Foram encontradas 1.245 questões.
SÃO BERNARDO
“... encontro-me aqui em São Bernardo, escrevendo.
As janelas estão fechadas. Meia noite. Nenhum rumor na casa deserta.
Levanto-me, procuro uma vela, que a luz vai apagar-se. Não tenho sono. Deitar-me, rolar no colchão até a madrugada, é uma tortura. Prefiro ficar sentado, concluindo isto. Amanhã não terei com que me entreter.
Ponho a vela no castiçal, risco um fósforo e acendo-a. Sinto um arrepio. A lembrança de Madalena persegue-me. Diligencio afastá-la e caminho em redor da mesa. Aperto as mãos de tal forma que me firo com as unhas, e quando caio em mim estou mordendo os beiços a ponto de tirar sangue.
De longe em longe sento-me fatigado e escrevo uma linha. Digo em voz baixa:
- Estraguei a minha vida, estraguei-a estupidamente.
A agitação diminui.
- Estraguei a minha vida estupidamente.”
RAMOS, Graciliano. São Bernardo. Rio de Janeiro: Record, 1997.
“- Estraguei a minha vida estupidamente.”
Com essa afirmação, e considerando, também, todo o fragmento, o personagem principal assume a seguinte atitude diante da sua vida:
Provas
SÃO BERNARDO
“... encontro-me aqui em São Bernardo, escrevendo.
As janelas estão fechadas. Meia noite. Nenhum rumor na casa deserta.
Levanto-me, procuro uma vela, que a luz vai apagar-se. Não tenho sono. Deitar-me, rolar no colchão até a madrugada, é uma tortura. Prefiro ficar sentado, concluindo isto. Amanhã não terei com que me entreter.
Ponho a vela no castiçal, risco um fósforo e acendo-a. Sinto um arrepio. A lembrança de Madalena persegue-me. Diligencio afastá-la e caminho em redor da mesa. Aperto as mãos de tal forma que me firo com as unhas, e quando caio em mim estou mordendo os beiços a ponto de tirar sangue.
De longe em longe sento-me fatigado e escrevo uma linha. Digo em voz baixa:
- Estraguei a minha vida, estraguei-a estupidamente.
A agitação diminui.
- Estraguei a minha vida estupidamente.”
RAMOS, Graciliano. São Bernardo. Rio de Janeiro: Record, 1997.
No processo de enriquecer a qualquer custo, o personagem principal do texto acaba se desumanizando, e essa personalidade rude se torna uma característica dele. Nesse processo de desumanização, além de perder a si mesmo, o personagem narrador perde também sua esposa, Madalena, que morre repentinamente.
A passagem que caracteriza essa perda de si é:
Provas
SÃO BERNARDO
“... encontro-me aqui em São Bernardo, escrevendo.
As janelas estão fechadas. Meia noite. Nenhum rumor na casa deserta.
Levanto-me, procuro uma vela, que a luz vai apagar-se. Não tenho sono. Deitar-me, rolar no colchão até a madrugada, é uma tortura. Prefiro ficar sentado, concluindo isto. Amanhã não terei com que me entreter.
Ponho a vela no castiçal, risco um fósforo e acendo-a. Sinto um arrepio. A lembrança de Madalena persegue-me. Diligencio afastá-la e caminho em redor da mesa. Aperto as mãos de tal forma que me firo com as unhas, e quando caio em mim estou mordendo os beiços a ponto de tirar sangue.
De longe em longe sento-me fatigado e escrevo uma linha. Digo em voz baixa:
- Estraguei a minha vida, estraguei-a estupidamente.
A agitação diminui.
- Estraguei a minha vida estupidamente.”
RAMOS, Graciliano. São Bernardo. Rio de Janeiro: Record, 1997.
O livro São Bernardo, de Graciliano Ramos, clássico da Literatura Brasileira, apresenta na sua folha catalográfica a seguinte inscrição:
Ramos, Graciliano, 1892-1953
São Bernardo: pósfácio de João Luiz Lafetá.
Ilustrações de Darel. – 67a ed. – Rio de Janeiro:
Record, 1997. 224p. ilust.
Segundo as normas da ABNT, tal inscrição é considerada inadequada porque
Provas
BELO BELO
Belo Belo Belo,
Tenho tudo quanto quero.
Tenho o fogo de constelações extintas há milênios.
E o risco brevíssimo — que foi? passou —
[de tantas estrelas cadentes.
A aurora apaga-se,
E eu guardo as mais puras lágrimas da aurora.
O dia vem, e dia adentro
Continuo a possuir o segredo grande da noite.
Belo belo belo,
Tenho tudo quanto quero.
Não quero o êxtase nem os tormentos.
Não quero o que a terra só dá com trabalho.
As dádivas dos anjos são inaproveitáveis:
Os anjos não compreendem os homens.
Não quero amar,
Não quero ser amado.
Não quero combater,
Não quero ser soldado.
- Quero a delícia de poder sentir as coisas mais simples.
BANDEIRA, Manuel. Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: Aguillar, 1983.
“As dádivas dos anjos são inaproveitáveis: / Os anjos não compreendem os homens.”
Nesses versos, a relação semântica entre as orações é estabelecida pelos dois pontos. Essa relação, introduzida por esse sinal de pontuação, é caracterizada por uma ideia de
Provas
BELO BELO
Belo Belo Belo,
Tenho tudo quanto quero.
Tenho o fogo de constelações extintas há milênios.
E o risco brevíssimo — que foi? passou —
[de tantas estrelas cadentes.
A aurora apaga-se,
E eu guardo as mais puras lágrimas da aurora.
O dia vem, e dia adentro
Continuo a possuir o segredo grande da noite.
Belo belo belo,
Tenho tudo quanto quero.
