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Considere a observação abaixo, do professor Rildo Cosson:
Em uma sociedade letrada como a nossa, as possibilidades de exercício do corpo linguagem pelo uso das palavras são inumeráveis. Há, entretanto, uma que ocupa lugar central. Trata-se da escrita. Praticamente todas as transações humanas de nossa sociedade letrada passam, de uma maneira ou de outra, pela escrita, mesmo aquelas que aparentemente são orais ou imagéticas. É assim com o jornal televisionado com o locutor que lê um texto escrito. É assim com práticas culturais de origem oral como a literatura de cordel, cujos versos são registrados nos folhetos para serem vendidos nas feiras. (COSSON, Rildo. Letramento literário: teoria e prática. 2. ed. São Paulo: Contexto, 2016. p. 16.)
Definindo-se a sociedade contemporânea (“hoje”) como aquela que existe desde a criação da internet até os dias atuais, pode-se afirmar que o texto escrito
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Considere as afirmações a seguir.
I. Tem-se adotado a Semana de Arte Moderna de 1922 como marco inicial do Modernismo brasileiro na literatura, mas não podemos ignorar o forte contexto de efervescência do período, bem como eventos anteriores, como a exposição de Anita Malfatti em 1917 e a polêmica gerada em torno de suas obras.
II. O romance de 1930 é decerto um dos grandes momentos de nossa literatura, articulando grandes obras, escritores de vasta produção, pautas políticas e estéticas. Jorge Amado, Rachel de Queirós, Dyonélio Machado e Graciliano Ramos são alguns dos nomes deste período.
III. Apesar dos trabalhos indeléveis de Clarice Lispector, João Cabral de Melo Neto, Guimarães Rosa, entre outros, não é possível dizer que haja nas produções dos anos 1940 e 1950 algo especialmente novo. Há consenso, portanto, de que o contexto e as produções literárias são muito próximos ao que se viu nos trinta anos anteriores.
Quais estão CORRETAS?
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Leia o excerto abaixo, presente na obra Como funciona a ficção, de James Wood, e assinale a alternativa que apresenta a melhor paráfrase ao seu raciocínio.
Na verdade, estamos presos à narração em primeira e terceira pessoa. A ideia comum é de que existe um contraste entre a narração confiável (a onisciência da terceira pessoa) e a narração não confiável (o narrador não confiável na primeira pessoa, que sabe menos de si do que o leitor acaba sabendo). [...]
Na verdade, a narração em primeira pessoa costuma ser mais confiável que não confiável, e a narração “onisciente” na terceira pessoa costuma ser mais parcial que onisciente. [...]
Até o narrador que não parece confiável costuma ser confiavelmente não confiável.
(WOOD, James. Como funciona a ficção. Trad. Denise Bottmann. São Paulo: Cosac Naify, 2012. p. 19- 20.)
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Considerando a literatura portuguesa anterior ao Romantismo, indique se são verdadeiras ou falsas as seguintes associações entre textos e períodos literários. Assinale a alternativa CORRETA, na sequência de cima para baixo.
( ) CLASSICISMO
“Porém já cinco Sóis eram passados
Que dali nos partíramos, cortando
Os mares nunca de outrem navegados,
Prosperamente os ventos assoprando,
Quando uma noite, estando descuidados
Na cortadora proa vigiando,
Uma nuvem que os ares escurece,
Sobre nossas cabeças aparece.”
(Luís de Camões)
( ) BARROCO
“Tenho ainda outra coisa que advertir, que também é efeito de mau engenho, e são aqueles ditos que chamam agudos, e jogos de palavras, que se acham frequentemente nos prosadores e frequentissimamente nos poetas. Verá V. P. pessoas que cuidam dizer graças e coisas engenhosas, e dizem insípidas ridicularias.”
(Verney)
( ) HUMANISMO
“Em três cousas, assinadamente, achamos, pela mor parte, que el-Rei D. Pedro de Portugal gastava seu tempo. A saber: em fazer justiça e desembargos do Reino; em monte e caça, de que era mui querençoso; e em danças e festas segundo aquele tempo, em que tomava grande sabor, que adur é agora para ser crido.”
