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Texto 5
Fala e escrita
Uma diversidade, muito sutil e falaz, é a que existe entre a fala e a escrita. […] O estudante já vem para a escola falando satisfatoriamente, embora seja em regra deficiente no registro formal do uso culto; o que ele domina plenamente é a linguagem familiar, na maioria dos casos. Como quer que seja, a técnica da língua escrita ele tem de aprender na escola. Os professores partem da ilusão de que, ensinando-a, estão ao mesmo tempo ensinando uma fala satisfatória. […]
A língua escrita se manifesta em condições muito diversas da língua oral. […] A fala se desdobra numa situação concreta, sob o estímulo de um falante ou vários falantes outros, bem individualizados. Uma e outra coisa desaparecem na língua escrita. Já aí se tem uma primeira e profunda diferença entre os dois tipos de comunicação linguística.
Depois, a escrita não reproduz fielmente a fala, como sugere a metáfora tantas vezes repetida de que “ela é a roupagem da língua oral”.
CAMARA Jr., Joaquim Mattoso. Estrutura da língua portuguesa. 3. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 1972. p. 9-10.
Texto 6
Fala e escrita
Uma primeira observação a ser feita é a que diz respeito ....... própria visão comparativa da relação entre fala e escrita. Quando se olha para ....... escrita tem-se a impressão de que se está contemplando algo naturalmente claro e definido. Tudo se passa como se ao nos referirmos ...... escrita estivéssemos apontando para um fenômeno se não homogêneo, pelo menos bastante estável e com pouca variação. O contrário ocorre com a consciência espontânea que se desenvolveu respeito da fala. Esta se apresenta como variada e, curiosamente, não nos vem ...... mente em primeira mão a fala padrão. É o caso de dizer que fala e escrita são intuitivamente construídas como tipos ideais concebidos com princípios opostos e que não correspondem ....... realidade alguma, a menos que identifiquemos um fenômeno que as realize.
A hipótese que defendemos supõe que: as diferenças entre fala e escrita se dão dentro do continuum tipológico das práticas sociais de produção textual e não na relação dicotômica de dois polos opostos. [grifos do autor]
MARCUSCHI, Luiz Antônio. Da fala para a escrita:
atividades de retextualização. 8. ed. São Paulo: Cortez, 2007. p. 37.
Considerando aspectos sintático-semânticos relativos à coesão textual, assinale a alternativa em que a identificação da referência está correta, em relação aos textos 5 e 6.
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O ‘Hubble’ fotografa uma supernova que surpreende por seu brilho
A explosão de uma estrela descoberta, por pura casualidade, por uns estudantes britânicos há pouco mais de um mês se converteu em tema de interesse de astrônomos de todo o mundo, que inclusive apontaram o telescópio espacial Hubble para vê-la. É a supernova mais brilhante detectada nos últimos 27 anos e ainda é visível no céu com telescópios modestos de amadores. Além disso, é de um tipo especial (Ia) que os cosmólogos utilizam para medir grandes distâncias no universo. Mas o céu costuma surpreender os cientistas. Um grupo de especialistas da Universidade de Berkeley (EUA) está estudando a supernova que foi batizada oficialmente de SN 2014J, e viu que é estranha porque seu brilho aumentou mais rápido do que o esperado. “Pode ser que esteja nos mostrando algo das supernovas de tipo Ia que os teóricos precisem compreender; talvez o que pensávamos que fosse um comportamento normal de uma dessas supernovas seja o anormal”, diz Alex Filippenko, líder da equipe.
Uma supernova é uma explosão colossal de uma estrela que ocorre quando ela se desestabiliza. A descrição padrão desses fenômenos fala de astros imensos que, quando as reações nucleares de seu interior já consumiram todo o seu hidrogênio, deixando-os sem combustível, colapsam desencadeando todo o processo de explosão na forma de supernova. Mas, as do tipo Ia são diferentes: são estrelas anãs brancas, velhas e muito densas, tanto que nelas uma massa como a do Sol está comprimida em um tamanho equivalente ao da Terra; quando roubam matéria de um astro próximo ou se se fundem duas delas, podem superar um certo umbral de massa a partir do qual deixam de ser estáveis e se desencadeia uma colossal explosão.