Não quero o êxtase nem os tormentos.
Não quero o que a terra só dá com trabalho.
As dádivas dos anjos são inaproveitáveis:
Os anjos não compreendem os homens.
Não quero amar,
Não quero ser amado.
Não quero combater,
Não quero ser soldado.
- Quero a delícia de poder sentir as coisas mais simples.
BANDEIRA, Manuel. Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: Aguillar, 1983.
No poema, o eu lírico desenvolve, através de várias imagens, a ideia resumida no último verso.
Considerando as imagens contidas nos versos a seguir, aquele que mantém uma relação mais estreita com o último verso é
Provas
BELO BELO
Belo Belo Belo,
Tenho tudo quanto quero.
Tenho o fogo de constelações extintas há milênios.
E o risco brevíssimo — que foi? passou —
[de tantas estrelas cadentes.
A aurora apaga-se,
E eu guardo as mais puras lágrimas da aurora.
O dia vem, e dia adentro
Continuo a possuir o segredo grande da noite.
Belo belo belo,
Tenho tudo quanto quero.
Não quero o êxtase nem os tormentos.
Não quero o que a terra só dá com trabalho.
As dádivas dos anjos são inaproveitáveis:
Os anjos não compreendem os homens.
Não quero amar,
Não quero ser amado.
Não quero combater,
Não quero ser soldado.
- Quero a delícia de poder sentir as coisas mais simples.
BANDEIRA, Manuel. Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: Aguillar, 1983.
A ideia central do poema reside na valorização do belo nas coisas mais simples. A partir dessa visão, pode-se dizer que, por meio do belo, o eu lírico
Provas
BELO BELO
Belo Belo Belo,
Tenho tudo quanto quero.
Tenho o fogo de constelações extintas há milênios.
E o risco brevíssimo — que foi? passou —
[de tantas estrelas cadentes.
A aurora apaga-se,
E eu guardo as mais puras lágrimas da aurora.
O dia vem, e dia adentro
Continuo a possuir o segredo grande da noite.
Belo belo belo,
Tenho tudo quanto quero.
Não quero o êxtase nem os tormentos.
Não quero o que a terra só dá com trabalho.
As dádivas dos anjos são inaproveitáveis:
Os anjos não compreendem os homens.
Não quero amar,
Não quero ser amado.
Não quero combater,
Não quero ser soldado.
- Quero a delícia de poder sentir as coisas mais simples.
BANDEIRA, Manuel. Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: Aguillar, 1983.
As afirmações a seguir tratam da construção poética do texto.
I - A reiteração da negativa na penúltima estrofe reforça o caráter pacifista do eu lírico.
II - A presença marcante da 1a pessoa indicia o tom subjetivo que o poema traz.
III - A escolha de vocábulos como “lágrimas” e “tormentos” revelam o sofrimento do eu lírico.
É correto APENAS o que se afirma em
Provas

WALDEZ. O Liberal (PA). 03 nov. 09.
A charge jornalística não só ilustra uma notícia, mas também a interpreta, produzindo o humor.
Considerando que a charge acima foi publicada no dia seguinte a finados, sua construção, por meio de linguagem não verbal, tem o objetivo de
Provas
Texto II
Recife, 23/03/1943
Meu caro Carlos Drummond de Andrade,
Devo começar lhe pedindo desculpas por não haver, até agora, agradecido sua lembrança de me mandar o Sentimento do Mundo. Eu o recebi pouco depois de lhe escrever sobre o congresso. Minha primeira ideia foi fazer sobre ele uma nota que eu publicaria num jornal daqui. Mas minha dificuldade de escrever não diminuindo, tive que abandoná-la, embora com o risco de passar por desatencioso.
[...]
Em todo caso, deixe-me dizer que o Sentimento do Mundo nos reconcilia com diversas coisas: a língua portuguesa, a poesia, o nosso tempo. Ao mesmo tempo que compensa a existência de coisas como estas: os sociólogos, a estatística, os ditadores. No meu caso particular, a estatística e a minha solidão de indivíduo, cada dia mais agravada.
[...]
SÜSSEKIND, Flora (org.). Correspondência de Cabral com Bandeira e Drummond. Rio de Janeiro: Nova Fronteira - Edições Casa de Rui Barbosa, 2001.
No segundo parágrafo do texto, João Cabral traça um paralelismo entre coisas positivas e negativas.
Segundo o poeta, qual das “coisas” a seguir NÃO é negativa?
Provas
Texto II
Recife, 23/03/1943
Meu caro Carlos Drummond de Andrade,
Devo começar lhe pedindo desculpas por não haver, até agora, agradecido sua lembrança de me mandar o Sentimento do Mundo. Eu o recebi pouco depois de lhe escrever sobre o congresso. Minha primeira ideia foi fazer sobre ele uma nota que eu publicaria num jornal daqui. Mas minha dificuldade de escrever não diminuindo, tive que abandoná-la, embora com o risco de passar por desatencioso.
[...]
Em todo caso, deixe-me dizer que o Sentimento do Mundo nos reconcilia com diversas coisas: a língua portuguesa, a poesia, o nosso tempo. Ao mesmo tempo que compensa a existência de coisas como estas: os sociólogos, a estatística, os ditadores. No meu caso particular, a estatística e a minha solidão de indivíduo, cada dia mais agravada.
[...]
SÜSSEKIND, Flora (org.). Correspondência de Cabral com Bandeira e Drummond. Rio de Janeiro: Nova Fronteira - Edições Casa de Rui Barbosa, 2001.
A carta, como gênero textual, ainda que não seja considerada um texto literário, pode guardar um lirismo intenso, com certeza pela carga de sentimentos subjetivos que normalmente traz.
O trecho que identifica a presença do eu no campo do sentimento é:
Provas
Caderno Container