(Fernão Lopes)
( ) ARCADISMO
“D. Lancerote – Fagundes, depressa! Vá deitar mais um ovo nos espinafres, que aí vem meu sobrinho D. Tibúrcio, já que sou tão desgraçado que por mais meia hora não chega depois de jantar!
Fagundes – Eu vou, meu Senhor; mas cuido que o noivo a estas horas comerá novilho. (Vai-se)
(Antônio José da Silva)
( ) TROVADORISMO
“Hun tal home sei eu, ai ben talhada,
que por vós ten a sa morte chegada;
vede quem é e seed"en nenbrada;
eu, mia dona.”
(D. Dinis)
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Em obra de referência aos estudos de literatura brasileira, Antonio Candido define desta maneira um sistema literário:
Para compreender em que sentido é tomada a palavra formação, e porque se qualificam de decisivos os momentos estudados, convém principiar distinguindo manifestações literárias, de literatura propriamente dita, considerada aqui um sistema de obras ligadas por denominadores comuns, que permitem reconhecer as notas dominantes duma fase. Estes denominadores são, além das características internas (língua, temas, imagens), certos elementos de natureza social e psíquica, embora literariamente organizados, que se manifestam historicamente e fazem da literatura aspecto orgânico da civilização. Entre eles se distinguem: a existência de um conjunto de produtores literários, mais ou menos conscientes do seu papel; um conjunto de receptores, formando os diferentes tipos de público, sem os quais a obra não vive; um mecanismo transmissor (de modo geral, uma linguagem, traduzida em estilos), que liga uns a outros. (CANDIDO, Antonio. Formação da literatura brasileira: momentos decisivos. 6. ed. Belo Horizonte: Editora Itatiaia Ltda., 2000. p. 23. [grifos do autor]).
A partir desta definição, qual dos exemplos abaixo NÃO poderia ser considerado um “denominador comum” de um sistema literário devidamente formado?
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INSTRUÇÃO: Para responder às questões de 11 a 18, considere o texto abaixo.
1 Desde a primeira vez em que amanheceu nos portões da Expointer, em 1991, dizem que ele é
2 louco. Amanheceu estropiado e faminto. Tinha 15 anos. Vinha de Uruguaiana. Um pouco a pé, um
3 pouco espremido no meio dos bichos em alguma cacunda de caminhão. Levou três dias para chegar.
4 Chegou.
5 Amanheceu nos portões da Expointer com um cabo de vassoura. Apresentou-o como seu
6 cavalo. Pediu atestado sanitário para que o animal botasse os cascos na feira. Demonstrou todos os
7 movimentos do Freio de Ouro, o grande prêmio da raça crioula, evolucionando com seu cavalo de pau.
8 E assim inaugurou sua participação na grande festa do Rio Grande.
9 Seu nome, Vanderlei Ferreira. Filho de pobre, jamais foi à escola. Mas frequenta a Faculdade
10 de Zootecnia. Todo ano lhe raspam a cabeça como se fosse bixo. Assiste às aulas, às vezes faz até
11 prova. Se fosse levar a vida a sério, descobriria que é analfabeto. Como decidiu que a distância entre a
12 realidade e a liberdade é um cabo de vassoura, vai se formar doutor.
13 [...]
14 Desde que descobriu a Expointer, nunca falhou uma. Chega com fedor de bicho, os piolhos
15 pastando pela cabeça. Os veterinários lhe dão um banho, desinfetam o couro e acaba até presenteado
16 com um par de botas. Chapéu, bombacha e churrasco vai ganhando de outros padrinhos espraiados
17 pela exposição. Veste um jaleco branco de veterinário e sai com uma planilha debaixo do braço. Dorme
18 numa cocheira do galpão do isolamento, entre éguas e touros doentes. Gasta o dia cavalgando pelas
19 ruas e avenidas da feira. Ou deixa o cavalo relinchando na porta de algum expositor e vai declamar nos
20 ouvidos de uma prenda: “Os patos perdem as penas, os peixes perdem as escamas, e eu perco tempo
21 amando quem não me ama...”.
22 Quando corcoveia sobre o lombo de pau do seu cavalo, o povo ri, se diverte. O dito louco
23 também ri muito, por dentro e por fora. Não se sabe quem ri mais, se a plateia, se o suposto doido. Nem
24 se sabe de quem será a derradeira gargalhada.
