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Leia o TEXTO 06 para responder à questão.
TEXTO 06
BOB DYLAN VENCE NOBEL DE LITERATURA
O prêmio Nobel de Literatura 2016 foi atribuído a Bob Dylan, por ele ter criado novas
formas de expressão poética no quadro da grande tradição da música americana, anunciou hoje
(13) a Academia Sueca. Bob Dylan é o nome artístico de Robert Allen Zimmerman, nascido
em 24 de maio de 1941 - compositor, cantor, pintor, ator e escritor norte-americano.
Nascido no estado de Minnesota, neto de imigrantes judeus russos, aos 10 anos Dylan
escreveu seus primeiros poemas e, ainda adolescente, aprendeu piano e guitarra sozinho.
Começou cantando em grupos de rock, imitando Little Richard e Buddy Holly, mas quando foi
para a Universidade de Minnesota em 1959, voltou-se para folk music, impressionado com a
obra musical do lendário cantor folk Woody Guthrie, a quem foi visitar em Nova York em
1961.
Em 2004, foi eleito pela revista Rolling Stone o sétimo maior cantor de todos os tempos e,
pela mesma revista, o segundo melhor artista da música de todos os tempos, ficando atrás
somente dos Beatles. Uma de suas principais canções, Like a Rolling Stones, foi escolhida
como uma das melhores de todos os tempos.
Em 2012 Dylan foi condecorado com a Medalha da Liberdade pelo presidente dos Estados
Unidos Barack Obama.
Autor não informado. Bob Dylan vence Nobel de Literatura (Adaptado). NE 10 – Portal do Sistema Jornal do
Commercio de Comunicação. Disponível em: <http://entretenimento.ne10.uol.com.br/literatura/noticia/2016/10/13/bob-dylan-vence-nobel-de-literatura-
642412.php>. Acesso: 15 out. 2016.
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TEXTO 15
O TRABALHO NA BALANÇA DOS VALORES

O Governo Federal, através do Ministério da Educação (MEC), acaba de criar um modelo institucional absolutamente inovador em termos de proposta político-pedagógica: os Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia. Estas instituições têm suas bases em um conceito de educação profissional e tecnológica sem similar em nenhum outro país. São 38 institutos, com 314 campi espalhados por todo o país, além de várias unidades avançadas, atuando em cursos técnicos (50% das vagas), em sua maioria na forma integrada com o ensino médio, licenciaturas (20% das vagas) e graduações tecnológicas, podendo ainda disponibilizar especializações, mestrados profissionais e doutorados voltados principalmente para a pesquisa aplicada de inovação tecnológica. [...] A estrutura multicampi e a clara definição do território de abrangência das ações dos Institutos Federais afirmam, na missão destas instituições, o compromisso de intervenção em suas respectivas regiões, identificando problemas e criando soluções técnicas e tecnológicas para o desenvolvimento sustentável com inclusão social. Na busca de sintonia com as potencialidades de desenvolvimento regional, os cursos nas novas unidades deverão ser definidos através de audiências públicas e de escuta às representações da sociedade. Na necessária articulação com outras políticas sociais, os Institutos Federais devem buscar a constituição de Observatórios de Políticas Públicas, tornando-as objetos de sua intervenção através das ações de ensino, pesquisa e extensão articulada com as forças sociais da região. É neste sentido que os Institutos Federais constituem um espaço fundamental na construção dos caminhos com vista ao desenvolvimento local e regional. Para tanto, devem ir além da compreensão da educação profissional e tecnológica como mera instrumentalizadora de pessoas para ocupações determinadas por um mercado. Na proposta dos Institutos Federais, agregar à formação acadêmica a preparação para o trabalho (compreendendo-o em seu sentido histórico, mas sem deixar de firmar o seu sentido ontológico) e discutir os princípios das tecnologias a ele concernentes dão luz a elementos essenciais para a definição de um propósito específico para a estrutura curricular da educação profissional e tecnológica. O que se propõem é uma formação contextualizada, banhada de conhecimentos, princípios e valores que potencializam a ação humana na busca de caminhos mais dignos de vida. [...] Inicia-se a construção de uma instituição inovadora, ousada, com um futuro em aberto e, articulando-se com as redes públicas de educação básica, capaz de ser um centro irradiador de boas práticas. Os centros federais de educação tecnológica (CEFET’s), as escolas agrotécnicas federais e as escolas técnicas vinculadas às universidades que aceitaram o desafio desaparecem enquanto tal para se transformarem nos campi espalhados por todo o país, fiadores de um ensino público, gratuito, democrático e de excelência. Com os Institutos Federais iniciamos uma nova fase, abandonando o hábito de reproduzir modelos externos e ousando a inovar a partir de nossas próprias características, experiências e necessidades. (PACHECO, Eliezer. Os Institutos Federais: uma revolução na educação profissional e tecnológica (Trecho). Brasília: MEC/SETEC. 2010. Disponível em: . Acesso em 16/10/2016)
Relacionando o TEXTO 13 com o TEXTO 15, assinale a alternativa INCORRETA.