O valor das Ia como marcação de medida de distâncias no universo se deve a que essas supernovas geram o mesmo brilho mais ou menos, o que permite estimar a distância a que está a galáxia na qual se produzem essas explosões. E foi precisamente com duas pesquisas independentes que usaram essas supernovas para medir distâncias no cosmos e medir a velocidade de recessão das respectivas galáxias que se descobriu a inesperada aceleração da expansão do universo.
Disponível em <http://brasil.elpais.com/brasil/2014/03/04/sociedad/1393959611_405560.html> [Adaptado]
Acesso em 07/03/2014.
Considere os trechos extraídos do texto.
1. “Além disso, é de um tipo especial (Ia) que os cosmólogos utilizam para medir grandes distâncias no universo. Mas o céu costuma surpreender os cientistas. Um grupo de especialistas da Universidade de Berkeley (EUA) está estudando a supernova que foi batizada oficialmente de SN 2014J […].” (primeiro parágrafo)
2. “[…] talvez o que pensávamos que fosse um comportamento normal de uma dessas supernovas seja o anormal” (primeiro parágrafo)
3. “[…] quando roubam matéria de um astro próximo ou se se fundem duas delas, podem superar um certo umbral de massa a partir do qual deixam de ser estáveis e se desencadeia uma colossal explosão.” (segundo parágrafo)
Assinale a alternativa correta, tendo em vista a organização do texto e a norma padrão da língua portuguesa.
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Texto 3
Os segredos
O que acontece às vezes com minha ignorância é que ela deixa de ser sentida como uma omissão e se torna quase palpável, assim como a escuridão, a gente às vezes parece que pode ser pegada. Quando é sentida como uma omissão, pode dar a sensação de mal-estar, uma sensação de não estar a par, enfim de ignorância mesmo. Quando ela se torna quase palpável como a escuridão, ela me ofende. O que ultimamente tem-me ofendido – e é uma ofensa mesmo porque dessa eu não tenho culpa, é uma ignorância que me é imposta – o que tem ultimamente me ofendido é sentir que em vários países há cientistas que mantêm em segredo coisas que revolucionariam meu modo de ver, de viver e de saber. Por que não contam o segredo? Porque precisam dele para criar novas coisas, e porque temem que a revelação cause pânico, por ser precoce ainda.
Então eu me sinto hoje mesmo como se estivesse na Idade Média. Sou roubada de minha própria época. Mas entenderia eu o segredo se me fosse revelado? Ah, haveria, tinha de haver um modo de eu me pôr em contato com ele.
Ao mesmo tempo estou cheia de esperanças no que o segredo encerra. Estão nos tratando como criança a quem não se assusta com verdades antes do tempo. Mas a criança sente que vem uma verdade por aí, sente como um rumor que não sabe de onde vem. E eu sinto um sussurro que promete. Pelo menos sei que há segredos, que o mundo físico e psíquico seria visto por mim de um modo totalmente novo – se ao menos eu soubesse. Eu tenho que ficar com a tênue alegria mínima do condicional “se eu soubesse”. Mas tenho que ter modéstia com a alegria. Quanto mais tênue é a alegria, mais difícil e mais precioso de captá-la – e mais amado o fio quase invisível da esperança de vir a saber.
LISPECTOR, Clarice. Aprendendo a viver. Rio de Janeiro: Rocco, 2004. p. 32-33.
Identifique abaixo as afirmativas verdadeiras ( V ) e as falsas ( F ) no que se refere a recursos estilísticos utilizados no texto 3.
( ) Nas menções a segredo, as diversas formas (“os segredos”, “em segredo”, “o segredo”, “segredos”) jogam com o caráter referencial da entidade, apontando ora para a especificidade, ora para a generecidade expressa pelo sintagma nominal.
( ) No primeiro parágrafo, em “ela deixa de ser sentida como uma omissão e se torna quase palpável, assim como a escuridão”, e no segundo parágrafo, em “Então eu me sinto hoje mesmo como se estivesse na Idade Média”, há três casos de comparação modal em que se observa, pela forma gramatical de expressão, que o conteúdo da oração comparativa é tomado como coisa irreal ou hipotética.
( ) No segundo parágrafo, em “Ah, haveria, tinha de haver um modo de eu me pôr em contato com ele.”, a locução “tinha de haver” acentua o valor modal deôntico do enunciado, enfatizando o desejo subjetivo da narradora.
( ) Há um valor conotativo no uso das palavras “ignorância” e “escuridão”, pois lhes é atribuído um traço de concretude, permitindo a ambas a possibilidade de serem “palpáveis”.
