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Afinal, o que é a língua?
A língua é uma das realidades mais fantásticas da nossa vida. Ela está presente em todas as nossas atividades; nós vivemos entrelaçados (às vezes soterrados!) pelas palavras; elas estabelecem todas as nossas relações e nossos limites, dizem ou tentam dizer quem somos, quem são os outros, onde estamos, o que vamos fazer, o que fizemos. Nossos sonhos são povoados de palavras; os outros se definem por palavras; todas as nossas emoções e sentimentos se revestem de palavras. O mundo inteiro é um magnífico e gigantesco bate-papo, dos chefes de Estado negociando a paz e a guerra às primeiras sílabas de uma criança em alguma favela brasileira ou numa vila africana. É pela linguagem, afinal, que somos indivíduos únicos: somos o que somos depois de um processo de conquista da nossa palavra, afirmada no meio de milhares de outras palavras e com elas compostas.
Apesar dessa presença absoluta na nossa vida (ou talvez justamente por isso), ainda sabemos pouco sobre a linguagem e, em geral, temos uma relação problemática com ela, principalmente em sua forma escrita. Isto é, embora não sejamos nada sem a língua, parece que ela permanece alguma coisa estranha em nossa vida, como se ela não nos pertencesse.
FARACO, Carlos Alberto; TEZZA, Cristovão.
Prática de texto para estudantes universitários. 10. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2002. p. 9.
Assinale a alternativa correta, considerando o texto.
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Os gêneros do discurso
A competência sociocomunicativa dos falantes/ ouvintes leva-os à detecção do que é adequado ou inadequado em cada uma das práticas sociais. Essa competência leva ainda à diferenciação de determinados gêneros de textos, como saber se se está perante uma anedota, um poema, um enigma, uma explicação, uma conversa telefônica etc. Há o conhecimento, pelo menos intuitivo, de estratégias de construção e interpretação de um texto. A competência textual de um falante permite-lhe, ainda, averiguar se em um texto predominam sequências de caráter narrativo, descritivo, expositivo e/ou argumentativo.
O contato com os textos da vida quotidiana exercita a nossa capacidade metatextual para a construção e intelecção de textos.
Bakhtin [1953] (1992, p. 179) escreve:
Todas as esferas da atividade humana, por mais variadas que sejam, estão relacionadas com a utilização da língua. Não é de surpreender que o caráter e os modos dessa utilização sejam tão variados como as próprias esferas da atividade humana […]. O enunciado reflete as condições específicas e as finalidades de cada uma dessas esferas, não só por seu conteúdo temático e por seu estilo verbal, ou seja, pela seleção operada nos recursos da língua – recursos lexicais, fraseológicos e gramaticais – mas também, e sobretudo, por sua construção composicional.
KOCH, Ingedore G. Villaça. Desvendando os segredos do texto. 2. ed. São Paulo: Cortez, 2003. p. 53-54.
Assinale a alternativa correta que se encontra em consonância com a noção de gênero discursivo presente na citação do texto.
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Texto 4
A construção dos sentidos no texto: coesão e coerência
Podemos conceituar a coesão como o fenômeno que diz respeito ao modo como os elementos linguísticos presentes na superfície textual se encontram interligados, por meio de recursos também linguísticos, formando sequências veiculadoras de sentidos. Existem duas grandes modalidades de coesão: a remissão e a sequenciação.
A coerência diz respeito ao modo como os elementos subjacentes à superfície textual vêm a constituir, na mente dos interlocutores, uma configuração veiculadora de sentidos. É resultado da atuação conjunta de uma série de fatores de ordem cognitiva, situacional, sociocultural e interacional. Embora coesão e coerência constituam fenômenos diferentes, opera-se, muitas vezes, uma imbricação entre eles por ocasião do processamento textual.
KOCH, Ingedore V. O texto e a construção dos sentidos. São Paulo: Contexto, 1997. p. 35-45. [Adaptado].
Tomando como base o texto 4 e a noção de referenciação, analise as afirmativas abaixo.
1. A noção clássica de referência está associada a uma visão representacional dos objetos-do-mundo; já na perspectiva da referenciação, as entidades não estão dadas a priori para serem representadas, mas são vistas como objetos-de-discurso.
2. A construção de um modelo textual envolve os seguintes princípios de referenciação: ativação – introdução de um referente; reativação – retomada do referente por meio de expressão nominal definida; e de-ativação – retomada do referente por elipse.
3. A retomada implica remissão e referenciação, ao passo que a remissão implica referenciação e não necessariamente retomada. A referenciação, por sua vez, é uma atividade de designação e não implica remissão pontualizada nem retomada.
4. Continuidade referencial implica a estabilidade e a identidade dos referentes, isto é, correferencialidade.
5. A nominalização, entendida como encapsulamento e rotulação, é um mecanismo que atribui estatuto referencial a informações dadas previamente, transformando-as em objetos-de-discurso.
