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2705628 Ano: 2006
Disciplina: Inglês (Língua Inglesa)
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: MRE
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This text refer to item.

As a new form of international diplomacy develops to deal with a number of emerging issues in which science and technology play a central role, the United Nations (UN) risks being relegated to the sidelines. The influence and effectiveness of diplomats and international civil servants will increasingly depend on the extent to which they can mobilize scientific and technical expertise in their work. This need not require the UN to acquire extensive in-house scientific competence, but the organization — especially the office of the secretary general — must learn to tap advisory services to identify, mobilize, and use the best available expertise.

Although a large number of UN agencies, programs, and treaties rely on scientific and technological expertise for their work, they are not designed to receive systematic science advice as a key component of effective performance. In most cases, science is used in the UN to support special interests and political agendas that do not necessarily advance the goals of the organization. But this should not come as a surprise. The UN was founded and grew to prominence in the era of the Cold War, when much of diplomacy was devoted to dealing with threats arising from external aggression. Today, attention is turning to issues such as infectious diseases, environmental degradation, electronic crimes, weapons of mass destruction, and the impacts of new technologies, which in the past would have been the concern of individual nations but have now grown to international stature. The UN’s capacity to deal with these questions must also grow.

What is notable about the UN is that it includes organizations that cater to a wide range of jurisdictions but not to the growing community of science advisors. Even agencies such as the UN Educational, Scientific and Cultural Organization (UNESCO) have done little to provide a platform for the world’s science advisors. Specialized agencies such as UNESCO, the Food and Agriculture Organization, the World Health Organization, and the UN Industrial Development Organization relate to the UN secretary general’s office through a bureaucratic hierarchy that is not responsive to timeliness. They are generally accountable to their governing bodies and are heavily influenced by the interests of activist states.

University of Texas at Dallas (with adaptations).

Based on the text, judge the following item.

Problems that once were coped with by individual nations have now become international subjects which led the UN to devote its time to them.

 

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2705627 Ano: 2006
Disciplina: Inglês (Língua Inglesa)
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: MRE
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This text refer to item.

As a new form of international diplomacy develops to deal with a number of emerging issues in which science and technology play a central role, the United Nations (UN) risks being relegated to the sidelines. The influence and effectiveness of diplomats and international civil servants will increasingly depend on the extent to which they can mobilize scientific and technical expertise in their work. This need not require the UN to acquire extensive in-house scientific competence, but the organization — especially the office of the secretary general — must learn to tap advisory services to identify, mobilize, and use the best available expertise.

Although a large number of UN agencies, programs, and treaties rely on scientific and technological expertise for their work, they are not designed to receive systematic science advice as a key component of effective performance. In most cases, science is used in the UN to support special interests and political agendas that do not necessarily advance the goals of the organization. But this should not come as a surprise. The UN was founded and grew to prominence in the era of the Cold War, when much of diplomacy was devoted to dealing with threats arising from external aggression. Today, attention is turning to issues such as infectious diseases, environmental degradation, electronic crimes, weapons of mass destruction, and the impacts of new technologies, which in the past would have been the concern of individual nations but have now grown to international stature. The UN’s capacity to deal with these questions must also grow.

What is notable about the UN is that it includes organizations that cater to a wide range of jurisdictions but not to the growing community of science advisors. Even agencies such as the UN Educational, Scientific and Cultural Organization (UNESCO) have done little to provide a platform for the world’s science advisors. Specialized agencies such as UNESCO, the Food and Agriculture Organization, the World Health Organization, and the UN Industrial Development Organization relate to the UN secretary general’s office through a bureaucratic hierarchy that is not responsive to timeliness. They are generally accountable to their governing bodies and are heavily influenced by the interests of activist states.

University of Texas at Dallas (with adaptations).

Based on the text, judge the following item.

When the UN began its activities, its sole concern had to do with dealing with issues concerning the Cold War.

 

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2705626 Ano: 2006
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: MRE
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Madri, 14 de julho de 1857.

