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Texto 1
A questão da(s) norma(s)
A expressão norma culta/comum/standard designa o conjunto de fenômenos linguísticos que ocorrem habitualmente no uso dos falantes letrados em situações mais monitoradas de fala e escrita. Já a norma-padrão é um construto sócio- -histórico que serve de referência para estimular um processo de uniformização. Enquanto a primeira é a expressão viva de certos segmentos sociais em determinadas situações, a segunda é uma codificação relativamente abstrata, uma baliza extraída do uso real para servir de referência, em sociedades marcadas por acentuada dialetação, a projetos políticos de uniformização linguística.
Embora o padrão não se confunda com a norma culta/comum/standard, está mais próximo dela do que das demais normas, porque os codificadores e os que assumem o papel de seus guardiões e cultores saem dos estratos sociais usuários dessa norma. Se esse é um fator de aproximação, é também um fator de tensão porque o inexorável movimento histórico da norma culta/comum/standard tende a criar um fosso entre ela e o padrão, ficando este cada vez mais artificial e anacrônico, se não houver mecanismos socioculturais para realizar os necessários ajustes.
Cabe perguntar se o Brasil, neste início do século XXI, necessita, de fato, definir uma norma-padrão. A questão é saber se a natural diversidade linguística nacional está pondo em risco a relativa unidade das variedades cultas/comuns/standard faladas. A resposta parece ser bem clara: não há qualquer indício de risco à relativa unidade dessas variedades. Bem ao contrário: as circunstâncias históricas – ou seja, a intensa urbanização da população brasileira, as novas redes de relações que se estabelecem no espaço urbano e suas respectivas pressões niveladoras, a presença quase universal dos meios de comunicação social e a própria expansão da escolaridade – em boa medida favorecem a manutenção da relativa unidade das nossas variedades cultas/comuns/standard e criam condições para sua expansão social.
Diante desses fatos, talvez possamos abrir mão de projetos padronizadores, direcionando nossas energias para o que efetivamente interessa: de um lado a descrição e a difusão das variedades cultas/comuns/standard faladas e escritas; e, de outro, o combate sistemático aos preceitos da norma curta – preceitos dogmáticos que não encontram respaldo nem nos fatos, nem nos bons instrumentos normativos – que, em nome de uma norma padrão artificialmente fixada, ainda circula entre nós, quer na desqualificação da língua portuguesa do Brasil, quer na desqualificação dos seus falantes.
FARACO, Carlos Alberto. A. Norma culta brasileira:
desatando alguns nós. São Paulo: Parábola Editorial, 2008. p. 73-94. [Adaptado].
Assinale a alternativa correta em que o vocábulo à direita pode substituir o da esquerda, sem prejuízo de sentido no texto.
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Com relação à fala e à escrita, assinale a alternativa correta.
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Texto 1
Óbito do autor
Algum tempo hesitei se devia abrir estas memórias pelo princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar o meu nascimento ou a minha morte. Suposto o uso vulgar seja começar pelo nascimento, duas considerações me levaram a adotar diferente método: a primeira é que eu não sou propriamente um autor defunto, mas um defunto autor, para quem a campa foi outro berço; a segunda é que o escrito ficaria assim mais galante e mais novo. Moisés, que também contou a sua morte, não a pôs no introito, mas no cabo: diferença radical entre este livro e o Pentateuco.
Dito isto, expirei às duas horas da tarde de uma sexta-feira do mês de agosto de 1869, na minha bela chácara de Catumbi. Tinha uns sessenta e quatro anos, rijos e prósperos, era solteiro, possuía cerca de trezentos contos e fui acompanhado ao cemitério por onze amigos. Onze amigos! Verdade é que não houve cartas nem anúncios. Acresce que chovia — peneirava uma chuvinha miúda, triste e constante, tão constante e tão triste, que levou um daqueles fiéis da última hora a intercalar esta engenhosa ideia no discurso que proferiu à beira de minha cova: — “Vós, que o conhecestes, meus senhores, vós podeis dizer comigo que a natureza parece estar chorando a perda irreparável de um dos mais belos caracteres que têm honrado a humanidade. Este ar sombrio, estas gotas do céu, aquelas nuvens escuras que cobrem o azul como um crepe funéreo, tudo isso é a dor crua e má que lhe rói à Natureza as mais íntimas entranhas; tudo isso é um sublime louvor ao nosso ilustre finado.”
