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Com relação a gêneros discursivos, assinale a alternativa correta.
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Texto 9
Língua e ideologia
A reprodução do preconceito
As palavras não são neutras, a língua não é neutra. A ideia de que as palavras nomeiam e, simplesmente porque nomeiam, o sentido está dado – de que elas não são prenhes de sentidos outros além daqueles que eu supunha tão ingenuamente – faz com que eu seja traído pela língua, seja manipulado pela língua.
Não tenho como me desenredar da teia de palavras, e de seus sentidos, e de suas implicações. Não tenho como falar delas senão usando elas, e dentro dos espaços em que elas, circulando, têm significação. “As palavras são tecidas a partir de uma multidão de fios ideológicos e servem de trama a todas as relações sociais em todos os domínios”, ensina Bakhtin.
O que posso fazer – ao invés de tentar escapar da rede de significado que elas constituem, escutando a advertência do poeta Drummond de que “sob a pele das palavras há cifras e códigos” –, o que posso fazer é ter consciência desse processo e de certos jogos possíveis de serem criados e, assim, evitar algumas ciladas.
Podemos encarar a relação língua e ideologia em dois planos: o plano da forma e o plano do conteúdo. O plano do sentido é o mais aparente, mais fácil de perceber; ao nível da forma, por se tratar de um fenômeno mais abstrato, a questão ideológica é menos visível, ainda que não menos importante.
BRITTO, Luiz Percival Leme. Língua e
Ideologia: a reprodução do preconceito. In BAGNO, M. (Org.) Linguística da Norma. São Paulo: Loyola, 2002. p. 135-137. [Adaptado]
No que se refere ao texto 9, analise as afirmativas abaixo.
1. O uso de travessão no primeiro parágrafo desempenha um papel expressivo e isola um comentário esclarecedor e avaliativo em relação à ideia de que o sentido está estabilizado.
2. Em “Não tenho como me desenredar da teia de palavras, e de seus sentidos, e de suas implicações. Não tenho como falar delas senão usando elas, e dentro dos espaços em que elas, circulando, têm significação”, a recorrência dos termos sublinhados produz um efeito estilístico de ênfase.
3. O uso de dois pontos no último parágrafo rompe com o estilo informal e expressivo utilizado pelo autor, conferindo um novo tom redacional e informativo ao texto.
4. No último parágrafo, em “[…] a questão ideológica é menos visível, ainda que não menos importante”, estão presentes as ideias de comparação e de concessão.
5. No último parágrafo, o segmento “por se tratar de um fenômeno mais abstrato” está isolado por vírgulas, pois é uma oração subordinada substantiva cujo sentido complementa a oração principal que a antecede.
Assinale a alternativa que indica todas as afirmativas corretas.
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Texto 3
Fritz Müller – a prova do evolucionismo no Brasil
Imigrante alemão testou pela primeira vez, em Santa Catarina, a teoria de Darwin. Para o naturalista inglês, seu colega era o “príncipe dos observadores da natureza”.
Charles Darwin sabia que não seria fácil a comunidade científica aceitar sua tese de que uma espécie daria origem a outra distinta. Logo na primeira edição de A Origem das Espécies, publicada em 1858, ele solicitou o envolvimento de naturalistas para que estudassem, imparcialmente, os dois lados da questão. Estudos começaram a ser feitos no mundo todo, em uma verdadeira “corrida do ouro”. Mas o resultado que Darwin esperava só foi surgir em 1864, com o trabalho batizado de FürDarwin (Para Darwin, em alemão), do naturalista alemão, radicado no Brasil, Fritz Müller.
Johann Friedrich Theodor Müller (1822-1897) era um jovem médico e naturalista alemão que, em 1852, chegava ao Brasil com a esposa e uma filha. Eles tinham sido atraídos ao país pela propaganda feita por Hermann Blumenau, que desejava povoar uma colônia ao lado do rio Itajaí (hoje conhecida pelo sobrenome de seu fundador) e atrair o maior número possível de cientistas – que trabalhariam como professores.
Em Blumenau, Müller ganhou um grande terreno e passou a cuidar das terras como colono, aguardando convite para lecionar – o que viria a acontecer em 1856, quando assumiu a vaga de professor de matemática no Liceu Provincial de Desterro, atual Florianópolis. Para os habitantes da ilha, seu nome era quase impronunciável e ele ganhou um carinhoso apelido: Fritz Müller.