Assinale a alternativa que indica todas as afirmativas corretas.
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Texto 5
Fala e escrita
Uma diversidade, muito sutil e falaz, é a que existe entre a fala e a escrita. […] O estudante já vem para a escola falando satisfatoriamente, embora seja em regra deficiente no registro formal do uso culto; o que ele domina plenamente é a linguagem familiar, na maioria dos casos. Como quer que seja, a técnica da língua escrita ele tem de aprender na escola. Os professores partem da ilusão de que, ensinando-a, estão ao mesmo tempo ensinando uma fala satisfatória. […]
A língua escrita se manifesta em condições muito diversas da língua oral. […] A fala se desdobra numa situação concreta, sob o estímulo de um falante ou vários falantes outros, bem individualizados. Uma e outra coisa desaparecem na língua escrita. Já aí se tem uma primeira e profunda diferença entre os dois tipos de comunicação linguística.
Depois, a escrita não reproduz fielmente a fala, como sugere a metáfora tantas vezes repetida de que “ela é a roupagem da língua oral”.
CAMARA Jr., Joaquim Mattoso. Estrutura da língua portuguesa. 3. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 1972. p. 9-10.
Texto 6
Fala e escrita
Uma primeira observação a ser feita é a que diz respeito ....... própria visão comparativa da relação entre fala e escrita. Quando se olha para ....... escrita tem-se a impressão de que se está contemplando algo naturalmente claro e definido. Tudo se passa como se ao nos referirmos ...... escrita estivéssemos apontando para um fenômeno se não homogêneo, pelo menos bastante estável e com pouca variação. O contrário ocorre com a consciência espontânea que se desenvolveu respeito da fala. Esta se apresenta como variada e, curiosamente, não nos vem ...... mente em primeira mão a fala padrão. É o caso de dizer que fala e escrita são intuitivamente construídas como tipos ideais concebidos com princípios opostos e que não correspondem ....... realidade alguma, a menos que identifiquemos um fenômeno que as realize.
A hipótese que defendemos supõe que: as diferenças entre fala e escrita se dão dentro do continuum tipológico das práticas sociais de produção textual e não na relação dicotômica de dois polos opostos. [grifos do autor]
MARCUSCHI, Luiz Antônio. Da fala para a escrita:
atividades de retextualização. 8. ed. São Paulo: Cortez, 2007. p. 37.
Identifique abaixo as afirmativas verdadeiras ( V ) e as falsas ( F ) no que se refere à organização textual e a aspectos linguísticos dos textos 5 e 6.
( ) Em “Já aí se tem uma primeira e profunda diferença […]” (texto 5), o elemento destacado tem valor coesivo, funcionando como conector sequenciador temporal.
( ) Comparando-se o uso dos clíticos nos segmentos “A língua escrita se manifesta […]. A fala se desdobra numa situação concreta […].” (texto 5) e “Quando se olha para […] tem-se a impressão de que se está contemplando […].” (texto 6), observa-se que o primeiro segmento apresenta próclise sem a presença de partículas atratoras, diferentemente do segundo.
( ) Em “como sugere a metáfora tantas vezes repetida de que ‘ela é a roupagem da língua oral’” (texto 5) e “tem-se a impressão de que se está contemplando algo naturalmente claro e definido” (texto 6), as orações introduzidas por “de que” complementam núcleos constituídos por nominalização, entendida como nome abstrato derivado de base verbal.
( ) Em “É o caso de dizer que fala e escrita são intuitivamente construídas como tipos ideais concebidos com princípios opostos e que não correspondem […] realidade alguma, a menos que identifiquemos um fenômeno que as realize.” (texto 6), ocorre uma ambiguidade estrutural que prejudica a identificação do sujeito de “não correspondem”.
( ) Em “a técnica da língua escrita ele tem de aprender na escola” (texto 5), ocorre uma ruptura na continuidade referencial do tópico-sujeito, e o deslocamento do objeto direto coloca em relevo uma nova informação, numa construção sintaticamente marcada.
Assinale a alternativa que indica a sequência correta, de cima para baixo.
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O ‘Hubble’ fotografa uma supernova que surpreende por seu brilho
A explosão de uma estrela descoberta, por pura casualidade, por uns estudantes britânicos há pouco mais de um mês se converteu em tema de interesse de astrônomos de todo o mundo, que inclusive apontaram o telescópio espacial Hubble para vê-la. É a supernova mais brilhante detectada nos últimos 27 anos e ainda é visível no céu com telescópios modestos de amadores. Além disso, é de um tipo especial (Ia) que os cosmólogos utilizam para medir grandes distâncias no universo. Mas o céu costuma surpreender os cientistas. Um grupo de especialistas da Universidade de Berkeley (EUA) está estudando a supernova que foi batizada oficialmente de SN 2014J, e viu que é estranha porque seu brilho aumentou mais rápido do que o esperado. “Pode ser que esteja nos mostrando algo das supernovas de tipo Ia que os teóricos precisem compreender; talvez o que pensávamos que fosse um comportamento normal de uma dessas supernovas seja o anormal”, diz Alex Filippenko, líder da equipe.