Senhor,

Chegou a hora de poder humildemente comparecer ante o Trono de Vossa Majestade Imperial com o segundo volume concluído da História geral do Brasil, depois de haver trabalhado às vinte horas por dia, de forma que quase sinto que estes últimos seis anos da vida me correram tão largos como os trinta e tantos anteriores. Ao ver afinal concluída a obra, não exclamei, Senhor, cheio de orgulho, “Eregi monumentu aere perennius” a minha triste peregrinação pela terra. Porém caí de joelhos, dando graças a Deus não só por me haver inspirado a idéia de tal grande serviço à nação e às demais nações, e concedido saúde e vida para o realizar (sustentando-me a indispensável perseverança para convergir sobre a obra desde os anos juvenis, direta e indiretamente, todos os meus pensamentos), como por haver permitido que a pudesse escrever e ultimar no reinado de Vossa Majestade Imperial, Cujo Excelso Nome a posteridade glorificará, como já o universo todo glorifica a sua sabedoria e justiça.

Senhor! Permita-me Vossa Majestade Imperial que, aproveitando-me, entretanto, dos méritos que devo haver contraído perante o Seu espírito justiceiro com a conclusão da História geral da civilização da Sua e minha pátria, eu lhe abra todo o meu coração, e Lhe descubra até os mínimos refolhos e rugas (boas e más) que nele se achem. (...)

Estas considerações dão-me por vezes horas de grande tristeza... E confesso, Senhor, que, sobretudo quando haverá pouco mais de dois anos se publicaram umas grandes listas de despachos, e vi nelas generosamente contemplados com títulos do Conselho, com crachás, com fidalguias a tantos que eu cria terem feito pelo país e por Vossa Majestade Imperial menos do que eu, gemi e calei (...).

Dirá Vossa Majestade Imperial que sou ambicioso. E por que não, Senhor?! — A maior glória e honra do homem é ser ambicioso, diz Guizot. Não é também Vossa Majestade Imperial ambicioso da glória? Mal do Brasil, se o não fora, como é, mercê de Deus. (...)

Sei que não falta gente que, insistindo em considerar-me como meio literato, meio empregado diplomático de cortesias (como dizem) fingem não saber tudo quanto eu, politicamente, além do grande serviço desta História, tenho trabalhado em favor de Vossa Majestade Imperial e do Império. (...)

Senhor,
De Vossa Majestade Imperial,
O mais submisso e leal súdito

Francisco Adolfo de Varnhagen

Renato Lemos (Org.). Bem traçadas linhas: a história do Brasil em cartas pessoais. Rio de Janeiro: Bom Texto, 2004, p. 58-63 (com adaptações).

Com base no que preceituam os manuais de redação oficial e as gramáticas normativas, julgue o item a seguir, relativo a trechos destacados da carta enviada por Francisco Adolfo de Varnhagen a D. Pedro II.

Há elipse da forma verbal sou no período “E por que não, Senhor?!”

 

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2705625 Ano: 2006
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: MRE
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Soy loco por ti, América

“A interpretação da nossa realidade com esquemas alheios só contribui para tornar-nos cada vez mais desconhecidos, cada vez menos livres, cada vez mais solitários.” Fomos “descobertos” ou reinventados pelos colonizadores, que impuseram o sentido que mais lhes convinha à nossa história. “Insistem em medir-nos com o metro que se medem a si mesmos” e assim se consideram “civilizados” e a nós, “bárbaros”. Não se dão conta de que “os estragos da vida são iguais para todos” e que a busca da identidade própria é tão árdua e sangrenta para nós como foi para eles. Talvez os ex-colonizadores — hoje imperialistas — fossem mais compreensivos conosco — os “bárbaros” —, se olhassem melhor para o seu próprio passado, sem a mistificação com que o envolveram antes de exportá-lo para nós.

A América Latina e o Caribe reivindicam o direito de ter uma história própria, assim como temos uma cultura e um esporte próprios — tão admirados por eles. “A solidariedade com nossos sonhos não nos fará sentir menos solitários, enquanto não se concretize com atos de apoio legítimo aos povos que assumam a ilusão de ter uma vida própria na divisão do mundo.”

