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64950 Ano: 2010
Disciplina: Português
Banca: CESGRANRIO
Orgão: IBGE

SÃO BERNARDO

“... encontro-me aqui em São Bernardo, escrevendo.

As janelas estão fechadas. Meia noite. Nenhum rumor na casa deserta.

Levanto-me, procuro uma vela, que a luz vai apagar-se. Não tenho sono. Deitar-me, rolar no colchão até a madrugada, é uma tortura. Prefiro ficar sentado, concluindo isto. Amanhã não terei com que me entreter.

Ponho a vela no castiçal, risco um fósforo e acendo-a. Sinto um arrepio. A lembrança de Madalena persegue-me. Diligencio afastá-la e caminho em redor da mesa. Aperto as mãos de tal forma que me firo com as unhas, e quando caio em mim estou mordendo os beiços a ponto de tirar sangue.

De longe em longe sento-me fatigado e escrevo uma linha. Digo em voz baixa:

- Estraguei a minha vida, estraguei-a estupidamente.

A agitação diminui.

- Estraguei a minha vida estupidamente.”

RAMOS, Graciliano. São Bernardo. Rio de Janeiro: Record, 1997.

“- Estraguei a minha vida estupidamente.”

Com essa afirmação, e considerando, também, todo o fragmento, o personagem principal assume a seguinte atitude diante da sua vida:

 

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64949 Ano: 2010
Disciplina: Português
Banca: CESGRANRIO
Orgão: IBGE

SÃO BERNARDO

“... encontro-me aqui em São Bernardo, escrevendo.

As janelas estão fechadas. Meia noite. Nenhum rumor na casa deserta.

Levanto-me, procuro uma vela, que a luz vai apagar-se. Não tenho sono. Deitar-me, rolar no colchão até a madrugada, é uma tortura. Prefiro ficar sentado, concluindo isto. Amanhã não terei com que me entreter.

Ponho a vela no castiçal, risco um fósforo e acendo-a. Sinto um arrepio. A lembrança de Madalena persegue-me. Diligencio afastá-la e caminho em redor da mesa. Aperto as mãos de tal forma que me firo com as unhas, e quando caio em mim estou mordendo os beiços a ponto de tirar sangue.

De longe em longe sento-me fatigado e escrevo uma linha. Digo em voz baixa:

- Estraguei a minha vida, estraguei-a estupidamente.

A agitação diminui.

- Estraguei a minha vida estupidamente.”

RAMOS, Graciliano. São Bernardo. Rio de Janeiro: Record, 1997.

No processo de enriquecer a qualquer custo, o personagem principal do texto acaba se desumanizando, e essa personalidade rude se torna uma característica dele. Nesse processo de desumanização, além de perder a si mesmo, o personagem narrador perde também sua esposa, Madalena, que morre repentinamente.

A passagem que caracteriza essa perda de si é:

 

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64948 Ano: 2010
Disciplina: Português
Banca: CESGRANRIO
Orgão: IBGE

SÃO BERNARDO

“... encontro-me aqui em São Bernardo, escrevendo.

As janelas estão fechadas. Meia noite. Nenhum rumor na casa deserta.

Levanto-me, procuro uma vela, que a luz vai apagar-se. Não tenho sono. Deitar-me, rolar no colchão até a madrugada, é uma tortura. Prefiro ficar sentado, concluindo isto. Amanhã não terei com que me entreter.

Ponho a vela no castiçal, risco um fósforo e acendo-a. Sinto um arrepio. A lembrança de Madalena persegue-me. Diligencio afastá-la e caminho em redor da mesa. Aperto as mãos de tal forma que me firo com as unhas, e quando caio em mim estou mordendo os beiços a ponto de tirar sangue.

De longe em longe sento-me fatigado e escrevo uma linha. Digo em voz baixa:

- Estraguei a minha vida, estraguei-a estupidamente.

A agitação diminui.

- Estraguei a minha vida estupidamente.”

RAMOS, Graciliano. São Bernardo. Rio de Janeiro: Record, 1997.

O livro São Bernardo, de Graciliano Ramos, clássico da Literatura Brasileira, apresenta na sua folha catalográfica a seguinte inscrição:

Ramos, Graciliano, 1892-1953

São Bernardo: pósfácio de João Luiz Lafetá.

