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Texto 4
A construção dos sentidos no texto: coesão e coerência
Podemos conceituar a coesão como o fenômeno que diz respeito ao modo como os elementos linguísticos presentes na superfície textual se encontram interligados, por meio de recursos também linguísticos, formando sequências veiculadoras de sentidos. Existem duas grandes modalidades de coesão: a remissão e a sequenciação.
A coerência diz respeito ao modo como os elementos subjacentes à superfície textual vêm a constituir, na mente dos interlocutores, uma configuração veiculadora de sentidos. É resultado da atuação conjunta de uma série de fatores de ordem cognitiva, situacional, sociocultural e interacional. Embora coesão e coerência constituam fenômenos diferentes, opera-se, muitas vezes, uma imbricação entre eles por ocasião do processamento textual.
KOCH, Ingedore V. O texto e a construção dos sentidos. São Paulo: Contexto, 1997. p. 35-45. [Adaptado].
Verifique se as afirmativas abaixo estão em consonância com o texto 4 e identifique as verdadeiras ( V ) e as falsas ( F ).
( ) A coerência não está no texto, mas é construída a partir dele.
( ) Em “Existem duas grandes modalidades de coesão: a remissão e a sequenciação.”, ocorre uma remissão por referenciação catafórica.
( ) O conhecimento compartilhado pelos interlocutores orienta a distribuição das informações no texto em termos de informação dada, nova e inferível. Esse é um caso típico de coesão textual por sequenciação.
( ) Na última frase do texto, o pronome pessoal “eles” ilustra um caso típico de coesão remissiva por inferenciação.
( ) Remissões por meio de diminutivos podem revelar carinho ou empatia, permitindo ao interlocutor depreender a orientação argumentativa que o produtor deseja imprimir ao seu discurso. Esse é um caso que ilustra a imbricação entre coesão e coerência.
Assinale a alternativa que indica a sequência correta, de cima para baixo.
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Texto 1
Óbito do autor
Algum tempo hesitei se devia abrir estas memórias pelo princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar o meu nascimento ou a minha morte. Suposto o uso vulgar seja começar pelo nascimento, duas considerações me levaram a adotar diferente método: a primeira é que eu não sou propriamente um autor defunto, mas um defunto autor, para quem a campa foi outro berço; a segunda é que o escrito ficaria assim mais galante e mais novo. Moisés, que também contou a sua morte, não a pôs no introito, mas no cabo: diferença radical entre este livro e o Pentateuco.
Dito isto, expirei às duas horas da tarde de uma sexta-feira do mês de agosto de 1869, na minha bela chácara de Catumbi. Tinha uns sessenta e quatro anos, rijos e prósperos, era solteiro, possuía cerca de trezentos contos e fui acompanhado ao cemitério por onze amigos. Onze amigos! Verdade é que não houve cartas nem anúncios. Acresce que chovia — peneirava uma chuvinha miúda, triste e constante, tão constante e tão triste, que levou um daqueles fiéis da última hora a intercalar esta engenhosa ideia no discurso que proferiu à beira de minha cova: — “Vós, que o conhecestes, meus senhores, vós podeis dizer comigo que a natureza parece estar chorando a perda irreparável de um dos mais belos caracteres que têm honrado a humanidade. Este ar sombrio, estas gotas do céu, aquelas nuvens escuras que cobrem o azul como um crepe funéreo, tudo isso é a dor crua e má que lhe rói à Natureza as mais íntimas entranhas; tudo isso é um sublime louvor ao nosso ilustre finado.”
Bom e fiel amigo! Não, não me arrependo das vinte apólices que lhe deixei. E foi assim que cheguei à cláusula dos meus dias; foi assim que me encaminhei para o undiscovered country de Hamlet, sem as ânsias nem as dúvidas do moço príncipe, mas pausado e trôpego como quem se retira tarde do espetáculo. Tarde e aborrecido. […]
ASSIS, Machado de. [1881] Memórias Póstumas de Brás Cubas. São Paulo: Globo, 2008. p. 9-10.
Identifique abaixo as afirmativas verdadeiras ( V ) e as falsas ( F ) de acordo com o texto 1.
