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A Apple fatura vendendo iPhones, iPads e
computadores Macs. A Microsoft fatura vendendo licenças do
sistema Windows ou consoles do videogame XBox 360. O
Google ganha dinheiro com anúncios atrelados a seu serviço
de busca. E o Facebook ganha dinheiro apenas com suas
informações. É o que você posta, escreve, joga, compartilha,
lê, comenta, curte e cutuca que levou a empresa a lucrar
US$ 1 bilhão em 2011. Isso pode transformá-la, agora, na
sétima companhia de tecnologia mais valiosa do mundo.
Quem conseguiu transformar essas informações em
dinheiro foi o jovem americano Mark Zuckerberg, fundador e
principal executivo da empresa. Com apenas 27 anos, ele é
hoje um dos homens mais ricos e influentes do mundo. O
Facebook, criado em 2004 no alojamento de estudantes da
Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, inventou um
negócio com base na oferta de espaço digital (ilimitado e
gratuito) para que os consumidores se relacionem. Em troca,
os dados sobre tudo o que esses consumidores fazem —
tudo o que você faz! — são vendidos às empresas
interessadas em se relacionar com eles, na forma de
anúncios publicitários. Oitenta e cinco por cento do
faturamento de US$ 3,7 bilhões obtido pelo Facebook no ano
passado veio assim. Sistemas inteligentes analisam rios de
dados gerados pelas ações dos usuários e criam cestas de
perfis para quem quiser explorá-los. Como funciona? O
Facebook calcula, por exemplo, quantas mulheres
paulistanas entre 20 e 30 anos acabaram de mudar seu
status de relacionamento para noiva, oferece essa
informação a uma produtora de festas e cria um anúncio para
sair na coluna lateral do perfil das noivas. Da mesma forma,
se alguém curte uma página de comida saudável, pode ser o
cliente ideal para anúncios de vegetais orgânicos. Se posta
vídeos de futebol, se menciona livros de economia, se
comenta sobre mergulhos, se publica fotos das Ilhas Fiji —
as possibilidades de exploração comercial das informações
são infinitas, e todas elas são armazenadas nos bancos de
dados do Facebook. Com o passar do tempo, eles se tornam
verdadeiros oceanos de dados nos quais as empresas
podem pescar o que desejarem saber acerca dos
consumidores.
Até que ponto uma companhia de internet tem o
direito de acompanhar a vida pessoal dos usuários para
desenvolver estratégias de marketing com base nelas? O
Facebook já enfrentou críticas e foi levado aos tribunais pela
forma como atropela os direitos de seus usuários e faz uso
pouco transparente das informações que eles colocam no
site.
Nos últimos anos, as políticas de privacidade e de
direitos dos usuários sofreram várias mudanças unilaterais
por parte do Facebook, sempre na mesma direção — a
publicação indiscriminada das informações que as pessoas
colocam em seus perfis e das mensagens que trocam com
seus amigos no interior do site, e mesmo fora dele.
O objetivo de Zuckerberg com essas constantes
reduções do espaço privado é manter os internautas mais
tempo em suas páginas, conversando e vasculhando os
perfis uns dos outros. Ele percebeu muito cedo, ainda na
universidade, que a maioria de nós temos uma curiosidade
ilimitada sobre os outros e um desejo irrefreável de conversar
e partilhar novidades sobre nós mesmos. Zuckerberg vem
ajudando a moldar uma geração inteira que ficou conhecida
como posto, logo existo — gente incapaz de usufruir um
momento privado sem a antecipação do prazer de partilhá-lo
on-line. É a geração que tem necessidade de colocar no ar,
pelo Facebook, tudo o que faz no dia a dia.
Internet: http://revistaepoca.globo.com (com adaptações). Acesso em 17/3/2012.
“A banalidade e a efemeridade sempre fizeram parte da condição humana”, diz o filósofo Luiz Felipe Pondé. A internet só escancarou essa debilidade. Acredita Pondé que a exposição extrema nas redes sociais tem mais a ver com narcisismo do que com qualquer nova noção de privacidade. “As pessoas escrevem besteiras no Facebook para serem vistas. É só uma questão de autoestima”, diz ele.