Bom e fiel amigo! Não, não me arrependo das vinte apólices que lhe deixei. E foi assim que cheguei à cláusula dos meus dias; foi assim que me encaminhei para o undiscovered country de Hamlet, sem as ânsias nem as dúvidas do moço príncipe, mas pausado e trôpego como quem se retira tarde do espetáculo. Tarde e aborrecido. […]
ASSIS, Machado de. [1881] Memórias Póstumas de Brás Cubas. São Paulo: Globo, 2008. p. 9-10.
Ainda com base no texto 1, assinale a alternativa correta.
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Texto 1
A questão da(s) norma(s)
A expressão norma culta/comum/standard designa o conjunto de fenômenos linguísticos que ocorrem habitualmente no uso dos falantes letrados em situações mais monitoradas de fala e escrita. Já a norma-padrão é um construto sócio- -histórico que serve de referência para estimular um processo de uniformização. Enquanto a primeira é a expressão viva de certos segmentos sociais em determinadas situações, a segunda é uma codificação relativamente abstrata, uma baliza extraída do uso real para servir de referência, em sociedades marcadas por acentuada dialetação, a projetos políticos de uniformização linguística.
Embora o padrão não se confunda com a norma culta/comum/standard, está mais próximo dela do que das demais normas, porque os codificadores e os que assumem o papel de seus guardiões e cultores saem dos estratos sociais usuários dessa norma. Se esse é um fator de aproximação, é também um fator de tensão porque o inexorável movimento histórico da norma culta/comum/standard tende a criar um fosso entre ela e o padrão, ficando este cada vez mais artificial e anacrônico, se não houver mecanismos socioculturais para realizar os necessários ajustes.
Cabe perguntar se o Brasil, neste início do século XXI, necessita, de fato, definir uma norma-padrão. A questão é saber se a natural diversidade linguística nacional está pondo em risco a relativa unidade das variedades cultas/comuns/standard faladas. A resposta parece ser bem clara: não há qualquer indício de risco à relativa unidade dessas variedades. Bem ao contrário: as circunstâncias históricas – ou seja, a intensa urbanização da população brasileira, as novas redes de relações que se estabelecem no espaço urbano e suas respectivas pressões niveladoras, a presença quase universal dos meios de comunicação social e a própria expansão da escolaridade – em boa medida favorecem a manutenção da relativa unidade das nossas variedades cultas/comuns/standard e criam condições para sua expansão social.
Diante desses fatos, talvez possamos abrir mão de projetos padronizadores, direcionando nossas energias para o que efetivamente interessa: de um lado a descrição e a difusão das variedades cultas/comuns/standard faladas e escritas; e, de outro, o combate sistemático aos preceitos da norma curta – preceitos dogmáticos que não encontram respaldo nem nos fatos, nem nos bons instrumentos normativos – que, em nome de uma norma padrão artificialmente fixada, ainda circula entre nós, quer na desqualificação da língua portuguesa do Brasil, quer na desqualificação dos seus falantes.
FARACO, Carlos Alberto. A. Norma culta brasileira:
desatando alguns nós. São Paulo: Parábola Editorial, 2008. p. 73-94. [Adaptado].
Verifique se as afirmativas abaixo estão em consonância com o texto 1 e identifique as verdadeiras ( V ) e as falsas ( F ).