25 [...]
26 – s vezes você dorme nos carros, no posto de gasolina. O que você fica pensando?
27 – Penso que estou numa estância com a minha prenda.
28 – Você nunca trabalhou como peão?
29 – Comecei a trabalhar, mas queriam que eu levantasse às 4h pra fazer coisa que podia fazer às
30 6h. Não deu certo.
31 – Não é boa a vida de peão?
32 – É muito difícil. O cara sofre, se machuca e ainda por cima ganha pouco. Não quero ser peão.
33 Quero ser veterinário.
34 – Você vai à faculdade?
35 – Assisto às aulas, aprendo de tudo um pouco. Mas não sei ler nem escrever. Só números.
36 – Quando você chegou à Expointer dessa última vez?
37 – Cheguei na sexta passada. Vim de caminhão, com touros de raça. Sobrava um lugarzinho.
38 – E quando a Expointer acaba?
39 – Me dá uma tristeza no coração.
40 – Como é essa tristeza?
41 – É uma tristeza funda.
42 – Como você vai embora?
43 – Vou triste, deitado, pensativo. Volto com os bichos.
44 – Você só anda a cavalo na Expointer?
45 – Nunca andei a pé.
46 – Você já montou num cavalo de verdade?
47 – Uma vez.
48 – E o que achou?
49 – É bem melhor do que um cabo de vassoura.
50 – Você sabe que isso é uma fantasia, que o cavalo é um cabo de vassoura. E mesmo assim
51 galopa por aí num cavalo de pau. Por quê?
52 – Sem invenção a vida fica sem graça. Fica tudo muito difícil.
53 – Tem gente que acha que você é louco...
54 – A verdade é que quem acha que eu sou louco não raciocina.
BRUM, Eliane. O gaúcho do cavalo de pau. In: ______. A vida que ninguém vê. Porto Alegre:
Arquipélago Editorial, 2006. p. 106-110. (adaptado)
Considere as afirmações a seguir sobre elementos presentes no diálogo do texto.
I. No primeiro enunciado da linha 26, a utilização da expressão “às vezes” aciona uma implicatura conversacional que veicula a ideia de que nem sempre Vanderlei Ferreira dorme nos carros, no posto de gasolina.
II. Tomando como adequada a resposta na linha 39 à pergunta da linha 38, pode-se afirmar que a compreensão dessa pergunta depende exclusivamente da identificação do constituinte interrogado, sem a necessidade de considerar elementos contextuais.
III. Na linha 43, os dois enunciados apresentados como resposta à questão da linha 42 evidenciam que essa questão pode ter mais de um sentido.
Quais estão CORRETAS?
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INSTRUÇÃO: Para responder às questões de 11 a 18, considere o texto abaixo.
1 Desde a primeira vez em que amanheceu nos portões da Expointer, em 1991, dizem que ele é
2 louco. Amanheceu estropiado e faminto. Tinha 15 anos. Vinha de Uruguaiana. Um pouco a pé, um
3 pouco espremido no meio dos bichos em alguma cacunda de caminhão. Levou três dias para chegar.
4 Chegou.
5 Amanheceu nos portões da Expointer com um cabo de vassoura. Apresentou-o como seu
6 cavalo. Pediu atestado sanitário para que o animal botasse os cascos na feira. Demonstrou todos os
7 movimentos do Freio de Ouro, o grande prêmio da raça crioula, evolucionando com seu cavalo de pau.
8 E assim inaugurou sua participação na grande festa do Rio Grande.
9 Seu nome, Vanderlei Ferreira. Filho de pobre, jamais foi à escola. Mas frequenta a Faculdade
10 de Zootecnia. Todo ano lhe raspam a cabeça como se fosse bixo. Assiste às aulas, às vezes faz até
11 prova. Se fosse levar a vida a sério, descobriria que é analfabeto. Como decidiu que a distância entre a
12 realidade e a liberdade é um cabo de vassoura, vai se formar doutor.
13 [...]