“Por que a originalidade que nos é admitida, sem reservas na literatura, nos é negada com todo tipo de suspeitas em nossas tão difíceis tentativas de transformação social, que os colonizadores tiveram tanta dificuldade — eles também — para encontrar e, ainda assim, com defeitos, que cada vez mais ficam evidentes? Por que nos condenar a viver “como se não fosse possível outro destino senão o de viver à mercê dos grandes donos do mundo? Este é, amigos, o tamanho da nossa solidão.”

A Vila Isabel desfilou este ano, na passarela do Sambódromo, com o tema Soy loco por ti, América, originalmente na música de Capinam e de Gil, reatualizando as citações do discurso com que García Márquez recebeu o Prêmio Nobel de Literatura em 8 de dezembro de 1982 –— já lá vai um quarto de século.

Emir Sader. Jornal do Brasil, 26/2/2006 (com adaptações).

Com referência ao texto “Soy loco por ti, América”, julgue o item seguinte.

Com correção gramatical, a idéia principal desse texto assim poderia ser expressa: É necessário a ruptura com interpretações baseadas em esquemas alheios aos povos latino-americanos, tal como a mistificação do passado colonial, visto que elas constituem impecilho à compreensão da identidade destes povos bem como a sua efetiva emancipação.

 

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2705624 Ano: 2006
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: MRE
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Madri, 14 de julho de 1857.

Senhor,

Chegou a hora de poder humildemente comparecer ante o Trono de Vossa Majestade Imperial com o segundo volume concluído da História geral do Brasil, depois de haver trabalhado às vinte horas por dia, de forma que quase sinto que estes últimos seis anos da vida me correram tão largos como os trinta e tantos anteriores. Ao ver afinal concluída a obra, não exclamei, Senhor, cheio de orgulho, “Eregi monumentu aere perennius” a minha triste peregrinação pela terra. Porém caí de joelhos, dando graças a Deus não só por me haver inspirado a idéia de tal grande serviço à nação e às demais nações, e concedido saúde e vida para o realizar (sustentando-me a indispensável perseverança para convergir sobre a obra desde os anos juvenis, direta e indiretamente, todos os meus pensamentos), como por haver permitido que a pudesse escrever e ultimar no reinado de Vossa Majestade Imperial, Cujo Excelso Nome a posteridade glorificará, como já o universo todo glorifica a sua sabedoria e justiça.

Senhor! Permita-me Vossa Majestade Imperial que, aproveitando-me, entretanto, dos méritos que devo haver contraído perante o Seu espírito justiceiro com a conclusão da História geral da civilização da Sua e minha pátria, eu lhe abra todo o meu coração, e Lhe descubra até os mínimos refolhos e rugas (boas e más) que nele se achem. (...)

Estas considerações dão-me por vezes horas de grande tristeza... E confesso, Senhor, que, sobretudo quando haverá pouco mais de dois anos se publicaram umas grandes listas de despachos, e vi nelas generosamente contemplados com títulos do Conselho, com crachás, com fidalguias a tantos que eu cria terem feito pelo país e por Vossa Majestade Imperial menos do que eu, gemi e calei (...).

Dirá Vossa Majestade Imperial que sou ambicioso. E por que não, Senhor?! — A maior glória e honra do homem é ser ambicioso, diz Guizot. Não é também Vossa Majestade Imperial ambicioso da glória? Mal do Brasil, se o não fora, como é, mercê de Deus. (...)

Sei que não falta gente que, insistindo em considerar-me como meio literato, meio empregado diplomático de cortesias (como dizem) fingem não saber tudo quanto eu, politicamente, além do grande serviço desta História, tenho trabalhado em favor de Vossa Majestade Imperial e do Império. (...)

Senhor,
De Vossa Majestade Imperial,
O mais submisso e leal súdito

Francisco Adolfo de Varnhagen

Renato Lemos (Org.). Bem traçadas linhas: a história do Brasil em cartas pessoais. Rio de Janeiro: Bom Texto, 2004, p. 58-63 (com adaptações).

Com base no que preceituam os manuais de redação oficial e as gramáticas normativas, julgue o item a seguir, relativo a trechos destacados da carta enviada por Francisco Adolfo de Varnhagen a D. Pedro II.

As formas verbais do trecho “quando haverá pouco mais de dois anos se publicaram umas grandes listas de despachos” correspondem, quanto ao sentido, respectivamente, a faz e foram publicadas.