Pouco tempo depois, em 1861, o Liceu seria fechado e daria lugar ao Colégio da Santíssima Trindade, instituição religiosa que nada tinha a ver com o que Müller acreditava. O naturalista agora teria tempo de percorrer as matas atrás dos espécimes que colecionava, em um ofício que lhe foi caro desde a juventude. Mas os planos do alemão iam além. Nesse mesmo ano, ele recebeu a tradução alemã de A Origem – sendo considerado o primeiro habitante do Brasil a ter contato com a obra – e percebeu que o convite de Darwin para novas pesquisas era uma oportunidade de colocar seu intelecto em prática.
Por meses, Müller realizou pesquisas de campo e experiências com espécies típicas do litoral catarinense. Em um desses trabalhos, encontrou a prova de que parte de uma espécie poderia se diferenciar do restante e ganhar características próprias, transformando-se em uma nova espécie que poderia competir com a outra e se destacar, tornando-se mais apta a sobreviver. Fritz Müller foi o primeiro cientista a apresentar modelos matemáticos para explicar a seleção natural e fornecer provas contundentes da veracidade da teoria.
MOÇO, Anderson. http://revistaescola.abril.com.br/ciencias
/fundamentos/fritz-muller-prova-evolucionismo- brasil-432259.shtml) [Adaptado]. Acesso em 10/03/2014.
Identifique abaixo as afirmativas verdadeiras ( V ) e as falsas ( F ) com base no texto 3.
( ) O título confirma a tese defendida no texto de que o evolucionismo é um fenômeno brasileiro, comprovado por Fritz Müller.
( ) No primeiro parágrafo, em “estudassem, imparcialmente, os dois lados da questão”, o advérbio sublinhado poderia ser substituído, sem prejuízo de sentido, por “desinteressadamente”.
( ) No segundo parágrafo, em “Eles tinham sido atraídos ao país […]” a forma verbal sublinhada poderia ser substituída por “foram”, sem alteração do significado temporal expresso pelo enunciado.
( ) No terceiro parágrafo, em “Em Blumenau, Müller ganhou um grande terreno e passou a cuidar das terras como colono, aguardando convite para lecionar”, a forma verbal no gerúndio poderia ser substituída, sem prejuízo gramatical e de sentido, por “enquanto aguardava”.
( ) No quarto parágrafo, em “em 1861, o Liceu seria fechado e daria lugar ao Colégio da Santíssima Trindade”, a substituição das formas verbais sublinhas por “foi fechado” e “deu”, respectivamente, alteraria o significado temporal expresso pelo enunciado.
Assinale a alternativa que indica a sequência correta, de cima para baixo.
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Planejando seu texto: falado e escrito
Vamos supor que começássemos a escrever usando a mesma variedade da língua que se usa na fala: chamei ela, a casa que eu moro, tá bem etc. Isso não significaria, em absoluto, que os textos escritos ficariam idênticos ao que vou chamar, por comodidade, de textos falados. Acontece que há outras diferenças, que acabam sendo mais importantes do que as diferenças gramaticais, e que são impossíveis de eliminar, porque não decorrem de convenção social, mas das limitações e recursos do meio empregado: a fala ou a escrita.
Para dar um exemplo: um leitor pode diminuir a velocidade de leitura, e pode reler um trecho se achar que não entendeu direito. Mas um ouvinte não tem esses recursos: se não entendeu, precisa pedir ao falante que repita – e não pode ficar fazendo isso o tempo todo, para não perturbar a própria situação de comunicação, e acabarem os dois se confundindo na conversa. Isso tem consequências para a estruturação do texto. Um autor pode escrever de maneira muito mais sintética, sem repetições e construindo suas frases em um plano amplo, como por exemplo:
O Durval, que toma conta da escola, saiu correndo atrás dos meninos da terceira série, que tinham ido para a rua, a fim de vigiá-los.
Essa frase funciona perfeitamente na escrita. Mas se for falada desse jeito – e principalmente se as outras frases do texto forem todas estruturadas assim – vai ficar difícil de entender. O ouvinte, que não pode voltar atrás, pode não se lembrar de quem é que vai “vigiar”, ou quem são “-los”, ou quem é que tinha ido para a rua. Essa passagem apareceria (e, na verdade, apareceu) em um texto falado com a seguinte forma:
aí, saiu o Durval saiu correndo atrás dos menino, né, o que toma conta lá da escola, pra poder, saiu correndo atrás dos menino, poder tomar conta dos menino. Os menino tinha ido pra rua, menino da terceira série.
PERINI, Mário A. A língua do Brasil amanhã e outros mistérios.