14 Desde que descobriu a Expointer, nunca falhou uma. Chega com fedor de bicho, os piolhos
15 pastando pela cabeça. Os veterinários lhe dão um banho, desinfetam o couro e acaba até presenteado
16 com um par de botas. Chapéu, bombacha e churrasco vai ganhando de outros padrinhos espraiados
17 pela exposição. Veste um jaleco branco de veterinário e sai com uma planilha debaixo do braço. Dorme
18 numa cocheira do galpão do isolamento, entre éguas e touros doentes. Gasta o dia cavalgando pelas
19 ruas e avenidas da feira. Ou deixa o cavalo relinchando na porta de algum expositor e vai declamar nos
20 ouvidos de uma prenda: “Os patos perdem as penas, os peixes perdem as escamas, e eu perco tempo
21 amando quem não me ama...”.
22 Quando corcoveia sobre o lombo de pau do seu cavalo, o povo ri, se diverte. O dito louco
23 também ri muito, por dentro e por fora. Não se sabe quem ri mais, se a plateia, se o suposto doido. Nem
24 se sabe de quem será a derradeira gargalhada.
25 [...]
26 – s vezes você dorme nos carros, no posto de gasolina. O que você fica pensando?
27 – Penso que estou numa estância com a minha prenda.
28 – Você nunca trabalhou como peão?
29 – Comecei a trabalhar, mas queriam que eu levantasse às 4h pra fazer coisa que podia fazer às
30 6h. Não deu certo.
31 – Não é boa a vida de peão?
32 – É muito difícil. O cara sofre, se machuca e ainda por cima ganha pouco. Não quero ser peão.
33 Quero ser veterinário.
34 – Você vai à faculdade?
35 – Assisto às aulas, aprendo de tudo um pouco. Mas não sei ler nem escrever. Só números.
36 – Quando você chegou à Expointer dessa última vez?
37 – Cheguei na sexta passada. Vim de caminhão, com touros de raça. Sobrava um lugarzinho.
38 – E quando a Expointer acaba?
39 – Me dá uma tristeza no coração.
40 – Como é essa tristeza?
41 – É uma tristeza funda.
42 – Como você vai embora?
43 – Vou triste, deitado, pensativo. Volto com os bichos.
44 – Você só anda a cavalo na Expointer?
45 – Nunca andei a pé.
46 – Você já montou num cavalo de verdade?
47 – Uma vez.
48 – E o que achou?
49 – É bem melhor do que um cabo de vassoura.
50 – Você sabe que isso é uma fantasia, que o cavalo é um cabo de vassoura. E mesmo assim
51 galopa por aí num cavalo de pau. Por quê?
52 – Sem invenção a vida fica sem graça. Fica tudo muito difícil.
53 – Tem gente que acha que você é louco...
54 – A verdade é que quem acha que eu sou louco não raciocina.
BRUM, Eliane. O gaúcho do cavalo de pau. In: ______. A vida que ninguém vê. Porto Alegre:
Arquipélago Editorial, 2006. p. 106-110. (adaptado)
Assinale a afirmação CORRETA sobre pontuação.
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INSTRUÇÃO: Para responder às questões de 11 a 18, considere o texto abaixo.
1 Desde a primeira vez em que amanheceu nos portões da Expointer, em 1991, dizem que ele é
2 louco. Amanheceu estropiado e faminto. Tinha 15 anos. Vinha de Uruguaiana. Um pouco a pé, um
3 pouco espremido no meio dos bichos em alguma cacunda de caminhão. Levou três dias para chegar.
4 Chegou.
5 Amanheceu nos portões da Expointer com um cabo de vassoura. Apresentou-o como seu
6 cavalo. Pediu atestado sanitário para que o animal botasse os cascos na feira. Demonstrou todos os
7 movimentos do Freio de Ouro, o grande prêmio da raça crioula, evolucionando com seu cavalo de pau.
8 E assim inaugurou sua participação na grande festa do Rio Grande.
9 Seu nome, Vanderlei Ferreira. Filho de pobre, jamais foi à escola. Mas frequenta a Faculdade
10 de Zootecnia. Todo ano lhe raspam a cabeça como se fosse bixo. Assiste às aulas, às vezes faz até
11 prova. Se fosse levar a vida a sério, descobriria que é analfabeto. Como decidiu que a distância entre a
12 realidade e a liberdade é um cabo de vassoura, vai se formar doutor.