( ) O texto apresenta como ideia principal uma crítica às atitudes mesquinhas dos amigos, comportamento que se revela no leito de morte do narrador.
( ) Trata-se de um texto que narra ficcionalmente as memórias de vida de um sujeito morto, iniciando o relato pelo momento de seu enterro.
( ) A narrativa se assemelha ao relato da morte de Moisés, dando um mesmo prosseguimento cronológico e espacial aos eventos.
( ) Trata-se de um relato autobiográfico em que o autor narra detalhadamente as peripécias de sua vida, desde os primeiros anos.
Assinale a alternativa que indica a sequência correta, de cima para baixo.
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Teses
A jovem estudante queria ‘qualquer coisa, dona Célia, que fale sobre A mulher e seu condicionamento de explorada pelo machismo’. Era este o título da obra. ‘Vale muitos pontos, sabe?’ Cursava a última série do segundo grau e usava muito mal as palavras, o que me predispunha a uma raiva perigosa das escolas, que eu certamente iria descontar nela. Fiz de desentendida: condicionamento de explorada? É, ela falou meio confusa, essas coisas de apanhar de homem, ser estrupada, ganhar de menos que eles, a senhora entende, né? Serve uma poesia? Perguntei já com um autor na cabeça. Não, poesia, não, poesia é sempre coisa muito – como é que é gente? –, muito assim de leve, não é? E eu quero uma coisa forte, a senhora entende, a professora é fogo na jaca. Meio macha? Ah, dona Célia, como é que a senhora adivinhou? Eu estava gostando da tortura: então, você quer um texto em prosa? Em prosa? Repetiu como se ouvisse língua estrangeira. Não, decidiu categórica, não. Não é nem em poesia, nem em prosa. Quero é um artigo de umas vinte linhas, tipo artigo de jornal, arrematou quase doutora, olhando no relógio. Dá pra senhora fazer? Nem repare eu não entrar, tenho ainda pesquisa de ecologia pra fazer. A moça era muito bonita e preferia que fosse analfabeta. A deficientíssima instrução burlava nela algo muito delicado, punha em sua voz uns meios-tons acima do natural, tisnava de ansiedade sua respiração, com a horrível qualidade dos males inconscientes. É sal em carne podre, pensei, não vou fazer artigo nenhum. Primeiro, porque as mulheres são as culpadas de todo mal, portanto merecem o que sofrem. Segundo, porque não vou salvar a escola do Brasil, nem esta menina, escrevendo lugares-comuns sobre nossa condição. Terceiro porque não quero colaborar com esta mania estúpida das escolas de ‘trabalharem o folclore’, ‘trabalharem o social’ e o que mais seja, nestas ocasiões fixas como calendários lunares: trabalhinhos, textinhos, exposiçõezinhas, tudo como num ritual de boas maneiras. Nada desce aos intestinos, vero lugar da aprendizagem. Dia da Mulher? Ah, sei. E daí? Não posso te ajudar, não, Neide Ângela. Não?? Ela falou assustada. Mas vou te emprestar um livro. Livro? Ah, disse decepcionada demais. Não tenho tempo de ler, não, dona Célia, é matéria demais, uma outra hora a senhora me empresta. Tão bonita ela, podia cuidar da vida enquanto descobria sua vocação real, ser uma manicura competente, uma doceira de fama, mas não, quer ‘fazer faculdade’. Quer porque quer. De quem é a culpa, já que as escolas são ma-ra-vi-lho-sas? Ela periga tomar bomba. Está aí, vou contribuir caprichadamente para que ela tome bomba, para que volte este acontecimento formidável da escola antiga, a Bomba, e recuperemos todos a capacidade de sentir medo e respeito. E nem vale ela me olhar com este olhar pidão.
PRADO, Adélia. Filandras. Rio de Janeiro: Record, 2001. p.129-131.
Em relação ao texto, selecione a alternativa correta.
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Planejando seu texto: falado e escrito
Vamos supor que começássemos a escrever usando a mesma variedade da língua que se usa na fala: chamei ela, a casa que eu moro, tá bem etc. Isso não significaria, em absoluto, que os textos escritos ficariam idênticos ao que vou chamar, por comodidade, de textos falados. Acontece que há outras diferenças, que acabam sendo mais importantes do que as diferenças gramaticais, e que são impossíveis de eliminar, porque não decorrem de convenção social, mas das limitações e recursos do meio empregado: a fala ou a escrita.
Para dar um exemplo: um leitor pode diminuir a velocidade de leitura, e pode reler um trecho se achar que não entendeu direito. Mas um ouvinte não tem esses recursos: se não entendeu, precisa pedir ao falante que repita – e não pode ficar fazendo isso o tempo todo, para não perturbar a própria situação de comunicação, e acabarem os dois se confundindo na conversa. Isso tem consequências para a estruturação do texto. Um autor pode escrever de maneira muito mais sintética, sem repetições e construindo suas frases em um plano amplo, como por exemplo:
O Durval, que toma conta da escola, saiu correndo atrás dos meninos da terceira série, que tinham ido para a rua, a fim de vigiá-los.
Essa frase funciona perfeitamente na escrita. Mas se for falada desse jeito – e principalmente se as outras frases do texto forem todas estruturadas assim – vai ficar difícil de entender. O ouvinte, que não pode voltar atrás, pode não se lembrar de quem é que vai “vigiar”, ou quem são “-los”, ou quem é que tinha ido para a rua. Essa passagem apareceria (e, na verdade, apareceu) em um texto falado com a seguinte forma:
aí, saiu o Durval saiu correndo atrás dos menino, né, o que toma conta lá da escola, pra poder, saiu correndo atrás dos menino, poder tomar conta dos menino. Os menino tinha ido pra rua, menino da terceira série.
PERINI, Mário A. A língua do Brasil amanhã e outros mistérios.
São Paulo: Parábola Editorial, 2004. p. 65-67.
Considere os trechos extraídos do texto.
1. “Para dar um exemplo: um leitor pode diminuir a velocidade de leitura, e pode reler um trecho se achar que não entendeu direito. Mas um ouvinte não tem esses recursos: se não entendeu, precisa pedir ao falante que repita – e não pode ficar fazendo isso o tempo todo, para não perturbar a própria situação de comunicação, e acabarem os dois se confundindo na conversa.”
2. “O ouvinte, que não pode voltar atrás, pode não se lembrar de quem é que vai ‘vigiar’, ou quem são ‘-los’, ou quem é que tinha ido para a rua.”
Identifique abaixo as afirmativas verdadeiras ( V ) e as falsas ( F ).
( ) Em 1, o artigo indefinido, sublinhado nas duas ocorrências, particulariza, respectivamente, um leitor e um ouvinte específico que o autor tem em mente.
( ) Em 1, a ordenação das sentenças condicionais sublinhadas relativamente às respectivas principais promove a manutenção do paralelismo estrutural entre os períodos.
( ) Em 1, “esses recursos” e “isso” são mecanismos coesivos para indicar progressão referencial, caracterizados, respectivamente, como uso de descrição definida e de forma remissiva demonstrativa.
( ) Em 2, as duas orações sublinhadas apresentam valores distintos para o auxiliar modal “poder”: modalidade voltada ao eixo da conduta e modalidade voltada ao eixo da possibilidade epistêmica, respectivamente.
( ) Em 2, as duas ocorrências de “é que” sinalizam focalização do conteúdo de orações objetivas diretas.
Assinale a alternativa que indica a sequência correta, de cima para baixo.
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Considere a citação abaixo:
“A causalidade é uma macrorrelação que se especifica por meio de quatro valores: causa, condição, consequência e finalidade.”
(AZEREDO, 2008. p. 323.)
Identifique se são verdadeiras ( V ) ou falsas ( F ) as relações semânticas indicadas a seguir.
( ) Você pode usar os aparelhos para treinar, contanto que deixe a sala liberada antes das 17 h. (condição)
( ) Bastou uma discussão entre as crianças para que elas fossem tachadas de agressivas. (consequência)
( ) A criança já está bem crescidinha para continuar dormindo no quarto dos pais. (finalidade)
( ) Não pararam nenhuma vez durante a viagem posto que estivessem cansados. (causa)
( ) O atleta não pretende mudar de clube, a menos que a proposta seja muito boa. (condição)
Assinale a alternativa que indica a sequência correta, de cima para baixo.
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