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Texto 2
Norma prescritiva & escrita literária
As obras dos grandes poetas e ficcionistas representam produções linguísticas em gêneros escritos bastante particulares – usar essas produções como modelo a ser descrito e/ou prescrito implicaria na omissão e desconsideração de todos os demais usos da língua. Assim, se os gramáticos podem colher, nas obras literárias, exemplos de usos “corretos” das estruturas gramaticais do idioma, também seria possível coletar, nessas mesmas obras, exemplos contrários, isto é, de usos não “exemplares”, de usos que contrariam precisamente as regras prescritas como “melhores” ou “mais recomendáveis” pelos mesmos gramáticos. As duas práticas são injustificáveis, uma vez que ambas traem o objetivo do escritor, que não é transformar-se em régua para medir os usos linguísticos de todos os demais usuários da língua, mas, sim, construir obras de arte que lhe permitam dar vazão à sua necessidade de expressão, a seu desejo de comunicação, à sua ânsia de criação.
***
A maior parte das citações extraídas de Laços de Família mostra que Cunha & Cintra, responsáveis pela Nova gramática do português contemporâneo, conseguiram realizar uma façanha e tanto: encontrar em Clarice Lispector frases banais, construções sintáticas básicas, que qualquer falante nativo de português minimamente letrado poderia escrever, não havendo necessidade de extraí-las da obra de uma escritora deste porte. É quase como se os gramáticos quisessem evitar mostrar precisamente o que há de “efeito mágico” na linguagem da ficcionista… Alguns exemplos:
Mas – quem daria dinheiro aos pobres? (p. 140)
Vivi com Daniel perto de dois anos. (p. 148)
Acerca do emprego dos pronomes ele, ela, eles, elas como objeto direto, assim se manifestam Cunha & Cintra (p. 281):
Na fala vulgar e familiar do Brasil é muito frequente o uso do pronome ele(s), ela(s) como objeto direto em frases do tipo:
Vi ele. Encontrei ela.
Embora esta construção tenha raízes antigas no idioma, pois se documenta em escritores portugueses dos séculos XIII e XIV, deve ser hoje evitada.
Só que essa construção “vulgar e familiar” que supostamente deve ser “evitada” (mas por quê? por ser uma “interferência da fala na escrita”?) ocorre em A hora da estrela, de Lispector, a mesma escritora que é chamada na gramática de Cunha & Cintra a oferecer exemplos de uso correto:
Se sei quase tudo de Macabéa é que já peguei uma vez de relance o olhar de uma nordestina amarelada. Esse relance me deu ela de corpo inteiro. (p. 57).
BAGNO, Marcos. In: CORREA, D. A.; SALEH, P. B. de O. (Org.) Práticas de letramento no ensino:
leitura, escrita e discurso. São Paulo: Parábola Editorial; Ponta Grossa, PR: UEPG, 2007. p. 28-38. [Adaptado.]
Considerando o texto 2, analise as afirmativas abaixo tendo em vista a organização textual e a norma culta da língua portuguesa.
1. Na primeira frase do texto, em “implicaria na omissão”, ocorre um uso inovador da preposição em, provavelmente por influência de sinônimos como ‘redundar’ e ‘resultar’.
2. Na terceira frase do texto, em “[…] não é transformar-se em régua para medir os usos linguísticos de todos os demais usuários da língua, mas, sim, construir obras de arte […]”, a substituição de “mas” por “e” resultaria em: “[…] não é transformar-se em régua para medir os usos linguísticos de todos os demais usuários da língua, e sim construir obras de arte […]”.
3. Na terceira frase do texto, em “[…] dar vazão à sua necessidade de expressão, a seu desejo de comunicação, à sua ânsia de criação”, o sinal indicativo de crase poderia, por paralelismo estrutural, ser excluído.
4. No segundo parágrafo, em “A maior parte das citações extraídas de Laços de Família mostra que […]”, o verbo deveria estar no plural em concordância com “citações”.
5. No segundo parágrafo, em “É quase como se os gramáticos quisessem evitar mostrar”, a preposição “de” deveria ser inserida entre os dois verbos no infinitivo.
Assinale a alternativa que indica todas as afirmativas corretas.
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Escola × Violência
Jussara de Barros
Parágrafo 1 A violência é um problema social que está presente nas ações dentro das escolas e se manifesta de diversas formas entre todos os envolvidos no processo educativo. Isso não deveria acontecer, pois escola é lugar de formação da ética e da moral dos sujeitos ali inseridos, sejam eles alunos, professores ou demais funcionários.
Parágrafo 2 A violência estampada nas ruas das cidades, a violência doméstica, os latrocínios, os contrabandos, os crimes de colarinho branco têm levado jovens a perder a credibilidade em uma sociedade justa e igualitária capaz de promover o desenvolvimento social em iguais condições para todos, tornando-os violentos conforme esses modelos sociais.
