Magna Concursos

Foram encontradas 2.975 questões.

75575 Ano: 2006
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: CL-DF

Texto.

O sermão há-de ter um só assunto e uma só matéria. Por isso Cristo disse que o lavrador do Evangelho não semeara muitos géneros de sementes, senão uma só: Exiit, qui seminat, seminare semen. Semeou uma semente só, e não muitas, porque o sermão há-de ter uma só matéria, e não muitas matérias. Se o lavrador semeara primeiro trigo, e sobre o trigo semeara centeio, e sobre o centeio semeara milho grosso e miúdo, e sobre o milho semeara cevada, que havia de nascer? Uma mata brava, uma confusão verde. Eis aqui o que acontece aos sermões deste género. (...)

Não nego nem quero dizer que o sermão não haja de ter variedade de discursos, mas esses hão-de nascer todos da mesma matéria e continuar e acabar nela. Quereis ver tudo isto com os olhos? Ora vede. Uma árvore tem raízes, tem tronco, tem ramos, tem folhas, tem varas, tem flores, tem frutos. Assim há-de ser o sermão: há-de ter raízes fortes e sólidas, porque há-de ser fundado no Evangelho; há-de ter um tronco, porque há-de ter um só assunto e tratar uma só matéria; deste tronco hão-de nascer diversos ramos, que são diversos discursos, mas nascidos da mesma matéria e continuados nela; estes ramos hão-de ser secos, senão cobertos de folhas, porque os discursos hão-de ser vestidos e ornados de palavras. Há-de ter esta árvore varas, que são a repreensão dos vícios; há-de ter flores, que são as sentenças; e por remate de tudo, há-de ter frutos, que é o fruto e o fim a que se há-de ordenar o sermão. De maneira que há-de haver frutos, há-de haver flores, há-de haver varas, há-de haver folhas, há-de haver ramos; mas tudo nascido e fundado em um só tronco, que é uma só matéria. Se tudo são troncos, não é sermão, é madeira. Se tudo são ramos, não é sermão, são maravalhas. Se tudo são folhas, não é sermão, são versas. Se tudo são varas, não é sermão, é feixe. Se tudo são flores, não é sermão, é ramalhete. Serem tudo frutos, não pode ser; porque não há frutos sem árvore. Assim que nesta árvore, a que podemos chamar «árvore da vida», há-de haver o proveitoso do fruto, o formoso das flores, o rigoroso das varas, o vestido das folhas, o estendido dos ramos; mas tudo isto nascido e formado de um só tronco e esse não levantado no ar, senão fundado nas raízes do Evangelho: Seminare semen. Eis aqui como hão-de ser os sermões, eis aqui como não são.

Padre Antônio Vieira. Excerto da Parte VI do Sermão da sexagésima. In: Sermões escolhidos. São Paulo: Edameris, 1965.

Julgue o item a seguir, referente à compreensão e à interpretação do texto antecedente.

Nesse trecho do Sermão da Sexagésima, Vieira introduz vários argumentos para defender suas idéias, por meio do raciocínio dedutivo.

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
75574 Ano: 2006
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: CL-DF

Texto.

O sermão há-de ter um só assunto e uma só matéria. Por isso Cristo disse que o lavrador do Evangelho não semeara muitos géneros de sementes, senão uma só: Exiit, qui seminat, seminare semen. Semeou uma semente só, e não muitas, porque o sermão há-de ter uma só matéria, e não muitas matérias. Se o lavrador semeara primeiro trigo, e sobre o trigo semeara centeio, e sobre o centeio semeara milho grosso e miúdo, e sobre o milho semeara cevada, que havia de nascer? Uma mata brava, uma confusão verde. Eis aqui o que acontece aos sermões deste género. (...)

