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Dicionarização de ‘‘quando’’
Nos dicionários Houaiss e Aurélio, a entrada de quando abriga as categorias advérbio e conjunção. Vejamos as acepções apresentadas para a categoria conjunção.
No Houaiss:
quando (…) ∙ Conj. 2 conj. sub. introduz oração subord. adv., dando ideia de: 2.1 conj. temp. tempo: durante o tempo que, no tempo em que, sempre que; enquanto <q. chove, fica em casa> 2.2 conj. prop. proporção: à medida que, ao passo que <q. iam entrando em casa, tiravam os sapatos> 2.3 conj. cond. condição: se, acaso <q. achava bom, ia em frente> 2.4 conj. concs. concessão: ainda que, apesar de que <costuma convidá-la para jantar, q. sabe muito bem que ela está de regime>.
No Aurélio:
quando (…) ∙ Conj. 2 No tempo em que; no momento em que: “Quando chegaste, os violoncelos/ Que andam no ar cantaram hinos” (A. G. Obra poética, p. 212). 3 Ainda que; mesmo que; se acaso; se: “– De maneira que te sacrificas a um desejo nosso? / Quando fosse sacrifício, fá-lo-ia de boa cara; mas não é.” (M. A., Helena, p. 180). 4 Apesar de que: “Puseram-nos no almoço manteiga, rabanetes e azeitonas, quando nós só comemos azeitonas.” (F. J., Folhetins, p. 288). 5 ao passo que: Eles têm todas as regalias, quando nós temos só os encargos.
NEVES, Maria Helena de Moura. A gramática passada a limpo:
conceitos, análises e parâmetros. São Paulo: Parábola Editorial, 2012. p. 110-111. [Adaptado]
Identifique abaixo as afirmativas verdadeiras ( V ) e as falsas ( F ), considerando o texto.
( ) O Houaiss apresenta uma subclassificação seguida de algumas conjunções/locuções conjuntivas sinônimas acompanhadas de exemplo, ao passo que o Aurélio não subclassifica gramaticalmente, apresentando apenas uma listagem de acepções exemplificadas.
( ) As ideias de tempo, proporção, condição e concessão estão presentes, nessa ordem, nos dois dicionários.
( ) Há categorizações não coincidentes entre os dois dicionários no que se refere às ideias de concessão e condição, as quais podem ser interpretadas como indício de expansão polissêmica gradual, típica de certas mudanças linguísticas.
( ) Em ambos os dicionários, o registro das acepções parte de um valor mais abstrato (tempo), estendendo-se gradativamente para valores mais concretos.
( ) Em “Prometeu visitá-la mas não disse quando”, a categoria do vocábulo sublinhado não é contemplada em nenhuma das acepções apresentadas.
Assinale a alternativa que indica a sequência correta, de cima para baixo.
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Analise as afirmativas abaixo sobre oralidade e letramento.
1. Oralidade e letramento são práticas sociais com finalidades sociocomunicativas e, portanto, só assumem sentido enquanto inscritas em contextos sociais específicos.
2. As capacidades necessárias para a realização da leitura, na ótica dos estudos dos letramentos, são basicamente de natureza cognitiva, envolvendo as percepções visual e auditiva e a memória.
3. No letramento, a fluência da leitura ocorre de forma gradual, linear e progressiva, partindo de micro estruturas até as construções sintáticas mais elaboradas.
4. A oralidade, diferentemente do letramento, é de amplo uso cotidiano e se distingue claramente da escrita, por se apoiar inteiramente na língua falada.
5. A leitura implica mais do que a decodificação de grafemas e fonemas; envolve processos elaborados de compreensão e produção dos sentidos.
Assinale a alternativa que indica todas as afirmativas corretas.
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Ordene numericamente os fragmentos abaixo de modo a constituir um parágrafo coeso e coerente.
Adaptado de FARACO, C. A. Guerras em torno da língua. http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mais/fs2503200118.htm
( ) Há, inclusive, uma reverência quase religiosa ao texto das gramáticas.
( ) Essa ciência, a linguística, já está solidamente estabelecida nas universidades do mundo todo e vem acumulando um saldo apreciável de observações e análises que corroem até o cerne tanto a reverência quase religiosa às velhas gramáticas quanto o discurso mítico do senso comum.
( ) No entanto, desde o fim do século XVIII, vem-se construindo um saber científico sobre as línguas humanas.