Nas alternativas a seguir, há argumentos retirados do texto em estudo. Assinale aquela cujo argumento não serve como respaldo à conclusão do filósofo Luiz Felipe Pondé.
Provas
O conhecimento não está mais no cérebro das
pessoas, mas na rede que interliga os indivíduos pensantes.
Essa é a polêmica tese defendida pelo norte-americano
David Weinberger, da Universidade de Harvard, no livro Too
Big to Know (Grande demais para ser entendido), que acaba
de ser lançado no mercado.
Noutras palavras, o que Weinberger sugere é que não
é mais possível separar os indivíduos das estruturas de
interatividade. A cultura tradicional baseia-se no fato de que o
conhecimento bem como a sabedoria são atributos
exclusivamente humanos, embora se expressem por meio de
escritos, imagens ou sons.
Na era digital e da avalancha informativa, o volume de
conhecimento ganhou proporções ciclópicas e já não pode
mais ser administrado apenas por mentes privilegiadas. O
binômio homem/rede seria a alternativa para processar os
1,27 zetabytes de informação que são atualmente publicados
na Web a cada 12 meses. É o equivalente a 600 quatrilhões
de páginas datilografadas, ou uma quantidade de
documentos 84 milhões de vezes maior que todo o acervo da
Biblioteca do Congresso dos EUA (a maior do mundo).
Cada ser humano teria de ler, por ano, 100 milhões de
páginas datilografadas de 30 linhas para dar conta de tudo o
que é produzido no planeta em matéria de informação. Uma
tarefa impraticável porque significaria ler 11.415 páginas por
hora, dia e noite sem parar, ou 190 por minuto.
Esses números indicam que a mente humana já não é
mais materialmente capaz de dar conta da absorção de tal
quantidade de dados usando apenas os cinco sentidos. Esse
conhecimento, por motivos óbvios, não está mais apenas no
cérebro humano. Ele está também nas redes virtuais que
interconectam os cérebros humanos e disponibilizam os
dados, as informações e os conhecimentos procurados.
Um sábio já não chega a essa condição apenas
absorvendo informação, mas participando de redes. Sem
elas, não passaria de um ser comum.
E se Weinberger estiver certo, a tecnologia torna-se
ainda mais relevante para o conhecimento humano, porque
sem ela até as redes acabarão sendo soterradas pela
avalancha informativa que não para de crescer. Só o material
produzido por empresas, governos, escolas e universidades,
tanto em papel como em formato digital, cresce ao
vertiginoso ritmo de 65% ao ano. Usando o cálculo feito pelo
estudo The Age of Exabytes, em 2013 teríamos de ler quase
mil páginas por hora, ou 316 por minuto.
Se formos pensar em termos de notícias, fica claro,
sem precisar fazer exercícios matemáticos, que é impossível
a um ser humano se dizer bem informado hoje em dia se não
estiver conectado a uma ou mais redes. Não dá para ler
quatro edições completas de um grande jornal em um
minuto.
Internet: http://observatoriodaimprensa.com.br (com adaptações). Acesso em 13/2/2012.
Provas
O espírito de cuidador garante ao ser humano uma
habilidade maior de ser cuidador de si, podendo ser capaz de
se alimentar, manter-se saudável, procurar seus amores, se
dar prazer. E o que é esperado de uma boa educação é que
possamos ajudar as crianças a desenvolver o espírito de
amor-próprio e amor pelo outro, que lhes garanta condições
de encontrar um estado especial de bem-estar. Um bom
exemplo disso é o momento em que introduzimos os
alimentos na vida de nossos filhos. Nas populações mais
antigas, as mulheres mastigam e dão os alimentos retirados
da própria boca a seus filhos. Há tanto carinho em preparar
esses alimentos para que seus filhos consigam saboreá-los,
e devemos lembrar que, para uma criança, os alimentos são
percebidos como pedaços do mundo que são engolidos.