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As alternativas abaixo mostram o resultado do verbete “trabalho” em um dicionário
etimológico da plataforma wiki (https://pt.wiktionary.org/wiki/trabalho). A única versão que
está rigorosamente CORRETA, quanto ao uso dos sinais de pontuação, é:
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Leia o TEXTO 13 para responder à questão.
TEXTO 13
OS INSTITUTOS FEDERAIS:
UMA REVOLUÇÃO NA EDUCAÇÃO PROFISSIONAL E TECNOLÓGICA

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Leia o TEXTO 12 para responder à questão.
TEXTO 12
QUESTÃO SEMÂNTICA?
Quando polemistas dizem que uma questão é “semântica”, querem dizer que ela é
secundária. Pensam que há uma ‘coisa’ no mundo e que é ela que interessa. Os nomes que a
designam seriam ou irrelevantes ou estariam errados. Políticos e economistas são os militantes
que mais caem nessa armadilha.
Qualquer interessado por questões como a relação entre língua, cultura, linguagem e
ideologia, e – o que pode surpreender – pela linguagem científica, logo percebe que a questão
semântica é fundamental.
Não há como ter acesso às coisas a não ser por meio das palavras. É por essa razão que
cientistas são grandes usuários de metáforas para designar ou explicar ‘fatos’ (é uma forma de
‘aproximá-los’ do conhecimento anterior ou mesmo do senso comum).
Os fatos precisam de uma linguagem para ser expressos. E a linguagem pode enganar. Para
fugir a esse problema, muitos cientistas ‘matematizam’ seus textos, por considerar que assim
evitam o problema, ou que o superam.
Daí por que, de vez em quando, estudiosos, ensaístas, articulistas etc. tentam definir de
novo velhas palavras, que, eles acham, perderam o rumo. Vejamos um exemplo.
No dia 06/06/2014 (Folha de S. Paulo, caderno ‘Mundo’), Marcos Troyjo apresentou sua
avaliação das palavras ‘conservador’ e ‘progressista’. Elencou algumas variações e exemplos.
Essas palavras já opuseram monarquistas a constitucionalistas, escravocratas a burgueses
liberais, disse ele, acrescentando que os conceitos se embaralharam ao longo do tempo. Desfez-se
a oposição entre manter privilégios econômicos e rearrumar as “camadas tectônicas”
do status quo – são outras de suas palavras.
Atualmente, acrescenta, a dualidade reaparece na retórica “progressista”; sua “arenga”
combate injustiças sociais (fruto do conservadorismo, explico ao leitor) e forças da
globalização (nada progressistas; idem). É uma avaliação que ele defenderia como objetiva.
Mas o emprego do termo negativo ‘arenga’ para referir-se à retórica progressista (isto é,
que os outros consideram progressista) denuncia a posição ideológica de Troyjo. Ele não
qualificaria como ‘arenga’ um discurso contrário ao regime político chinês ou cubano ou
venezuelano.
Vejamos um pouco mais de perto a palavra ‘conservador’, consultando um dicionário.
Bons dicionários não só registram mais palavras, como também mais sentidos para cada
palavra – o que, em geral, derruba as teses dos que defendem UM sentido para elas.
É comum que dicionários apresentem como primeiras definições os sentidos mais antigos
ou mais literais. Um exemplo é a primeira definição de ‘conservador’ fornecida pelo
dicionário Houaiss: o que conserva (ver abaixo).