( ) Talvez não seja exagero dizer que para boa parte das pessoas soa estranha a afirmação de que as línguas humanas são objeto de ciência.
( ) Ao mesmo tempo, o senso comum recobre a língua com um conjunto de enunciados categóricos (não demonstrados) que constituem um poderoso discurso mítico de ampla circulação social.
( ) Normalmente acredita-se que os velhos compêndios gramaticais contêm tudo o que há para dizer sobre uma língua.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta, de cima para baixo.
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Texto 3
Fritz Müller – a prova do evolucionismo no Brasil
Imigrante alemão testou pela primeira vez, em Santa Catarina, a teoria de Darwin. Para o naturalista inglês, seu colega era o “príncipe dos observadores da natureza”.
Charles Darwin sabia que não seria fácil a comunidade científica aceitar sua tese de que uma espécie daria origem a outra distinta. Logo na primeira edição de A Origem das Espécies, publicada em 1858, ele solicitou o envolvimento de naturalistas para que estudassem, imparcialmente, os dois lados da questão. Estudos começaram a ser feitos no mundo todo, em uma verdadeira “corrida do ouro”. Mas o resultado que Darwin esperava só foi surgir em 1864, com o trabalho batizado de FürDarwin (Para Darwin, em alemão), do naturalista alemão, radicado no Brasil, Fritz Müller.
Johann Friedrich Theodor Müller (1822-1897) era um jovem médico e naturalista alemão que, em 1852, chegava ao Brasil com a esposa e uma filha. Eles tinham sido atraídos ao país pela propaganda feita por Hermann Blumenau, que desejava povoar uma colônia ao lado do rio Itajaí (hoje conhecida pelo sobrenome de seu fundador) e atrair o maior número possível de cientistas – que trabalhariam como professores.
Em Blumenau, Müller ganhou um grande terreno e passou a cuidar das terras como colono, aguardando convite para lecionar – o que viria a acontecer em 1856, quando assumiu a vaga de professor de matemática no Liceu Provincial de Desterro, atual Florianópolis. Para os habitantes da ilha, seu nome era quase impronunciável e ele ganhou um carinhoso apelido: Fritz Müller.
Pouco tempo depois, em 1861, o Liceu seria fechado e daria lugar ao Colégio da Santíssima Trindade, instituição religiosa que nada tinha a ver com o que Müller acreditava. O naturalista agora teria tempo de percorrer as matas atrás dos espécimes que colecionava, em um ofício que lhe foi caro desde a juventude. Mas os planos do alemão iam além. Nesse mesmo ano, ele recebeu a tradução alemã de A Origem – sendo considerado o primeiro habitante do Brasil a ter contato com a obra – e percebeu que o convite de Darwin para novas pesquisas era uma oportunidade de colocar seu intelecto em prática.
Por meses, Müller realizou pesquisas de campo e experiências com espécies típicas do litoral catarinense. Em um desses trabalhos, encontrou a prova de que parte de uma espécie poderia se diferenciar do restante e ganhar características próprias, transformando-se em uma nova espécie que poderia competir com a outra e se destacar, tornando-se mais apta a sobreviver. Fritz Müller foi o primeiro cientista a apresentar modelos matemáticos para explicar a seleção natural e fornecer provas contundentes da veracidade da teoria.
MOÇO, Anderson. http://revistaescola.abril.com.br/ciencias
/fundamentos/fritz-muller-prova-evolucionismo- brasil-432259.shtml) [Adaptado]. Acesso em 10/03/2014.
Considere a relação semântica estabelecida entre as orações articuladas pelos vocábulos sublinhados em cada segmento abaixo, do texto 3.
1.“[…] Mas o resultado que Darwin esperava só foi surgir em 1864.” (primeiro parágrafo)
2. “[…] que desejava povoar uma colônia ao lado do rio Itajaí (hoje conhecida pelo sobrenome de seu fundador) e atrair o maior número possível de cientistas.” (segundo parágrafo)
3. “[..] o que viria a acontecer em 1856, quando assumiu a vaga de professor de matemática
4. “O naturalista agora teria tempo de percorrer as matas atrás dos espécimes que colecionava […]” (quarto parágrafo)
5. “Fritz Müller foi o primeiro cientista a apresentar modelos matemáticos para explicar a seleção natural […]” (último parágrafo)
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta das relações semânticas, de cima para baixo.
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