Como se cada cor, cada textura, cada temperatura
proporcionasse uma incrível viagem sensorial refletindo um
ensinamento de que podemos ser amorosos conosco e com
os alimentos, respeitando o que colocamos para dentro de
nós, tendo prazer em nos alimentar — como seres que vivem
e sobrevivem graças à Terra, que nos dá alimentos, água e
ar, e com isso aprendemos a amar e a respeitar o lugar onde
vivemos para que possamos alcançar nossas mais nobres
metas como humanos.
Os cuidados ensinados às crianças de como lavar o
corpo é outro bom exemplo. É uma experiência deliciosa
deixarmos o convívio com o ar e partirmos para o mundo das
águas. A imersão é uma experiência regressiva uterina
prazerosa por si e, quando acompanhada de um toque
amoroso cedido pelos pais e cuidadores, pode ser um dos
melhores momentos do dia. Banhos feitos em balde para
recém-nascidos proporcionam uma leveza corporal na água
que trazem imediatamente a memória corporal da vida
intrauterina. Quanto prazer para esse bebê!
Poder viver em paz com o ar, a terra, o fogo e a
água... Tão simples, tão especial e, muitas vezes, tão difícil.
Quando os cuidadores apresentam um mundo de belezas e
respeito ao poder desses quatro elementos, com certeza a
vida da criança poderá ser mais fácil e gostosa. A magia está
em poder lidar com habilidade com eles todos. E é natural
que as crianças queiram explorá-los e conquistá-los.
Carlos Eduardo de Carvalho Corrêa. Cuidados com a vida. In: 7.º Concurso Cultural Eco – Ler é preciso. Biblioteca Virtual Eco Futuro, 2010 (com adaptações).
Provas
A violência intrafamiliar e institucional sempre afetou a
saúde e a qualidade de vida de milhares de crianças e jovens
no Brasil. Em nosso país, formas agressivas e cruéis de se
relacionar são frequentemente usadas por pais, educadores
e responsáveis por abrigos ou internatos como estratégias
para educar e para corrigir erros de comportamento de
crianças e adolescentes. Mas está reconhecido
cientificamente que essa mentalidade e esse tipo de atuação,
além de serem contraproducentes, são nocivos. Bater, ferir,
violar, menosprezar, negligenciar e abusar são verbos que
não devem ser usados no trato da infância e da adolescência
por vários motivos:
• muitos estudos mostram que a violência, da qual a
pessoa é vítima nos primeiros anos de vida, deixa sequelas
por toda a existência;
• a criança e o jovem não são objeto ou propriedade dos
pais ou de qualquer adulto; e sim, sujeitos de direitos
especiais reconhecidos pela Constituição brasileira e pelo
Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA);
• essa violência que ocorre silenciosamente dentro das
famílias e na sociedade, como se fosse um fenômeno banal,
é potencializadora da violência social em geral;
• as pessoas vítimas de violência na infância podem
repeti-la quando se tornam adultas, especialmente com seus
próprios filhos ou com outras crianças e adolescentes com os
quais se relacionam socialmente.
Enfim, quando a violência é uma forma de relação que
se estabelece no interior das famílias ou na convivência
social, é preciso denunciá-la e “desnaturalizá-la”, tratando-a
como um problema a ser resolvido, buscando formas
“civilizadas” de trabalhar com os conflitos. Nunca é demais
lembrar que os conflitos são normais e até desejáveis na
sociedade, pois indicam a pluralidade de visões, de desejos e
projetos. O mal, portanto, não está em expressá-los, mas em
suprimir a oportunidade do debate, do diálogo e do exercício
da tolerância. No caso das crianças e dos adolescentes,
geralmente os pais, responsáveis e adultos tendem a acabar
com as divergências de ideias e de comportamentos e com o
conflito de gerações por meio da dominação adultocêntrica,
da imposição de sua vontade, ou por meio de gestos e ações
violentos.
Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Assistência à Saúde. Notificação de maus-tratos contra crianças e adolescentes pelos profissionais de saúde: um passo a mais na cidadania em saúde. Brasília: Ministério da Saúde, 2002, p. 10-1 (com adaptações).