Ilustrações de Darel. – 67a ed. – Rio de Janeiro:

Record, 1997. 224p. ilust.

Segundo as normas da ABNT, tal inscrição é considerada inadequada porque

 

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64947 Ano: 2010
Disciplina: Português
Banca: CESGRANRIO
Orgão: IBGE

BELO BELO

Belo Belo Belo,

Tenho tudo quanto quero.

Tenho o fogo de constelações extintas há milênios.

E o risco brevíssimo — que foi? passou —

[de tantas estrelas cadentes.

A aurora apaga-se,

E eu guardo as mais puras lágrimas da aurora.

O dia vem, e dia adentro

Continuo a possuir o segredo grande da noite.

Belo belo belo,

Tenho tudo quanto quero.

Não quero o êxtase nem os tormentos.

Não quero o que a terra só dá com trabalho.

As dádivas dos anjos são inaproveitáveis:

Os anjos não compreendem os homens.

Não quero amar,

Não quero ser amado.

Não quero combater,

Não quero ser soldado.

- Quero a delícia de poder sentir as coisas mais simples.

BANDEIRA, Manuel. Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: Aguillar, 1983.

“As dádivas dos anjos são inaproveitáveis: / Os anjos não compreendem os homens.”

Nesses versos, a relação semântica entre as orações é estabelecida pelos dois pontos. Essa relação, introduzida por esse sinal de pontuação, é caracterizada por uma ideia de

 

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64946 Ano: 2010
Disciplina: Português
Banca: CESGRANRIO
Orgão: IBGE

BELO BELO

Belo Belo Belo,

Tenho tudo quanto quero.

Tenho o fogo de constelações extintas há milênios.

E o risco brevíssimo — que foi? passou —

[de tantas estrelas cadentes.

A aurora apaga-se,

E eu guardo as mais puras lágrimas da aurora.

O dia vem, e dia adentro

Continuo a possuir o segredo grande da noite.

Belo belo belo,

Tenho tudo quanto quero.

Não quero o êxtase nem os tormentos.

Não quero o que a terra só dá com trabalho.

As dádivas dos anjos são inaproveitáveis:

Os anjos não compreendem os homens.

Não quero amar,

Não quero ser amado.

Não quero combater,

Não quero ser soldado.

- Quero a delícia de poder sentir as coisas mais simples.

BANDEIRA, Manuel. Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: Aguillar, 1983.

No poema, o eu lírico desenvolve, através de várias imagens, a ideia resumida no último verso.

Considerando as imagens contidas nos versos a seguir, aquele que mantém uma relação mais estreita com o último verso é

 

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64945 Ano: 2010
Disciplina: Português
Banca: CESGRANRIO
Orgão: IBGE

BELO BELO

Belo Belo Belo,

Tenho tudo quanto quero.

Tenho o fogo de constelações extintas há milênios.

E o risco brevíssimo — que foi? passou —

[de tantas estrelas cadentes.

A aurora apaga-se,

E eu guardo as mais puras lágrimas da aurora.

O dia vem, e dia adentro

Continuo a possuir o segredo grande da noite.

Belo belo belo,

Tenho tudo quanto quero.

Não quero o êxtase nem os tormentos.

Não quero o que a terra só dá com trabalho.

As dádivas dos anjos são inaproveitáveis:

Os anjos não compreendem os homens.

Não quero amar,

Não quero ser amado.

Não quero combater,

Não quero ser soldado.

- Quero a delícia de poder sentir as coisas mais simples.

BANDEIRA, Manuel. Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: Aguillar, 1983.

A ideia central do poema reside na valorização do belo nas coisas mais simples. A partir dessa visão, pode-se dizer que, por meio do belo, o eu lírico

 

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64944 Ano: 2010
Disciplina: Português
Banca: CESGRANRIO
Orgão: IBGE

BELO BELO

Belo Belo Belo,

Tenho tudo quanto quero.

Tenho o fogo de constelações extintas há milênios.

E o risco brevíssimo — que foi? passou —

[de tantas estrelas cadentes.

A aurora apaga-se,

E eu guardo as mais puras lágrimas da aurora.

