podemos chamar «árvore da vida», há-de haver o proveitoso do fruto, o formoso das flores, o rigoroso das varas, o vestido das folhas, o estendido dos ramos; mas tudo isto nascido e formado de um só tronco e esse não levantado no ar, senão fundado nas raízes do Evangelho: Seminare semen. Eis aqui como hão-de ser os sermões, eis aqui como não são.
Padre Antônio Vieira. Excerto da Parte VI do Sermão da sexagésima. In: Sermões escolhidos. São Paulo: Edameris, 1965.
Julgue o item a seguir, referente à compreensão e à interpretação do texto antecedente.
Nesse trecho do Sermão da Sexagésima, Vieira introduz vários argumentos para defender suas idéias, por meio do raciocínio dedutivo.
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Texto.
O sermão há-de ter um só assunto e uma só matéria. Por isso Cristo disse que o lavrador do Evangelho não semeara muitos géneros de sementes, senão uma só: Exiit, qui seminat, seminare semen. Semeou uma semente só, e não muitas, porque o sermão há-de ter uma só matéria, e não muitas matérias. Se o lavrador semeara primeiro trigo, e sobre o trigo semeara centeio, e sobre o centeio semeara milho grosso e miúdo, e sobre o milho semeara cevada, que havia de nascer? Uma mata brava, uma confusão verde. Eis aqui o que acontece aos sermões deste género. (...)
Não nego nem quero dizer que o sermão não haja de ter variedade de discursos, mas esses hão-de nascer todos da mesma matéria e continuar e acabar nela. Quereis ver tudo isto com os olhos? Ora vede. Uma árvore tem raízes, tem tronco, tem ramos, tem folhas, tem varas, tem flores, tem frutos. Assim há-de ser o sermão: há-de ter raízes fortes e sólidas, porque há-de ser fundado no Evangelho; há-de ter um tronco, porque há-de ter um só assunto e tratar uma só matéria; deste tronco hão-de nascer diversos ramos, que são diversos discursos, mas nascidos da mesma matéria e continuados nela; estes ramos hão-de ser secos, senão cobertos de folhas, porque os discursos hão-de ser vestidos e ornados de palavras. Há-de ter esta árvore varas, que são a repreensão dos vícios; há-de ter flores, que são as sentenças; e por remate de tudo, há-de ter frutos, que é o fruto e o fim a que se há-de ordenar o sermão. De maneira que há-de haver frutos, há-de haver flores, há-de haver varas, há-de haver folhas, há-de haver ramos; mas tudo nascido e fundado em um só tronco, que é uma só matéria. Se tudo são troncos, não é sermão, é madeira. Se tudo são ramos, não é sermão, são maravalhas. Se tudo são folhas, não é sermão, são versas. Se tudo são varas, não é sermão, é feixe. Se tudo são flores, não é sermão, é ramalhete. Serem tudo frutos, não pode ser; porque não há frutos sem árvore. Assim que nesta árvore, a que podemos chamar «árvore da vida», há-de haver o proveitoso do fruto, o formoso das flores, o rigoroso das varas, o vestido das folhas, o estendido dos ramos; mas tudo isto nascido e formado de um só tronco e esse não levantado no ar, senão fundado nas raízes do Evangelho: Seminare semen. Eis aqui como hão-de ser os sermões, eis aqui como não são.
Padre Antônio Vieira. Excerto da Parte VI do Sermão da sexagésima. In: Sermões escolhidos. São Paulo: Edameris, 1965.
Julgue o item a seguir, referente à compreensão e à interpretação do texto antecedente.
No trecho marcado pela reiteração de estruturas iniciadas por “Se”, o autor explicita, por antecipação, seu entendimento do que diz na frase final: “eis aqui como não são”.
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Lançar uma palavra aos quatro ventos como se entendêssemos do que se trata não quer dizer que a gente viva segundo ela. A ética, por exemplo, tem sido expulsa de muitos dos nossos cenários atuais, em que é mais citada do que vivida. Há de nos contemplar, consternada, a pobre senhora: não do Olimpo dos deuses inatingíveis, mas nas esquinas da nossa mais simples humanidade, onde a abandonamos em troca de comportamentos irracionais, corruptos ou boçais, desrespeitosos ou grotescos, segundo o jeito e a vivência de cada um.
Lya Luft. Em outras palavras. Veja, 30/11/2005.
Referentemente ao texto de Lya Luft, julgue o item a seguir.
O texto defende a idéia de que palavras e ações constituem dupla de tal modo coesa que as palavras são efetivamente verdadeiras quando se fala delas e se age segundo o que elas significam.
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Lançar uma palavra aos quatro ventos como se entendêssemos do que se trata não quer dizer que a gente viva segundo ela. A ética, por exemplo, tem sido expulsa de muitos dos nossos cenários atuais, em que é mais citada do que vivida. Há de nos contemplar, consternada, a pobre senhora: não do Olimpo dos deuses inatingíveis, mas nas esquinas da nossa mais simples humanidade, onde a abandonamos em troca de comportamentos irracionais, corruptos ou boçais, desrespeitosos ou grotescos, segundo o jeito e a vivência de cada um.
Lya Luft. Em outras palavras. Veja, 30/11/2005.
Referentemente ao texto de Lya Luft, julgue o item a seguir.
Aplicada à sermonística, a tese do texto encontra consonância nos dizeres de Vieira no Sermão da Sexagésima: “Ter nome de pregador, ou ser pregador de nome não importa nada; as ações, a vida, o exemplo, as obras são as que convertem o mundo”.