Como o leitor pode não ser um frequentador de dicionários (além de, eventualmente,
pensar que cada palavra tem ou deveria ter só um sentido), transcrevo a totalidade do verbete
em questão do Houaiss e comento alguns aspectos que me parecem os mais relevantes.
Para Troyjo, de certa forma, a melhor definição de ‘conservador’ é a literal, ou alguma
bem próxima (que conserva). Por isso, diz que conservadores adotam posições diferentes
conforme seja diferente a situação que defendem.
Vamos ao verbete ‘conservador’. A definição geral é literal, como se pode ver (sempre que
ocorrer c., leia-se ‘conservador’): o que conserva.
1 o que preserva de alteração, deterioração ou extinção.
1.1 Rubrica: química. substância química adicionada a produtos alimentícios para prevenir
oxidação, fermentação ou outra deterioração usual, inibindo a proliferação de bactérias;
conservante.
2 aquele que defende ideias, valores e costumes ultrapassados e/ou que é contrário a
qualquer alteração da situação que se atravessa, do que é tradicional ou da ordem estabelecida.
Ex.: é um c. em moda.
2.1 (1890) Aquele que defende a manutenção do status quo político-social Ex.: um c. fascista
2.2 Uso: pejorativo. Aquele que propugna pelo autoritarismo e é favorável à tradição, seja
monárquica, eclesiástica ou liberalista nas suas formas burguesa e oligárquica, demonstrando
hostilidade a inovações na moral e nas instituições Ex.: um c. empedernido
2.3 Uso: pejorativo. Membro de partido político conservador ou que apoia a filosofia política
de tais partidos.
2.3.1membro ou apoiante do Partido Conservador inglês.
3 Derivação: por extensão de sentido. Uso: pejorativo. O que é moderado, discreto,
cauteloso.
4 Uso: pejorativo. Quem é tradicional em questões de gosto, elegância, estilo ou maneiras
Ex.: ele é um c. no ramo da alta-costura
5 funcionário superior encarregado da guarda, administração e conservação de bens,
monumentos e objetos pertencentes a instituições, públicas ou privadas, ou ao Estado, como
museus, bibliotecas etc. (Obs.: ver uso a seguir) Ex.: contrataram um novo c. para o museu.
6 funcionário público encarregado do registro de compras, vendas e hipotecas de imóveis
Ex.: os c. do registro civil.
7 Rubrica: termo jurídico. Diacronismo: antigo. juiz que administrava a justiça de uma
corporação e fazia a guarda dos seus privilégios adjetivo
8 que conserva a Ex.:<as virtudes c. do formol> <instinto c.> <princípio c.>
9 caracterizado pela moderação ou prudência a Ex.:<um traje c.> <uma estimativa c.>
10 cujas ideias, valores e costumes são ultrapassados e/ou que é contrário a qualquer alteração do que é tradicional ou da ordem estabelecida a Ex.:<espírito c.> <um político c.>
10 cujas ideias, valores e costumes são ultrapassados e/ou que é contrário a qualquer alteração do que é tradicional ou da ordem estabelecida a Ex.:<espírito c.> <um político c.>
11 Rubrica: linguística. Diz-se de língua ou dialeto que sofreu menos mudanças,
relativamente a outros provindos da mesma língua-mãe.
Perspectiva ideológica
Como se vê, há acepções para quase todos os gostos. Destaco algumas, até porque podem
parecer contraditórias. O sentido 2.1 não é necessariamente uma espécie do ‘gênero’ sentido 2,
como a enumeração dá a entender, porque os sentidos de 2 e de 2.1 são bastante diferentes:
uma coisa é defender ideias ultrapassadas (quem as definiria assim?), outra é defender o status
quo (definição próxima da de Troyjo).
Comparem-se essas acepções com 2.2: nenhuma daquelas têm a ver com defesa do
autoritarismo. Alguém pode defender o status quo de forma democrática e tolerante.
A acepção 10 dá conta de muitos empregos da palavra. É talvez a definição mais abrangente (não importando tanto se é adjetivo ou substantivo). Ela pode valer para questões políticas e também, por exemplo, para a moda (um conservador pode ser contra saias curtas), para direitos iguais para grupos ou pessoas diferentes (cotas na universidade, união civil de homossexuais, acessibilidade especial para portadores de necessidades especiais, por exemplo) ou mesmo para greves ou manifestações de rua.