Parágrafo 3 Nas escolas, as relações do dia a dia deveriam traduzir respeito ao próximo, através de atitudes que levassem à amizade, harmonia e integração das pessoas, visando a atingir os objetivos propostos no projeto político pedagógico da instituição.
Parágrafo 4 Muito se diz sobre o combate à violência, porém, levando ao pé da letra, combater significa guerrear, bombardear, batalhar, o que não traz um conceito correto para se revogar a mesma. As próprias instituições públicas se utilizam desse conceito errôneo, princípio que deve ser o motivador para a falta de engajamento dessas ações.
Parágrafo 5 Levar esse tema para a sala de aula desde as séries iniciais é uma forma de trabalhar com um tema controverso e presente em nossas vidas, possibilitando momentos de reflexão que auxiliarão na transformação social.
Parágrafo 6 Com recortes de jornais e revistas, pesquisas, filmes, músicas, desenhos animados, notícias televisivas, dentre outros, os professores podem levantar discussões acerca do tema numa possível forma de criar um ambiente de respeito ao próximo, considerando que todos os envolvidos no processo educativo devem participar e se engajar nessa ação para que a mesma não se torne contraditória. E muito além das discussões e momentos de reflexão, os professores devem propor soluções e análises críticas acerca dos problemas a fim de que os alunos se percebam capacitados para agir como cidadãos. Afinal, a credibilidade e a confiança são as melhores formas de mostrar para crianças e jovens que é possível vencer os desafios e problemas que a vida apresenta.
Disponível em: <http://www.brasilescola.com/educacao/escola-x-violencia.htm>. Acesso em: 25 maio 2014. (Adaptado)
Analise as frases abaixo, extraídas do texto:
1. A violência é um problema social que está presente nas ações dentro das escolas e se manifesta de diversas formas entre todos os envolvidos no processo educativo. (Parágrafo 1)
2. Isso não deveria acontecer, pois escola é lugar de formação da ética e da moral dos sujeitos ali inseridos, sejam eles alunos, professores ou demais funcionários. (Parágrafo 1)
3. Nas escolas, as relações do dia a dia deveriam traduzir respeito ao próximo, através de atitudes que levassem à amizade, harmonia e integração das pessoas, visando a atingir os objetivos propostos no projeto político pedagógico da instituição. (Parágrafo 3)
4. As próprias instituições públicas se utilizam desse conceito errôneo, princípio que deve ser o motivador para a falta de engajamento dessas ações. (Parágrafo 4)
Assinale a alternativa que indica todas as frases que expressam a opinião da autora.
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| Coluna 1 | Coluna 2 |
| 1. NBR6023 | ( ) Sumário – Apresentação |
| 2. NBR6027 | ( ) Resumo – Apresentação |
| 3. NBR12676 | ( ) Referências – Elaboração |
| 4. NBR6028 | ( ) Ordem alfabética |
| 5. NBR6033 | ( ) Citações em documentos – Apresentação |
| 6. NBR10520 | ( ) Métodos para análise de documentos – Determinação de seus assuntos e seleção de termos de indexação |
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A complicada arte de ver
Ela entrou, deitou-se no divã e disse: “Acho que estou ficando louca”. Eu fiquei em silêncio aguardando que ela me revelasse os sinais da sua loucura. “Um dos meus prazeres é cozinhar. Vou para a cozinha, corto as cebolas, os tomates, os pimentões – é uma alegria! Entretanto, faz uns dias, eu fui para a cozinha para fazer aquilo que já fizera centenas de vezes: cortar cebolas. Ato banal sem surpresas. Mas, cortada a cebola, eu olhei para ela e tive um susto. Percebi que nunca havia visto uma cebola. Aqueles anéis perfeitamente ajustados, a luz se refletindo neles: tive a impressão de estar vendo a rosácea de um vitral de catedral gótica. De repente, a cebola, de objeto a ser comido, se transformou em obra de arte para ser vista! E o pior é que o mesmo aconteceu quando cortei os tomates, os pimentões… Agora, tudo o que vejo me causa espanto.”
Ela se calou, esperando o meu diagnóstico. Eu me levantei, fui à estante de livros e de lá retirei as “Odes Elementales”, de Pablo Neruda. Procurei a “Ode à Cebola” e lhe disse: “Essa perturbação ocular que a acometeu é comum entre os poetas. Veja o que Neruda disse de uma cebola igual àquela que lhe causou assombro: ‘Rosa de água com escamas de cristal’. Não, você não está louca. Você ganhou olhos de poeta… Os poetas ensinam a ver”.
Ver é muito complicado. Isso é estranho porque os olhos, de todos os órgãos dos sentidos, são os de mais fácil compreensão científica. A sua física é idêntica à física óptica de uma máquina fotográfica: o objeto do lado de fora aparece refletido do lado de dentro. Mas existe algo na visão que não pertence à física.