O dia vem, e dia adentro

Continuo a possuir o segredo grande da noite.

Belo belo belo,

Tenho tudo quanto quero.

Não quero o êxtase nem os tormentos.

Não quero o que a terra só dá com trabalho.

As dádivas dos anjos são inaproveitáveis:

Os anjos não compreendem os homens.

Não quero amar,

Não quero ser amado.

Não quero combater,

Não quero ser soldado.

- Quero a delícia de poder sentir as coisas mais simples.

BANDEIRA, Manuel. Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: Aguillar, 1983.

As afirmações a seguir tratam da construção poética do texto.

I - A reiteração da negativa na penúltima estrofe reforça o caráter pacifista do eu lírico.

II - A presença marcante da 1a pessoa indicia o tom subjetivo que o poema traz.

III - A escolha de vocábulos como “lágrimas” e “tormentos” revelam o sofrimento do eu lírico.

É correto APENAS o que se afirma em

 

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64943 Ano: 2010
Disciplina: Português
Banca: CESGRANRIO
Orgão: IBGE

Enunciado 3608518-1

WALDEZ. O Liberal (PA). 03 nov. 09.

A charge jornalística não só ilustra uma notícia, mas também a interpreta, produzindo o humor.

Considerando que a charge acima foi publicada no dia seguinte a finados, sua construção, por meio de linguagem não verbal, tem o objetivo de

 

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64942 Ano: 2010
Disciplina: Português
Banca: CESGRANRIO
Orgão: IBGE

Texto II

Recife, 23/03/1943

Meu caro Carlos Drummond de Andrade,

Devo começar lhe pedindo desculpas por não haver, até agora, agradecido sua lembrança de me mandar o Sentimento do Mundo. Eu o recebi pouco depois de lhe escrever sobre o congresso. Minha primeira ideia foi fazer sobre ele uma nota que eu publicaria num jornal daqui. Mas minha dificuldade de escrever não diminuindo, tive que abandoná-la, embora com o risco de passar por desatencioso.

[...]

Em todo caso, deixe-me dizer que o Sentimento do Mundo nos reconcilia com diversas coisas: a língua portuguesa, a poesia, o nosso tempo. Ao mesmo tempo que compensa a existência de coisas como estas: os sociólogos, a estatística, os ditadores. No meu caso particular, a estatística e a minha solidão de indivíduo, cada dia mais agravada.

[...]

SÜSSEKIND, Flora (org.). Correspondência de Cabral com Bandeira e Drummond. Rio de Janeiro: Nova Fronteira - Edições Casa de Rui Barbosa, 2001.

No segundo parágrafo do texto, João Cabral traça um paralelismo entre coisas positivas e negativas.

Segundo o poeta, qual das “coisas” a seguir NÃO é negativa?

 

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64941 Ano: 2010
Disciplina: Português
Banca: CESGRANRIO
Orgão: IBGE

Texto II

Recife, 23/03/1943

Meu caro Carlos Drummond de Andrade,

Devo começar lhe pedindo desculpas por não haver, até agora, agradecido sua lembrança de me mandar o Sentimento do Mundo. Eu o recebi pouco depois de lhe escrever sobre o congresso. Minha primeira ideia foi fazer sobre ele uma nota que eu publicaria num jornal daqui. Mas minha dificuldade de escrever não diminuindo, tive que abandoná-la, embora com o risco de passar por desatencioso.

[...]

Em todo caso, deixe-me dizer que o Sentimento do Mundo nos reconcilia com diversas coisas: a língua portuguesa, a poesia, o nosso tempo. Ao mesmo tempo que compensa a existência de coisas como estas: os sociólogos, a estatística, os ditadores. No meu caso particular, a estatística e a minha solidão de indivíduo, cada dia mais agravada.

[...]

SÜSSEKIND, Flora (org.). Correspondência de Cabral com Bandeira e Drummond. Rio de Janeiro: Nova Fronteira - Edições Casa de Rui Barbosa, 2001.

A carta, como gênero textual, ainda que não seja considerada um texto literário, pode guardar um lirismo intenso, com certeza pela carga de sentimentos subjetivos que normalmente traz.

O trecho que identifica a presença do eu no campo do sentimento é:

 

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