A acepção 10 dá conta de muitos empregos da palavra. É talvez a definição mais abrangente (não importando tanto se é adjetivo ou substantivo). Ela pode valer para questões políticas e também, por exemplo, para a moda (um conservador pode ser contra saias curtas), para direitos iguais para grupos ou pessoas diferentes (cotas na universidade, união civil de homossexuais, acessibilidade especial para portadores de necessidades especiais, por exemplo) ou mesmo para greves ou manifestações de rua.
Veja-se, por curiosa, talvez, a acepção 3: conservador não dá bandeira, é discreto,
moderado, cauteloso (não usa óculos coloridos e bermudas floridas).
Voltando à coluna de Troyjo: ele defendeu (legitimamente) um dicionário próprio, ou
melhor, de interesse de uma perspectiva ideológica.
Todas as ideologias fazem o mesmo, é claro. O que é fácil de ver, mas difícil de
reconhecer. Cada locutor acredita que sua ideologia não é ideologia e que, portanto, suas
palavras vão diretamente para as coisas.
O caso comentado é só um entre milhares. Quem é ‘terrorista’? Quem é ‘bandido’ e quem
é ‘jovem desajustado’? É uma ‘invasão’ ou uma ‘ocupação’? Foram ‘passeatas’ ou
‘manifestações’? Cogita-se ‘regulação da mídia’ ou ‘censura’? Cada grupo tem que pensar que
é ele que se refere verdadeiramente às coisas.
POSSENTI, Sírio. Questão semântica? Observatório da Imprensa. Disponível em http://observatoriodaimprensa.com.br/jornal-de-debates/_ed833 Acesso em 23 out 2016.
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Leia o TEXTO 07 para responder à questão.
TEXTO 07

No TEXTO 07, a construção do efeito de humor se baseia
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Leia o TEXTO 15 para responder à questão.
TEXTO 15
O TRABALHO NA BALANÇA DOS VALORES

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Leia o TEXTO 08 para responder à questão.
TEXTO 08
UMA ESPERANÇA
Aqui em casa pousou uma esperança. Não a clássica, que tantas vezes verifica-se ser
ilusória, embora mesmo assim nos sustente sempre. Mas a outra, bem concreta e verde: o
inseto.
Houve um grito abafado de um de meus filhos:
- Uma esperança! E na parede, bem em cima de sua cadeira!
Emoção dele também que unia em uma só as duas esperanças, já tem idade para isso.
Antes surpresa minha: esperança é coisa secreta e costuma pousar diretamente em mim, sem
ninguém saber, e não acima de minha cabeça numa parede. Pequeno rebuliço: mas era
indubitável, lá estava ela, e mais magra e verde não poderia ser.
[...]
(LISPECTOR, Clarice. Uma esperança (trecho). In: Felicidade Clandestina (contos). Rio de Janeiro: Rocco, 2009.)
I. A esperança não deveria ter pousado e pousou. – Adição. II. A emoção do meu filho foi grande, mesmo que tenha unido as duas esperanças. – Conformidade. III. Se bem que a esperança clássica verifique-se ser ilusória, nos sustenta sempre. – Concessão. IV. O inseto é tão concreto e verde que se diferencia da esperança clássica. – Comparação. V. Consoante era indubitável, a esperança causou um pequeno rebuliço. – Conformidade.
Estão CORRETAS, apenas, as proposições
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Leia o TEXTO para responder à questão.
CUIDADO COM OS REVIZORES
Todo escritor convive com um terror permanente: o do erro de revisão. O revisor é a
pessoa mais importante na vida de quem escreve. Ele tem o poder de vida ou de morte
profissional sobre o autor. A inclusão ou omissão de uma letra ou vírgula no que sai impresso
pode decidir se o autor vai ser entendido ou não, admirado ou ridicularizado, consagrado ou
processado. Todo texto tem, na verdade, dois autores: quem o escreveu e quem o revisou. Toda
vez que manda um texto para ser publicado, o autor se coloca nas mãos do revisor, esperando
que seu parceiro não falhe. Não há escritor que não empregue palavras como, por exemplo:
“ônus” ou “carvalho” e depois fique metaforicamente de malas feitas, pronto para fugir do país
se as palavras não saírem impressas como no original, por um lapso do revisor. Ou por
sabotagem.