São Paulo: Parábola Editorial, 2004. p. 65-67.
Considere os segmentos extraídos do texto.
1. “Isso não significaria, em absoluto, que os textos escritos ficariam idênticos ao que vou chamar, por comodidade, de textos falados.”
2. “Acontece que há outras diferenças, que acabam sendo mais importantes do que as diferenças gramaticais, e que são impossíveis de eliminar, porque não decorrem de convenção social, mas das limitações e recursos do meio empregado: a fala ou a escrita.”
Identifique abaixo as afirmativas verdadeiras ( V ) e as falsas ( F ).
( ) Em 1, a expressão “em absoluto” está funcionando como um modalizador epistêmico asseverativo, indicando que o autor demonstra comprometimento em seu argumento.
( ) Em 1, a expressão “por comodidade” está funcionando como um modalizador avaliativo, cujo escopo recai sobre todo o enunciado.
( ) Em 2, “porque” é um conector que estabelece uma relação lógico-semântica de causa e consequência relativamente ao evento representado no enunciado anterior.
( ) Em 2, o segmento “que acabam […] diferenças gramaticais” é uma oração adjetiva explicativa, intercalada entre o sujeito e o predicado da oração principal.
( ) Em 2, o sintagma nominal “o meio empregado” estabelece uma remissão por referenciação catafórica.
Assinale a alternativa que indica a sequência correta, de cima para baixo.
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Texto 3
Fritz Müller – a prova do evolucionismo no Brasil
Imigrante alemão testou pela primeira vez, em Santa Catarina, a teoria de Darwin. Para o naturalista inglês, seu colega era o “príncipe dos observadores da natureza”.
Charles Darwin sabia que não seria fácil a comunidade científica aceitar sua tese de que uma espécie daria origem a outra distinta. Logo na primeira edição de A Origem das Espécies, publicada em 1858, ele solicitou o envolvimento de naturalistas para que estudassem, imparcialmente, os dois lados da questão. Estudos começaram a ser feitos no mundo todo, em uma verdadeira “corrida do ouro”. Mas o resultado que Darwin esperava só foi surgir em 1864, com o trabalho batizado de FürDarwin (Para Darwin, em alemão), do naturalista alemão, radicado no Brasil, Fritz Müller.
Johann Friedrich Theodor Müller (1822-1897) era um jovem médico e naturalista alemão que, em 1852, chegava ao Brasil com a esposa e uma filha. Eles tinham sido atraídos ao país pela propaganda feita por Hermann Blumenau, que desejava povoar uma colônia ao lado do rio Itajaí (hoje conhecida pelo sobrenome de seu fundador) e atrair o maior número possível de cientistas – que trabalhariam como professores.
Em Blumenau, Müller ganhou um grande terreno e passou a cuidar das terras como colono, aguardando convite para lecionar – o que viria a acontecer em 1856, quando assumiu a vaga de professor de matemática no Liceu Provincial de Desterro, atual Florianópolis. Para os habitantes da ilha, seu nome era quase impronunciável e ele ganhou um carinhoso apelido: Fritz Müller.
Pouco tempo depois, em 1861, o Liceu seria fechado e daria lugar ao Colégio da Santíssima Trindade, instituição religiosa que nada tinha a ver com o que Müller acreditava. O naturalista agora teria tempo de percorrer as matas atrás dos espécimes que colecionava, em um ofício que lhe foi caro desde a juventude. Mas os planos do alemão iam além. Nesse mesmo ano, ele recebeu a tradução alemã de A Origem – sendo considerado o primeiro habitante do Brasil a ter contato com a obra – e percebeu que o convite de Darwin para novas pesquisas era uma oportunidade de colocar seu intelecto em prática.
Por meses, Müller realizou pesquisas de campo e experiências com espécies típicas do litoral catarinense. Em um desses trabalhos, encontrou a prova de que parte de uma espécie poderia se diferenciar do restante e ganhar características próprias, transformando-se em uma nova espécie que poderia competir com a outra e se destacar, tornando-se mais apta a sobreviver. Fritz Müller foi o primeiro cientista a apresentar modelos matemáticos para explicar a seleção natural e fornecer provas contundentes da veracidade da teoria.
MOÇO, Anderson. http://revistaescola.abril.com.br/ciencias
/fundamentos/fritz-muller-prova-evolucionismo- brasil-432259.shtml) [Adaptado]. Acesso em 10/03/2014.
Assinale a alternativa correta de acordo com o texto 3.
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