 

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2705623 Ano: 2006
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: MRE
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Madri, 14 de julho de 1857.

Senhor,

Chegou a hora de poder humildemente comparecer ante o Trono de Vossa Majestade Imperial com o segundo volume concluído da História geral do Brasil, depois de haver trabalhado às vinte horas por dia, de forma que quase sinto que estes últimos seis anos da vida me correram tão largos como os trinta e tantos anteriores. Ao ver afinal concluída a obra, não exclamei, Senhor, cheio de orgulho, “Eregi monumentu aere perennius” a minha triste peregrinação pela terra. Porém caí de joelhos, dando graças a Deus não só por me haver inspirado a idéia de tal grande serviço à nação e às demais nações, e concedido saúde e vida para o realizar (sustentando-me a indispensável perseverança para convergir sobre a obra desde os anos juvenis, direta e indiretamente, todos os meus pensamentos), como por haver permitido que a pudesse escrever e ultimar no reinado de Vossa Majestade Imperial, Cujo Excelso Nome a posteridade glorificará, como já o universo todo glorifica a sua sabedoria e justiça.

Senhor! Permita-me Vossa Majestade Imperial que, aproveitando-me, entretanto, dos méritos que devo haver contraído perante o Seu espírito justiceiro com a conclusão da História geral da civilização da Sua e minha pátria, eu lhe abra todo o meu coração, e Lhe descubra até os mínimos refolhos e rugas (boas e más) que nele se achem. (...)

Estas considerações dão-me por vezes horas de grande tristeza... E confesso, Senhor, que, sobretudo quando haverá pouco mais de dois anos se publicaram umas grandes listas de despachos, e vi nelas generosamente contemplados com títulos do Conselho, com crachás, com fidalguias a tantos que eu cria terem feito pelo país e por Vossa Majestade Imperial menos do que eu, gemi e calei (...).

Dirá Vossa Majestade Imperial que sou ambicioso. E por que não, Senhor?! — A maior glória e honra do homem é ser ambicioso, diz Guizot. Não é também Vossa Majestade Imperial ambicioso da glória? Mal do Brasil, se o não fora, como é, mercê de Deus. (...)

Sei que não falta gente que, insistindo em considerar-me como meio literato, meio empregado diplomático de cortesias (como dizem) fingem não saber tudo quanto eu, politicamente, além do grande serviço desta História, tenho trabalhado em favor de Vossa Majestade Imperial e do Império. (...)

Senhor,
De Vossa Majestade Imperial,
O mais submisso e leal súdito

Francisco Adolfo de Varnhagen

Renato Lemos (Org.). Bem traçadas linhas: a história do Brasil em cartas pessoais. Rio de Janeiro: Bom Texto, 2004, p. 58-63 (com adaptações).

Com base no que preceituam os manuais de redação oficial e as gramáticas normativas, julgue o item a seguir, relativo a trechos destacados da carta enviada por Francisco Adolfo de Varnhagen a D. Pedro II.

Para se estabelecer a ordem direta dos elementos do período situado em destaque, deve-se suprimir a vírgula que antecede as orações coordenadas “gemi e calei” e deslocá-las para a posição logo após a palavra “sobretudo”.

 

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2705622 Ano: 2006
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: MRE
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Soy loco por ti, América

“A interpretação da nossa realidade com esquemas alheios só contribui para tornar-nos cada vez mais desconhecidos, cada vez menos livres, cada vez mais solitários.” Fomos “descobertos” ou reinventados pelos colonizadores, que impuseram o sentido que mais lhes convinha à nossa história. “Insistem em medir-nos com o metro que se medem a si mesmos” e assim se consideram “civilizados” e a nós, “bárbaros”. Não se dão conta de que “os estragos da vida são iguais para todos” e que a busca da identidade própria é tão árdua e sangrenta para nós como foi para eles. Talvez os ex-colonizadores — hoje imperialistas — fossem mais compreensivos conosco — os “bárbaros” —, se olhassem melhor para o seu próprio passado, sem a mistificação com que o envolveram antes de exportá-lo para nós.