Provas
Por que motivo você liga o computador e acessa a
Internet? Pesquisa realizada pela agência americana Pew
Research Center concluiu que mais da metade dos jovens
fica on-line sem razão nenhuma, apenas para passar o
tempo. Entre os entrevistados de 18 a 29 anos, 53% se
encontram nessa situação.
O estudo descobriu que a quantidade de tempo que a
pessoa passa navegando na Web sem fazer nada está
relacionada à idade. Apenas 12% dos internautas maiores de
anos disseram que, no dia anterior à pesquisa, ligaram o
computador por nenhuma razão. Entre os entrevistados
de 50 a 64 anos, 27% declararam a mesma coisa.
Em termos gerais, 58% dos 2.260 entrevistados
afirmaram usar a Internet às vezes apenas para passar o
tempo ou divertir-se. A pesquisa, porém, não definiu quais
atividades se encaixam no termo “divertir-se”.
Internet: http://revistagalileu.globo.com (com adaptações). Acesso em 3/1/2012.
Provas
O conhecimento não está mais no cérebro das
pessoas, mas na rede que interliga os indivíduos pensantes.
Essa é a polêmica tese defendida pelo norte-americano
David Weinberger, da Universidade de Harvard, no livro Too
Big to Know (Grande demais para ser entendido), que acaba
de ser lançado no mercado.
Noutras palavras, o que Weinberger sugere é que não
é mais possível separar os indivíduos das estruturas de
interatividade. A cultura tradicional baseia-se no fato de que o
conhecimento bem como a sabedoria são atributos
exclusivamente humanos, embora se expressem por meio de
escritos, imagens ou sons.
Na era digital e da avalancha informativa, o volume de
conhecimento ganhou proporções ciclópicas e já não pode
mais ser administrado apenas por mentes privilegiadas. O
binômio homem/rede seria a alternativa para processar os
1,27 zetabytes de informação que são atualmente publicados
na Web a cada 12 meses. É o equivalente a 600 quatrilhões
de páginas datilografadas, ou uma quantidade de
documentos 84 milhões de vezes maior que todo o acervo da
Biblioteca do Congresso dos EUA (a maior do mundo).
Cada ser humano teria de ler, por ano, 100 milhões de
páginas datilografadas de 30 linhas para dar conta de tudo o
que é produzido no planeta em matéria de informação. Uma
tarefa impraticável porque significaria ler 11.415 páginas por
hora, dia e noite sem parar, ou 190 por minuto.
Esses números indicam que a mente humana já não é
mais materialmente capaz de dar conta da absorção de tal
quantidade de dados usando apenas os cinco sentidos. Esse
conhecimento, por motivos óbvios, não está mais apenas no
cérebro humano. Ele está também nas redes virtuais que
interconectam os cérebros humanos e disponibilizam os
dados, as informações e os conhecimentos procurados.
Um sábio já não chega a essa condição apenas
absorvendo informação, mas participando de redes. Sem
elas, não passaria de um ser comum.
E se Weinberger estiver certo, a tecnologia torna-se
ainda mais relevante para o conhecimento humano, porque
sem ela até as redes acabarão sendo soterradas pela
avalancha informativa que não para de crescer. Só o material
produzido por empresas, governos, escolas e universidades,
tanto em papel como em formato digital, cresce ao
vertiginoso ritmo de 65% ao ano. Usando o cálculo feito pelo
estudo The Age of Exabytes, em 2013 teríamos de ler quase
mil páginas por hora, ou 316 por minuto.
Se formos pensar em termos de notícias, fica claro,
sem precisar fazer exercícios matemáticos, que é impossível
a um ser humano se dizer bem informado hoje em dia se não
estiver conectado a uma ou mais redes. Não dá para ler
quatro edições completas de um grande jornal em um
minuto.
Internet: http://observatoriodaimprensa.com.br (com adaptações). Acesso em 13/2/2012.
Provas
No Brasil, algumas práticas de crueldade com animal,
como as rinhas de galo e a farra do boi, são consideradas
ilegais e punidas com cadeia. Mas há um tipo de violência
contra bichos quase ignorada pelas autoridades e pela
Justiça: os maus-tratos contra cães, gatos e outros animais
de estimação.