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Lançar uma palavra aos quatro ventos como se entendêssemos do que se trata não quer dizer que a gente viva segundo ela. A ética, por exemplo, tem sido expulsa de muitos dos nossos cenários atuais, em que é mais citada do que vivida. Há de nos contemplar, consternada, a pobre senhora: não do Olimpo dos deuses inatingíveis, mas nas esquinas da nossa mais simples humanidade, onde a abandonamos em troca de comportamentos irracionais, corruptos ou boçais, desrespeitosos ou grotescos, segundo o jeito e a vivência de cada um.
Lya Luft. Em outras palavras. Veja, 30/11/2005.
Referentemente ao texto de Lya Luft, julgue o item a seguir.
O parágrafo está construído segundo o que se considera o padrão de um parágrafo: o primeiro período encerra o tópico frasal; no segundo, consta o desenvolvimento por exemplificação; o terceiro apresenta a conclusão.
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Lançar uma palavra aos quatro ventos como se entendêssemos do que se trata não quer dizer que a gente viva segundo ela. A ética, por exemplo, tem sido expulsa de muitos dos nossos cenários atuais, em que é mais citada do que vivida. Há de nos contemplar, consternada, a pobre senhora: não do Olimpo dos deuses inatingíveis, mas nas esquinas da nossa mais simples humanidade, onde a abandonamos em troca de comportamentos irracionais, corruptos ou boçais, desrespeitosos ou grotescos, segundo o jeito e a vivência de cada um.
Lya Luft. Em outras palavras. Veja, 30/11/2005.
Referentemente ao texto de Lya Luft, julgue o item a seguir.
No texto, “Lançar uma palavra aos quatro ventos” é sujeito de “não quer dizer" ; o verbo haver em “Há de nos contemplar” é impessoal; são co-referenciais os termos: “ela”, “ética” e “a pobre senhora”.
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Texto.
As conseqüências da escravidão não atingiram apenas os negros. Do ponto de vista que aqui nos interessa— a formação do cidadão —, a escravidão afetou tanto o escravo como o senhor. Se o escravo não desenvolvia a consciência de seus direitos civis, o senhor tampouco o fazia. O senhor não admitia os direitos dos escravos e exigia privilégios para si próprio. Se um estava abaixo da lei, o outro se considerava acima. A libertação dos escravos não trouxe consigo a igualdade efetiva. Essa igualdade era afirmada nas leis, mas negada na prática. Ainda hoje, apesar das leis, aos privilégios e à arrogância de poucos correspondem o desfavorecimento e a humilhação de muitos.
José Murilo de Carvalho. Cidadania no Brasil: o longo caminho. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2004, p. 53 (com adaptações).
A respeito das idéias do texto acima, julgue o item seguinte.
O seguinte trecho, escrito por Matilde Ribeiro (FSP, 11/12/2005), poderia dar continuidade ao texto, visto que ambos compartilham as assunções de base: “O fim do sistema escravista, há mais de cem anos, alterou o regime jurídico dos antigos escravizados. Porém, não trouxe a perspectiva de libertação dos descendentes de negros com plena inserção na sociedade, no mercado de trabalho, no sistema educacional, no acesso à moradia digna, à posse da terra, à cidadania”.
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Texto.
Nosotros
Descobertos por povo marítimo e povo marítimo nós mesmos (sempre tivemos as costas largas), era natural que medida marítima, o nó náutico, nos fosse tão importante. Como, daí em diante, foram importantíssimos pra nós os nós da madeira do pau-brasil que exportávamos com nó na garganta (sabendo já que exportávamos meio ambiente), ameaçados pelo nó da forca portuguesa.
Millôr Fernandes. Veja, 30/11/ 2005, p. 30.
Ainda tendo como base o texto Nosotros, julgue o item abaixo.
O texto estabelece a oposição entre os nós da madeira foram importantíssimos para nós versus atuação extrativista dos colonizadores. Tal oposição permite ao autor manifestar sua resignação com o modelo colonial português: o explorador.
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Texto.
Nosotros
Descobertos por povo marítimo e povo marítimo nós mesmos (sempre tivemos as costas largas), era natural que medida marítima, o nó náutico, nos fosse tão importante. Como, daí em diante, foram importantíssimos pra nós os nós da madeira do pau-brasil que exportávamos com nó na garganta (sabendo já que exportávamos meio ambiente), ameaçados pelo nó da forca portuguesa.
Millôr Fernandes. Veja, 30/11/ 2005, p. 30.
Ainda tendo como base o texto Nosotros, julgue o item abaixo.
Há evidência material de que o autor, no jogo de palavras com que construiu o texto, deu preferência ao pronome tônico em detrimento do pronome átono.
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Texto.
Nosotros
Descobertos por povo marítimo e povo marítimo nós mesmos (sempre tivemos as costas largas), era natural que medida marítima, o nó náutico, nos fosse tão importante. Como, daí em diante, foram importantíssimos pra nós os nós da madeira do pau-brasil que exportávamos com nó na garganta (sabendo já que exportávamos meio ambiente), ameaçados pelo nó da forca portuguesa.
Millôr Fernandes. Veja, 30/11/ 2005, p. 30.
Ainda tendo como base o texto Nosotros, julgue o item abaixo.
No primeiro período do texto, estabelece-se uma relação de causa/conseqüência que pode, desfazendo-se a elipse, ser explicitada da seguinte maneira: Dado que fomos descobertos por povo marítimo e sendo povo marítimo nós mesmos, era natural que medida marítima (...) nos fosse tão importante.
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