A América Latina e o Caribe reivindicam o direito de ter uma história própria, assim como temos uma cultura e um esporte próprios — tão admirados por eles. “A solidariedade com nossos sonhos não nos fará sentir menos solitários, enquanto não se concretize com atos de apoio legítimo aos povos que assumam a ilusão de ter uma vida própria na divisão do mundo.”

“Por que a originalidade que nos é admitida, sem reservas na literatura, nos é negada com todo tipo de suspeitas em nossas tão difíceis tentativas de transformação social, que os colonizadores tiveram tanta dificuldade — eles também — para encontrar e, ainda assim, com defeitos, que cada vez mais ficam evidentes? Por que nos condenar a viver “como se não fosse possível outro destino senão o de viver à mercê dos grandes donos do mundo? Este é, amigos, o tamanho da nossa solidão.”

A Vila Isabel desfilou este ano, na passarela do Sambódromo, com o tema Soy loco por ti, América, originalmente na música de Capinam e de Gil, reatualizando as citações do discurso com que García Márquez recebeu o Prêmio Nobel de Literatura em 8 de dezembro de 1982 –— já lá vai um quarto de século.

Emir Sader. Jornal do Brasil, 26/2/2006 (com adaptações).

Com referência ao texto “Soy loco por ti, América”, julgue o item seguinte.

O trecho “que impuseram o sentido que mais lhes convinha à nossa história” constitui uma restrição ao sentido do antecedente nominal “colonizadores”, o que justifica o emprego da vírgula após este vocábulo.

 

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2705621 Ano: 2006
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: MRE
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O menos que se pode dizer é que a simbiose cultural França/Brasil é coisa do passado, história, aliás, mais interessante do que sugerem os enfoques superficiais e fragmentários que, em geral, lhe têm sido consagrados, quase sempre preocupados com o pitoresco. Lembremos, a título de curiosidade, que, no século XVI, era o Brasil que exercia influência sobre a França, seja como terra de missão, seja por projetos de geopolítica, seja pelo tradicional atrativo que o exótico exerce sobre o ideário francês, passando pelas contaminações de vocabulário, como as palavras indígenas que, segundo Lévi-Strauss, incorporaram-se à língua francesa sem intermediação do português.

Do lado brasileiro, era um exemplo de bovarysmo intelectual, que, nos oitocentos e novecentos, resultava em inquietante, e não raro ridícula, desnacionalização mental, repetindo-se, em nossos dias, com relação ao inglês e aos Estados Unidos. Contudo, desde os começos do século XIX, Ferdinand Denis aconselhava aos escritores que, para criar uma literatura brasileira, era preciso abandonar os modelos estrangeiros em favor da temática nacional.

Acrescentemos a tradicional “visão tropicalista” que condiciona o “horizonte de expectativa francês” com relação às literaturas latino-americanas e que nós, de nossa parte, fazemos de tudo para encorajá-la com a imagem folclórica sobre nós mesmos. Daí decorre, para lembrar apenas um caso, que Machado de Assis seja visto no exterior como pouco brasileiro, pois o protótipo brasileiro é Jorge Amado.

Wilson Martins. Jornal do Brasil, 19/11/2005 (com adaptações).

Em relação ao texto acima, julgue o próximo item.

Depreende-se da argumentação do autor do texto que a literatura produzida por Jorge Amado atende à expectativa dos franceses, visto que reproduz a imagem folclórica do povo brasileiro.

 

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2705620 Ano: 2006
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: MRE
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Soy loco por ti, América

“A interpretação da nossa realidade com esquemas alheios só contribui para tornar-nos cada vez mais desconhecidos, cada vez menos livres, cada vez mais solitários.” Fomos “descobertos” ou reinventados pelos colonizadores, que impuseram o sentido que mais lhes convinha à nossa história. “Insistem em medir-nos com o metro que se medem a si mesmos” e assim se consideram “civilizados” e a nós, “bárbaros”. Não se dão conta de que “os estragos da vida são iguais para todos” e que a busca da identidade própria é tão árdua e sangrenta para nós como foi para eles. Talvez os ex-colonizadores — hoje imperialistas — fossem mais compreensivos conosco — os “bárbaros” —, se olhassem melhor para o seu próprio passado, sem a mistificação com que o envolveram antes de exportá-lo para nós.