( ) “[O] padrão tem sua importância e utilidade como força centrípeta no interior do vasto universo centrífugo que caracteriza as línguas” (FARACO, 2008, p. 80). Esta assertiva é corroborada pela proposta do autor no último parágrafo do texto.
( ) “[A] palavra norma tem, no uso contemporâneo, dois sentidos. No primeiro, norma se correlaciona com normalidade […]. No segundo, norma se correlaciona com normatividade […]” (FARACO, 2008, p. 76). A primeira acepção de norma recobre as noções de norma culta e norma-padrão; a segunda remete à noção de norma curta.
( ) “[S]e a pessoa for ao dicionário Houaiss, vai encontrar a informação de que o verbo adequar é regular, tendo – em sua conjugação – todas as formas, inclusive as rizotônicas […], como eu adéquo, ela adéqua […], e assim por diante” (FARACO, 2008, p. 106). Esta citação evidencia que o dicionário apresenta problemas em relação a regras da norma culta/ comum/standard.
( ) “Napoleão Mendes de Almeida a propósito do nosso poeta maior, Carlos Drummond de Andrade, [chama-o] de ‘derrotista da nossa gramática’” (FARACO, 2008, p. 96). Esta citação ilustra a noção de norma curta.
( ) “Celso Luft registra a mudança ocorrida na regência do verbo ‘assistir’ de transitivo indireto para direto: observa que a regência inovadora é de uso corrente na escrita literária […]. Isso não impede, diz ele, que se aconselhe o uso da regência clássica em situações mais formais” (FARACO, 2008, p. 101). Esta citação atesta que a norma culta é heterogênea.
Assinale a alternativa que indica a sequência correta, de cima para baixo.
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Texto 7
A atividade discursiva
O primeiro sentido de enunciação é o de ato produtor do enunciado. Benveniste diz que a “enunciação é essa colocação em funcionamento da língua por um ato individual de utilização” (1974, p. 80). Anscombre e Ducrot afirmam: “A enunciação será para nós a atividade linguageira exercida por aquele que fala no momento em que fala”. E continuam: “Ela é, portanto, por essência histórica, da ordem do acontecimento e, como tal, não se reproduz nunca duas vezes idêntica a si mesma” (1976, p. 18). Ora, se a enunciação for considerada como ato singular, daí decorre logicamente sua impossibilidade de constituir um objeto científico. Conforme mostra Todorov, ela será “o próprio arquétipo de incognoscível” (1970, p. 3). Como demonstra Catherine Kerbrat-Orecchioni, opera-se aqui um deslizamento semântico (1980, p. 29-30). O linguista não mais opõe “a enunciação ao enunciado como o ato a seu produto, um processo dinâmico a seu resultado estático”, mas, impossibilitado de estudar diretamente o ato da enunciação, busca “identificar e descrever os traços do ato no produto”.
FIORIN, José Luiz. As astúcias da enunciação:
as categorias de pessoa, espaço e tempo. São Paulo: Ática, 1996. p. 31.
Identifique abaixo as afirmativas verdadeiras ( V ) e as falsas ( F ) a partir do texto 7.
( ) Trata-se de uma perspectiva de língua que é condizente com as seguintes abordagens teóricas: análise do discurso, análise da conversação, pragmática, teoria da argumentação e estruturalismo europeu.
( ) Sendo a enunciação um evento, seu estudo positivista e sistematizável torna-se improcedente, uma vez que não é possível prever a duplicação de um acontecimento.
( ) Nessa perspectiva há uma ruptura com a linguística tradicional, a partir de um novo objeto que se configura sem o suporte da língua enquanto sistema.
( ) O estudo da língua enquanto enunciado implica considerar que as formas linguísticas são mobilizadas a partir de um projeto discursivo.
( ) O conceito de enunciação considera dois planos interligados, a história e o discurso.
Assinale a alternativa que indica a sequência correta, de cima para baixo.