Um caso que ficou bastante conhecido foi um vídeo
publicado na Internet em 14 de dezembro de 2011,
mostrando um pequeno cão yorkshire espancado por uma
mulher em Formosa, no interior de Goiás. A violência foi
presenciada por uma criança pequena, supostamente a filha
da agressora. Segundo a polícia, o cão morreu. Também os
casos de Titã, enterrado vivo em Novo Horizonte, e Lobo, o
rottweiler que morreu depois de ser amarrado a um carro e
arrastado pelo próprio dono em Piracicaba, ambos em São
Paulo, chamaram atenção. Infelizmente, esses não são
episódios isolados.
No canil que Claudia Demarchi, presidente da ONG
Clube dos Vira-Latas, de Ribeirão Pires, coordena há sete
anos, ela cuida de aproximadamente 500 cães. Entre eles há
vários “Titãs” e “Lobos”, animais mutilados e traumatizados
pela crueldade dos homens.
O cão Toni, por exemplo, foi arrastado pelo dono, tal
como Lobo. Ele perdeu parte da pata esquerda e, há um ano,
recebe tratamento no Clube dos Vira-Latas. O pitbull
Ezequiel teve as duas patas dianteiras quebradas e os olhos
queimados com cigarro. Brutos ficou 11 anos amarrado a
uma corda de pouco mais de um metro na laje de casa.
Quando foi resgatado com apoio da polícia, mal conseguia
andar. A mascote do lugar, Fraldinha, foi jogada em um rio
com a coluna quebrada. Hoje, ela se locomove com o auxílio
de uma cadeira de rodas.
Internet: http://veja.abril.com.br (com adaptações).
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A Apple fatura vendendo iPhones, iPads e
computadores Macs. A Microsoft fatura vendendo licenças do
sistema Windows ou consoles do videogame XBox 360. O
Google ganha dinheiro com anúncios atrelados a seu serviço
de busca. E o Facebook ganha dinheiro apenas com suas
informações. É o que você posta, escreve, joga, compartilha,
lê, comenta, curte e cutuca que levou a empresa a lucrar
US$ 1 bilhão em 2011. Isso pode transformá-la, agora, na
sétima companhia de tecnologia mais valiosa do mundo.
Quem conseguiu transformar essas informações em
dinheiro foi o jovem americano Mark Zuckerberg, fundador e
principal executivo da empresa. Com apenas 27 anos, ele é
hoje um dos homens mais ricos e influentes do mundo. O
Facebook, criado em 2004 no alojamento de estudantes da
Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, inventou um
negócio com base na oferta de espaço digital (ilimitado e
gratuito) para que os consumidores se relacionem. Em troca,
os dados sobre tudo o que esses consumidores fazem —
tudo o que você faz! — são vendidos às empresas
interessadas em se relacionar com eles, na forma de
anúncios publicitários. Oitenta e cinco por cento do
faturamento de US$ 3,7 bilhões obtido pelo Facebook no ano
passado veio assim. Sistemas inteligentes analisam rios de
dados gerados pelas ações dos usuários e criam cestas de
perfis para quem quiser explorá-los. Como funciona? O
Facebook calcula, por exemplo, quantas mulheres
paulistanas entre 20 e 30 anos acabaram de mudar seu
status de relacionamento para noiva, oferece essa
informação a uma produtora de festas e cria um anúncio para
sair na coluna lateral do perfil das noivas. Da mesma forma,
se alguém curte uma página de comida saudável, pode ser o
cliente ideal para anúncios de vegetais orgânicos. Se posta
vídeos de futebol, se menciona livros de economia, se
comenta sobre mergulhos, se publica fotos das Ilhas Fiji —
as possibilidades de exploração comercial das informações
são infinitas, e todas elas são armazenadas nos bancos de
dados do Facebook. Com o passar do tempo, eles se tornam
verdadeiros oceanos de dados nos quais as empresas
podem pescar o que desejarem saber acerca dos
consumidores.