Não nego nem quero dizer que o sermão não haja de ter variedade de discursos, mas esses hão-de nascer todos da mesma matéria e continuar e acabar nela. Quereis ver tudo isto com os olhos? Ora vede. Uma árvore tem raízes, tem tronco, tem ramos, tem folhas, tem varas, tem flores, tem frutos. Assim há-de ser o sermão: há-de ter raízes fortes e sólidas, porque há-de ser fundado no Evangelho; há-de ter um tronco, porque há-de ter um só assunto e tratar uma só matéria; deste tronco hão-de nascer diversos ramos, que são diversos discursos, mas nascidos da mesma matéria e continuados nela; estes ramos hão-de ser secos, senão cobertos de folhas, porque os discursos hão-de ser vestidos e ornados de palavras. Há-de ter esta árvore varas, que são a repreensão dos vícios; há-de ter flores, que são as sentenças; e por remate de tudo, há-de ter frutos, que é o fruto e o fim a que se há-de ordenar o sermão. De maneira que há-de haver frutos, há-de haver flores, há-de haver varas, há-de haver folhas, há-de haver ramos; mas tudo nascido e fundado em um só tronco, que é uma só matéria. Se tudo são troncos, não é sermão, é madeira. Se tudo são ramos, não é sermão, são maravalhas. Se tudo são folhas, não é sermão, são versas. Se tudo são varas, não é sermão, é feixe. Se tudo são flores, não é sermão, é ramalhete. Serem tudo frutos, não pode ser; porque não há frutos sem árvore. Assim que nesta árvore, a que podemos chamar «árvore da vida», há-de haver o proveitoso do fruto, o formoso das flores, o rigoroso das varas, o vestido das folhas, o estendido dos ramos; mas tudo isto nascido e formado de um só tronco e esse não levantado no ar, senão fundado nas raízes do Evangelho: Seminare semen. Eis aqui como hão-de ser os sermões, eis aqui como não são.

Padre Antônio Vieira. Excerto da Parte VI do Sermão da sexagésima. In: Sermões escolhidos. São Paulo: Edameris, 1965.

Julgue o item a seguir, referente à compreensão e à interpretação do texto antecedente.

No trecho marcado pela reiteração de estruturas iniciadas por “Se”, o autor explicita, por antecipação, seu entendimento do que diz na frase final: “eis aqui como não são”.

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
75573 Ano: 2006
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: CL-DF

Lançar uma palavra aos quatro ventos como se entendêssemos do que se trata não quer dizer que a gente viva segundo ela. A ética, por exemplo, tem sido expulsa de muitos dos nossos cenários atuais, em que é mais citada do que vivida. Há de nos contemplar, consternada, a pobre senhora: não do Olimpo dos deuses inatingíveis, mas nas esquinas da nossa mais simples humanidade, onde a abandonamos em troca de comportamentos irracionais, corruptos ou boçais, desrespeitosos ou grotescos, segundo o jeito e a vivência de cada um.

Lya Luft. Em outras palavras. Veja, 30/11/2005.

Referentemente ao texto de Lya Luft, julgue o item a seguir.

O texto defende a idéia de que palavras e ações constituem dupla de tal modo coesa que as palavras são efetivamente verdadeiras quando se fala delas e se age segundo o que elas significam.

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
75572 Ano: 2006
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: CL-DF

Lançar uma palavra aos quatro ventos como se entendêssemos do que se trata não quer dizer que a gente viva segundo ela. A ética, por exemplo, tem sido expulsa de muitos dos nossos cenários atuais, em que é mais citada do que vivida. Há de nos contemplar, consternada, a pobre senhora: não do Olimpo dos deuses inatingíveis, mas nas esquinas da nossa mais simples humanidade, onde a abandonamos em troca de comportamentos irracionais, corruptos ou boçais, desrespeitosos ou grotescos, segundo o jeito e a vivência de cada um.

Lya Luft. Em outras palavras. Veja, 30/11/2005.

Referentemente ao texto de Lya Luft, julgue o item a seguir.

Aplicada à sermonística, a tese do texto encontra consonância nos dizeres de Vieira no Sermão da Sexagésima: “Ter nome de pregador, ou ser pregador de nome não importa nada; as ações, a vida, o exemplo, as obras são as que convertem o mundo”.

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
75571 Ano: 2006
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: CL-DF

Lançar uma palavra aos quatro ventos como se entendêssemos do que se trata não quer dizer que a gente viva segundo ela. A ética, por exemplo, tem sido expulsa de muitos dos nossos cenários atuais, em que é mais citada do que vivida. Há de nos contemplar, consternada, a pobre senhora: não do Olimpo dos deuses inatingíveis, mas nas esquinas da nossa mais simples humanidade, onde a abandonamos em troca de comportamentos irracionais, corruptos ou boçais, desrespeitosos ou grotescos, segundo o jeito e a vivência de cada um.

Lya Luft. Em outras palavras. Veja, 30/11/2005.

Referentemente ao texto de Lya Luft, julgue o item a seguir.

O parágrafo está construído segundo o que se considera o padrão de um parágrafo: o primeiro período encerra o tópico frasal; no segundo, consta o desenvolvimento por exemplificação; o terceiro apresenta a conclusão.