13 [...]
14 Desde que descobriu a Expointer, nunca falhou uma. Chega com fedor de bicho, os piolhos
15 pastando pela cabeça. Os veterinários lhe dão um banho, desinfetam o couro e acaba até presenteado
16 com um par de botas. Chapéu, bombacha e churrasco vai ganhando de outros padrinhos espraiados
17 pela exposição. Veste um jaleco branco de veterinário e sai com uma planilha debaixo do braço. Dorme
18 numa cocheira do galpão do isolamento, entre éguas e touros doentes. Gasta o dia cavalgando pelas
19 ruas e avenidas da feira. Ou deixa o cavalo relinchando na porta de algum expositor e vai declamar nos
20 ouvidos de uma prenda: “Os patos perdem as penas, os peixes perdem as escamas, e eu perco tempo
21 amando quem não me ama...”.
22 Quando corcoveia sobre o lombo de pau do seu cavalo, o povo ri, se diverte. O dito louco
23 também ri muito, por dentro e por fora. Não se sabe quem ri mais, se a plateia, se o suposto doido. Nem
24 se sabe de quem será a derradeira gargalhada.
25 [...]
26 – s vezes você dorme nos carros, no posto de gasolina. O que você fica pensando?
27 – Penso que estou numa estância com a minha prenda.
28 – Você nunca trabalhou como peão?
29 – Comecei a trabalhar, mas queriam que eu levantasse às 4h pra fazer coisa que podia fazer às
30 6h. Não deu certo.
31 – Não é boa a vida de peão?
32 – É muito difícil. O cara sofre, se machuca e ainda por cima ganha pouco. Não quero ser peão.
33 Quero ser veterinário.
34 – Você vai à faculdade?
35 – Assisto às aulas, aprendo de tudo um pouco. Mas não sei ler nem escrever. Só números.
36 – Quando você chegou à Expointer dessa última vez?
37 – Cheguei na sexta passada. Vim de caminhão, com touros de raça. Sobrava um lugarzinho.
38 – E quando a Expointer acaba?
39 – Me dá uma tristeza no coração.
40 – Como é essa tristeza?
41 – É uma tristeza funda.
42 – Como você vai embora?
43 – Vou triste, deitado, pensativo. Volto com os bichos.
44 – Você só anda a cavalo na Expointer?
45 – Nunca andei a pé.
46 – Você já montou num cavalo de verdade?
47 – Uma vez.
48 – E o que achou?
49 – É bem melhor do que um cabo de vassoura.
50 – Você sabe que isso é uma fantasia, que o cavalo é um cabo de vassoura. E mesmo assim
51 galopa por aí num cavalo de pau. Por quê?
52 – Sem invenção a vida fica sem graça. Fica tudo muito difícil.
53 – Tem gente que acha que você é louco...
54 – A verdade é que quem acha que eu sou louco não raciocina.
BRUM, Eliane. O gaúcho do cavalo de pau. In: ______. A vida que ninguém vê. Porto Alegre:
Arquipélago Editorial, 2006. p. 106-110. (adaptado)
Assinale a alternativa em que há ocorrência de conjunção integrante.
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INSTRUÇÃO: Para responder às questões de 11 a 18, considere o texto abaixo.
1 Desde a primeira vez em que amanheceu nos portões da Expointer, em 1991, dizem que ele é
2 louco. Amanheceu estropiado e faminto. Tinha 15 anos. Vinha de Uruguaiana. Um pouco a pé, um
3 pouco espremido no meio dos bichos em alguma cacunda de caminhão. Levou três dias para chegar.
4 Chegou.
5 Amanheceu nos portões da Expointer com um cabo de vassoura. Apresentou-o como seu
6 cavalo. Pediu atestado sanitário para que o animal botasse os cascos na feira. Demonstrou todos os
7 movimentos do Freio de Ouro, o grande prêmio da raça crioula, evolucionando com seu cavalo de pau.