A América Latina e o Caribe reivindicam o direito de ter uma história própria, assim como temos uma cultura e um esporte próprios — tão admirados por eles. “A solidariedade com nossos sonhos não nos fará sentir menos solitários, enquanto não se concretize com atos de apoio legítimo aos povos que assumam a ilusão de ter uma vida própria na divisão do mundo.”

“Por que a originalidade que nos é admitida, sem reservas na literatura, nos é negada com todo tipo de suspeitas em nossas tão difíceis tentativas de transformação social, que os colonizadores tiveram tanta dificuldade — eles também — para encontrar e, ainda assim, com defeitos, que cada vez mais ficam evidentes? Por que nos condenar a viver “como se não fosse possível outro destino senão o de viver à mercê dos grandes donos do mundo? Este é, amigos, o tamanho da nossa solidão.”

A Vila Isabel desfilou este ano, na passarela do Sambódromo, com o tema Soy loco por ti, América, originalmente na música de Capinam e de Gil, reatualizando as citações do discurso com que García Márquez recebeu o Prêmio Nobel de Literatura em 8 de dezembro de 1982 –— já lá vai um quarto de século.

Emir Sader. Jornal do Brasil, 26/2/2006 (com adaptações).

Com referência ao texto “Soy loco por ti, América”, julgue o item seguinte.

Há elementos no texto que permitem a inferência de que o processo de emancipação do povo latino-americano não sofreu significativas alterações no período de dezembro de 1982 a fevereiro de 2006.

 

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Questão presente nas seguintes provas
2705619 Ano: 2006
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: MRE
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Soy loco por ti, América

“A interpretação da nossa realidade com esquemas alheios só contribui para tornar-nos cada vez mais desconhecidos, cada vez menos livres, cada vez mais solitários.” Fomos “descobertos” ou reinventados pelos colonizadores, que impuseram o sentido que mais lhes convinha à nossa história. “Insistem em medir-nos com o metro que se medem a si mesmos” e assim se consideram “civilizados” e a nós, “bárbaros”. Não se dão conta de que “os estragos da vida são iguais para todos” e que a busca da identidade própria é tão árdua e sangrenta para nós como foi para eles. Talvez os ex-colonizadores — hoje imperialistas — fossem mais compreensivos conosco — os “bárbaros” —, se olhassem melhor para o seu próprio passado, sem a mistificação com que o envolveram antes de exportá-lo para nós.

A América Latina e o Caribe reivindicam o direito de ter uma história própria, assim como temos uma cultura e um esporte próprios — tão admirados por eles. “A solidariedade com nossos sonhos não nos fará sentir menos solitários, enquanto não se concretize com atos de apoio legítimo aos povos que assumam a ilusão de ter uma vida própria na divisão do mundo.”

“Por que a originalidade que nos é admitida, sem reservas na literatura, nos é negada com todo tipo de suspeitas em nossas tão difíceis tentativas de transformação social, que os colonizadores tiveram tanta dificuldade — eles também — para encontrar e, ainda assim, com defeitos, que cada vez mais ficam evidentes? Por que nos condenar a viver “como se não fosse possível outro destino senão o de viver à mercê dos grandes donos do mundo? Este é, amigos, o tamanho da nossa solidão.”

A Vila Isabel desfilou este ano, na passarela do Sambódromo, com o tema Soy loco por ti, América, originalmente na música de Capinam e de Gil, reatualizando as citações do discurso com que García Márquez recebeu o Prêmio Nobel de Literatura em 8 de dezembro de 1982 –— já lá vai um quarto de século.

Emir Sader. Jornal do Brasil, 26/2/2006 (com adaptações).

Com referência ao texto “Soy loco por ti, América”, julgue o item seguinte.

Evidencia-se, no trecho selecionado, a intertextualidade, marcada explicitamente pelo emprego das aspas, estabelecendo-se, no discurso, a relação entre a voz do autor do texto e a do escritor Gabriel García Márquez bem como a remissão ao texto de Capinam e Gilberto Gil e ao desfile da Escola de Samba Unidos de Vila Isabel.

 

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