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Para Gilberto Velho, a antropologia urbana é uma antropologia
das sociedades complexas. Em seu artigo Estilo de vida urbano e
modernidade, o antropólogo escreve o seguinte:
“A metrópole moderna oferece a possibilidade de transitar entre
vários mundos e esferas diferenciadas. A fragmentação do
trabalho tem, como outro lado da moeda, o desenvolvimento de
áreas e domínios especializados de sociabilidade, lazer, crença
religiosa, atividade política etc.” (Velho, 1995, p. 229). A antropologia urbana de Gilberto Velho tem um dos seus
fundamentos teóricos na produção de:
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Em seu texto Esboço de uma teoria da prática, Pierre Bourdieu
escreve o seguinte:
"O caráter primordial da experiência do dom é, sem dúvida, sua
ambiguidade: de um lado, essa experiência é (ou pretende ser)
vivida como rejeição do interesse, do cálculo egoísta, como
exaltação da generosidade, do dom gratuito e sem retribuição;
de outro, nunca exclui completamente a consciência da lógica da
troca, nem mesmo a confissão de pulsões recalcadas ou,
por éclairs, a denúncia de uma outra verdade, denegada, da troca
generosa, seu caráter impositivo e custoso (‘o presente é uma
infelicidade’)” (Bourdieu, 1996, p. 7). A ambiguidade da experiência que Bourdieu descreve está
embasada em:
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Stuart Hall dedicou grande parte de sua obra à análise da cultura
e da identidade em sociedades multiculturais. No livro Pensando
a diáspora, Hall examina as identidades caribenhas diaspóricas
em condições contemporâneas de globalização. O autor
argumenta a favor da "impureza" cultural, considerando a forma
como o “velho” é transformado no “novo” e a forma como o
“exterior” se torna parte constitutiva da “cultura nacional”.
Para analisar as interações entre culturas e a impureza cultural,
Hall propõe o conceito de:
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A partir da década de 1970, o conceito de patrimônio cultural
passou por significativas transformações. Seu escopo foi alargado
para além da valorização de bens materiais de caráter
monumental. Essa mudança de perspectiva refletiu-se na
inclusão de novas categorias de patrimônio, como o patrimônio
imaterial. No Brasil, um marco desse alargamento de sentido foi
o tombamento do terreiro de candomblé Casa Branca, na Bahia,
em 1984. No Brasil, o patrimônio imaterial permite:
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No artigo Atualização e contraefetuação do virtual: o processo do
parentesco, o antropólogo Eduardo Viveiros de Castro propõe o
conceito de "afinidade potencial" para explicar as complexas
relações entre grupos e entidades nos sistemas de parentesco
ameríndios. O autor afirma que:
"A afinidade potencial, valor genérico, não é um componente do
parentesco (como o é a afinidade matrimonial, efetiva), mas sua
condição exterior. Ela é a dimensão de virtualidade de que o
parentesco é o processo de atualização” (Viveiros de Castro,
2000, p. 412). Em diversas sociedades amazônicas, a afinidade potencial:
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Em seu estudo de grupos étnicos, Fredrik Barth critica definições
que se baseiam apenas em características culturais
compartilhadas, como língua, religião ou ancestralidade comum.
Para o autor, elencar tais traços culturais, ainda que seja
relevante, não explica a persistência e a dinâmica dos grupos
étnicos em contextos de mudança e interação social. O problema
desse tipo de definição, argumenta Barth, está justamente no seu
caráter concreto e substantivo. Para o autor, é importante
elaborar uma definição conceitual da etnicidade com base em
certos critérios analíticos. Para Barth, a compreensão da etnicidade exige:
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Os laudos antropológicos, em especial aqueles relacionados à
efetivação de direitos territoriais, impõem desafios particulares
aos praticantes da antropologia. Como apontado por Ilka
Boaventura Leite, na introdução do livro Laudos periciais
antropológicos em debate:
“Os laudos são, portanto, documentos produzidos com
finalidades previamente estabelecidas, dirigidos a uma audiência
restrita, dotados de regras determinadas pelas instâncias onde
irão tramitar e podem ser submetidos a análises e avaliações
bastante específicas” (Leite, 2005, p. 25).
A elaboração de um laudo antropológico:
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Em Genealogias da religião (1993), Talal Asad critica concepções
essencialistas das religiões. Asad argumenta que a categoria
"religião", tal como compreendida no Ocidente moderno, não
pode ser aplicada indiscriminadamente a outras culturas e
contextos históricos.
Para esse autor, a religião não possui uma essência universal
a-histórica. Ela deve ser, em vez disso, entendida como um
conceito historicamente produzido. A proposta de Asad está alinhada à:
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Em As formas elementares da vida religiosa, Émile Durkheim
definiu religião da seguinte forma:
”Um sistema solidário de crenças e de práticas relativas a coisas
sagradas, isto é, separadas, proibidas, crenças e práticas que
reúnem numa mesma comunidade moral, chamada igreja, todos
aqueles que a ela aderem” (Durkheim, 1912/2003, p. 32). É correto afirmar que, para Durkheim, a religião:
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Em As estruturas elementares do parentesco (1949), Claude
Lévi-Strauss desenvolveu uma teoria sobre a proibição do incesto
e suas implicações para a estruturação das sociedades humanas.
Conforme a proposta do autor, a proibição do incesto não é nem
puramente de origem cultural nem puramente de origem natural,
e também não é uma dosagem de elementos variados tomados
de empréstimo parcialmente à natureza e parcialmente à cultura. Segundo Lévi-Strauss, a proibição do incesto:
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