Sim, porque a paranoia autoral não tem limites. Muitos autores acreditam firmemente que
existe uma conspiração de revisores contra eles. Quando os revisores não deixam passar erros
de composição (hoje em dia, de digitação), fazem pior: não corrigem os erros ortográficos e
gramaticais do próprio autor, deixando-o entregue às consequências dos seus próprios pecados
de concordância, das suas crases indevidas e pronomes fora do lugar. O que é uma ignomínia.
Ou será ignomia? Enfim, não se faz.
Pode-se imaginar o que uma conspiração organizada, internacional, de revisores
significaria para a nossa civilização. Os revisores só não dominam o mundo porque ainda não
se deram conta do poder que têm. Eles desestabilizariam qualquer regime com acentos
indevidos e pontuações maliciosas, além de decretos oficiais ininteligíveis. Grandes jornais
seriam levados à falência por difamações involuntárias, exércitos inteiros seriam imobilizados
por manuais de instrução militar sutilmente alterados, gerações de estudantes seriam
desencaminhadas por cartilhas ambíguas e fórmulas de química incompletas. E os efeitos de
uma revisão subversiva na instrução médica são terríveis demais para contemplar.
Existe um exemplo histórico do que a revisão desatenta – ou mal-intencionada – pode
fazer. Uma das edições da Versão Autorizada da Bíblia publicada na Inglaterra por iniciativa
do rei James I, no século XVII, ficou conhecida como a “Bíblia Má”, porque a injunção “Não
cometerás adultério” saiu, por um erro de impressão, sem o “não”. Ninguém sabe se o volume
de adultérios entre os cristãos de fala inglesa aumentou em decorrência dessa inesperada sanção
bíblica até descobrirem o erro, ou se o impressor e o revisor foram atirados numa fogueira
juntos, mas o fato prova que nem a palavra de Deus está livre do poder dos revisores.
A mesma bíblia do rei James serve como um alerta (ou como o incentivo, dependendo de
como se entender a história) para a possibilidade que o revisor tem de interferir no texto. O
objetivo de James I era fazer uma versão definitiva da Bíblia em inglês, com aprovação real,
para substituir todas as outras traduções da época, principalmente as que mostravam uma certa
simpatia republicana nas entrelinhas como a Bíblia de Genebra, feita por calvinistas e adotada
pelos puritanos ingleses, e que é a única Bíblia da História em que Adão e Eva vestem calções.
Para isso, James reuniu um time dividido entre os que cuidariam do Velho e do Novo
Testamento, das partes proféticas e das partes poéticas, etc. Especula-se que as traduções dos
trechos poéticos teriam sido distribuídas entre os poetas praticantes da época, para revisarem e,
se fosse o caso, melhorarem, desde que não traíssem o original. Entre os poetas em atividade na
Inglaterra de James I estava William Shakespeare. O que explicaria o fato de o nome de
Shakespeare aparecer no Salmo 46 – “shake” é a 46ª palavra do salmo a contar do começo,
“speare” a 46ª a contar do fim. Na tarefa de revisor, e incerto sobre a sua permanência na
História como sonetista ou dramaturgo, Shakespeare teria inserido seu nome clandestina e
disfarçadamente numa obra que sem dúvida sobreviveria aos séculos. (Infelizmente, diz
Anthony Burgess, em cujo livro “A mouthful of air” a encontrei, há pouca probabilidade de
esta história ser verdadeira. De qualquer maneira, vale para ilustrar a tentação que todo revisor
deve sentir de deixar sua marca, como grafite, na criação alheia.)
Não posso me queixar dos revisores. Fora a vontade de reuni-los em algum lugar, fechar a
porta e dizer “Vamos resolver de uma vez por todas a questão da colocação das vírgulas,
mesmo que haja mortos”, acho que me têm tratado bem. Até me protegem. Costumo atirar os
pronomes numa frase e deixá-los ficar onde caíram, certo de que o revisor os colocará no lugar
adequado. Sempre deixo a crase ao arbítrio deles, que a usem se acharem que devem. E jamais
uso a palavra “medra”, para livrá-los da tentação.
VERÍSSIMO, Luís Fernando. Cuidado com os revizores. VIP Exame, mar. 1995, p. 36-37.
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Leia o TEXTO 02 para responder à questão.