Até que ponto uma companhia de internet tem o
direito de acompanhar a vida pessoal dos usuários para
desenvolver estratégias de marketing com base nelas? O
Facebook já enfrentou críticas e foi levado aos tribunais pela
forma como atropela os direitos de seus usuários e faz uso
pouco transparente das informações que eles colocam no
site.
Nos últimos anos, as políticas de privacidade e de
direitos dos usuários sofreram várias mudanças unilaterais
por parte do Facebook, sempre na mesma direção — a
publicação indiscriminada das informações que as pessoas
colocam em seus perfis e das mensagens que trocam com
seus amigos no interior do site, e mesmo fora dele.
O objetivo de Zuckerberg com essas constantes
reduções do espaço privado é manter os internautas mais
tempo em suas páginas, conversando e vasculhando os
perfis uns dos outros. Ele percebeu muito cedo, ainda na
universidade, que a maioria de nós temos uma curiosidade
ilimitada sobre os outros e um desejo irrefreável de conversar
e partilhar novidades sobre nós mesmos. Zuckerberg vem
ajudando a moldar uma geração inteira que ficou conhecida
como posto, logo existo — gente incapaz de usufruir um
momento privado sem a antecipação do prazer de partilhá-lo
on-line. É a geração que tem necessidade de colocar no ar,
pelo Facebook, tudo o que faz no dia a dia.
Internet: http://revistaepoca.globo.com (com adaptações). Acesso em 17/3/2012.
Provas
O Google sabe mais sobre você do que a sua mãe. O
Google sabe mais sobre você do que qualquer outra pessoa
ou empresa no mundo. E não é difícil entender por quê.
Diariamente você entra no Google Search e digita o que está
procurando: receita de estrogonofe, sexo, amigos de infância,
pizzaria com serviço delivery, hotéis baratos, programação
de cinema de sua cidade, últimas tolices de alguém famoso,
qualquer coisa.
Pelo Gmail ou Google Talk, você mantém contato com
seus amigos e parentes. Amenidades ou indiscrições da sua
vida pessoal ficam à disposição no Blogger, na rede de
relacionamentos Orkut ou nos álbuns de fotografia do Picasa.
No Google Latitude, você consegue localizar seus
companheiros em qualquer canto do planeta. Já o Google
Maps e o Google Earth ajudam você a chegar ao outro lado
da cidade — ou do mundo. Sem contar os vídeos do
YouTube, capazes de elevar um anônimo ao superestrelato
global em questão de horas, a exemplo da cantora escocesa
Susan Boyle. Tem ainda o Google Health, dedicado a cuidar
da sua saúde; o Books, com um arquivo impressionante de
livros e revistas digitalizados; o Scholar, que reúne artigos
científicos; e o Translate, capaz de traduzir sites inteiros em
idiomas, entre outras dezenas de serviços, digamos,
menores.
Faça as contas: todos os dias, 65% dos cerca de 1,
bilhão de usuários da Internet no mundo utilizam uma — ou
algumas — das ferramentas oferecidas pelo Google. Trata-se
do site mais visitado da Web. São 40 bilhões de buscas por
mês. Diariamente, seus computadores processam mais de
petabytes de dados, ou seja, a capacidade média de
armazenamento de cerca de 170 mil PCs iguais ao que você
tem em casa. No primeiro trimestre deste ano, o Google
registrou um lucro recorde de US$ 1,42 bilhão. Fechou o ano
de 2008 valendo no mercado US$ 86 bilhões. Se a Internet
fosse o mundo, e o Google, um governo prestando serviços a
esta população de mais de 1 bilhão, ele seria o terceiro país
do planeta em população, mais que o triplo dos EUA,
perdendo apenas para a Índia e a China.
Na Googlelândia, a liberdade é plena, porém vigiada.
A empresa registra tudo o que escrevem, o que fazem e o
que compram seus usuários. Mas o lema oficial da
companhia é “Não faça o mal”: segundo o Google, quando o
sistema vasculha as mensagens do Gmail, por exemplo, é
para oferecer a você as propagandas que mais possam
interessá-lo. Se todas as buscas e cliques que um indivíduo
faz são registrados, é porque assim o Google aprende a
responder melhor.