8 E assim inaugurou sua participação na grande festa do Rio Grande.
9 Seu nome, Vanderlei Ferreira. Filho de pobre, jamais foi à escola. Mas frequenta a Faculdade
10 de Zootecnia. Todo ano lhe raspam a cabeça como se fosse bixo. Assiste às aulas, às vezes faz até
11 prova. Se fosse levar a vida a sério, descobriria que é analfabeto. Como decidiu que a distância entre a
12 realidade e a liberdade é um cabo de vassoura, vai se formar doutor.
13 [...]
14 Desde que descobriu a Expointer, nunca falhou uma. Chega com fedor de bicho, os piolhos
15 pastando pela cabeça. Os veterinários lhe dão um banho, desinfetam o couro e acaba até presenteado
16 com um par de botas. Chapéu, bombacha e churrasco vai ganhando de outros padrinhos espraiados
17 pela exposição. Veste um jaleco branco de veterinário e sai com uma planilha debaixo do braço. Dorme
18 numa cocheira do galpão do isolamento, entre éguas e touros doentes. Gasta o dia cavalgando pelas
19 ruas e avenidas da feira. Ou deixa o cavalo relinchando na porta de algum expositor e vai declamar nos
20 ouvidos de uma prenda: “Os patos perdem as penas, os peixes perdem as escamas, e eu perco tempo
21 amando quem não me ama...”.
22 Quando corcoveia sobre o lombo de pau do seu cavalo, o povo ri, se diverte. O dito louco
23 também ri muito, por dentro e por fora. Não se sabe quem ri mais, se a plateia, se o suposto doido. Nem
24 se sabe de quem será a derradeira gargalhada.
25 [...]
26 – s vezes você dorme nos carros, no posto de gasolina. O que você fica pensando?
27 – Penso que estou numa estância com a minha prenda.
28 – Você nunca trabalhou como peão?
29 – Comecei a trabalhar, mas queriam que eu levantasse às 4h pra fazer coisa que podia fazer às
30 6h. Não deu certo.
31 – Não é boa a vida de peão?
32 – É muito difícil. O cara sofre, se machuca e ainda por cima ganha pouco. Não quero ser peão.
33 Quero ser veterinário.
34 – Você vai à faculdade?
35 – Assisto às aulas, aprendo de tudo um pouco. Mas não sei ler nem escrever. Só números.
36 – Quando você chegou à Expointer dessa última vez?
37 – Cheguei na sexta passada. Vim de caminhão, com touros de raça. Sobrava um lugarzinho.
38 – E quando a Expointer acaba?
39 – Me dá uma tristeza no coração.
40 – Como é essa tristeza?
41 – É uma tristeza funda.
42 – Como você vai embora?
43 – Vou triste, deitado, pensativo. Volto com os bichos.
44 – Você só anda a cavalo na Expointer?
45 – Nunca andei a pé.
46 – Você já montou num cavalo de verdade?
47 – Uma vez.
48 – E o que achou?
49 – É bem melhor do que um cabo de vassoura.
50 – Você sabe que isso é uma fantasia, que o cavalo é um cabo de vassoura. E mesmo assim
51 galopa por aí num cavalo de pau. Por quê?
52 – Sem invenção a vida fica sem graça. Fica tudo muito difícil.
53 – Tem gente que acha que você é louco...
54 – A verdade é que quem acha que eu sou louco não raciocina.
BRUM, Eliane. O gaúcho do cavalo de pau. In: ______. A vida que ninguém vê. Porto Alegre:
Arquipélago Editorial, 2006. p. 106-110. (adaptado)
No enunciado “Como decidiu que a distância entre a realidade e a liberdade é um cabo de vassoura, vai se formar doutor” (l. 11-12), a autora do texto chama a atenção para
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INSTRUÇÃO: Para responder às questões de 11 a 18, considere o texto abaixo.
1 Desde a primeira vez em que amanheceu nos portões da Expointer, em 1991, dizem que ele é
2 louco. Amanheceu estropiado e faminto. Tinha 15 anos. Vinha de Uruguaiana. Um pouco a pé, um
3 pouco espremido no meio dos bichos em alguma cacunda de caminhão. Levou três dias para chegar.