Uma supernova é uma explosão colossal de uma estrela que ocorre quando ela se desestabiliza. A descrição padrão desses fenômenos fala de astros imensos que, quando as reações nucleares de seu interior já consumiram todo o seu hidrogênio, deixando-os sem combustível, colapsam desencadeando todo o processo de explosão na forma de supernova. Mas, as do tipo Ia são diferentes: são estrelas anãs brancas, velhas e muito densas, tanto que nelas uma massa como a do Sol está comprimida em um tamanho equivalente ao da Terra; quando roubam matéria de um astro próximo ou se se fundem duas delas, podem superar um certo umbral de massa a partir do qual deixam de ser estáveis e se desencadeia uma colossal explosão.
O valor das Ia como marcação de medida de distâncias no universo se deve a que essas supernovas geram o mesmo brilho mais ou menos, o que permite estimar a distância a que está a galáxia na qual se produzem essas explosões. E foi precisamente com duas pesquisas independentes que usaram essas supernovas para medir distâncias no cosmos e medir a velocidade de recessão das respectivas galáxias que se descobriu a inesperada aceleração da expansão do universo.
Disponível em <http://brasil.elpais.com/brasil/2014/03/04/sociedad/1393959611_405560.html> [Adaptado]
Acesso em 07/03/2014.
Considerando aspectos linguísticos, analise as afirmativas abaixo em relação ao trecho extraído do texto.
“A explosão de uma estrela descoberta, por pura casualidade, por uns estudantes britânicos há pouco mais de um mês se converteu em tema de interesse de astrônomos de todo o mundo, que inclusive apontaram o telescópio espacial Hubble para vê-la”.
1. O vocábulo “por”, nas duas ocorrências sublinhadas, tem o mesmo sentido que na construção “lutou por uma vaga”.
2. O uso de vírgulas isolando “por pura causalidade” se justifica por esta construção estar empregada como adjunto adverbial intercalado no período.
3. O sujeito de “converteu” é indeterminado, o que se evidencia pelo uso da partícula “se”.
4. A construção “de todo o mundo” poderia ser substituída, sem prejuízo de sentido, por “do mundo inteiro”.
5. Em “vê-la”, o pronome sublinhado é objeto do verbo “ver” e faz referência a “a explosão de uma estrela”.
Assinale a alternativa que indica todas as afirmativas corretas.
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As informações podem ser classificadas quanto ao grau e aos prazos de sigilo, observado o seu teor e em razão da segurança da sociedade ou do Estado. Conforme Decreto no 7.724, de 16 de maio de 2012 (BRASIL, 2012), a classificação quanto ao grau corresponde a ultrassecreto, secreto e reservado.
Os prazos máximos de sigilo, respeitada a sequência destacada, correspondem a:
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Texto 9
Língua e ideologia
A reprodução do preconceito
As palavras não são neutras, a língua não é neutra. A ideia de que as palavras nomeiam e, simplesmente porque nomeiam, o sentido está dado – de que elas não são prenhes de sentidos outros além daqueles que eu supunha tão ingenuamente – faz com que eu seja traído pela língua, seja manipulado pela língua.
Não tenho como me desenredar da teia de palavras, e de seus sentidos, e de suas implicações. Não tenho como falar delas senão usando elas, e dentro dos espaços em que elas, circulando, têm significação. “As palavras são tecidas a partir de uma multidão de fios ideológicos e servem de trama a todas as relações sociais em todos os domínios”, ensina Bakhtin.
O que posso fazer – ao invés de tentar escapar da rede de significado que elas constituem, escutando a advertência do poeta Drummond de que “sob a pele das palavras há cifras e códigos” –, o que posso fazer é ter consciência desse processo e de certos jogos possíveis de serem criados e, assim, evitar algumas ciladas.
Podemos encarar a relação língua e ideologia em dois planos: o plano da forma e o plano do conteúdo. O plano do sentido é o mais aparente, mais fácil de perceber; ao nível da forma, por se tratar de um fenômeno mais abstrato, a questão ideológica é menos visível, ainda que não menos importante.
BRITTO, Luiz Percival Leme. Língua e
Ideologia: a reprodução do preconceito. In BAGNO, M. (Org.) Linguística da Norma. São Paulo: Loyola, 2002. p. 135-137. [Adaptado]
Assinale a alternativa correta em relação ao excerto abaixo.
“O que posso fazer – ao invés de tentar escapar da rede de significado que elas constituem, escutando a advertência do poeta Drummond de que ‘sob a pele das palavras há cifras e códigos’ –, o que posso fazer é ter consciência desse processo e de certos jogos possíveis de serem criados e, assim, evitar algumas ciladas.” (terceiro parágrafo)
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