“Acredito que eles sigam seu lema de que não farão o
mal”, diz Howard Rheingold, autor do livro A Comunidade
Virtual e um dos mais respeitados pensadores do Vale do
Silício. “O Google é uma empresa de capital aberto. No dia
em que quebrar a confiança de seus usuários, suas ações
despencam”. São as leis de mercado, pois, que mantêm uma
empresa como o Google bem comportada.
In: Galileu, jun./2009, edição 215 (com adaptações).
Provas
Um belo dia, tive a felicidade de flagrar um instante de
poesia, em que meninos empinavam uma inusitada pipa: dois
pássaros em seu voo. Nas mãos, o gesto de puxar a linha
invisível que os fazia “donos” do voo do pássaro...
De repente, a bronca de uma mulher brava me
devolveu ao chão:
— Cuidado, menino, sai da rua!
E eu comecei a pensar no significado da palavra
cuidado.
Estampada em placas ou usada em nosso cotidiano,
a palavra mostra-se mais com o sentido de mantenha
distância! Mas, e o cuidado da dedicação, atenção especial,
em que houve aprimoramento, aplicação na execução, o
bem-feito de que fala o dicionário? Da raiz latina agitar no
espírito, remoer no pensamento, meditar, pensar, conceber,
preparar...
Num desses dias em que nosso coração está mais
cinza, e a chuva cai pelos nossos olhos e não pelas nuvens,
recebi o cuidado de algumas amigas. Eu me sentia de alma
rasgada, de forças exauridas, e foi tão bom receber tantos
cuidados! Penso que a vida deve estar meio alquebrada,
arranhada, machucada por tanta aridez humana, tanta
ganância e egoísmo, tanto isolamento e individualismo. Ela,
vida, que é da cooperação; ela, que tece uma floresta, vê-se
atropelada por tanta competição! A vida precisa de nossos
cuidados, de nosso carinho, atenção, de atitudes cuidadosas.
Entendo por vida todo esse imenso conjunto de seres,
lugares e relações do qual nós fazemos parte. Essa vida
merece cuidados. Mas por onde começar?!
Uma dica é partir daquilo que você acha que precisa
melhorar, seja nas relações com as pessoas, consigo
mesmo, com um lugar, uma questão social, um desafio
educacional... Convém sempre trabalhar a favor do que se
quer, e não contra o que não se quer. Ao invés de combater
o egoísmo, ser cada vez mais amoroso e cuidadoso. A feiura
de um lugar pode ser canteiro de flores!
Meu avô dizia: “Quando você sair de um lugar, deverá
deixá-lo igual ou melhor do que estava; nunca pior!” Esse
gesto simples pode transformar profundamente a maneira de
nos relacionarmos com um ambiente: sala de aula, jardim,
pátio, praça, por exemplo. E se, ao chegarmos a um lugar,
percebemos que as pessoas o deixaram pior, não devemos
desanimar. Ao contrário do “ninguém faz, então não vou
fazer”, é nesses momentos que fortalecemos a vontade de
semear a ideia-atitude de cuidado. Não fosse o tempo em
que aquele pequeno arbusto resistiu à secura e ao calor do
sol, toda aquela floresta não seria possível!
Não importa em que fase do “reflorestamento”
estamos, já que muitos demorarão a despertar para as
ideias-atitudes de cuidado. O importante é fortalecermos
essa ideia, sabendo que sua atitude de cuidado com a vida,
aparentemente pequena e sem importância, é fundamental
para a criação de um ambiente de transformação.
Então, vamos lançar sementes-ações e
sementes-ideias que transformem as paisagens da atual
secura humana? Vamos ser-tão cuidadosos com a vida e
florestar corações?
Adriana Fortes. Cuidados com a vida. In: 7.º Concurso Cultural Eco Ler é preciso. Biblioteca Virtual Eco Futuro, 2010 (com adaptações).
Provas
Caderno Container