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Texto 1
A questão da(s) norma(s)
A expressão norma culta/comum/standard designa o conjunto de fenômenos linguísticos que ocorrem habitualmente no uso dos falantes letrados em situações mais monitoradas de fala e escrita. Já a norma-padrão é um construto sócio- -histórico que serve de referência para estimular um processo de uniformização. Enquanto a primeira é a expressão viva de certos segmentos sociais em determinadas situações, a segunda é uma codificação relativamente abstrata, uma baliza extraída do uso real para servir de referência, em sociedades marcadas por acentuada dialetação, a projetos políticos de uniformização linguística.
Embora o padrão não se confunda com a norma culta/comum/standard, está mais próximo dela do que das demais normas, porque os codificadores e os que assumem o papel de seus guardiões e cultores saem dos estratos sociais usuários dessa norma. Se esse é um fator de aproximação, é também um fator de tensão porque o inexorável movimento histórico da norma culta/comum/standard tende a criar um fosso entre ela e o padrão, ficando este cada vez mais artificial e anacrônico, se não houver mecanismos socioculturais para realizar os necessários ajustes.
Cabe perguntar se o Brasil, neste início do século XXI, necessita, de fato, definir uma norma-padrão. A questão é saber se a natural diversidade linguística nacional está pondo em risco a relativa unidade das variedades cultas/comuns/standard faladas. A resposta parece ser bem clara: não há qualquer indício de risco à relativa unidade dessas variedades. Bem ao contrário: as circunstâncias históricas – ou seja, a intensa urbanização da população brasileira, as novas redes de relações que se estabelecem no espaço urbano e suas respectivas pressões niveladoras, a presença quase universal dos meios de comunicação social e a própria expansão da escolaridade – em boa medida favorecem a manutenção da relativa unidade das nossas variedades cultas/comuns/standard e criam condições para sua expansão social.
Diante desses fatos, talvez possamos abrir mão de projetos padronizadores, direcionando nossas energias para o que efetivamente interessa: de um lado a descrição e a difusão das variedades cultas/comuns/standard faladas e escritas; e, de outro, o combate sistemático aos preceitos da norma curta – preceitos dogmáticos que não encontram respaldo nem nos fatos, nem nos bons instrumentos normativos – que, em nome de uma norma padrão artificialmente fixada, ainda circula entre nós, quer na desqualificação da língua portuguesa do Brasil, quer na desqualificação dos seus falantes.
FARACO, Carlos Alberto. A. Norma culta brasileira:
desatando alguns nós. São Paulo: Parábola Editorial, 2008. p. 73-94. [Adaptado].
No que se refere à organização textual e a aspectos linguísticos do texto 1, analise as afirmativas abaixo.
1. No primeiro parágrafo, em “Enquanto a primeira é […], a segunda é […]”, o caráter contrastivo das ideias sobressai mais que a concomitância dos fatos, tornando-se a relação temporal secundária.
2. No segundo parágrafo, em “Se esse é um fator de aproximação, é também um fator de tensão [..]”, a construção “Se […] é também” tem valor argumentativo, articulando uma causa e um efeito.
3. No segundo parágrafo, em “[…] ficando este cada vez mais artificial e anacrônico, se não houver mecanismos socioculturais para realizar os necessários ajustes”, a partícula “se” está funcionando como conjunção condicional e introduz uma situação hipotética.
4. No terceiro parágrafo, em “A resposta parece ser bem clara”, o autor utiliza o recurso estilístico da antítese, relacionando termos que expressam conteúdos opostos para dar relevo a pensamentos contraditórios.
5. No terceiro parágrafo, em “Cabe perguntar se o Brasil […]” e “A questão é saber se a natural diversidade […]”, a partícula “se” está funcionando como conjunção integrante e introduz, em ambos os casos, uma oração subordinada substantiva objetiva direta.
Assinale a alternativa que indica todas as afirmativas corretas.
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