( ) Em “Por que não contam o segredo?” (primeiro parágrafo) e “Mas entenderia eu o segredo se me fosse revelado?” (segundo parágrafo), a narradora, como estratégia de envolvimento do leitor, lança perguntas que ficam sem respostas no texto, cabendo ao leitor respondê-las.
Assinale a alternativa que indica a sequência correta, de cima para baixo.
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Texto 9
Língua e ideologia
A reprodução do preconceito
As palavras não são neutras, a língua não é neutra. A ideia de que as palavras nomeiam e, simplesmente porque nomeiam, o sentido está dado – de que elas não são prenhes de sentidos outros além daqueles que eu supunha tão ingenuamente – faz com que eu seja traído pela língua, seja manipulado pela língua.
Não tenho como me desenredar da teia de palavras, e de seus sentidos, e de suas implicações. Não tenho como falar delas senão usando elas, e dentro dos espaços em que elas, circulando, têm significação. “As palavras são tecidas a partir de uma multidão de fios ideológicos e servem de trama a todas as relações sociais em todos os domínios”, ensina Bakhtin.
O que posso fazer – ao invés de tentar escapar da rede de significado que elas constituem, escutando a advertência do poeta Drummond de que “sob a pele das palavras há cifras e códigos” –, o que posso fazer é ter consciência desse processo e de certos jogos possíveis de serem criados e, assim, evitar algumas ciladas.
Podemos encarar a relação língua e ideologia em dois planos: o plano da forma e o plano do conteúdo. O plano do sentido é o mais aparente, mais fácil de perceber; ao nível da forma, por se tratar de um fenômeno mais abstrato, a questão ideológica é menos visível, ainda que não menos importante.
BRITTO, Luiz Percival Leme. Língua e
Ideologia: a reprodução do preconceito. In BAGNO, M. (Org.) Linguística da Norma. São Paulo: Loyola, 2002. p. 135-137. [Adaptado]
Assinale a alternativa correta, de acordo com o texto 9.
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Dicionarização de ‘‘quando’’
Nos dicionários Houaiss e Aurélio, a entrada de quando abriga as categorias advérbio e conjunção. Vejamos as acepções apresentadas para a categoria conjunção.
No Houaiss:
quando (…) ∙ Conj. 2 conj. sub. introduz oração subord. adv., dando ideia de: 2.1 conj. temp. tempo: durante o tempo que, no tempo em que, sempre que; enquanto <q. chove, fica em casa> 2.2 conj. prop. proporção: à medida que, ao passo que <q. iam entrando em casa, tiravam os sapatos> 2.3 conj. cond. condição: se, acaso <q. achava bom, ia em frente> 2.4 conj. concs. concessão: ainda que, apesar de que <costuma convidá-la para jantar, q. sabe muito bem que ela está de regime>.
No Aurélio:
quando (…) ∙ Conj. 2 No tempo em que; no momento em que: “Quando chegaste, os violoncelos/ Que andam no ar cantaram hinos” (A. G. Obra poética, p. 212). 3 Ainda que; mesmo que; se acaso; se: “– De maneira que te sacrificas a um desejo nosso? / Quando fosse sacrifício, fá-lo-ia de boa cara; mas não é.” (M. A., Helena, p. 180). 4 Apesar de que: “Puseram-nos no almoço manteiga, rabanetes e azeitonas, quando nós só comemos azeitonas.” (F. J., Folhetins, p. 288). 5 ao passo que: Eles têm todas as regalias, quando nós temos só os encargos.
NEVES, Maria Helena de Moura. A gramática passada a limpo:
conceitos, análises e parâmetros. São Paulo: Parábola Editorial, 2012. p. 110-111. [Adaptado]
Correlacione as colunas, tendo em vista os diferentes valores atribuídos a “quando” no dicionário Houaiss, de acordo com o texto.
Coluna 1
1. tempo
2. proporção
3. condição
4. concessão
Coluna 2
( ) Pediu pudim de sobremesa, quando devia ter pedido uma fruta.
( ) A criança é considerada curada quando não apresenta sinais de leucemia nos cinco anos seguintes.
( ) Quando a casa tem três quartos, dá para abrigar toda a família.
( ) Quando se aproxima o verão, a cidade recebe mais turistas.
( ) Ela interrompeu a viagem quando soube da morte do avô.
Assinale a alternativa que indica a sequência correta, de cima para baixo.
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