4 Chegou.
5 Amanheceu nos portões da Expointer com um cabo de vassoura. Apresentou-o como seu
6 cavalo. Pediu atestado sanitário para que o animal botasse os cascos na feira. Demonstrou todos os
7 movimentos do Freio de Ouro, o grande prêmio da raça crioula, evolucionando com seu cavalo de pau.
8 E assim inaugurou sua participação na grande festa do Rio Grande.
9 Seu nome, Vanderlei Ferreira. Filho de pobre, jamais foi à escola. Mas frequenta a Faculdade
10 de Zootecnia. Todo ano lhe raspam a cabeça como se fosse bixo. Assiste às aulas, às vezes faz até
11 prova. Se fosse levar a vida a sério, descobriria que é analfabeto. Como decidiu que a distância entre a
12 realidade e a liberdade é um cabo de vassoura, vai se formar doutor.
13 [...]
14 Desde que descobriu a Expointer, nunca falhou uma. Chega com fedor de bicho, os piolhos
15 pastando pela cabeça. Os veterinários lhe dão um banho, desinfetam o couro e acaba até presenteado
16 com um par de botas. Chapéu, bombacha e churrasco vai ganhando de outros padrinhos espraiados
17 pela exposição. Veste um jaleco branco de veterinário e sai com uma planilha debaixo do braço. Dorme
18 numa cocheira do galpão do isolamento, entre éguas e touros doentes. Gasta o dia cavalgando pelas
19 ruas e avenidas da feira. Ou deixa o cavalo relinchando na porta de algum expositor e vai declamar nos
20 ouvidos de uma prenda: “Os patos perdem as penas, os peixes perdem as escamas, e eu perco tempo
21 amando quem não me ama...”.
22 Quando corcoveia sobre o lombo de pau do seu cavalo, o povo ri, se diverte. O dito louco
23 também ri muito, por dentro e por fora. Não se sabe quem ri mais, se a plateia, se o suposto doido. Nem
24 se sabe de quem será a derradeira gargalhada.
25 [...]
26 – s vezes você dorme nos carros, no posto de gasolina. O que você fica pensando?
27 – Penso que estou numa estância com a minha prenda.
28 – Você nunca trabalhou como peão?
29 – Comecei a trabalhar, mas queriam que eu levantasse às 4h pra fazer coisa que podia fazer às
30 6h. Não deu certo.
31 – Não é boa a vida de peão?
32 – É muito difícil. O cara sofre, se machuca e ainda por cima ganha pouco. Não quero ser peão.
33 Quero ser veterinário.
34 – Você vai à faculdade?
35 – Assisto às aulas, aprendo de tudo um pouco. Mas não sei ler nem escrever. Só números.
36 – Quando você chegou à Expointer dessa última vez?
37 – Cheguei na sexta passada. Vim de caminhão, com touros de raça. Sobrava um lugarzinho.
38 – E quando a Expointer acaba?
39 – Me dá uma tristeza no coração.
40 – Como é essa tristeza?
41 – É uma tristeza funda.
42 – Como você vai embora?
43 – Vou triste, deitado, pensativo. Volto com os bichos.
44 – Você só anda a cavalo na Expointer?
45 – Nunca andei a pé.
46 – Você já montou num cavalo de verdade?
47 – Uma vez.
48 – E o que achou?
49 – É bem melhor do que um cabo de vassoura.
50 – Você sabe que isso é uma fantasia, que o cavalo é um cabo de vassoura. E mesmo assim
51 galopa por aí num cavalo de pau. Por quê?
52 – Sem invenção a vida fica sem graça. Fica tudo muito difícil.
53 – Tem gente que acha que você é louco...
54 – A verdade é que quem acha que eu sou louco não raciocina.
BRUM, Eliane. O gaúcho do cavalo de pau. In: ______. A vida que ninguém vê. Porto Alegre:
Arquipélago Editorial, 2006. p. 106-110. (adaptado)
Considere as afirmações a seguir sobre a classificação de formas presentes no texto.
I. A forma “como” (l. 10) é uma conjunção subordinativa adverbial comparativa.
II. A expressão “de bicho” (l. 14) é uma locução adjetiva.
III. A forma “suposto” (l. 23) é um adjetivo de modalização epistêmica.
Quais estão CORRETAS?
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