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
75570 Ano: 2006
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: CL-DF

Lançar uma palavra aos quatro ventos como se entendêssemos do que se trata não quer dizer que a gente viva segundo ela. A ética, por exemplo, tem sido expulsa de muitos dos nossos cenários atuais, em que é mais citada do que vivida. Há de nos contemplar, consternada, a pobre senhora: não do Olimpo dos deuses inatingíveis, mas nas esquinas da nossa mais simples humanidade, onde a abandonamos em troca de comportamentos irracionais, corruptos ou boçais, desrespeitosos ou grotescos, segundo o jeito e a vivência de cada um.

Lya Luft. Em outras palavras. Veja, 30/11/2005.

Referentemente ao texto de Lya Luft, julgue o item a seguir.

No texto, “Lançar uma palavra aos quatro ventos” é sujeito de “não quer dizer" ; o verbo haver em “Há de nos contemplar” é impessoal; são co-referenciais os termos: “ela”, “ética” e “a pobre senhora”.

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
75569 Ano: 2006
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: CL-DF

Texto.

As conseqüências da escravidão não atingiram apenas os negros. Do ponto de vista que aqui nos interessa— a formação do cidadão —, a escravidão afetou tanto o escravo como o senhor. Se o escravo não desenvolvia a consciência de seus direitos civis, o senhor tampouco o fazia. O senhor não admitia os direitos dos escravos e exigia privilégios para si próprio. Se um estava abaixo da lei, o outro se considerava acima. A libertação dos escravos não trouxe consigo a igualdade efetiva. Essa igualdade era afirmada nas leis, mas negada na prática. Ainda hoje, apesar das leis, aos privilégios e à arrogância de poucos correspondem o desfavorecimento e a humilhação de muitos.

José Murilo de Carvalho. Cidadania no Brasil: o longo caminho. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2004, p. 53 (com adaptações).

A respeito das idéias do texto acima, julgue o item seguinte.

O seguinte trecho, escrito por Matilde Ribeiro (FSP, 11/12/2005), poderia dar continuidade ao texto, visto que ambos compartilham as assunções de base: “O fim do sistema escravista, há mais de cem anos, alterou o regime jurídico dos antigos escravizados. Porém, não trouxe a perspectiva de libertação dos descendentes de negros com plena inserção na sociedade, no mercado de trabalho, no sistema educacional, no acesso à moradia digna, à posse da terra, à cidadania”.

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
75568 Ano: 2006
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: CL-DF

Texto.

Nosotros

Descobertos por povo marítimo e povo marítimo nós mesmos (sempre tivemos as costas largas), era natural que medida marítima, o náutico, nos fosse tão importante. Como, daí em diante, foram importantíssimos pra nós os nós da madeira do pau-brasil que exportávamos com na garganta (sabendo já que exportávamos meio ambiente), ameaçados pelo da forca portuguesa.

Millôr Fernandes. Veja, 30/11/ 2005, p. 30.

Ainda tendo como base o texto Nosotros, julgue o item abaixo.

O texto estabelece a oposição entre os nós da madeira foram importantíssimos para nós versus atuação extrativista dos colonizadores. Tal oposição permite ao autor manifestar sua resignação com o modelo colonial português: o explorador.

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas

Texto.

Nosotros

Descobertos por povo marítimo e povo marítimo nós mesmos (sempre tivemos as costas largas), era natural que medida marítima, o náutico, nos fosse tão importante. Como, daí em diante, foram importantíssimos pra nós os nós da madeira do pau-brasil que exportávamos com na garganta (sabendo já que exportávamos meio ambiente), ameaçados pelo da forca portuguesa.

Millôr Fernandes. Veja, 30/11/ 2005, p. 30.

Ainda tendo como base o texto Nosotros, julgue o item abaixo.

Há evidência material de que o autor, no jogo de palavras com que construiu o texto, deu preferência ao pronome tônico em detrimento do pronome átono.

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
75566 Ano: 2006
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: CL-DF

Texto.

Nosotros

Descobertos por povo marítimo e povo marítimo nós mesmos (sempre tivemos as costas largas), era natural que medida marítima, o náutico, nos fosse tão importante. Como, daí em diante, foram importantíssimos pra nós os nós da madeira do pau-brasil que exportávamos com na garganta (sabendo já que exportávamos meio ambiente), ameaçados pelo da forca portuguesa.

Millôr Fernandes. Veja, 30/11/ 2005, p. 30.

Ainda tendo como base o texto Nosotros, julgue o item abaixo.

No primeiro período do texto, estabelece-se uma relação de causa/conseqüência que pode, desfazendo-se a elipse, ser explicitada da seguinte maneira: Dado que fomos descobertos por povo marítimo e sendo povo marítimo nós mesmos, era natural que medida marítima (...) nos fosse tão importante.

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas