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Em The Idea of a Home: A Kind of Space, Mary Douglas elabora a
casa como um problema antropológico. Ela diz o seguinte:
"O principal problema de uma comunidade virtual é conseguir
solidariedade suficiente para proteger o bem coletivo. Se a
solidariedade enfraquecer, os ataques individuais destroem a
base de recursos colectivos. Embora o lar, tal como outras
instituições sem fins lucrativos, seja ineficiente segundo critérios
de mercado, noutro sentido é extraordinariamente eficiente. Não
necessita de pessoal administrativo especializado, porque as
reivindicações de justiça difundem o trabalho de organização. Os
membros continuamente reivindicam recursos, mas não vão
ganhar uma disputa pedindo em seu próprio nome; a
reivindicação vencedora é feita em nome do bem público e em
nome da justiça, que num lar é considerada um bem público. As
reivindicações individuais são concedidas ou refutadas pelos
mesmos motivos. A solução teórica do problema distributivo é a
equidade, mas a solução prática é fazer de cada membro um
vigilante do bem público e utilizar a coordenação para fazer o
resto. A coordenação facilita o controle público e um elevado
grau de visibilidade” (Douglas, 1991, p. 299). Nessa passagem, traduzida do inglês, Mary Douglas dialoga
claramente com a teoria de:
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Em Rituais ontem e hoje, Mariza Peirano analisa o carnaval como
um ritual que expressa as ambiguidades e os dilemas da
sociedade brasileira. A autora destaca:
"O carnaval produz uma realidade que desfaz o dia a dia em um processo violento de individualização” (Peirano, 2003, p. 26).
De acordo com essa análise, o principal efeito do carnaval na sociedade brasileira consiste em:
"O carnaval produz uma realidade que desfaz o dia a dia em um processo violento de individualização” (Peirano, 2003, p. 26).
De acordo com essa análise, o principal efeito do carnaval na sociedade brasileira consiste em:
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A noção de "fricção interétnica", desenvolvida por Roberto
Cardoso de Oliveira, busca analisar as relações entre grupos
indígenas e a sociedade nacional brasileira. Em um dos textos
fundacionais do conceito, Estudo de áreas de fricção interétnica
do Brasil, o autor define a fricção interétnica da seguinte forma:
"Chamamos fricção interétnica o contato entre grupos tribais e
segmentos da sociedade brasileira, caracterizados por seus
aspectos competitivos e, no mais das vezes, conflituais,
assumindo esse contato muitas vezes proporções ‘totais’, i.e.,
envolvendo toda a conduta tribal e não tribal que passa a ser
moldada pela situação de fricção interétnica” (Oliveira, 1962,
p. 86). Seguindo o autor, é correto definir a “fricção interétnica” como:
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No texto Populações indígenas, povos tradicionais e preservação
na Amazônia, Manuela Carneiro da Cunha e Mauro de Almeida
afirmam o seguinte: “Durante muito tempo, existiu entre antropólogos,
conservacionistas, governantes e as próprias populações
tradicionais aquilo que um antropólogo chamou, em outro
contexto, de ‘mal-entendido útil’. Esse mal-entendido gira em
torno do que se pode chamar de essencialização do
relacionamento entre as populações tradicionais e o meio
ambiente” (Cunha e Almeida, 2009, p. 13). Na base dessa essencialização está o mito:
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No texto O que significa tornar-se outro?, a antropóloga
Aparecida Vilaça argumenta que a experiência xamânica Wari' se
caracteriza pela duplicidade corporal. No texto, Vilaça afirma:
"O xamã caracteriza-se por possuir dois corpos simultâneos: um corpo humano visível pelos Wari', que se relaciona com eles normalmente, como membro de sua sociedade, e um corpo animal que ele percebe como humano, e que se relaciona com os demais animais daquela espécie também como membro da sua sociedade, que é como a sociedade Wari’" (Vilaça, 2000, p. 63).
Com base na explicação de Aparecida Vilaça, é correto afirmar que:
"O xamã caracteriza-se por possuir dois corpos simultâneos: um corpo humano visível pelos Wari', que se relaciona com eles normalmente, como membro de sua sociedade, e um corpo animal que ele percebe como humano, e que se relaciona com os demais animais daquela espécie também como membro da sua sociedade, que é como a sociedade Wari’" (Vilaça, 2000, p. 63).
Com base na explicação de Aparecida Vilaça, é correto afirmar que:
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Lygia Sigaud foi uma antropóloga brasileira que se dedicou aos
estudos das relações sociais no campo. No seu artigo Se eu
soubesse, a autora descreve as relações entre trabalhadores e
patrões da seguinte forma:
"Do ponto de vista do observador, a ‘casa de morada’, a terra e a proteção constituíam obrigações patronais, assim como não trabalhar fora e ser leal ao patrão correspondiam a obrigações dos moradores. Para esses, apenas as suas obrigações eram percebidas enquanto tais. As do patrão eles representavam como dons, como sinais de sua bondade, e sentiam-se, portanto, devedores. Desincumbir-se com afinco de suas obrigações era a forma de retribuir. De sua parte, o patrão se concebia como um doador: aquilo que concedia ao seu morador atestava apenas a sua generosidade e não era vivido como uma obrigação. Ser generoso era um valor e o prestígio dos patrões se media pelos sinais exteriores de sua magnanimidade. O não cumprimento de suas obrigações punha em risco o prestígio do patrão perante os pares e os moradores e configurava uma dívida, ainda que ele não se concebesse como um devedor” (Sigaud, 2012, p. 130).
A teoria das trocas que embasa a descrição e a análise da autora é:
"Do ponto de vista do observador, a ‘casa de morada’, a terra e a proteção constituíam obrigações patronais, assim como não trabalhar fora e ser leal ao patrão correspondiam a obrigações dos moradores. Para esses, apenas as suas obrigações eram percebidas enquanto tais. As do patrão eles representavam como dons, como sinais de sua bondade, e sentiam-se, portanto, devedores. Desincumbir-se com afinco de suas obrigações era a forma de retribuir. De sua parte, o patrão se concebia como um doador: aquilo que concedia ao seu morador atestava apenas a sua generosidade e não era vivido como uma obrigação. Ser generoso era um valor e o prestígio dos patrões se media pelos sinais exteriores de sua magnanimidade. O não cumprimento de suas obrigações punha em risco o prestígio do patrão perante os pares e os moradores e configurava uma dívida, ainda que ele não se concebesse como um devedor” (Sigaud, 2012, p. 130).
A teoria das trocas que embasa a descrição e a análise da autora é:
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Beatriz Heredia e Moacir Palmeira são dois antropólogos
brasileiros dedicados a etnografias da política. São inúmeras as
suas publicações sobre eventos e o tempo da política. No artigo
Os comícios e a política de facções, os autores tratam os comícios
como “rituais”.
"Um entendimento mais ‘completo’ de por que esse ‘jogo de força’ passa pelos comícios e não por outras formas de ajuntamento ou de comunicação política supõe uma análise tão exaustiva quanto possível desse ritual, situando-o no contexto em que ele é posto pelos que o realizam” (Palmeira e Heredia, 1995, p. 37).
Analisar os comícios como rituais implica discutir:
"Um entendimento mais ‘completo’ de por que esse ‘jogo de força’ passa pelos comícios e não por outras formas de ajuntamento ou de comunicação política supõe uma análise tão exaustiva quanto possível desse ritual, situando-o no contexto em que ele é posto pelos que o realizam” (Palmeira e Heredia, 1995, p. 37).
Analisar os comícios como rituais implica discutir:
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No capítulo Conflitos ambientais – a atualidade do objeto, Henri
Acselrad afirma o seguinte:
"O método requererá o esforço de não enfrentar em separado, por exemplo, a análise da questão da água da discussão das questões fundiárias, de articular a caracterização das dimensões físico-materiais com a explicitação das dimensões simbólicas associadas aos modos de representar o ‘meio’, ambos elementos indissociáveis na explicação das estratégias dos diferentes atores envolvidos nos processos conflitivos em causa” (Acselrad, 2004, p. 10-11).
Como outros autores dedicados à antropologia do meio ambiente, Acselrad propõe que:
"O método requererá o esforço de não enfrentar em separado, por exemplo, a análise da questão da água da discussão das questões fundiárias, de articular a caracterização das dimensões físico-materiais com a explicitação das dimensões simbólicas associadas aos modos de representar o ‘meio’, ambos elementos indissociáveis na explicação das estratégias dos diferentes atores envolvidos nos processos conflitivos em causa” (Acselrad, 2004, p. 10-11).
Como outros autores dedicados à antropologia do meio ambiente, Acselrad propõe que:
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Há quase um século, os antropólogos estudam outras formas de
vida, como Bronislaw Malinowski e os jardins, Edward
Evans-Pritchard e o gado, Gregory Bateson e os golfinhos.
Contudo, nas últimas décadas, os praticantes da antropologia
têm ampliado as perspectivas que embasam suas etnografias,
decentrando análises sobre agência e poder e advogando por
uma antropologia mais-que-humana. Uma das viradas teóricas
responsáveis por esse decentramento é a virada ontológica.
Uma das contribuições feitas pela virada ontológica é:
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Em seu artigo Antropologia e política, Karina Kuschnir afirma:
“Questionar conceitos como 'clientelismo’ é deixar de tomar esse modelo como ponto de partida; é não considerar universais termos como, por exemplo, ‘individualismo’, ‘representação’ e ‘domínio público’; é, finalmente, perceber que o universalismo é um valor inspirado no paradigma da modernização, na crença de que a imparcialidade e a objetividade devem prevalecer sobre as emoções e a subjetividade” (Kuschnir, 2007, p. 165-166).
A contribuição da antropologia para a compreensão da política é:
“Questionar conceitos como 'clientelismo’ é deixar de tomar esse modelo como ponto de partida; é não considerar universais termos como, por exemplo, ‘individualismo’, ‘representação’ e ‘domínio público’; é, finalmente, perceber que o universalismo é um valor inspirado no paradigma da modernização, na crença de que a imparcialidade e a objetividade devem prevalecer sobre as emoções e a subjetividade” (Kuschnir, 2007, p. 165-166).
A contribuição da antropologia para a compreensão da política é:
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