TEXTO 02
FAZER CONTAS DE CABEÇA É BOM PARA O SEU EMOCIONAL
Você já deve ter ouvido a expressão "frio e calculista" sendo usada para descrever alguém
que não demonstra nenhuma emoção. Mas um novo estudo da Universidade Duke, nos Estados
Unidos, mostra que a inteligência emocional e a habilidade de fazer contas mentais são mais
conectadas do que imaginávamos.
Para a neurociência, o exercício cerebral de fazer cálculos matemáticos era chamado de
"controle executivo frio", porque era totalmente desassociado das emoções. Agora,
pesquisadores encontraram as primeiras evidências de que, pelo menos no cérebro, esse
processo é mais "quente" do que a gente imaginava.
Eles recrutaram 186 estudantes universitários, que passaram por ressonâncias magnéticas
enquanto resolviam, de cabeça, alguns problemas da matemática. Cálculos como esse ativam a
memória e estimulam uma área do cérebro chamada de córtex pré-frontal dorsolateral. Além
disso, os participantes precisavam contar como lidaram com seus problemas mais recentes
como “bombar” em uma matéria na faculdade - e como estava sua saúde mental.
Quando analisaram os resultados, os cientistas perceberam que os participantes que tinham
o córtex pré-frontal dorsolateral mais ativos também usavam uma estratégia muito inteligente
para controlar suas emoções. De acordo com os relatos dos estudantes que tinham o cérebro
mais estimulado pelas contas matemáticas, quando eles tinham problemas como repetir uma
matéria na faculdade, a estratégia que usavam era muito parecida com o que psicólogos
cognitivo-comportamentais chamam de reavaliação cognitiva.
Funciona assim: ao invés de focar na sensação negativa que aquele problema causa, a
pessoa tenta analisar e processar o problema, adaptando as emoções associadas a esse
acontecimento e tornando-as mais positivas (e aí, à nota baixa acrescenta-se a motivação e o
desafio da superação, por exemplo). Quem usava esse tipo de regulação emocional também
apresentou níveis mais baixos de ansiedade e depressão.
Segundo o artigo, a gestão das emoções depende de três fatores: construir expectativas, ser
capaz de enxergar uma série de explicações alternativas e fazer análises racionais antes de sair
fazendo julgamentos - habilidades necessárias também nas contas matemáticas. "Nossa
pesquisa mostra a primeira evidência direta de que nossa habilidade de regular emoções como
medo ou raiva reflete a capacidade do cérebro de fazer cálculos numéricos mentalmente", falou
Matthew Scult, autor do estudo.
Só que o estudo tem a famosa limitação das correlações: não dá para saber que fator
causou o outro. Ou seja: pode ser que pessoas que já têm uma melhor regulação emocional
sejam melhores em fazer cálculos matemáticos mentais. A solução que os pesquisadores
querem adotar é acompanhar crianças até a vida adulta e ver qual das habilidades se apresenta
primeiro.
(LEONARDI, Ana Carolina. Fazer contas de cabeça é bom para o seu emocional (Adaptado). Revista
Superinteressante. Disponível em: <http://super.abril.com.br/comportamento/fazer-contas-de-cabeca-e-bom-para-oseu-emocional>.
Acesso: 12 out. 2016.)
I. Em “porque era totalmente desassociado das emoções” (2º parágrafo), se os vocábulos destacados fossem colocados no plural concordariam com “cálculos matemáticos”, desse modo, a correção gramatical e o sentido do trecho seriam mantidos. II. Em “os participantes [...] também usavam uma estratégia muito inteligente para controlar suas emoções” (4º parágrafo), os termos destacados têm o mesmo referente, por isso,ambos deveriam ter sido grafados no plural.
III. Em “a estratégia que usavam era muito parecida com o que psicólogos cognitivo-comportamentais chamam” (4º parágrafo), se o termo destacado fosse trocado por “a”, embora mudasse o referente, a correção gramatical do trecho seria mantida.
IV. No trecho “adaptando as emoções associadas a esse acontecimento e tornando-as mais positivas” (5º parágrafo), a variação em gênero e número das palavras destacadas mudaria o termo ao qual se referem.
V. Em “a gestão das emoções depende de três fatores” (6º parágrafo), os termos destacados poderiam ser pluralizados para concordarem com “emoções” sem que houvesse alteração de sentido do trecho.
Estão CORRETAS, apenas, as proposições
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