William Blake sabia disso e afirmou: “A árvore que o sábio vê não é a mesma árvore que o tolo vê”. Sei disso por experiência própria. Quando vejo os ipês floridos, sinto-me como Moisés diante da sarça ardente: ali está uma epifania do sagrado. Mas uma mulher que vivia perto da minha casa decretou a morte de um ipê que florescia à frente de sua casa porque ele sujava o chão, dava muito trabalho para a sua vassoura. Seus olhos não viam a beleza. Só viam o lixo.
Adélia Prado disse: “Deus de vez em quando me tira a poesia. Olho para uma pedra e vejo uma pedra”. Drummond viu uma pedra e não viu uma pedra. A pedra que ele viu virou poema.
ALVES, Rubem. A complicada arte de ver. Disponível em:
<http://www1.folha.uol.com.br/folha/sinapse/ult1063u947.shtml> Acessado em 31 de março de 2014.
Considerando aspectos linguísticos do texto, identifique se são verdadeiras ( V ) ou falsas ( F ) as afirmativas abaixo.
( ) Em “Eu fiquei em silêncio aguardando que […]” (primeiro parágrafo) e “Ela se calou, esperando o meu diagnóstico” (segundo parágrafo), o gerúndio introduz orações subordinadas adverbiais temporais reduzidas.
( ) O segmento “Eu me levantei, fui à estante de livros e de lá retirei as ‘Odes Elementales’, de Pablo Neruda.” (segundo parágrafo) é constituído por três orações coordenadas cuja ordem reflete a sequência cronológica dos eventos.
( ) No segundo parágrafo, os pronomes ela (“ela se calou”), lhe (“lhe disse”), a (“a acometeu”) e você (“você não está louca”) remetem ao mesmo referente.
( ) Em “Isso é estranho” (terceiro parágrafo), o pronome demonstrativo retoma “ver”.
( ) Em “sabia disso” e “sei disso” (quarto parágrafo), as duas ocorrências de “disso” estabelecem a mesma referência, sendo, portanto, correferenciais.
Assinale a alternativa que indica a sequência correta, de cima para baixo.
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O texto abaixo deverá ser utilizado para responder a questão.
O que você tem a ver com a corrupção?
Dann Toledo

No dia 21 de abril de 2012, foi dado um minúsculo grande passo em direção à liberdade política em nosso país. O Dia do Basta, como a mobilização foi denominada, levou às ruas de todo o país milhares de pessoas. Em todos os estados da Federação, em diversas cidades, o povo saiu às ruas. Caras foram pintadas, músicas foram entoadas, faixas levantadas e assim foi dado um “peteleco” nas orelhas da nossa sociedade.
Todavia, ainda não conseguimos alcançar a tão sonhada e utópica mudança em nosso cenário político. Ao pensarmos em corrupção, normalmente pensamos em escândalos com nossos legisladores e com os que ocupam os cargos executivos.
Devemos levar em consideração que a corrupção, assim como a moralidade, começa dentro de nosso próprio self. Somos seres políticos e sociais, com isso, é nosso dever nos policiar em nossos pequenos atos para que assim possamos cobrar dos outros uma mudança que dantes já tenhamos, no mínimo, começado a internalizar.
Todas as vezes que pedimos favores de formas obscuras, mesmo que pensamos não haver nada de mais nisso, estamos sim sendo corruptos. O nosso tão amado jeitinho brasileiro nada mais é do que uma forma de burlarmos o sistema de regras e, com isso, nos tornarmos aquilo que dizemos repudiar; corruptos.
Uma campanha do Ministério Público, denominada “O que você tem a ver com a corrupção?”, trata justamente sobre isso: como nossos atos mais simples e muitas vezes ditos inocentes e normais podem ser atos corruptos. Pedir que o guarda de trânsito libere o carro numa blitz mesmo estando irregular, levar um atestado médico no trabalho sem que realmente tenha estado doente, falar para um colega assinar a lista de presença no colégio, faculdade ou bater teu cartão no trabalho. Tudo isso nada mais é do que corrupção.
Com tudo isso, se queremos realmente mudar o cenário de corrupção que toma conta do Brasil, devemos primeiro começar por nós mesmos, pelas nossas casas, pelos nossos atos!
Disponível em: <http://psicologia-ro.blogspot.com.br/2012/04/
o-que-voce-tem-ver-com-corrupcao.html>. Acesso em: 28 maio 2014. (Adaptado)
Analise as afirmativas abaixo.
1. No parágrafo 6, o demonstrativo isso exerce a função de elemento de coesão, pois contribui para a articulação do texto.
2. É possível substituir a expressão nosso próprio self (parágrafo 3) por nós mesmos sem prejuízo de sentido.
3. As palavras todavia (parágrafo 2), assim como (parágrafo 3) e justamente (parágrafo 5) podem ser, respectivamente, substituídas por contudo, da mesma forma que e exatamente, sem prejuízo de sentido.
4. Que é pronome relativo em “Pedir que o guarda de trânsito libere o carro numa blitz mesmo estando irregular (…)” (parágrafo 5).
Assinale a alternativa que indica todas as afirmativas corretas.
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